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Machado de Assis jornalista, percurso e travessia para o ficcionista
Lúcia Granja (UNESP)
Em O seqüestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira , Haroldo de Campos, ao comparar criticamente dois textos de Antonio Candido, a Formação da Literatura Brasileira (1959) e o ensaio "A dialética da malandragem"(1971), e tendo como mote principal e quase exclusivo a obra de Gregório de Matos Guerra, indica conclusão interessante sobre a obra de Machado de Assis:
" (...) Essa perquirição da " identidade" ou "caráter nacional", no Machado de Assis de "Instinto de Nacionalidade", 1873, já havia perdido, refira-se, todas as suas pretensões de ubiquação localista e de entificação substancialista; deriva talvez daí, dessa desmistificação do Romantismo, a superioridade crítica da última fase da obra machadiana, onde o ceticismo agônico ensaia, em passo figurado de reflexão, a "carnavalização do espirit de finesse ..." 1
Por meio do ensaio publicado por Antonio Candido em 1971, Haroldo acredita que Gregório de Mattos teria sido resgatado de seu anterior "seqüestro sociológico". Segundo ele, no novo "desenho mosaical" que traça o ensaio de Candido, o "Boca do Inferno" passa a ser "um dos precursores da comicidade malandra em nossa literatura" 2, nacional portanto, assunto que leva, por sua vez, Haroldo de Campos à conclusão acima citada, segundo a qual, da desmistificação do Romantismo deriva a superioridade crítica da última fase da obra de Machado.
Não se trata aqui de discutir a conclusão do ensaísta. O exemplo serve a mostrar a recorrência com a qual a crítica brasileira volta a um tema já clássico na análise da produção literária de Machado de Assis: encontrar uma explicação substancial para as profundas mudanças que se operaram na ficção do escritor entre o final da década de 1870 e o início da década de 1880. Alguns rótulos fazem parte dessas explicações: Machado teria saído de uma fase Romântica para outra Realista, ou, menos comprometedora a nomenclatura, de uma primeira para uma segunda fase.
É muito provável que o escritor não concordasse com essas análises. Sobre a designação de realista, o próprio testemunho de Machado basta para mostrar-nos o desagrado que sentia em relação àquilo que, na época, ele podia compreender a respeito da "nova geração" de literatos. Nas crônicas de 1878, comentando O Primo Basílio , então transportado para o teatro 3, o narrador-folhetinita diz-nos a determinada altura:
"Se o mau êxito cênico do Primo Basílio nada prova contra o livro e o autor do drama, é positivo também que nada prova contra a escola realista e seus sectários. Não há motivos para tristezas nem desapontamentos; a obra original fica isenta do efeito teatral; e os realistas podem continuar na doce convicção de que a última palavra da estética é suprimi-la . Outra convicção, igualmente doce, é que todo o movimento literário do mundo está contido nos nosso livros; daí resulta a forte persuasão em que se acham de que o realismo triunfa no universo inteiro, e que toda a gente jura por Zola e Baudelaire. Este último nome é um dos feitiços da nova e nossa igreja; e entretanto, sem desconhecer o belo talento do poeta, ninguém em França o colocou ao pé dos grandes poetas; e toda a gente continua a deliciar-se nas estrofes de Musset, e a preferir L' expoir en Dieu a La Charogne . Caprichos de gente velha" 4
O cronista está em desacordo com os novos gostos literários e ironiza a concepção de estética dos escritores realistas. Relativiza o talento de Baudelaire e nem desenvolve o comentário a respeito de Zola. Quem lera a crítica ao romance O Primo Basílio , já imaginava o seu desagrado em relação ao estilo dos romances de Zola, o qual ele diz ter sido imitado por Eça de Queirós. 5
Contribuir para a explicação de tal crise não é tarefa nova, mas está longe, no entanto, de haver se esgotado. 6 Uma idéia recente é a de que a mudança na obra ficcional de Machado teria começado a se operar alguns anos antes do que se acredita. Sidney Chalhoub, citando as idéias que Joaquim Nabuco deixou registradas em seu Um estadista do Império , levanta a seguinte hipótese sobre Machado de Assis:
"Se Nabuco estava correto ao achar que a lei de 28 de setembro de 1871 produzira "moldes sociais" dos quais emergiram "novos tipos humanos", então meu argumento(...)é de que a experiência histórica de 1871 ajudou a delinear uma nova personagem literária: Machado de Assis. Nos capítulos anteriores tentei mostrar(...)que o processo histórico que resultou na lei de 1871(...) esteve no centro de concepção de romances como Helena , Iaiá Garcia , Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro . Tal processo é também o núcleo do sentido do conto "Mariana". Ao escrever esse conto, porém, Machado não poderia supor que estaria, poucos anos depois, profundamente envolvido na aplicação cotidiana da lei de 28 de setembro. (...)" 7
Como se lê, a experiência do futuro romancista como funcionário, o qual, a partir de 1876, tornou-se chefe, no Ministério da Agricultura, da seção que era encarregada de estudar e acompanhar a aplicação da lei da emancipação, contribuiu para o novo delineamento literário de Machado. Segundo Chalhoub, "o romancista formou-se ao logo dos anos 1870 em diálogo constante com a experiência do funcionário público e do cidadão". 8
Até agora, portanto, vieram se somar às linhas deste trabalho, umas mais explicitadas do que outras embora, algumas das explicações para a travessia ficcional pela qual a obra de Machado passou. Resgatando um nosso já antigo ponto de vista, gostaríamos de contribuir com essa discussão, ao reafirmar que ler e analisar as crônicas jornalísticas de Machado de Assis pode também nos fornecer pistas importantes, as quais ajudam a explicar tais transformações. Dessa forma, a primeira idéia que sugerimos, a leitura do jornalismo machadiano, desmente, na linha de argumentação de Chalhoub, que a mudança tenha se operado nos apenas dois anos que entram geralmente em questão (1878-1880), embora, como dissemos, as últimas crônicas escritas por Machado de Assis antes da enigmática "virada", em 1878, mostrem a famosa crise gestando-se, ou rebentando-se quase, por meio do olhar desagradado e muitas vezes irritado do cronista em relação a determinados assuntos que elege para seus comentários. 9
Mesmo supondo uma relativa independência no que se refere à intencionalidade de um autor quando escreve, se tomarmos a produção literária de Machado como um todo, e buscarmos entender seu processo e desenvolvimento, por décadas a fio, e por variados gêneros e formas literárias, fica difícil localizar a grande travessia da obra machadiana, do apenas correto ao genial, durante os dois anos que separam os romances Iaiá Garcia e Memórias Póstumas de Brás Cubas , e, observe-se, levando em conta apenas a produção literária dessa forma. A crônica entra para colaborar nesse ponto exatamente. Sua própria natureza, híbrida, entre jornalismo, ficção, história miúda, relato, memória etc., deixa maior liberdade para que conjeturemos a respeito do homem por detrás do escritor, e sua máscara narrativa 10.
Quem conhece os textos jornalísticos de Machado, mesmo os do início dos anos 1860, encontra ali o escritor que, como definiu Eleazar 11, tem o domínio da prosa. "Venhamos à boa prosa, que é o meu domínio", diz o cronista ao leitor, ao transitar pelos assuntos da semana, revistos por ele no domingo, dia 16 de junho de 1878. 12 Como se sabe, a natureza de história miúda recontada e comentada, tornava necessário que a crônica revestisse o acontecimento que já fora notícia, e que era novamente recapitulado pelo texto dominical, de um interesse particular e, nesse exercício, encontramos desde cedo, e como alguns já demonstraram 13, páginas da melhor prosa de Machado. 14 Pode-se dizer que esses são alguns dos ingredientes que o "prosador novato" 15 misturou sempre em sua análise da semana, produzindo no leitor atual das crônicas de Machado, que chega a elas, sem dúvida, depois de conhecer o ficcionista, a sensação de que aqueles textos escritos para o jornal, e que Machado não quis reunir em vida, têm o sabor de "novidades velhas". 16
Assim sendo, em Machado, algumas abordagens de determinados assuntos são recorrentes: aparecem no jornalismo e voltam a aparecer em sua ficção madura, assim como algumas formas de construção textual. Inúmeros são os exemplos, mas para efeitos deste trabalho, temos que escolher alguns poucos. Um assunto que se reitera na ficção machadiana vem da crônica de 14 de novembro de 1864, a qual pode ser analisada comparativamente a um trecho de Quincas Borba :
"(...) É sabido que a notícia de uma boa ação nunca passa de meia dúzia de ouvidos, isto por duas razões, a saber: a primeira, é que, como ordinariamente é o próprio autor quem a revela, com as devidas precauções da modéstia, o espírito revolta-se contra essa maneira de levantar uma estátua no coração do público; a segunda é que uma boa ação nunca aparece ornada dos singulares atrativos de que se atavia uma ação escandalosa, nem possui aquele sabor apimentado que dá vontade de provar e dar provar. Deste modo, as boas ações que praticamos não passam da nossa rua, mas as más ações que nos atribuem vão de um extremo a outro da cidade(...) " 17
A leitura do fragmento acima nos remete a outros textos escritos por Machado, nos quais o assunto é retomado, entre eles a controversa crônica de 19 de maio de 1888, da série "Bons Dias!", além do episódio mencionado do Quincas Borba . Anteriormente, o jovem cronista tratara a questão de um ponto de vista ironicamente moralista, "denunciando" que a prática das boas ações é, na sociedade, apagada pela falta de divulgação delas, ou têm seu valor diminuído pela falta de modéstia do praticante. No romance, mais de vinte anos posterior à crônica, a "prática das boas ações" volta ao foco do narrador de uma forma mais elaborada, no episódio da "Rua da Ajuda". Vemos, então, que Machado ainda revisita e desenvolve esse tema, agora dentro do estatuto da ficção. Essa reiteração nos aponta dois caminhos: em primeiro lugar, alguns temas constituíram-se em preocupações efetivas, ou, às vezes, verdadeiras obsessões de Machado; em segundo lugar, a ficção de Machado freqüentemente alimentou-se das cenas da vida carioca redescobertas pelo jornalista, ou das notícias sobre as quais seu olhar analítico se debruçou. Essa atenção miúda do cronista explica, então, parte do poder de observação e fina compreensão das relações sociais e humanas, as quais o ficcionista pôs em cena ao escrever seus melhores contos e romances.
Voltando às boas ações, no capítulo LX de Quincas Borba , Rubião recebera um exemplar de um jornal para ele desconhecido, A Atalaia , e, tendo gostado dele, encaminhou-se à Rua da Ajuda, onde ficava a sede do jornal, a fim de fazer-se assinante. Nessa rua, cujo nome não é, sem dúvida, mera coincidência, 18 Rubião salvou uma criança de um atropelamento fatal. Embora todos os espectadores da "boa ação" de Rubião tenham ficado admirados e gratos, ela não chega a merecer, por parte do narrador, um tratamento efusivo, o que combina com o estado de espírito de Rubião naquele momento. Tudo é descrito através de uma quase simplicidade, quebrada por pequenas coisas como: a "primeira idéia da venalidade das ações", a qual foi inspirada ao menino que recuperou e devolveu o chapéu de Rubião, tema obviamente retomado em "Conto de Escola"; a ajuda que recebeu Rubião para curar o ferimento de sua mão - herança do incidente; o fato de que este teve seu chapéu escovado pela mãe da criança cuja vida salvara; os muitos agradecimentos que recebeu dos pais da criança, etc. Mais tarde, chegando à redação do jornal, Rubião narra, mas sem grande ênfase, o episódio ao Dr. Camacho, seu conviva e proprietário do jornal, esse sim, bastante interessado no caso e em seus detalhes. Camacho revela a Rubião que o jornal já possuía bastantes assinaturas e fá-lo entender que a contribuição esperada era para o "capital" do jornal. Rubião acaba por aceitar a sociedade. Na manhã seguinte, ao abrir novamente A Atalaia , tem um sobressalto: dá com o seu nome impresso, mais o episódio da Rua da Ajuda. Num primeiro momento, sua "modéstia" o induz ao aborrecimento. No entanto, ambos, modéstia e aborrecimento, desfazem-se rapidamente. Os detalhes do episódio que o narrador destacara, como apontamos acima, já prenunciavam, de forma sorrateira, a ironia que comporia: por fim, Rubião estará completamente convencido de sua boa ação, do perigo de vida pelo qual havia passado, da pertinência dos adjetivos etc.
No fundo, alguns dos valores envolvidos nesse episódio são os mesmos daqueles citados pela crônica: a modéstia em face às ações generosas e, na falta dela, a propagação dos feitos praticados pelo caridoso ou benfeitor, ocasião em que, segundo a tradição cristã que a crônica relembra ocultamente, a boa ação perde seu efeito de bem praticado. O episódio, no caso do romance, enche-se de ironia, devido à volubilidade dos valores de Rubião:
"(...) Rubião foi agradecer a notícia de Camacho, não sem alguma censura pelo abuso de confiança, mas uma censura mole, ao canto da boca. Dali foi comprar uns tantos exemplares da folha para os amigos de Barbacena. Nenhuma outra transcreveu a notícia; ele, a conselho do Freitas, fê-la reimprimir no a-pedidos do Jornal do Comércio , interlinhada(...) 19
O trecho acima retira a "máscara da modéstia" de Rubião. A informação de que "nenhum outro jornal transcreveu a notícia", por um lado, retoma a idéia do cronista de 1864, de que as boas ações não têm atrativos para se tornarem notícias. Porém, nesse caso, a forma como a notícia entrou em circulação sobrepõe significados ao episódio. Além de Rubião, Camacho é exposto, e volta-se ao tema da venalidade das ações, uma vez que, é claro, Camacho tinha interesses financeiros que se apoiavam na "generosidade" de Rubião e, por isso, o proprietário do jornal alardeou-a ao publicar o episódio do salvamento da criança. Nas mãos de Camacho, a generosidade praticada quase por instinto ajudará a transpor os limites da simploriedade e ingenuidade de Rubião, o que é, de certa forma, uma conseqüência da falta de firmeza de seus valores, assunto, por sua vez, do trecho da crônica, entre outros tantos textos de Machado. Enquanto o cronista se vale de seu tom retoricamente elevado de comentador da semana - e das ações dos homens-, o romancista abandona a tribuna para colocar em cena essas mesmas ações, enxergando sempre, é claro, o avesso de todas as situações.
Muitos seriam as ocasiões passíveis de comparação entre os dois prosadores de Machado, cronista e ficcionista. Trazemos mais uma. Estudando a crônica com um olhar literário, observamos recursos do jornalismo com os quais Machado teceria também sua ficção. São variados exemplos: as mais diversas "piruetas literárias", o uso da tradição literária ao bel prazer do narrador, ou seja, a incorporação da citação literária como uma chave para a ampliação dos significados que seu texto pretende alcançar, entre outros. 20 Já verificamos anteriormente 21 como a referência à tradição literária amplia o efeito tencionado pelos comentários do cronista. Trazemos de nossos estudos anteriores, no entanto, outro momento de contribuição para a análise do exercício literário de Machado nas crônicas. 22 Podemos observar o desenvolvimento de uma estratégia de falsa retórica para a construção da coerência de seu texto. Querendo unir dois assuntos, o narrador nos diz:
"Nada mais natural do que passar de uma casa de livros a uma casa de óculos. É com os óculos que muita gente lê os livros. Se se acrescentar que muita gente lê os livros sem óculos, mas que precisa deles para ver ao longe, e finalmente uma classe de homens que vê perfeitamente ao longe e ao perto, mas que julga de rigor forrar os olhos com vidros, como forra as mãos com luvas, ter-se-á definido a importância de uma casa de óculos e a razão por que ela pode entrar no folhetim." 23
Entre os vários assuntos do dia, Machado comenta a edição que a casa Garnier preparara para O Demônio Familiar , de Alencar. Próximo assunto, uma casa de óculos. O trecho citado opera a transição. A naturalidade é disfarce retórico, pois nada liga naturalmente uma coisa a outra. E o cronista arranja um leitor de óculos, mas que não necessita realmente deles, a não ser para criar aparências, generalização exagerada que produz humor. Ao fazer emergir a ironia, desvia-se da ligação entre os assuntos, a qual não ficara, afinal, tão clara assim. Em Brás Cubas, retomará estratégia semelhante:
"E vejam agora com que destreza, com que arte, faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou em presença de Virgília, Virgília foi o meu grão pecado da juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci.(...)" 24
O narrador do romance conta a história organizando os trechos dela à sua vontade, atitude comum no narrador-cronista, o qual escolhe as notícias de que comporá seu texto sem regras sistemáticas, pelo prazer, ou desprazer, que lhe causa o assunto, conforme podemos notar ao buscar, nos jornais, as notícias que foram fontes para a exploração de determinados temas da crônica. A lógica do trecho do romance de 1880 é semelhante à da crônica de 1864: nada se liga naturalmente a nada. Assim como a casa de livros não tem relação natural com a casa de óculos, e o leitor que forra os olhos de vidro aparece-nos como bastante ridicularizado, a morte de Brás Cubas não se liga naturalmente ao seu nascimento através dos fatos particulares que ele elege para fazer essa ligação. No romance, o narrador acentua a ironia porque chama atenção, metalingüisticamente, para o recurso que emprega. Vangloriando-se por nada, o efeito só poderia resultar irônico. Nesse caso, nem precisou apelar para os óculos desnecessários. Brás já se mostrara suficientemente ridículo.
Esperamos, assim, que o conhecimento de aspectos do jornalismo machadiano possa trazer à luz a idéia de que, muito modernamente, Machado reinventou à sua moda a forma literária romanesca, acrescentando a ela recursos lingüísticos e estilísticos da prosa do folhetim-variedades, assim como o tom desabusado de um narrador francamente acostumado ao diálogo com um leitor que ele procura superar o tempo todo. O olhar anacrônico, de trás para frente, do leitor-crítico dos romances machadianos, sobre suas crônicas, enxergando nelas pistas que explicam, ou sugerem explicações, para os procedimentos da ficção do autor, ajuda a refazer a longa caminhada que o prosador percorreu até alcançar o tom "original" de sua obra mais canônica. A grande novidade dos romances e contos pelos quais Machado foi mais valorizado aparece, dessa forma, ao lado de outras tantas teorias, como uma transposição de gêneros. Vista assim, a travessia ficcional de sua escrita tem muito a ganhar, uma vez que, de "repentina", passa a ser entendida como um processo, durante o qual a pena daquele que, em 1878, alega ter o domínio da prosa, depois de vivenciar momentos agudos de questionamentos, parece te encontrado os melhores traçados para sua escrita.
CAMPOS, Haroldo de. O seqüestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira. Salvador: FCJA, 1989. 125 p.
É bom lembrar que, no mesmo jornal onde publicou a crônica citada neste escrito, O Cruzeiro , Machado publicara a famosa e polêmica crítica ao romance de Eça de Queirós, a 16 de abril de 1878. Sendo replicado, publicou uma continuação dessa crítica, e resposta, em 30 de abril de 1878.
MACHADO DE ASSIS. "Notas semanais". In: O Cruzeiro , 7 de julho de 1878. Grifo nosso.
MACHADO DE ASSIS. "Eça de Queirós: O Primo Basílio". In: Obra completa . 7ª edição, ed. Afrânio Coutinho, 3 vols. Rio de Janeiro, Aguilar, 1986. Vol III, 1214 p.
Em nossos trabalhos, já tratamos anteriormente do sentido dessas transformações. Algumas considerações feitas nesse texto, devidamente revistas, são extraídas de nossa dissertação de mestrado, a qual permaneceu inédita. GRANJA, Lúcia. Machado de Assis - Primeiras Crônicas: O Surgimento do Grande Ironista , 1992. 175 p. Dissertação ( Mestrado em Letras), Departamento de Teoria Literária, IEL - Instituto de Estudos da Linguagem, UNICAMP. Campinas.
CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, historiador . São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 344 p.
Não há espaço para desenvolver este assunto neste escrito, mas estamos estudando os sinais da crise machadiana nas crônicas de 1878, dentro de nosso projeto atual de pesquisa, a edição dessas crônicas, escritas para O Cruzeiro , anotadas e precedidas de um estudo crítico. O livro deverá vir a público a médio prazo, portanto.
John GLEDSON, desde os seus primeiros trabalhos, tem acompanhado Machado jornalista, por detrás do escritor, e o alcance de suas idéias sobre política brasileira. Davi ARRIGUCCI, num artigo sobre a crônica, concorda com o ponto de vista de Gledson, no que tange à mistura do homem e do escritor dentro da máscara dos cronistas, em geral. Conferir GLEDSON, John. Machado de Assis: impostura e realismo São Paulo: Companhia das Letras, 1991. 196 pp, entre outros trabalhos. Conferir também ARRIGUCCI Jr, Davi. "Fragmentos sobre a crônica". In: Enigma e Comentário . Ensaios sobre Literatura e Experiência. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, pp 51-66.
Eleazar é o pseudônimo de Machado no jornal O Cruzeiro , 1878.
MACHADO DE ASSIS. "Notas semanais". In: O Cruzeiro , 16 de junho de 1878.
Faço referência a dois exemplos: BRAYNER, Sônia. "Metamorfoses Machadianas" . In: BOSI, Alfredo et al. Machado de Assis . São Paulo, Ática, 1982. (Coleção escritores brasileiros: antologia e estudos), pp 426-437 e SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo - Machado de Assis . São Paulo: Duas Cidades, 1990. 227 p.
Essas afirmações estão mais longamente desenvolvidas em: GRANJA, Lúcia. Machado de Assis, escritor em formação . À roda dos jornais. São Paulo; Campinas: FAPESP; Mercado d e Letras, 2000. 167 pp.
O cronista assim se nomeia ao escrever para a revista O Espelho , em 1859, uma crônica-fisonomia, a do fanqueiro literário: " Não é isto uma sátira em prosa. Esboço literário apanhado nas projeções mais sutis dos caracteres, dou aqui apenas uma reprodução do tipo a que chamo, em meu falar de prosador novato , fanqueiro literário". MACHADO DE ASSIS, O Espelho , "Fisionomias", 11 de setembro de 1859. Grifo nosso.
A expressão é cunhada ao título do livro de: TORNQUIST, Helena. As novidades velhas . O teatro de Machado de Assis e a comédia francesa. A autora, por sua vez, a extraiu de uma crítica de Machado a Augusto César de Lacerda. Segundo a autora, certas expressões, como essa em questão, eram comuns no discurso teatral da época. TORNQUIST, Helena. As novidades velhas . O teatro de Machado de Assis e a comédia francesa. São Leopoldo: Editora da Universidade do Vale do Rio Sinos, 2002. 368pp, p. 78)
MACHADO DE ASSIS. "Ao acaso". In: Diário do Rio de Janeiro , 14 de novembro de 1864.
John GLEDSON já demonstrou várias vezes que Machado recorre ao uso de alegorias, como a dos nomes, a fim de criar sentidos possíveis para seus romances, contos, crônicas. Conferir, a respeito, vários capítulos de Machado de Assis, Ficção e História , entre eles o capítulo "Quincas Borba", pp 73-134. Conferir GLEDSON, John. Machado de Assis: ficção e história . São Paulo: Paz e Terra, 1986. 262 p.
MACHADO DE ASSIS. Quincas Borba . In: Obra Completa , . 7ª edição, ed. Afrânio Coutinho, 3 vols. Rio de Janeiro, Aguilar, 1986. Vol. I, 1214 pp, p. 700.
Esse assunto já foi longa e detalhadamente desenvolvido em nossa tese de doutoramento, parte da qual foi publicada como: Lúcia GRANJA. Machado de Assis, escritor em formação . À roda dos jornais.
Machado de Assis, "Ao Acaso", Diário do Rio de Janeiro , 20 de junho de 1864
MACHADO DE ASSIS. Memórias Póstumas de Brás Cubas . In: Obra Completa . 7ª edição, ed. Afrânio Coutinho, 3 vols. Rio de Janeiro, Aguilar, 1986. Vol. I, 1214 pp, p. 525.