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No entorno do chaco paraguaio: Lídia Baís e Josefina Plá
Paulo Sérgio Nolasco dos Santos (UFMS)

A região cultural compreendida pelo pantanal mato-grossense, numa extensa faixa que se estende pelo chaco, recobrindo portanto ampla parcela do território paraguaio, guarda em sua história cultural vários traços de identidade comum, que continuam despertando interesse aos estudiosos da cultura, seja brasileiro seja paraguaio. A história dessa região do extremo oeste brasileiro poderia ser contada a partir de perspectivas tão várias como variada é a história e a constituição identitária dela mesma. Em um aspecto particular, o processo de colonização e desbravamento no estado de Mato Grosso fora impulsionado pela vigorosa gesta de bandeirantes pioneiros que, independentemente do reconhecimento dos limites de fronteira, acabaram povoando aquela região cultural num espaço indelimitado e indiviso, bem diverso do que demonstra a cartografia contemporânea. Os trânsitos e travessias que ai se fizeram parecem resultar no próprio dilema da representação cultural que constitui, a um só tempo e num só compasso, aqueles que vivem do lado de cá, no Brasil, e os do lado de lá, no Paraguai. É sob o signo emblemático do esquecimento e do sentimento de despertencimento que podemos recompor traços de identidade tão comuns, que nos tornam tão reconhecidos uns aos outros; diria mesmo que chegamos a fundar nesse espaço imaginário a nossa própria Macondo, cidade-país dos sonhos embalados pelos acordes maviosos da guarânia. Prefigurando essa Macondo imaginária, a historiadora Aline Figueiredo assim descreveu a face da nossa identidade ameríndia:

Fomos desvendados, em termos europeus, pela captura do índio, descobertos pelos metais e fixados pelo boi. Pela procura ou pelo encontro dos metais, prata na Bolívia, ouro em Mato Grosso, fomos ocupados entre os séculos XVI e XVII, no caso do Paraguai e da Bolívia no século XVIII, no contexto mato-grossense,e, com a sua ausência ou escassez, fomos despovoados e esquecidos com a mesma rapidez com que fomos ocupados. Durante três séculos ruminamos com os nossos bois a mesmice e o marasmo do tempo. E com eles, pastando soltos pelos campos indivisos, delimitamos as nossas fronteiras. Nesse decorrer vivenciamos a sanha das atrocidades como ninguém. Construímos a nossa sociedade mestiça, mesclada de usurpados e usurpadores. 1

 

Sobre tais considerações, o caráter de ensimesmado deixa entrever uma faceta extremamente singular, não só da vida e dos costumes dessa região fronteiriça com o Paraguai, mas principalmente das próprias produções simbólicas ( se pensarmos nas artes plásticas, na língua, na música, por exemplo) das nossas mais expressivas personalidades artísticas. Também se salienta uma participação ativa da identidade cultural do povo paraguaio como um dos mais fortes traços culturais de Mato Grosso do Sul, extrapolando os gêneros musicais, como a polca paraguaia, a guarânia e o chamamé, integrando a culinária, as crendices, lendas e manifestações religiosas e folclóricas. 2O nome mais completo, nesse paradigma do ensimesmar-se de nossa gente e de nossa terra, diz respeito à artista precursora das artes plásticas em Mato Grosso, Lídia Bais. Para Lídia Bais, então, voltamos especialmente nossa atenção com o objetivo de acompanhar os passos da notável artista que marcou a história das artes plásticas na região, além de perscrutar o lugar fronteiriço, de transição e errático que tanto sua figura e vida quanto sua obra dão testemunho singular, quer da solidão ou da loucura a que o isolamento de igual modo ensombrou sua curta, porém intensa trajetória artística. Artista plástica que deixou valiosa produção pictórica, Lídia Bais reflete o perfil do artista mais ensimesmado. Pois, apesar da sua intensa correspondência com outros intelectuais do início do século, que ainda se mantém inédita e anônima, pode-se reconhecer em seu perfil e em sua trajetória os traços do artista que não só se isolou do meio artístico, como forçoso é reconhecer que o fato de ser uma mulher com vocação artística, nascida no início do século, ano de 1900, ( morando em Campo Grande, que, à época contava com cerca de mil habitantes e assemelhava-se a uma grande fazenda à qual chegavam aventureiros de todos os credos e raças), fez com que sofresse intensamente as circunstâncias da opressão patriarcal e social caracterizadores dos costumes provincianos. Como testemunha Raquel Naveira, Lídia exercia o fascínio que os seres fantásticos exercem em nossa imaginação, quando os vizinhos e parentes contavam histórias sobre ela, seus quadros, seus hábitos estranhos e escrevendo sobre a forte lembrança da artista, observa: Lidia era tida como "meio louca", era uma personagem intrigante: uma artista de alma amarrada e flagelada, talento que desabrochou e foi abafado na marginalidade . 3Se, no início do século as nossas relações culturais e intercâmbio comercial com o Paraguai eram tanto ou mais intensificadas do que com a metrópole brasileira, pois, à época eram precisos vários dias para chegar-se a cavalo, ou de carro-de-boi a outros centros, aspecto conformador do nosso isolamento e do nosso destino, cresce em interesse o fato de Lídia Bais ter sido mandada a Assunção para receber educação num colégio interno onde passou alguns anos. Sua experiência e vivência em internatos foi longa e deu-se repetidas vezes. No Brasil, chegou a perambular por vários deles, sempre retornando a sua cidade natal, sob a vigilância severa da família e da figura paterna sobretudo, que queria moldá-la para a vida familiar e do matrimônio bem sucedido, ao que a artista tentava reagir por meio da pintura iconoclasta que realizava. Reagindo à prisão de um casamento encomendado, pois fugiu de casa no quinto dia após o casamento, que assim não se consumou, Lídia vai em busca de uma vida de isolamento e de reflexão, cujo claustro ergueu paredes místico-religiosas que tanto caracterizam suas pinturas e os diversos manuscritos emblematicamente marcados pela cruz e pelo cristianismo a que se apegou nas repetidas leituras da bíblia e contemplações de obras de arte da tradição católica. O isolamento dava-se em uníssono à vida e ao trabalho, pois tinha consciência do caráter fugaz e excedível de sua obra: "A pintura faz a gente transcender as misérias da vida. Mas é uma febre que passa. Não deixa nada a não ser a tinta seca na paleta". 4 Desse claustro que a artista serenamente construiu e nele se recolheu, poucas são as vezes em que estabeleceu um contato público com a vida social e artística: apenas uma vez organizou e realizou sua primeira e única exposição individual, que aconteceu na Policlínica Geral do Rio de Janeiro , em dezembro de 1929. Essa exposição contou com a presença de vários artistas e personalidades da época como Povina Cavalcanti e Murilo Mendes. Esse fato pode ser conferido na fotografia do vernissage da exposição, que reproduzimos anexa (I).

Três anos antes dessa exposição, Lídia conhecera o poeta mineiro e crítico de arte, Murilo Mendes, com quem manteve interessante correspondência que aqui queremos assinalar. Aliás, as relações da artista com Murilo Mendes vão além da correspondência que recebia em Campo Grande, mas encontra-se entranhada ela mesma no projeto e na poética de fundo religioso que caracteriza tanto a vida e a obra de Lídia quanto as de Murilo Mendes. Segundo o historiador da arte Paulo Rigotti, registram-se quatro cartas endereçadas a Lídia por Murilo, sendo uma delas dirigida a René de Castro em fevereiro de 1930, onde o poeta mineiro recomenda uma exposição de Lídia em São Paulo, incumbindo-o de "apresenta-la em alguns jornais e a alguns críticos ou escritores decentes". Outra carta foi endereçada por Murilo ao escritor Mario de Andrade, solicitando ao poeta modernista que orientasse a artista na exposição que pretendia fazer em São Paulo, informando ser ela "...uma interessantíssima artista brasileira e universal que pretende honrar a cidade de S.Paulo fazendo ai uma exposição de quadros. Tenho certeza que você poderá orienta-la na exposição. Esta é a razão desse bilhete". 5 Uma outra carta, recentemente encontrada e totalmente inédita, integra o rol das correspondências de Lídia, que aqui reproduzo por sua importância e singularidade histórica. Já batizada como sendo a "quinta carta", foi escrita por Murilo Mendes em janeiro de 1930, e tece importante avaliação prospectiva sobre a obra de Lídia, relatando as relações de amizade dos dois com Ismael Nery e René de Castro. 6 Além disso, como observa a Professora Alda Couto, essa carta "confirma a tese de que ambos compartilham a experiência de construir carreiras artísticas no Rio de Janeiro, na travessia, imaginária e real, de distâncias e desníveis culturais, mantendo um traço peculiar e polêmico na época e hoje: a influência do cristianismo tangenciada pelas idéias de Ismael Neri, denominadas essencialismo". 7

À época em que essa carta foi escrita, no ano de 1930, Lídia voltara definitivamente para Campo Grande, sua cidade natal, onde se retira, enclausurada, de uma vida passada nos diversos internatos que compreenderam sua "peregrinação educacional" e que a ensinaram a "ser submissa, passiva, conformada, lições que rejeita, ansiosa de ser ela mesma, capaz de determinar seu próprio destino". 8Na grande bagagem de volta, Lídia trazia consigo a expressiva experiência que ganhara em suas aulas de pintura com Oswaldo Teixeira na Escola Nacional de Belas Artes, e também com Ismael Nery, precursor do Surrealismo no Brasil e inaugurador do gênero cubista-expressionista, que acaba sendo a matriz mais visível da pintura de Lídia Bais.

Em seu exílio definitivo, Lídia Baís acalentou o sentimento de gênio incompreendido, de ser injustiçado pela família e de necessidade de reconhecimento externo, que, malgrado os minguados trabalhos sobre sua obra, seu próprio nome ainda permanece envolto em imensa penumbra; desditosas condições sócio-culturais que o cercaram, restringindo e desterrando o seu nome para um lugar de mistério e assombro, como sintomaticamente se intitula o único e valioso trabalho publicado sobre a artista, Territórios do assombro, de autoria da professora Alda Couto.

Também no início do século, em 09 de novembro de 1909, nascia a poetisa hispano-paraguaia Josefina Plá, que, radicando-se em Assunção desde 1927, iria se tornar a mãe da cultura paraguaia contemporânea. Seu nome, entrelaçado à figura de uma intelectual insigne, despertou nossa atenção na medida em que torna possível perscrutar em sua singularidade vários elos de ligação e traços de parentesco com a nossa Lídia Baís; pois, antes de tudo, viveram muito proximamente no tempo e no mesmo espaço geográfico em que suas obras floresceram e que por isso mesmo vieram se estiolar sua recepção e fortuna crítica. Foi com tal sentimento que voltei de Assunção, em outubro de 2002, quando constatava que realmente o meridiano de Greenwich não passava por aqui, como aliás não passava por tantas outras latitudes ... E como era cruel o tal meridiano sempre que não podia auferir o valor e importância de uma obra, se ela não se identificasse e/ou deixasse indexar-se à metrópole, à cidade de Paris, das Letras e centro da civilização. Constatava, assim, mais e mais a veracidade da tese de Pascale Casanova, em A república mundial das letras .

Josefina Plá faleceu em 11 de janeiro de 1999, deixando um valoroso legado artístico-literário para a cultura paraguaia que tem sido registrado a partir de suas variadas atividades como escritora, pintora, ceramista, dramaturga, jornalista, indigenista e até como bordadeira de tecidos típicos paraguaios. O relativo desconhecimento em relação ao nome de Josefina Plá, personalidade pouco conhecida até em Espanha, deve-se creditar sintomaticamente ao fato de a poetisa ter vivido na capital paraguaia, num país onde se vive um provincianismo cultural asfixiante e de escassos intelectuais de verdade. Até mesmo seu nome, quando aparece em ensaio dedicado à presença da mulher na poesia latino-americana, fica restrito a uma nota de três linhas, noticiando vagamente sua origem e presença na cultura paraguaia, não informando ao menos os anos de seu nascimento e morte. Em minha pesquisa tive o prazer de ser agraciado com a Separata de poesias Catorce poemas: Dos manuscritos e com o artigo " Em memória de Josefina Plá (1909-1999 )", esse de autoria de José Vicente Peiró Barco, de que me valho para tecer esses comentários e para ler alguns poemas de Josefina. A despeito de tal ensombrecimento, Maria Josefina Pla Guerra Galvany (nome completo) Dama de Honor de la Orden de Isabel la Católica, nomeada em 1977, foi agraciada com diversas homenagens: Mulher paraguaia do ano (1977), Medalha do Bicentenário dos Estados Unidos da América (1976), Medalha de Ouro das Belas Artes de Espanha (1995), além de haver sido finalista no concurso de méritos para o Prêmio Príncipe de Astúrias em 1981 e sua postulação e candidatura para o Prêmio Cervantes, entre os anos 1989 e 1994, dentre outras. Sobre sua vasta obra, o que mais se salienta é a grande capacidade de renovação que teve o mérito de imprimir à poesia paraguaia, no que vai se tornar modelo e exemplo para os outros autores companheiros de geração, como Hérib Campos Cervera e o reconhecido Augusto Roa Bastos. Da variada produção da escritora, destaco seu primeiro livro de poesia simbolista, El precio de los sueños (1934), e El espejo y el canasto (1981), recopilação de alguns contos escritos ao longo de sua vida no Paraguai.

Leio agora, num misto de enternecimento e gratidão, os poemas de Catorce poemas: Dos manuscritos , em Edição de Miguel Ángel Fernández, publicados sob os auspícios do XXIII Simpósio Internacional de Literatura, realizado em Assunção de 4 a 9/08/2003 e do Instituto Literario y Cultural Hispánico da Califórnia/Estados Unidos. Inicialmente, chama minha atenção o poema "Las puertas", onde a porta metaforiza a ansiedade do sujeito lírico que vê todas as portas fecharem-se cedo na vida, até que uma única porta permanece aberta, abrindo e oferecendo a passagem definitiva para um lugar "sin paisaje y sin mirada":

Um cerrarse de puertas,

a derecha e izquierda ;

un cerrarse de puertas silenciosas,

siempre a destiempo

siempre un poco antes

o un momento demasiado tarde;

hasta que solo queda abierta una,

la única puntual,

la única oscura,

la única sin paisaje y sin mirada. 9

 

Releio igualmente com emoção os poemas "Quisera" e "Mi beso es muchedumdre", e deparo com a dor e o desamparo num lirismo imenso de arrebatamento, nesses poemas marcados pelo golpe da "cuchilla", do "puñal" e da "espada": "Quisiera alguna vez ser la cuchilla / que me corta y saber lo que ella siente". 10 Com propriedade e autoridade o crítico paraguaio Miguel Ángel Fernández , além de observar o esplendor estético das construções poemáticas de Josefina Plá, assinala influências de Baudelaire e dos simbolistas na primeira fase de sua criação poética, de expressividade excepcionais . José V.P. Barco foi visitar Josefina Plá, no dia 13 de agosto de 1995, em sua casa próxima ao centro de Assunção, plena de ressonâncias poéticas e emblematizadora do retiro à que a poetisa se reservou nos últimos anos da vida. Era uma casa cercada por uma selva virgem no lugar de um jardim harmônico, com plantas sem poda e desastradas, como se entre o amor ao abandono e a natureza pura. Ali encontrou uma pessoa singular, cercada de gatos por toda parte, e sentia-se conversando com uma pessoa que "praticamente havia dito que já não desejava viver mais" e que não mais podia ler devido à avançada perda da visão, descrevendo assim aquele último encontro:

Más tristeza senti cuando me enseñó su desordenado archivo. Los gatos dormían placenteramente entre papeles, libros y periódicos. Un archivo tan importante destrozado por el tiempo, las fieras y el desorden. Dña Josefina fue una mujer de carácter fuerte, dominante, y nunca dejó que le ordenaran sus asuntos, papeles y trabajos. Por eso pude suportar el ser una gran poetisa metida en una sociedad fuertemente dominada por el hombre, como la paraguaya. Y con la vejez el caráter se acentúa y se vuelve irreversible. 11

 

Como se pode notar, a história de vida de Josefina Plá, bem como a evolução da trajetória de sua produção poética resultam cercadas pelos contornos do enigmático e do misterioso. Sua história se escreve à margem, porque sua vida decorreu num tempo e lugar hostis, principalmente e sobretudo porque, apesar de ser a mais importante intelectual espanhola no Paraguai, ela era uma mulher escritora e paraguaia, com dificuldades para competir num mundo exclusivamente masculino, sofrendo em vida a exclusão, mas que, contudo, abriu as portas para outras mulheres como Renée Ferrer, Lourdes Espínola, Susy Delgado e outras.

À guisa de conclusão, pode-se dizer que a figura de Josefina Plá se mistura e confunde com a da nossa artista plástica Lídia Baís. A casa de Lídia, para onde a artista também se retirou do mundo e da vida social, mais parecia uma ilha da qual nunca mais saiu e nem recebeu ninguém, cujas notícias são parcamente relatadas por Glorinha Sá Rosa e através das lembranças de Raquel Naveira que, no ensaio "Lydia Baïs", assim resumiu a figura da artista: Ficou presa na própria teia como uma aranha trágica e fatal. O principal elo entre as duas artistas parece ser o exílio voluntário ou não a que ambas se impuseram, confinando-se, numa espécie de resposta e atitude às inúmeras dificuldades das condições sócio-culturais do início do século, no lugar e tempo que lhes coube viver.

ANEXO I

Exposição de Pintura de T. Lídia Baís ao lado do grande escritor Povina Cavalcanti, o notável Murilo Mendes e outros amigos

Foto do Vernissage da exposição de Lídia Baís na Policlínica do Rio de Janeiro, em dezembro de 1929 ( Lembrança do Museu Baís: sala das fotografias ) (BAÍS, [ca. 1960]c, p. 3)

 

 

 

FIGUEIREDO, Aline. Por uma identidade Ameríndia. In: Catálogo do VI Salão de Artes Plásticas de MS : por uma identidade Ameríndia. Campo Grande: FCMS/SEC, 1987, p. 8.

HIGA, Evandro. A música como elemento identitário: a contribuição cultural paraguaia em Mato Grosso do Sul. In: RUSSEFF, I; MARINHO, M; NOLASCO-SANTOS, P.S. (Orgs.). Ensaios farpados : arte e cultura no pantanal e no cerrado. Campo Grande: Editora UCDB, 2003, p.91-108.

NAVEIRA, Raquel. Lydia Baïs. In: _________ . Fiandeira . São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1992, 95p.

ROSA, Maria da Glória. Lídia Baís: A arte além do tempo. Revista MS Cultura , Campo Grande, a.1, n.4, jan./fev./mar, 1986, p.13-18.

RIGOTTI, Paulo Roberto. A intertextualidade e o imaginário pictórico no processo criativo de Lídia Baís. 2003.195 fl. Dissertação (Mestrado em História) - Departamento de História, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Dourados.

Devo a cópia reprográfica da carta de Murilo Mendes à Professora Alda Quadros do Couto.

A carta, na íntegra, é a seguinte:

Rio, 2.1.1930.

Grande brasileira e artista Lia Baïs,

acabo de receber sua carta. Lamento não poder ir a S. Paulo ajudal=a na sua exposição; minha atual situação material não o permite. Entretanto poderei auxilial=a daqui mesmo. Junto encontrará você duas cartas, uma para o Mario de Andrade, grande critico e escritor brasileiro, e outra para o René de Castro, homem de teatro e jornalista. Ambos são excelentes camaradas e muito poderão servil=a quando fôr ocasião.

Estimo saber que você vai a Mato Grosso, e, num ambiente mais puro, concertar as suas idéias, coordenal=as com serenidade maior. Juro que sua pintura ganhará com isto - é preciso que você abandone completamente as fórmulas antigas, que de nada lhe adiantarão.

Ismael chegou de Buenos Aires. Vou buscar o desenho na rua Silveira Martins.

Espero sempre suas notícias.

Saudades do Murilo Mendes

Baia Botafogo - 400.

______________________________

Mantém-se a grafia do original, fac-similado e anexado ao conjunto de figuras que ilustram este trabalho. O original pertence ao acervo em poder de Dulce Baïs, casada com ... Baïs, sobrinho neto (?) de Lídia Baïs, filho de.

 

COUTO, Alda Maria Quadros do. De Murilo Mendes para Lídia Baís: uma carta inédita - prenúncio do "olho armado" e das "algemas quebradas". Campo Grande, 2004. (inédito)

ROSA, Maria da Glória. Lídia Baís: A arte além do tempo. Revista MS Cultura , Campo Grande, a.1, n.4, jan./fev./mar, 1986, p.13-18.

PLÁ, Josefina. Catorce poemas : dos manuscritos. Asunción del Paraguay: XXIII Simpósio Internacional de Literatura "Cultura, Región, Identidad"; Westminster, California: Instituto Literario Y Cultural Hispánico, 2003. Separata de: FERNÁNDEZ, Miguel Angel (Ed.) Asunción, Paraguay: Colección Stylos, ago. 2003 (Edición del Centenario), p. 12.

Ibid., p. 15.

BARCO, José Vicente Peiró. Em memória de Josefina Pla (1909-1999). In: Exégesis . Revista de la Universidad de Puerto Rico en Humacao. Humacao: Universidad de Puerto Rico, n. 39/40, 2001, p. 4.