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Dominação e exílio: Uma leitura de A asa esquerda do anjo, de Lya Luft
Cimara Valim de Melo (UFRGS)
Estamos diante na nação dividida no interior dela própria, articulando a heterogeneidade de sua população . HOMI BHABHA **
A teoria literária, com a ascensão dos estudos comparatistas, culturais e pós-coloniais, tem sido perpassada por mudanças decisivas, que deram novos rumos às reflexões acerca da literatura e problematizaram o seu caráter monológico e dominador. Ao contrário da tendência ocidental de valorizar as produções advindas dos países colonizadores, há uma efervescência atual no que diz respeito à construção da multiplicidade cultural e ao conseqüente resgate do discurso das "minorias", que abala os pilares tradicionais de escrita universal.
O espaço aberto à expressão da heterogeneidade existente em cada nação, bem como à consciência do entrelaçamento entre o povo e suas raízes e à percepção da descontinuidade da história torna possível um olhar sobre o que ficou, desde a colonização, às margens da sociedade. Não somente se pode lançar um olhar crítico e includente sobre essa realidade, mas é possível também retirar as amarras que tornaram inaudíveis as vozes dominadas, referentes aos grupos étnicos, femininos e populares. Fronteiras rígidas e disciplinadoras, com estes estudos, passam a ceder lugar à diversidade das mesmas. Laura Padilha, em conferência realizada no II Colóquio Sul de Literatura Comparada, fala do exílio interno causado pela supremacia ideológico-cultural proveniente dos países desenvolvidos: "O exílio dá-se não só fora, mas também dentro das próprias terras, onde é encontrado um trânsito entre diversas fronteiras" 2. Essas fronteiras tornam quase impossível a emergência dos discursos produzidos nos países em desenvolvimento, pois são sufocados pelo discurso padrão.
A contraposição das teorias pós-coloniais, geradas a partir do questionamento do cânone, com as fortes tradições inerentes ao autoritarismo europeu estimulam a consciência nacional. Edward Said analisa o domínio imperialista como causador da hegemonia ideológica e o hibridismo cultural como elemento contrário à humilhação e manipulação:
Em todas as culturas nacionalmente definidadas, creio eu, existe uma aspiração à soberania, à influência e ao predomínio. Nesse aspecto, as culturas francesa e inglesa, indiana e japonesa rivalizam. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, nunca tivemos tanta consciência da singular hibridez das experiências históricas e culturais, de sua presença em muitas experiências e setores amiúde contraditórios, do fato de transporem as fronteiras nacionais, de desafiarem a ação policial dos dogmas simplistas e do patriotismo ufanista. Longe de serem unitário, monolítico ou autônomo, as culturas, na verdade, mais adotam elementos "estrangeiros", alteridades e diferenças do que os excluem conscientemente. 3
O Brasil, como representante dos países em desenvolvimento, sentiu na pele as marcas do imperialismo cultural. Talvez por isso sempre houve, desde a "descoberta" portuguesa, e mais explicitamente a partir do século XVIII, uma preocupação com a identidade do país, expressa pela literatura. No século XX, o que antes estava mais próximo do "patriotismo ufanista", engajado na tentativa de formação da literatura brasileira pelas classes dominantes, aproximou-se da "consciência da singular hibridez" do país. A partir dessa mudança, as produções abafadas pela ideologia cultural e política puderam ser reavaliadas sob um viés menos excludente.
Assim como outros grupos subalternos, as obras de autoria feminina sofreram por longos anos a dor da indiferença e da falta de reconhecimento por parte da crítica, que até hoje mantém, embora em menor escala, o "ranço" da tradição hegemônica. O século XX, principalmente as suas últimas décadas, pode ser considerado um marco da mobilização desses grupos em prol da conquista merecida de seu espaço cultural dentro da nação, o que a torna verdadeiramente múltipla, pela possibilidade de expressão da heterogeneidade e pela progressiva dissolução dos limites existentes entre as produções "canônicas " e a considerada "literatura menor".
Na década de 70, deu-se início a uma crise mundial que permanece até hoje e que, nas palavras de Frederic Jameson, "põe um definitivo ponto-final à expansão econômica e à prosperidade características do pós-guerra em geral e dos anos 60 em particular". 4Com isso, abriu-se espaço às novas teorias, que buscavam a mudança de paradigmas, a luta contra o poder abusivo da palavra. A conhecida crise da palavra estabelece o questionamento das fontes produtoras do discurso e da intencionalidade do mesmo, tornando propício o ambiente à difusão de idéias libertárias e à emergência da alteridade na literatura. Andreas Huyssen salienta como essas novas formas de pensamento repercutiram no campo cultura:
Foram especialmente as artes plásticas, a literatura, o cinema e a crítica produzidos por mulheres e artistas de minorias, com sua recuperação de tradições enterradas e mutiladas, sua ênfase na exploração, em produções ou experiências estéticas, de formas de subjetividade baseadas em gênero ou raca e sua recusa a ater-se a padrões canonizados que acrescentaram uma dimensão totalmente nova à crítica do alto modernismo e à emergência de formas alternativas de cultura. 5
É nesse cenário conturbado e explosivo de buscas - busca da liberdade de expressão, busca da alteridade, busca da identidade - que muitos escritores brasileiros estão inseridos. A autora gaúcha Lya Luft, iniciou sua carreira literária no estado a partir da publicação do livro de poemas "Canções de Limiar", publicado em 1964, mas foi na década de 80 que estreou no romance, com o livro As parceiras . A partir daí tornou-se conhecida pela qualidade de suas obras, que, segundo Luís Augusto Fisher, derivam "de um porão metafórico que ela tem na cabeça e na alma" 6, ou seja, refletem sobre as mais profundas experiências humanas. É provável que, se as suas produções estivessem contextualizadas no mesmo período histórico das obras de Maria Benedita Bornann, a sua valorização não fosse tão evidente.
Vários estudiosos já centralizaram suas pesquisas na literatura luftiana, que contempla o s deslocamentos identitários e o não-lugar, o qual desorganiza o indivíduo internamente e o marginaliza socialmente, deixando-o ilhado em seu próprio mundo. Seus romances são palco para múltiplas interpretações, pois abrangem o universo familiar, entrelaçando-o profundamente aos âmbitos individuais e sociais através da memória do passado, resgatada por personagens que vivem um presente perturbador. Nesse sentido, a questão da identidade é um elemento intrínseco a ser explorados em várias obras da autora, como A asa esquerda do anjo (1981), O quarto fechado (1984) e Exílio (1987). A opacidade da identidade do ser humano, vista por ele próprio de forma difusa, é permeada pelas suas relações familiares, sociais e pelas pressões recebidas ao longo de sua vida, advindas de um sistema excludente e desumano, que, conforme as palavras de Zilá Bernd, muitas vezes não aceita a identidade plural do país:
A aceitação de que não há mais como - no contexto multiétnico, plurilíngüe e culturalmente heterogêneo das Américas - sucumbir à tentação do enraizamento e da busca de "uma" identidade homogênea, pois "cada outro torna-se uma parte de mim", como refere-se Chamoiseau, vem originando escrituras necessariamente híbridas. Essas estéticas híbridas ou compósitas, situando-se no entre-lugar, ou no espaço intersticial de que fala Bhabha, por se constituírem através de estratégias de deslizamento e de détour (desvio), ultrapassam o esquema binário de mútuas exclusões. 7
Lya Luft, em A asa esquerda do anjo , reflete sobre a complexidade do problema vivido pelas comunidades alemãs do interior do RS, exilados pela cultura multifacetada do país, tanto mais na medida em que lutam pela preservação da "pureza" de suas tradições. Concomitantemente, há a reflexão sobre a existência humana, sempre analisada em suas obras. Ela mesma identifica esse caráter global, ao afirmar que sua produção "pode ser lida como uma denúncia de valores falsos que promovem uma vida familiar neurótica: o preconceito, a frieza, a frivolidade, o desrespeito, o desencontro, o desamor. E a base de tudo isso é a falta de amor." 8
O enfoque identitário pode ser percebido no enredo do romance. Gisela - ou Guísela - recorda a sua vida, em especial a sua infância, na qual as frustrações e os traumas eram causados pelos conflitos étnicos entre as tradições germânicas da família paterna e as raízes brasileiras herdadas de sua mãe. O centro propagador do conflito chamava-se Frau Wolf, sua avó, que lutava pela sobrevivência da cultura germânica com todas as suas forças, rejeitando o hibridismo inevitável e, com isso, o lado "impuro" da família. A criança desprezada pelo rígido regime familiar produzia um autodesprezo e manifestava sua dor através de inúmeros fracassos: baixo rendimento escolar, dificuldade de aprendizagem dos costumes - como tocar piano, bordar, cozinhar - e repressão dos sentimentos.
A sensação de exílio cresceu à medida que sua incompreensão perante seu lugar na família e na sociedade se fez mais forte. Era brasileira ou alemã? A menina obrigada a receber uma educação fora de sua realidade contrastava com a prima Anemarie, padrão de beleza da família - loira, olhos azuis, delicada, dedicada à perpetuação da cultura, "inteligente". O medo da exclusão tornou-a medrosa, nervosa e insegura, carente por um lugar em que se adaptasse e fosse realmente aceita e amada:
Minha mãe: Maria da Graca Moreira Wolf, único nome estrangeiro que um dia escreveriam na parede do Jazigo. (...) Maria da Graca, numa família de Helgas e Heidis. E eu, Guísela ou Gisela? Minha mãe pronunciava Gisela; o resto da família dizia Guísela, à maneira alemã, que eu achava horrenda. 9
Aqui temos um exemplo de como a não-aceitação da diversidade da nação faz com que esta, em vez de promover o convívio com as diferenças e enriquecer a cultura dos povos, os coloque à margem da mesma, causando o exílio interno e a busca da identidade. Gisela, perdida em suas origens, sentia-se ligada a estranhos, como Max, um homem abandonado à miséria, exposto e humilhado. "Sentia-me parecida com seu Max, voz errada ou mão errada, suplicando que me amassem, vem, vem, vem - a voz atrás da fresta." 10 Entretanto, como a personagem mesma pensa, "as frestas eram sempre insuficientes entre as pessoas" 11 , e o domínio racial existente na sua família gerava divisas cada vez mais consistentes entre e ela e o mundo exterior. A supremacia do idioma alemão era um dos mecanismos de dominação provenientes do império de Frau Wolf, que trouxe mágoas e exclusão. O momento da lição ao piano era crucial ao sentimento de impotência e escravidão: "Exercite-se um pouco, depois vamos verificar seus progressos, diz minha avó em alemão, pois não admite que se fale outro idioma". 12
A exclusão étnica acompanha o indivíduo como ser à margem da história. A incompreensão da diferença, da imposição cultural e da discriminação étnica barravam a inclusão de Gisela no seio familiar. Maria Antonieta Pereira ressalta que a geografia brasileira e argentina estão determinadas por fenômenos culturais, dos quais a história da narradora é um exemplo: "No caso do Brasil, desde sempre, a forte mesclagem étnico-cultural construiu a nação a partir de uma verdadeira guerra de linguagens, em que a categoria estrangeiro alojou-se dentro do próprio conceito de nacional , construindo tradições não só diferentes mas antagônicas. 13
A família Wolf era "estrangeira" em um país com costumes muito diversos dos seus. Paradoxalmente, ela considerava os "brasileiros" como estrangeiros, afastando-se deles em prol da sustentação de seus costumes. Uma forma de expressão da supremacia da raça ariana dava-se pelo idioma. Assim como a expressão verbal pode designar liberdade, sua imposição vinculada à intenção de poder gera escravidão e humilhação, argumento que Foucault, na década de 70, já havia formulado. Considerado um dos "pais" dos estudos culturais, afirmou, em uma posição ético-política, que o poder está disseminado em todas as esferas na sociedade, obtendo como representante o discurso, através de seu caráter ideológico. 14 Nesse sentido, a Frau alemã via na língua um cajado no qual suas tradições em decadência escoravam-se e sentiam-se seguras. Percebe-se então, que a crise individual existente em A Asa esquerda do anjo é embalada por duas travessias entrelaçadas: pelo deslocamento espacial (imigração alemã) e psicológico (sentimento de ilhamento, não-adaptação). O não-lugar de Frau Wolf é o país, hostil para ela; o não-lugar de Gisela é sua própria casa, pois esse espaço quase que não lhe pertence. Conforme a autora, "Nós, os alemães", era uma fantasia que misturava um pouco de arrogância, bastante solidão e uma ilusão ingênua. " 15 Arrogância e ilusão não faltavam em Frau Wolf, talvez para mascarar a solidão do exílio.
Como as fronteiras entre as raças são difusas, os povos miscigenados podem sofrer a exclusão de ambas as partes, já que se situam na liminaridade e são alvos do conflito étnico. A disputa existe porque há o "esquecimento" de que o típico brasileiro é híbrido e tem uma origem plural. Gisela era estrangeira dentro de sua própria terra, deslocada dos mundos germânico e brasileiro. Na escola, ouvia "alemão batata, come queijo com barata" 16 Ferida, também feria: "E vocês, que têm sangue de negro?" 17. Em casa, sua posição mudava: "quando minha avó me fitava com desagrado, eu me envergonhava como se fosse mestiça" 18. Sua mãe não fazia parte do primeiro mundo, o que, ao contrário de Gisela, fortalecia ainda mais sua identidade. "Sabia manter a serenidade mesmo diante de certas observações mordazes da sogra, que sempre a considerava uma estrangeira. " 19
A atitude de superioridade do descendente alemão é um mecanismo de defesa da própria raça e de seus hábitos contra inevitável fusão com outras tradições. O orgulho pela neta "pura" também tornava-se uma forma de valorização de um estilo já padronizado hegemonicamente. Anemarie era a personificação da Alemanha distante. "Quase sempre distante, continua sendo, para mim, uma figura de perfeição. (...) Pelo resto da vida, contemplar Anemarie foi como pressentir a possibilidade da beleza absoluta." 20 Ao mesmo tempo em que era considerada intocável, vivia em uma "redoma" colocada pela avó. Gisela ficava fora dela, sujeita críticas e desilusões.
As revelações aconteceram à medida que foi crescendo. As fendas abriram-se na parede repressiva, e a brasileira de "sangue ruim" descobriu que com os fracassos ficava mais forte, pois cultivava uma liberdade oculta. O progressivo desmoronamento das tradições começou a ser visto por ela, que passou a ter consciência da ilusão vivida pela avó em cada um de seus atos rígidos. A fuga do "peixinho dourado" pode ser analisada como um marco dessa decadência imperialista. Mais que isso, como a prova de que Anemarie era realmente um ser humano, e não um anjo de mármore ou um bibelô. O cruzamento de realidades contraditórias ocorreu quando um caixão preto - signo da impureza - carregou a que sempre foi considerada um modelo da raça superior. A resistência à decadência inclui a tentativa tradicional de manter a imagem da família, envolvida nos princípios de dignidade e segurança. "A vida mudou pouco em nossa família. Os comentários na cidade se acalmaram; cumpríamos a ordem de não falar em Anemarie na presença de minha avó." 21
No despertar da adolescência e da sexualidade, as descobertas foram para ela sinal da sujeira humana, de traumas e fugas, solidão e incertezas. Leo personalizou a tentativa de resgate da identidade de Gisela, sua ânsia de liberdade e conquista, rejeitada pela moral soberana. As cicatrizes no coração da jovem foram fortes demais e impediram que ela abrisse a ele seus sentimentos. O conflito entre moralidade e sexualidade assustava-a, afastando-a de Leo. "O amor, este enferrujou. (...) Sou uma mulher normal ? Sou ? Guísela ou Gisela ? Ódio ou amor ? Fogo ou gelo ?" 22O endurecimento da alma frente às tristezas e à dificuldade de relacionamento impossibilitava-a de aproximar-se das pessoas. Como uma bola de neve, os problemas "mal-digeridos" aumentavam e sua única saída era a fuga de si mesma. Como diz Fisher, "a alma alemã é um porão", repleto de segredos, assim como o coração humano. E seu interior é, na maioria das vezes, inacessível, como ocorre em Gisela. "A portinha do porão continuava secreta". 23
O anjo de mármore na porta do Jazigo familiar, deslocado em seu mundo, fissurado em uma asa, sugere uma relação com Anemarie, que abandonou a "redoma" em que vivia, e com Gisela, também deslocada e sem saber onde era o seu lugar. Sozinha, fora de seus dois mundos, exilada, silenciosa, estranha, ela se sentia como o anjo da morte. "... e eu adormeci imaginando que trágico devia ser o Anjo do Jazigo, imóvel, duro, exilado, fingindo não ouvir as barrigas estourando na noite quieta." 24 Ele a atraía talvez porque representasse a morte, vista como modo de salvação.
O tempo não linear da narrativa é propício ao fluxo de consciência da narradora, que representa a voz dos explorados, da "minoria" geralmente silenciada. Gisela, produto dessa hibridez e voz da alteridade, revela-se com uma identidade dual, analisada por Regina Zilberman:
O resultado é uma revelação - a do próprio eu , com as idiossincrasias acumuladas no tempo e os desejos at[e então desconhecidos ou insatisfeitos. A narrativa evolui para um desnudamento, cujo clímax pode equivaler a uma liquidação: da segurança pessoal e da paz doméstica, como sucede a Alice, em Reunião de família ; ou do dualismo, como o experimentado por Gisela, de A asa esquerda do anjo . 25
A revelação identitária aproxima-se do realismo fantástico por meio do "monstro" que vivia em suas vísceras - um monstro sem face, indomável, assustador. O "eu" multifacetado e, paradoxalmente, sem face dilacerou seu ser, porque ela não conseguiu conviver com a diversidade. Antônio Hohlfeldt vê, por trás da pedra da estátua ou do sofrimento individualizado de Gisela, partes microcósmicas da nossa própria experiência vital. 26
Dessa forma, A asa esquerda do anjo é uma entre diversas obras preocupadas com a heterogeneidade cultural transbordante no final do século XX, as quais abalaram, juntamente com a emergência dos estudos culturais, o conceito equivocado de nação. Eduardo F. Coutinho afirma que, dentro do contraditório panorama em que vivemos, o discurso voltado à identidade latino-americana, principalmente no campo literário, tem abalado os padrões hegemônicos ocidentais:
Latin America is a multiple, plural, variable, and therefore highly complex construct, created to designate a set of nations, or, to put in better, people, that are considerably different in every aspect of its configuration - ethnic, cultural, social, economic, political, historical and geographical. (.)
Latin American literature comes to include the production of several "nations", which integrate each nation of the continent, from the "official and dominant bourgeois nation", or the '"peasant and laborer nation" to the "indigenous nations", of a somewhat discernible ethnic profile, which still subsist and often affirm their identity by means of social conflicts of different sorts and of their own cultural production. 27
Assim como Coutinho, Lya Luft faz-nos questionar quem somos. "Somos os donos deste país inteiro, magnífico e maltratado, generoso e explorado, vibrante porque variado, apaixonante porque múltiplo e - ainda assim - uno e único." 28Somos todos frutos de identidades originadas de heranças do passado que, ao invés de rivalizarem entre si, precisam constituir uma soma. Uma soma que abra espaço ao embricamento de realidade plurais. Uma soma chamada Brasil.
** BHABHA, Homi. O local da cultura. Editora UFMG: Belo Horizonte, 1998. p. 209.
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