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Travessias e leituras: a recepção dos movimentos de vanguarda na imprensa porto-alegrense no período 1900-1937
Dilamar P. Jahn (UFRGS)
Partindo do pressuposto segundo o qual é por demais conhecido o contexto histórico em que surgem os movimentos de vanguarda europeus nos começos do século XX, dispensamo-nos de qualquer descrição. Assim, para efeitos de análise, podemos afirmar, no entanto, que houve um embate entre duas forças radicalmente opostas. De um lado, aqueles que se aferram, mais ou menos religiosamente, ao passado, sustentando a manutenção e a continuidade de uma ordem que, na verdade, esboroava-se. De outro, os que buscam e promovem a ruptura, os deslocamentos bruscos, insurgindo-se contra o establishment . E isso tanto no plano artístico e literário, quanto no social e político. Isso no âmbito europeu, mas também no Brasil.
Cabe assinalar ainda um aspecto dessa conjuntura: o papel da imprensa, cuja inserção social e política crescente lhe garante uma força persuasiva inegável.
Para este estudo, tomou-se dados colhidos nos seguintes veículos: os jornais Correio do Povo e O Diário ; bem como as revistas Kodak e Máscara . Passemos, portanto, à análise, dividida, com fins didáticos, em dois períodos, a saber: 1900-1922, 1922-1937.
1900-1921
A primeira menção que encontramos a um movimento de vanguarda aparece na edição de 18/06/1911 do jornal O Diário . Trata-se da crônica "Impressões do Rio", de João Luso:
"Não sei se, por aí, já tereis ouvido falar do futurismo . Provavelmente não, pois também por aqui se não fala de semelhante coisa. E entretanto, em Paris, à data do último correio, era um assunto sensacional e empolgante, de que todos os jornais tratavam e que, pelos modos, anda na boca de toda a gente." 1
Sem dizer que o futurismo já existia há dois anos, informa que o movimento surgiu na Itália, mencionando Marinetti ("um poeta terrível") como seu "parteiro". Depois de sintetizar as tarefas de destruição a que o movimento se propunha, afirma que o futurismo, no entanto, "não apareceu apenas para derrubar e aniquilar. Trouxe também a sua missão útil e criadora": edificar "uma Itália nova em folha". O cronista pincela alguns traços da poética futurista, repassando em seguida o seu histórico, centrado nas andanças de Marinetti para divulgá-lo. Menciona a "pilhéria iconoclasta, aquela espécie de gracejo alucinado e sacrílego" com que o poeta italiano brindara os estudantes de Paris. Finalmente, entre sério e jocoso, conclui ser a cidade do Rio de Janeiro a "cidade ideal" para os futuristas, uma vez que a mesma, ante a reestruturação por que vinha passando, ofereceria "todos os aspectos de novidade e de estréia", além do que sua população seria "jovial, contente, descuidada", parecendo "uma população de crianças": "Nada, que os olhos possam alcançar, é velho, nesta terra nova; a vida, aqui, começou ontem, ou, melhor, esta manhã [...] ... Se a gente procurar o passado... não o encontra em parte alguma". E arremata: "A festa é contínua; e toda a gente é feliz, por que tudo é novo."
Alguns dias depois, no mesmo jornal, Eduardo Guimaraens, poeta simbolista, em reação talvez ao artigo anterior, escreverá, também ele e à sua maneira, sobre o futurismo. Seu texto começa por advertir "a profunda influência [sic] ainda hoje exercida sobre a nossa atualidade artística por essa desordem intelectual que abalou Paris [grifos nossos], há alguns anos já". Menciona "a agonia das Escolas decadentes" (simbolismo, imagismo, romantismo) e "o fracasso passageiro do naturismo", o que teria possibilitado o surgimento do futurismo. "E afinal", pergunta, "que é o futurismo?". O próprio Eduardo responde:
"Uma escola poética que se propõe destruir todas as formas estabelecidas da arte, para, não sobre elas mas delas o mais longe possível, construir uma nova forma arquitetônica artística. Em vez de um combate às portas de Tróia, uma carga de cavalaria sobre quinhentos operários em parede; em vez de uma paisagem de Dante, a vertiginosidade metálica de um automóvel; em vez da catedral de Amiens, a fábrica de canhões Krupp!" 2
E acrescenta:
"Eis aí um princípio de escola nova um tanto arcaico. E se esta fosse apenas uma das idéias renovadoras sobre que assenta o estatuto evolucionista proclamado por F.-T. Marinetti, nada havia a opor ao futurismo. Como é natural, as escolas representam o estado moral da época em que surgem, e o futurismo seria apenas a representação artística de nosso tempo. O futurismo, porém, é exclusivista, e se submete todo a esse princípio: dentro dele tudo é possível, além dele, nada."
Ora, pergunta: "Em que é que uma usina, por exemplo, pode encerrar mais beleza para a Poesia moderna do que uma catedral?". Percebe-se a aversão do poeta aos preceitos futuristas. Tanto que acusa de superficialismo as suas propostas, uma vez que tomariam, segundo Eduardo, apenas a forma exterior da vida moderna e a esta estilizariam:
"Não é celebrando em ritmo uma parede operária, o trabalho de uma fábrica, em cantando um automóvel, que F.-T. Marinetti e os seus discípulos poderão criar uma forma de arte imperecível. Porque o que atrai os futuristas na estilização poética da vida moderna, não é o profundo sentimento renovador que a eletriza, mas apenas a exterioridade mecânica de sensações em que ela se agita."
A reação de Eduardo Guimaraens nada tem de inusitado, uma vez que a poética futurista fere frontalmente a sensibilidade e a poética simbolista, que é enfim a do próprio Eduardo. Na verdade, a sua reação parece ser a de alguém acuado. Teria havido algum debate - tal como se daria, adiantamos, depois de 1922 - nas páginas dos jornais, por essa época? Não o sabemos, dadas as lacunas, imensas e lastimáveis, no material pesquisado. Alguns anos se passam. Estamos em 1917, em plena Primeira Guerra e no centro da Revolução Russa. No Brasil, assiste-se à maior greve até então realizada: essa greve, tendo iniciado na capital de São Paulo, e difundindo-se pelo interior desse estado, alastrou-se como febre por outros estados do país, denunciando com fúria as estruturas injustas e o processo cruel de modernização. É o ano também da malfadada exposição de Anita Malfati. Visto a posteriori, é um ano-chave, em que a percepção do esgotamento de uma poética e de uma sensibilidade atingem um dos seus pontos mais altos: refiro-me ao esgotamento do parnasianismo e à conseqüente busca que daí adviria de algo novo 3.
O que encontramos, no entanto, apesar de toda inquietude à volta, é uma resistência encarniçada e mesmo uma repulsa às novidades. O texto anônimo "O futurismo", da revista Kodak, o comprova:
"Os sacerdotes da Nova Idéia mais pareciam uma corja de evadidos do manicômio , do que um grupo rebelde de pensadores. As suas teorias, eles não as divulgavam pelo processo racional do panfleto e do artigo, organizavam 'meetings' escandalosos, promoviam comícios revolucionários em que suas idéias eram berradas e em que geralmente a 'douche' conservadora do corpo de bombeiros se via obrigada a tomar atitudes enérgicas." 4
O autor lamenta: " A guerra não os conseguiu calar como se esperava , e é possível que a paz os encha de novas forças e os encoraje para uma nova e mais extensa descarga." 5
Outro texto comprovaria ainda essa repulsa aos futuristas e à sua audácia. Publicado na revista Máscara , a propósito da música de Balilla Pratella, compositor de uma das raras obras futuristas para orquestra (1912), assim arremata a sua crítica (o texto é de 1918): "Eis aí um programa que nos ameaça e há de certamente nos esmagar, se antes disso não voarem, numa antecipação apressada e redentora, as trombetas de Josafá!" 6
O texto sobre o cubismo já tem outro tom. Ao falar dos ideais dessa escola, mesmo a inquietação ante tão renovada proposta pictórica, não deixa ver juízo depreciativo. Ao contrário:
"Os ideais estéticos, ideais que à primeira vista parecem mais metafísicos do que praticamente artísticos, surgem do conceito de substituir na pintura de caráter puramente objetivo, como é ordinariamente o conceito de tal arte, uma pintura essencialmente subjetiva; isto é arrancar a arte da escravidão de seguir as formas naturais, ou melhor, obrigar o artista a não seguir as formas, mas criá-las com os diversos elementos materiais e ideais de que são constituídas. Não mais a recherche puramente pictórica de linha ou cor, mas verdadeiras criações ; um ideal equivalente à vida e à realidade objetiva que se possa exprimir em formas gráficas, abandonando destarte toda a semelhança material para conseguir realidades ideais." 7
Menciona ainda uma característica basilar da arte moderna, que é a busca de renovados procedimentos oriundos de uma visão nova das coisas. Finalmente, faz referência a outras artes, evidenciando sua interrelação, o que não se repetirá senão de modo evasivo em outros textos.
*
Em suma, neste primeiro período, em suma, a imprensa porto-alegrense registra, ainda que de modo esparso e resistente, a existência dos movimentos de vanguarda. No entanto, são os autores consagrados, aqueles que representam, ou uma linha de continuidade, sendo então louvados, ou de ruptura, sendo vistos neste caso sob um prisma moralizante (caso de Verlaine), os que freqüentam assiduamente as páginas dos jornais e das revistas.
Neste período ainda, não é tecida qualquer relação com a literaturas brasileira. O aspecto inovador e insubmisso dos movimentos de vanguarda é realçado: de modo negativo, no caso do futurismo; de modo, digamos, mais compreensivo no do cubismo. No entanto, nenhuma relação direta é feita com outros movimentos de vanguarda, ainda que o texto sobre cubismo mencione a característica comum entre este e outras "manifestações da arte contemporânea".
As décadas de 1920 e 1930 são um período de transição, turbulento, fulgurante para uns, horrendo para outros. Há no ar, de um lado, uma espécie de desânimo, de sentimento de decadência talvez irremediável; e, de outro, um entusiasmo grande pelo porvir. Convivem nesse espaço-tempo a irrupção do novo e a resistência desesperada do velho. Na seqüência, aliás, do período anterior, mas agravadas pela Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa, o fascismo e o nazismo, entre outros fatores históricos nada negligenciáveis, como a ascensão do cinema e do rádio, o surgimento da psicanálise e o jazz
Pois bem, nesse período, a valorização da nova produção artística e literária aparece em vários artigos, nos quais a poesia arrojada, audaz, brutal por vezes, dos modernos é elogiada pelas possibilidades que traz aos novos poetas, libertando-os das amarras da convenção, das estreitezas do artificialismo, e permitindo-lhes fecundar obras de fato novas, condizentes com o espírito moderno, que seria "envolvente, irreprimível e alegre", pois nele o que pulsa, segundo Bezerra de Freitas, é "a ânsia de liberdade integral" 8.
Mas há quem critique essa arte nova, essa poesia moderna, "reino dos vocábulos vazios, caprichosos, rendilhados", cujos poemas não servem "para coisa alguma", nas palavras de Jorge Jobim,. O cronista não encontra, com efeito, qualquer "sedução nessa poesia, que, amanhã, pode estar divulgada, porque a sensibilidade também é, individual ou coletiva, susceptível de modificações, mas que, por enquanto, não tem a seu serviço os melhores espíritos" 9.
Essas duas maneiras distintas e divergentes de considerar a arte moderna, como se poderia prever, serão aguçadas no tocante aos movimentos de vanguarda.
De um lado, alinham-se os cronistas que, de uma forma ou de outra, mais ou menos amplamente, abrem-se às propostas modernas mais ousadas, procurando compreendê-las, explicá-las, louvá-las e, inclusive, assimilá-las. É o caso de Augusto Meyer que, a partir da vinda de Marinetti ao Brasil, propõe a discussão do futurismo e do seu aporte - necessário e salutar, como afirma - à poesia moderna e brasileira. Contrariando aqueles que simplesmente se opõem às novidades, e não somente as propaladas pelo movimento futurista, sem no entanto apresentar argumentos razoáveis que não o seu gosto pessoal pelo passado e o estabelecido, comenta que o futurismo "nasceu, necessário, espontâneo, da consciência vital" 10.
As noções de necessidade e de contribuição salutar, referidas aos movimentos de vanguarda, aparecem noutros textos. Em "Estesia e preconceito", seu autor opõe, ao mundo da "convenção", em que tudo "se resumia em regras e cabia em leis", o mundo da "liberdade ao pensamento"; opõe ainda, ao mundo em que "os homens entendiam que era preciso complicar a vida", e de tal modo estavam acostumados "às aperturas em que viviam, comprimidos entre aqueles paredões, que lhes fazia mal o ar puro e dava-lhes tontura o espaço livre", o mundo inaugurado por uma geração que se revoltou e que buscava a liberdade" 11.
Do outro lado do pêndulo crítico, temos no entanto aqueles cronistas contrários aos movimentos de vanguarda, negando que estes tenham contribuído ou estejam contribuindo positivamente para a poesia e a arte. Esses cronistas, em geral, negam a própria arte e a literatura modernas. A idéia de que se pode expressar coisas novas em velhas formas e a crítica acerba a todas as escolas que surgiram desde o romantismo animam a argumentação, por exemplo, de um Zeferino Brasil, poeta e colaborador do Correio do Povo . No texto "A eternidade da poesia", fazendo o elogio da "trindade augusta dos aedos brasileiros", isto é, Bilac, Raimundo Correa e Alberto de Oliveira, Zeferino afirma a eternidade da poesia, criticando as escolas em geral e o futurismo (sobretudo na figura de Marinetti) em particular 12.
É preciso sublinhar que essa oposição à arte moderna, sobretudo aos movimentos de vanguarda, é tecida de incompreensão. Paulo Torres, em "Futurismo" 13, bem o notou (o texto é de 1934):
"Apesar de coisa velha para os espíritos menos maliciosos, o futurismo ainda está na ordem do dia. Todas as extravagâncias, todas as esquisitices na esfera da literatura e da arte, com ou sem razão de ser, são logo, pela maioria, classificadas como manifestações futuristas. Um desenho mal feito, uma escultura deformada, um trecho musical sem harmonia, uma poesia crivada de reticências etc., no entender dos mais audaciosos ou dos de melhor boa fé, tudo isso é futurismo." 14
Outro cronista, Reinaldo Moura, retomará a discussão em "Futurismo... de ouvido", também de 1934, onde, surpreso, indignado, critica as constantes "confusões e insensatezes" que se diz a propósito de Marinetti e do futurismo na imprensa brasileira. Nota-se, ao longo do texto, o esforço do cronista para esclarecer os propósitos do movimento. O seu intuito parece ser o de limpar o terreno e encerrar a discussão: as propostas do futurismo, em termos de sensibilidade sobretudo, seriam já coisa do passado, ou seja, conquistas irrevogáveis da literatura moderna. O que, evidentemente, não era o caso.
Bezerra de Freitas trata da questão em texto de 1932, onde afirma: "Em muitas inteligências latinas ou saxônicas, persiste, melancólico e teimoso, o espectro do passado." 15 Noutro texto ainda, discorrerá sobre as resistências que opõe certa crítica acadêmica às audaciosas propostas modernistas:
"É um espetáculo melancólico [...]. O momento é ainda indeciso para a literatura modernista , onde se acentuam vozes de todas as procedências, desejosas de vencer o resto de tristeza que o passado nos deixou como vestígio de nossa irremediável angústia lírica." 16
*
Para concluir, algumas observações impõem-se. Primeiro, a evidente hegemonia da produção literária, artística e intelectual francesa nos debates sobre a modernidade, em particular, e a vida, em geral; hegemonia, aliás, que percorre todo o período 1900-1937.
Segundo, à diferença do período 1900-1921, percebe-se entre 1922 e 1937 uma maior receptividade às novas manifestações artísticas e literárias. Por vezes, uma adesão, mais ou menos explícita, e, inclusive, um manifesto entusiasmo. A rejeição, a crítica categórica continuam, na figura de alguns cronistas filiados religiosamente à tradição.
Finalmente, como no período anterior, o futurismo é o movimento de vanguarda mais citado. No entanto, outros movimentos são agora, nesse segundo período, visados, alguns de modo inédito, outros, como o cubismo, já discutidos no período anterior. Entre os primeiros, destacam-se o dadaísmo e o expressionismo alemão, apenas mencionados, sem qualquer enfoque mais específico, e o surrealismo, abordado com mais atenção e que, à diferença dos outros dois, não poderia mesmo aparecer no período anterior, uma vez que seu manifesto, como sabemos, foi lançado em 1924..
Além de registrar a existência dos movimentos de vanguarda, é evidenciada a relação destes com o restante da literatura e com outras formas de arte. Além do que, relações com a literatura brasileira, sobretudo com o modernismo e o romance de 30, são igualmente tecidas.
LUSO, João. "Impressões do Rio". O Diário , 18 jun. 1911, p. 1. Em todos os fragmentos dos jornais e das revistas, atualizamos a ortografia e corrigimos os erros (tipográficos ou outros) mais evidentes.
GUIMARAENS, Eduardo. "O futurismo e a evolução literária". O Diário , 30 jun. 1911, p. 1.
Annatereza Fabris bem o diz: "O que talvez seja fundamental em 1917 não é tanto a produção poética, em grande parte simbolista ou penumbrista, quanto a percepção crítica da crise do parnasianismo." FABRIS, Annatereza. O futurismo paulista . São Paulo: Perspectiva/Edusp, 1994, p. 42.
M. A. "O futurismo". Kodak , Ano III, n. 7, 08 set. 1917. (Grifos nossos.) Este texto aparecerá, como Editorial, na edição de 15 jun. 1918 da revista Máscara , sob o título "Futurismo".
Sem indicação de autor. "O futurismo e a música (Editorial)". Máscara , ano 1, n. 11, 20 abr. 1918.
Sem indicação de autor. "Cubismo". Kodak , ano III, n. 12, out. 1917, p. 9. (Grifos nossos.)
FREITAS, Bezerra de. "Sob o signo de Goethe". Correio do Povo , 15 nov. 1931, p. 11 e 24.
JOBIM, Jorge. "Nicolas Lenau". Correio do Povo , 12 ago. 1924, p. 3.
MEYER, Augusto. "O poeta rubro". Correio do Povo , 06 maio 1926, p. 3. Essa visita de Marinetti ao Brasil dará margem à polêmica. Sua repercussão é grande. Na revista Máscara , a vinda do futurista é anunciada nos seguintes termos: "O criador e propagandista da nova [sic] escola literária - o futurismo - cria um clima de ansiedade sobre sua vinda. De um lado, esperam os 'espíritos sôfregos', que desejam ouvir o autor italiano com suas palavras de combate; e, de outro, esperam os que são presos ao classicismo, que procuram o contato para encontrar falhas e contingências nesta escola." Isto depois de afirmar que a vinda do poeta seria "de grande relevância na vida mental no país". ( Máscara , out. 1925, ano VIII, n. 10) Sobre essa visita de Marinetti ao país e o muito que gerou de polêmica, ver: FABRIS, Annatereza. O futurismo paulista . São Paulo: Perspectiva/Edusp, 1994, p. 217 e segs.
S. G., "Estesia e preconceito". Correio do Povo , 29 maio 1931, p. 3.
Para uma análise da postura e da obra de Zeferino Brasil - e, diga-se de passagem, de outros tantos poetas sul-riograndenses -, cf. SCHÜLER, Donaldo. A poesia no Rio Grande do Sul . Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987.
Por si só, a profusão de textos com referência direta ao futurismo é, parece-nos, significativa e sintomática da repercussão do movimento e das suas propostas. Sintomática também da inquietude generalizada quanto às novidades, bem como com a supressão das certezas, das sólidas estruturas que se desmancham no ar.
TORRES, Paulo. "Futurismo". Correio do Povo , 02 mar. 1934, p. 3.
FREITAS, Bezerra de. "A sabedoria moderna". Correio do Povo , 04 fev. 1932, p. 3.
FREITAS, Bezerra de. "A reação anti-modernista". Correio do Povo , 14 fev. 1932, p. 11. (Grifos nossos.)