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A recepção das vanguardas literário-artísticas européias em alguns veículos de comunicação de Porto Alegre (1922-1949)
Robert Ponge (UFRGS)
Camila do Nascimento Fialho (PIBIC-CNPq/UFRGS)
Rodrigo de Oliveira Lemos (BIC-FAPERGS/UFRGS
Este trabalho foi elaborado no âmbito do projeto de pesquisa A recepção das vanguardas literárias européias na imprensa de Porto Alegre (1900-1949) , coordenado pelo prof. Robert Ponge, que abrange toda a primeira metade do século XX, tendo por objetivo investigar como os principais veículos porto-alegrenses receberam a França, sua literatura e demais artes, bem como a existência das vanguardas. O projeto vem contando com uma bolsa PIBIC-CNPq e outra, BIC-FAPERGS; os autores agradecem ao CNPq e à FAPERGS pelo apoio concedido.
Nesta comunicação analisamos o processo de recepção das vanguardas européias em quatro veículos da imprensa de Porto Alegre: o jornal A Federação (1922-1937), o Jornal do Estado (1937-1942), a Revista do Globo (1938-1949) e a revista Província de São Pedro (1945-1949). Para tanto, primeiramente, faremos uma breve contextualização histórica da época; a seguir, apresentaremos os veículos, e, finalmente, centraremos na análise propriamente dita da recepção.
Os anos subseqüentes à Primeira Guerra presenciam uma euforia econômica e um consumismo crescente na França, contudo trata-se de um período marcado por certa instabilidade política, estimulada por conflitos ideológicos entre esquerda e direita. Essas duas tendências alternam-se no poder durante a década de 30, que inicia verdadeiramente com o crash da bolsa de Nova Iorque em 1929 e caracteriza-se como um período de profunda crise econômica internacional. Em 1940, as tropas alemãs invadem Paris, e a França é dividida em duas: zona ocupada e zona livre, a última governada pelo marechal Pétain, de orientação colaboracionista. Ao mesmo tempo, desenvolvem-se movimentos de resistência; um deles comandado pelo general De Gaulle. Em 1944, ocorre a Libertação de Paris; a seguir, declara-se a IV República, de teor parlamentarista.
No Brasil dos anos 20, vemos o embate entre as oligarquias que dominam a República Velha e o movimento tenentista, de classe média. Essas contradições desembocam na chamada Revolução de 30, que coloca no poder Getúlio Vargas. Em 1937, com o advento do Estado Novo, o país cai em um regime autoritário que dura até 1945, com o fim da Segunda Guerra. Sobe ao poder o general Dutra, que dá início à redemocratização do Brasil.
O jornal A Federação foi fundado em 1884 e teve suas publicações encerradas com a implantação do Estado Novo, em 1937. Assim como parte dos periódicos da época, tinha cunho estritamente político. Representava o Partido Republicano Rio-grandense e, na década de trinta, tornou-se órgão oficial do Partido Republicano Liberal (PRL) 1. Mantinha seus leitores informados quanto à política e à economia e, em menor proporção, também dispunha de um setor voltado à cultura. Quanto ao exterior, enfatizava a Europa, sobretudo a França.
O Jornal do Estado surgiu três dias depois do termo de A Federação , em 19 de novembro de 1937. Inicialmente foi apresentado como uma continuidade deste, seguindo seus moldes, inclusive graficamente, e também assumiu sua função de órgão oficial dos Poderes Públicos do Rio Grande do Sul. Em abril de 1939, porém, as edições do Jornal do Estado começaram a aparecer totalmente diferentes, suas dimensões tornaram-se mais reduzidas e aos sábados saíam suplementos especiais voltados para a cultura, oferecendo um material bastante rico neste sentido. Suas publicações foram encerradas em 14 de Julho de 1942.
A Revista do Globo apareceu, em 1929, por sugestão de Getúlio Vargas, então presidente do Estado, e Oswaldo Aranha. Sua publicação foi assumida pela já importante Editora Livraria do Globo e perdurou até 1967, com publicações quinzenais. Na época, contava para sua redação com o apoio de alguns dos principais intelectuais gaúchos, como Érico Veríssimo, Justino Martins, Mário Quintana, Telmo Vergara, Augusto Meyer, Álvaro Moreira, Dyonélio Machado, dentre outros. Pode ser caracterizada como uma revista de variedades que priorizava sobretudo o aspecto cultural. Abordava desde esportes e moda feminina a filosofia e política. Quando conveniente, também se apresentava informativa, trazendo reportagens e fotos de acontecimentos locais e mundiais.
A revista Província de São Pedro pertencia à mesma casa editorial da Revista do Globo . Sua circulação era trimestral. Concebida por Moysés Velhinho, a publicação o teve como diretor durante seus 12 anos de vida - de 1945 a 1957. A revista não se restringia apenas a assuntos literários, apesar deste ser seu principal foco de interesse; também eram freqüentes os artigos sobre história, etnografia e economia. Dentre os seus colaboradores, contavam-se Otto Maria Carpeaux, Paulo Rónai e Guilhermino Cesar, além de participações eventuais de escritores europeus, como Jean-Paul Sartre e Roger Bastide.
A França e suas imagens de destaque na imprensa
De um modo geral, não apenas no Rio Grande no Sul, mas também na imprensa mundial, a visão que os veículos de comunicação tinham, então, sobre a França era positiva. Isso se devia, principalmente, ao fato de que Paris era apontada como centro cultural de destaque e tida como referência literário-artística. Nos jornais e nas revistas pesquisados, essa visão positiva é bastante explícita e se dá de diversas formas. Uma delas é referente à literatura francesa já consagrada. Nas publicações de A Federação , percebe-se que autores como Valéry, Flaubert, Anatole France, Henry Bataille, Molière, Balzac, Maupassant, Saint-Beuve, Baudelaire eram acolhidos com muito gosto pelo jornal. Não são poucos os artigos críticos elogiosos sobre eles e ainda, vez que outra, contam com a publicação de seus próprios textos traduzidos. No Jornal do Estado , essa percepção da literatura francesa se dá mais ou menos da mesma forma, com a inclusão de outros nomes como os de André Gide, François Mauriac e André Malraux.
A literatura francesa também desfruta de uma posição privilegiada tanto em Província de São Pedro quanto na Revista do Globo . Por se tratarem de publicações voltadas à cultura, esse espaço tende a ser maior que nos jornais. Na Província de São Pedro , por exemplo, nomes franceses aparecem como origem de influências estéticas. Existe uma inclinação a valorizar ou a literatura do passado ou o alto modernismo. É assim que Otto Maria Carpeaux indica Baudelaire como "aquele grandíssimo poeta" que aparece sempre em "todas as digressões sobre a história do romance policial". 2 Outros escritores franceses são apontados como centrais na literatura da época. Roberto Alvim Correa diz que "não há, hoje, nome maior que o de Valéry" 3. Nomes franceses surgem igualmente a fim de medir a importância dos nacionais. Jamil Almansur Haddad, aproximando Victor Hugo e Castro Alves, diz que o brasileiro "teve um destino que, desse ponto de vista [como apóstolo], e guardadas as devidas proporções, supera o de Victor Hugo". Aqui, o autor chega a afirmar a superioridade de Castro Alves frente a Victor Hugo, ao mesmo tempo que a restringe a "esse ponto de vista" e às "devidas proporções" 4.
Na Revista do Globo , ainda que o cânone da literatura francesa tenha um espaço de destaque, ele é compartilhado com autores mais novos, como Jean-Paul Sartre. Em uma subseção sobre a Europa, o artigo intitulado "O Existencialismo" apresenta um panorama sobre essa nova corrente filosófica, ainda que com uma certa crítica, e enfatiza seu poder de persuasão e seu alcance no mundo:
"Encontra-se nos Estados Unidos fazendo conferências em Yale, Harvard e Princeton, o novelista, teatrólogo, ensaísta e profeta da filosofia da vida conhecida como 'Existencialismo' - o francês Jean-Paul Sartre.
[...] Os neófitos mais ardentes do Existencialismo são os estetas, a juventude boêmia, os universitários de vanguarda e um crescente número da elite intelectual mais amadurecida. O movimento, tem uma auréola de esnobismo e está se infiltrando no vocabulário de homens e mulheres de qualquer nível cultural." 5
Nesse trecho observam-se dois pólos distintos: um que demonstra um respeito contido nas palavras que indicam sobre quem versará o artigo, e o outro que explicita um certo ar negativo através das palavras esnobismo e qualquer nível cultural . Mas aqui o mais importante a ser destacado é o espaço concedido pela revista para um escritor que sugere novas idéias e que é ao mesmo tempo idolatrado e questionado.
A revista, além dos ícones literários, também explora vastamente o âmbito das artes, publicando artigos sobre grandes pintores franceses, como Monet, Cézanne e Gauguin.
Uma outra visão elogiosa envolve a história francesa recente. Com a invasão nazista, Paris passa a ser motivo de inquietação. Por exemplo, no artigo "Paris voltará a ser o que era?", de Victorio Alava, publicado em setembro de1944, na Revista do Globo (p.40), o autor reflete sobre o rumo que tomará a Cidade Luz depois da ocupação. Em Província de São Pedro , essa preocupação intelectual com Paris em guerra também se faz notar, por exemplo, no artigo em que Brito Brocca fala da interrupção do comércio de livros com a França ocupada. Segundo ele, a "maior parte dos intelectuais não pode passar sem tais livros, e assim não há outro recurso senão pagar" os preços altos que os sebos cobravam 6. Pode-se ver no comentário a importância dada pelo autor ao consumo da cultura francesa no Brasil e ao impacto da guerra nessa relação comercial.
Algumas vezes, podem surgir enfoques que negam o caráter absoluto da presença da influência francesa no Brasil ou, até, questionam a mesma. No Jornal do Estado , o artigo de Mário de Andrade dá mostra de tal relativização e, aliás, já desde o título comenta: "Decadência da influência francesa no Brasil". Em sua conclusão, ele explicita:
"[...] minha opinião é que não ha propriamente decadência de influencia francesa. Os brasileiros continuam a ler enormemente os livros franceses, a admirar e amar a França no que ela tem de admirável e amável. Apenas, pelo seu próprio engrandecimento, e pelas circunstancias atuais do mundo, o brasileiro não pode mais se empobrecer num exclusivo amor..." 7
Por sua vez, sob um outro enfoque de afirmação do nacional, Lucia Miguel Pereira, em Província de São Pedro, critica a apropriação do ideário naturalista e anticlerical por parte dos intelectuais brasileiros do século XIX. Segundo ela, o clero era atacado não porque "constituísse entre nós grande problema, mas porque era combatido em França. Esta é a melhor prova de seu artificialismo." 8 Ou seja, a autora considera o recurso ao naturalismo ou ao anticlericalismo como importação de idéias, como um "artificialismo" - o que é uma posição obviamente muito discutível e contestável.
Nos anos 20, faz-se notar o aparecimento da cultura norte-americana surgindo como um possível novo pólo de influência. Em A Federação , por exemplo, em artigo datado em 3 de março de 1925, cujo autor não foi identificado, o jornal apresenta um belo panorama da invasão da cultura norte-americana na Cidade Luz:
"As imigrações periódicas de pintores, escultores, estão mudando o mapa artístico desta Capital. Não é a primeira vez que este fenômeno se dá. A guerra é em parte responsável pela presente fase. O influxo do que é conhecido como 'jovem escola da literatura e arte americana' tem também a sua culpa no caso. [...]. A Rotonde, outrora residência de sossegados jogadores de xadrez e suaves poetas, transformou-se num vasto centro de dança, onde só se ouvem os gritos dos instrumentos da jazz-band." 9
Nota-se aqui que se, por um lado, Paris ainda é o maior centro cultural e atrai artistas norte-americanos, por outro, percebemos que estes já exercem uma certa influência no cenário cultural da cidade.
Seguindo essa propensão de valorização dos Estados Unidos, notável na década de trinta e ainda mais perceptível na segunda metade de quarenta, a Revista do Globo indica que a primazia absoluta da Cidade Luz passa a ter uma forte concorrente: Nova Iorque. Pode-se observar um número crescente de artigos referentes a esse novo pólo cultural. A presença marcante dos EUA também surge em Província de São Pedro . Um artigo de Jean-Paul Sartre, intitulado "Romancistas americanos vistos pelos franceses" anuncia que a "maior revelação literária na França entre 1929 e 1939 foi o descobrimento de Faulkner, Dos Passos, Hemingway, Caldwell e Steinbeck" 10. A opinião é confirmada por Otto Maria Carpeaux: "hoje é a literatura norte-americana a mais viva e poderosa do mundo, exercendo influência tremenda até mesmo na conservadoríssima França". 11
Também se percebe uma tendência que começa a explorar a produção cultural latino-americana, o que acaba por dirigir a atenção para outros centros que não os europeus. Tenta-se mostrar que há uma produção cultural significativa na América Latina. Este é o caso do artigo "Arquitetura, mãe das artes plásticas", escrito por Diego Rivera, pintor e revolucionário mexicano, que foi traduzido e publicado na Revista do Globo em 28 de junho de 1941, p.28. O que se observa, então, é o início de uma valorização de outros centros culturais que não os europeus e o francês - sejam eles latino-americanos ou norte-americanos.
Durante a década de 20, o jornal A Federação não se mostra muito aberto às novas tendências artísticas européias, praticamente ignorando-as. Na década seguinte, ele permanece adotando uma postura conservadora em relação a essas novas estéticas, porém, sem deixar de evidenciá-las e questioná-las em suas redações. Em geral, os movimentos de vanguarda não eram muito bem acolhidos, sendo vistos como manifestação de um só propósito, o de abalar os bons costumes. É o que se vê no trecho seguinte, em que o futurismo é comparado a uma luz impura que emana de Paris:
"Em Paris de onde sai para o mundo a luz (nem sempre pura, que se diga) dos grandes pensamentos, o 'futurismo' já não é renegado. Triunfa e se propaga em múltiplas formas, com seus derivados 'cubismo', 'ultraísmo', 'dadaísmo' e 'infantilismo' [...]." 12
Quanto ao Jornal do Estado , percebemos que ele se mostra um pouco mais aberto às novas idéias e criações. Entretanto, quase sempre é hesitante ou, até, retraído em relação às inovações da era moderna. Por exemplo, em um artigo traduzido do francês, Le Corbusier é elogiado, mas o que lhe vale ser apresentado como um "mestre" "moderno" é que:
"Moderno, Le Corbusier não se prende a esse romantismo do maquinário que extraviou tantos talentos. Ele não recusa alianças com o passado excelente, cuja veneração conservou vivas até nossos dias as catedrais." 13
Ou seja, ele é exaltado justamente por manter laços com o passado.
Contudo, em ambos os jornais, pode-se perceber que as vanguardas artístico-literárias foram adquirindo gradativamente espaço. Quanto maior a distância temporal entre os textos dos jornais e as datas de aparição dos movimentos, maior a abertura para discussões. Outro fator que parece ter favorecido a recepção das vanguardas no final dos anos 30 foi a consolidação do movimento modernista brasileiro.
Em Província de São Pedro , a recepção às vanguardas durante o período pesquisado foi fraca. As menções às novas estéticas são parcas ou vagas. Podem ocorrer citações apenas para ilustrar aspectos da obra ou da personalidade de autores já consagrados. Charles Rolo e Jean Séguey, por exemplo, num artigo também traduzido do francês, falando sobre a vida de Gide, dizem que o autor "comenta todos os movimentos artísticos de proporção, do impressionismo ao surrealismo" e que "suas simpatias têm ido de Dadá a Dostoievski" 14. Como se vê, essas ocorrências nada explicam sobre os movimentos em questão, apenas fazem referência a eles de modo rápido e superficial. Outras vezes, surgem citações um pouco mais esclarecedoras. Por exemplo, Carlos Dante de Moraes, em seu artigo "Algumas considerações sobre Rimbaud", diz:
"É assim que nós apreciamos a passagem sem transição de um plano fantástico para outro. Esse orbe de pura magia é, em Rimbaud, uma invenção genial. Nos surrealistas, cinqüenta anos depois, provirá de exploração calculada, de receita psico-estética." 15
No trecho, percebemos que o autor vê o surrealismo como inferior a Rimbaud: o que nele é invenção genial , nos surrealistas é receita psico-estética . Mesmo assim, o autor dá indicações um pouco mais precisas sobre o movimento, aproximando-o à poética de Rimbaud e usando imagens como "orbe de pura magia". Portanto, em geral, os nomes ligados à vanguarda aparecem em Província de São Pedro quando aproximados a outros nomes já mais conhecidos; nos casos citados: Gide ou Rimbaud.
Diferentemente da Província de São Pedro , a Revista do Globo apresenta-se de forma bem mais aberta em relação às vanguardas. Observa-se, da parte de seus articulistas, uma compreensão de mundo e uma profunda imersão em sua era. Isso aparece de forma bastante evidente em um artigo intitulado "O surrealismo na decoração", traduzido especialmente para a revista, que além de falar da grande influência e disseminação do movimento pelo mundo, "desde a Dinamarca aos Estados Unidos, do Japão à Espanha" 16, aborda a linha de pensamento do surrealismo e ainda explica o porquê do automatismo em suas idéias, através de uma citação do primeiro Manifesto do surrealismo , de 1924.
Entretanto, apesar de todo o engajamento em sua era e uma visão bastante avançada de sua época, nem todas as novas inclinações estéticas eram compreendidas ou aceitas. Como exemplo pode-se apontar um trecho do livro de Sérgio Milliet, Pintura quase sempre , que foi selecionado e publicado na revista sob o título de "Mazorca plástica":
"Tenho para mim que toda ação humana exige um objetivo. Um gesto sem destino é uma excrescência, uma literatice que precisa ser abolida em presença do acúmulo cada vez maior de problemas prementes e ainda por se resolverem. Pois a obra pictórica dos abstracionistas não passa de uma literatura fácil e desprovida de finalidade. Já não direi o mesmo do surrealismo, que pode, muitas vezes, atingir a expressão essencial e provocar curiosas senão oportunas transferências, mesmo de ordem social." 17
Notamos aqui que o autor se posiciona radicalmente contra o abstracionismo por julgá-lo uma extravagância sem propósito e posiciona o surrealismo ao seu lado como forma de apontar que este, mesmo que possa ter um ou outro aspecto extravagante, justifica seu objetivo e diz ao que veio, a que o movimento se propõe.
É interessante perceber como os enfoques relativos à vanguarda foram tão diferentes em dois veículos publicados por uma mesma editora, a Livraria do Globo. Como já mencionamos, houve uma abertura maior às novas estéticas na Revista do Globo . Isso pode ter sido impulsionado pela consolidação do modernismo brasileiro, de nítida influência vanguardista. O mesmo não se dá na Província de São Pedro ; ainda que o movimento modernista esteja presente, a inclinação do veículo é de destacar a literatura canônica em detrimento das estéticas de ruptura européias. Tal diferença, talvez, esteja associada à diversificação dos redatores da primeira revista: não eram poucos os seus colaboradores, conforme já citado na seção sobre os veículos pesquisados.
Conclusão
A partir do material pesquisado, percebemos que a imagem da França é bastante positiva nestes veículos. Contudo, nota-se uma relativa reflexão crítica sobre a influência cultural da França no Brasil - ressalte-se aqui que esse questionamento se restringe à influência, e não à cultura francesa em si. Outro elemento presente nos periódicos é a identificação da cultura norte-americana como novo pólo importante no cenário internacional.
Já quanto às vanguardas, observamos que há uma tendência a não ignora-las na medida em que há um afastamento temporal da Semana de Arte Moderna. Mesmo assim, esse movimento não é uniforme, e ainda na década de 40 algumas publicações, como a Província de São Pedro , praticamente não as apontam como elemento muito relevante.
RÜDIGER, Francisco. Tendências do jornalismo . Porto Alegre, Editora da UFRGS, col. "Síntese Rio-grandense", 1993. p.36.
CARPEAUX, Otto Maria. "Destino do romance policial". Província de São Pedro , ano 2, n°6. Porto Alegre, setembro de 1946, p.31. Em todas as citações extraídas dos veículos pesquisados, atualizou-se a ortografia e corrigiu-se os erros (tipográficos ou outros) encontrados.
CORREA, Roberto Alvim. "Notas sobre o ensaio literário na França". Província de São Pedro , ano 3, n°9. Porto Alegre, junho de 1947, p.82.
HADDAD, Jamil Almansur. "Castro Alves, um poeta contra o seu tempo". Província de São Pedro, ano 3, n°9. Porto Alegre, junho de 1947, p. 50.
S.A. "O Existencialismo". Revista do Globo , ano XVIII, n°404. Porto Alegre, fevereiro de 1946, p.68.
BROCCA, Brito. "Documentário carioca". Província de São Pedro , ano 3, n°9. Porto Alegre, junho de 1947, p.110.
ANDRADE, Mario de. "Decadência da influência francesa no Brasil". Jornal do Estado , ano I, n°83. Porto Alegre, fevereiro de 1938, p.5.
PEREIRA, Lucia Miguel. "O Naturalismo brasileiro". Província de São Pedro , ano 2, n°5. Porto Alegre, junho de 1946, p.24.
S.A. "Os artistas em Paris". A Federação , ano XLII, n°53. Porto Alegre, março de 1925, p.3.
SARTRE, Jean-Paul. "Romancistas americanos vistos pelos franceses". Província de São Pedro , ano 3, n°9. Porto Alegre, junho de 1947, p.31.
CARPEAUX, Otto Maria. "História literária dos Estados Unidos". Província de São Pedro, ano 5, n° 14. Porto Alegre, dezembro de 1949, p. 166.
VERGARA, Luiz. "O 'Futurismo' e seus derivados". A Federação , ano XXXIX, n°130. Porto Alegre, 06 de junho de 1922, p. 1.
SALMON, André. "A arte de Le Corbusier". Jornal do Estado , ano II, n°436. Porto Alegre, maio de 1939, p.11 do Suplemento.
ROLO, Charles; SÉGUEY, Jean. "André Gide". Tradução de Hamilcar de Castro. Província de São Pedro , ano 3, n°10. Porto Alegre, dezembro de 1947, p.75.
MORAES, Carlos Dante de. "Algumas considerações sobre Rimbaud". Província de São Pedro , ano 1, n° 2. Porto Alegre, setembro de 1945, p.38.
HENRY, Maurice. "O surrealismo na decoração". Revista do Globo , ano X, n°237. Porto Alegre, setembro de 1938. p.14.
MILLIET, Sergio. "Mazorca plástica". Revista do Globo , ano XVII, n°380. Porto Alegre, fevereiro de 1945, p.8.