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As relações (nada) amorosas no mundo privado dos contos de Gabriele Wohmann
Rosvitha Friesen Blume (UFSC)

O mundo privado das personagens wohmannianas

Para Hans Wagener, Gabriele Wohmann "não é uma autora politicamente engajada, como por exemplo Günther Grass ou Sigfried Lenz" 1. O germanista afirma que a obra da autora é de caráter eminentemente privado, e que os grandes acontecimentos histórico-políticos da Alemanha das últimas décadas não são retratados pela autora.

Realmente: em sua obra Wohmann desnuda a alma do indivíduo, a interioridade - geralmente de mulheres, suas dificuldades com o cotidiano e as pessoas de seu convívio. Ela escancara os sofrimentos secretos de suas personagens, em geral pessoas comuns de classe média. Seus contos e romances documentam processos interiores, freqüentemente em estruturas monológicas. Não há muita ação, muitos acontecimentos extraordinários, apenas a revelação do mundo interior de pessoas comuns.

Porém, não seria esse enfoque sobre o privado, esse desnudamento da alma, dos processos interiores de suas personagens, justamente o "tornar público os danos de séculos", a "anulação de uma mudez habitual", de que fala Renate Möhrmann 2 com relação às formas autobiográficas da literatura feminista dos anos 70?

"O privado é político". Este era um dos princípios em que se baseavam os protestos e as lutas das feministas dessa época. Os problemas de ordem privada foram trazidos a público, a fim de serem revelados como sendo de interesse coletivo, e, portanto, passíveis de ser tematizados na arena política.

Essa revalorização do privado diante do público empreendido pelo feminismo nas últimas décadas, se encontra espelhado, a meu ver, muito claramente na obra de Wohmann, e nesse sentido vejo, discordando de Wagener, retratado em sua obra um importante acontecimento histórico-político da segunda metade do século XX não só da Alemanha, mas do mundo ocidental: o novo movimento feminista, que também fez ressurgir a voz e o olhar feminino na literatura.

Esse "outro" olhar se concentra sobre o privado, sim, mas de forma a mostrar que esse privado também é público, ou seja, que ele na verdade diz respeito a muitos. E, segundo Häntzschel, o sucesso de Wohmann diante do público leitor se deve justamente ao fato de ela conseguir "representar algo intersubjetivo no privado, temas e constelações que podem ser compreendidos por diferentes pessoas, que são regra para muitos indivíduos e comuns a muitos." 3

As relações (nada) amorosas das personagens wohmannianas

Um dos temas considerados comumente como pertencentes à vida privada e que Wohmann aborda com grande freqüência é a questão da conjugalidade ou das relações amorosas.Gostaria de discutir, portanto, essa questão do público e do privado a partir de dois contos cujos personagens são casais em conflito.

Na verdade, não se pode denominar as relações entre os casais da ficção de Wohmann de amorosas, pois a escritora apresenta insistentemente casais numa convivência desarmônica, fria, e, freqüentemente, traumática.

Discorrendo sobre a obra contística de Gabriele Wohmann, Manfred Durzack diz que "a autora se mostra como uma cronista freqüentemente impiedosa das pequenas catástrofes cotidianas na convivência humana dentro das quatro paredes". Mais adiante ele afirma:

Quase não há outra obra literária contemporânea que contenha tantos inventários intensivos da complicada convivência humana marcada por esperanças exageradas de felicidade e fracassos desoladores entre dois parceiros tentando viver e sobreviver, que se unem em sua pretensão de felicidade. 4

Analisando dois contos de Wohmann

1. Domingo na casa dos Kreisands

O conto relata um dia de domingo do casal Artur e Elisabeth Kreisand. Por trás da aparência de tranqüilidade e harmonia, revelam-se algumas "pequenas" maldades do casal:

Pela manhã saem com o seu carro novo para um passeio, voltando somente ao final do dia. Não levaram, porém, seu sobrinho Bernhard, que está passando uns dias em sua casa, deixando o menino incumbido de arrumar o porão de ferramentas.

O casal também não levou em conta o aviso de uma amiga de Elisabeth, que havia acenado com uma possível visita, que realmente aconteceu, conforme Bernhard confirmou.

À noite, após o passeio, Artur e Elisabeth assistem TV e tomam vinho, enquanto Bernhard teve que ir para a cama cedo, apesar de ter escolhido, como recompensa pelo ótimo trabalho realizado no porão, assistir a um filme. Recebeu apenas uma barra de chocolate, e, por se recusar a se despir diante da tia, que inventou de dar banho nele, apanha de cinta.

O vinho que o casal consome é usurpado da adega dos pais de Elisabeth, um casal idoso que eles visitam todas as quartas feiras. Como recompensa pelo sacrifício que a visita representa para eles, Artur sempre dá uma escapadela e "desvia" uma garrafa do porão.

Os Kreisands prometeram levar os pais para uma viagem de férias, com a qual os dois velhinhos estão sonhando. Porém já se arrependeram dessa proposta e arrumaram um "álibi" para desmarcar o passeio: a pedido de Elisabeth, uma amiga da Suíça mandou uma carta, convidando insistentemente o casal para uma temporada a dois em sua casinha de férias, a qual, na verdade, Artur e Elisabeth estão alugando.

Todas essas "pequenas" maldades recebem suas justificativas: a preservação do conforto pessoal, "os Kreisands estão confortavelmente sentados em sua bela e bem arranjada sala" 5 (p.4), a proteção da propriedade privada - quanto à viagem com os sogros, por exemplo, Artur "sentia muito em decepcionar seus sogros. Mas o carro seria poupado, e isso lhe convinha" (p.2) e a manutenção da privacidade: "os Kreisands não instalaram, de propósito, um quarto de hóspedes em sua ampla casa" (p.6). Enfim, o que rege a relação desse casal é a luta pela manutenção do conforto e da privacidade de sua vida a dois, que, apesar de não ser tão perfeita, tem seus "prazeres":

Artur, por exemplo, gosta de arrotar um pouco vez ou outra, o que, aliás, lhe faz bem em vista da opstipação. Elisabeth adora tirar os sapatos, por exemplo. São coisas insignificantes, que, em conjunto, acabam tendo importância. Gostam de estar assim a dois, acostumaram-se bem um ao outro. (p.5)

 

Tratando da formação da burguesia nos séc.XVIII e XIX, Philippe Ariès afirma que a busca da intimidade suscitou novas necessidades de conforto, porque "existe uma relação estreita entre o conforto e a intimidade." 6Os personagens Artur e Elisabeth representam, de forma caricatural, a continuidade dessa tradição burguesa em plena segunda metade do século XX. Tudo o que poderia ameaçar o conforto de sua vida privada é afastado por meio das "pequenas" maldades que eles cometem, para as quais, aliás, buscam justificativas e álibis dos mais diversos: TV para crianças à noite não presta, o ar praiano não faria bem à saúde da mãe, etc. No entanto, essa privacidade que buscam defender com tanto empenho não é tão ideal assim. Já no início do conto o estranhamento formal da frase "a senhora Kreisand diz: harmonioso" (p.1) faz suspeitar que o domingo não seja tão tranqüilo assim quanto ela gostaria; mais ao final ele se desmascara como tortura:

De repente Elisabeth não sabia mais o que fazer de tanta inquietação. De repente achava o tão harmonioso domingo ordinário e nojento. Andava de cá pra lá entre suas belas coisas, no espelho barroco via um rosto abjeto: seu próprio. Os pais rejeitados, a amiga ignorada, Bernardinho. (p.7)

 

Porém, ela sabe que "o pior é que tudo ficaria por isso mesmo" (p.7). Mas não lhe faltarão truques para acalmar a consciência e salvar o sono da noite: "além do mais tomará depois uma colher de bicarbonato de sódio com um copo de leite e mel, seu sonífero." (p.5)

A vida amorosa de Artur e Elisabeth passou por algumas crises ao longo dos dezoito anos de seu casamento, porém, foram todas superadas. Entretanto, ela nunca soube de Milli Bechstein, a ex-amante de Artur, nem desconfia da atual, Irene. A propósito, Artur apelidou Elisabeth de Milli há alguns anos, podendo dessa forma, cada vez que chama a sua mulher, lembrar da ex-amante. Elisabeth não gosta do apelido, porém acredita na explicação de Artur para o mesmo, de que ele a teria chamado assim em sua primeira noite. Elisabeth não lembra disso, e nem tem como lembrar, porém, aproveitando o ensejo em prol das tão preciosas aparências, "mantém envolta em seu afetuoso mistério" a mania do apelido diante dos parentes: "ele inventou isso da noite para o dia. Mas eu não revelo a vocês por quê. É privado demais." (p.1)

A vida sexual dos dois está praticamente encerrada, para alívio de Elisabeth:

 

Carícias e coisas assim não se pode mais esperar entre eles. Elisabeth nunca gostou muito mesmo e se sente mais ou menos fora de perigo agora. Mas nunca deixou que Artur percebesse qualquer coisa nesses anos todos. Estoicamente fazia seus sacrifícios, cada vez mais raros. Bom: também essa parte está superada. (p.6)

 

Porém, nessa noite de domingo Artur resolve ser benevolente com a esposa e procurá-la novamente, apesar de que não se trata de desejo por ela, mas de satisfazer a curiosidade de saber se quem tem uma cicatriz de apêndice na barriga é a ex-amante ou a esposa. Elisabeth se assusta com a investida do marido e torce para que isso não volte a virar rotina: "Elisabeth ainda está muito comovida com isso, mas também não menos chocada. Caso esse fosse o início de uma nova era, ela o rejeitaria. Como vou me livrar dele de novo?" (p.7)

 

2. Talvez ele entenda tudo

Mathäus e Imke Bruger têm um filho com deficiência mental e física grave. Por causa desse filho, Bastel, abreviação de Sebastian - uma homenagem a Johann Sebastian Bach -, Mathäus abandonou sua profissão de organista para se dedicar inteiramente a ele. O casal se mudou para um sítio, onde Mathäus passou a confeccionar brinquedos de madeira, próprios para crianças deficientes.

O modo como Mathäus e Imke encaram a situação é muito diferente: Mathäus se dedica de corpo e alma ao menino, amando-o abnegadamente; sua vida toda gira em torno dessa criança. Já Imke sofre muito com a situação; considera o filho monstruoso, chegando a desejar-lhe a morte, o que ao mesmo tempo lhe causa sentimentos de culpa. Ela se sente abandonada pelo marido e isolada do restante do mundo. O único momento de alento para ela foi a vinda de uma equipe da televisão que fez uma reportagem sobre a vida deles com Bastel. O filme de 45 minutos, Nossa vida com Bastel , a deixa orgulhosa somente porque ela está em evidência durante a maior parte do tempo; o contato com a equipe da TV durante as filmagens foi um momento de quebra da monotonia e abandono em que vive. Imke espera ansiosamente por um novo contato do pessoal da TV, que cogitou fazer uma segunda parte de Nossa vida com Bastel. E, certo dia, Ray, o chefe da equipe telefona, marcando uma visita para a próxima semana. Imke fica muito animada e começa logo os preparativos para o grande momento: vai à cidade fazer um permanente e tintura no cabelo e comprar um vestido novo. Encontra-se também com a amiga Cláudia, que lhe retribui a visita ainda no domingo anterior à chegada da equipe. Porém, quando ela menciona a esperada visita da equipe na presença de Mathäus, este observa calmamente que ela não virá mais, uma vez que já esteve aí no dia em que Imke foi à cidade. Diante do choque com tal notícia, Imke fica emudecida. Mathäus vai buscar alguma coisa para o almoço, enquanto Claudia olha para Bastel e fica reiterando, em alta voz, o horror de sua situação, até que Imke consegue irromper num grito pedindo à amiga que cale a boca, pois, como Mathäus costuma dizer, ela o repete agora: talvez ele entenda tudo.

O dia-a-dia angustiante e desesperador de um casal com o seu filho gravemente deficiente certamente não é um tema público. Muito ao contrário: é mais do que privado, uma vez que se trata de uma minoria geralmente ignorada pela sociedade. A postura comum desta com relação a esses casos é a de não querer ver. Conseqüentemente, os pais que se encontram nessa situação costumam se isolar, assumindo o seu mundo privado mais uma característica de privação do que de privacidade. Ou seja, o mundo privado compreendido positivamente como espaço da intimidade pela sociedade burguesa moderna, se converte para essas famílias em seu oposto, pela falta de visibilidade social.

O tema tratado neste conto é, portanto, o sofrimento particular de indivíduos muito distantes da cena pública. Sua vida privada e até detalhes de sua intimidade são expostos.

São duas pessoas comuns que têm suas vidas radicalmente transformadas por um duro, muito privado e privador golpe do destino.

A transformação de Mathäus é descrita com um certo sarcasmo pela perspectiva de Imke: "Mas Mathäus, ah, ele ficava e ficava com aquela sua cara de enfermeiro-de-Bastel, um sorriso de meia sombra já crônico, o brilho de coragem sacrificial em seus olhos azul-claros." 7 (p.5)

Na verdade, Imke não se conforma com a mudança radical do marido. Em certo momento lembra dele em sua lua de mel: "O hotel sobre a duna e um Matti que era tudo menos abnegado e com voz abafada e com ares de enfermeiro, inimaginável, naquela época, a metamorfose para o carpinteiro médico naturalista sacerdotal." (p11)

Se a sua vida sexual já não era perfeita no início - Imke lembra de "um desses turnos da noite" que mais lhe pareciam de

serviços pesados, Matti arquejava e gemia muito, e ela se comportava bem e copiava mulheres que havia visto na televisão em cenas de amor, pequenos gritos haviam de ser emitidos de vez em quando e sussurrar sim, sim, ah sim, e Imke tinha pensado mais em não, não, ou não precisa , (p.11)

 

- depois de Bastel a situação se agrava: "muito pior do que uma cama de casal com Mathäus era a cama de casal com Bastel entre Mathäus e ela, era uma catástrofe, e a idéia fora de Mathäus." (p.4)

Até que Imke resolve mudar essa situação, não sem aguardar, entretanto, o momento adequado para tal:

Por um tempo ela havia aguardado um momento pacífico, alguns meses, depois de Bastel estar preparado para não precisar mais do batimento cardíaco dos pais e do calor do corpo dos pais juntamente com todas as exalações inevitáveis que Mathäus considerava vitalizantes - flatulência, ronco, peidos. E quando o momento fraterno havia chegado, Imke apresentara o seu desejo por uma cama própria. Não é nada contra você, Matti. Quanto tempo fazia Matti!

E o pior é que "Mathäus não estava ofendido, e além do mais considerava quase melhor que, se Imke tinha um sono agitado, que não o fizesse no mesmo quarto de Bastel." (p.15) Ou seja, para Imke o maior sofrimento é perceber que deixou de ser desejada. Conforme lembra Marilena Chauí, "não desejamos propriamente o outro, mas desejamos ser para ele objeto de desejo. Desejamos ser desejados, donde a célebre definição do desejo: o desejo é desejo do desejo do outro." 8 E Imke tem saudade do marido de outrora, que a desejava ardentemente.

O conto acentua bem a oposição ou o fosso entre as esferas do público e do privado através do episódio do filme gravado pela equipe de TV que fora ao ar, mas que certamente não encontrara audiência suficiente que justificasse uma seqüência da história, conforme havia sido cogitado pela equipe.

É como lembra Arfuch: a "esfera da intimidade somente logrará materializar-se através de seu desdobramento público", pois o público moderno subsume "em si mesmo existência e aparência". Ou seja, na modernidade, o "estatuto da intimidade" está estreitamente ligado ao "estatuto da visibilidade" 9. Nesse sentido Arfuch fala da "tirania do social", que exige do indivíduo um elevado grau de modelização ou de igualação, para que possa se tornar visível.

Porém, a história da família Burger não consegue esse salto para a visibilidade por ser muito diferente do "normal". A pequena repercussão cessou em pouco tempo. Imke sofre com essa indiferença do público sobre o seu mundo privado. Falta à sua esfera de intimidade a legitimação da visibilidade social.

Depois dessa pequena chama de esperança que o filme representara para ela, de sair do anonimato e do isolamento, a decepção de Imke é total: "Imke sentia sua vida familiar como morta. Liquidada através do filme." E a falta de interesse público por seu caso a leva a concluir: "Nem Deus nos assiste mais." (p.4)

Conforme lembra Arfuch, vivemos em uma sociedade que renega a diferença. Trazer a público um tema tão privado, tão "invisível", através de um conto como Gabriele Wohmann o faz aqui, pode ter a função de fazer ver, de "tornar visível", rompendo, assim, os limites muito rigorosos entre o público e o privado, vindo ao encontro do que propõe Arfuch a respeito dessa dicotomia: "uma pluralidade de pontos de vista", o que implicaria num "enfoque não dissociativo, tanto do público/ privado como do individual/ social, compatível com a concepção baktiniana da interdiscursividade, onde o que sucede em um registro está dialogicamente articulado ao outro" 10.

 

 

Wagener, H. Gabriele Wohmann. Berlin : Colloquium Verlag, 1986, p.5. Trad. nossa.

Möhrmann, R. Feministische Trends in der deutschen Gegenwartsliteratur. In: Durzack, M. (Ed.) Deutsche Gegenwartsliteratur. Ausgangspositionen und aktuelle Entwicklungen. Stuttgart: Reclam, 1981, p.341 Trad. nossa

Häntzschel, G. et al. Gabriele Wohmann. München: C.H.Beck, 1982, p.18 Trad. nossa.

Durzack, Manfred. Die Kunst der Kurzgeschichte. Zur Theorie und Geschichte der deutschen Kurzgeschichte. München: Wilhelm Fink Verlag, 2. verb. Auflage, 1994, p.260. Trad. nossa.

Wohmann, Gabriele. Sonntag bei den Kreisands. In: Reich-Ranicki, Marcel (Hrsg.). Verteidigung der Zukunft. Deutsche Geschich ten 1960 bis 1980. München: dtv, 1986. As citações do conto serão extraídas de uma tradução nossa, ainda não publicada.

Áries, Philippe. História Social da Criança e da Família. Trad. Dora Flaksman. Rio de Janeiro: LTC, 1981, 2ª ed., p.279

Wohmann, Gabriele. Vielleicht versteht er alles. München:Piper, 1997. As citações do conto serão extraídas de uma tradução nossa, ainda não publicada.

Chauí, Marilena. Laços do Desejo. In: Novaes, Adauto. O Desejo. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.25.

Arfuch, Leonor. El espacio biográfico. Dilemas de la subjetividad contemporânea. Buenos Aires: Fondo de Cultura Econômica de Argentina, 2002, p.69 e 76. Trad. nossa.

op.cit., p.78.