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O cronista e a notícia
Luiz Carlos Santos Simon (UEL)

Avaliar o vínculo entre o cronista e a notícia para tentar chegar a conclusões sobre seu papel enquanto intelectual contemporâneo requer a passagem por um determinado percurso. Uma vez que é comum referir-se à crônica com termos como "ambígua", "multifacetada", "polimorfa", indicando a pluralidade do gênero, torna-se necessário examinar algumas de suas particularidades (se é que elas existem) e investigar a natureza desse vínculo sob diversas perspectivas. Dirige-se, então, o olhar para as crônicas mais recentes mas também para uma produção que, a partir do surgimento de Rubem Braga, mesmo sem ser antiga ¾ pois o ideal é que se estabeleça um recorte, um limite que nos permita o retorno à contemporaneidade sem grandes atropelos ¾ , reflete um outro estágio, outras tendências. Além disso, se o vínculo mencionado envolve a crônica e a notícia, é natural abordá-lo aproveitando tanto as contribuições de críticos literários quanto as de profissionais envolvidos com o jornalismo. Neste sentido, com a expectativa de garantir maior ordenamento à trajetória a ser percorrida, a proposta deste trabalho se construiu através da tentativa de fornecer respostas a cinco perguntas: 1) Com quais outros motes a notícia divide espaço para a prática do cronista?; 2) Se a notícia é material freqüente e essencial para o cronista, que desdobramentos ela gera para a crônica?; 3) Até que ponto, desde meados do século XX até os dias atuais, as crônicas têm sofrido alterações como leituras e interpretações de seu tempo?; 4) Como críticos literários e profissionais do jornalismo avaliam os vínculos da crônica com a literatura e com o jornal?; e finalmente 5) De que modo o perfil híbrido do cronista tem auxiliado em sua caracterização como um intelectual contemporâneo? Comecemos, então.

O fato de ser a notícia um mote indiscutível para as crônicas, encarado aqui como um pressuposto tácito, não deve nos afastar da verificação de outros possíveis pontos de partida que impulsionam os cronistas. É mesmo previsível que algumas crônicas se desenvolvam tendo como base uma notícia pois o jornal sobrevive da informação recente e ainda como constata o professor Vázquez Medel: "as figuras do escritor e do jornalista (...) às vezes coincidem com a mesma pessoa." 1. Portanto, uma familiaridade entre a crônica e seu veículo não deve causar qualquer estranheza. Mesmo assim, a diversidade dos textos que recebem o nome de "crônica" exige o esclarecimento sobre a ocorrência de outros motes além da notícia.

Cabe ressaltar, quanto a este ponto, que muitas crônicas se distanciam de uma estrutura bastante representativa do gênero, caracterizada pelo comentário de fatos ou pela exposição de idéias e/ou sentimentos. São textos que se identificam com a ênfase narrativa dos contos, como grande parte da produção de Fernando Sabino e de Luis Fernando Verissimo, algumas vezes ainda privilegiando o diálogo, como diversas vezes fez Carlos Drummond de Andrade. Nestas situações é preferível não se falar em mote, seja pela dificuldade de localizar um ponto de partida explícito para o restante do texto seja pelo risco de escolher um diagnóstico pouco adequado, uma vez que predomina o caráter ficcional, sendo portanto inconveniente propor correlações com a realidade e assim deslizar para equívocos como intenção do autor. A crônica que recorre com intensidade ou exclusividade ao componente fictício se diferencia daquela em que sobressai um eu disposto a confessar suas motivações. Não se trata de confundir esta primeira pessoa que se manifesta no texto ¾ a quem nos referimos como eu do cronista ¾ com a figura real do autor, embora esta associação seja até possível por algumas marcas textuais; nem é o caso de interpretar as motivações expressas como experiências autênticas. De qualquer modo, as notícias e demais eventos ou situações que identificamos como motes de crônicas são referidos naquelas modalidades mais próximas dos comentários e estão ausentes das crônicas exclusivamente ou quase exclusivamente ficcionais.

Feitas as ressalvas, quais são, portanto, os outros motes que, além da notícia, integram as crônicas? Podem ser apontadas cinco referências bastante comuns: recordações pessoais, cenas prosaicas, histórias contadas por amigos, leituras variadas (com destaque para textos literários, de história e correspondência) e inovações tecnológicas. A multiplicidade destes motes pode sugerir um beco sem saída, isto é, se coisas tão diversificadas podem servir de motivação para o desenrolar de uma crônica, haverá alguma conclusão generalizada a ser extraída? Proponho-me a adiar uma resposta mais concreta para esta questão a fim de incorporar outros elementos que surgirão com o prosseguimento das reflexões desencadeadas pelas outras perguntas que sugeri inicialmente. É importante, contudo, gravar a idéia de que as fontes do cronista, quando ele não quer se restringir às notícias jornalísticas, são muito variadas. Retornemos às estratégias de aproveitamento da notícia para o exame de como ela se desdobra no interior da crônica.

Os dois exemplos selecionados foram retirados de volumes diferentes do mesmo autor ¾ Fernando Sabino ¾ para que se tenha a noção da variedade no desdobramento da notícia, para ficar bem claro que nas mãos do mesmo cronista as notícias podem proporcionar rumos diversificados. Em "O vice-presidente" 2, crônica publicada inicialmente em 1980, o mote é uma reportagem feita com estudantes e com o restante da população para avaliar os conhecimentos gerais. O texto esclarece que na reportagem foram solicitados nomes de escritores e de políticos, entre eles o do vice-presidente. Diante de respostas que revelavam um resultado interpretado como ignorância, o eu do cronista fica indignado, mas em seguida percebe que também ele assim como diversas outras pessoas a quem consulta (amigos ou meros transeuntes) desconhecem o nome do vice-presidente. A crônica desenvolve-se, assim, em torno desta pergunta dirigida a várias pessoas e das respostas desencontradas que guardam um ponto em comum: ninguém sabe a informação correta. O efeito que se obtém é duplo: de um lado, irrompe o humor, fruto de respostas absurdas ou de reações insólitas diante da pergunta; de outro, emerge uma crítica à vida política do país, mergulhada ainda naquele momento na ditadura militar e no ressentimento da ausência de eleições diretas para cargos do poder executivo no âmbito federal.

A outra crônica de Fernando Sabino com que se pode exemplificar a natureza do aproveitamento da notícia é "Desencontro marcado" 3, texto publicado inicialmente em livro no ano de 1998. A crônica parte de uma notícia publicada em revista sobre a história de um casal grego que se reencontra depois de quarenta e cinco anos de afastamento, depois que a mulher havia se casado com um outro homem, depois dos filhos e netos surgidos desta vida conjugal. Segundo a notícia, as juras de amor trocadas na juventude teriam resistido durante muito tempo, pois a mulher só contraiu o casamento vinte anos após a partida do homem amado para os Estados Unidos onde foi buscar melhores oportunidades financeiras. Neste período de separação, as duas grandes guerras mundiais, além da má vontade dos irmãos da moça (que ficavam com o dinheiro enviado pelo emigrante), constituíram obstáculos intransponíveis para a reaproximação do casal. De posse destes dados, o cronista poderia ter optado por vários caminhos. A interferência e a brutalidade da guerra, dissolvendo sonhos particulares e transformando o destino da intimidade poderia ser um deles; a resistência do amor, sobrevivendo aos anos, ao destino e ao envelhecimento poderia ser ainda outra trajetória; mesmo o humor caberia se o autor quisesse atribuir destaque ao comportamento dos irmãos da mulher. Entretanto, a opção de Sabino recai numa reflexão lírica sobre a passagem do tempo, a memória e suas conseqüências para a vida amorosa das pessoas.

Neste sentido, é possível ampliar o alcance de certas conclusões, evidenciando que o caráter de multiplicidade não age somente nos motes de que se servem os cronistas. Além de a notícia dividir espaço com outras espécies de motivação para a construção da crônica, estas notícias são de natureza diversificada e os desdobramentos que os autores lhes dão também são variados. Assim, partimos para outra etapa de nossos questionamentos, tentando transferir a atenção para a hipótese de mudança no perfil da crônica dos meados do século XX até os dias atuais.

Um autor central para proporcionar a avaliação de uma transformação da crônica é Rubem Braga. Vejamos a princípio como o crítico literário Davi Arrigucci Júnior se refere ao cronista capixaba: "... a sensibilidade de Braga para a poesia das coisas que se perdem parece ter-se aguçado no trato profundo com o próprio meio moderno que escolheu para se exprimir, como se o jornal lhe tivesse afinado o senso do instantâneo e do perecível." 4 O que se observa na citação é uma demonstração do fascínio da crítica literária brasileira com um gênero que desfrutava de êxito entre as décadas de 50 e 80. De fato, no período circulavam pelos jornais textos de Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Antônio Maria, Stanislaw Ponte Preta, entre outros. O que desafiava e estimulava os críticos literários não era, contudo, o sucesso editorial, mas a noção expressa no trecho de Arrigucci pela palavra "sensibilidade", que tinha em Braga seu representante mais significativo. Sem dúvida, foi esta capacidade de imprimir lirismo à crônica brasileira da época que instigou e seduziu a academia. Entre 1987 e 1991, anos depois das mortes de Antônio Maria, Stanislaw Ponte Preta e Vinicius de Moraes, partem também Drummond, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. A passagem do tempo e estes desaparecimentos dão margem a declarações como a seguinte, do jornalista Daniel Piza: "É muito raro (...) ver um colunista descrever seu dia de caminhada sob o céu azul do Rio de Janeiro, à maneira de um Braga..." 5

Se combinarmos as avaliações de Arrigucci e Piza com as informações sobre as mortes dos cronistas mencionados, chegaremos a um quadro segundo o qual o lirismo era um aspecto altamente valorizado na crônica dos anos 50 aos 80 e que depois disso não só o lirismo entra em queda enquanto marca do gênero mas também a crônica em si perde projeção na imprensa e parte do estatuto literário. A constatação não é esdrúxula nem desligada do que se pensa no universo acadêmico e no meio jornalístico, porém algumas questões devem ser ressaltadas: primeiramente, já na fase de ouro da crônica, o humor era um elemento expressivo nas produções de autores como Fernando Sabino, Stanislaw Ponte Preta e Antônio Maria, sem falar nos sorrisos que ainda acompanham as leituras dos textos de outros cronistas mais identificados com o lirismo; em segundo lugar, é preciso admitir que crônicas de novos autores ¾ alguns nem tão novos assim ¾ continuam freqüentando as páginas de jornais e revistas e estas crônicas muitas vezes são compiladas em livros que têm êxito estrondoso de vendas. Mesmo assim, entre o cronista de grande projeção, na imprensa e para a crítica, de trinta ou quarenta anos atrás (Rubem Braga) e o cronista da vez há uma década aproximadamente (Luis Fernando Verissimo), sobressaem muitas diferenças. No mínimo é necessário perceber que o lirismo de Braga já não se encontra em Verissimo e que o humor de Verissimo não é o mesmo que existia nos textos de Braga. Espera-se aperfeiçoar o diagnóstico, endossando a reflexão do jornalista Marcelo Coelho para quem houve uma "modificação do gênero" 6, embora não se deva encontrar muita propriedade na idéia de "'declínio da crônica'", mesmo entre aspas. Cabe, enfim, reconhecer que a concepção de uma crônica lírica sobrevive nos dias atuais, ainda que com menos freqüência e intensidade, através das manifestações de Carlos Heitor Cony e Affonso Romano de Sant'Anna.

A esta altura, já se pode ter uma noção de como se orientam críticos literários, jornalistas e pesquisadores de jornalismo a respeito dos vínculos da crônica com o jornalismo e com a literatura. A avaliação do cronista como intelectual contemporâneo depende, no entanto, de uma maior precisão na coleta destas diversas orientações. Arrigucci Jr., por exemplo, faz o seguinte retrato do cronista Rubem Braga: "um artesão ilhado no meio da indústria da informação." 7 A imagem é bela e interessante, tem o mérito de exaltar o estilo e a linguagem de Braga, mas gera o perigo de colocá-lo numa condição de isolamento que não se concilia muito com a relação íntima mantida entre crônica e jornal. No afã de selecionar qualidades do gênero tal qual praticado por um escritor como Rubem Braga ¾ e é bom que se enfatize que esta iniciativa de valorização da crônica não é um procedimento muito comum nos estudos literários e ao mesmo tempo é medida essencial para garantir sua visibilidade e relevância ¾ , surge o risco de distanciar excessivamente o exercício cronístico do veículo que o projeta.

Esta distância se reflete também nas teorizações de outros autores como Eduardo Portella: "... o enriquecimento poético da crônica é uma maneira das mais eficazes de fazê-la transcender, de fugir ao seu destino de notícia para construir o seu destino de obra de arte literária." 8 e Massaud Moisés para quem o objetivo da crônica "reside em transcender o dia-a-dia pela universalização de suas virtualidades latentes, objetivo esse via de regra minimizado pelo jornalista de ofício." 9 Não será por acaso que o verbo "transcender" aparece nos dois trechos como também não é casual o fato de estarem as duas citações reunidas aqui lado a lado. A idéia de transcendência pressupõe superação de etapas, ultrapassagem e até superioridade, o que pode nos levar a confirmar a hipótese de hierarquia e distanciamento entre crônica e notícia, literatura e jornalismo.

Um pouco mais comedida e menos elitista, a perspectiva do jornalismo se preocupa sobretudo em salientar diferenças. Sobre a crônica, José Marques de Melo assim se pronuncia: "... sua motivação principal é o conjunto dos fatos que o jornal acolhe em suas páginas e colunas. Só que ela não os reconstitui, sua função é a de apreender-lhes o significado, ironizá--los ou vislumbrar a dimensão poética não explicitada pela teia jornalística convencional." 10 O mesmo fundamento, estabelecer divergências estruturais e funcionais entre crônica e notícia, é o que leva Marcelo Coelho a se referir à crônica como "uma espécie de avesso, de negativo da notícia." 11 Mais uma vez é preciso reconhecer que o confronto entre as duas modalidades de texto que aparecem no jornal conduzirá necessariamente ao levantamento de diferenças, afinal o cronista não repete os procedimentos do repórter e os especialistas desempenham suas funções de identificar peculiaridades a partir de um exame comparativo entre os textos.

É possível, entretanto, detectar ainda em ambas as perspectivas ¾ a dos estudos literários e a dos estudos jornalísticos ¾ um olhar que contemple a relação mais entrançada da crônica com a literatura e com o jornalismo. Vejamos como Afrânio Coutinho analisa esta intimidade: "A crônica será tanto mais literária quanto mais fugir às exigências do espírito de reportagem, atingindo o melhor de sua realização formal quando consegue fundir os supostos contrários ¾ a literatura e o jornalismo..." 12 A percepção de se referir às duas áreas como "supostos contrários" é reflexo da integração da qual a prática da crônica não consegue ou não deve se desvencilhar, por mais que o início da assertiva pareça sugerir um afastamento como requisito para o êxito literário da crônica. O professor espanhol Vázquez Medel também contribui com uma avaliação destas convergências contemporâneas entre literatura e jornalismo, citadas inclusive no título de seu artigo, sustentando que nem a criação literária em nossos dias está mais tão próxima das grandes obras, "nem a atividade jornalística (apesar da degradação de muitos de seus agentes e da proliferação de um jornalismo marrom) refere-se tão somente a essas triviais questões..." 13 Embora a análise não se detenha na condição específica da crônica, o que está em jogo é esta caracterização intermediária do gênero e o questionamento sobre a redefinição dos lugares ocupados pelas práticas literárias e jornalísticas na contemporaneidade.

A problematização da literatura e do jornalismo contemporâneos nos conduz para o desfecho do processo de esboçar o perfil do cronista como intelectual. O que dizer sobre um autor, como Affonso Romano de Sant'Anna que em pouco mais de duas páginas se detém na apresentação e nas histórias de candidatos ao vestibular, selecionando e confrontando as expectativas de jovens da classe média e as dificuldades de gente mais simples, com mais idade e sofrimento?; ou que em outra crônica também pouco extensa, recente, bastante famosa e de sonora repercussão, reorganiza a identidade dos assassinos de Tim Lopes? 14

Como encarar os textos de Luis Fernando Verissimo que numa crônica intitulada "Pílulas" nos leva a gargalhadas ao rever criticamente as conquistas científicas e imaginar soluções para uma série de problemas que a ciência não consegue resolver, como o Viagra do antes (para tornar o homem mais carinhoso), o Viagra pós-coital (para impedir que o homem durma ou pegue o controle remoto), ou ainda a pílula da fidelidade partidária? Ou que em outro texto discorre sobre os processos de substituição da mulher por coisas mais variadas ou insólitas como a mão, hortifrutigranjeiros, móveis estofados, animais, bonecas infláveis, comida congelada, forno microondas e finalmente um bastão com uma mãozinha na ponta para coçar as costas? 15

As quatro crônicas que acabaram de ser citadas poderiam receber uma análise detalhada, de modo que percebêssemos a variedade de contribuições e de leituras que elas oferecem. A breve apresentação basta, contudo, para insinuar que as motivações e as estratégias não se restringem a um modelo único, singular. O riso e a profunda reflexão podem conviver sem grandes obstáculos, tomando como ponto de partida a vida cotidiana, que, muitas vezes, se apresenta para o cronista e é absorvida por ele sob a forma de notícia. Não há qualquer esforço para imaginar Verissimo e Sant'Anna entrando em contato com as notícias de mais uma descoberta científica ou do assassinato de Tim Lopes e identificar neste contato uma etapa anterior à elaboração de suas crônicas. De certo modo, inclusive, o gênero eleito por eles permite uma versatilidade a seus escritos, uma vantagem que os autoriza a circular com mais desenvoltura por espaços culturais diferenciados. Penso no quadro exposto por García Canclini, segundo o qual a dissolução das fronteiras entre as culturas e a afirmação das culturas híbridas coexistem com um "movimento centrípeto" 16 que tende a preservar divisões e lugares marcados para as práticas culturais. O cronista, assim, pode usar sua origem dupla, híbrida, como um trunfo para desempenhar de modo mais espontâneo seu papel de intelectual na contemporaneidade. Esta origem pode ser uma espécie de habilitação para enfrentar os novos arranjos da vida cultural contemporânea e a redefinição do intelectual neste momento. Observemos a discussão proposta por Beatriz Sarlo a este respeito:

A figura do intelectual (artista, filósofo, pensador), tal como criada na modernidade clássica, entrou em seu ocaso. Algumas das funções que essa figura considerava suas, porém, continuam a ser reclamadas por uma realidade que mudou (e que portanto já não aceita legisladores nem profetas como guias), mas não tanto a ponto de tornar inútil o que foi o eixo da prática intelectual nos últimos dois séculos: a crítica daquilo que existe, o espírito livre e anti-conformista, o destemor perante os poderosos, o sentido de solidariedade com as vítimas. 17

 

Sintonizado com as notícias e com o cotidiano, armado com uma multiplicidade de estratégias, que vão do humor às reflexões e ao lirismo, o cronista se apresenta para exercer seu papel de intelectual sem perder o vigor nem o bonde da história.

 

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