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(Re)contando a história: a recuperação da identidade negra em Viva o povo brasileiro e Changó, el gran putas
Liliam Ramos da Silva (UFRGS)
Preliminares
Os estudos literários passam por um momento de vigorosos questionamentos a respeito de temas que sempre foram problemáticos na literatura mundial, como, por exemplo, a situação pós-colonial, que veio para reverter os loci de enunciação formando um espaço de força para a erudição crítica e de resistência. A também problemática questão da formação de identidades é tema recorrente na literatura de países colonizados, sobretudo na América Latina, continente que enfrenta sérias dificuldades na afirmação identitária de seus habitantes por encontrar diversas culturas de diversas regiões do mundo atravessadas umas às outras devido às contribuições culturais de indivíduos que imigraram, sem esquecer, é claro, daqueles que aqui já estavam e dos que foram trazidos contra a sua vontade.
O estudo da História das nações pelos ocidentais constantemente seguiu uma equivalência linear entre evento e idéia (historicismo), sendo o estudo das relações entre o Ocidente e o resto, o que fazia com que houvesse a ignorância total das interações entre Ásia, África e Américas. Atualmente, críticos literários e até mesmo alguns historiadores estão contestando certos fatos relatados pela História chamada ‘oficial', sendo esta apenas uma versão autoritária e autorizada dos fatos. Um novo conceito que está surgindo entre pesquisadores é o de nova história , expressão utilizada para relatar os acontecimentos ocorridos nos anos 1970 e 1980, período em que houve uma reação ao paradigma tradicional no âmbito mundial que envolveu historiadores do Japão, Índia, América Latina e vários outros lugares, apesar de as mudanças ocorridas na escrita da história nestas duas décadas serem parte de uma tendência mais antiga. Na verdade, o historiador inglês Peter Burke (1991) comenta que apesar de parecer um conceito de definição recente, documentos já do ano de 1860 apresentam uma concentração na descrição da história cultural, priorizando as tendências a simplesmente as narrativas dos acontecimentos. Isso quer dizer que a ancestralidade da história alternativa é razoavelmente longa e sua existência não é um fato novo. O que é inovador é o fato de os historiadores estarem em grande número e recusar-se a serem marginalizados.
Os estudos pós-coloniais abrangem principalmente as articulações entre e através dos períodos históricos politicamente definidos: neles podemos incluir o pré-colonialismo, o próprio colonialismo, as culturas pós-independência e o neo-colonialismo, se pensarmos que estas teorias se caracterizam por dar voz e ouvidos àquelas vozes que durante muitos séculos foram caladas por estarem em uma situação “periférica” e “bárbara”, distanciadas do cânone e consideradas inferiores. A partir da chegada dos europeus nas Américas, iniciou-se um choque de culturas até hoje não resolvido, onde estes classificavam os habitantes da nova terra ou como idênticos a eles mesmos, ou como diferentes deles, e, portanto, inferiores, justificando assim a subordinação. A primeira geração de seus descendentes nascidos no Novo Mundo percebe que embora compartilhasse a língua de sua herança européia, não era facilmente aceita como parte dela. A partir dessa tomada de consciência, os descendentes sentem que não mais fazem parte da Europa, iniciando-se assim a busca por uma identidade americana. Com o advento das teorias pós-coloniais no âmbito acadêmico, diversas questões referentes à autonomia eurocêntrica passam a ser revistas. A emergência de um Terceiro Espaço (Bhabha, 1998) na enunciação torna a estrutura de significação e referência um processo ambivalente, e é apenas quando compreendemos que todas as afirmações e sistemas culturais são construídos neste espaço da enunciação é que começamos a entender por que as reivindicações hierárquicas de originalidade ou “pureza”, tão apregoadas pelo discurso colonial, são insustentáveis.
As manifestações culturais nas Américas se construíram no entre-dois ( in between ), em uma zona de contato, de fronteira, em que os artistas e escritores sempre desempenharam o papel de atravessadores ( passeurs ), isto é, o de favorecer a travessia das fronteiras. Os africanos, que foram trazidos à força de seu continente para as Américas eram considerados incultos por possuírem uma literatura de cunho oral , ou seja, com grande fragilidade e correndo sério risco de desaparecer. Para que sua literatura se tornasse forte, tiveram que aprender a língua dos colonizadores, mas não deixaram de incorporar os restos, vestígios da cultura africana em suas obras. Neste sentido, a transmissão da história através da memória coletiva foi uma das formas de o negro subverter os padrões estabelecidos com a escravidão, como o silêncio e a obediência servil, por exemplo. Mas, durante muito tempo, estes traços, vestígios da cultura africana não eram considerados ‘oficiais' por não obedecerem à ordem da escrita. Com as novas teorias em vigor, a herança cultural africana passa a ser aceita na medida em que o negro se assume como tal a partir do movimento chamado negritude e (re)descobre sua cultura, seus valores, uma auto-afirmação que se constitui a partir da ‘proibição de ser'. As presentes obras a serem analisadas possuem uma característica peculiar no que diz respeito a essa busca da africanidade perdida: tratam-se de verdadeiras reescritas das histórias do Brasil, da Colômbia e outros países das Américas através da denúncia da violência do processo de aculturação e da crítica ao uso da História, ou seja, do uso que dela se faz em função de interesses de grupos (elite, igreja católica, exército, etc.).
A história (re)contada pelo povo
Viva o Povo Brasileiro (1984) , obra exemplar de João Ubaldo Ribeiro, introduz um referencial histórico da construção da nação brasileira, das origens aos finais do século XX, detendo-se o privilégio da ação no século XIX. O autor faz uma análise minuciosa da formação do sentimento nacional, que engloba as atitudes canibais dos indígenas que se alimentavam de carne holandesa, dos negros escravos que não eram considerados como fazendo parte da Nação brasileira e das elites que se julgavam “europeus transplantados”. É importante sublinhar o embate ideológico presente na obra representado através da luta de classes, do cruzamento das ideologias e dos discursos elite x povo, na maior parte das vezes questionados pela personagem Maria da Fé, filha de Vevé, negra escrava, e de Perilo Ambrósio, conhecido como o Barão de Pirapuama (que, em língua indígena, quer dizer baleia, devido à grande presença e ao abatimento destes animais na costa baiana no século XVIII) e pela família de Amleto Ferreira, representantes da ‘civilização' brasileira. O romance percorre várias etapas da construção de uma Nação brasileira: as lutas pela independência, o Império, a abolição da escravatura, a República, a Guerra dos Farrapos, a Guerra do Paraguai, a campanha de Canudos, fatos revistos a partir do confronto entre o discurso da historiografia tradicional e a versão popular fundamentada na experiência de vida das personagens. Na verdade, o ponto crucial da obra é o confronto com o questionamento da origem dos problemas que se perpetuam ao longo do processo de formação e afirmação da Nação brasileira: o fato do modelo identitário das elites brasileiras ser o do branco colonizador. Pensamento que se traduz no momento em que Amleto (Hamlet?) Ferreira, mulato que falsifica sua certidão de nascimento para provar que vem de família inglesa e portuguesa (na realidade é filho de um inglês com uma negra escrava) conversa com monsenhor Bibiano (intervenção da igreja na ‘civilização do oprimido') sobre o futuro da Nação brasileira:
(...) que será aquilo que chamamos de povo? (...) Povo é raça, é cultura, é civilização, é afirmação, é nacionalidade, não é o rebotalho desta mesma nacionalidade. Mesmo depuradas, como prevejo, as classes trabalhadoras não serão jamais o povo brasileiro, eis que esse povo será representado pela classe dirigente, única que verdadeiramente faz jus a foros de civilização e culturas nos moldes superiores europeus - pois quem somos nós senão europeus transplantados? (...) Que somos hoje? Alguns poucos civilizados, uma horda medonha de negros, pardos e bugres. Como alicerce da civilização, somos muito poucos, daí a magnitude de nosso labor. (VPB, p.245)
É interessante relacionar o discurso da elite com o pensamento do negro aculturado, no caso, Nego Leléu, personagem que transita nos dois meios (civilização - ‘povinho') e que pensa que o negro nunca vai conseguir ser nada além de escravo dos senhores brancos, o que pensa como fazendo parte da ordem natural das coisas. Na verdade, é um personagem que tem duas caras: uma que adula e se humilha perante o senhor, mas que, por outro lado, consegue ter sua casa própria, seus negócios e algum dinheiro, fato raro nos negros na época da escravidão. Ele vive como um branco, tem empregados, bajula os senhores, mas consegue ter suas economias, é astucioso, consegue tudo o que quer em troca de favores. Em discussão com sua neta Maria da Fé, mostra sua visão sobre quem é o povo no Brasil:
- Disseste bem, disseste muito bem: nós somos o povo desta terra, o povinho. É o que nós somos, o povinho. Então te lembra disto, bota isto bem dentro da cabeça: nós somos o povinho! E povinho não é nada, povinho não é coisa nenhuma, me diz onde é que tu já viu povo ter importância? Ainda mais preto? Olha a realidade, veja a realidade! Esta terra é dos donos, dos senhores, dos ricos, dos poderosos, e o que a gente tem de fazer é se dar bem com eles, é tirar proveito do que puder, é se torcer para lá e para cá, é trabalhar e ser sabido, é compreender que certas coisas que não parecem trabalho são trabalho, essa é que é a vida do pobre minha filha, não se iluda. E, com sorte e muito trabalho, a pessoa sobe na vida, melhora um pouco de situação, mas povo é povo, senhor é senhor! Senhor é povo? Vai perguntar a um se ele é povo! Se fosse povo, não era senhor. (VPB, p. 373)
Assim como Nego Leléu, alguns intelectuais projetaram sua salvação na assimilação das culturas ocidentais mas, mesmo com esta atitude, a discriminação continuava sendo praticada com base na diferença da cor da pele. Através do movimento da negritude , o negro passa a valorizar sua cultura e seu patrimônio, e este movimento torna-se o fundamento para a reconquista da identidade negra. A personagem Maria da Fé é o símbolo da resistência à assimilação cultural européia:
É, mas vai ter justiça. Quem é que trabalha, não é o povo? Não é o povo que sustenta? Então o povo é que vai mandar . (VPB, p.373)
A partir deste momento, Dafé (como passou a ser chamada) começa a sua luta por justiça. Para ela, a liberdade dos negros só viria com o conhecimento , algo difícil de se conquistar em uma época onde os senhores não admitiam que os escravos também tivessem acesso à educação. A questão é que o conhecimento de que falava Dafé não eram as ‘verdades' ensinadas nos livros de História, mas o conhecimento da vida, do trabalho, o (re)conhecimento do valor da raça negra. Dafé pede ao avô que a levasse para ver ‘gente trabalhando' pois, para ela, “ todo fazer, produzir e servir é sinal da beleza do mundo e somente é homem aquele que faz, produz ou serve ” (VPB, p.374). E afirma sua identidade negra: “- Eu nunca vou deixar de ser preta, voinho ” (VPB, p.376).
A última intervenção de Dafé antes de seu desaparecimento que termina por deixar dúvidas se ela realmente existira e a transforma em um mito atinge o conhecimento que ela mesma pregara em toda a sua peregrinação em prol da união do povo: a necessidade de justiça. Em discurso após a detenção dos oficiais do exército que haviam capturado Filomeno Cabrito, em plena Campanha de Canudos, ela se dá o direito de falar, tornando-se o sujeito da enunciação, ultrapassando a barreira do (duplo) preconceito: é a mulher/negra que detém o poder naquele momento:
- Os senhores foram aprisionados como membros de uma expedição inimiga do povo desta terra, vinda aqui para destruir e matar . (VPB, p.561)
O oficial rebate:
- Protesto! - disse o oficial, tentando levantar-se sem conseguir. - Isto é um ato de banditismo contra as instituições republicanas, a integridade da Nação, o poder constituído! (VPB, p.561)
Dafé, então, toma a palavra:
- Cale a boca! Aqui não interessa o que o senhor pensa, ou pensa que pensa, é o que lhe puseram na boca e na cabeça, e isso já conhecemos. (...) Seu poder constituído para mim é merda, suas instituições para mim são bosta. (...) Vocês vêm nos dizer verdades. Que verdade é essa, que nos humilha, nos diminui, nos transforma em nada, como pode ser isso verdade para nós? Para mim vocês são a encarnação da mentira e da morte. (VPB, p.562)
Trabalhando com o conteúdo de um texto cultural dominante - a história oficial escrita pelas elites - João Ubaldo insere neste texto uma diferença: a subversão da ordem estabelecida através da emergência de narrativas que existiam somente na memória coletiva popular. A memória, mais do que um simples arquivo classificatório de informação que reinventa o passado, é um referencial norteador na construção de identidades no presente. O autor passa em revista o papel do clero, dos intelectuais, dos representantes do poder econômico em confronto com discursos até então silenciados, como o de Maria da Fé, no embate de questionamentos sobre as origens dos problemas que se perpetuaram ao longo do processo de formação e de afirmação da nação brasileira. A linguagem utilizada na narrativa é simples, sem a preocupação de manter o padrão culto da língua portuguesa, o que auxilia na ênfase que o autor quis dar à obra: o resgate da identidade do povo brasileiro.
A profecia do desgraçado
Dentre a vasta obra do médico colombiano Manuel Zapata Olivella (1920, -), inspirador de Gabriel García Márquez, Changó el gran putas (1983) pode ser considerado como a grande saga da negritude da literatura colombiana. O romance conta a trajetória da vinda dos negros às Américas através de uma visão mística: Changó (ou Xangô, em português), ao ser expulso da morada dos orixás (deuses africanos), condena seus filhos a viverem em castigo em um continente estranho, buscando através dos séculos suas origens perdidas. A saga inicia-se no desembarque em La Española (atualmente CUBA ) e na profecia de que nasceria o Muntu 1 Americano, responsável pela mistura de sangues no Novo Mundo
el Muntu mezclará su sangre con la sangre del amo blanco, con la del indio y las de otras razas y (…) de esa manera, sangre de sangres, no habría blancos que esclavizaran porque así como el Muntu perdería su color negro, el blanco mancharía su piel con el color de los nuestros. (CGP, p.119)
Este, primeiramente, estaria sob a pele do rei Benkos Biojo, escravo nascido ‘entre dos aguas', ou seja, entre os continentes africano e americano, o portador das duas culturas. A história segue desde a chegada dos escravos até os anos 1930, quando há o movimento da Renascença Negra no bairro do Harlem, nos Estados Unidos. O interessante é que o ‘muntu' não é uma só pessoa; após o rei Benkos, várias personalidades históricas (negros ou mulatos) também seriam supostos ‘muntus', como Toussiant L'Ouverture, líder máximo da Revolução pela independência do Haiti e abolição da escravatura naquele país em 1804 ; Simón Bolívar (1783 - 1830), criollo que lutou pela independência das comunidades hispânicas; José Prudêncio Padilla (1784 - 1828) mistura de branco, índio e negro, que acompanhou Bolívar nas guerras de independência; Aleijadinho (1730? - 1814), conhecido escultor brasileiro, filho de português e escrava negra, que revolucionou a arte da época ao incorporar elementos da cultura negra em suas esculturas; José Maria Morelos (1765 - 1815), mulato que lutou pela independência do México; Malcom X (1925 - 1965), líder racial estado-unidense; Marcus Garvey, jamaicano descendente de maroons e líder dos movimentos negros na Jamaica e nos Estados Unidos, ganhou fama de profeta quando, em 1930, Ras Tafari Makonnen foi proclamado Rei da Etiópia, adotando o nome de Haile Selassie I, "Rei dos Reis, Senhor dos Senhores,Sua Majestade Imperial, Leão Conquistador da Tribo de Judah, Eleito de Deus". Os líderes religiosos da Jamaica reconheceram nele o Rei Negro de que o profeta havia falado, tornando a religião rastafari conhecida mundialmente. Além destes personagens históricos, fatos verídicos também são mencionados, como a revolução dos escravos no Haiti, o movimento da Inconfidência Mineira e os quilombos no Brasil, a Ku-Klux-klan e o morticínio de 66 negros em Atlanta pela negrofobia que deu início à segregação racial nos EUA e a contribuição histórica do poeta Langston Hughes pela igualdade entre negros e brancos. A perpetuação da história através da memória do negro nas Américas dá força para a resistência:
¡Renacer! El hecho de que el pueblo Negro haya podido sobrevivir a tanta ignonimia, recreándose siempre más poderoso, es uma prueba irrefutable de que estamos señalados por Changó para cumplir el destino de libertar a los hombres. El culto a los Ancestros, la ligazón entre los vivos y los muertos, pondrá fin al mito de los dioses individuales y egoístas. ¡No hay dios más poderoso que la familia del Muntu!” (CGP, 1983, p.350)
É interessante colocar que Zapata Olivella preocupa-se em (re)contar a história dos negros em vários países das Américas, sustentando assim as pesquisas a respeito do ideologema da americanidade , ou seja, a identificação continental que ultrapassa as barreiras nacionais, étnicas e de gênero. As mestiçagens seriam as figuras da americanidade como, por exemplo, o crioulo, e logo depois o mestiço. Zapata Olivella dedica um capítulo especial intitulado Las sangres encontradas , onde relata a trajetória dos mestiços que fizeram algo para mudar a situação de subjugação a que os habitantes das Américas se encontravam frente à soberania ocidental. O autor, antropólogo, especialista no estudo do folclore africano nas Américas, mescla seus conhecimentos históricos à fantasia dos relatos orais dos quais é pesquisador; o que converge com as pesquisas a respeito da nova história , ou seja, um novo estudo da história que aceita as contribuições interdisciplinares - antropologia, literatura, etc.
É possível concluir?
A narrativa transculturada de João Ubaldo Ribeiro e de Manuel Zapata Olivella problematiza as relações entre história, memória e ficção, trazendo à tona discursos velados que até o advento das teorias pós-coloniais estavam escondidos na memória popular. Através dos múltiplos loci de enunciação, a história não segue mais uma linha horizontal, podendo ser atravessada por numerosos discursos de diversas culturas. A América, continente que foi ‘descoberto' pela Europa, possui a peculiaridade de nele conter múltiplos olhares que só servem para enriquecer a história oficial.
Sobre as obras analisadas correu-se o risco de dizer muita coisa essencial, dado o pequeno espaço concedido para a apresentação do trabalho, o que se procurará fazer no trabalho de dissertação. O objetivo geral a que se propõe o trabalho será a análise da história através do ponto de vista do oprimido, fato que traz novas características à formação de identidades nas Américas. A violência do processo de aculturação, a subversão do negro escravo pela (re)construção de sua identidade, a eterna busca pela igualdade são pontos convergentes nas obras analisadas, além do desejo dos autores manifesto de que os negros continuem suas lutas contra a injustiça e opressão a que sempre foram submetidos desde sua chegada às Américas.
Bibliografia
Corpus
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Teórico-crítica
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Definição de Zapata Olivella no ‘Cuaderno de bitácora - Mitología e Historia” : hombre. El concepto implícito en esta palabra transciende la connotación de hombre, ya que incluye a los vivos y difuntos, así como a los animales, vegetales, minerales o cosas que le sirven. Más que entes o personas, materiales o físicos, alude a la fuerza que une en un solo nudo al hombre con su ascendencia y descendencia inmersos en el universo presente, pasado y futuro.