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O mito do Biatatá e suas variantes: considerações sobre literatura oral e o imaginário das águas
Marivalda Guimarães Sousa (UESC)
O POVO TEM UMA CULTURA que recebeu dos antepassados. Recebeu-a pelo exercício de atos práticos e audição de regras de conduta, religiosa e social. O primeiro leite da literatura oral alimentou as curiosidades meninas.
Câmara Cascudo
INTRODUÇÃO
A amplitude do campo de investigação que a Literatura Comparada possibilita efetuar deriva de sua natureza transdisciplinar que orienta estudos que ultrapassam o entrecruzamento de literaturas. Esta postura, indicativa do processo de deshierarquização do cânone literário, tornou possível eleger como objeto desse estudo a Literatura Oral (L.O.), c ompreendendo-a como um discurso ficcional múltiplo, tanto nas suas funções como nas suas formas (TODOROV, 1980) 1. A L.O. manifesta-se através de um corpus extremamente variado: mitos, lendas, contos, adivinhas, canções, sagas, rezas, ritos e provérbios transmitidos exclusivamente por via oral de geração para geração. Tais gêneros são designados por Jolles 2 como formas simples. Segundo o autor “cada vez que a linguagem participa na constituição de tal forma, cada vez que intervém nesta para vinculá-la a uma ordem dada ou alterar-lhe a ordem e remodelá-la, podemos falar então de Formas Literárias.” 3
O estudo da L.O. pode contribuir para o entendimento das grandes indagações do homem como a sua própria origem, a origem do mundo, dos fenômenos naturais, bem como a sua cultura: história, crenças, superstições, medos, costumes e tradições, que constituem o seu imaginário. Desse modo, o estudo se propõe a examinar contrastivamente o mito do Biatatá, que se insere no imaginário das águas e, além disso, é conhecido em todo território nacional. A idéia é identificar as convergências e as particularidades que apresenta, especialmente, em uma variante recolhida na comunidade ribeirinha de Pedras, no município de Una, BA, Brasil, a fim de demonstrar a eficácia e a força comunicativa da L.O. naquela comunidade, bem como evidenciar um ethos cultural característico do lugar.
A metodologia constituiu-se a partir de visitas de inserção na referida comunidade através de entrevistas semiestruturadas com os moradores mais antigos. Do material recolhido, o mito do biatatá foi selecionado com o intuito de se estabelecer um estudo comparativo.
Partindo da visão etnoliterária (SANTOS, 1995) 4, o estudo fundamentou o tratamento dos relatos orais nas concepções de Moreiras (2001) 5 sobre o testemunho ; em Zumthor (2000) 6 sobre a análise da performance ; na perspectiva antropológica, para o entendimento do imaginário em Iser (1996) 7; e, finalmente, em Cascudo (1976) 8 para o estudo comparativo do mito do biatatá.
O texto encontra-se estruturado em três partes: 1 – Literatura oral, uma questão de conceito; 2 – O imaginário das águas e o mito do biatatá; e 3 – O caso do Biatatá em Pedras.
1. LITERATURA ORAL – uma questão de conceito
A terminologia Literatura Oral , criada oficialmente por Paul Sébillot, em 1881, evoluiu para Literaturas da Voz (no plural), com Paul Zumthor por definir “os elementos fundamentais da vocalidade , sua relação com o corpo e a memória, suas relações entre texto oral ou vocal, poema e obra, bem como algumas práticas consideradas como específicas do estilo oral”. 9
Câmara Cascudo 10 apresenta como características fundamentais da L. O. a antiguidade , uma vez que é impossível identificar a data de seu surgimento; a persistência , pois são transmitidas de geração para geração através dos séculos, onde são reformuladas, mas não esquecidas; o anonimato da autoria , o que a faz de todos e de ninguém; e a oralidade , voz anônima do povo que tem na sonoridade, na entonação e no ritmo, além dos gestos, os grandes aliados que reforçam o significado da mensagem. Tais recursos são denominados por Zumthor como elementos performáticos .
A linguagem oral possui recursos próprios que a diferencia da linguagem escrita. São recursos extras verbais que utilizados durante a performance a tornam muito mais rica em termos de expressividade. Embora a vocalidade se apresente como um suporte visivelmente efêmero, essa efemeridade se dilui graças à faculdade de tornar-se reiterável em seu processo comunicativo entre o contador e o (s) ouvinte (s), de modo que “o tempo, o lugar, a finalidade da transmissão, a ação do locutor e, em ampla medida, a resposta do público” 11 contribui permanentemente para a sua re-elaboração, ultrapassando, assim, o momento de sua exposição. Com o apoio da memória e da imaginação criativa, a L.O. é uma fonte inesgotável de conhecimentos que revelam os valores sócio-histórico-culturais de uma sociedade.
Na esteira dos Estudos Culturais, o conceito de Etnotexto torna-se relevante, pois conforme Santos 12 , trata-se do “discurso que um grupo social, uma coletividade, elabora sobre sua própria cultura, na diversidade de seus componentes, e através do qual reforça e questiona sua identidade” . Desse modo, o etnotexto propõe uma leitura cultural do texto literário. A L.O. é, pois, um discurso que possui características de etnotexto . Daí a pertinência do seu estudo, tanto no âmbito antropológico como no âmbito do estético.
Como se pode observar, a L.O. possui um campo de pesquisa muito amplo e se realiza, normalmente, com base no testemunho . Nessa perspectiva, os testemunhos são valorizados na medida em que a ‘alta literatura' perde a sua centralidade porque visa a “introduzir as vozes suprimidas e subalternas no discurso disciplinar” 13
Para a compreensão da L.O., faz-se necessário observar a articulação entre o fictício e o imaginário enquanto fenômenos que convergem para a criação literária. De acordo com Iser, o fictício e o imaginário servem de contexto um para outro num processo de interação que funciona como uma matriz geradora da qual emerge a literatura. O mesmo ocorre com a L.O.
2. O IMAGINÁRIO DAS ÁGUAS E O MITO DO BIATATÁ
Inúmeros são os mitos nacionais relacionadas ao imaginário das águas. A multiplicidade de suas variantes é resultante das hibridações culturais (CANCLINI, 2000) 14 entre os povos que aqui chegaram desde o período da colonização. Um exemplo a ser citado é mito da Mãe-d'água, que ao passar da oralidade para a versão escrita sofreu diversas modificações e, por conseguinte, geraram outras lendas: o Ipupiara – um monstro meio homem, meio peixe, afogador de índios; a Uiara – versão portuguesa da sereia; uma variação da Iara , inclusive narrada por José de Alencar em O Tronco do Ipê , onde figura uma moça de longos cabelos verdes e anelados que vive no fundo do lago. Também o poeta baiano Sosígenes Costa apropriou-se desse tema ao escrever Iararana, um longo poema narrativo que cria um mito de fundação da Região do Cacau do Sul da Bahia.
Segundo Jolles o homem observa e deseja compreender o universo como um todo, mas também em seus pormenores.
O homem pede ao universo e aos seus fenômenos que se lhe tornem conhecidos, recebe então uma resposta , recebe-a como responso, isto é, em palavras que vêm ao encontro das suas. O universo e seus fenômenos fazem-se conhecer. Quando o universo se cria assim para o homem, por pergunta e resposta , tem lugar a forma que chamamos Mito. 15
A partir dessas concepções, o mito do Biatatá é tomado como tema de investigação pela sua associação com o fenômeno natural conhecido como fogo fátuo.
O mito do Biatatá é uma das mais conhecidas expressões da L.O. que se apresenta em diversas variantes em todo o território nacional. Também conhecido por ‘Boitatá', ‘Baetatá', ‘Batatá', ‘Bitatá', ´Batatão', ‘Cumadre Fulôzinha', ‘João Galafuz', ‘Mbaê-Tata' cuja origem do nome vem do tupi mboi (cobra) e tatá (fogo)– é, de uma forma geral, uma assombração que se manifesta por meio de uma gigantesca cobra-de-fogo que vive nas águas e que aparece apenas à noite. Em algumas culturas, esse monstro desempenha o papel de proteger os campos contra incêndios, em outras, é a força causadora deles no intuito de assustar os homens e expulsá-los de seu ambiente.
O aspecto físico do Biatatá varia de acordo com as crenças e as culturas. Em algumas localidades, ele se apresenta como uma desmedida serpente de fogo que desliza nas matas ou nas beiras dos rios; em outras, apenas os seus imensos olhos é que são de fogo. Pode surgir ainda, a depender da região, como um fogo vivo que se desloca, largando um rastro luminoso e até mesmo como a forma de um assombroso touro que solta fogo pelas ventas. A imagem do touro se deve a uma deturpação do vocábulo tupi mboi para o vocábulo boi do português.
Este mito encontra ressonâncias em algumas lendas que estão espalhadas pelo Brasil, a exemplo de ‘Cobra Norato', ‘Mãe-d'água', ‘Boiúna', ‘ Mboia-açu', dentre outros, todos relacionados às gigantescas serpentes que apresentam grande poder de sedução, cuja finalidade é, na maioria da vezes, assustar e atrair para a morte os seres humanos.
Ao registrar o medo que os índios tinha do Biatatá, Padre Anchieta, em carta a São Vicente em 1560, atesta a antiguidade desse mito em solo nacional.
No sul do país, o Biatatá é conhecido como a serpente que sobreviveu a um dilúvio e que, devido à fartura de animais mortos, devorou apenas os olhos desses animais. Como os olhos estavam cheios de luz, a barriga da serpente ficou ardendo em brasa a ponto de tornar-se transparente e começou a brilhar. Finalmente incendiou-se e de tanta luz virou o Biatatá.
Em Macunaína, Mário de Andrade (1992, p.25) f az referências ao Biatatá, quando ocorre a morte do menino encarnado, filho de Macunaína e da Mãe do Mato
Então chegou a Cobra Preta e tanto chupou o único peito vivo de Ci que não deixou nem o apojo. E como Jiguê não conseguira moçar nenhuma das icamiabas o curumim sem ama chupou o peito da mãe no dia, chupou mais, deu um suspiro envenenado e morreu.[...] Botaram o anjinho numa igaçaba esculpida com forma de jaboti e pros boitatás não comerem os olhos do morto o enterraram mesmo no centro da taba com muitos cantos muita dança e muito pajuari. 16
Não obstante, o mito de o Biatatá ser uma variante brasileira explicativa do fogo-fátuo, tal temática é universal e se faz presente em diversas culturas. É o Jack with a Lantern, o fantasma que guiava os viajantes pelos charcos e banhados, na Inglaterra; o moine des marais (monge dos banhados) com as mesmas finalidades de guias de pântanos e ainda o feu-follet , a ronda dos Lutinos na França; a Inlicht , a luz-louca na Alemanha, carregada por invisíveis anões; são as almas dos meninos pagãos ou almas penadas que deixou dinheiro enterrado, em Portugal; os Shinen-Gaki, uma das trinta e seis espécies de espíritos admitidos no Budismo japonês, que aparecem à noite, sob a forma de fogos errantes 17
Há fortes indícios de que as estórias sobre o Biatatá foram criadas como uma tentativa de explicar o fogo-fátuo, um fenômeno natural que tem a sua origem nos gases inflamáveis (como o metano CH 4 ) que emanam dos pântanos e de carcaças de animais em estado de putrefação. O fenômeno é também conhecido nos cemitérios. Segundo o artigo Fogo Fátuo e Gases do Pântano 18
o metano, em condições especiais de pressão e temperatura, em local não ventilado, começa a sair do solo e se misturar com o oxigênio do ar. [...] o metano se inflama espontaneamente, sem necessidade de uma faísca. Forma uma chama azulada, de curta duração, gerando um pequeno ruído. Se a pessoa estiver perto e sair correndo, devido ao deslocamento do ar a chama irá atrás ...
As diferentes expressões mitológicas para a explicação de um fenômeno natural como o fogo-fátuo pressupõe que cada cultura constitui o seu real a partir do seu imaginário. Por sua vez, o imaginário utiliza-se do simbólico com a finalidade de condensar um conhecimento a fim de facilitar, no caso específico da L.O., a sua transmissão por gerações, garantindo a perpetuação do mito com um significado próprio para a comunidade que o re-cria.
3. O CASO DO BIATATÁ, EM PEDRAS
O mito do Biatatá, enquanto uma manifestação da L.O., ressurge em uma variante bastante peculiar na voz dos moradores da comunidade ribeirinha de Pedras (Una/BA). Trata-se de uma localidade de cultura própria, híbrida, em virtude da intersecção dos múltiplos aportes populacionais que a constituíram, onde a maioria de seus habitantes é de descendência negra e indígena e que trabalham como pescadores ou como trabalhadores rurais.
Em relação aos procedimentos de transcrição dos relatos orais aí recolhidos, questões metodológicas se impõem, pois a mudança de suporte do oral para o escrito está sujeita a alterações devido aos recursos performáticos que a oralidade é capaz de produzir e, portanto, são irreproduzíveis na forma escrita. Além disso, as transcrições estão sujeitas às interpretações do seu compilador. Nessa medida, a transcrição torna-se transcriação .
Em Pedras, o mito do Biatatá, foi narrado conjuntamente por três moradores da comunidade: os Srs. Wilson (comissário de menor do distrito), Dzar, e Carlito (ambos pescadores aposentados). A transcriação que se segue é, na verdade, o somatório desses três testemunhos .
Se agente conhece a estória do Biatatá? O povo daqui fala de uma luz que fica vagando na beira do rio, mas que nunca mais apareceu. Mas minha vó me contou, e muita gente daqui desse lugar sabe dessa estória. Eu mesmo nunca vi, mas o povo lá de casa contava que antigamente as pessoas daqui tinha muito medo de sair de casa de noite, de passear nas beiradas do rio. Muitos pescadores até deixavam de pescar só por causa do medo de encontrar o tal do Biatatá. Outros diziam até que iam pegar o biatatá, mas era só para espantar o medo. Quem já viu, disse que aparece no meio do rio dois fachos enormes que mais parecem duas espadas de fogo de cor assim meio amarelo meio azulada, e que ficam batendo facão, assim como quem tá guerreando e ficam vagando pra lá e pra cá no leito do rio. Diz que essas espadas de fogo são os olhos do Biatatá. Diz que quem se arriscar a ficar perto, o bicho enraba 19 e aí, é correr avexado 20: o Biatatá corre atrás da gente e quem olhar para aquela luz fica ceguinho da Silva. Minha vó dizia que o biatatá é o castigo que receberam dois cumpadres que não se deram o respeito e fizeram o que não deviam. Sabe como é, resolveram se aventurar por aí... Ser cumpadre é coisa muito da sagrada, sim senhora [...] Diz que de noite os tais cumpadres que desrespeitaram suas casas viraram o Biatatá e ficam por aí vagando que nem alma penada. Eu nunca vi, mas muita gente disse que o biatatá existe mesmo.Vixe!
Na referida transcriação a linguagem dos contadores foi respeitada, visando a maior autenticidade possível, uma vez que a narrativa envolve expressões que são típicas do lugar, além da linguagem peculiar de seus contadores.
A variante do mito do Biatatá recolhida em Pedras, ao ser acrescida do imaginário local, pode ser interpretada como uma advertência àqueles que infringem as regras éticas e morais do lugar, estando os transgressores sujeitos às penalidades. Isso nada mais é do que uma forma de impor normas de conduta. Nessa perspectiva, é possível perceber o papel sociocultural que o mito do Biatatá desempenha naquela localidade. É, portanto, uma forma de transmitir o pensamento e os valores morais daquela comunidade.
Entretanto, na Província de Misiones e del Paraguay uma variante do Biatatá assemelha-se à variante recolhida em Pedras. Conta-se que o biatatá também surgiu por intermédio de um encontro ilícito entre um casal de compadres que, ao serem apanhados, foram duramente penalizados durante o sono, transformando-se em biatatás com aparência de serpentes ou de pássaros com cabeça de lhama. Como se pode observar, nessa variante, o mito do biatatá asume também o papel de protetor de ordem ética e moral.
Em relação ao elemento fogo que aparece nas variantes, Chevalier e Gheerbrant 21 afirmam que a significação sexual do fogo está associada a duas formas: fricção que, no caso das variantes analisadas, representa o encontro sexual ilícito entre os compadres; e por meio da percussão , assemelhando-se a um relâmpago cuja função é a de purificação. A purificação que as variantes sugerem com os biatatás incendiando-se mutuamente à exaustão sinaliza a necessidade de expurgação daquilo que é percebido como ‘pecado'.
O processo de seleção , combinação e autodesnudamento dos elementos constituintes das variantes em análise, são explicados por Iser (1999) como atos intencionais do fingir no jogo interativo entre o fictício e o imaginário na concretização da obra literária (oral ou escrita).
Em Pedras, a variante do Biatatá, em seu fazer ficcional, passou por um processo de seleção , combinação e autodesnudamento através de elementos escolhidos pelos seus narradores conforme as suas memórias, vivências individuais e imaginação criativa. Dentre os dados selecionados destacam-se o fogo-fátuo, enquanto elemento mítico; o casal de compadres como protagonistas; o ambiente aquático que propicia o enredo, o Rio Una; os termos lingüísticos utilizados, a seqüência, a introdução e/ou supressão de dados sob pena de não modificar a essência da narrativa. A forma de selecionar e combinar todos esses elementos é que demonstra a capacidade inventiva 22 do contador.
Graças aos procedimentos de seleção e combinação de elementos que constituem as narrativas, ativadas pela memória e pela imaginação, aliado ainda à performance do contador, que as estórias, aqui abordadas como L.O. são constantemente re-elaboradas, re-inventadas. Criam, inventivamente mundos imaginários, como se fosse de verdade. Assim, o mito é metaforizado. Esta a grande transgressão a qual se refere Iser.
Diante do que foi analisado, é possível assegurar o caráter híbrido e globalizado que assume o mito do Biatatá. Por outro lado, é também possível afirmar o seu caráter local, uma vez que as variantes se diferenciam de uma localidade para outra.
A forma pela qual o Biatatá se revelou no povoado de Pedras em Una, BA, está subordinada ao seu imaginário que se concretiza de acordo com a percepção de seus moradores, somados, certamente, às informações intercambiadas de outras culturas, pois a oralidade tem um caráter propagador que poucos desconfiam. E esta força a faz permanecer por gerações inteiras.
A semelhança entre as mencionadas variantes comprova a capacidade que possui a L.O. em se propagar pelo mundo através da divulgação de uma prática que ainda resiste em tempos modernos: a contação de estórias. É desse modo que a L.O. ultrapassa todos os tipos de fronteiras (geográficas, sociais, culturais, históricas), seduzindo mentalidades, arrebatando as forças imaginárias do ser humano por intermédio dos encantamentos, dos prazeres que proporciona. Em seu inabalável exercício de persistência .
TODOROV, Tzvetan. Os Gêneros do Discurso. Trad. Elisa Angotti Kossovitch. São Paulo: Martins Fontes, 1980, 305 p.
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SANTOS, Idelette Muzart Fonseca. Escrituras da voz e memória do texto: abordagens atuais da literatura popular brasileira. In: BERND, Zilá e MIGOZZI, Jacques. (orgs.). Fronteiras do literário: literatura oral e popular Brasil/França. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1995,143 p.
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ZUMTHOR, Paul .Performance, Recepção, Leitura. Trad. e Suely Fenerich. São Paulo: EDUC, 2000. 137 p.
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CASCUDO Luis da Câmara Geografia dos mitos brasileiros. 2 a ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1976, 480 p.
10 CASCUDO Luis da Câmara: Literatura Oral no Brasil . 3ª ed. Belo Horizonte : Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1984
11 ZUMTHOR, op. cit., p. 35
12 SANTOS, op. cit. P. 39
CANCLINI, Néstor Garcia. Culturas Híbridas : estratégias para entrar e sair da modernidade. Trad. de Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2000
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FOGO FÁTUO E GASES DO PÂNTANO. 2003. Disponível em:
http://www.fenomeno.trix.net/fenomeno_fenomenos_1_fogo-fatuo.htm > Acesso em 28 ago.2003
CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números . Rio de Janeiro: José Olympio, 1999, 996 p.
Chamo de oralidade inventiva o talento improvisador do contador de estórias que, ao assumir a condição de autor, exerce liberdade de criação no ato simultâneo de sua performance, enriquecendo de sentido e significados as narrativas sem, no entanto, comprometer a sua essência.