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Radicci: travessia artístico-cultural representativa da RCI
Salete Rosa Pezzi dos Santos (UFRGS)
A migração ocorrida no final do século XIX e início do século XX 1, quando mudanças estruturais vinculadas à expansão do capitalismo e a novas formas de produção ocorriam no mundo ocidental, trouxe para a América milhares de europeus. A imigração italiana, iniciada em 1875, no Rio Grande do Sul, inseriu-se nesse contexto e atendeu aos interesses tanto do governo brasileiro quanto do italiano. Por ocasião das comemorações alusivas ao centenário da imigração italiana na Região de Colonização Italiana (RCI) do nordeste do Rio Grande do Sul, intensificaram-se as investigações referentes a essa questão, resultando em alguns estudos de grande relevância para o entendimento das manifestações sociais e culturais ocorridas naquele período, e seus efeitos sobre o modo de ser dessas populações. Esses movimentos de retorno às raízes têm contribuído não só para resgatar “costumes e uma história esquecida ou mesmo ocultada”, como também para promover a auto-estima e o respeito a essa cultura. Esse esforço é de suma importância para os descendentes de imigrantes italianos da RCI, pois reconhecer-se como tal foi, por muito tempo, aceitar expor-se ao estigma do desprestígio social. Mais do que isso, esse trabalho tem promovido o resgate do respeito geral a essa gente e a todos os acontecimentos que a envolveram, alterando, significativamente, o panorama daquela realidade. Paralelamente a estudos de base científica, manifestações culturais e artísticas têm sido levadas a efeito por outras pessoas interessadas em resgatar e valorizar as origens da colonização ocorrida na RCI. Nessa perspectiva, pode-se conjeturar ser possível a uma produção artístico-cultural, ressalvadas as suas especificidades, carregar a marca da região em que se insere, destacando elementos significativos da cultura desse contexto, como os costumes, as tradições que particularizam uma forma específica de vida como marca de identidade regional. Os quadrinhos do cartunista caxiense Carlos Henrique Iotti mostram com originalidade como um produto artístico-cultural pode traduzir as marcas da cultura de uma região. O autor, aproveitando traços característicos do descendente de imigrantes italianos da RCI, faz uma leitura do contexto em que se insere esse homem, valorizando-o em seu meio.
Não se pretende, neste trabalho, apresentar questões históricas e sociológicas presentes na imigração e colonização italianas da RCI, entretanto é importante lembrar que, em determinado período da história da colonização dessa região, os imigrantes procuraram fazer parte do grupo social que possuía status , deixando de lado suas tradições. E, devido ao fato de não buscarem aprimoramento nos bancos escolares, intensificou-se o preconceito que cercou a figura do colono de descendência italiana, como o não letrado, aquele que sequer sabia falar a língua oficial do país. Acredita-se que este é um passado que precisa ser desvelado, entendido e respeitado, porque representa o substrato dos construtores de um novo mundo. Nesse trajeto, iniciou-se este trabalho com o qual se buscou conhecer um pouco mais da manifestação cultural que vem acontecendo na região de colonização italiana e procurou-se entender qual seu papel no processo de resgate das raízes da colonização italiana na região.
Radicci: uma biografia autorizada.
Personagem do cartunista Carlos Henrique Iotti, Radicci é o anti-herói 2que, por seu carisma e representatividade, tornou-se um símbolo da região colonial italiana. Baixinho e gordo, preguiçoso, grosseiro, flatulento, com hábitos alimentares e higiênicos controversos, apreciador de vinho e afeito a caçadas e pescarias, essa personagem é a personificação caricata do descendente de imigrantes italianos da RCI.
Nascido por volta de 1983, segundo o próprio autor, “nas primeiras tirinhas de vida”, Radicci aparecia como um super-herói, o Capitão Radicci, feito que se realizava toda vez que ele ingeria folhas de “radicci” 3. Entretanto, Iotti logo percebeu que poderia dispensar o artifício de herói para sustentar a personagem, pois o autor contava com toda uma trajetória de tradição, trabalho e conquistas do imigrante italiano. Além disso, dispunha dos desregramentos do dia-a-dia - a preguiça para o trabalho, a pouca inclinação para o banho, a disposição para o vinho, para o "dolce fare niente” - tudo isso somado a uma família muito especial: Genoveva, a esposa exigente, que não deixa o marido esquecer suas obrigações, ironizando-o continuamente; Guilhermino, o filho adolescente, defensor de movimentos ecológicos, surfista e internauta (Guilhermino, com seu comportamento típico do jovem urbano, foi criado com a intenção de servir de contraponto ao mundo que o Radicci representa, permitindo que este e a família vivam situações engraçadas e embaraçosas, em um mundo moderno, povoado de vídeos, internet, surfe, lutas pela preservação ecológica); o nôno, companheiro de todas as farras; e Carmela, a irmã virtuosa. Numa entrevista a Ramos 4, Iotti afirma: "Enfim, uma família como todas as outras famílias italianas. Eu vi que tinha um Hagar em potencial! Um personagem universal, mas com roupagem local". Como o autor mesmo afirma, trata-se de uma família que nascia com uma representatividade, a do colono da RCI. O autor ressalta que a personagem já nasceu pronta, nas páginas do Jornal Pioneiro , de Caxias do Sul, num sábado do ano de 1983, sem qualquer estudo prévio: havia um espaço em branco no jornal, e o desenhista Iotti foi convidado a preenchê-lo com algum cartum. Ao aceitar a incumbência, decidiu recriar “essa figura” que ele via na rua, em qualquer lugar da cidade: a figura do imigrante italiano, do colono. Assim nascia o Radicci, que, desde o início, já aparecia com a família. Segundo Iotti 5, "o Radicci é uma fusão de várias pessoas com quem tem convivido durante a sua vida": o autor tomou o pescoço de uma, a altura de outra, a compleição de robustez de outra, o bigode do bisavô, que só conheceu através de fotografias, a característica de sempre ter razão sobre qualquer assunto do próprio pai, agregou mais alguma coisa, e estava formada uma espécie de síntese do “gringão” da RCI. Quando criou a personagem, pondera o autor 6, sentiu-se dono e senhor dela, porém, aos poucos, o Radicci cresceu tanto, que passou a imperar sobre seu criador. Hoje, o cartunista é convidado a participar dos mais variados eventos culturais, sociais, esportivos, por causa do Radicci, que, definitivamente, monopoliza o interesse das pessoas. Efetivamente, a personagem prende o leitor/ouvinte pelo humor, por ser divertida. Além disso, enfatiza Iotti, o Radicci, com sua roupagem típica, ultrapassa o localismo para alcançar a universilidade, o que, na visão do autor, justificaria o fato de ele ser aceito não só em Caxias do Sul e nas cidades circunvizinhas, como também em outras partes do país.
A trajetória do Radicci nos meios de comunicação mostra a história da difusão e abrangência da personagem dentro e fora do Rio Grande do Sul. A tirinha do Radicci iniciou timidamente, uma vez por semana, aos sábados, no Jornal Pioneiro , de Caxias do Sul. Devido à aceitação do público, logo começou a ser editada diariamente, nesse mesmo veículo de publicação. O passo seguinte foi conquistar o Zero Hora , o Diário Catarinense , o Diário do Povo , de Pato Branco, Paraná e O Estado do Paraná e programas de rádio e televisão. Outro espaço ocupado pela personagem é o Gibizon , a revista em quadrinhos do Radicci. Com mais de vinte volumes editados, o Gibizon começou a ser publicado em 1992, e é a revista em quadrinhos em circulação mais antiga feita no Rio Grande do Sul. Atualmente, sem periodicidade fixa, 7 com uma tiragem de cinco mil exemplares, a revista rapidamente se esgota e só pode ser adquirida em bancas de cidades da região de Caxias do Sul e em algumas de Porto Alegre.
Além disso, o autor lançou outras obras com o Radicci, entre as quais, Demo via 8, Allegro, ma non troppo 9, O livro negro do Radicci 10, em que o Radicci vive as maiores peripécias com a Genoveva, o Guilhermino e o Nôno.
É interessante observar que é o próprio autor quem interpreta a personagem Radicci, e Iotti explica como isso aconteceu 11. Ao testar pessoas para encenarem a personagem, o autor tanto representou, mostrando como deveria ser a performance do Radicci, que um dos candidatos acabou sugerindo que o próprio Iotti “vivenciasse” a personagem. Radicci-Iotti fundem-se não só para falar, como também para escrever e, para fazê-lo, o cartunista tem que sair de cena como Carlos Henrique Iotti, porque só ao Radicci é permitido usar expressões menos polidas, algumas outras chulas, cometer algumas barbáries com a língua portuguesa, e, segundo o autor, é graças a essa liberdade criativa que ele se permite maior abertura para ousar.
Iotti registra que, ao criar a personagem Radicci, teve a intenção de atingir o público da RCI, os descendentes de imigrantes italianos em especial, utilizando o dialeto vêneto ou mesmo o italiano standard , mas logo percebeu que, assim, a leitura de suas tirinhas ficaria restrita a uma parcela diminuta da população. 12 Dessa forma, resolveu dispensar maior atenção à língua portuguesa, e deu ao Radicci uma fala portuguesa italianada, com sotaque carregado, que ele chama de sotacon 13, de forma que tanto os monolíngües quanto os bilíngües de Caxias do Sul e arredores pudessem entendê-lo, como também pessoas de outras localidades como Porto Alegre, Florianópolis e demais regiões do país. Embora o Radicci use, em muitos momentos de sua fala, expressões típicas do dialeto vêneto, como ciuco , bauco , panòcia , 14 por estarem essas palavras colocadas em um contexto, não há prejuízo para o entendimento do que ele diz, ampliando a sua receptividade. Iotti compara a sua personagem aos cowboys americanos, quando diz que o Radicci é o cowboy do nordeste gaúcho, e os cowboys dos Estados Unidos são os Radicci do oeste americano. Ao fazer essa comparação, o autor acredita que suas “tirinhas” ultrapassam o regional para atingir o universal que está em todo ser humano.
Caberia, então, questionar que repercussão social trabalhos como o desenvolvido por Iotti alcançam junto ao público? Esse tipo de produção colabora para apagar o estigma que cerca os costumes, as tradições, a fala típicos da região de colonização italiana ou, contrariamente, tende a reforçá-lo?
Farley 15 afirma que nacionalidade, língua e religião são as características sociais e culturais mais comuns responsáveis pelo reconhecimento de um grupo étnico. É comum ouvir-se entre os ítalo-brasileiros da região a expressão “Son talian, grazie a Dio” , e, quando assim se manifestam, as pessoas não estão transmitindo um ufanismo por sentirem-se cidadãos italianos, assentados no Brasil, mas por reconhecerem-se pessoas descendentes de imigrantes italianos, estabelecidos numa região específica do Rio Grande do Sul, Brasil, a qual ajudaram a construir e da qual se sentem parte integrante.
Estudo realizado 16 sobre o assunto possibilitou constatar, entre outras coisas, que o dialeto que falavam os imigrantes, no início da colonização, bem como a religião que professavam, foram para eles bens inestimáveis, marcas de identidade e elementos primordiais de suas tradições, vitais para superação das dificuldades encontradas inicialmente. Expressões como “Qua comando mi!” e “Casa mia comando mi!” perpassam a fala do Radicci e também de pessoas da RCI, que as usam sem o constrangimento que isso acarretaria em outras épocas. Essa atitude nos leva a ponderar que o Radicci ajuda a demarcar um território próprio de um determinado grupo ítalo-brasileiro, até porque essas expressões parecem traduzir bem o sentimento de pertencimento do homem rural da região.
É possível constatar, também, que Iotti adquire a importância de um adido cultural para os descendentes de imigrantes italianos da região de Caxias do Sul, dando-lhes “voz e visibilidade”, por meio de sua personagem Radicci. Essa é uma observação feita não só por descendentes de imigrantes italianos, mas também por pessoas não-descendentes, que enfatizam a importância do Radicci como representante dessa região, ressaltando que essa personagem não deixa morrer os costumes típicos da RCI.
A virtude de Iotti é aproveitar a realidade, fazer uma leitura do contexto em que se insere o descendente de imigrantes italianos, dando “visibilidade e voz” àquilo que estava oculto e calado. O autor aproveita, com astúcia, não só os traços lingüísticos da região, como também aspectos típicos de comportamento, exagerando esses traços na performance da personagem para criar impacto, como forma de tornar visível um certo acento da região. Registra a fala e o comportamento dos mais jovens, no Guilhermino, e da geração adulta, nos outros membros da família do Radicci. Com isso, Iotti repotencia a identidade do colono ítalo-brasileiro. Não é possível imaginar o Radicci falando e comportando-se de forma diversa; essa personagem, sem o sotacon e seus traços peculiares de comportamento , não alcançaria a representatividade que conquistou. Essa constatação fortalece a idéia de que essa representação caricata do colono italiano é importante para a constituição da identidade ítalo-brasileira, que fica revitalizada através do Radicci, principalmente, no meio rural. Pessoas da região atestam gostar do Radicci, reconhecem a importância da personagem para a valorização da cultura italiana da RCI, especialmente porque ele consegue mesclar o urbano com o interior, retratando um elemento humano característico de nossa região, embora algumas não admitam que o Radicci possa, por exemplo, em determinados momentos, fazer uso de palavrões e da blasfêmia, pois isso, segundo elas, não retrataria o colono ítalo-brasileiro da região. Tonet 17, sobre a questão da identidade, ressalta:
Parece ser difícil o entendimento e a aceitação de nós mesmos. A identidade cultural é um caminho de autoconhecimento e busca de maturidade, com profundos reflexos na consciência política e social.
Quando se sabe quem é, consegue-se avaliar com clareza os erros e os acertos, percebendo valores e potencialidades. Enfim, aprende-se a ter auto-estima, longe de atitudes de xenofobia e de preconceitos.
Na verdade, o autor não inventa, ele utiliza o material da região e retrata a realidade, denuncia ndo a marca ítalo-brasileira, repotenciando, assim, a identidade do colono ítalo-brasileiro, imprimindo-lhe um caráter de universalidade, o que lhe garante a aceitação não só no âmbito de Caxias do Sul e arredores, como também em outras partes do País.
Mas, em que medida o Radicci, nas suas mais variadas formas em que aparece, contribui para aprofundar, manter, estigmatizar ou mesmo afirmar esses traços característicos dos descendentes de italianos da RCI? Qual sua influência sobre a construção da identidade do ítalo-brasileiro da região?
Segundo a própria observação do autor, constata-se que é comum ouvirem-se variedades de fala nas ruas das cidades de colonização italiana que lembram a fala do Radicci e das demais personagens; nesse sentido, o Radicci estaria apenas refletindo uma forma de expressão que ainda se difunde na RCI, como marca de identidade regional. Na verdade, é comum encontrar-se, na região, um bilingüismo passivo 18, ou seja, pessoas das primeiras gerações, que ainda mantêm a fala dialetal italiana, são compreendidas por pessoas de gerações posteriores, que apenas entendem o que é falado, sem falarem esse dialeto. “As novas gerações não só não falam a fala dialetal italiana, como também desconhecem os usos e costumes típicos dos colonos descendestes de italianos: a vida na colônia, a luta pela sobrevivência em terra inóspita, a devoção religiosa” 19, e tantas outras coisas que constituem a cultura desse povo. Bhabha 20 afirma que “uma vez que a liminaridade do espaço-nação é estabelecida e que sua ‘diferença' é transformada de fronteira ‘exterior' para sua finitude ‘interior', a ameaça cultural não é mais um problema do ‘outro' povo. Torna-se uma questão de alteridade do povo-como-um”.
Durante tanto tempo sufocadas, finalmente a cultura e a forma de expressão da gente descendente de imigrantes italianos no sul do país podem ser manifestadas sem o medo do ridículo. O trabalho de Iotti pode ser colocado ao lado de outras manifestações culturais como o teatro e canções em dialeto italiano, atualmente produzidos e difundidos na RCI. Essas produções artístico-culturais ajudam a difundir a figura do colono como um elemento importante da cultura da RCI, sem o caráter pejorativo de que foi vítima por muito tempo na trajetória da colonização dessa região. Ainda que, em determinado período da história de nosso país, os imigrantes tenham sofrido segregação social, hoje, graças a trabalhos como os de Iotti, a tendência é reconhecer-se o valor das culturas minoritárias que compõem esse grande painel de que é feita a nação brasileira.
Quando Meneghello 21 afirma que, ao morrer uma língua, não morrem somente as possibilidades de expressão das coisas, mas são as próprias coisas que deixam de existir, ele remete à liminaridade de que fala Bhabha. Na verdade, reconhecer e valorizar as minorias, hoje, tornou-se pauta das preocupações de estudos culturais. Assim, quando Iotti dá voz ao Radicci, permite que o passado se renove, que a história da região de colonização italiana se torne presente. A identidade, que não se traduz somente pela fala, encontra referência na própria região. Quando falamos em “colônia italiana”, estamos demarcando um terreno de identidade própria, ou seja, uma região com os traços culturais que identificam a presença dos descendentes dos imigrantes italianos. Entretanto, isso não quer dizer que, na produção artística à qual Iotti se propõe, haja um isolamento, que ela nasça e se encerre dentro dos limites dessa região. Ao contrário, parafraseando Tolstoi, Iotti lembra que “basta cantar a própria aldeia para ser universal”. Na verdade, na história dos imigrantes italianos da RCI, repete-se a história de tantos outros homens e mulheres que ousaram sonhar com um mundo novo. Iotti canta, neste sentido, a universalidade de sua aldeia.
AZEVEDO, Thales de. Italianos e gaúchos : os anos pioneiros da colonização italiano do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: A Nação/ IEL, 1975.
Segundo Iotti, depois das festividades do centenário da imigração italiana na RCI, muitas manifestações de homenagem à colonização atingiram um tom triunfal, heróico, e o Radicci, com seu humor irreverente, surge como um anti-herói, causando, inicialmente, surpresa, para, em seguida, alcançar uma convivência saudável com pessoas de descendência de imigrantes italianos, as quais, enxergando-se no personagem, exercitam sua capacidade de rir de si próprias.
Espécie de planta hortense, de paladar amargo, muito cultivada na RCI, usada como salada durante as refeições. Estaria aqui alguma semelhança com o não menos conhecido personagem francês de Alberto Uderzo e René Goscinny, Asterix, que, juntamente com seu amigo Obelix, adquire força invencível ao tomar a poção mágica feita pelo druida Panoramix?
RAMOS, Paula. Radicci: feio, sujo e adorado. Aplauso – cultura em revista , Porto Alegre, Plural Comunicações, ano 2, n. 17, p. 24-27, 2000.
Entrevista de Iotti à autora deste artigo, 25 abr. 2000.
Em entrevista concedida ao Stúdio 36, TV COM, RS, 6 jun. 2000.
No início, era editado a cada dois meses, depois trimestralmente, hoje é publicado sem período fixo.
IOTTI, Carlos Henrique. Demo via : a história da imigração italiana em quadrinhos ou “aí vem o Radicci”. Caxias do Sul: Raffaello, 1988.
IOTTI, Carlos Henrique. Allegro, ma non troppo. Caxias do Sul: EDUCS, 1992.
IOTTI, Carlos Henrique. O livro negro do Radicci. Porto Alegre: L&PM, 2002.
Em entrevista concedida ao Stúdio 36, TV COM, RS, 6 jun. 2000.
Iotti enfatiza que mesmo entre os descendentes de imigrantes italianos há um grande percentual de pessoas que não falam nem entendem o dialeto vêneto, tampouco o italiano standard.
O autor diz que, na verdade, o que ele faz com a fala do Radicci é "uma brincadeira lingüística". Mesmo pensando em português, quando dá voz ao Radicci, ele transforma a fala da personagem naquilo que ele chama de o sotacon , que é uma forma italianada de falar e escrever o português. Esclarece que a linguagem do Radicci não é uma mistura de dialetos italianos, também não é uma mistura do dialeto vêneto com a fala portuguesa urbana; é o português com sotaque italiano, perpassado de algumas expressões do dialeto italiano muito popularizadas, facilmente inteligíveis, para que a linguagem do quadrinho, que deve ser muito clara e concisa, não tenha seu entendimento prejudicado.
1988, apud LOWE, Robert J. Fonologia. Avaliação e intervenção : aplicações na patologia da fala. Trad. Marcos Domingues. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
SANTOS, Salete Rosa Pezzi dos Santos. O Radicci no contexto italiano-português da região de Caxias do Sul : identidade, atitudes lingüísticas, manutenção do bilingüismo. Porto Alegre: 2001. 208 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
TONET, Tânia Maria Zardo. Os ítalo-gaúchos: mais que denominação, consciência de cidadania. In: MAESTRI, Mário (Org.). Nós, os ítalo-gaúchos . Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1996. p. 63.
BEARDSMORE, H. B. Bilingualism: basic principles . Clevedon Avon: Multilingual Matters, 1986.
SANTOS, Salete Rosa Pezzi dos. O uso da fala dialetal italiana por falantes urbanos como marca de identidade cultural. Cadernos do IL , n.20, Porto Alegre, Instituto de Letras, UFRGS, 1998, p. 29-50.
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1998. p. 213.
MENEGHELLO, Luigi. Pomo pero. Milano: Arnoldo Mondadori, 1987.