![]() |
![]() |
[ VOLTAR ] |
“O “em-si” da práxis-processo: limite exterior da interioridade e limitação interior da exterioridade”
André Christian Dalpicolo (PUC-São Paulo)
Nada mais apropriado do que iniciar os festejos sobre o centenário do nascimento de J.-P. Sartre, com a reparação de uma flagrante injustiça. Indubitavelmente, essa reparação deve perpassar pela superação da idéia que assinala a inferioridade da doutrina sartriana frente às demais doutrinas advogadas pelos grandes filósofos do século XX. Certamente essa injustiça fundamentou a falta de uma bibliografia detalhada e consistente sobre o pensamento sartriano:
O outro tópico refere-se a qualquer coisa como o reparo a uma séria injustiça. É que dentro do restrito contexto de grandes pensadores de nosso tempo, Sartre foi sem dúvida o mais injustiçado. Porquanto, vista como um todo, a bibliografia sobre o pensamento de nosso filósofo oferece uma paisagem em tudo lastimável; os ofícios de abordagem se querem simples divulgação, vulgarização até – bastaria aqui a mais leve comparação com a vasta e bem pensada ensaística sobre Heidegger para que se percebesse a força irônica do contraste. Por que isso? Por Sartre sempre se ter recusado a partilhar dos colegiados acadêmicos afeitos, por assim dizer, a um tipo de pesquisa bem comportada? Os ressentimentos não poderiam ir tão longe, nem lhes caberia ignorar o rigoroso perfeccionismo da linguagem sartriana. Esse desmazelo todo afinal é máscara do quê? O fato é que a obra de Sartre permanece quase em sombras totais, alheio ao pensamento mais arguto, mais questionador: um ou outro livro, aqui ou ali, normalmente distante dos domínios franceses, avança algo no campo aberto à pesquisa 1.
Nota-se, com maior intensidade, a insuficiência de uma bibliografia detalhada e consistente sobre o pensamento sartriano quando se tenta compreender os conceitos fundamentais da Critique de la raison dialectique. Nota-se ainda um certo descuido entre os intérpretes do pensamento sartriano ao deixarem de ressaltar o papel fundamental dessa obra na composição da doutrina filosófica defendida pelo filósofo francês 2. Provavelmente isso se deve à hipotética descaracterização do existencialismo sartriano, quando este tentou se aproximar da ciência marxista na Critique de la raison dialectique . Essa postura custou-lhe a perda de alguns pontos elementares da doutrina exposta em L'Être et le Néant . Encontra-se implícita nessa hipotética descaracterização a tese de que o pensamento sartriano é dividido em dois momentos que indicam, respectivamente, a anti-historicidade e a historicidade .
O objetivo do presente trabalho respalda-se na reflexão de um assunto praticamente inexplorado pelos estudiosos de Sartre, mas que certamente representa o ápice de sua dialética, ou seja, o em-si da práxis-processo: limite interior da exterioridade e limite exterior da interioridade . Antes de mais nada, esse assunto ilustra a autêntica relação entre a razão dialética, que se baseia na objetivação da subjetividade e na subjetivação da objetividade, e a razão positiva. Percebe-se que a compreensão dessa autêntica relação possibilita situar os cânones metodológicos da antropologia existencial. Dito de outro modo, essa compreensão especifica o papel desempenhado pela epistemologia no pensamento maduro de Sartre. Entrementes, o em-si da práxis-processo permanecerá ininteligível caso não se esboce a questão da alienação humana na antropologia existencial. Ninguém contesta que esse esboço é fundamental para compreender adequadamente tanto o limite interior da exterioridade, quanto o limite exterior da interioridade.
O exame do em-si da práxis-processo deseja salientar a importância da Critique de la raison dialectique na composição do existencialismo sartriano, colocando-a no mesmo patamar de L'Être et le Néant . Além disso, esse exame também deseja auxiliar na correção da injustiça feita ao filósofo francês, reconhecendo-o com um dos maiores expoentes filosóficos do século XX.
2. PRÁXIS-PROCESSO E PROCESSO-PRÁXIS
O desdobramento da alienação humana em duas esferas distintas representa o ponto mais importante do tomo I da Critique de la raison dialectique , porque ilustra a necessidade do filósofo francês em constituir uma antropologia que seja capaz de aliar o ideal da ciência marxista, isto é, oferecer as condições fundamentais para a passagem da pré-história para a história, com a necessidade de salvaguardar a especificidade do ato humano. Somente a partir dessa antropologia, a Verdade da condição humana torna-se inteligível, já que se identifica com o sentido sincrônico e diacrônico da História. Apesar dessa Verdade não ter sido exposta em sua totalidade por Sartre, podemos esboçá-la, tanto através do entendimento da interioridade da práxis-processo , quanto da sua exterioridade.
2.1– Interioridade da Práxis-processo
A melhor maneira de compreender a interioridade da práxis-processo é examinar as duas esferas da alienação humana. A primeira refere-se a alienação primitiva, já que se relaciona com a objetivação da subjetividade e a objetivação da subjetividade. Logo, tem-se a obrigação de esclarecer que ela representa um fato insuperável da historicidade humana, ao menos no processo histórico, condicionado pelo fenômeno da “escassez”. Todavia, o estágio atual do conhecimento humano é incapaz de validar ou invalidar a superação da alienação primitiva, caso esse fenômeno fosse eliminado. Isso acontece porque esse estágio não dispõe dos instrumentos necessários para detalhar o funcionamento do processo histórico à margem do fenômeno da “escassez”. A segunda esfera da alienação humana, por sua vez, refere-se à alienação objetivada, uma vez que se relaciona com o surgimento do binômio interior / exterior no âmago da objetivação da subjetividade e da subjetivação da objetividade. Dito de outro modo, ela significa o aparecimento tanto do aspecto positivo da socialização humana, quanto do negativo.
Segundo a antropologia existencial, a alienação objetivada desempenha um papel ambivalente no processo histórico, condicionado pelo fenômeno da “escassez”. Por um lado, essa alienação não pode ser suprimida indefinidamente em nossa História, pois revela a práxis enquanto mediação entre o orgânico e o inorgânico. Nesse ponto, pode-se dizer que ela tem uma participação essencial na epistemologia proposta por Sartre, porque ilustra a existência do condicionamento recíproco entre a interioridade e a exterioridade da práxis-processo . Por outro lado, a referida alienação pode ser eliminada momentaneamente no processo histórico, condicionado pelo fenômeno da “escassez”, já que isso fundamenta a passagem do aspecto negativo para o positivo na historicidade humana. Para tanto, basta interromper o modelo econômico que se baseia no descompasso entre as forças produtivas e as relações de produção. Desse ponto de vista, deve-se indicar que a antropologia existencial está plenamente de acordo com a ciência marxista, pois ambas defendem o término da alienação através da superação deste descompasso.
Percebe-se que a alienação objetivada fundamenta o aparecimento da interioridade da práxis-processo , porque revela a importância do binômio interior / exterior na objetivação da subjetividade e na subjetivação da objetividade. Em termos filosóficos, esse binômio é o fator que possibilita à antropologia existencial inviabilizar a transformação da socialização humana num hiperorganismo. Se assim não for, corre-se o risco de se descaracterizar a singularidade da práxis humana, uma vez que a mesma está apoiada na impossibilidade de se originar uma “síntese viva” entre o inorgânico e o orgânico através do trabalho deste sobre aquele: “Nós agimos somente sobre o inorgânico, mas não podemos assimilar diretamente os minerais; nós vivemos para consumir outras vidas, porém não dispomos dos meios necessários para produzir as sínteses vivas. Nossa práxis é definida por esta dupla relação negativa: trabalhamos somente no inerte, assimilamos apenas o orgânico” 3.
2.2 - Exterioridade da práxis-processo
A exterioridade da práxis-processo surge quando a historicidade humana dá-se conta de que o seu trabalho cotidiano sobre o inorgânico depende da temporalidade objetiva desse último. Indubitavelmente, é a partir dessa exterioridade que a epistemologia proposta por Sartre na Critique de la raison dialectique começa a ganhar os seus contornos finais. Em linhas gerais, pode-se conceituá-la através da junção entre o em-si do inorgânico e o seu ser-conhecido. Noutras palavras, a exterioridade da práxis-processo representa tanto o limite interior da exterioridade do inorgânico, quanto o limite exterior da interioridade do mesmo. Em relação ao limite interior da exterioridade do inorgânico, deve-se indicá-lo a partir da insuficiência da análise científica em descobrir todas as combinações físicas e químicas possíveis do inorgânico no Universo. Isso acontece porque essa análise – ao menos no processo histórico condicionado pelo fenômeno da “escassez” – não possui a capacidade de conhecer todas as formas possíveis de vida no universo. Consequentemente, ela não tem a possibilidade de transformá-lo num gigantesco campo prático, porque o em-si do inorgânico condiciona o desenvolvimento do seu ser-conhecido. De certa forma, tem-se a obrigação de apontar que o limite interior da exterioridade ilustra a existência da estrutura teleológica do inorgânico. Já em relação ao limite exterior da interioridade, torna-se fundamental entendê-lo através da restrição sofrida pela estrutura teleológica do inorgânico, porque a revelação dessa estrutura depende exclusivamente da análise científica. Desse ponto de vista, pode-se dizer que a compreensão concreta do universo está atrelada ao nível de conhecimento adquirido pela análise científica no seu trabalho cotidiano. Assim, o limite exterior da interioridade significa o condicionamento do em-si do inorgânico realizado pelo seu ser-conhecido: “O em-si da práxis-processo representa a rigorosa equivalência entre a totalização de envolvimento no Universo e o Universo na totalização de envolvimento” 4.
Falta ainda esclarecer um dado importante da exterioridade da práxis-processo. De certa maneira, pode-se dizer que ele detalha o funcionamento do limite interior da exterioridade, pois anuncia o surgimento da ignorância de exterioridade da prá xis-processo . Para compreendê-la, basta lembrar que a análise científica é incapaz de conhecer o sentido global da estrutura teleológica do inorgânico, porque essa análise é motivada, essencialmente, pela tensão transcendência-imanência da historicidade humana. Noutros termos, a ignorância de exterioridade da práxis-processo corresponde à impossibilidade da historicidade humana em transformar o universo num imenso campo prático.
Entretanto, isso não significa que nenhum outro ser não possa fazê-lo, sobretudo se tiver um grau de inteligência maior do que aquele possuído pela raça humana. Vale observar que, neste âmbito, origina-se a objetividade da práxis-processo , uma vez que sua exterioridade pode ser apreendida por uma hipotética combinação física e química do inorgânico no universo. No entanto, essa apreensão não descaracteriza a interioridade da práxis-processo , já que a mesma é inexpugnável. Provavelmente isso acontece porque esta hipotética combinação física e química jamais se constituirá através de uma estrutura baseada na tensão transcendência-imanência.
O exame da ignorância de exterioridade da práxis-processo revela que o trabalho do orgânico sobre o inorgânico produz sempre – ao menos no processo histórico condicionado pelo fenômeno da “escassez” - uma síntese inerte de ambos. É nesse ponto que a epistemologia proposta por Sartre na Critique de la raison dialectique começa a se tornar inteligível. A razão disso baseia-se na delimitação do papel desempenhado pela razão positiva no cerne da razão dialética, que se apoia na objetivação da subjetividade e na subjetivação da objetividade. Grosso modo, esse papel detalha os processos de desvio e de encarnação da razão positiva.
Em relação ao primeiro, pode-se indicá-lo através da incompreensão da razão positiva em entender que tanto o em-si do inorgânico, quanto o seu ser-conhecido são revelados pela exterioridade da práxis-processo . Já em relação ao segundo, deve-se justificá-lo a partir da profunda inteligibilidade que cada ação da razão positiva possui no processo histórico, condicionado pelo fenômeno da “escassez”, pois esta ação é fundamentada pela ignorância de exterioridade da práxis-processo . Porém, por outro lado, não se torna inverossímil acrescentar que essa ignorância é ilustrada através da ação da razão positiva. Percebe-se, então, que a razão dialética limita o desenvolvimento da razão positiva, e vice-versa.
2.3 - A Totalização de Envolvimento: A unidade do múltiplo e a multiplicidade do um
Outro fator que o exame da ignorância de exterioridade da práxis-processo revela, ao menos parcialmente, é a totalização de envolvimento da História. Tal fato acontece porque ele consegue apreender somente o sentido sincrônico dessa totalização, esquecendo-se do seu sentido diacrônico 5. Inicialmente, pode-se indicar que a totalização de envolvimento significa a reciprocidade entre a interioridade e a exterioridade da práxis-processo , pois o absoluto desta conduz necessariamente ao absoluto daquela. Para compreender essa reciprocidade, basta destacar que a impossibilidade do conhecimento científico em superar a ignorância de exterioridade da práxis-processo motiva o surgimento tanto do predomínio, quanto do condicionamento da exterioridade da práxis-processo sobre a sua interioridade. Nesse plano, origina-se a processo-práxis , ou seja, a totalização de envolvimento enquanto exterioridade que limita e subordina a sua interioridade. Ou, se preferirmos, ela é o em-si da práxis-processo que condiciona e esclarece a sua interioridade. Enfim, a processo-práxis impede a criação de uma síntese viva entre o orgânico e o inorgânico, já que salienta o predomínio da estrutura teleológica deste sobre aquele: “É a práxis-processo examinada, não mais em interioridade como totalização, mas sim em exterioridade. Enquanto surgida na dispersão material do Universo; como tal, ela somente pode ser visada no vazio” 6.
Como já foi visto, a interioridade da práxis-processo não consegue compreender a sua ignorância de exterioridade, já que isso exigiria o redimensionamento da tensão imanência-transcendência. Tendo ciência que essa tensão é insuperável, torna-se fundamental conceituá-la como o fio condutor que condiciona todo o desenvolvimento da processo-práxis , uma vez que o mesmo depende de um movimento essencial, feito pela interioridade da práxis-processo , que impulsiona a objetivação da subjetividade e a subjetivação da objetividade. Assim, tem-se a nítida certeza que a interioridade da práxis-processo limita e subordina a sua exterioridade. Aliás, esse é o ponto nevrálgico da dialética sartriana, pois aponta a impossibilidade da síntese inerte, fruto do trabalho do orgânico sobre o inorgânico, dissolver a espontaneidade da historicidade humana. Por conseguinte, é fácil evidenciar que a práxis-processo representa a interioridade da totalização de envolvimento que condiciona e esclarece a sua exterioridade.
Falta ainda esclarecer um dado fundamental do sentido parcial da totalização de envolvimento, que se fundamenta no binômio unidade do múltiplo / multiplicidade do um. Isso acontece porque ele legitima a contradição dialética entre a intenção do agente histórico e o resultado objetivado dessa intenção. Antes de tudo, pode-se conceituá-lo a partir do desenvolvimento da interioridade da práxis-processo , já que esta revela a multiplicidade quantitativa da dispersão material do Universo. A reprodução contínua da síntese inerte entre o orgânico e o inorgânico, no processo histórico condicionado pelo fenômeno da “ escassez ” , auxilia na formação desta multiplicidade quantitativa. Além disso, é fundamental esclarecer esse binômio através da influência exercida pela multiplicidade quantitativa do inorgânico sobre a interioridade da práxis-processo , transformando-a em exterioridade.
Percebe-se, portanto, que a relação dialética entre o um e o múltiplo, motiva tanto o aparecimento da multiplicidade do um, quanto da unidade do múltiplo. Dito de outra forma, a relação dialética entre o orgânico e o inorgânico – através da síntese inerte de ambos desenvolve-se por meio da exteriorização-em-interioridade do orgânico, assim como pela interiorização-em-exterioridade do inorgânico.
O binômio unidade do múltiplo / multiplicidade do um possui a capacidade de situar corretamente o acontecimento histórico, ao menos no seu sentido sincrônico. É inverossímil caracterizar esse acontecimento somente da ação do agente histórico, pois ele também leva em consideração – e isso é fundamental – a estrutura teleológica do inorgânico.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo do em-si da práxis-processo é fundamental para destacá-la enquanto exterioridade. Em linhas gerais, essa exterioridade revela a existência da síntese inerte produzida pela relação dialética entre o orgânico e o inorgânico. Vale observar que essa síntese identifica-se com a dialética constituída, porque aponta para o surgimento da totalidade-totalizada no âmago da totalização-em-curso. Contudo, isso não significa que a experiência crítica sobre a dialética constituída esteja terminada, já que a “possibilidade” da criação de uma síntese viva do orgânico com o inorgânico não pode ser totalmente descartada, apesar da mesma ser hipotética no processo histórico, condicionado pelo fenômeno da “escassez”. Em termos concretos, pode-se dizer que essa possibilidade detalha a singularidade da práxis-processo , visto que demonstra a autonomia e a originalidade da dialética constituinte.
A compreensão da singularidade da práxis-processo acontece através do entendimento da estrutura teleológica do orgânico. Indubitavelmente, essa estrutura indica a necessidade do orgânico prover a sua subsistência material a partir do seu trabalho junto ao inorgânico, impondo-lhe os seus fins práticos. É importante ressaltar que o fundamento desses fins práticos apoia-se no projeto do orgânico em criar a síntese viva entre ele próprio e o inorgânico.
Enfim, percebe-se que a inteligibilidade da práxis-processo repousa tanto no seu projeto de manter uma síntese viva com o inorgânico, quanto na sua realidade baseada na síntese inerte de ambos. Dessa forma, é vital indicá-los, respectivamente, como a objetivação e a objetividade da práxis-processo , porque apontam a disparidade dialética entre a intenção do agente histórico e o resultado objetivado dessa intenção. De certa maneira, essa disparidade representa o esboço parcial da Verdade da condição humana.
Bornheim, Gerd. Duas palavras para uma apresentação desnecessária. Prefácio do tomo I da Crítica da razão dialética . Tradução de Guilherme João de Freitas Teixeira. Rio de Janeiro, Editora DP&A, 2002, pág. 8.
Uma conseqüência clara deste descuido pode ser constatado através de uma rápida comparação entre as obras dedicadas a L´Être et le Néant e àquelas dedicadas a Critique de la raison dialectique . Com efeito, pode-se indicar que estas são em menor número do que aquelas. Além disso, também é importante acrescentar que a maior parte das obras dedicadas à Critique de la raison dialectique baseia-se somente na discussão sobre a relação entre o existencialismo e a ciência marxista, esquecendo-se da riqueza filosófica contida na obra magna de J.-P.Sartre.
SARTRE, J.-P. Critique de la raison dialectique – tome II (inachevé) : L´intelligibilité de l´Histoire. Établissement du texte, notes et glossaire par Arlette-Elkaïm Sartre. Paris, Éditions Gallimard, 1985, pg. 351.
SARTRE, J.-P. Critique de la raison dialectique – tome II (inachevé) : L´intelligibilité de l´Histoire. Établissement du texte, notes et glossaire par Arlette-Elkaïm Sartre. Paris, Éditions Gallimard, 1985, pg. 330.
O sentido diacrônico da História permanece desconhecido dentro do pensamento sartriano. Porém, pode-se esboçá-lo, ao menos formalmente, através de dois fatores fundamentais. O primeiro refere-se a “possibilidade” deste sentido tanto revelar, quanto corrigir todo desvio fundamentado pelo desenvolvimento da interioridade da práxis-processo . Já o segundo, por sua vez, refere-se à impossibilidade do sentido diacrônico da História dissolver a práxis enquanto mediação entre o orgânico e o inorgânico. Dessa maneira, torna-se evidente que o sentido diacrônico da História não possui a capacidade de excluir a relação dialética entre o um e o múltiplo, salvo como hipótese puramente abstrata.
SARTRE, J.-P. Critique de la raison dialectique – tome II (inachevé) : L´intelligibilité de l´Histoire. Établissement du texte, notes et glossaire par Arlette-Elkaïm Sartre. Paris, Éditions Gallimard, 1985, pg. 361.