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Atualidade do Primeiro Romantismo Alemão: alegoria em Friedrich Schlegel e Paul e Man
Wilma Patricia Maas (USP)
Proponho aqui um breve exercício em três tempos: o primeiro tempo aludirá a alguns princípios da hermenêutica moderna como ciência universal da interpretação. O segundo tempo pretende evidenciar algumas oposições entre o pensamento hermenêutico e algumas vertentes da chamada teoria da escritura do século XX, principalmente como em Paul de Man. O terceiro tempo ocupar-se-á de alguns conceitos-chave da teoria da linguagem, se é que se pode falar assim, proposta por Friedrich Schlegel em fragmentos publicados na revista Athenäum e e seu ensaio intitulado "Über die Unverständlichkeit" [Da ininteligibilidade] , de 1798 .A partir daí, propõe-se a investigação de uma possível afinidade entre os conceitos de alegoria em Paul de Man e em Schlegel.
Vamos, pois, à hermenêutica. Quem fala de hermenêutica moderna terá que, necessariamente, aludir a Schleiermacher. Em sua compilação de escritos intitulada Hermenêutica e crítica encontram-se os pressupostos e a história do desenvolvimento da hermenêutica moderna. O próprio Schleiermacher, entretanto, mostra-se ciente de que seu trabalho , que levou a um alargamento dos horizontes da hermenêutica, inclusive no que diz respeito a seu objeto, dá continuidade aos dos esforços dos dois filólogos clássicos Friedrich Ast e F. A Wolf. Para ambos, a compreensão e a interpretação de um texto clássico só podem ocorrer sob o pressuposto da comunhão dos espíritos. Para compreender um texto da Antigüidade, nosso espírito tem que estar unido ao espírito da Antigüidade. A diferença entre os espíritos reside apenas naquilo que é temporal e exterior (educação, situação geográfica, etc.) . A tarefa da filologia seria exatamente essa: "limpar o espírito de todas as temporalidades, circunstâncias e subjetividades, concedendo-lhe assim aquela qualidade original e totalidade necessária ao homem mais elevado e puro, sua própria humandidade" 1.
Assim, as contradições decorrentes da distância temporal entre autor e leitor, por exemplo, ou as oposições originadas na relação entre texto e contexto, são neutralizadas pelo conceito de "espírito"(entendido ali como espírito da Antigüidade,uma vez que se trata ainda exclusivamente da filologia clássica . O ato da compreensão é, pois, na hermenêutica defendida por Ast, um ato de reprodução de um sentido anteriormente existente, de reconstrução do que já fora antes construído.
O postulado idealista e apriorístico defendido por Ast da unidade no todo, assim como a anulação das contradições resultantes da situação temporal de autor e intérprete e mesmo da tensão texto/contexto através do primado do espírito fizeram com que sua teoria hermêutica fosse esquecida.
A busca de uma teoria geral da hermenêutica foi tarefa de Schleiermacher.Consciente de que seus antecessores não foram capazes de chegar a essa teoria geral da hermenêutica devido à limitação de seus objetos de estudo (ou seja, o Novo Testamento ou as obras da Antigüidade ) , Schleiermacher buscará os princípios de uma hermenêutica universal no próprio ato da interpretação. As diferenças, que em Ast são anuladas ou desconsideradas a partir do conceito idealista de "espírito", são, para Schleiermacher, o cerne do ato da interpretação. Durante o procedimento hermenêutico, intérprete e texto encontram-se em uma situação dialógica, através da qual se estabelece um intercâmbio de diferenças cujo objetivo é, manifestadamente, atingir coerência, correspondência, identidade e totalidade racional. A interpretação funciona segundo o modelo de pergunta-e-resposta, procedendo segundo os preceitos do círculo hermenêutico, no qual a parte e o todo se interpenetram continuamente, até que se tenha estabelecido uma a totalidade articulada.
A hermenêutica mostra-se assim como um recurso de interpretação de alcance universal, capaz de proporcionar ao homem a visão completa e total da própria história.
Seja através da idéia de "espírito", que, como em Ast, atribui aprioristicamente à obra e a seu intérprete a congenialidade de intelectos, neutralizando assim os problemas decorrentes das diferenças, seja através de Schleiermacher, que tem justamente no jogo e integração das diferenças, assim como na universalidade do entendimento, o pressuposto do ato da interpretação, a hermenêutica encontra-se , em muitos de seus principais teoremas, em franca oposição ao que podemos chamar de vertente desconstrucionista. Examinemos aqui alguns pressupostos de Paul de Man sobre a impossibilidade de existência de uma interpretação científica e ou lógica do texto literário. Para de Man, a dimensão retórica do texto predomina sobre sua dimensão gramatical e lógica, o que impossibilita a constituição de um sistema de interpretação.Mais do que isso: de Man contraria explicitamente os princípios hermenêuticos ao rejeitar a síntese dialética e ao valorizar o particular através de uma crítica radical aos conceitos universais.Citemos aqui um fragmento da resposta de de Man a Raymond Geuss, publicada na Critical Inquiry de 1983: "se a verdade é a apropriação do mundo pelo eu no pensamento e, conseqüentemente, na linguagem, então a verdade, definida como o universal absoluto, contém um elemento constitutivo de singularização incompatível com sua universalidade. Essa questão vem à tona em Hegel a cada vez que a própria linguagem vem à tona." 2De Man nega então a possibilidade de atribuição de um sentido referido a uma verdade universal absoluta, que possa ser depreendido através de um esforço lógico e dialógico, como no procedimento hermenêutico. Essa tendência anti-hegeliana constitui a base filosófica da crítica exercida por de Man ao que ele caracteriza como ideologia estética.
Mas como de Man opera essa crítica à ideologia estética no plano textual? Seguindo aqui uma pista oferecida por Peter Zima, partimos da dicotomia entre símbolo e alegoria, para chegarmos a um conceito caro a de Man e ao mesmo tempo capaz de esclarecer com alguma precisão sua concepção anti-hegeliana da linguagem.
A distinção entre símbolo e alegoria remonta a um ensaio de Goethe intitulado "Uber die Gegenstände der bildenden Künste," [Objetos das artes figurativas] Já ali atribui-se ao símbolo um caráter "natural" e "intransitivo", isto é, trata-se de uma significação motivada; "a significação do símbolo, por ser natural, é imediatamente compreensível a qualquer pessoa; a da alegoria, por proceder de uma convenção "arbitrária", deve ser apreendida antes de ser compreendida [...]". O símbolo "é e significa ao mesmo tempo; seu conteúdo escapa à razão. [...] Por outro lado, a alegoria é, evidentemente, já acabada, transitiva, arbitrária, pura significação, expressão da razão" 3.
A partir dessa distinção, de Man fará uma leitura do símbolo como o princípio conciliador que permitiu a Hegel e aos hegelianos entender a obra de arte como totalidade racional, capaz de expressar de maneira sensível idéias políticas,morais ou religiosas. Assim, da mesma forma que Goethe preferiu o símbolo à alegoria, de Man fará o percurso contrário, concedendo à alegoria a prerrogativa de contra-conceito crítico frente à pretensão de totalidade do símbolo: "Enquanto o símbolo postula a possibilidade de uma identidade ou de uma identificação, a alegoria caracteriza em primeira linha uma distância em relação à sua própria origem. Assim, quando ela se subtrai ao desejo e à nostalgia do tornar-se idêntico, ela se lança, como forma lingüística, no vazio dessa diferença temporal, resguardando assim o eu de uma identificação ilusória com o não-eu." 4Ao rechaçar a conciliação entre sujeito e objeto, a alegoria nega, portanto, para de Man, também aquela concepção da ideologia estética segundo a qual a beleza,o conhecimento, a ação moral e política constituem uma unidade capaz de ser expressada pela obra de arte.
Estamos agora mais próximos do terceiro vértice do triângulo que foi se desenhando.
Friedrich Schlegel, contemporâneo do nascimento da hermenêutica moderna e um do nomes mais importantes para a constituição teórica do Primeiro-Romantismo Alemão, elege também a alegoria como figura alusiva da eterna aporia da representação dos conceitos absolutos . Acompanhemos algumas passagens de Schlegel no que se refere a seu "princípio da incapacidade relativa de representação do sublime" (Prinzip der relativen Undarstellbarkeit der Höchsten): "Não se pode representar de maneira adequada o pensamento puro e o reconhecimento daquilo que é mais elevado (des Höchsten)''. A afirmação dá margem ao comentário de Manfred Frank: como pode então a infinitude ser representada naquilo que é finito? A resposta, tanto para Schlegel como para seu comentarista Manfred Frank, parece ser a mesma: não através do pensamento, não através do conceito, mas através da arte: para Schlegel, a linguagem poética é o veículo e a possibilidade de representação do sublime e do pensamento potencializado. Em uma conferência de 1807, essa idéia foi assim formulada:
" É preciso lembrar que a necessidade [de existência] da poesia justifica-se a partir de uma carência que tem origem na incapacidade da filosofia de expor o infinito ."
E,mais adiante, em um fragmento de 1800: "Onde a filosofia cessa, começa a poesia" .
Em outros textos, Schlegel empregará agora o temo "alegoria" como arquisemema, para toda forma de expressão artística/figurada :
"Todo o Belo é alegoria. O mais elevado só pode ser representado alegoricamente, precisamente porque ele é indizível " L C 414 5
"Toda alegoria alude ao absoluto. Do absoluto só se pode falar alegoricamente." 6
É assim que, em Schlegel, a linguagem poética parece ser o meio mais adequado para representações que nem mesmo a linguagem conceitual como a conhecemos seria capaz de esgotar. A alegoria vem à tona em seu discurso também com uma alusão e indício da irrepresentabilidade de conceitos absolutos, mas o lugar que Schlegel reserva à linguagem poética parece ser mais "positivo" do que o que lhe reserva de Man.Em Schlegel, a alegoria parece, antes de mais nada, suprir uma falta da linguagem conceitual no que se refere a expressar categorias absolutas. Em de Man, a alegoria aponta para a própria ilegibilidade , para as irremediáveis contradições que condenam o texto literário a "ser lançado no vazio da diferença temporal", para repetir a citação de de Man sobre a alegoria.
Ms haveria, em Schlegel, um par correspondente à alegoria como em de Man? A hipótese que eu gostaria de levantar aqui é a de que a ironia em Schlegel corresponde em grande medida `a concepção fatalista, em termos de teoria da linguagem, dramática de alegoria em de Man.
Peter Zima considera Schlegel um possível precursor do pensamento desconstrucionista, especialmente no que se refere ao reconhecimento do caráter opaco da linguagem. : "Em "Über die Unverständlichkeit" (1798) Schlegel "brinca com o pensamento paradoxal que vê principalmente na filosofia e na ciência fontes inesgotáveis de obscuridade lingüística" 7. De fato, o ensaio de Schlegel é desconcertante, até mesmo para o leitor contemporâneo. Seria bastante fácil enxergar, no texto de Schlegel, um irracionalismo obscurantista e anti- Aufklärung , o delírio radical de um gênio romântico. Mas sigamos aqui de perto as diferentes estações do ensaio de Schlegel :
" [...]eu quis comprovar [...] que toda ininteligibilidade é relativa [...];eu quis demonstrar que as palavras freqüentemente entendem-se melhor umas às outras do que as entendem aqueles que fazem uso delas [...], eu quis chamar a atenção para o fato de que [...] entre as palavras filosóficas há que haver uma secreta ordem; eu quis demonstrar que a mais pura e mais sólida ininteligibilidade provém exatamente da ciência e da arte que partem do princípio do dar a entender e do fazer-se inteligível, da filosofia e da filologia " 8
Mas onde reside essa ininteligibilidade? No texto de Schlegel, ela parece estar associada principalmente ao uso da ironia.. Em "Über die Unverständlichkeit", Schlegel apresenta seu "sistema da ironia"; a aurora do século permite vislumbrar uma grande quantidade de "grandes e pequenas ironias", de modo que ele logo poderá dizer da ironia o mesmo que Bouffler diz dos diferentes tipos de coração humano:
J'a vu des couers de toutes formes,
Grand, petits, minces, gros, mediocres, enormes.
Schlegel distingue, em seu sistema,os diferentes tipos e ironia: a primeira e mais distinta dentre todas, a ironia crassa ( die grobe Ironie ), que se encontra na maioria das vezes na real natureza das coisas e que está de fato à vontade na história da humanidade; depois a ironia fina, e então a extrafina, encontrada entre os poetas; depois a ironia dramática, que é aquela que se manifesta quando o poeta que escreveu três atos torna-se, a despeito de qualquer expectativa, uma outra pessoa que deve então escrever os dois últimos atos, e, finalmente a Ironia da Ironia. Até aqui, não são poucos os indícios de que o próprio sistema de ironias descrito é ele mesmo irônico. Já o próprio uso da palavra sistema, em Schlegel, é no mínimo, ambíguo, pois, para Schlegel, quem tem um sistema encontra-se tão perdido quanto aquele que não o tem; quando Schlegel passa, no entanto, a descrever a Ironia da Ironia, o texto muda novamente de dicção:
A Ironia da Ironia ocorre nos seguintes casos: "quando se fala sem ironia da própria ironia, como foi o caso agora mesmo; quando falamos com ironia da ironia, sem perceber que já nos encontramos no tempo de uma outra ironia muito mais aguda; quando não conseguimos mais escapar da ironia, como parecer o caso deste ensaio sobre a ininteligibilidade; quando a ironia se torna maneirismo, e então o poeta ironiza novamente ao mesmo tempo; [...] quando a ironia se torna selvagem e não se deixa mais controlar."
Salta aos olhos na enumeração dos casos da Ironia da Ironia, uma consciência sintonizada como próprio momento da enunciação , presente nos índices "como foi o caso agora mesmo" e "como parece ser o caso deste ensaio sobre a ininteligibilidade" 9 que atribui ao texto, para usar dois adjetivos caros ao século XX, um caráter metalingüìstico e performativo que contribui para o aguçamento do efeito irônico. Além disso,o trecho é importante para a compreensão da ironia como alusão à irredutibilidade do texto, ou seja, da sua ininteligibilidade, uma vez que , contrariamente ao que Schlegel afirmara anteriormente sobre o papel da sabedoria do leitor quanto à decisão da presença ou não da ironia, o texto aponta aqui para a existência de uma ironia avassaladora e selvagem, indomável mesmo, impossível de ser conduzida ou controlada pelo autor ou leitor. Essa noção é ainda reforçada pelo reconhecimento de que "não conseguimos mais escapar à ironia, como parece ser o caso deste ensaio sobre a ininteligibilidade."
Parece-nos , então, que em Schlegel, o uso da ironia não aponta para uma síntese entre o real e o ideal, entre arte e vida, entre eu e o mundo;ao contrário, a ironia funciona, em Schlegel, como a própria negação da síntese dialética, como "endlose Annährung" (aproximação infinita), como processo inacabado, índice irrevogável da opacidade da linguagem, o que põe seu ensaio sobre a ininteligibilidade na tradição direta da concepção demaniana sobre a irredutibildade, a opacidade e a não-referencialidade da linguagem. Confirma-se, dessa maneira, a hipótese que identifica o Primeiro Romantismo Alemão como um momento de crise na representação lingüística, a despeito da conjunção cronológica que faz de Schlegel e Novalis contemporâneos do nascimento da hermenêutica moderna. Reproduzimos a seguir um trecho de um pequeno monólogo de Novalis,na inspirada tradução de Jeanne Marie Gagnebin, monólogo esse que antecipa, de maneira assombrosa, a crise da referencialidade da lingüística pós-saussureana.
Para dizer a verdade, acontece
uma coisa doida com o falar e o
escrever : a reta conversa é um
mero jogo de palavras. Só se
pode pasmar diante do jeito ridí-
culo de as pessoas pensarem que
falariam em vista dos próprios objetos. Precisamente, o pró-
prio da língua, ou seja, que ela
só se preocupa consigo mesma, eis
o que ninguém sabe. Por isso ela
é um segredo tão maravilhoso e
tão fecundo - é quando alguém
fala meramente por falar que anuncia as verdades mais deslum-
brantes, mais originais.Mas se esse
alguém quer falar sobre algo de-
terminado, a língua caprichosa
o faz então dizer as mais ridí-
culas e desparatadas bobagens.
[...]
se fosse
possível fazer entender às pés-
soas que acontece com a língua
o mesmo que com as fórmulas
matemáticas - elas constituem
um mundo para si, se
entretêm apenas consigo mesmas,
expressam nada mais que a sua
maravilhosa natureza e, exatamente por
isso , elas são tão
expressivas, exata-
mente por isso se reflete nelas o jogo
enigmático das relações que os objetos entretêm.
[...] 10
Apud SZONDI, Peter. Einführung in die literarische Hermenutik . Vol. 5. Frankfurt a.M., 1975, p. 144.
De Man, Paul "Reply to Raymond Geuss". Critical Inquiry 10, Dezember 1983,p 348.
TODORV, Tzvetan, Teorias do símbolo , Campinas, Papirus, 1996, p. 256
De Man, Paul. The rhetoric of temporality.In: Blindness and insight . Essays in the rethoric of contemporary criticism. Minneapolis : 1983, p. 207-208
SCHLEGEL, Friedrich, Kritische Ausgabe , Paderborn/München/Wien, F. Schöningh e Thomas 1967a, p. 414)
SCHLEGEL, Friedrich, Kritische Ausgabe , Paderborn/München/Wien, F. Schöningh e Thomas, 1963, , p. 347 )
ZIMA, Peter, Die Dekonstruktion . Tübingen/Basel, : Francke, 1994. p 10).
SCHLEGEL, Friedrich, Kritische Ausgabe , Paderborn/München/Wien, F. Schöningh e Thomas, 1967, p. 365 )
O trecho nos faz lembrar o texto da "enciclopédia chinesa" de Borges, que teria servido de estímulo a Foucault para a criação de As palavras e as coisas : "Este livro nasceu de um texto de Jorge Luis Borges [...] Este texto cita uma 'enciclopédia chinesa' onde vem escrito 'que os animais se dividem em: a) pertencentes ao imperador, b) embalsamados, c) domesticados, d) leitões, e) sereias, f) fabulosos, g) cães em liberdade, h) incluídos na presente classificação , i) que se agitam como loucos, j) inumeráveis, k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo, l) et caetera, m) que acabaram de quebrar a bilha , n) que de longe parecem moscas." (Foucault, M. As palavras e as coisas , Lisboa, Portugália, 1968. p. 3, 3, grifo meu).
In: Gagnebin. Jeanne Marie. Sobre um monólogo de Novalis. Cadernos PUC- Filosofia .São Paulo, s.d., p. 74-81