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O intelectual e a formação teórica da pesquisa literária na Universidade
Antonia Torreão Herrera (UFBA)

De que substância se faz uma Universidade? A esta pergunta tão modelar poder-se-ia responder com um aparato metodológico necessário e oportuno, dando conta de um enquadramento acadêmico, no qual se entrecruzam demandas sociais, tradição cultural formatados em currículos e linhas de pesquisa que atendem ao projeto educacional, político e cultural de uma sociedade, no modo como ela se vê, se idealiza. Em se tratando do terceiro mundo, no modo do que ela toma como modelo. Os objetivos de uma educação universitária estão imbuídos de princípio éticos, em prol do desenvolvimento da ciência e das artes, estando porém a serviço da estrutura sócio-política que a mantém, ou seja, no nosso caso, uma sociedade capitalista que visa a produção de saber que possa movimentar a demanda da sua máquina .

Quero, todavia, pensar a Universidade no seu ponto de fuga, lá onde o movimento real do saber ocorre como circuito de idéias, sentimentos, reflexões, numa dinâmica própria de corpos que circulam, de buscas e pensamentos que concretizam algo: o ensino, o aprendizado e suas realizações produtivas. A parte real, ou essencial, de alguma coisa é o significado dicionarizado da palavra substância, núcleo da pergunta inicial. E essa parte que faz o todo de uma Instituição de ensino é o professor e o aluno. Do professor, podemos visualizar uma vida que se vive ali, um estar e um ser a receber levas e levas de alunos e alguns discípulos, a circularem nos espaços e no tempo do aprendizado. É lugar comum dizer que se aprende ensinado ou magistralmente equacionado por Guimarães Rosa: "o mestre é aquele que de repente aprende". Todavia, é importante perceber o movimento sutil que acontece no ensinar-aprender. O valor das perguntas provocando uma resposta nunca dantes buscada. O desafio, a interlocução, os jogos do intelecto, as vaidades, os afetos e desafetos, numa comunidade acadêmica. E o vigor de renovação, a cada novo ano letivo com as expectativas dos calouros. A lufada da primavera, disse uma dia Judith. E todos nós, uma vida na Universidade!

Quero, ademais, dizer da Universidade no seu espaço de Utopia, onde demolimos velhas estruturas e combatemos a injustiça e colocamos no saber a salvação da humanidade, nosso jardim das delícias, de poesia, doações, de laços intelectuais e afetivos, espaço também de elegias, de desencantos, mas que tem sempre o próximo a segurar a tocha, a empurrar o mecanismo das vidas que ali se agitam, agentes de seus pequenos dramas de existência. E dentre as utopias, o móvel maior, a literatura.

A despeito de todas as metodologias atuais, de todos os mais precisos canais de informação, de todas navegações internauticas, cada um de nós e cada um que chega na Academia, estabelece uma relação discípulo - Mestre. Algum nos encanta com seus ideais, seus pensamentos, sua performance, sua percepção da vida que se infiltra nas lições de língua ou literatura. Essa relação é imprescindível para a disseminação do saber, para a manutenção da vida nas Instituições de Ensino. Talvez nos cursos de Letras, pela lide com ensino de matérias que dizem respeito à expressividade do ser humano, sua língua, sua arte, ao elemento fundante do homem, sua palavra, sua poesia, essa relação "arcaica" se mantenha tão atual: alguém que nos ensina a ver, a ler, a dizer o mundo, na e pela linguagem e, notadamente, pela fala - nas aulas, nas conversas. E, no outro polo, o alguém que atualiza e dá continuidade ao que recebeu.

O projeto coletivo no qual se insere esta pesquisa, O escritor e seus múltiplos visa a analisar o feixe de ações circunscritas a um sujeito, agente de transmissão e produção de um saber específico, no âmbito dos estudos literários, ou seja o docente-escritor-teórico-crítico. O estudo das diferentes produções nos possibilita conhecer as nuances da atividade criativa da linguagem e das suas construções simbólicas e as elaborações teóricas e desempenho crítico que se desenvolvem no terreno da linguagem. A leitura do mundo e a leitura das representações se coadunam num modo de ensino que é um modo de fazer ver, de expressar o sentir, de mover o corpo, o olhar, de demarcar linhas de pensamento atuantes na percepção do mundo. E de tornar vivo e atual o texto literário. Desse modo, questiona-se acerca do papel do intelectual na contemporaneidade, o modo como o seu fazer/pensar interfere na Instituição de Ensino, na qual atua, direta ou indiretamente.

Ainda há na academia, em primeira instância, uma prática milenar de aprendizado oral e mimético, permeado pelo afeto, profícuo e saudável. Em segunda instância, os livros que se lê e que são dados a ler, como se lê, os pontos de vista que se adotam, e que se propagam. O estilo. Os compromissos. Os recortes. O universo intelectual no qual se interage, as referências, as terminologias, os operadores teóricos utilizados. A escrita se insere numa prática e num aperfeiçoamento - a construção de um discurso e de um artefato verbal, um modo de ser palavra e de agir. A literatura e as demais produções culturais como objetos de estudo são também meios de conexão com um universo de saber, no qual circulam as falas, as assertivas, os conceitos, os poderes, os imperativos da ordem institucional.

Destaco, aqui, ainda com dados incipientes, o papel de dois intelectuais na formação do pensamento teórico e do incentivo à criação, na compleição dos estudos literários no Instituto de Letras da UFBA: Judith Grossmann e Silviano Santiago. Ambos, de origem externa, ambos escritores, teóricos, críticos e ambos grandes Mestres. E bastante diferenciados um do outro. Jeitos de se movimentar, de agir e de pensar que se chocam mutuamente, mas que convergem num efeito comum: tocar na sensibilidade de seus alunos, estimulando seus intelectos, formando grupos de pesquisadores, capazes de disseminar suas idéias e atualizá-las no processamento de suas reflexões.

Inicialmente, em 1966, instala-se o ensino de Teoria da literatura na antiga Faculdade de Filosofia e Letras da UFBA, matéria que fica sob os cuidados da professora e escritora Judith Grossmannn, admitida na Instituição para essa finalidade. Cria programas, cursos, desenvolve pesquisa sobre a obra do poetas e escritores da contemporaneidade. E funda, uma oficina livre de Criação literária, ato pioneiro em todo o território brasileiro. Nascida em Campos, no Rio de Janeiro, participou da atividade literária e crítica com o grupo do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil; foi aluna de Jorge de Lima, ao qual dedicou estudos, pesquisas e material de curso. Vem de Chicago, onde fez Pós-graduação para lecionar na Bahia - lugar de paixão e longa morada. Traz na mala grandes livros da literatura ocidental. Ministra cursos que dizem do seu cânone: de Sofócles a Shakespeare, Racine, Ibsen, Brecht, Becket, Ionesco, Artaud e muitos outros dramaturgos, o teatro teve seu palco garantido em suas leituras. Todos os nossos poetas modernos, destacadamente Jorge de Lima, Manuel Bandeira e Cecília Meireles, Mário Faustino, João Cabral de Melo, mais os românticos Castro Alves e Junqueira Freire e alguns poetas de língua inglesa: Proust, Walt Whitmann, T.S. Eliot, Pound, invadiram nossa mente com suas imagens e ritmos. Da narrativa, foram inúmeros os cursos e leituras pontuais que se torna impossível enumerá-los. Mas, direi de Proust,, Zola, Flaubert, Lautréamont Kafka, Thomas Mann,, Joyce, Dostoievsky, Tolstói, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Lúcio Cardoso, Clarice Lispector, Virgínia Woolf, Katherine Mansfield, Borges, Cortázar, Mário de Andrade, a prosa de Jorge de Lima, Samuel Ravet e outros. Dentre esses, estabeleceu sua família de predecessores, com os quais dialoga em seus textos críticos e criativos. Muitos desses estudos encontram-se em arquivos no Instituto de Letras, em forma de ensaios ou de levantamento de dados. Tudo permeado por um grande conhecimento da obra de Freud, cujos conceitos são também ressignificados em sua ficção ou em suas incursões teóricas, uma prática de close reading do New Criticism, um aparato teórico dos formalistas russos e em constante diálogo com as novas correntes lingüisticas e reflexões sobre Saussure e Jakbson e de teóricos da comunicação, a exemplo de Umberto Eco. E Roland Barthes na semiologia. Textos teóricos de Adorno e Benjamim, Paul Ricoeur, Todorov, Blanchot, Antonio Cândido, Eduardo Portella e outros, e filosóficos de Nietsche, Deleuze, Bachelard e ainda a antropologia de Lévi-Strauss eram lidos e discutidos em sala de aula. A teoria da literatura, em seu estatuto de ciência, se alimentava de outras disciplinas como a lingüística, a antropologia, a psicanálise, a filosofia e a sociologia, numa integração interdisciplinar com as ciências humanas. Sua maior fonte de pesquisa, todavia, era a teoria da arte e do fazer poético implícita ou explícita nos textos literários.

O que determina, todavia, sua leitura do texto literário é um modo peculiar de ler, uma sensibilidade aguçada para fruir o poético e uma percepção magistral para ver as técnicas envolvidas na estrutura do produto estético. O como fazer. As mínimas articulações são postas a mostras, fazendo-nos ver e sentir numa extensão e profundidade a riqueza das imagens poéticas, o fino delinear de um pensamento expresso esteticamente, as reflexões sobre a própria arte, a interlocução com outros autores, seus pares, o lugar de cada um na literatura, o diáfano reconhecimento do suspiro intelectivo no ato de aprender com e apreender o texto literário. E o mais de sua leitura consistia em fazer saltar do texto, do verbal, os objetos e situações relacionais ali presentes, ressignificados no texto, compondo uma feição cultural do universo ficcional, trazendo-os para o nosso entorno, para tornar presente o mundo de signos que nos rodeia. Havia um olhar estetizante, mas também um olhar crítico e atuante, de modo a nos fazer refletir, por exemplo, sobre o lápis ou a calça jeans, sobre um conceito filosófico ou cenas de novela da Globo. Compartilhávamos códigos, pensávamos o mundo, o consumo, os ritos pela literatura. O mundo girava em signos. E mesmo da mídia e do consumo nascia uma lição: fazia a crônica do dia, numa linguagem oral articulada com o rigor de uma escrita. .Judith Grossmann já praticava, em seu procedimento metodológico de leitura do texto, a intertextualidade e a interdisciplinaridade, antes mesmo que as formulações teóricas chegassem até nós.

A sabedoria de conduzir pela mão seus ávidos alunos no universo poético e filosófico que emergiam de nossa leituras era um descortinar para uma percepção do mundo e de si próprio no ato mesmo de aprender. As marcas, as margens de nossas leituras constituíam uma escrita a parte de tantas reflexões e interligações feitas e chamadas a fazer. A atividade de criação literária nas Oficinas nos mostrava o ato mesmo de fazer, desmistificando e consagrando o labor artístico, o esforço, a armação que não aparece no objeto pronto, como quando baila uma bailarina e você não vê o calo que lhe vai no pé (Ver o filme de Altmann De corpo e alma e o filme Moça com brinco de pérola sobre a pintura de Vermeer). O objeto estético tem uma ética de onde resulta seu valor. O esforço, o dispêndio de energia - que não dispensa o insight, a aguda percepção e o dom de construir com palavras - se aliam ao jogo, às artimanhas, roubos, mentiras que conformam o real do texto literário. 1

Aprendíamos a ler a cidade, os passantes, a moda, a reconhecer os rituais que uma sociedade realiza no seu aglomerado social e cultural. Absorvidos pelo fascínio do texto poético, interagíamos com a vida cultural da cidade, cinema, teatro, dança, arquitetura e pintura. (mas de reproduções do que de exposições). O território da sala de aula era delimitado pelo nosso sistema sócio-cultural, - a configuração de uma Universidade - mas também era espaço de liberdade onde fazíamos ir e vir os acontecimentos do cotidiano e das artes nas letras do texto literário. Aprendia-se a viver enquanto se aprendia a ler.

Muitos de nós éramos militantes políticos, na época, e os esquemáticos modelos artísticos do realismo socialista, da literatura engajada, não era capaz de dissolver a força sensibilizante do universo literário de um Borges, Thomas Mann, Lispector, Guimarães Rosa ou outros, cujo mundo de representação escapavam ao sectarismo e tornavam visíveis campos do real vinculados à condição humana, sua capacidade e seu limite de conhecimento. É bem verdade que o conhecimento hegemônico tende a deixar invisíveis pontos de vistas setoriais, de oprimidos ou excluídos, posteriormente resgatados em incursões dos estudos culturais.

Todavia, nosso próprio ato intelectual de produção de discursos acadêmicos, embora com temática denunciadoras dos saberes constituídos já é em si um ato de exclusão. Inclusos e excluídos é um problema filosófico mais amplo que toca a todos nós. A literatura que nos ensina a sentir o ser humano, o faz em variadas dimensões, podendo ou não focalizar classe social, raça ou grupo étnico. Havia um grau de alienação e de participação, de recolhimento de leitor e de movimento no modo de sentir, ver, tocar avaliar cada objeto ou ser no mundo.

É dessa experiência que quero falar, inicialmente, dizendo das marcas que ficaram em nós e consequentemente nos textos que produzimos, nas orientações que realizamos, nas aulas que ministramos. Quero dizer do papel atuante e decisivo de uma personalidade de escritor, de docente, de teórico que direcionou programas, linhas de pesquisa, reflexões sobre os estudos literários, numa linhagem teórica e padrões de análise que possibilitavam uma rica leitura do texto e do contexto. Para um ser criativo, dotado da capacidade de leitura e de doação, pedagogo por excelência, seus operadores teóricos são apenas meios para nos fornecer um mundo de ficção e poesia da melhor qualidade (sim, o critério de valor é fundamental porque foge do senso comum e da repetição de comportamentos, são geradores de textos representativos do movimento humano no seu habitat , de sua inserção sócio-política e cultural). Os instrumentos se aperfeiçoam, meios mais atuais de se ler um texto e seu contexto se impõem, com os aportes conceituais da ciência política e dos paradigmas da contemporaneidade, mas a experiência compartilhada fica e a direção de argüir um texto naquilo que ele realiza no mundo das palavras é um aprendizado que pode sempre ser acrescido de novas reflexões, mas nunca será elidido como leitura do mundo, no sentido psicanalista do termo. E o texto literário não perde seu lugar de objeto privilegiado, no sentido de poder instruir e ensinar a ler, interagindo com outras representações imaginárias que nos dão conta de nossa identidade, antecipando questões da vida do homem no planeta - suas interseções político, e sócio-cultural. Sua responsabilidade com a vida.

Em segunda etapa, a pesquisa empírica poderá trazer à tona os produtos do trabalho realizado por Judith Grossmann no Instituto de Letras da UFBA, em termos de temas de tese, linhas de pesquisa, programas de disciplinas, cursos ministrados. Seus receptores puderam dar continuidade, na sua devida medida, a um trabalho que caracteriza os estudos literários no ILUFBA, mais visível na Pós-Graduação.

Enquanto Judith Grossmann movimentava o mundo em nossa imaginação, em seu labor constante em seu gabinete (sua cabeça, uma oficina) ou olhando, criativamente, no seu deambular pelas ruas de Salvador, realizando um trabalho de interlocução imediata com os acontecimentos do mundo, por intermédio dos meios de comunicação, respondendo a cada estímulo externo com sua reflexão e sua criação literária, decidindo apenas internamente no rumo do ensino e das idéias, Silviano Santiago se movimentava no mundo, agindo de modo incisivo, interagindo com instâncias decisórias, tendo acesso às estruturas de poder educacional, assumindo a postura do intelectual que tem consciência de seu papel na disseminação do saber, agindo diretamente na mudança de rumo dos estudos literários no Brasil e, posteriormente, abrindo as portas para os estudos culturais, suas formulações, seus conceitos e prática discursiva. Ela Penélope, tecia. Ele, Ulysses viajava e voltava trazendo novos saberes.

O seu papel de crítico literário e crítico da cultura foi desempenhado com vigor, tendo podido fazer a ponte cultural com o exterior, notadamente França e Estados Unidos, necessária ao desenvolvimento das Ciências humanas no Brasil.

A marca diferencial de Silviano que vem contribuir e dar nova feição aos estudos literários no ILUFBA, mediante a bibliografia trazida por professores do ILUFBA que se deslocaram para fazer pós-graduação no Rio de Janeiro e da leitura de seus textos, e principalmente pela disseminação de seu procedimento metodológico e de suas reflexões, é a crítica do vezo ideológico do texto literário, operando uma revisão de nossa literatura, lida sob o prisma da relação colonizador/colonizado, fazendo emergir também o recalcamento do outro mutilado em suas representações pelo código dominante do saber europeu instituído, estudando os matizes de uma cultura periférica e apontando o papel do artista nesse contexto. Com acuidade e decisiva militância atuou como teórico, crítico, escritor, apresentando para seus estudantes os novos paradigmas estabelecidos pelos pós-estruturalistas franceses. O campo epistemológico se abre com a difusão dos sistemas de saber (lições) de Derrida, Foucault e Deleuze. Os conceitos de difference, descentramento, desconstrução, suplemento e os questionamentos sobre fonte e origem, revolucionam a leitura do texto literário e abre uma perspectiva filosófica da linguagem e consequentemente do mundo.

Mostra o círculo vicioso e mascarado da análise de texto, contrapondo a ela a prática da interpretação, pela qual se opera a percepção das marcas na superfície da letra, propondo ler o texto em várias direções, abrindo o leque de suas possibilidades, contrária a um sentido fechado e único e denunciando seu traço ideológico.

Sobre Silviano Santiago, escritor, crítico, teórico, docente, renomado intelectual brasileiro muito já se sabe e muito já se tem dito. A professora Evelina Hoisel dirige seu plano de pesquisa e de seus orientandos, vinculado ao Projeto coletivo mencionado, para a complexa e variada obra de Silviano. Ademais, seu artigo, Silviano Santiago e a disseminação do saber , publicado no livro Navegar é preciso, viver , 2 dedicado a Silviano Santiago, por ocasião dos seus sessenta anos, elucida as lições com ele aprendidas quando sua aluna e orientanda na pós-graduação da PUC do Rio de Janeiro. Destaco também o artigo de Rachel Esteves Lima, A crítica cultural na Universidade , o qual dá conta de toda a formação de Silviano e a intervenção do seu saber na conformação das linhas de pesquisa e da teorias desenvolvidas na pós-graduação de algumas instituições de ensino. Posteriormente, em 1997, a professora Rachel Esteves defendeu a tese A critica literária na Universidade brasileira , na área de Literatura Comparada da UFMG "sobre as principais linhas teóricas em vigor nos primeiros cursos de pós-graduação criados no país, na área de literatura" 3, na qual se destaca a atuação de Silviano. Esses e outros artigos dizem do indeslocável lugar de Silviano como intelectual, movimentado-se sempre, fiel ao descentramento, numa inquietante busca de estilhaçar os saberes e os poderes que proliferam, dando pulos felinos para outro ponto de observação, do centro para periferia e se deslocando da periferia, quando essa ameaça cristalizar conceitos. Pelo zelo com que cuida de nossa memória cultural, é o nosso Mário de Andrade atual, mais polêmico, incorporando a contraface osvaldiana.

No ILUFBA coabita, pois, essas duas marcas de ação intelectual, em parte divergentes, mas que convergem para a compleição multiforme e criativa de nossos estudos literários. O lugar do intelectual delimita-se pois na interseção do saber e do fazer, tocando sempre na clave mais importante do aprendizado, a zona afetiva que predispõe o coração e o intelecto para receber, reconhecer e redistribuir.

 

 

"Roubando, dilapidando, saqueando, espoliando, sucateando" GROSSMANN, Judith. O mito da metaliteratura. In: 3º Congresso ABRALIC: Limites, 3., 1992, Niterói. Anais . São Paulo: EDUSP; Niterói: ABRALIC, 1995. 2 v. p.809

HOISEL, Evelina. "Silviano Santiago e a disseminação do saber". In: SOUZA, Eneida Maria de, MIRANDA, Wander Melo (Org.). Navegar é preciso viver : escritos para Silviano Santiago. Belo Horizonte: Editora UFMG, Salvador: EDUFBA, Niterói: EDUFF, 1997. p. 43-49.

LIMA, Rachel Esteves. "A crítica cultural na Universidade". In: SOUZA, Eneida Maria de,

MIRANDA, Wander Melo (Org.). Navegar é preciso viver : escritos para Silviano Santiago. Belo Horizonte: Editora UFMG, Salvador: EDUFBA, Niterói: EDUFF, 1997. p.181.