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Do ontológico ao antropológico: o resgate do social em Jean-Paul Sartre
Maria José Netto Andrade (UFSJ)
A visão existencialista de Sartre exposta em sua obra O Ser e o Nada mostra-nos como o homem, definido como um Ser-para-si (possuidor de uma consciência), surge injustificadamente para o mundo, projetando-se como liberdade sempre em situação. Trata-se de uma obra de caráter ontológico que intenta explicitar a realidade humana como tal, destacando os conceitos de indivíduo, consciência, falta, liberdade e a questão do Outro. Numa segunda fase de sua obra, o filósofo, levado por preocupações antropológicas e marxistas, escreve a Crítica da Razão Dialética , em que visa a descrever o indivíduo imerso na práxis. Nesta obra, Sartre pretende demonstrar as condições de viabilidade de uma prática humana, que deve se apresentar simultaneamente como práxis individual e coletiva. Sua abertura em direção à dimensão social do homem torna-se mais evidente.
Através do exame de conceitos fundamentais em O Ser e o Nada, como mencionados acima, e de conceitos trabalhados na Crítica da Razão Dialética - Livro I , tais como os de Raridade, Necessidade, Reciprocidade e Prático-Inerte, é possível examinar a forma de entendimento entre o individual e o social em Sartre. Pode-se, assim, construir uma ponte entre o conceito de indivíduo que se realiza na descrição do Para-si em O Ser e o Nada e o conceito de social que se realiza na descrição da Raridade, do Prático-Inerte, na constituição dos agrupamentos humanos na Crítica da Razão Dialética . Os conceitos de falta (manque) em O Ser e o Nada e o de raridade (rareté) na Crítica são intuições que fundam e unificam o projeto sartriano de construir o arcabouço moderno do indivíduo e da sociedade. Essas reflexões permitem o acompanhamento do pensamento de Sartre na esteira do social.
A presente comunicação pretende indagar as relações que ocorrem entre as duas obras capitais a partir do comentário do impacto dos acontecimentos históricos e sociais no pensamento de Sartre. Elas subsidiam a problemática da superação/continuidade do pensamento sartriano no sentido de acrescentar à dimensão ontológica presente na obra O Ser e o Nada a dimensão antropológica presente na Crítica.
1 O impacto dos acontecimentos históricos
Algumas experiências marcaram mais profundamente a postura de Sartre em relação ao mundo, bem como influenciaram de forma contundente a elaboração de seu pensamento. O Filósofo encontra nos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, tal como a sua prisão num campo de concentração alemão e na própria situação da França ocupada, ensejos para experienciar uma nova solidariedade.
Aguça-se, a partir da guerra, a preocupação do filósofo “com a política e com a questão da condição sócio-histórica do homem, assim como às suas sucessivas tentativas de atuação política efetiva” 1. A obra sartriana, a partir daí, tenta desvelar as implicações decorrentes dessa tensão permanente, cujos termos envolvem o homem e o problema prático das relações humanas no mundo. Sartre começa então a viver a experiência da sociedade.
No período posterior a 1945, dá-se o que podemos identificar como a fase realista sartriana. O Autor percebe a necessidade de subordinar os seus ideais morais, ainda percebidos numa ótica metafísica, às condições impostas pela História, pela Sociedade e pela Política. A própria liberdade e a consciência, desde o início, já se encontram aprisionadas no tecido social objetivo. Esse adentramento ao mundo do realismo dá-se tanto na sua filosofia como na sua postura política. No intervalo que vai da publicação de O Ser e o Nada à da Crítica , Sartre passa a considerar a importância de uma perspectiva histórica e social, e vai “da noção bastante abstrata de liberdade interior àquela mais real de liberdade alienada” 2. Essa busca, em Sartre, de uma filosofia e de uma política mais realistas surge como decorrência da experiência da guerra, que, ao quebrar os liames ainda idealistas de sua visão de mundo, lança-o em direção ao marxismo. O realismo seria uma forma mediadora, capaz de evitar “as armadilhas do idealismo fácil e os de um materialismo enganador reduzindo o homem às dimensões de um simples agregado físico” 3.
Despertado durante os anos de guerra de seu vazio social, Sartre passa agora a refletir sobre o problema do engajamento, que, ultrapassando a moral e a literatura, atinge o campo social e político. Este problema invade agora seus escritos e suas atitudes diante dos acontecimentos da realidade. Sua trilogia Os caminhos da Liberdade representa um momento privilegiado em que as questões do engajamento e da solidariedade são tratadas de modo exemplar. Seus personagens são “chamados a ultrapassar o estado de solidão para fazerem nascer a ordem da fraternidade sobre um plano social e político pelo menos” 4.
2 De O Ser e o Nada à Crítica da Razão Dialética: ruptura ou continuidade?
Embora importantes, podemos afirmar que o desenvolvimento do pensamento sartriano não é de exclusiva responsabilidade das condições exteriores sofridas pelo filósofo. O que acontece é uma interação bastante profunda da exterioridade (eventos sociais e políticos de sua época) com as determinações oriundas do dinamismo de seu próprio pensamento filosófico, que não abandona, apesar de tudo, suas diretrizes existenciais. No conjunto de sua obra, Sartre concebe as questões que envolvem o indivíduo e a sociedade não como meramente distintas, mas como questões que se imbricam continuamente, interpenetram-se.
Ao escrever a Crítica , Sartre rompe com seus conceitos fundamentais explicitados em O Ser e o Nada, ou nos revela uma continuidade desses mesmos pressupostos básicos, só que agora transplantados para o terreno antropológico?
O próprio Sartre nos fornece as indicações necessárias à compreensão desta questão. Numa de suas palestras proferidas no Brasil, em 1960, e publicada com o nome de Conferência de Araraquara , o Autor já menciona que a presumida diferença entre O Ser e o Nada e a Crítica da Razão Dialética não resulta propriamente de uma mudança de direção de seu pensamento, mas da “maneira como os problemas são formulados” 5 . O que ele pretende em O Ser e o Nada é “fazer uma descrição do que é a realidade humana como projeto, compreensão” 6, sem sair do nível de uma consciência ainda abstrata e formal. Mas é necessário proceder à ultrapassagem dessa consciência pura em direção a uma visão antropológica. É preciso “reconstituir uma ontologia ou, pelo menos, uma antropologia dialética na qual a compreensão seja exigida a cada instante, a cada instante o projeto da pessoa sob forma concreta e real apareça” 7.
Do mesmo modo, em entrevista a Michel Sicard (1977/78), Sartre afirma acerca da relação entre as duas obras que “O Ser e o Nada representava a apreensão de uma consciência, de suas raízes, de suas estruturas e de sua natureza (...) e a Crítica da Razão Dialética representava a aparição dos grupos, a aparição dos homens constituídos como tais” 8.
Antes mesmo, em 1971, em entrevista concedida a John Gerassi, Sartre já avaliava as relações entre as duas obras:
pode-se dizer que O Ser e o Nada foi ao mesmo tempo o fim da minha formação burguesa, individualista, do tipo todos os atos são equivalentes, contanto que se aceite plena responsabilidade por eles, e o início de uma coisa nova, algo cujo germe já estava presente, com minhas noções de liberdade e responsabilidade, má fé e inautenticidade, que mais tarde se transformaria num compromisso muito social e moral 9.
Embora num tom individualista, a obra O Ser e o Nada já carrega em si os germes da sociabilidade como esta é entendida no contexto filosófico sartriano.
Enquanto suporte ontológico, a liberdade sartriana necessita exercer-se na concretude do mundo para oportunizar o projeto de construção do Para-si. Manifesta-se, assim, na vida de Sartre, a partir da guerra, o que ele denomina uma certa contradição , explicitada na sua preocupação constante de salvar a liberdade individual e simultaneamente torná-la compromissada no meio social. É o que diz em entrevista concedida a Simone de Beauvoir:
a idéia de uma coletividade ordenada, na qual cada um se desenvolve segundo princípios que são os seus, e, por outro lado, a idéia de uma liberdade, ou seja, um livre desenvolvimento de cada um e de todos, são idéias que, na época, me pareciam opor-se - ainda atualmente elas existem cada uma de seu lado, e, o que descobri após a guerra, foi que a minha contradição e a contradição deste mundo residiam na idéia de liberdade, na idéia do pleno desenvolvimento, do pleno desabrochar da pessoa confrontada com a idéia do desenvolvimento igualmente pleno de uma coletividade à qual pertence a pessoa, surgindo ambas inicialmente como contraditórias. O pleno desenvolvimento de um cidadão não tem necessariamente como prelúdio o pleno desenvolvimento da sociedade; é a este nível que se poderia dar a explicação da minha história, da minha história clara de após a guerra, de minha história obscura de antes da guerra; ou seja, que a idéia da minha liberdade implica a idéia da liberdade dos outros. Só posso sentir-me livre se os outros o são. Minha liberdade implica a liberdade do outro e não é limitável. Por outro lado, sei que há instituições, um Estado, leis, em suma, um conjunto de coerções que se impõem ao indivíduo, e que absolutamente não o deixam livre para fazer o que quer. É aí que vejo uma contradição, porque é preciso que o mundo social tenha determinadas formas e é preciso que minha liberdade seja inteira. Isso apareceu também durante a Ocupação; a resistência implicava normas importantes e rigorosas, como o trabalho em sigilo, ou missões particulares e perigosas, mas cujo sentido profundo era a construção de uma outra sociedade que devia ser livre; conseqüentemente, a liberdade do indivíduo tinha como ideal a sociedade livre pela qual ela lutava 10.
Sartre descobre pouco a pouco a força da circunstância e da situação em que o homem se vê imerso. Nesse sentido ele ultrapassa o âmbito da subjetividade prevista na obra O Ser e o Nada , para descobrir-se no “coração mesmo de uma sociedade e de uma história nas quais a individualidade encontra uma dimensão nova e social”. (...) “O indivíduo interioriza suas determinações sociais e as exterioriza nos atos que são de sua propriedade” 11. Embora o homem seja livre, esta liberdade passa a manifestar-se como assunção do que é feito dele.
Ao abordar a liberdade, na Crítica, Sartre a concebe como liberdade alienada. Deparamo-nos, aí, com um Para-si mais voltado para a materialidade das coisas, constituindo uma liberdade mais ativa, que transcende uma situação dada em direção a um fim proposto e quer mudar o mundo. Nesse sentido, o homem se apresenta como práxis livre. Mas, para vencer as adversidades impostas pelo mundo do Prático-inerte, que é o mundo que já se encontra constituído por outras práxis antecedentes e que já está consolidado, é importante estabelecer também uma práxis social. É uma visão mais realista das coisas que agora vemos manifestar-se.
Portanto, precisamos distinguir o que se admite como a condição ontológica da realidade humana, que é a de ser essencialmente livre, e as manifestações dessa mesma liberdade no seu acontecer na práxis humana. O fato de na práxis social nem sempre ser possível percebermos o pleno exercício dessa liberdade não a inviabiliza, enquanto razão mesma da existência do Para-si, enquanto pressuposto de todas as nossas ações, pois só se acorrenta, escraviza-se, aliena-se, cerceia-se algo que já está de antemão posto no simples fato da nossa existência. É em situação, diante da face muitas vezes impiedosa do mundo, que a liberdade se realiza, ou seja, que a própria consciência se faz.
A realidade humana, em sua contingência, deixa de ser tratada apenas no nível puramente ontológico, mesmo que seja descrita fenomenologicamente, e exige tratamento mais concreto. A condição humana na qual o homem se encontra imerso manifesta-se como condição histórica, o olhar do Outro tão bem descrito fenomenologicamente em O Ser e o Nada , “cederá lugar à complexidade real das relações sociais que constituem a trama da História” 12.
A própria noção de conflito presente em O Ser e o Nada e em Huis Clos, em que Sartre afirma que o inferno é o Outro , aparece na Crítica , juntamente com a noção de Prático-Inerte, representando “a esfera do Outro e de seus instrumentos e instituições”, 13como sendo também o inferno. O conflito integra ambas as obras como inerente à própria estrutura do ser e que se reproduz também no campo social.
O conflito entre indivíduo e sociedade se apresenta toda vez que se pretende compreender os relacionamentos que envolvem o existencialismo e o marxismo. Na concepção de Bornheim, foi a partir do século XVIII, com o advento da sociedade burguesa, que se deu o chamado surto do indivíduo . Fruto do próprio processo social vigente, os fins do indivíduo isolado surgem justamente quando as relações sociais ganham mais desenvoltura. Na qualidade de estudioso do pensamento de Sartre, Bornheim o questiona dizendo que
é um absurdo querer compreender o indivíduo sem a vida social, esta é sempre primeira. Com custo, mas plenamente, Sartre assimilou o segundo ponto: o indivíduo reduzido a si próprio torna-se literalmente um absurdo, uma paixão inútil; o homem está originariamente instalado no social, o ser-no-mundo adensa os seus traços num contexto social determinado 14.
Comparativamente, o chamado surto do indivíduo , em Marx, se encontra preso a uma estrutura social de contornos bem definidos. Já em Sartre, é importante ressaltar o caráter do indivíduo como algo definitivo e absoluto, pois é absolutamente necessário que se comece pela práxis individual, revelando sua primazia em relação à dimensão social.
Sartre, de modo nenhum, abdica de realçar a importância do indivíduo na variabilidade das circunstâncias históricas. Apesar de não ser um teórico da História ou da Economia Política burguesa, ele não as ignora, mas as enxerga como estruturas em que a realidade individual encontra suas possibilidades de realização.
Daí a tarefa a que Sartre se propõe no tomo I da Crítica, de fundar uma antropologia de cunho materialista e dialético capaz de fundamentar a História, na tentativa de lançar luz entre uma ontologia do indivíduo, tal como descreveu em O Ser e Nada, e a dialética marxista da História, ou seja, tentar compreender como se dá a passagem do indivíduo à História, sem cair exclusivamente no marxismo e sem abdicar da compreensão da realidade humana na sua totalidade.
5 O campo da materialidade e a influência da raridade
Para compreender o homem em sua totalidade, é imprescindível penetrar no campo da materialidade. Neste campo nos deparamos com uma situação fundamental: a raridade.
Teria significado a existência humana num mundo de plena abundância onde o homem não necessitasse construir-se?
Dentre tantas relações que podem ser estabelecidas entre o homem e o mundo que o rodeia, Sartre redescobre e nomeia a raridade ou escassez (rareté) como “relação unívoca da materialidade circundante com os indivíduos” 15. É uma relação fundamental, unidade primeira, que está na base de todo processo de socialização da matéria. Nesse sentido, Sartre ultrapassa em muito as definições correntes geradas segundo uma visão de caráter econômico.
A raridade é um princípio material, pois é um fato, na medida em que é empiricamente comprovável; é uma relação, pois faz a intermediação entre o homem e a materialidade, entre o homem e os Outros, ganhando e propiciando sentido à existência humana; é um princípio de inteligibilidade, capaz de integrar a realidade e a consciência que a conhece.
A pretensão de Sartre é de ter dado um tratamento especial à raridade como princípio de explicação da sociedade. Pela raridade, tornam-se compreensíveis as relações humanas, tanto nas sociedades pré-industriais (guerras de extermínio, escravidão, servidão), quanto nas sociedades industrializadas (com sua divisão do trabalho e a alienação do trabalhador).
6 Indivíduo e sociedade: pólos indissociáveis
Na obra intitulada Cahiers pour une morale, Sartre admite que indivíduo e sociedade são indissociáveis, pois são como dois pólos da mesma relação. Eis suas afirmações:
a análise mais profunda que eu tenho feito da sociedade tende a mostrar que a sociedade é um fenômeno imediatamente dedutível das considerações ontológicas sobre a totalidade destotalizada. Desde que há pluralidade de Outros há sociedade. A sociedade é a primeira concreção que faz passar da Ontologia à Antropologia. É tão absurdo supor que houve homens sem sociedade que supor homens sem linguagem. A realidade humana surge em meio aos Outros. Isso se traduz antropologicamente por: o homem existe em sociedade. E sua relação original com a sociedade é que ele não pode nem inteiramente nela fundir-se nem inteiramente ultrapassá-la. 16
Desse modo, podemos considerar que, mesmo a partir de pressupostos individualistas, Sartre é sensível ao apelo da sociedade. Visando a tornar mais claros os envolvimentos do indivíduo com a sociedade, ele partirá para o campo antropológico, sem necessariamente abandonar seus pressupostos ontológicos. Se não é possível ontologicamente uma consciência social a priori , há pelo menos uma consciência a posteriori do social, pela exigência da convivência com o Outro e com o mundo circundante. É no plano social que a práxis individual acontece e encontra motivações para agir. A solidão ontológica do Para-si acaba sendo uma solidão em meio aos Outros. Ela significa, apenas, diante do imperativo da decisão, que só o indivíduo pode escolher por si mesmo.
Portanto há uma coerência no pensamento de Sartre quando se tem sobre ele uma visão mais global. Apesar das fases de tonalidades diferentes no decorrer de seu pensamento,
conforme o próprio Autor admitiu, sua trajetória intelectual possui uma unidade. O indivíduo livre é o começo de tudo, mas encontra-se sempre ligado ao objetivo, o pensamento sempre se liga à ação, enfim, o homem jamais consegue afastar-se do mundo e dos outros e nem se libertar completamente das tensões.
Considerações Finais
O homem é um projeto que se constrói a cada instante e sua definição encontra-se na dependência imediata da ação, que é a expressão da liberdade. Esta liberdade ativa ganha agora uma responsabilidade social. Comprometido com o seu projeto individual, o homem deve comprometer-se também socialmente, já que, para ser, não pode fugir de sua situação no mundo com outros semelhantes.
Em resumo, podemos dizer que Sartre, em seu início, parte da análise da realidade humana individual e subjetiva, mas, posteriormente, acrescenta a ela temas que tratam da sua inserção no campo social bem como da sua integração no contexto da História. Sustentado pelos conceitos da Ontologia fenomenológica e sofrendo a intermediação da materialidade circundante, o homem enceta um passo fundamental, ou seja, empreende uma práxis em direção a uma Antropologia de cunho existencial. Indivíduo e sociedade, portanto, são pólos fundamentais do projeto sartriano.
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GERASSI, John. Jean-Paul Sartre : consciência odiada de seu século. Rio de Janeiro: Zahar, 1990. p. 188.
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JEANSON, Francis. Sartre . Rio de Janeiro: Olympio, 1987. p. 154.
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