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O compositor popular e a caracterização da cultura brasileira
Ludmylla Mendes Lima (UFG)
Um dos temas recorrentes em letras de samba de diversos compositores brasileiros é a idealização do morro como espaço privilegiado de habitação, onde "ninguém chora, não há tristeza", onde a carência material é compensada por outros bens, tais como a natureza, o próprio samba e o amor. O olhar romantizado sobre o malandro e a malandragem também é freqüente nessas canções. Entretanto, com o aumento da violência nas cidades, faz-se necessária uma revisão do conceito de malandragem desenvolvido por Antonio Candido, em que o autor detecta uma certa equivalência entre os universos da ordem e da desordem na caracterização da sociedade brasileira. Diante de uma realidade cada vez mais dura e agressiva, a marginalidade acaba por substituir a malandragem.
Esse trabalho pretende investigar de que forma a idéia de malandragem envelheceu quando se busca compreender o país, tendo em vista exemplos de sambas que carregam a mencionada visão romantizada em oposição à aridez e ao realismo com que o cotidiano é retratado nos sambas do compositor Paulo Vanzolini.
Cláudia Neiva de Matos, em Acertei no Milhar (1982), divide o samba feito nas décadas de 1930 e 1940 em três tipos: samba lírico-amoroso, samba apologético-nacionalista (ou samba exaltação) e samba malandro. Conforme a autora, a maioria dos compositores trafegava pelas três modalidades, apesar de terem suas preferências. Cartola, Lupicínio Rodrigues e Nelson Cavaquinho são exemplos de sambistas mais voltados para o veio lírico-amoroso. Ari Barroso compôs "Aquarela do Brasil" em 1939, um marco do samba-exaltação, em que o veio ufanista salta aos olhos "alinhando-se adequadamente às diretrizes ideológicas do Estado Novo" 1.
Para essa autora, as duas modalidades de samba apontadas acima se diferenciam sobremaneira da vertente do samba malandro, sendo esse último o único que consegue manter a liberdade de criação popular sob o regime paternalista e autoritário do Estado Novo, através de dissimulações conscientes ou não. Além disso, esses sambas revelam o discurso de uma parcela da sociedade normalmente impedida de ter voz,
das classes baixas que habitam os morros e alguns bairros da cidade, e mais restritamente ainda, do grupo específico de semimarginais de toda ordem, sem trabalho constante, sem lugar bem definido no sistema social, a que se chamou malandros (idem, ibidem).
A maneira com que Paulo Vanzolini aborda o tema da cidade e a forma com que realiza suas crônicas se opõem aos projetos de renovação do samba impostos pelo Estado Novo, em que o popular seria valorizado porém embranquecido e "melhorado". Os sambas de Ari Barroso, por exemplo, casavam-se perfeitamente com esse ideal. "Aquarela do Brasil" tornou-se o paradigma do samba-exaltação, aquelas "composições que embalaram o ufanismo da alma brasileira conduzido pelos acordes do Estado Novo sob a regência de Getúlio Vargas" 2.
Aqui surge um impasse no que se refere à compreensão dos sambas de Paulo Vanzolini pois se trata de um homem que não pertence às classes marginalizadas da sociedade e, no entanto, consegue apreendê-las e representá-las em seus sambas. Então podemos considerar, alterando a nomenclatura usada por Matos, que não se trata de samba malandro, e sim, de samba resistência. Vanzolini, apesar de ser um trabalhador e não ter vida de malandro, é um resistente, suas canções o mostram.
O projeto getulista de "melhorar" a cultura popular brasileira destituindo o malandro de seu posto de representante do brasileiro foi bem sucedido por um lado, pois o malandro (aquele que não trabalha, vive de bicos e de espertezas etc.) é mal visto, caiu de moda. No entanto, a malandragem, o jogo de cintura para lidar com as diferentes situações cotidianas e injustiças estão muito presentes nos temas de nossos sambistas, assim como a carnavalização do discurso, entendida como a transposição de atitudes de profanação do sagrado, ambivalência e combinação das coisas mais opostas ao nível do discurso nas letras de samba.
No entanto, a poética de Paulo Vanzolini, de modo geral, também distancia-se dessa carnavalização. Nota-se, nesse autor, a recorrência de sambas cujos temas são ligados à certo modo de vida, à uma manutenção de um orgulho, caráter e moral a serem defendidos com unhas e dentes. São valores que revelam a visão de mundo do compositor e que, na maioria das vezes, são opostos à instabilidade que transparece na ideologia malandra, se é que se pode assim dizer.
O conceito de malandragem como forma de compreensão da cultura e da estrutura social brasileira tem sofrido modificações. O olhar romantizado sobre o malandro e a malandragem altera-se tendo em vista o crescimento da violência e a presença do crime cada vez mais organizado criando um verdadeiro poder paralelo no país.
No ensaio "Dialética da malandragem", Antonio Candido busca uma mais pertinente compreensão e caracterização crítica do romance Memórias de um sargento de milícias (1852), de Manuel Antônio de Almeida. Até então esse romance era visto como romance picaresco, ou seja, ligado à tradição do romance espanhol, Candido muda esse viés crítico dizendo que, na verdade, trata-se do primeiro romance malandro da literatura brasileira. O protagonista Leonardo Filho seria "o primeiro grande malandro que entra na novelística brasileira, vindo de uma tradição quase folclórica e correspondendo, mais do que se costuma dizer, a certa atmosfera cômica e popularesca de seu tempo, no Brasil" 3
A partir dessa constatação, o autor desenvolve uma análise da sociedade brasileira, representada no romance, tendo como base a constituição de uma "dialética da ordem e da desordem", ou seja, uma certa equivalência entre esses dois universos:
O cunho especial do livro [ Memórias de um sargento de milícias ] consiste numa certa ausência de juízo moral e na aceitação risonha do 'homem como ele é', mistura de cinismo e bonomia que mostra ao leitor uma relativa equivalência entre o universo da ordem e da desordem; entre o que se poderia chamar convencionalmente o bem e o mal (idem, ibidem).
João Cezar de Castro Rocha (2004), no recente ensaio "Dialética da marginalidade - caracterização da cultura brasileira contemporânea", aponta para uma defasagem nessa caracterização da cultura brasileira devido ao curso dos acontecimentos, seu questionamento é o seguinte: "Por que não pensar que a dialética da malandragem e a ordem relacional 4 têm sido parcialmente substituídas pelo seu oposto, a dialética da marginalidade e a ordem conflituosa?" .5
Rocha desenvolve a "dialética da marginalidade" com o intuito de compreender um grande número de produções culturais recentes que mostram o país segundo essa nova imagem, muito mais violenta. Como exemplos de tais produções podemos citar: o romance Cidade de Deus de Paulo Lins; o filme de mesmo título baseado no romance e dirigido por Fernando Meirelles; os filmes "O Invasor" e "Carandiru", dirigido por Hector Babenco; os documentários "Ônibus 174", de José Padilha e "À margem da imagem", de Evaldo Mocarzel, entre outros.
Sobre o romance Cidade de Deus , João Cezar de Castro Rocha percebe que:
Paulo Lins estabelece uma inquietante equivalência entre malandros, "bandidos", "bichos-soltos" e "vagabundos": todos sabem como obter vantagem em tudo. Trata-se de gesto fundamental pouco destacado pela crítica. Em lugar da idealização do malandro (...), Paulo Lins revela o lado oculto de sua ginga, ou seja, esclarece que o malandro só pode existir à custa de um otário. Ainda mais: o otário, via de regra, é alguém do povo, um entre tantos dos inúmeros escolhidos (idem, ibidem).
Tendo em mente as questões mencionadas acima, constatamos a perda de sentido que sofre uma idealização da favela em um ambiente urbano cada vez mais violento. Vejamos alguns exemplos de como era esse olhar de idealização do morro pelo sambista, e como ele vai se modificando.
O aspecto romantizado e dramático encontrado em canções como "Chão de estrelas", de Silvio Caldas e Orestes Barbosa; e "Alvorada", de Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, difere bastante do estilo do sambista paulistano Paulo Vanzolini, como veremos mais adiante. Este está mais preocupado em narrar a vida dura na metrópole. Não se trata de uma atitude resignada, é apenas um outro caminho, uma estratégia de sobrevivência. Tratar os problemas do dia a dia com humor e ironia é a saída encontrada para resistir ao cotidiano opressor que se vive na cidade grande, especialmente para aqueles que não têm acesso aos bens de consumo. Essa válvula de escape é percebida principalmente nos sambas de Adoniran Barbosa. Em Paulo Vanzolini parece que há uma maior adaptação do homem à metrópole.
Em "Alvorada" nota-se uma visão romantizada, de exaltação do morro, em oposição à aridez e ao realismo com que o cotidiano é retratado por Vanzolini. O morro é visto como um quadro idealizado, onde "ninguém chora, não há tristeza". Ali reina a harmonia e não há aflição, "ninguém sente dissabor". A natureza enriquece aquele local, a princípio, de pobreza e fealdade. Ela é a responsável pela beleza e felicidade retratadas pelo poeta, os verbos "tingir" e "colorir" ressaltam mais ainda a idealização: não é realidade, é pintura.
Aqui se torna impossível não mencionar o fato, já tantas vezes discutido, de que o Rio de Janeiro, por sua natureza exuberante e belezas naturais, acabaria por favorecer essa maneira romantizada de traduzir a cidade, mesmo em suas regiões mais esquecidas pelo poder público. Por outro lado, São Paulo, a "terra da garoa" e do concreto, não propiciaria exatamente tal idealização da natureza.
No samba "Minha gente do morro", composição de Candeia e Jaime, a realidade do pobre já está mais presente. Candeia foi um dos primeiros sambistas politizados. Nesse samba ele denuncia a pobreza material que vê no morro em uma visita. A carência das crianças e o sofrimento dos pais ao vê-las sem ao menos o alimento. Essa canção retrata um momento em que viver no morro já é luxo, "Pra morar no morro tem que ser doutor", os pobres tiveram que mudar para um lugar ainda mais longe, "aonde Deus não faz morada". Vejamos o samba na íntegra:
Minha gente do morro 6
Ontem estive no morro e voltei chorando
Meu povo sofrendo, crianças penando
Morro sem malandro que já tem senhor, vejam só
Disseram que compraram o morro
Estão derrubando os barracos de zinco
Estão se acabando
Pra morar no morro tem que ser doutor
Mudaram o meu povo pra longe, bem distante
Aonde Deus não faz morada
Que culpa tenho eu se nasci pobre
Se não posso levar vida de nobre
Meu salário não dá sequer pra alimentar
As crianças não entendem por que
Que eu nada mais posso oferecer
E nem eu posso entender
Mas um dia hei de ver o meu povo feliz a cantar
La la la la la laia
Nessa canção, o próprio sambista constata as mudanças que vão ocorrendo naquele espaço, ele é o porta-voz dessas mudanças. No verso, "Morro sem malandro que já tem senhor", fica clara a idéia de que o antigo malandro, figura totalmente ambientada àquela antiga realidade, acaba sem lugar nesse novo morro. Inclusive sua principal característica, que é não trabalhar, também se perde. O antigo malandro agora tem patrão, referido pelo sambista como "senhor", remetendo ao senhor de escravos. A indignação do sambista com tudo isso transparece na cláusula: "vejam só".
O último verso, e também refrão, instaura um otimismo bastante anacrônico: "Mas um dia hei de ver o meu povo feliz a cantar". Um dia.... Walnice Nogueira Galvão (1976), no ensaio "MMPB: uma análise ideológica" percebe uma vertente da moderna música popular brasileira que abriga tal "otimismo": "Dentre os seres imaginários que compõem a mitologia da MMPB [Moderna Música Popular Brasileira] destaca-se O DIA QUE VIRÁ, cuja função é absorver o ouvinte de qualquer responsabilidade no processo histórico" 7.
A autora, nesse ensaio, analisa a ideologia vigente na música popular que se propõe porta-voz da verdadeira realidade do país 8, em oposição à alienação política reinante no terreno da Jovem Guarda, por exemplo. Acaba por perceber que, muitas vezes, a evasão é mantida através de diversos subterfúgios, a idéia do "dia que virá" é um deles.
Os passos são os seguintes: se eu digo que algo está errado, vai implícito nesse dizer um novo passo que será uma proposta de consertar o errado; mas, se eu digo que algo está errado e, em vez de fazer a proposta de conserto ao nível do errado, diluo a denúncia fazendo propostas ao nível mitológico, então eu apenas propicio a evasão (idem,ibidem).
É o que ocorre no samba de Candeia, diante da impossibilidade da emissão do gesto, e até mesmo da compreensão do que ocorre, "E nem eu posso entender", o que resta é esperar o dia em que, milagrosamente "o povo estará feliz a cantar", ressaltando a função da canção e do cantar como solução dos problemas. 9
O conhecido samba "Coisas do mundo, minha nega", de Paulinho da Viola, é muito representativo de uma mudança na concepção do sambista, antes relacionado com a malandragem. Nessa canção, o sambista é um homem que, vindo do samba [festa], no percurso para casa, vai parando e observando o mundo a sua volta. O próprio título traz essa idéia. Nota-se um tom de amargura em todo o samba, "Na boca as mesmas palavras/ No peito o mesmo remorso". É como se o sambista, ao perceber o peso da realidade e a infelicidade de seus iguais, se sentisse incapaz de compreendê-la e de promover mudanças: "Hoje eu vim, minha nega,/ Sem saber nada da vida/ Querendo aprender contigo/ A forma de se viver/ As coisas estão no mundo/ Só que eu preciso aprender" .
Percebe-se, então, que essa figura de sambista criada por Paulinho da Viola caminha pelo bairro ou pela cidade e tem tempo para ouvir as pessoas com seus problemas, procura ajudá-las, sensibiliza-se e sofre com elas. Ele está totalmente em desalinho com o capitalismo, com a corrida constante pelo ganho material e a concorrência, como os antigos malandros, entretanto esse sambista não é alienado da realidade, assim, percebe-se também, uma visada diferente daquela mostrada em "Alvorada".
José Paulo Paes (1990), no artigo "O pobre diabo no romance brasileiro", define e identifica essa figura - o pobre diabo - em quatro romances brasileiros, nos dando assim uma pista para a compreensão das personagens dos sambas de Paulo Vanzolini. Pois, como já dissemos, não se trata de malandros. Aliás, o próprio compositor nem mesmo acredita nessa figura. 10
Conforme Paes, "Nessa expressão [pobre diabo], um núcleo de negatividade se abranda numa aura de positividade". A palavra "diabo", com toda sua acepção negativa: "feiúra moral", "homem de mau gênio", "indivíduo feio"; é amenizada pela palavra "pobre", que "se diz de quem se acha falto ou privado do necessário; de quem foi mal dotado ou pouco favorecido; por extensão, de quem seja infeliz, desprotegido, digno por isso de lástima e compaixão" 11.
Partindo dessa definição da expressão, cunhada sob o signo do paradoxo, Paes coloca o pobre diabo como o "anti-herói por excelência", ou seja, o atrapalhado com vocação para o fracasso, a vítima das circunstâncias ou o perdedor. Dessa forma, as personagens de algumas canções de Vanzolini como, "Praça Clóvis", "Cravo Branco", "José" e de "Leilão", podem ser considerados pobres diabos. Vejamos um exemplo mais de perto:
Leilão 12
Ontem vendeu no correr do martelo
O que eu não tenho e mais quero.
Fiquei desenxabido,
Rondando pelas beiradas,
Botando os olhos compridos
E contando as marteladas:
Dou-lhe uma, dou-lhe duas.
Dou-lhe uma, dou-lhe duas.
Ai, dou-lhe três punhaladas.
Depois do leilão fui embora,
Chutando pedra na rua.
Um outro levou pra casa,
Pagou leva coisa sua
Eu desse não tenho mágoa,
Só um louco não levava.
Mas não gosta como eu gosto,
Nem dá o trato que eu dava.
Ai, olho de cobra mansa.
Ai, boca de fruta brava.
A personagem do samba "Leilão" pode ser classificada como um "pobre-diabo", entretanto, o que poderia haver de sentimento de vítima e de humildade nessa figura é substituído pelo humor - um pouco amargo - e pelo orgulho, como nos versos: "Fiquei desenxabido,/ Rondando pelas beiradas,/ Botando os olhos compridos/ E contando as marteladas".
O tom de ironia domina a canção. E o conjunto semântico é todo formado em torno do leilão: no qual quem "dá mais", leva. Essa idéia é ambiguamente levada ao campo das relações amorosas, nas quais funcionaria o mesmo lema: o mais rico leva. Diante dessa dura realidade - para o mais pobre ou o pobre-diabo - as marteladas são punhaladas que ele toma.
Em outros sambas de Vanzolini, porém, o que se vê é o oposto de pobres diabos. "Falso boêmio", por exemplo, repreende o fraco, aquele que se deixa abater, se entrega à bebida e não consegue "dar a volta por cima". Nessa canção, o eu lírico aparece como um homem forte, corajoso, conhecedor dos reveses da vida: "Porque não é boemia/ Trocar noite pelo dia/ Beber com ar de tristeza./ Ser boêmio é diferente:/ É viver liricamente,/ Padecendo com grandeza".
De fato, a lição já havia sido dada na canção "Volta por cima". Gravada pela primeira vez por Noite Ilustrada em 1962, essa canção manteve-se meses nas paradas de sucesso daquele ano, e é a composição mais conhecida de Paulo Vanzolini. A expressão "dar a volta por cima" entrou no vocabulário popular e no dicionário depois da canção.
Volta por cima
Chorei,
Não procure esconder,
Todos viram,
Fingiram
Pena de mim, não precisava,
Ali onde eu chorei,
Qualquer um chorava.
Dar a volta por cima
Que eu dei,
Quero ver quem dava.
Um homem de moral
Não fica no chão,
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão.
Reconhece a queda
E não desanima:
Levanta, sacode a poeira,
Dá a volta por cima.
Diante desses exemplos nota-se como o compositor popular, mais especificamente o sambista, vai retratando as mudanças que se fazem ver na sociedade. Trafegando pelas obras de diferentes sambistas de diferentes épocas, tais como, Cartola, Candeia, Paulinho da Viola e Paulo Vanzolini, pudemos perceber olhares agudos de homens tentando retratar a complexidade de seu povo.
MATOS, Cláudia Neiva de. Acertei no milhar - samba e malandragem no tempo de Getúlio. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 222 págs., 1982.
ROCHA, Francisco. Adoniran Barbosa - O poeta da cidade . Ateliê Editorial, São Paulo, 183 págs., 2002.
CANDIDO, Antonio. Dialética da malandragem. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros . São Paulo, n. 8, 1970, p. 1-7.
Ligada ao provérbio estudado por Roberto DaMatta: 'aos amigos tudo; aos inimigos, a lei' (ROCHA, 2004, p. 3).
ROCHA, João Cezar de Castro. Dialética da marginalidade. Folha de São Paulo . São Paulo, 29, fevereiro, 2004. Mais, p.1-8. Disponível em: http://www.folha.com.br .
NUNES, Clara. Esperança . CD. São Paulo: EMI Music, 1979. Remasterização, 1997.
GALVÃO, Walnice Nogueira. MMPB: uma análise ideológica. In: ___. Saco de gatos: ensaios críticos . Duas cidades, São Paulo, 1976. p. 93- 119.
No dizer da autora "canção que se propõe a si mesma como solução para os males do mundo" (idem, p. 112).
Vale ressaltar que Walnice Nogueira Galvão "cobra" essa coerência ideológica na MPB dos autores intelectualizados, que se propunham a compor canções informativas e participantes, tais como: Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, etc. Os sambistas, que nunca tiveram tal pretensão e que são representantes de uma outra tradição dentro da música brasileira, geralmente separada da chamada MPB, são deixados de fora.
"O malandro é um ícone, como uma coisa inventada, não tem samba meu nenhum que fale de malandro". Entrevista a mim concedida em outubro/ 2002.
PAES, José Paulo. O pobre diabo no romance brasileiro. In: ___. A aventura literária - ensaios sobre ficção e ficções . Companhia das Letras, São Paulo, 1990. p. 39 - 61.
VANZOLINI, Paulo. Acerto de contas . Caixa com quatro CDs. São Paulo: Gravadora Biscoito Fino, 2002.