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O olhar crítico de Lima Barreto em Triste fim de Policarpo Quaresma e a denúncia da educação discriminatória
Helena Bonito Couto Pereira (UPM) e Maria Lucia M. Vasconcelos (UPM / UNG)

Este artigo analisa aspectos de Triste fim de Policarpo Quaresma , a partir de uma perspectiva interdisciplinar, relacionando-os à abordagem tradicional de ensino privilegiada pelas escolas brasileiras do início do século XX, quando a dinâmica da sociedade burguesa de então estabelecia uma relação estrutural perversa entre educação e privilégios de classe e gênero.

Publicado por Lima Barreto em folhetins, no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro em 1911, e lançado em livro cinco anos depois, Triste fim de Policarpo Quaresma realiza uma das representações ficcionais mais abrangentes dos primórdios da república no Brasil. O protagonista nos é apresentado como um patriota ferrenho, tomado de um amor pela pátria que o leva a atitudes extremadas, como, por exemplo, a proposta de substituição da língua portuguesa pela língua tupi, ou o engajamento voluntário nas tropas fiéis ao Marechal Floriano Peixoto, em um episódio que acabaria por conduzi-lo ao "triste fim" anunciado no título.

A respeito dessa obra, afirma José Aderaldo Castelo:

A criação caricaturesca e quixotesca de certos tipos ou matrizes representativas da nossa vida na obra de Lima Barreto abrange, no seu espaço e tempo, valores e instituições nacionais: passa do universo do funcionário público à política, à vida militar, ao jornalismo, e atinge o universo rural (...). Policarpo Quaresma defende a nossa cultura popular, a fertilidade das nossas terras e riquezas latentes. Mas vê-se na contingência de quem enfrenta uma realidade hipócrita e individualista, embora acreditasse no contrário . 1

 

Críticos literários já apontaram que, ao dividir o livro rigorosamente em três partes, Quaresma repensa a realidade nacional em três setores: o cultural, o agrícola e o político. Assim, no primeiro, inclui-se sua malfadada tentativa de recuperar um idioma verdadeiramente "nacional", como o esforço para valorizar a modinha de viola ou o violão, vistos então pela pequena burguesia com indisfarçável preconceito e menosprezo. Na segunda parte, desencantado com a vida urbana, muda-se para um sítio e pretende promover a lavoura, descobrindo em pouco tempo que falta apoio ao produtor e sobra corrupção em todos os setores da economia nacional. Na terceira parte, envolvendo-se concretamente na luta do exército brasileiro contra os revoltosos da Armada, descobre a injustiça, o poder arbitrário e as crueldades perpetradas em nome da pátria.

Paralelamente à trajetória do protagonista, encontra-se uma extraordinária galeria de personagens secundárias. As personagens masculinas compõem pequenos grupos, como o dos funcionários públicos arrivistas e prepotentes, como "o giboso Genelício", o do General Albernaz e seus colegas militares, que se vangloriam das batalhas na guerra do Paraguai, onde, em verdade, nem sequer combateram, e ainda de indivíduos formados que ridicularizam os subalternos ou os que não têm diploma.

Numa época em que a abordagem de ensino que imperava nas escolas era a tradicional, o diploma, considerado um bem em si mesmo, era supervalorizado pela sociedade de modo geral. Elitista, a educação formal dirigia-se às classes dominantes e tinha como pressuposto básico certificar os filhos da burguesia para assumirem as funções mais nobres e de comando no mundo do trabalho de então.

Tudo isso concorre para delinear um retrato amargo, porém abrangente, da sociedade brasileira contemporânea à primeira república. No âmbito feminino tornam-se personagens bastante representativas figuras como Adelaide, a irmã de Policarpo, dona de casa inteiramente devotada às tarefas domésticas, a afilhada do protagonista, Olga, "de olhos luminosos", pois enxerga para além daqueles horizontes estreitos da pequena burguesia suburbana, e ainda a frágil Ismênia, filha do general Albernaz, cujo noivado se festeja logo no início do romance.

Àquela altura, a questão de gênero em nossa sociedade pouco espaço ocupava nas preocupações do coletivo. Com uma visão masculina de mundo, a própria mulher, resignadamente impotente e submissa, assumia uma posição de subordinação e secundaridade sem muita expectativa quanto a mudanças em sua condição de esposa, mãe, dona de casa.

Dois aspectos nos atraem particularmente a atenção, quando pensamos nessa realidade brasileira cruamente exposta, e nos aspectos educacionais nela implícitos. O primeiro deles, diretamente relacionado aos grupos masculinos, revela a importância do grau de bacharel, distinção por meio da qual o (pretenso) saber transformava-se em passaporte para o exercício da prepotência e da discriminação. Era o tempo da "república dos bacharéis", tempo em que um diploma assegurava ao seu portador a relevância social e as vantagens econômicas decorrentes da inserção na casta militar ou no funcionalismo público.

O verbalismo excessivo e o abuso do jargão profissional conferia (e, com surpreendente freqüência ainda nos dias atuais segue conferindo) aos participantes de determinados segmentos profissionais uma aura de competência absolutamente fictícia e superficial. Aos iniciados, todo o direito de participação no grupo profissional e a sensação de pertencimento ao grupo social, constituído em decorrência do primeiro. Aos não iniciados, a exclusão.

Outro aspecto notável nessa obra é a percepção dos constrangimentos a que estão sujeitas as jovens, direcionadas ao espaço privado e com participação restrita no espaço da vida pública, condicionadas desde a infância a considerar o casamento como objetivo único da vida e única porta de entrada para o mundo adulto. Esse comportamento, especialmente relacionado às mulheres dos setores sócio-econômicos mais favorecidos, mas também mais conservadores, marca a sociedade brasileira desde os seus primórdios, quando a senhora era mantida reclusa na casa grande do período colonial, devendo completa obediência aos homens, quer fossem eles pais, irmãos ou maridos.

O primeiro aspecto encontra-se exemplificado nos embates entre Policarpo Quaresma e seu chefe e na incompreenão do meio em relação ao autodidatismo do protagonista. Na mesma direção apontam outros fragmentos, em torno dos esforços do médico Armando Borges, marido de Olga, indivíduo medíocre que pretende tornar-se reconhecido como um grande intelectual. Ilustram o segundo aspecto fragmentos apresentados e comentados adiante, que sintetizam a saga de Ismênia em seu desejo frustrado de cumprir o único papel social que lhe parecia adequado a uma mulher.

10 em Hidráulica, 9 em Descritiva...

Ainda na primeira parte do livro, após suas investidas no campo cultural, sempre tendo em vista o nacionalismo, Quaresma, estudioso de tupi, distrai-se na cópia (manuscrita) de um requerimento e o traduz para essa língua. O fato causa muita estranheza, ninguém sabe de que língua se trata, até que o seu superior hierárquico o repreende:

Quem escreveu isso?

O major [Quaresma] nem quis examinar o papel. Viu a letra, lembrou-se da distração e confessou com firmeza:

Fui eu.

Então confessa?

Pois não. Mas Vossa Excelência não sabe...

Não sabe! Que diz?

O diretor levantou-se da cadeira, com os lábios brancos e a mão levantada à altura da cabeça. Tinha sido ofendido três vezes: na sua honra individual, na honra de sua casta e na do estabelecimento de ensino que freqüentara, a escola da Praia Vermelha, o primeiro estabelecimento científico do mundo. Além disso escrevera no Pritaneu, a revista da escola, um conto, "A saudade", produção muito elogiada pelos colegas. Dessa forma, tendo em todos os exames plenamente e distinção, uma dupla coroa de sábio e artista cingia-lhe a fronte. Tantos títulos valiosos e raros de se encontrarem reunidos mesmo em Descartes ou Shakespeare, transformavam aquele - não sabe - de um amanuense em ofensa profunda, em injúria.

- Não sabe! como é que o senhor ousa dizer-me isto! Tem o senhor porventura o curso de Benjamim Constant? Sabe o senhor Matemática, Astronomia, Física, Química, Sociologia e Moral? Como ousa então? Pos o senhor pensa que por ter lido uns romances e saber um francesinho aí, pode ombrear-se com quem tirou grau 9 em Cálculo, 10 em Mecânica, 8 em Astronomia, 10 em Hidráulica, 9 em Descritiva? Então?

E o homem sacudia furiosamente a mão e olhava ferozmente para Quaresma, que já se julgava fuzilado. 2

 

Sustentando-se em um mal-entendido (a precipitada interpretação do chefe ao incompleto "Vossa Excelência não sabe" com que Quaresma lhe replicou), o fragmento apresenta de modo satírico a interação entre dois personagens essencialmente opostos: o erudito Quaresma, autêntico em sua modéstia e simplicidade, e um chefe de repartição que se orgulha de ter tirado grau 9 em Cálculo, 10 em Mecânica, 8 em Astronomia, 10 em Hidráulica, 9 em Descritiva..., o que significaria talvez um saber praticamente ilimitado.

Na abordagem tradicional de ensino, chamada por Paulo Freire de "educação bancária", as notas são compreendidas como reflexo da aprendizagem e traduzem o grau de aquisição de conhecimentos por parte dos educandos. As notas obtidas são consideradas, por toda a sociedade, testemunho real de competência, daí o personagem gabar-se das notas há tanto tempo obtidas, buscando-as como um dado inquestionável de seu mérito e sabedoria.

Por outro lado, é oportuno ressaltar a excessiva valorização por parte do mesmo personagem - o chefe - quanto à educação escolar por ele recebida, mencionando uma a uma as disciplinas componentes de seu currículo escolar. Althusser 3 ajuda-nos a compreender esse mecanismo, apontando-nos a clara conexão existente entre educação e ideologia, sendo a segunda disseminada pela primeira, que lhe garante a continuidade. Disciplinas como Sociologia e Moral, citadas pelo personagem em questão, servem para transmitir crenças sobre a sociedade tal como ela é e como se deseja que se perpetue. Nosso personagem, fruto da escola tradicional, voltada para a aceitação das estruturas sociais existentes, vê-se como superior porque escolarizado e não admite a hipótese de ser contestado justamente por alguém que não freqüentou os mesmos bancos escolares da elite.

Devia até ser proibido... ter livros

Em conseqüência de tudo isso, Quaresma é enviado a um hospício. Eis como a notícia é comentada por seus conhecidos, na festa do noivado de Ismênia:

Sabe de uma cousa, general?

O que é?

O Quaresma está doido.

Mas... o quê? Quem foi que te disse?

Aquele homem do violão. Já está na casa de saúde...

(...)

- Nem se podia esperar outra cousa, disse o doutor Florêncio. Aqueles livros, aquela mania de leitura...

Pra que ele lia tanto? Indagou Caldas.

Telha de menos, disse Florêncio.

Genelício atalhou com autoridade:

Ele não era formado, para que meter-se em livros?

É verdade, fez Florêncio.

Isto de livros é bom para os sábios, para os doutores, observou Sigismundo.

- Devia até ser proibido, disse Genelício, a quem não possuísse um título "acadêmico", ter livros. Evitam-se assim essas desgraças. Não acham?

Decerto, disse Albernaz.

Decerto, fez Caldas.

Decerto, disse também Sigismundo. 4

 

A reiteração com que se inicia a última fala desses três personagens é um recurso empregado pelo autor para enfatizar não exatamente o fato a que se referem (a inconveniência de os não diplomados possuírem livros), mas o pensamento uníssono de toda essa categoria de profissionais que, sem cumprirem suas obrigações, imaginam-se, equivocadamente, situados acima dos demais.

Nos comentários de Sigismundo e Genelício, percebe-se o reflexo do que uma educação segregadora é capaz de realizar: somente aqueles que a ela tiverem acesso têm o direito de usufruir de seus benefícios (no caso específico, o acesso aos livros, ao conhecimento, à cultura erudita). Este é o exemplo típico do que Michael Apple 5 chama de "hegemonia cultural" das classes dominantes, que consegue convencer que uma atitude de exclusão (como o não à escola) possa ser considerado um arranjo social legítimo.

O seu último truque intelectual era o "clássico"

Essa classe pequeno-burguesa, de mentalidade retrógrada e estreita, não perpetuava apenas a visão preconceituosa contra quem não tinha diploma, mas também contra os que, mesmo diplomados, não sabiam falar em estilo "bacharelesco" ou pseudo-culto. É o que o narrador mostra por meio do personagem Armando Borges, um médico que pretende 'ter um cargo de oficial, médico, diretor ou mesmo lente da faculdade" e que, com seu estilo excessivamente verbalista, mostra a fragilidade da escola tradicional, dissertativa por excelência, que está afastada da verdadeira epistemologia. Como o aluno ali formado não é levado a questionar, a problematizar, a fala rebuscada do candidato a mestre pode ser interpretada como erudição. Assim, o personagem preparava os textos para publicação, sempre com conteúdo irrelevante, mas em estilo similar ao que considerava "clássico", como observa ironicamente o narrador:

De fato, ele estava escrevendo ou mais particularmente: traduzia para o "clássico" um grande artigo sobre "Ferimentos por arma de fogo". O seu último truque intelectual era esse do clássico. Buscava nisto uma distinção, uma separação intelectual desses meninos por aí que escrevem contos e romances nos jornais. Ele, um sábio, e sobretudo um doutor, não podia escrever da mesma forma que eles. A sua sabedoria superior e o seu título "acadêmico" não podia usar da mesma língua, dos mesmos modismos, da mesma sintaxe que esses poetastros e literatecos. Veio-lhe então a idéia do clássico. O processo era simples: escrevia do modo comum, com as palavras e o jeito de hoje, em seguida invertia as orações, picava o período com vírgulas e substituía incomodar por molestar, ao redor por derredor, isto por esto, quão grande ou tão grande por quamanho, sarapintava tudo de ao invés, empós, e assim obtinha o seu estilo clássico, que começava a causar admiração aos seus pares e ao público em geral . (...)

A sua tradução estava quase no fim, (...) mas, como teimasse em não encontrar um equivalente clássico para "orifício", julgou útil a interrupção. Queria pôr "buraco", mas era plebeu; "orifício", se bem que muito usado, era, entretanto, mais digno. 6

 

Quando você se casar...

A condição feminina é um dos campos privilegiados por Lima Barreto para o desnudamento das distorções ideológicas e dos preconceitos de gênero a que estão sujeitas as personagens femininas no contexto da sociedade patriarcal brasileira dos primórdios da república. Ismênia concentra em si a problemática da condição feminina, como personagem educada para assumir afazeres domésticos, exposta a uma pressão indisfarçada, ininterrupta, cotidiana, no sentido de concretizar o único evento capaz de garantir-lhe um papel social: o casamento.

Noiva há quase cinco anos, Ismênia já se sentia meio casada (...). Casar, para ela, não era negócio de paixão, nem se inseria no sentimento ou nos sentidos (...) Desde menina ouvia a mamãe dizer: 'aprenda a fazer isso, porque quando vocë se casar...' ou senão 'você precisa aprender a pregar botões, porque quando você se casar...'

A todo instante e a toda hora lá vinha aquele - 'porque, quando você se casar...'- e a menina foi se convencendo de que toda a existência só tendia para o casamento. A instrução, as satisfações íntimas, a alegria, tudo isso era inútil; a vida se resumia numa cousa: casar. (...) e de tal forma casar-se se lhe representou cousa importante, uma espécie de dever, que não se casar, ficar solteira, 'tia', parecia-lhe um crime, uma vergonha. 7

 

Namoro e noivado duraram o tempo necessário para o candidato concluir seus estudos; assim que se formou, ele "embarcou para o interior" e nunca mais deu notícias. Então, "sem hábito de leitura e de conversa, sem atividade doméstica qualquer", Ismênia é saudada por um constante "refrão", cada vez que alguém a encontra, como na cena a seguir:

Ismênia veio fazer sua visita diária à irmã de Quaresma.

Cumprimentou todos e todos sentiram que ela penava. O sofrimento dava-lhe mais atividade à fisionomia. (...) Por fim D. Adelaide lhe perguntou:

Recebeste carta, Ismênia?

Ainda não, respondeu ela com grande economia de voz. 8

 

As restrições que lhe foram impostas e agora lhe pesavam com a força redobrada da desesperança, eram mantidas e renovadas por todos que, como ela, fingiam uma realidade que se sabia fictícia. Por força da repetição da cena, Ismênia protagoniza situações patéticas. Após a mudança de Adelaide e Policarpo para o interior do Estado do Rio, e ao ter conhecimento de que Ricardo pretendia fazer-lhes uma visita, Ismênia não hesitou em enviar, por meio dele, um recado a Adelaide, solicitando... que lhe escrevesse uma carta!

Impossibilitada de concretizar o projeto matrimonial longamente acalentado, Ismênia vê-se também incapaz de se contrapor ao preconceito dos demais personagens, que, aliás, lhe fora incutido impiedosamente. Fragilizada ao extremo, entra em um quadro depressivo, adoece e morre, escapando ao que era, em seu ponto de vista, o vergonhoso papel de 'tia':

Viu, por entre a porta do guarda-vestidos meio aberto, o seu traje de noiva. Teve vontade de vê-lo mais de perto. Levantou-se descalça e estendeu-o na cama para contemplá-lo. Chegou-lhe o desejo de vesti-lo. Pôs a saia, e aí lhe vieram recordações do seu casamento falhado. (...)

Acabou de abotoar a saia em cima do corpinho, pois não encontrara colete; e foi ao espelho. Viu os seus ombros nus, o seu colo muito branco... Surpreendeu-se. Era dela tudo aquilo? Apalpou-se um pouco e depois colocou a coroa. O véu afagou-lhe as espáduas carinhosamente, como um adejo de borboleta. Teve uma fraqueza, uma cousa, deu um ai e caiu de costas na cama, com as pernas para fora... Quando a vieram ver, estava morta. 9

 

Não é por acaso que personagens como Policarpo ou Ismênia sejam destruídos pelas circunstâncias: eis o destino de quem não compreende as regras do jogo social, carregadas de hipocrisia. Há uma tensão permanente na relação do o protagonista, Quaresma, com a sociedade em que ele atua: em sua simplicidade e transparência, nem sempre ele se dá conta dos falsos valores que motivam ou impulsionam os demais atores sociais.

A importância de Triste fim de Policarpo Quaresma reside, portanto, no seu poder de denunciar, ironicamente, inúmeros aspectos da vida da sociedade burguesa brasileira do início do século XX, como os neste artigo destacados. Seja em referência à supervalorização do diploma e do saber livresco, pretensioso, utilizado como recurso de diferenciação em uma sociedade marcadamente preconceituosa, seja em referência ao papel que se permite (ou se atribui) à mulher nesse contexto de discriminação, onde um determinado grupo exerce o poder de impor ao outro suas escolhas e suas preferências, garantindo, assim, a sua própria sobrevivência e hegemonia.

A despeito do modesto renome alcançado por seu autor em vida, Triste fim de Policarpo Quaresma mantém-se como uma das mais poderosas representações literárias que expressam inconformismo e indignação ante situações que, embora se mostrem, à primeira vista, apenas circunstanciais, revelam-se indesejavelmente duradouras.

 

1 CASTELO, J. Aderaldo . A literatura brasileira - origens e unidade . Vol. 2. São Paulo: Edusp, 1999. pp. 31-32.

2 BARRETO, Afonso Henriques de Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma . São Paulo: Ática, 1988. pp. 54-55.

3 Althusser, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado . Rio: Graal, 1983.

4 BARRETO, L. op. cit , p. 46.

5 APPLE, Michael. Educação e Poder . Porto, Portugal: Porto Ed., 2001.

6 BARRETO, op. cit ., pp. 107-108.

7 idem, p. 64.

8 idem, p. 119.

9 idem, p. 139.