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Revelando o mito: as relações conceituais dos símbolos na formação da obra literária em Corpo vivo, de Adonias Filho, e O ano de 1993, de José Saramago
Raymundo Pereira da Silva Filho (UnB)
A leitura de literatura deve ser exercitada, em primeiro lugar, considerando o propósito do leitor. Aliás, qualquer leitura tem um motivo pelo qual o leitor a busca, seja por entretenimento, aprimoramento intelectual, curiosidade etc.
O que se pretende nesse trabalho é fornecer uma proposta de leitura das obras Corpo vivo , de Adonias Filho e O ano de 1993 , de José Saramago, a partir da perspectiva da presença do sobrenatural, representado pelos elementos de composição mítico-simbólicos, que surgem da ambientação do trágico, produto da modernização, que gera suas ruínas e conseqüentes fantasmas.
No terreno do sobrenatural serão explorados os conceitos de fantástico, estranho e maravilhoso, enquanto gêneros em um sistema. Será observada a naturalização do grotesco na coisificação e na animalização das pessoas, deixando rastro de suas ações.
Em Adonias a narrativa possui uma tragicidade permeada pelo estranho, ao passo que o texto de Saramago trabalha mais elementos do fantástico.
As representações simbólicas das obras analisadas se correlacionaram com elementos universais explorados pelos autores e, já que universais, serão explorados em relação à realidade histórica de modo contrastivo com a literatura.
Para se compreender a vida e a representação simbólica em seus variados aspectos, é preciso saber que a ação civilizatória da humanidade possibilitou manifestações de diversas formas. A Cultura, inerente à espécie, necessitou ser registrada, multiplicada, divulgada, no intuito de se conservar uma memória do povo, sem, contudo, preservar-se inerte à ação das pessoas, ou seja, modifica-se de tempos em tempos. Entenda-se Cultura, nesse caso, no seu sentido lato, englobando, entre outros componentes, a Ciência, a História e as Artes, em especial para a presente análise, a Literatura. Atente-se para a História, no sentido de que ela vai servir de paralelo para o objeto desse estudo.
Para alguns autores, como BUCK-MORSS 1 há uma incompatibilidade entre História e mito, uma vez que o mito corresponde ao destino, cuja interferência humana é inconcebível. Não há como mudar a realidade ou sua predeterminação. De modo inverso, a História permite ao ser humano construir progressivamente o seu futuro, e a contar seu passado com base em evidência concretas (fósseis).
Benjamin apud BUCK-MORSS, (2002:255-6) afirma que o "Fetiche é a palavra-chave para a mercadoria como fantasmagoria mítica, a forma detida da história. Corresponde à forma coisificada da nova natureza, condenada ao Inferno do moderno do novo como o sempre-o-mesmo."
A representação simbólica de Corpo vivo e de O ano de 1993 deve ser analisada quanto á sua verossimilhança. Esse conceito tem sido objeto de estudo literário, desde o nível do ensino médio até o acadêmico. Em muitos estudos, tem-se se tratado a verossimilhança de maneira inadequada ou sem se dar a devida importância a ela. Isso ocorre porque, uma vez polissêmica, pode entendida de modo mais ou menos simplório.
Numa primeira análise, é a verossimilhança um realizável histórico e socialmente, ou seja, seria a literatura uma espécie de espelho da realidade histórica. Porém, pode-se ter como verossímil o texto literário relacionado a um gênero específico ou, ainda, como o que a maioria das pessoas concebe como real. "São estes os dois níveis essenciais do verossímil: o verossímil como lei discursiva, absoluta e inevitável; e o verossímil como máscara, como sistema de procedimentos retóricos, que tende a apresentar essas leis como submissões." (TODOROVb, 2003:115-6). 2
Se o objeto da análise fosse um romance policial, a verossimilhança estaria estritamente ligada àquele gênero específico. Nessas narrativas não é comum haver uma ordem de acontecimentos de modo linear, haja vista que o desvendamento o evento que deu origem ao texto vai se delineando na medida em que as investigações do caso vão se desdobrando. Procede-se á análise e ao entrelaçamento de ações e pistas para se chegar a outras, até se alcançar à finalidade do texto. Então, o início, o meio e o fim como princípio compositivo rígido desse gênero não é o que predomina.
O que distingue uma boa obra literária das demais, como é caso de Corpo vivo e O ano de 1993 , é a predominância verossímil dentro do gênero específico, mais especificamente, o fantástico. Logicamente, um gênero não é possível existir de modo solto, sem relação com outros gêneros. Diversos estudos contemporâneos tratam desses sistemas de gênero e, como se verifica em (BAKHTIN, 2000:281) 3, quando trata dos gêneros do discurso, afirmando ser de duas ordens distintas: o gênero de discurso primário (simples) e o gênero de discurso secundário (complexo). De gêneros secundários há enumerados na Antigüidade Clássica, como a epopéia, a tragédia e a comédia, até os da modernidade do tipo romance, novela e conto, nas artes, assim como o discurso científico, o discurso ideológico etc., que podem figurar fora das artes. Dentro dos discursos secundários os discursos primários como os típicos da atividade de fala, ou num nível mais simplificado de escrita, seja pela extensão ou pela escolha das palavras do uso cotidiano, ao fazer parte do corpo textual maior (discurso secundário), transformam-se e as suas características iniciais já não fazem parte do que era inicialmente. O discurso primário, nesse caso, pertence agora à realidade do discurso secundário que não pode se dissociar dele. Bakhtin exemplifica com a réplica do diálogo do dia-a-dia ou a carta dentro do romance, preservando sua forma e significação somente relacionadas ao gênero secundário, ou seja, o gênero primário perde o conteúdo relativo à vida cotidiana e assume o do gênero secundário, o romance.
Corpo vivo é uma narrativa em que predomina a terceira pessoa, apresentando pouco de caracterização da fala do diálogo cotidiano das personagens, embora haja a ocorrência como em "- Vosmecê conhece a irmã de Leonel? (...) - Vosmecê conhece?" (AGUIAR FILHO, 1974:57) 4 e "- Buraco da peste! Exclama." (op. cit., p.114)
Para se chegar à finalidade desse estudo, é necessário relacionar, contrastar, enfim, comparar os elementos de composição das obras Corpo vivo , de Adonias Filho, e O ano de 1993 , de José Saramago, no que diz respeito ao sobrenatural. Sobrenatural, mais que um conceito, pode ser entendido como um campo conceitual, relacionado a vários outros conceitos que o compõem, dos quais serão explorados o fantástico, o estranho, o maravilhoso e o grotesco, pela representação simbólica.
O sobrenatural permeia a vida do homem, baseado na concepção mítica do que cada sujeito constrói de análise de sua existência, do outro e da natureza, em consonância e em imbricação ideológica. O ser humano é um complexo de crenças e aprendizagens construídas no âmbito de suas relações com as outras pessoas, suas produções intelectuais e morais. Esse processo é demonstrado na representação simbólica, que é o meio pelo qual se externa o pensamento, ou seja, pela linguagem em movimento dialógico entre alguém que expõe alguma coisa e outro que acessa a essa linguagem e a ela responde, mesmo que sem se manifestar para o outro a sua percepção.
Dessa forma, a percepção do sobrenatural em Adonias e Saramago será alcançada de maneiras diferentes, por pessoas diversas, uma vez que a apreensão do conhecimento pelas pessoas vai se construindo com base nas experiências e nas situações que exigem respostas ou discussões para a complementação do sentido acerca do objeto que se pretende analisar. Esse campo conceitual do sobrenatural é uma cadeia de conceitos que abrangem o que está fora do natural. As pessoas, no entanto, têm dificuldades para interpretar o que venha a ser o natural, devido a um processo de naturalização diária de aberrações na história real da humanidade. Tal fato faz com que pessoas aceitem e não sintam um mal-estar ao contactar o ambiente fantasmagórico de Corpo vivo , como em: "A luz, que vinha do fogo do fachos, batia em uma cara de pedra." (AGUIAR FILHO, 1974:08) 5 e "... Aspiram o ar, como cachorros, farejando fumaça mas o cheiro da terra molhada enche as narinas. Rastejam tão leves como as cobras, cada vez mais perto, vencendo o terreno sem dificuldades. Na orla do capinzal, com o olhar que abarca o campo embarcado, Dico Gaspar espreita: nada enxerga a não ser as árvores paradas na terra sem vento. Murmura entre os dentes para que João Caio escute: - Aqui não há ninguém. - É mesmo, diz o tropeiro, só os bicho são viventes." (AGUIAR FILHO, 1974:59) 6 ou, em O ano de 1993 , quando se vê que: "No ano de 2093 ainda se contará que cem anos antes foi vista uma árvore sair da floresta andando sobre as raízes e fazer dos ramos laços e lanças e dardos das folhas agudas" (SARAMAGO, 1987:cap. 20) 7.
Percebe-se, pois, que na ficção é concebível a metamorfose mítica em Corpo vivo , que coisifica e animaliza o ser humano, e em O ano de 1993 , que torna humanas as árvores. Os elementos do sobrenatural, enquanto campo conceitual, representam os fantasmas humanos em pleno movimento e entrelaçamento, que somente se mostram quando saltam aos olhos do leitor por meio hiperbólico e, por isso, inconcebível a uma realidade histórica, a não ser como distorção. Entender o sobrenatural como um campo conceitual, nos moldes da Teoria dos Campos Conceituais, desenvolvida por Gérard Vergnaud 8, é analisá-lo como um emaranhado de conceitos, em que o fantástico, o estranho, o maravilhoso e o grotesco, entre outros, estão relacionados hierarquicamente. Um campo conceitual e o "... conjunto informal e heterogêneo de problemas, situações, conceitos, relações, estruturas, conteúdos e operações de pensamento, conectados uns aos outros..." (MOREIRA, 2002) 9. Isso implica dizer que um conjunto de situações vão dar sentido aos conceitos dentro de um campo, que contém invariantes formadas de objetos, propriedades e relações, que tornam tais conceitos operacionais e vão se expandindo rumo a outros conceitos e invariantes, estreitamente ligados entre si. Essa operação torna o objeto da conceitualização reconhecida e usada pela pessoa para clarificar e entender as situações que exigem respostas. As representações simbólicas no nível verbal e não verbal são fundamentais à clarificação do sentido textual (diagramas, sentenças formais, etc.) que podem ser usadas para indicar e representar esses invariantes e, conseqüentemente, representar as situações e os procedimentos para lidar com elas.
A caracterização que melhor se afigura para Corpo vivo , dentro de um gênero específico do sobrenatural é o como sendo pertencente ao estranho, ao passo que para O ano de 1993 é o fantástico. Isso fica mais claro ao se identificar os conceitos de fantástico, estranho e maravilhoso.
O fantástico corresponde à hesitação entre o que é natural e o sobrenatural. A narrativa fantástica prima por vacilar entre o gênero estranho e o maravilhoso. A instabilidade é a marca da presença fantástica. Quando opta pelo estranho, significa dizer que o texto se encaminha por tornar a realidade sobrenatural explicável pela experiência histórica ou pela tradição. Deixa então o texto âmbito do fantasmagórico. De modo contrário, ao se encaminhar para o maravilhoso, também abandonando o fantástico, a narrativa sobrenatural ganha uma aceitabilidade. Poderia-se dizer que o entranho está relacionado a um passado, e por é explicável à realidade acontecida, o maravilhoso a um futuro, portanto acredita-se que acontecerá, e o fantástico a um presente de indecisão entre o que ainda não foi realizado e que não sabe ao certo se ocorrerá (TODOROVa, 2003:48-50) 10.
Corpo vivo revela um embrutecimento humano do protagonista, Cajango, que presenciou a morte a tiros de seus familiares, numa cena trágica de sua infância. Criado pelo índio Inuri, passou por ritos de aprendizagem e dominou a natureza, fundindo-se a ela. Essa fusão não ocorre no campo do sobrenatural, mas na metamorfose do homem com atitude de fera, numa demonstração do estranho explicável pela construção do personagem e sua caracterização, como em AGUIAR FILHO (1974:45;47;131) 11:
"Atravessar a selva, abrindo caminho com os próprios pés, apenas Cajango e Inuri. O Camacã é deles e tão deles que, na única investida para apanhá-los aí, de cinqüenta jagunços que ousaram dois não saíram para contar." (...)
"Os urubus não entram no Camacã."(...) "Esse é realmente o bucho do inferno." (...)
"- Mostrarei a cabeça salgada por onde passar. Eu a balançarei no ar, pelos cabelos, a cara da fera."
Já o texto de O ano de 1993 (SARAMAGO, cap. 7) 12 ilustra o sobrenatural explícito, rumando para o campo do maravilhoso no aspecto da aceitabilidade do gênero, como no trecho:
"O feiticeiro apenas intervém quando ao comandante das tropas de ocupação apraz usar o chicote
Nessas ocasiões saem ambos para os arredores da cidade e postos num ponto alto convoca o mágico os poderes ocultos e por ele reduz a cidade ao tamanho de um corpo humano
Então o comandante das tropas de ocupação faz estalar três vezes a ponta para habituar o braço e logo a seguir chicoteia a cidade até cansar"
Em ambos os textos, há como marca constante da narrativa a desfiguração do ser, ilustrado de modo grotesco. Em C orpo vivo a performance de Cajango o torna um ser bruto. Em O ano de 1993 , animais caçam homens e os invasores se alimentam de sua carne, sob a vigilância do ordenador (invasor). De alimentado o homem passa a alimento. Trata-se, porém, de um grotesco representado e crítico, quanto ao seu aspecto monstruoso. É o grotesco se aflorando como natural. O grotesco opera a naturalização do repugnável. A sensação físico-visual é afetada pelas imagens e símbolos da perversão, que contraria as leis da natureza e da moralidade, porém, existem e transformam e transtornam o ser. 13
Esteticamente, o efeito do grotesco pode ser observado no fantástico, no estranho e maravilhoso, como elemento ilustrativo ao extremo. Por meio da linguagem, verbal ou não-verbal, o grotesco é sempre uma fonte imagética notável. Provoca imediata reação em quem o analisa.
O estudo de literatura de detida leva ao entendimento de que o papel da obra literária na formação do cidadão é oferecer elementos estéticos como modelos éticos. O texto artístico é um ato de comunicação expressa que deve considerar que a literatura toma emprestados atos e fatos das ciências exatas e sociais e os transforma em ciência literária, utilizando-se da linguagem dialógica, pois o texto dialoga com o leitor e vice-versa. Nesse sentido, a enunciação e a palavra no seu interior vela e se dá a desvendar pelo leitor. Por isso, é necessário que ele compreenda a linguagem e perceba a palavra como construção social de uma ideologia imanente a ela, mesmo na esfera da produção individual humana. Os objetos internos da obra devem ser pormenorizados e relacionados aos horizontes de leitura de quem lê, alargando sua percepção de valores e do mundo.
Uma proposta de leitura de literatura bastante interessante é feita pela ênfase que o texto literário operacionaliza. Deve ser lido com o foco nas propriedades do discurso literário. O procedimento textual literário é o que demonstra ser o texto dessa natureza, isto é, os conceitos em inter-relação informam o processo de produção literária. A leitura tem de ter como escopo a poética. Os conceitos em si têm uma certa importância, mas somente no que diz respeito ao texto artístico em análise, considerando como estão funcionando. O elemento poético é mais um instrumento do que uma finalidade. A interpretação do texto deve ser um procedimento de criação de outro texto em face do primeiro. A superfície deve ser retirada na busca do não-dito, chegando-se a um segundo texto mais autêntico, mas sempre relacionando um ao outro, para que não se chegue ao que está totalmente fora do texto, retirando dele informação que não existe. Isso não significa que ao texto literário cabe uma única leitura. Cada foco de leitura e a eleição do aspecto ou do elemento de análise dentro da obra possibilita o tipo especifico de leitura a ser realizada (TODOROVb, 2003:317-23) 14.
A produção de um texto, literário ou não, é um reflexo de outras vozes que a implicaram e a constituíram. Um indivíduo não é proprietário de uma linguagem, mas a compõe. A realização individual dá-se sob a orientação corpo social. A leitura de literatura, ainda que de modo descompromissado, envolve o leitor em um diálogo com a obra, que passa a ser um co-compositor, na medida em que passa a se relacionar com a mesma, sugestiona valores, identifica-se com o herói, numa relação que Bakhtin afirma ser a função dupla de identificação e condição de acabamento da obra pelo outro. 15
Da mesma maneira, a perspectiva da intencionalidade do autor em sua obra perdeu importância com o advento da linha de pesquisa da nova crítica ( new cristicism) , que direcionou o foco da leitura literária para o texto em si. A tese da morte do autor tem substancial espaço, haja vista ser ele um personagem burguês, criado socialmente 16 e o texto literário não tem mais um proprietário, mas proprietários. As histórias do autor e da literatura não são o fundamental da obra. A decifração do texto sua relação com o leitor devem ser o objeto da leitura.
A leitura de literatura, especificamente as deve considerar que "... a relação palavra-significado pode mudar rapidamente, e assim muitos significados potenciais são instáveis, e isso pode envolver disputa entre atribuições conflitantes de significados e significados potenciais das palavras". As relações de hierarquia, complementariedade, bem como as ambivalências e ambigüidades devem ser consideradas no estudo da significação das palavras no texto e em relação a contextos situacionais (FAIRCLOUGH, 230-1) 17. Em Corpo vivo e O ano de 1993 há uma riqueza vocabular e mítica que podem remeter à História. Contudo, a História ser como referencial à literatura, não se confundido com ela, mas somente como um paralelo. Alguns elementos estão presentes em ambos.
No percurso da História da humanidade, alguns fantasmas foram criados e são indissociáveis e irreversíveis à vida socialmente organizada. O que se tem de compreender é que coisas do tipo supervitualização na pós-modernidade, como é caso da dívida externa como conceito, namoro pela internet, o produto interno bruto, entre outras coisas são coisas que materialmente não existem, mas que tem uma existência prática e uma interferência enorme na vida das pessoas. Os elementos fantásticos da vida real tomados pela ficção ganham imagem e representação.
Essas reflexões acerca de leitura de literatura em relação à História pode ser representada pelo gráfico desenvolvido por, foi bem ilustrada por (BUCK-MORSS, 2002:255) 18 da seguinte maneira:

O que se pode observar é que há um trânsito entre literatura e História, mas uma não é a outra, apenas se referenciam e que o sobrenatural é um natural do homem, baseado na concepção mítica do que cada sujeito constrói de análise da existência humana e da natureza, em consonância e em imbricação ideológica.
Utilizando como parâmetro para a leitura de Corpo vivo e O ano de 1993 essas ferramentas conceituais e relações ora estudadas, o leitor se capacita para entender a superfície textual, ou seja, retira as máscaras do texto, utilizando o próprio texto.
A leitura será mais rica na medida em que o leitor, dialeticamente, revela a superposição textual. O palimpsesto deixa cicatrizes, assim como a história deixa seus fósseis para que se resgate ao máximo, mas não o todo do texto, pois além do dito, existe o olhar de cada leitor que desvenda o oculto, utilizando para isto a sua experiência e capacidade de buscar novos sentidos para a sua leitura.
O grande cuidado que se deve tomar é o de não transferir para a História elementos do sobrenatural da literatura, como é o caso do grotesco, sob pena de, por exemplo, naturalizar-se, banalizar-se a violência, o aumento das diferenças sociais, a pobreza etc. A tarefa da literatura é proporcionar ao seu leitor a ampliação de sua visão de mundo.
BUCK-MORSS, Susan (2002). Dialética do loar : Walter Benjamín e o projeto das passagens.
TODOROV, Tzvetan (2003). Poética da prosa . São Paulo: Martins Fontes.
BAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch (2000). A estética da criação verbal . São Paulo: Martins Fontes.
AGUIAR FILHO, Adonias (1974). Corpo vivo . 4.ed. São Paulo: Civilização Brasileira.
SARAMAGO, José (1987). O ano de 1993 . 2.ed. Lisboa, Editorial Caminho.
A Teoria dos Campos Conceituais, desenvolvida por Gérard Vergnaud, é trabalhada por Marco Antonio Moreira com o objetivo de demonstrar suas implicações para o ensino de ciências e para a pesquisa nesta área.
MOREIRA, Marco Antonio (2002). A teoria dos campos conceituais de Vergnaud, o ensino de ciências e a pesquisa nesta área. Disponível em www.if.ufrgs.br/public/vol7/nlv_7nl_al.html , Acesso em: 12 jul. 2004.
TODOROV, Tzvetan (2003). Introdução à literatura fantástica . São Paulo: Perspectiva.
Em SODRÉ, Muniz; PAIVA, Raquel. O império do grotesco, p.66-72, o grotesco é tratado como elemento histórico e estético, a expressão criadora e a existência cotidiana estão intimamente interligadas.
BAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch (2002). Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método
Reflexões a partir de COMPAGNON, Antoine (2001). O demônio da teoria : literatura e senso comum.
FAIRCLOUGH, Norman (2001). Discurso e mudança social. Brasília: Edunb.