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Literatura Chicana: Novas práticas discursivas
Giséle Manganelli Fernandes (UNESP/SJRP)

A fronteira geográfica México/Estados Unidos serve de base para as inquietações que a autora chicana Gloria Anzaldúa desenvolve em seu livro Borderlands/La Frontera : The New Mestiza (1987) 1 , buscando estabelecer uma consciência de uma nova mestiça: "a new mestiza consciousness, una consciencia de mujer " 2 .

Ora, esta "nova mestiça" encontra-se envolvida por diferentes culturas, isto é, a índia, a mexicana e a branca:

la mestiza is a product of the transfer of the cultural and spiritual values of one group to another. [.]

El choque de un alma atrapado entre el mundo del espíritu y el mundo de la técnica a veces la deja entullada . Cradled in one culture, sandwiched between two cultures, straddling all three cultures and their value systems, la mestiza undergoes a struggle of flesh, a struggle of borders, an inner war . 3

 

Desta luta interna ela deve tirar seu maior estímulo para buscar suas convicções e ela pode ter toda a motivação possível para se fortificar e não se deixar dominar. É esta cultura mestiça que Anzaldúa mostra ser vigorosa e que deve libertar-se do poderio dos homens e dos brancos. A "nova mestiça" deve procurar seu próprio caminho, viver as suas emoções de maneira livre sem que qualquer imposição de caráter moral ou religioso lhe seja feita. Desta mistura deve surgir uma força para conquistar seu próprio espaço em uma sociedade ainda marcada por preconceitos e conservadorismos:

 

So don't give me your tenets and your laws. Don't give me your lukewarm gods. What I want is an accounting with all three cultures ¾ white, Mexican, Indian. I want the freedom to carve and chisel my own face, to staunch the bleeding with ashes, to fashion my own gods out of my entrails. And if going home is denied me then I will have to stand and claim my space, making a new culture ¾ una cultura mestiza ¾ with my own lumber, my own bricks and mortar and my own feminist architecture . 4

Anzaldúa prega a resistência de seu povo contra os que desejam ver as tradições dos mexicanos e de seus descendentes apagadas nos Estados Unidos.

Por meio de experiências com a linguagem, Gloria Anzaldúa revela o que é viver em uma constante mescla de culturas, de idéias, de valores, de línguas. A importância da linguagem em si é também discutida e a escritora firma sua posição contestadora em relação às estruturas estabelecidas.

Ao escrever sua obra em Inglês e Espanhol, sendo o livro constituído por uma parte em prosa e outra e poesia, Anzaldúa expõe a dificuldade enfrentada pelos chicanos nos Estados Unidos, pois, para a autora, eles não devem despojar-se de suas tradições, de seus costumes. Esta mescla de línguas e gêneros que a autora realiza tem seu propósito: a busca pelo fim dos preconceitos contra os chicanos, as mulheres, os homossexuais.

Os imigrantes querem tentar obter melhores condições de vida na América e Anzaldúa aponta para o sonho que os mexicanos têm de alcançar este objetivo nos Estados Unidos. Para concretizarem esta meta, eles devem fazer a travessia, retratada da seguinte forma pela autora:

La travesía . [.] Dicen que cada mexicano siempre sueña de la conquista en los brazos de cuatro gringas rubias, la conquista del país poderoso del norte, los Estados Unidos. Em cada Chicano y mexicano vive el mito Del tesoro territorial perdido. North Americans call this return to the homeland the silent invasion. 5

 

Cruzar a fronteira para os mexicanos é uma aventura que pode ser muito traumática, pois eles (como todos os imigrantes ilegais que tentam esta travessia) devem burlar toda a segurança que há nas áreas limítrofes entre os Estados Unidos e o México:

The Border Patrol hides behind the local McDonalds on the outskirts of Brownsville , Texas or some other border town. [...] Hunters in army-green uniforms stalk and track these economic refugees by the powerful nightvision of electronic sensing devices planted in the ground or mounted on Border Patrol vans. [...]

One out of every three is caught. 6

 

A questão dos ilegais é uma das preocupações de Anzaldúa. Para a autora, " the illegal refugees are some of the poorest and the most exploited of any people in the U.S. " 7 , uma vez que os seus patrões não são obrigados a oferecer-lhes uma adequada condição de higiene e tampouco a pagar-lhes ao menos o salário mínimo.

Tentar imigrar de maneira ilegal para os Estados Unidos pode ser mais perigoso ainda para a mulher mexicana, pois o coyote com freqüência a maltrata: " Often he rapes her or sells her into prostitution ", e ela " isolated and worried about her family back home, afraid of getting caught and deported, living with as many as fifteen people in one room, the mexicana suffers serious health problems . Se enferma de los nervios, de alta presión " 8 .

As conseqüências da imigração ilegal podem ser desastrosas em muitos casos, pois não há garantias de sucesso e todo o dinheiro pago ao coyote acaba perdido. Submetidos a uma pressão muito grande, os imigrantes ilegais calam-se diante das dificuldades, na tentativa de conseguir algum trabalho e juntar dinheiro para a melhoria do padrão de vida de suas famílias. Ganhar em dólares significa uma grande diferença para estas pessoas que buscam uma colocação profissional na América.

Torna-se necessário que os latinos unam-se com o objetivo de não permitir a continuidade dos preconceitos que vêm sofrendo ao longo destes anos. Para tanto, eles precisam saber da História de seu povo:

To the immigrant mexicano and the recent arrivals we must teach our history. The 80 million mexicanos and the Latinos from Central and South America must know of our struggles. Each one of us must know basic facts about Nicaragua , Chile and the rest of Latin America . The Latinoist movement (Chicanos, Puerto Ricans, Cubans and other Spanish-speaking people working together to combat racial discrimination in the marketplace) is good but it is not enough. Other than a common culture we will have nothing to hold us together. We need to meet on a broader communal ground . 9

 

Vemos que Anzaldúa considera de fundamental importância que a História seja conhecida, pois somente assim será possível saber pelo que lutar. Dessa forma, os chicanos têm procurado eleger representantes a fim de que possam ter poder político e esta atitude é definitiva na busca por seus direitos. Se os chicanos não souberem sua História, outros a poderão narrar da forma que quiserem, a fim de impor a versão que lhes for mais conveniente.

Sem dúvida, a língua é um fator determinante no processo pelo qual os imigrantes mexicanos passam ao ingressarem na América. A língua constitui-se em um fator de identificação de um povo. O fato de viverem em um país cuja língua materna é o Inglês e também por terem descendência mexicana dá aos chicanos uma sensação de estarem divididos entre duas línguas. Segundo Anzaldúa, a solução foi criar uma outra língua, o Chicano Spanish :

A language which they can connect their identity to, one capable of communicating the realities and values true to themselves ¾ a language with terms that are neither español ni inglés , but both. We speak a patois, a forked tongue, a variation of two languages. 10

 

A autora também reconhece que por serem um povo heterogêneo, os chicanos falam diversas línguas, tais como o Tex-Mex , por exemplo, e cita as variações que advém desta diversidade: " Tex-Mex argot, created by adding a Spanish sound at the beginning or end of an English word such as cookiar for cook, watchar for watch, parkiar for park, and rapiar for rape, is the result of the pressures on Spanish speakers to adapt to English " 11 .

Anzaldúa acrescenta que " there is no one Chicano language just as there is no one Chicano experience " 12 .

Gloria Anzaldúa também aborda suas memórias nesta obra: " I remember how the white teachers used to punish us for being Mexican " 13 . Este fato mostra a violência sofrida pela ignorância do branco em aceitar a diferença, isto é, não verificar que se torna necessário respeitar o outro com suas tradições sem tentar aniquilar sua cultura. Anzaldúa denuncia a incompreensão da cultura dominante em relação aos imigrantes: " The dominant white culture is killing us slowly with its ignorance " 14.

Os imigrantes e seus descendentes já sofrem uma crise de identidade por estarem fora de seus locais de origem e ainda devem enfrentar o preconceito e a incompreensão da cultura dominante.

Porém, uma pergunta deve ser feita: até que ponto esses imigrantes querem se integrar à cultura americana? Eles não querem apenas ganhar dinheiro e retornar aos seus países? Mesmo que desejem esta integração, esses imigrantes não querem desistir de suas tradições. Por isso, eles mantém suas festas, falam sua língua, têm seus grupos para conviverem e não perderem o contato com suas origens. Esse movimento dos mexicanos para o norte não seria uma tentativa de habitar novamente aquela terra que um dia foi deles? Qual a legitimidade deste ato?

Na poesia " To live in the Borderlands means you ", Anzaldúa mostra o que é viver nesta fronteira geográfica, cultural e de linguagem:

To live in the Borderlands means to

put chile in the borscht,

eat whole wheat tortillas ,

speak Tex-Mex with a Brooklin accent;

be stopped by la migra at the border checkpoints;

 

[...]

 

To survive the Borderlands

you must live sin fronteras

be a crossroads. 15

 

Portanto, para poder viver e sobreviver nesta mistura de muitas perspectivas, a nova mestiça terá que congregar todas essas tendências e não se deixar abater. O fato de ser " crossroads " permite a confluência de várias tendências diferentes e a riqueza das tradições e das diversas idéias deve ser valorizada para proporcionar a renovação de pensamentos e de maneiras de viver e interpretar o mundo.

A mestiça vive em um território que não é seu, mas já foi de seus ancestrais e, por esta razão, Anzaldúa acredita no levante da Raza , como ela explicita no poema " No se raje, chicanita " (traduzido pela autora para o Inglês " Don't Give In, Chicanita "). Aqui Anzaldúa revela a importância da luta da Raza . Embora os Gringos tenham lhe roubado as terras, o fato de ser " mexicana-Chicana-tejana " 16 e índia é motivo de orgulho e haverá uma revolução:

Yes, in a few years or centuries

la Raza will rise up, tongue intact

carrying the best of all the cultures.

That sleeping serpent,

Rebellion-(r)evolution, will spring up.

Like old skin will fall the slave ways of

Obedience, acceptance, silence.

Like serpent lightning we'll move, little woman.

You'll see. 17

A Raza vai se insurgir e, com isso, haverá modificações nas estruturas estabelecidas e uma nova perspectiva ocorrerá. Anos de obediência estarão terminados e a fortuna cultural que a Raza traz consigo operará mudanças significativas no comportamento das pessoas que sofreram tanta opressão e foram tratadas como inferiores por aqueles que sempre dominaram as posições políticas e, portanto, determinaram as condições de vida desse povo que até aquele momento andava " with curved backs " 18.

A "serpente" que estava "dormindo" vai surgir e trará consigo todos os seus ancestrais e a força destas origens para se fazer ouvir e respeitar em sua completude.

Guillermo Gómez-Peña, outro artista chicano, em sua obra, The New World Border : Prophecies, Poems, and Loqueras for the End of the Century 19, afirma que sua América " includes different people, cities, borders, and nations " 20. Nesta "nova fronteira mundial"

the process of balkanization that Eastern Europe underwent from 1989 to 1992 are projected onto the United States: dozens of micro-republics pop up everywhere; the U.S.-Mexico border disappears; Spanglish becomes the "official" language; the hybrid state is now a political reality; and the ethnic/social pyramid has been turned upside down. 21

O fato de os mexicanos (e outros hispânicos) estarem cada vez mais presentes na vida cotidiana dos americanos, torna necessária uma nova maneira de encarar a realidade. Os Estados Unidos estão em um processo de hibridismo. Não é mais possível ignorar que os imigrantes têm sua importância na economia americana.

Gómez-Peña também aborda a questão dos mexicanos que trabalham ilegalmente nos Estados Unidos. Segundo o autor, os ilegais contribuem para a indústria de construções, nas colheitas de laranja, tomates e outros produtos, na limpeza de restaurantes e bares, no cuidar de crianças e acrescenta que " the list of underpaid contributions by 'illegal aliens' is so long that the lyfestyle of many Americans couldn't possibly be sustained without them " 22.

Qual o medo que estas imigrações causam? Estaria a cultura americana ameaçada por este movimento dos mexicanos para o norte?

Podemos citar, por exemplo, a visão de Newt Gingrich, político que se preocupa com o enfraquecimento moral dos Estados Unidos e com o perigo que a resistência dos imigrantes representa. Para Gingrich,

 

If they [poor children] belong to a gang that ridicules standard English, they may be marked as strange or uppity for speaking well. If no one at home can spell or use grammar correctly, the difficulties are much worse.[ ...]

Immigrants need to make a sharp psychological break with the past, immersing themselves in the culture and economic system that is going to be their home. Every time students are told they can avoid learning their new native language (which will be the language of their children and grandchildren), they are risking their future by clinging to the past . 23

 

Isto quer dizer que a preocupação atinge os americanos conservadores a partir do que há de mais caro e básico para a união de um povo: a língua pátria. Gerações de imigrantes estariam "corroendo" a sociedade americana por dentro e estabelecendo novos valores e, conseqüentemente, haveria a necessidade de os americanos redefinirem seu processo histórico.

Gómez-Pena aponta em seu livro não somente Newt Gingrich, mas também Pat Buchanan, entre outros, que são contra iniciativas como a educação bilíngüe, clamando que os Estados Unidos não devem cair em um processo de " Third-Worldization " 24.

Entretanto, acordos econômicos são feitos com o México, tais como o The North American Free Trade Agreeement (NAFTA) e, então, o México passa a ser relevante para Estados Unidos e Canadá, não tendo a menor importância a grande diferença econômica entre aquele e estes países. Com isto, Gómez-Peña mostra que o México pode se tornar uma " mega- maquiladora [assembly plant] or, as Chicana artist Yareli Arismendi has stated, 'the largest Indian reservation of the United States '" 25, caso não seja tratado como igual perante os parceiros ricos.

Em não havendo limites para o poderio econômico americano, faz-se necessário que os artistas mostrem os caminhos de uma compreensão em termos humanitários e culturais. A cultura pode mostrar que a distância entre os povos deve diminuir e as diferenças econômicas podem ser atenuadas. Estas novas escritas e performances buscam revelar a junção de manifestações artísticas para a integração entre culturas.

José David Saldívar aponta que " perhaps as visionary as Chicana feminist Gloria Anzaldúa, Gómez-Peña has brought the term border art ¾ a loose trope for multicutural tensions across the hemisphere [.] ¾ into the mainstream, national arts discourse in the United States 26. Este espaço entre culturas pode transformar a realidade social, com mais oportunidades para todos indiscriminadamente.

Saldívar aponta artistas como El Vez (Robert Lopez), o Elvis mexicano, que denuncia a política do governo americano contra os imigrantes mexicanos ilegais, em músicas como " Immigration Time " (a partir de " Suspicious Minds ", de Elvis Presley).

Vemos a diversidade artística focalizando o dilema da imigração mexicana para os Estados Unidos e de seus companheiros chicanos, que desejam resistir ao poderio cultural americano. Segundo Octavio Paz, " La resistencia de los chicanos no sólo es política y social sino cultural " 27. O pós-moderno traz essa pluralidade de vozes que precisam ser ouvidas.

 

Gloria Anzaldúa faleceu em maio de 2004, mas sua mensagem serve de esperança para uma nova maneira de os imigrantes hispânicos serem encarados com toda a sua riqueza cultural e com as inúmeras contribuições que podem oferecer à sociedade americana.

 

1 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999.

2 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.99.

3 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.100.

4 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.44.

5 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.32.

6 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.33-34.

7 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.34.

8 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.34.

9 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.109.

10 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.77.

11 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.79.

12 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.80.

13 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.111.

14 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.108.

15 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.216-217.

16 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.224.

17 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.225.

18 Anzaldúa, G. Borderlands/La Frontera : The New Mestiza. 2 nd .ed. San Francisco : Aunt Lute, 1999, p.224.

19 GÓMEZ-PEÑA, G. The New World Border : Prophecies, Poems, and Loqueras for the End of the Century. San Francisco : City Lights, 1996.

20 GÓMEZ-PEÑA, G. The New World Border : Prophecies, Poems, and Loqueras for the End of the Century. San Francisco : City Lights, 1996, p.5.

21 GÓMEZ-PEÑA, G. The New World Border : Prophecies, Poems, and Loqueras for the End of the Century. San Francisco : City Lights, 1996, p.21.

22 GÓMEZ-PEÑA, G. The New World Border : Prophecies, Poems, and Loqueras for the End of the Century. San Francisco : City Lights, 1996, p.68.

23 GINGRICH, N. To Renew America . New York : Harper Collins, 1995, p.160-161.

24 GÓMEZ-PEÑA, G. The New World Border : Prophecies, Poems, and Loqueras for the End of the Century. San Francisco : City Lights, 1996, p.173.

25 GÓMEZ-PEÑA, G. The New World Border : Prophecies, Poems, and Loqueras for the End of the Century. San Francisco : City Lights, 1996, p.8.

26 SALDÍVAR, J.D. Border Matters : Remmaping American Cultural Studies. Berkeley : University of California Press , 1997, p.152.

27 PAZ, O. El labirinto de la soledad y otras obras . New York: Penguin, 1997, p.339.