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Textualidades de metamorfose: ficções e teorias da interpretação na contemporaneidade
Maria Antonieta Jordão de Oliveira Borba (UERJ)
Os debates sinalizadores de rupturas da contemporaneidade com o pensamento filosófico do ocidente decorreram tanto da emergência de formas desautomatizadoras de manifestações artístico-culturais, quanto do estabelecimento de campos críticos e estético-temáticos, para os quais contribuíram sem dúvida as reflexões dos desconstrutivistas franceses Michel Foucault, Jacques Derrida e Roland Barthes. Ao instaurarem um novo corpus conceitual, esses pensadores acabaram por não só promover um corte epistemológico com as amarras dos solos metafísicos, como também propiciar a inclusão de muito do que havia ficado relegado à dispersão das periferias. Sobre a proliferação das literaturas, objetos artísticos e expressões culturais que passaram a merecer a investigação de pesquisadores a partir da década de setenta, os arquivos respondem a qualquer contestação.
No entanto, como o processo criativo se faz liberto de teorias crítico-filosóficas, boa parcela das obras literárias hoje produzidas é capaz de provocar aproximações com textualidades de metamorfose 1 de outras épocas, menos em função de rupturas do que de aspectos relativos a modalidades estéticas, ainda que seus discursos ficcionais recebam catalogações historicamente distantes. Daí algumas literaturas incitarem revisitações descontínuas, quer dizer, provocarem releituras norteadas apenas pela idéia de condições de possibilidade, tal como essa noção foi pensada por Michel Foucault (1966) em seu projeto de construção de uma História das idéias, ou pela noção de suplemento , tal como é entendida por Jacques Derrida (1971).
A tendência natural de situar lado a lado romances distantes entre si pode ocorrer num primeiro momento do trânsito que o leitor estabelece com o texto, em função de percepções provocadas por figurações imagéticas semelhantes advindas de textualidades de contextos históricos variados, independente portanto da relação entre a poesia e o zeitgeist que lhe é respectivo. Se hoje já se pode delinear uma literatura em que o narrador parece querer que vivenciemos com ele a perplexidade da existência, é porque a escrita de nossos contemporâneos indicia uma espécie de "estética suspensiva" que, sem imitar nem se opor à beleza dos clássicos, dela por vezes artisticamente se avizinha. Com isso, queremos dizer da possibilidade de se aproximarem algumas estratégias estético-ficcionais da pós-modernidade com as que se mostram também em obras já consagradas pelo cânone.
Sobre a tão debatida definição de pós-modernidade, em que, para os adeptos da idéia de evolução, o prefixo intensificaria a força de rompimento com o significado da palavra que o sucede, Roberto Corrêa dos Santos revela, de modo diverso, a complexa maneira pela qual a contemporaneidade se relaciona com o passado. Num significativo trecho de seu livro Matéria e Crítica (2002), o autor define a pós-modernidade por uma escrita cuja fragmentação, embora lembre a negação com o passado dos Manifestos de 1922, na verdade, contraria a proposta do Modernismo, principalmente porque agrega ao presente conteúdos pretéritos, prevendo assim a formação de "novas figuras" "para além do triângulo edípico". É o que lemos no seguinte fragmento:
Novos traços entre os tempos. O passado, não mais motivo de riso, escárnio, recusa ou morte (a acolhida informação do pastiche). Todos os avanços da informação acoplados às antigas linhas. E às volutas. Reconciliar-se com as Vidas Passadas. Ressuscitar. Desnecessários os parricídios. Mirar a história e as formas por intermédio das aquisições mais recentes das ciências. Outras figuras para além do triângulo edípico. As linhas retas e o sinuoso. Detalhes, enfeites, utilidades. Funcionar qual um computador estético. (Registrar e articular ações e imaginários - virtuale, outra espécie de virtus). 2
Por essa perspectiva, forças textuais várias nos conduzem a crer que algumas das mais significativas articulações entre tradição e modernidade advêm de recursos literários indicadores de pelo menos uma tendência em comum: certos autores não se sentem comprometidos com a idéia de que, no espaço de suas produções ficcionais, o leitor irá encontrar respostas firmes ou definitivas para o repertório de suas obras. Tanto os escritores da boa contemporaneidade, quanto aqueles reconhecidos pelo legado de suas tradições parecem querer deixar em constante estado de suspensão traços de obscuras subjetividades, embates entre valores culturais, dilemas da existência humana, contradições sociais, muito enfim do que atravessa os meandros de uma história da ficção que não se quer fazer isolada - de uma história da ficção que provoca a interferência perceptiva e a resposta conceitual do pólo da recepção.
Sabemos bem que lá nos anos oitocentistas, Machado de Assis, a seu modo e em belíssimo estilo, jamais quis indicar caminhos certeiros para seus leitores. A possibilidade de aprisionamento de sua literatura só era assim pensada por aqueles que caíam em suas conhecidas armadilhas, o que acabava acarretando, neste tropeço, a construção de um tipo de recepção ideológica, motivada possivelmente pela "força centrífuga" que expulsa o leitor, como diria Karlheinz Stierle 3 . A crítica mais atenta, por outro lado, sabia que a narrativa machadiana logo cuidava de criar incertezas, todas as vezes em que uma gestalt estava prestes a se fechar, ou sempre que um sentido se mostrasse na iminência de pôr um ponto final nas divergências entre personagens, ou ainda, todas as vezes em que as discrepâncias interruptoras do good continuation se vissem ameaçadas. É para este tipo de urdidura, e conseqüente premência de intervenção por parte do leitor, que Silvia Regina Pinto (2003), uma de nossas mais importantes críticas da literatura contemporânea, nos chama atenção em recente artigo publicado com o título "Desmarcando territórios ficcionais: aventuras e perversões do narrador":
Ao leitor, já desde Machado de Assis, não se oferece uma posição confortável, a partir da qual, um texto seja inteligível de uma forma tranqüila. Mas no discurso narrativo atual, o uso declarado de muitos intertextos sugere uma recusa textualizada no sentido de referendar a subjetividade singular ou o sentido único. 4
A obra de Machado, como sabemos, é marcadamente configurada por apresentar perspectivas em constantes confrontos. E não é por outro motivo que nosso grande escritor assina uma ficção de vazios, cuja importância reside justamente no fato de eles serem deixados assim mesmo, neste estado suspensivo. Uma ficção que, por se construir desse modo, instaura condições de comunicação e suscita respostas decorrentes dos efeitos estéticos produzidos na mente do leitor, conforme grade conceitual formulada por Wolfgang Iser (1978). É claro que Machado não precisou de Iser para escrever sua obra. Nem poderia ser de outro modo. Mais ou menos um século é o período que separa o nosso grande escritor do importante teórico alemão. Mas isso não impede que, pela "Teoria do efeito" de Iser, compreendamos, com maior vigor conceitual, a beleza que a crítica do passado certamente até sublinhou, embora, por vezes tenha se limitado ao recurso da simples adjetivação. Na verdade, mesmo sem o respaldo de teorias, não se deixou de tentar traduzir discursivamente os efeitos acarretados por D. Casmurro , Esaú e Jacó, Quincas Borba e tantos outros romances e contos machadianos, apesar de o discurso crítico da época, por se ver subtraído de uma episteme propiciadora de investigações teóricas capazes de examinar, descrever e explicar as ocorrências propulsoras do fenômeno estético, muitas vezes não tenha conseguido produzir outra pragmática que não fosse a chamada "crítica do gosto", ou uma escrita meramente impressionista. Nesse sentido, alguns dos trabalhos acadêmicos sobre Machado publicados em horizontes de expectativa mais recentes podem até ser caracterizados como novos, mesmo que consideremos o tradicional reconhecimento de sua fortuna crítica. Afinal, não seria com ouvidos e olhares contemporâneos também que poderíamos voltar a pensar o Brasil, através da conhecida indecisão de Flora em Esaú e Jacó ? Não nos perguntaríamos se a incapacidade dessa personagem de se decidir entre Pedro e Paulo só suscitou os leitores para a reflexão sobre a inércia de um país, mesmo quando a República muda o regime da Monarquia, fundamentalmente porque essas articulações entre Flora e as ocorrências político-sociais foram esteticamente tematizadas por Machado como forças em embate e sem resolução na própria obra?
Já não constitui surpresa que a expectativa da escavação da verdade no discurso literário foi durante bom tempo aceita sem ressalvas, quando se dizia que, em seu extrato mais profundo, guardava-se a semântica das totalidades de uma época. Esta era a concepção dominante de literatura decorrente da atribuição concedida ao discurso, após a anulação, pelo capitalismo, das profecias até então disseminadas pelos porta-vozes dos reis absolutistas. Revelando uma posição oposta a essa expectativa, Wolfgang Iser (1978) nos alertou para a resistência das próprias obras da modernidade quanto à função a ela atribuída, aquela que lhe conferia o papel de guardiã de uma semântica prévia. Para isso, ilustrou sua argumentação teórica, recorrendo à ficção de Henry James, mais especificamente, o conto "The figure in the carpet", através do confronto de duas perspectivas textuais: a do crítico e a do personagem. Pela análise comparativa dessas duas visões, Iser pôde nos mostrar a nulidade da interpretação, quando se busca o significado do palimpsesto, por uma investigação pautada em pressupostos não condizentes com a própria literatura tomada por objeto de estudo.
Sabe-se hoje que, se já podemos delinear alguns elementos típicos de uma literatura que satisfaz às expectativas de um estado de aisthesis , isso não se deve exclusivamente a uma ruptura na história do conhecimento nos últimos anos. A pós-modernidade vem buscando firmar uma estética, sem contudo querer fazer disso um rompimento com tudo o que já foi proposto. O novo que percebemos se alia à tradição, justamente porque abala a ordem já instituída, quando com ela se articula. Aliás, o próprio Roland Barthes (1979) do desconstrutivismo já nos alertou para a diferença entre os textos legíveis que fecham um círculo de tematizações regido pela lei do Significado e os textos escrevíveis, aqueles que estão sempre por ser escritos. E essa distinção não se encontra presa a uma questão de época. Pelo contrário. Escritores como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Bernardo de Carvalho, João Gilberto Noll, Hilda Hilst, Silviano Santiago irromperam na literatura brasileira com narrativas que os notabilizaram por conferir às suas obras um campo intenso de provocações, ao invés de uma pausa para o espírito no lazer que uma boa história sempre proporciona. Difícil é, portanto, falar de períodos homogêneos que obedeçam, sem reclamar, às nomenclaturas classificatórias de clássica, moderna e pós-moderna. Se por um lado não podemos prescindir desses paradigmas, por outro, isso não deve implicar o gesto de dar as costas para o diferente. Parafraseando Flora Sussekind, para "tal Brasil", haveremos sempre de procurar por "qual literatura" 5.
Aliás, já por volta de 1930, o poeta e ensaísta T. S. Elliot (1989), em seu conhecido ensaio intitulado "Tradição e talento individual" 6 chegou a configurar o conceito de diferente na inter-relação que o significado dessa palavra mantém com o de tradição. É por isso que suas reflexões sobre o surgimento de uma obra referem-se à impossibilidade da nomenclatura "diferente" decidir, uma vez por todas, o rompimento com tudo aquilo que se produziu antes numa e noutra época. Para Elliot, o novo não é o que se antepõe ao que veio antes, nem mesmo significa a descoberta de "algo que possa ser isolado para assim nos deleitar". O diferente apreciável é o que incorpora a tradição. O que Elliot entende por "princípio de estética" é a apreciação do artista não em sua significação isolada, não em sua nova proposta ela mesma. O "talento individual" se firma pelo abalo que provoca nos "monumentos existentes". A individualidade criativa revela-se justamente por entrar no conjunto já instituído pela tradição, abalando essa ordem que faz supor a completude dos artistas mortos. Nesse movimento em que as relações, proporções, valores de cada obra de arte rumo ao todo são reajustados , é que reside a harmonia entre o antigo e o novo , escreveu Elliot .
Em alguns dos bons escritores contemporâneos, o novo que faz com que os artistas alterem a "ordem existente" dos "monumentos" pode ser conceitualmente explicado através de pelo menos três diapasões teóricos interligados: a) do que Silvia Regina Pinto (2003) denomina simulacro positivo , entendido como modelos de reconstrução de aspectos do mundo que só podem assim funcionar, na medida em que demonstram algum conhecimento essencial daquilo que simulam ; b) do que Wolfgang Iser conceitua por reagenciamento horizontal , caracterizado pela estrutura verbal que, por estranha forma de combinação, faz com que as normas dos sistemas sociais fiquem desprovidas da validade que possuíam na referencialidade, uma despragmatização que as torna não familiares aos leitores, provocando-os a repensar aquilo que os rege em sociedade; c) do que Karlheinz Stierle chama de estrutura capaz de instaurar uma reflexão centrípeta , a força que faz com que a percepção do leitor se volte para a própria ficção. Nos três casos, o efeito decorre do mesmo fenômeno: de uma estética que apenas potencializa significações, ou seja, o que vimos aqui chamando de "estética suspensiva". Como então em certas estruturas as coisas não se definem, a literatura acaba por conduzir o leitor a um movimento que articula relações entre o dentro e o fora, somente até o ponto em que ele, leitor, se sinta impulsionado a sair das alusões a uma realidade familiar para a própria auto referencialidade do universo ficcional.
É o que ocorre em Cartas de um sedutor. Hilda Hilst constrói uma narrativa de tal forma indistinta em suas mutantes referencialidades que retira o leitor do conforto que qualquer automatismo perceptivo acarreta. Para ele, fica difícil reconhecer as diferentes seqüências narrativas, em regime compatível com os comportamentos diversificados dos personagens. Defronta-se o leitor de Hilst com um universo ficcional que contrasta imagens, que aproxima o inesperado e que não se curva às relações causais próprias da referencialidade a qual faz alusão. O espaço da sujeira e do vocabulário chulo convive com a assepsia da erudição, seja na cena em que o mendigo pega a "obra completa de Kieergaard" na lixeira ou na escrita que se refere ao "brilhante tarado do Foucault". A poética da obscenidade de Hilst encontra, nesse romance epistolar, uma de suas bases mais marcantes, particularmente, quando o personagem- escritor sem histórias nítidas emprega, numa mesma cena, a linguagem que traduz o ardor sexual com o signo maior da referência religiosa:
Querida, sei que te aborreces com esses meus de menos, mas fico inseguro quando a pica suplica. E ela suplica: Albert! Albert! Se visses que bundinha rija, minha irmã! Que gomos perfeitos! O Criador, quando quer, sabe o que fazer com as mãos! 7
Da mesma forma que, em Hilst, embates do senso comum permanecem na ficção como tais, em João Gilberto Noll, o protagonista de O quieto animal da esquina dispensa a escrita de qualquer seqüência que estabeleça elos de coerência e verossimilhança entre os diversificados momentos que vivencia no decorrer do romance. Inicialmente ele se apresenta por apenas alguns signos-fragmento, quando ainda se encontra em companhia da mãe, para que, em poucas páginas, nos diga ter estado preso por estupro e, em seguida, internado numa clínica. Com essa estratégia estética, a narrativa acaba por suspender a própria possibilidade de composição de identidade do personagem e, nesse vazio trazido pela perspectiva do personagem, o leitor se vê provocado a pensar sobre a contradição que daí advém. É para esse estado ambíguo que Alexandre A. Oliveira (2004) nos chama a atenção em seu texto A identidade esquecida: a experiência do sublime por um narrador pós-moderno , situação esta que convida o leitor implícito a assumir sua função de raiz implantada no texto:
A emancipação de viver seu simulacro em uma nova casa é animadora e ao mesmo tempo incômoda. A qualquer mudança na casa, sua única dúvida é se vai poder continuar ali, sem ser importunado. Ele reconhece sua submissão às novas regras, e aceita se recriar continuamente para se adaptar a uma nova vida. 8
Para aqui poderiam ser trazidas outras passagens de obras de escritores contemporâneos que, a despeito de qualquer teoria, construíram suas narrativas, deixando-nos o legado de com ela participarmos de suas "estéticas suspensivas". Limito-me contudo a fazer breves referências, mais para que este recurso da interrupção provoque a abertura para outras reflexões que venham a ser desdobradas. Lembremos então apenas alguns elementos bem pontuais de duas obras de Silviano Santiago. O que poderíamos dizer, por exemplo, sobre os diferentes meandros envolvidos no gesto do favor, provocados que somos pelo diálogo entre Dona Naná e o personagem Graciliano, quando este ritual de bons modos é tematizado estético-ficcionalmente no belo romance Em Liberdade ? E ainda desse mesmo escritor, como responder, em Keith Jarret no Blue Note (Improvisos de jazz) , àquela espécie de sedução pela alteridade de um escritor maduro, performatizada na obsessão constante do "você/eu", diante das perplexidades de um mundo predominantemente heterossexual, patriarcal e familiar? Como é possível permanecermos os mesmos, depois de lermos a forte experiência vivida pelo narrador diante da morte de Adolfo, seu ex-amante? Para nós, leitores, são deixadas apenas provocações, quando nos deparamos com a fragmentação do sujeito, com a falta identitária, com uma narrativa cética de sentidos. Não é assim que se constroem os contos gays de Silviano Santiago?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARTHES, Roland. S/Z . São Paulo: Livraria Martins Fontes (s/d).
DERRIDA, Jacques. A escritura e a diferença . São Paulo: Perspectiva, 1971.
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber . Petrópolis:Vozes, 1972.
_________________. As palavras e as coisas . São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1966.
ISER, Wolfgang. The act of reading; a theory of äesthetic response . London: Routledge and Kegan Paul Ltda., 1978.
OLIVEIRA, Alexandre Amorim de. A Identidade esquecida: a experiência do sublime por um narrador pós-moderno (mimeo). Dissertação de mestrado, UERJ, 2004.
PINTO, Sílvia Regina. "Desmarcando Territórios Ficcionais: Aventuras e Perversões do Narrador". In: NUÑEZ, Carlinda Pate (org). Armadilhas ficcionais: modos de desarmar . Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003.
SANTIAGO, Silviano. Em Liberdade: uma ficção de Silviano Santiago . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
SANTOS, Roberto Corrêa dos. Matéria e crítica . Rio de Janeiro: Livraria Sette Letras, 2002.
STIERLE, Karlheinz. "Que significa recepção de textos ficcionais" In: LIMA, Luiz Costa (org.). A literatura e o leitor: textos de estética da recepção . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.133-188.
Notas:
Denominamos "textualidades de metamorfose" os discursos literários cujas estéticas, por não repetirem as escalas de valores de mundo, próprias da referencialidade de suas épocas, transmutam-nas ficcionalmente, oferecendo-se, por isso mesmo, à produção de mudanças recepcionais nos diferentes horizontes de expectativa. Embora a expressão tenha surgido neste texto, ela se articula com o que Wolfgang Iser (1978) denominou "reagenciamento horizontal das normas", conforme veremos adiante.
SANTOS, Roberto Corrêa dos. Matéria e Crítica . Rio de Janeiro: Sette Letras, 2002, p.84.
STIERLE, Karlheinz. "Que significa a recepção de textos ficcionais". In: LIMA, Luiz Costa (org.) A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.133-188.
PINTO, Sílvia Regina. "Desmarcando territórios ficcionais: aventuras e perversões do narrador". In:_ NUÑEZ, Carlinda F. (org.) Armadilhas ficcionais. Modos de desarmar , Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003, p. 84.
Referimo-nos ao título de sua tese de doutoramento, ainda na versão mimeo.
ELLIOT, T. S. "Tradição e talento individual" In: Ensaios . SP: Art Editora, 256 páginas, 1989, p. 37-48. Cabe lembrar que Elliot definiu, neste texto, regulações para o poema, e não para a prosa .
HILST, Hilda. Cartas de um Sedutor , 2ª ed., São Paulo: Globo, 194 páginas, 2003, p. 31.
OLIVEIRA, Alexandre Amorim. A identidade esquecida: a experiência do sublime por um narrador pós-moderno . Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro: UERJ, 2004, p. 71.