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O romantismo em Canaã, de Graça Aranha
Fábio Longhini (UNESP - Assis)

A proposta deste trabalho é analisar o romance Canaã (1902), de Graça Aranha, procurando destacar traços do romantismo utópico nos discursos das personagens principais e em alguns processos descritivos enunciados pelo narrador ou pelas personagens.

De acordo com uma certa sociologia (Löwy, 1990, 1995), o romantismo é mais do que um estilo de época, podendo ser considerado um movimento sócio-cultural presente em outros momentos históricos, além do século XIX, já que se trata de uma manifestação da sensibilidade frente a uma realidade adversa. Tal suscetibilidade acaba provocando a construção de utopias cuja devida avaliação exige um esforço compatível. Segundo Saliba (1991:14), "dificilmente se compreende a mentalidade romântica, se não se analisa o enorme potencial de energia utópica por ela desencadeado".

O Romantismo teve seu início no final do século XVIII e meados do século XIX, na França, Alemanha e Inglaterra de forma independente, mas semelhante e sincrônica nestes três países. A Europa neste período passava por grandes transformações, como a Revolução Francesa, a Industrial e as aventuras Napoleônicas. Nas palavras do autor:

 

A centelha romântica acendeu-se em meio aos anseios provocados pela época da Revolução Francesa, a chama foi avivada pelo início da Revolução Industrial, e começou a perder o brilho após o fim da aventura Napoleônica, transformando-se, após o fracasso das revoluções de 1848, apenas em cinzas funestas - cinzas cujo cheiro, quem sabe, nos perturba e nos incomoda. (Saliba,1991:14).

 

Houve mudanças nos valores morais da sociedade, pois as relações humanas passaram a ser impessoais, ou seja, houve uma "desumanização do homem", que passa a valer pelo que tem e não pelo que é. A Revolução Industrial trouxe a mecanização do homem, condenando os trabalhadores a trabalharem no ritmo das máquinas. "É o enriquecei-vos!", ou seja, a "tirania do dinheiro" que leva às grandes desigualdades sociais; a fome e a miséria em oposição ao luxo e às riquezas.

Os grandes centros urbanos passavam por grandes transformações, salientando ainda mais as diferenças sociais, e por conseqüência ocorreu um aumento na violência. Diante desta sociedade moderna e conturbada surgiu uma grande insatisfação, um desejo de fugir e buscar um novo horizonte idealizado, no qual não houvesse a burguesia e nem o capitalismo. Conforme Löwy:

 

[...] na ótica romântica, essa crítica está ligada à experiência de uma perda: no real moderno, algo de precioso foi perdido, simultaneamente, ao nível do indivíduo e da humanidade. A visão romântica é caracterizada pela convicção dolorosa e melancólica de que o presente carece de certos valores humanos que foram alienados (Löwy, 1999:40).

 

A visão romântica vai edificar suas utopias, ora em um movimento progressivo, ora regressivo em relação a este presente histórico negado, ou seja, trata-se de uma idealização de uma sociedade perfeita no passado e projetada para um futuro a ser alcançado.

A nostalgia de um tempo passado é sempre idealizada, é há uma busca de uma sociedade pré-capitalista, na qual os valores são mais humanos. Geralmente, ansiavam para a "Idade média católica, anterior à Reforma, à Renascença e ao desenvolvimento da sociedade burguesa". (Löwy, 1990:15). É uma tentativa de se recriar algo que foi perdido, um estado ideal. Este movimento, segundo Löwy, é conhecido como o romantismo "passadista ou retrógrado".

Há também aquele movimento que busca na própria sociedade atual a manutenção da mesma, em uma tentativa de se negar a história. Seguindo a classificação de Löwy (1990:15), é o "romantismo conservador".

O "romantismo desencantado" é aquele que sabe que o retorno ao passado é impossível, mesmo com uma insatisfação com o presente. Não há nada para se fazer, pois o capitalismo é um fenômeno irreversível; portanto, só resta resignar-se.

Para Löwy ainda há um quarto tipo de romantismo, e este, por sua vez, não quer um retorno ao passado; no entanto, nega o presente contaminado pelo capitalismo, restando apenas uma única saída, que é a projeção para o futuro. Este é chamado de "romantismo revolucionário".

É muito importante deixar claro que estes movimentos não acontecem de forma isolada e clara em uma única obra ou autor, pois pela própria sensibilidade romântica estas atitudes podem se combinar para explicar a realidade presente. O romantismo pode ser considerado tanto um movimento revolucionário, quanto reacionário, sobretudo se pensarmos na sua reação diante da Revolução Francesa.

Em suma, o romantismo aqui abordado vai além de um estilo de época; é, portanto, um movimento sócio-cultural, uma visão de mundo presente em outros momentos históricos, como o pré-modernismo, estilo de época no qual está inserido o romance Canaã , já que percebemos, nos discursos das personagens, uma manifestação da sensibilidade frente a uma realidade adversa e a construção de utopias.

O eixo central do romance é os debates entre os imigrantes recém-chegados, Milkau e Lentz. O primeiro representa o otimismo e a confiança no Brasil, além de acreditar na interação harmoniosa entre todos os povos e a natureza, demonstrando um evolucionismo humanitário, ao passo que Lentz é adepto das teorias racistas. Ele profetiza a dominação ariana sobre os brasileiros.

A narrativa começa com o encantamento de Milkau com a terra brasileira. Ele acha que ali encontrou a terra prometida de Canaã , com sua natureza harmoniosa e sua vida sem dor e nem sofrimento, na interação homem-natureza.

A imagem da ruína também pode ser percebida em Canaã . Para os românticos, tal imagem está ligada à nostalgia de um passado, no qual a revolução industrial e o capitalismo não tinham surgido, pois a revolução e a ascensão da burguesia acabam com o equilíbrio entre o homem e a natureza, porque ela passa a ser vista como "matéria-prima ou força indiferenciada de trabalho, que só adquire sua plenitude na medida em que se submete à lei, isto é, ao logos da dominação". (Subirats, 1986 : 52).

Ao passar pela Fazenda Samambaia, Milkau observa o abandono daquela propriedade em contradição com a natureza harmoniosa vista anteriormente.

 

O casarão, à vista agora, era grande e acachapado, com uma imensa varanda em volta, sem janelas, e para onde se abriam as desbotadas portas do interior. Fora branco, mas estava enegrecido, com uma cor parda desigual; aqui e ali o bolor sobre as paredes traçava estranhas e disformes visagens; da varanda descia uma escada de madeira já com a falta de degraus e com os corrimãos arrancados; na frente, crescia livre a erva de mato rasteiro, [...] (Aranha, 2002:14)

 

A imagem da ruína da casa vai sendo construída sobre a observação de Milkau de fora para dentro, ou seja, primeiramente ele olha a varanda e pelos espaços deixados pelas janelas que ali não estão mais, ele vê a casa por dentro, com suas portas desbotadas. O bolor nas paredes desenhando contornos estranhos reforça ainda mais a sensação de abandono e melancolia, mas ao mesmo tempo revela a força triunfante da natureza, que não deixa ser dominada. Segundo Subirats:

 

O motivo da ruína contém pelo menos dois outros significados irredutíveis à dimensão de uma aspiração regressiva pela disposição saudável do velho mundo medieval. De um lado, os edifícios ruídos são o signo inequívoco do triunfo da natureza sobre o poder civilizador e, portanto, sobre o poder da razão histórica moderna. Com esse tema, a sensibilidade romântica celebra a vingança assumida pela natureza contra a servidão a que é submetida pelo logos transcendental, destruindo justamente sua representação arquitetônica.(1986:53).

 

A revolução industrial acaba com o equilíbrio entre o homem e a natureza, pois a mesma só passa a existir como um resultado do trabalho do homem. Ela é vista como matéria-prima para a civilização moderna e industrial. Os românticos defendiam uma relação harmoniosa entre o homem e a natureza. No trecho a seguir podemos constatar este triunfo da natureza sobre o "poder civilizador":

 

Eram de cobre e destoavam de resto da engenhoca. Milkau notou, além disso, no grande desleixo da casa abandonada, restos de maquinismo espalhados pelo chão, tubos, caldeiras, rodas dentadas, atestando ter havido ali uma instalação melhor, que o homem, caindo de prostração em prostração, perdendo todo o polido de uma civilização artificial, para servir dos aparelhos primitivos que se harmonizavam com a feição embrutecida do seu espírito. (Aranha, 2002 :15).

 

Os maquinismos abandonados representam a modernidade que perdeu seu espaço. A volta para os aparelhos primitivos é um triunfo da natureza sobre a sociedade industrial. Percebemos também um tom nostálgico nesta passagem, dado o retorno ao primitivismo. Segundo Löwy,

 

os românticos manifestam, muitas vezes uma profunda hostilidade a tudo o que é mecânico, artificial, construído. Nostálgicos da harmonia perdida entre o homem e a natureza à qual dedicam um culto mítico, eles observam com melancolia e desolação os progressos do maquinismo, da industrialização, da conquista mecanizada do meio ambiente. (1995:63)

 

Um primeiro traço de romantismo nos discursos das personagens é a justificativa da preferência de Milkau pela lavoura ao invés do comércio, em oposição a Lentz, que o queria:

 

Não. Procuro uma vida estável e livre, e o comercio é torturado pela avidez e ambição... Além disso, penso que o trabalho digno do homem é a lavoura nos países novos e férteis como este, e a indústria no velho continente. O comércio não me atrai, com suas formas grosseiras, seus estímulos baixos, sua posição intermediária na sociedade. (Aranha, 2002:28)

 

O traço de romantismo neste discurso de Milkau está justamente na sua concepção de comércio e nas relações humanas praticadas neste meio. Com suas relações "grosseiras", ele representa o capitalismo e a desumanização das relações, pois o homem vale pelo que tem e não pelo que é. A concepção de comércio de Milkau lembra muito a de Fourier, pois para ele era no comercio "que se manifestava de forma profunda a fraude mesquinha de nossa civilização"

Milkau, Lentz e o agrimensor, Sr. Felicíssimo, sobem em um morro, no qual Milkau fica olhando a paisagem e começa a pensar no passado, e a construir, com todo seu idealismo visionário, uma projeção utópica para o futuro daquela região:

 

Milkau nesse panorama aberto lia a história simples daquela obscura terra. Porto do Cachoeiro era o limite de dois mundos que se tocavam. Um trazia, na paisagem triste e esbatida do nascente, o passado, onde a marca do cansaço se gravava nas coisas minguadas. Aí se viam destroços de fazendas, casas abandonadas, senzalas em ruínas, capelas, tudo com o perfume e a sagração da morte. A cachoeira é um marco. E para o outro lado dela o conjunto do panorama rasgava-se mais forte, mas tenebroso. Era uma terra nova, pronta a abrigar a avalancha que vinha das regiões frias do outro hemisfério e lhe descia aos seios quentes e fartos, ali havia de germinar o futuro povo que cobriria um dia todo o solo, e a cachoeira não dividiria mais dois mundos, duas histórias, duas raças que se combatem, uma com pérfida lasciva, outra com a temerosa energia, até se confundirem num mesmo grande e fecundo amor (Aranha, 2002:26)

 

A visão de mundo das alturas está muito presente nos heróis românticos, segundo Antonio Candido: [...] "Torre, morro, pico de ilha rochedo isolado, castelo elevado, o próprio espaço, são lugares prediletos dos românticos, que neles situam os encontros do homem com o seu sonho de liberdade ou poder".[...] (1978:5)

A sua projeção romântica via ali a interação das raças, ou seja, o imigrante se misturaria com o autóctone e aí não haveria mais distinção de raça e cultura, todos viveriam em harmonia. Percebemos em Milkau traços do "romantismo revolucionário ou utópico que recusa, ao mesmo tempo, a ilusão de retorno às comunidades do passado e a reconciliação com o presente capitalista, procurando uma saída na esperança do futuro"(Löwy,1990 p.16)

Milkau, em oposição a Lentz, acredita na fusão das raças, em um "evolucionismo humanitário" e na integração do imigrante com a realidade brasileira."As raças civilizam-se pela fusão; é o encontro das raças adiantadas com as raças virgens, selvagens, que está o repouso conservador, o milagre do rejuvenescimento da civilização"(Aranha , 2002, p.35). Segundo as reflexões de Milkau:

 

Quando a humanidade partiu do silêncio das florestas para o tumulto das cidades, veio descrevendo uma longa parábola da maior escravidão à maior liberdade. Todo o alvo humano é o aumento da solidariedade, é a ligação do homem ao homem, diminuídas as causas de separação. No princípio era a força, no fim será o amor. (Aranha, 2002:36).

 

Neste discurso de Milkau percebemos um paralelo com o romantismo de Fourier, porque o mesmo também acreditava que os males da civilização eram passageiros. A imagem da parábola representa bem este processo, pois a humanidade nasce pura sem o capitalismo, passa por esta ordem que escraviza o homem, mas no final o homem consegue se libertar: "...o fourierismo acreditava que a civilização, com todos os seus males, era transitória, devendo ser superada ao longo do tempo" (Saliba,1991:74)

Os dois alemães, ao passearem por Santa Tereza, ficam encantados com a comunidade local, pois os habitantes estão cercados de paz. A comunidade trabalha de forma primitiva, muito diferentemente das indústrias européias, que os imigrantes estavam acostumados a ver. Os trabalhadores utilizam as mãos, de forma bem diversa do trabalho nas indústrias. Podemos perceber tal encantamento no fragmento a seguir:

 

Um alfaiate passava a ferro um pano grosso; mulheres fiavam nos seus quartos, cantarolando; outras amassavam o trigo e preparavam o milho para o fubá; sempre o pequeno trabalho manual, humilde e doce, sem o grito do vapor e apenas, como única máquina, um pequeno engenho para mover os grandes foles de uma forja de ferreiro, que a água de uma represa fazia rodar com estrépito sonoro. (Aranha, 2002:47).

 

Como já foi dito, os românticos buscavam a interação entre o homem e a natureza, por isso desprezavam tudo o que era de maquismo, artificial e mecânico, pois sabemos que as máquinas surgem com a Revolução Industrial. Aquela vida primitiva é como uma volta ao passado, nota-se uma integração dos habitantes locais com a natureza, pois ainda a mão do homem não tinha sido substituída pela máquina: "Havia uma felicidade naquele conjunto de vida primitiva, naquele rápido retrocesso aos começos do mundo. Ao espírito desmedido e repentista de Lentz esse inesperado encontro com o Passado parecia a revelação do mistério" (Aranha, 2002: 47) Há neste trecho traços do romantismo passadista ou retrógado.

O Brasil, entre o final no século XIX e o começo do século XX, representava para a sociedade européia uma região exótica, um "alhures". Neste período o país começava a se desenvolver, por isso ainda carregava o trabalho primitivo e manufaturado. Tudo isso era visto pelos românticos como uma volta ao passado, no momento em que a sociedade ainda não estava corrompida pelo capitalismo. Segundo Löwy:

 

é possível também fugirmos da sociedade burguesa, abandonando as cidades pela vida no campo e os países 'modernos' pelos 'exóticos', abandonando os centros de desenvolvimento do capitalismo para nos dirigirmos em direção de um 'alhures' qualquer que conserve, no presente, um passado mais primitivo (1995: 43)

 

No trecho a seguir podemos verificar que Lentz e Milkau tem uma visão marxista do trabalho em que as indústrias e a produção em série são fatores de alienação, pois o homem passava a não ter conhecimento total do que estava produzindo: "[...] sim a máquina, especializando e eliminando os homens, tirou-lhes a percepção integral da indústria; hoje, porém, que o homem a transformou em um instrumento de movimentos próprios, ele se libertou, readquiriu a sua inteligência"(Aranha, 2002: 48). Segundo Löwy,

 

Marx não sonha, com Ruskin, em restabelecer o artesanato medieval, mas considera o trabalho industrial como uma forma social culturalmente degradada em relação às qualidade humanas pré-capitalistas; "os conhecimentos, a inteligência e a vontade desenvolvidos pelo camponês e artesão independente perdem-se na atividade parcelada dos operários da indústria (1995:146)

 

Para os dois imigrantes, aquela colônia, com suas casas simples, era a verdadeira terra prometida de Canaã, ou seja, o paraíso na terra, a sociedade perfeita, pois ali parecia não haver sofrimento, só alegrias. Um local novo onde tudo poderia começar diferentemente da sociedade européia atolada em contradições e sofrimento. Ali nasceria uma sociedade longe do capitalismo: "É que a felicidade é o esquecimento e a esperança. Parece-me que atingimos uma região aonde não chegam os gemidos humanos; aqui não há um sinal de sofrimento" (Aranha, 2002:67).

Porém, na medida em que Milkau vai conhecendo mais de perto a colônia, a sua projeção utópica sobre aquela terra vai se desfazendo. Ele se compadece com o infortúnio de Maria; e seu idealismo visionário se transforma em ações na tentativa de salvar aquela infeliz dominada pela tirania dos mais fortes.

Milkau, em uma noite, tira Maria da cadeia e foge com ela em direção de Canaã:

 

Fujamos para sempre de tudo o que te persegue; vamos além, aos outros homens, em outra parte, onde a bondade corra espontânea e abundante, como a água sobre a terra. Vem... subamos àquelas montanhas de esperança. Repousemos depois na perpétua alegria ... Vamos... Corre... (Aranha, 2002:191)

 

Na busca de Canaã há a imagem da montanha, da escalada. Como que, para atingir esta sociedade ideal imaginada, precisa-se escalar para atingir o ponto mais alto, perto dos deuses, num mundo platônico.

É uma "corrida no infinito" em busca da luminosa Canaã, a terra Prometida, "onde as feras não fossem homens". Canaã é o poema das raças novas da miscigenação das raças, de onde nascerá a perfeita harmoniosa universal:

 

-Não te canses em vão... Não corras... É inútil... A terra da Promissão, que eu ia te mostrar e que também ansioso buscava, não a vejo mais...Ainda não despontou a Vida. Paremos aqui e esperemos que ela venha vindo no sangue das gerações redimidas. Não desespere. Sejamos fieis à doce ilusão da Miragem. Aquele que vive o Ideal contrai um empréstimo com a Eternidade...(Aranha, 2002:193)

 

Percebemos neste trecho que Milkau, em sua busca por Canaã, constata que ela ainda não existe, por isso não adianta continuar a procurá-la. O melhor é esperar e continuar idealizando, pois quem imagina e constrói esta utopia de uma sociedade perfeita acaba vivenciando um pouco dela no imaginar.

Portanto, o romance Canaã , apesar de pertencer ao movimento literário que antecede ao modernismo e de ser classificado didaticamente como Pré-Modernista, possui traços do romantismo utópico encontrados nos debates das personagens, como a visão passadista da colônia primitiva no seu trabalho manual e nas imagens criadas ao longo da narrativa, como a da ruína, que tem uma forte ligação com a nostalgia romântica.

O eixo central da narrativa é formado pelo debate entre as personagens Milkau e Lentz. Neles são discutidos diversos aspectos sociais e de formação da identidade nacional, o que nos leva a compreender um pouco mais a formação do Brasil e principalmente o desenvolvimento de nossa identidade cultural, em meio a tanta influência estrangeira. Este tema iria ser discutido posteriormente por alguns escritores na Semana de 22.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

ARANHA, Graça . Canaã. 4 ed. São Paulo: Ática, 2002.

BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970.

CANDIDO, Antonio: Tese e Antítese: ensaios. 3 ed. São Paulo: Ed Nacional, 1978 , pp 3-28.

LÖWY, Michel e SAYRE, Robert. Revolta e melancolia: o romantismo na contra-mão da modernidade ( trad. De Guilherme J de F. Teixeira).Petrópolis, RJ: Vozes,1995

LÖWY, Michel .Marxismo e Romantismo Revolucionário . IN: Romantismo e messianismo: ensaios sobre Lukács e Bejamin (trad. de Myrian V. Baptista e Magda Silva P. Baptista). São Paulo: Perspectiva/Editora da Usp, 1990.

SALIBA, Elias Thomé. As utopias românticas. São Paulo: Brasiliense, 1991

SUBIRATS, Eduardo. Paisagens da solidão. (trad. de Denise E. Bottmann).São Paulo: Duas Cidades, 1986.