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Sete léguas de paraíso: do fato histórico ao mito romanceado
Maria Zaira Turchi (UFG)
Uma das características literárias atuais é o crescente interesse pela história, para escapar, talvez, à monótona representação de acontecimentos trágicos, veiculados a todo instante de qualquer parte do planeta, acontecimentos que acabam por se transformar em banalidade da vida moderna. Os escritores, passada a euforia das aventuras das diversas vanguardas e a embriaguez dos movimentos de esquerda, debruçaram-se sobre o passado não apenas "como um fim em si, mas como um meio de fornecer perspectivas sobre o presente que contribuam para a solução dos problemas peculiares ao nosso tempo" 1. A aceitação surpreendente pelo grande público de romances históricos fez proliferar, por toda parte, enredos ambientados na reconstrução histórica de um passado que, em outros tempos, só poderia ter um interesse restrito. Essas reflexões apresentadas no simpósio fazem parte do livro Literatura e antropologia do imaginário 2.
Nessa mesma trilha, uma parcela significativa de autores goianos envereda pelos míticos caminhos de um planalto onde o céu e a terra se confundem, num convite ao homem para uma religiosidade primitiva cheia de magia e esoterismo. Contos e romances temperam a saga dos desbravadores e garimpeiros, as façanhas dos jagunços e as emboscadas de vindita pessoal e política com a descrição dos rios e dos cerrados, da hospitalidade das fazendas e ranchos perdidos na solidão, e do primitivismo de um povo sempre à espera de santos milagreiros e feitiços poderosos. O romance Sete léguas de paraíso , de Antônio José de Moura 3, publicado em 1989, pode ser considerado o panorama da vida goiana, num momento histórico definido, na terceira década do século XX, no Planalto Central do Brasil, onde Goiás é, ao mesmo tempo, ilha e encruzilhada, passagem do nordestino para o Sul e o Oeste do país, e espaço vazio ainda à espera dos desbravadores vindos de toda parte, nas décadas seguintes. O ficcionista demonstra sua força na criação do ambiente favorável à eclosão de um movimento messiânico de cunho social, que está no centro de sua narrativa, ao redor da qual tece, numa espécie de inventário, os elementos componentes de um mundo primitivo e, ao mesmo tempo, complexo, onde o fabuloso acontece com a mais perfeita naturalidade.
A personagem central, Santa Dica, bem como a maioria das personagens aparecem no romance com seus nomes verdadeiros, dentro de um clima de fábula realmente acontecida. A Santa de Goiás enquadra-se nos grandes movimentos messiânicos da humanidade e, particularmente, nos movimentos similares do Brasil (Canudos, Juazeiro, Condestado e Vale dos Sinos). Sua missão cívico-religiosa vem sendo resgatada através de teses, nas áreas de História, Antropologia, e sua intercessão foi invocada por dois poetas nacionais - Jorge de Lima e Afonso Félix de Sousa. A "Santa Dica", de Jorge de Lima, "Curou tudo/ curou moléstias-do-mundo/ curou mais/ que o Padre Cícero Romão" 4. A analogia com o padroeiro do Nordeste equipara Santa Dica às figuras religiosas que sobrevivem na fé popular, capazes de conduzir o povo sofrido. A tônica do poeta goiano, Afonso Félix de Sousa, está na força da água, símbolo que valoriza a figura feminina no comando do movimento, e está na força do rio, presente no imaginário do povo goiano, como saída, como salvação: "Quem bebe da água que canta/ o que ouvia Santa Dica/ (...) mais moço que é, ele fica". 5
Com o romance de Antônio José de Moura, a magia e o encantamento da santa, heroína que catalizou a fé de um povo sem esperança, ganham novos contornos. Sete léguas de paraíso se enriquece por esta fusão própria do romance histórico que ultrapassa o campo da livre composição literária, incorporando outros domínios mais objetivos, como a História. O escritor, no entanto, sabe que o passado, sempre presente na consciência de um povo, é mais um amontoado de mitos. A obra literária, paradigma de alta freqüência simbólica, é capaz de perceber que mito é o referencial último a partir do qual a história pode ser compreendida; sem as estruturas míticas, não há inteligência histórica possível 6:
A presença do sobrenatural em Lagolândia começou a circular de boca em boca, a princípio sem muita animação no saltar grotas e córregos do condomínio rural de Mozondó, onde a taumaturga nascera. Depois, emaranhada no novelo da lenda, a notícia atravessou Meia-Ponte dos Pireneus e ganhou o sertão, puxada e espichada pela prosa fabulosa e o gênio fabulador dos tropeiros. 7
A história que forja a união de um grupo nem sempre se constitui de fatos comprovados, mas de heroísmos que possam servir de exemplo; toda história é romanceada, revista e corrigida para atender aos anseios míticos. A fusão do romance e da história torna-se possível porque, uma vez estabelecida a moldura de uma narrativa, tanto o historiador quanto o artista, através de sua imaginação construtiva, poderão sempre pintar um quadro a partir dos fatos que se sabe terem efetivamente ocorrido. Em outras palavras, o imaginário do autor, robustecido pelos mitos culturais de sua gente, reconstitui fatos de modo a configurar uma estória de tipo particular.
Ao definir Sete léguas de paraíso como sendo "crônica de cunho messiânico e teor sebastianista acerca de uma demiurga do Brasil dos anos 20" 8, o próprio autor aponta para o caminho do imaginário religioso como tema central e chave para a interpretação do episódio. Na teia da narrativa, Moura constrói o ambiente goiano na época do aparecimento de Santa Dica, cenário político e social que pode ser resumido em dois séculos de estagnação devido à decadência do ouro e em familiocracia que dominava antes a Capitania, depois a Província e agora o Estado de Goiás. As escassíssimas famílias das poucas cidades goianas eram aparentadas entre si, pela constante prática da endogamia que lhes proporcionava o livre tráfego de influências que derivam das relações consangüíneas.
Goiás era, ao tempo de Santa Dica, o paraíso dos coronéis-fazendeiros, porque a tácita concordância das maiores autoridades da Capital "conferia carta branca para usar a jagunçama e requisitar, se necessário, a polícia a fim de expulsar posseiros de todas as terras do Estado" 9. Neste mundo sertanejo, marcado pelo protecionismo e a arbitrariedade, a maneira mais natural de sobrevivência consistia em preferir qualquer outro tipo de segurança, posto que ilusório, à realidade da vida. Em Sete léguas de paraíso emergem as pistas da procura de uma segurança oferecida pelo imaginário que levam não apenas a comunicação entre o sagrado e o profano, mas estabelecem a construção de uma nova vida comunitária entre o natural e o sobrenatural. O imaginário coletivo guia e impulsiona as convicções populares tão intensamente que não apenas se deve procurar nelas a força de escape para o sobrenatural como também a força de agir capaz de mudar o real.
Efetivamente promissora, a temática do imaginário se constitui em trilha para uma interpretação no estudo dos movimentos sócio-religiosos do povo de sertão. O surgimento de uma nova cidade, como se fosse uma Nova Jerusalém, à margem do rio do Peixe, como se fosse o rio Jordão, ao redor de uma taumaturga, como se fosse a reencarnação de um anjo, não pode ser explicada simplesmente em termos de fanatismo, ignorância, atraso, fetichismo, loucura coletiva, alienação, degradação social ou apenas como uma reação à injustiça e à miséria dos deserdados da fortuna. Esses termos explicam os efeitos causados pelo imaginário que objetiva e possibilita o relato de um fenômeno, fazendo dele não apenas o produto, mas o produtor da história: com o imaginário, pode-se ver melhor que aquilo que foi por tanto tempo desprezado se reencontra com muita freqüência na raiz das motivações históricas e revela com profundeza as estruturas e notadamente as estruturas mentais de uma época.
No romance são retomados mitos da mais genuína tradição do judaísmo, do cristianismo primitivo e do cristianismo medieval. À Idade de Ouro e ao Paraíso Terrestre, ao Fim do Mundo apocalítico, arquétipos primordiais, misturam-se mitos e lendas mais recentes, como a saga de Carlos Magno e os Doze Pares de França e a volta de Dom Sebastião. A lenda antiga, mais de mil anos, incorporada ao imaginário coletivo, não apenas no Centro-Oeste, no reduto de Santa Dica, como também em Caldeirão e Contestado, Norte e Sul do País, porque lida ou transmitida oralmente, representa uma visão coerente da vitória do bem contra o mal, do desejo de justiça e da crença de que, no fim, os bons vencem e são premiados. A literatura de cordel, os contos e lendas populares e até os livros sagrados, a Bíblia , enriquecem o imaginário pela mensagem mítica, numa estrutura que articula o conjunto de símbolos, mitos e ritos ao redor de uma personagem lendária - Carlos Magno ou Dom Sebastião.
As cavalhadas que se realizavam em Meia Ponte dos Pirineus, causando ciúme na vizinha Lagolândia, representavam, ao vivo, uma luta entre cristãos e mouros e se constituíam na manifestação mais espetacular da Festa do Divino Espírito Santo ou, simplesmente, Divino. Antiga tradição portuguesa, foi introduzida por descendentes de açorianos que, ainda no primeiro século após a descoberta emigraram, para o Brasil, trazendo arraigada a doutrina milenarista do frade franciscano, Joaquim da Fiore. O Joaquinismo, em sua visão filosófica da história universal, fundada no esquema ternário, fazia seguir ao reino do Pai, Antigo Testamento, e ao reino do Filho, Novo Testamento, uma última etapa correspondente ao reino do Espírito Santo, quando a religião atingiria a perfeição, trazendo, à terra, mil anos de paz e bem.
Ao espírito dominicano, representado por Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino, que tentava reconciliar Aristóteles e a Bíblia , a filosofia e a revelação, se opunha o espírito franciscano nutrido do neo-platonismo de Santo Agostinho, representado por São Boaventura, que proclamava a independência de princípios entre a Teologia e a Filosofia, orientando a primeira para um pensamento de tipo esotérico. A doutrina de Joaquim da Fiore vinha, de certo modo, dar aplicação prática à doutrina da esperança em germe no espírito franciscano. Espalhou-se rapidamente pelo mundo cristão e exerceu influência em todos os campos. Reavivou, sobretudo, especulações relativas à época da Terceira Idade, enriquecendo o imaginário dos profetas de novos tempos e novas terras. O império do Espírito Santo, como o anunciou Joaquim da Fiore, destinava-se a dominar o mundo durante a última parte da história da humanidade e a penetrar nas mentes para inspirar os homens, fazendo-os seus instrumentos de revelação. A doutrina introduz o princípio de uma grande liberdade espiritual na qual a cada alma é dado descobrir, com a ajuda do Espírito Santo, cuja vinda está perto, verdades escondidas desde o começo do mundo. 10
Nos sertões brasileiros, essa doutrina encontrou um ambiente propício à sua penetração na crença, que utiliza a via da imaginação especular, porque atribui caráter de realidade ao objeto, "para afirmar sem outra prova a não ser a força dessa afirmação, a veracidade de determinadas convicções" 11. Às crispações de um estômago com fome, às interrogações, sem resposta, sobre as doenças, à morte e à maldade, o sertanejo responde com a resignação da fatalidade ou com a esperança de uma transformação sobrenatural. As Cavalhadas, com seu aparato festivo e exótico, ainda hoje excitam o imaginário popular, embora a luta entre os cristãos e os mouros não mais represente a vitória do bem contra o mal, já encoberta pelos aspectos folclóricos e turísticos. Contudo, essa manifestação na festa do Divino, enraizada na doutrina do Terceiro Milênio, exprime a força e a perenidade dos mitos. No reduto de Santa Dica, o Espírito Santo está presente na bandeira, no desejo da realização das Cavalhadas e, sobretudo, a doutrina joaquinista forma a estrutura do acervo imaginário da Santa.
Santa Dica, instrumento da revelação do Espírito Santo, fala como os profetas do Antigo Testamento, como Savonarola, em Florença, como Thomas Müntzer, na Alemanha, como Antônio Conselheiro, em Canudos e Padre Cícero, em Juazeiro. Todos esses líderes messiânicos ameaçam e consolam, na tarefa de transformar a espera do Paráclito numa atitude ativa para apressar a chegada do reino; em todos o mesmo propósito: transformar a própria cidade ou região como se fosse Jerusalém. A cidade santa que matou os profetas e o próprio Messias, lugar sagrado para as três maiores religiões monoteístas do mundo, representa, no imaginário religioso, o ponto central do universo, a sede ontológica do sagrado que pode ser representada por outros espaços com o mesmo valor de redenção do arquétipo primitivo - cidade cujo símbolo determina o caráter totalizador e unificador da fé, porta única para o paraíso futuro, única entrada para o inferno localizado nas profundezas da terra, encontro do céu, da terra e do inferno. Desde a visão apocalíptica do Evangelho, os "novos céus" e "as novas terras" convergem seu simbolismo num único centro - Jerusalém.
Ainda antes do descobrimento do Brasil, Savonarola pregava na Florença renascentista: "Esteja segura, Florença, de que se teus cidadãos possuem as virtudes que descrevi, abençoada serás tu, pois logo te tornarás essa Jerusalém Celeste" 12. Em Lagolândia, sertão brasileiro, quatro séculos depois, Santa Dica reuniu os homens e "começou por demarcar os limites da cidade que, qual nova Jerusalém determinou que erguesse (...) ela própria riscando no chão o alinhamento das casas, ou antes uma fileira circular de casas" 13. Lagolândia, novo pólo de redenção, construída nos moldes do mítico centro protetor, configurado não apenas na comparação simbólica do nome, mas até no traçado da cidade em forma circular, abriga os seguidores que a Santa "vem reunindo ali, naquele lugar que há de fazer as vezes de segunda Arca de Noé à beira do Novo Jordão ancorada" 14. À distância de cinco séculos, a analfabeta Benedita Cipriano repete a um povo rústico o mesmo símbolo de salvação usado pelo domenicano Savonarola em plena catedral de Forença. Ao começar por demarcar os limites da cidade, a Santa desenvolveu um ritual necessário não apenas para fixar o espaço sagrado transcendental, como se fosse Jerusalém, umbigo do mundo, mas para estabelecer um novo tempo, um tempo sagrado, ou seja, "era uma vez", in illo tempore , "quando o ritual foi celebrado pela primeira vez por um deus, um ancestral, um herói" 15. O espaço antes profano, com esse rito, transforma-se em sagrado; o que se encontrava fora do espaço sagrado assume agora o valor de templo, de cidade santa, espaço consagrado para união entre o céu e a terra. O espaço profano, Mozandó, Lagoa ou Lagolândia, distrito de Meia-Ponte dos Pirineus transforma-se, nesse momento, na repetição do ato da criação do mundo, de um novo mundo que também se funda na criação que teve lugar a partir de um centro.
O romance enfatiza sua passagem de visionária a milagreira até sua transformação em protetora e salvadora de seu povo, passando então a incorporar, nas suas visões angélicas e proféticas, as concepções milenaristas de Joaquim da Fiore, as visões escatológicas cristãs do Apocalipse aliadas a um sebastianismo otimista de um novo paraíso terrestre. O rei Dom Sebastião, desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, retornará, porém, segundo a lenda, para restituir glória e liberdade a seu povo, seu reino será ao mesmo tempo espiritual e temporal, criando um novo paraíso na terra, a Idade de Ouro da humanidade. A morada dos justos de Lagolândia, pela boca de Dica-Sueste,
a partir de hoje fica sendo a República dos Anjos, e suas terras foram dilatadas para um quadrado de sete léguas que linha invisível traçada por nós a mando do Ser dos Seres separa de outras terras, e contra este quadrado - as sete léguas de paraíso - não vão prevalecer nem a vontade do pai da mentira nem a maldade dos homens. 16
A história de Santa Dica ilustra a força dinâmica do mito que não envelhece com o passar dos séculos. O mito, sobretudo o da Idade de Ouro fundamentado na justiça, pode animar e guiar uma aventura política de tal envergadura capaz de criar impérios e impor nova civilização. A avaliação crítica, simbólica e política dos efeitos da mito-história, isto é, o nascimento, a expansão e a vitória de uma idéia ensinam que os mitos religiosos oscilam entre a espiritualidade e a ação, esta última engendrada por forças não espirituais. Transformar um mito em ação política representa trasnformar o espírito visionário e profético do tempo sagrado em ações concretas do tempo profano. O fim melancólico da efêmera República dos Anjos não trouxe proveitos à causa social, pois Santa Dica estava construindo uma contra-sociedade cujas ambições utópicas não tinham possibilidade de conduzir a uma tomada do poder, nem mesmo provisório.
Santa Dica se reveste no romance, ao mesmo tempo, de halo heróico e místico, assumindo proporções diferentes da personagem histórica resgatada em teses acadêmicas, baseadas na crônica dos jornais da época e em documentos que a fazem protagonista de um movimento messiânico. Toda história pode dar origem a outra história, cem outras histórias nas quais, diversamente construídas encontram-se as mesmas figuras. A Santa Dica, de Antônio José de Moura, transforma-se num mito, boiando sobre as águas do rio Jordão, imagem branca nos braços de um vulto atlético, Necão, a desaparecer nas brumas da tarde para se fixar no imaginário popular. Sete léguas de paraíso encerra-se de modo épico-lírico, com a visão de uma figura humana vigorosa enlaçando uma mulher, imagem etérea que boia sobre as águas e desvanece como um sonho no indefinido da memória para assumir a força de mito no imaginário coletivo:
- E tão paralisado fiquei, crianças, que não pude atirar! flutuando rio abaixo, na corrente, o braço esquerdo arrimado a um tronco, o direito a alcançar uma mulher de longuíssima cabeleira e veste branca espraiada qual lençol sob as águas. Ela sustinha na mão direita, erguida à laia de capitel, um ser minúsculo, todo algodão, idêntico à miniatura de um anjo: o carneirinho Ananias. 17
A oralidade, o apelo à atenção dos ouvintes - crianças - resgata a condição primitiva do relato mítico, a voz narrativa reproduz a situação especial, o momento sagrado de enunciação. Para Walter Benjamin, "a experiência que anda de boca em boca é a fonte onde beberam todos os narradores" 18e acrescenta que o grande narrador é aquele cuja escrita, enraizada no povo, menos se distingue dos narradores anônimos. A memória que transmite o acontecido de geração em geração, alia-se, no romance, à memória perenizante da recordação. Se a primeira é épica, por excelência, a segunda, na invocação, situa-se no plano da lírica. O velho soldado, ao reviver na memória e ao transmitir oralmente sua visão a ouvintes atentos, está de alguma forma multiplicando a potência do mito. O domínio que a oralidade exerce origina-se de um elemento sagrado inerente ao mito que anula qualquer crítica. Uma obra de arte escrita sempre pode ser apreciada ou não por critérios individuais; o mito, não se nega nem se afirma, não se aprecia nem se condena, apenas faz parte do imaginário, vive da própria vida e se eterniza pela própria verdade.
WHITE, Hayden. Trópicos do discurso : ensaios sobre a crítica da cultura. São Paulo: Edusp, 1994. p. 53.
TURCHI, Maria Zaira. Literatura e antropologia do imaginário . Brasília: Editora da UnB, 2003.
MOURA, Antônio José. Sete léguas de paraíso . São Paulo: Global, 1989.
LIMA, Jorge. Santa Dica. In: Antologia poética . Rio de Janeiro: José Olympio, 1974. p. 42-45.
SOUSA, Afonso Félix de. O amoroso e a terra . Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1953. p. 121.
Cf. DURAND, Gilbert. Figures mythiques et visages de l'oeuvre . Paris : Dunod, 1992. p. 27.
MOURA, Antonio José. Op. cit . p. 19
Cf. FAIVRE, Antoine. Accès de l'ésotérisme occidental I. Paris : Gallimard, 1996. p. 96.
DUBOIS, Claude-Gilbert. O imaginário da Renascença . Brasilia: Editora da UnB, 1995. p. 34.
SAVONAROLA. Prediche sopra Aggeo , dez. 1494. In: DELUMEAU, Jean. História do medo no ocidente . São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 212.
MOURA, Antonio José. Op. cit . p. 41-42.
ELIADE, Mircea. Mito do eterno retorno . São Paulo: Mercuryio, 1992. p. 29.
MOURA, Antonio José. Op. cit . p. 258
BENJAMIN, W. et al. Textos escolhidos . São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 58.