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Imaginário Medieval e Cronística: Ressonâncias da Tradição Bestiária em Fernão Cardim
Luciana Borges (UFT)

"O outro é a ´besta' de Oviedo, o 'futuro' de Hegel,

a 'possibilidade' de O'Gorman, a 'matéria bruta' para Alberto Caturelli:

massa rústica 'descoberta' para ser civilizada pelo ser europeu

da cultura ocidental, mas 'en-coberta' em sua Alteridade".

(Enrique Dussel)

 

Embora cronologicamente situados na transição do medievo para a Idade Moderna, o conjunto dos relatos cronísticos sobre o Descobrimento e Conquista da América constituem um fértil terreno para a observação de determinadas formulae mentis tradicionais do imaginário medieval. Por outro lado, poderíamos até considerar que o referido conjunto é constituído escritos nos quais se verifica a presença hegemônica da função referencial. Posto isso, os discursos cronísticos - epístolas, diários de viagem, tratados, diálogos e outros - referentes à descoberta da América e à descrição das terras mundonovistas seriam terreno ao qual somente à História caberia aventurar-se. No entanto, tal acepção se mantém prisioneira de paradigmas rígidos que preconizam a secção hierarquizante entre história e literatura, a partir da qual se estabelecem regras de objetividade e neutralidade científica, rotulando-se a história como conhecimento que tem por objetivo a representação/apresentação dos fatos ocorridos tal qual foram (ou não) e delegando à literatura a liberdade de se mover entre o real e o fictício.

No entanto, a partir do momento em que se considera que tanto história e literatura são constituídas a partir de construções discursivas efetuadas por fontes enunciativas comprometidas com o lugar social onde se situam, a divergência de caracterização entre discurso histórico e ficcional se torna fluida e mesmo impossível de se efetivar, a não ser como abstração teórica. Desse modo, poderíamos questionar: Quais fatores caracterizariam, então, o discurso cronístico colonial luso-brasileiro como narrativa histórica ou ficcional? Apesar das referências cronológicas e geográficas que pontuam os relatos, é impossível ignorar a manipulação proferida pelo discurso do narrador, sobre a realidade observada, quer na seleção dos acontecimentos a serem relatados, quer na maneira pela qual estes elementos, selecionados paradigmaticamente são alinhados na seqüência enunciativa para formar a matéria textual. Tal constatação faz com que este conjunto de relatos deixe de ser considerado mera informação referencial para se tornar um campo vasto e profícuo às investigações que se propõem a detectar como valores da tradição medieval, bem como acepções e estruturas de organização mental e cultural presentes na força retórica e nos artifícios figurativos utilizados para caracterizar as terras do Novo Mundo, articulam-se no referido discurso.

Em vínculo às teorias desconstrucionistas as quais, contra as possíveis falácias do binarismo que distingue inexoravelmente história e literatura, filosofia e ciência, dentre outros, propugna-se a aproximação de tais fronteiras que se tornariam fluidas, flutuantes. É de acordo com este segundo paradigma nocional, que localiza o discurso cronístico no campo movediço situado entre o discurso literário e o histórico, que este breve escrito tentará analisar os relatos do Pe. Fernão Cardim, intitulados Tratados da Terra e Gente do Brasil (1980) 1, no intuito de observar como as analogias e anagogias presentes na tradição dos Bestiários medievais se articulam à necessidade de descrever e catalogar a realidade recém-descoberta.

Na perspectiva aqui adotada, esta narrativa colonial é compreendida como ferramenta através da qual implicitamente se manifestam os parâmetros organizacionais codificados de um discurso pautado no eurologocentrismo patriarcal europeu. Para detectar os mecanismos de articulação discursiva será necessário, portanto, efetuar o desmembramento dos enunciados para desvelar, nas fissuras de um discurso aparentemente metálico, as marcas do ambiente cultural, intelectual e religioso, vigente à época dos descobrimentos, como resquício da medievalidade, cujos ideários apenas começavam a se desmantelar com os tênues indícios da modernidade adventícia. O discurso dos viajantes estará povoado das acepções simbólicas da realidade, sempre vinculadas a arquétipos provenientes do imaginário medieval europeu. À realidade insólita das terras descobertas, serão sobrepostas impressões ancestrais provindas da construção mental de uma realidade factícia, vinculada às regiões periféricas da Terra e ao ameaçador "mar oceano", impressões estas que serão disseminadas ao longo dos textos.

O discurso cronístico reproduz, de forma explícita ou tácita, as estruturas mentais advindas da tradição medieval. O predomínio das autorictas formulae em detrimento do conhecimento empírico faz de nomes como Ptolomeu, Heródoto, Eliano, autoridades incontestáveis. Dentro desse discurso da tradição disseminado ao longo dos escritos, se encontram os chamados livros-bestiários, manuais da pseudo-zoologia medieval, nos quais os espécimes animais são descritos física e comportamentalmente em contínuas associações aos seres humanos. A associação se estende aos ensinamentos para boa conduta dentro da moral cristã, e esta moralização não raras vezes obedece a princípios bastante arbitrários, constituindo uma zoologia simbólica que somente pode ser compreendida dentro das acepções da natureza e da realidade no medievo. Desse modo, a natureza só é compreendida como referência a um plano transcendente, visto que o mundo material, natural e histórico são dependentes da superioridade de Deus. Segundo Beckhofer-Fialho 2,

mixing fact and fiction with a dab of moralization, bestiaries becames incarnations of the medieval mind which so preoccupied itself with salvation that it could scarce look beyond its horizon without seeing it through God-tainted glasses.

A natureza, nessa perspectiva, é vista como "livro divino da criação" e estabelece tensão permanente com o saber livrescamente constituído e apreendido. Todas as ações humanas e animais estão previamente determinadas pelo Arquiteto Universal e os elementos naturais constituem uma teofania, pois são percebidos como manifestações divinas materializadas. Desse modo, mesmo as anomalias e as monstruosidades figuram no plano divino da criação, são previstas por Deus e oferecem um ensinamento ao homem. Este princípio da harmonia cósmica está figurado nas Etimologias 3 de St. Isidoro de Sevilla na qual este defende que o conhecimento das coisas passa pelo conhecimento de suas raízes etimológicas. Bastante enraizado cristianisticamente no processo adâmico da nomeação dos elementos naturais, este fonocentrismo já se manifesta biblicamente na máxima " no princípio era o verbo" (Jo 1, 1-14) como construção performativa e condição de existência para todas as criaturas.

As formulações presentes no imaginário medieval europeu encontraram forte respaldo na observação da realidade insólita representada pela América. As fabulosidades cuja existência figurativa se provava nas partes periféricas e longínquas do orbis terrarum foram associadas aos elementos constitutivos da realidade material americana.

Como os indígenas não constituem um sistema racionalmente organizado, são tomados como realidade objetual in natura , constituindo um segundo topos : a naturalização. Nesse sentido é que Peter Mason 4 afirma, sobre as raças monstruosas da Europa - Cynocephali, Amazonas, Blemmyae - que elas são uma espécie de script , "são textualmente constituídas, participam da textualidade e não requerem um discurso sobre elas, pois são em si mesmas, diretamente legíveis". 5

O discurso cronístico, tal como se apresenta, possui traços peculiares de retórica e figuralidade e não obstante tal aspecto, constitui a única fonte de informação sobre a América à época dos descobrimentos. O texto-crônica, como relato, está preso em um contundente paradoxo: autorizado a veicular informações sobre o Novo Mundo, termina por fornecer informações sobre a própria estrutura organizacional do pensamento euro-cristão no início do século XVI (e término do século XV), vinculado ao corpus medievalista que o permeia, nos proêmios da transição à Idade Moderna. Aspirando a ser registro historiográfico do Novo Continente, do qual dependeria a imagem européia da América para os não-viajantes, as crônicas de viagens constróem uma imagem impossível de ser verificada e, portanto, criam uma tensão cúmplice entre o discurso sobre a América como texto e as representações da América que são seus efeitos 6. No caso da América, frente às circunstâncias nas quais se dá a conquista - precariedade dos meios 7, reduzido número de personas que teriam acesso de primeira mão às informações, impossibilidade de se provar a veracidade dos relatos in loco - Peter Mason considera que, por um processo de metonimização, os discursos apresentados (tanto em texto como em imagens) sobre a América são a América; de tal modo se aproximam discurso e representação que um conceito da América como ela é, torna-se uma noção desprovida de sentido.

Das diversas nuances que podem ser conseguidas da combinação discurso/representatividade, o discurso cronístico apresenta um dos mais intensos amálgamas entre estes dois fatores e a representação confunde o substractum real com o imaginário, por meio de códigos implícitos que podem ser percebidos nas fissuras presentes nos elementos lexicais (textuais) ou visuais (iconografias). Nesse sentido é que podemos ler a bestialização dos índios como gerida por critérios que pode ser verificados nos pressupostos bestiários. O Bestiário Latino do séc. XII, editado e traduzido por White 8 traz a seguinte explicação para o termo besta :

They are called Beasts because of the violence with which they rage, and are know as 'wild' (ferus) because they are accustomed to freedom by nature and are governed (ferantur) by their own wishes.

Os indígenas "sem fé, nem lei, nem rei" ( cf. Gândavo ) se encaixam perfeitamente neste axioma pois se regem por seus próprios instintos naturais, sendo femininamente desorganizados, portanto, verdadeiras feras selvagens. Lynn Glaser 9 também observa a dificuldade de reconhecimento da diversidade cultural, considerando que o período do Renascimento não foi apenas o período de descoberta do Homem, mas que o surgimento da América no horizonte cultural europeu, significa o surgimento de outro tipo de homem, regido por parâmetros culturais diametralmente opostos. Não obstante "vozes minoritárias" - Montaigne, P. Martyr, B. Inanblin - insurgem-se na defesa do relativismo cultural, os ameríndios prosseguem sendo percebidos como bestas humanas. Seria necessário, a partir da certeza que havia vida para além do familiar orbis terrarum , delinear um novo contorno para o anthropos , um contorno que ameaçava os parâmetros estabelecidos e sobre o qual a superioridade européia deveria incidir para forjar, nessa realidade alienígena, seus próprios contornos, transformando o Outro no Mesmo, para defender-se de seu medo. Arranz, em um estudo sobre a utilização de monstros e raças monstruosas como instrumento político-filosófico no séc XVI, afirma:

la Europa del slglo XVI aún arrastra algumas concepciones mentales de las centurias anteriores: a) el hecho de que los engendros e prodigios pueden aún funcionar, al igual que en los siglos medievales, como objeto de lecturas transcendentes o interpretaciones alegóricas; b) la creencia más o menos extendida de que algumas zonas inhóspitas de la tierra constituyen un reducto de razas y seres fabulosos ya conocidos desde la Antigüidad. 10

No caso dos relatos dos cronistas, o uso das referências teratológicas de modo isolado ou não, obedece a um intento propagandístico assumido pelos descobridores em relação à Europa; as interpretações alegóricas e moralizantes também permanecem de modo esparso.

Visto isso, os nativos serão descritos, ilustrados, pintados como selvagens, dentro da acepção dupla que este vocábulo oferece. Segundo a dicotomia colombiana bom/mau, o selvagem será alternadamente caracterizado como bon savage e como bestas irracionais. Dessa segunda acepção é que resultam as associações do ameríndio às figuras do homem e da mulher selvagem, da bruxa, do tolo e do louco as quais já faziam parte do universo cultural popular europeu como párias da sociedade.

O texto de Cardim relata as particularidades dos seres animais e vegetais que se encontram na terra, rios e mar, bem como os seres fantásticos, como se verá a seguir. Atribui ao clima, delicado e sem alterações bruscas de temperatura, a longevidade dos indígenas: "O clima do Brasil geralmente he temperado de bons, delicados, e salutíferos ares, donde os homens vivem muito, até noventa, cento e mais annos" (25) numa manifestação remanescente da crença na existência de uma das raças plinianas, os Macrobii , que pela residência em regiões afastadas e saudáveis, viviam longamente.

Motivos relacionados ao mito do paraíso terreal aparecem na tendência à superlativização da realidade, característica nodal do discurso da superabundância. Assim é que a árvore - fonte aparece descrita:

Esta árvore se dá em os campos e sertão da Bahia em lugares onde não ha agua; he muito grande e larga, nos ramos tem huns buracos de comprimento de hum braço, que estão cheios de agua que não tresborda nem no inverno, nem no verão, nem se sabe donde vem esta agua, é que della bebão muitos, quer poucos, sempre está em o mesmo ser, e assi serve não sómente de fonte mais ainda de um brande Rio caudal, e acontece chegarem 100 almas ao pé della e todos ficam agasalhados 11.

Diz-se não saber a origem da água, mas bem que ela poderia ser proveniente de um dos quatro rios 12 que brotaram da fonte sagrada no Paraíso. Caranguejos, peixes-bois e tartarugas gigantes também compõem o quadro da superfertilidade da Terra Brasilis .

A particular associação animal/animal se faz mais discretamente nas afirmações sobre a existência de insetos nocivos na terra que traduzem tacitamente a contradição entre ideário da ótica européia e as intenções promocionais do relato:

Sobretudo tem este Brasil huma grande commodidade para os homens viverem que se não se dão nella persobejos, nem piolhos, e pulgas ha poucas; porem, entre os Índios, e negros da Guiné achão piolhos; porem não faltam baratas, traças, vesperas, moscas e mosquitos de tantas castas, e tão crueis, e peçonhentos, que mordendo em huma pessoa fica a mão inchada por tres ou quatro dias maximé aos Reinóes que trazem o sangue fresco, e mimoso do pão e vinho, e mantimentos de Portugal 13.

Em verdade, a sectarização humano/não humano obedece a um mecanismo implícito de avaliação criteriosa dos requisitos necessários para a inserção nos campos humanidade/animalidade ou irracionalidade. A rígida separação entre humanos e "bestas" encontra, perante o olhar europeu, uma ameaça aos seus limites. Os indígenas se encontram na fronteira entre o humano e o animal e, na dúvida, a segunda metade prevalece. O ser humano é um "bípede sem plumas" e este fato per se já o diferencia do gênero "quadrúpedes": transcendentalmente a impossibilidade dos quadrúpedes de se manterem eretos denuncia sua inclinação para as coisas terrenas (de onde buscam sua sustentação), aos apetites carnais; o homem, na posição vertical está apto a se distanciar da terra e elevar seus olhos ao firmamento 14.

A contemplação do mundo recém-descoberto efetuada por este prisma faz com que surja no mesmo, por meio da atualização discursiva da realidade, aspectos poucos prováveis do ponto de vista objetivo. Exemplificação da subjetividade cristã contaminadora do discurso se faz na descrição da bananeira, designada pelo vocábulo Pacoba 15:

Esta he a figueira que dizem de Adão, nem he arvore, nem erva porque por uma parte se faz muito grossa, e cresce até vinte palmos em alto; quem cortar atravessadas as pacobas ou bananas ver-lhes-á no meio uma feição de crucifixo, sobre o que os contemplativos têm muito que dizer.

O que os contemplativos diriam? Certamente que o Senhor deixa suas marcas nos locais mais inóspitos e em tudo manifesta seu poder misericordioso... Fica óbvio que a América é habitada por um "povo que vivia nas trevas" as quais precisam ser vencidas pelo facho luminosamente penetrante conduzido pelo conquistador através das entranhas da terra-virgem, para inseminação dos valores crísticos patriarcais.

Um outro mecanismo de representação das terras americanas se faz por meio da monstrualização do feminino, que surge em Cardim e em outros cronistas contemporâneos a ele ou não, por meios de metaforizações inseridas nos liames do simbolismo animal:

Estes homens marinhos se chamão na lingua Igpupiára (...) parecem-se com homens propriamente de boa estatura, mas têm olhos muito encovados. As femeas parecem mulheres, têm cabellos compridos, e são formosas; achão-se estes monstros nas barras dos rios doces. ... O modo que têm de matar he: abração-se com a pessoa tão fortemente beijando-a, e apertando-a comsigo que adeixão feita toda em pedaços; ficando inteira, e como a sentem morta dão alguns gemidos como de sentimento, e largando-a fogem; e se levam alguns comem-lhes sómente os olhos, narizes, e pontas dos dedos dos pés e mão, e a genitalias, e assi os achão de ordinario pelas praias com estas cousas menos 16.

A existência desse monstro que associa instintos sensuais e sexuais à ocorrência da morte denuncia em Cardim a presença de um temor ancestral do homem em ser destituído de suas atribuições másculas pela mulher. Nesta passagem de Cardim, independente de se constatar a veracidade do relato ou não, podemos auscultar ecos da arquetípica imagem moral e simbolicamente marcada da vagina dentata , percepção que se faz possível dadas as atribuições sexuais das quais se reveste o discurso cronístico na perspectiva simbólica adotada. O medo europeu da emasculação manifesta-se, entretanto, como uma faca de gume duplo: uma vez que teme a própria perda da masculinidade, afirma que os naturais são encontrados neste estado.

Desse modo, como anteriormente afirmado, a preocupação em se conceituar a América como ela É, sem considerar sua representação discursiva - seja verbal ou imagético-alegórica - no contexto cultural dos descobrimentos é tarefa completamente ausente de significação. Isto porque os relatos sobre a América, por um processo de simbiótica metonimização, terminam por se tornarem a própria América dado que sua existência se concretiza a partir da efetivação dos mesmos.

Percebidos como uma variação por demais radical do anthopos - a qual bastaria per se para redefinir os próprios liames deste - os nativos são excluídos, pela visão européia maniqueistamente estruturada, da conceituação de humanidade, de modo que, o imenso corpus verbal (e verbalizante) que constitui as crônicas de viagem, apenas a voz do colonizador se faz ouvir.

 

 

Cardim, Fernão. Tratados da terra e gente do Brasil . Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1980. (Reconquista do Brasil, vol. 13). O texto se divide em três partes: I. Do clima e Terra do Brasil - E de Algumas Cousas Notáveis que se encontram assi na Terra como no Mar; II. Do Princípio e Origem dos Índios do Brasil e de seus Costumes, Adoração e Ceremonias; III. Informação da Missão do Pe. Christóvão de Gouvêa às partes do Brasil - ano de [15]83 ou Narrativa Epistolar de uma Viagem e Missão Jesuítica. O Pe. Fernão Cardim se aventura por diversas perspectivas para descrever e comentar a realidade observada: a geográfica dentro da qual descreve a terra, seu clima, sua condição de habitabilidade; a etnográfica onde podemos encontrar as considerações sobre os aborígenes e seus padrões comportamentais e culturais; a zoológica-botânica na qual se encontram descritas a fauna e a flora; e a historiográfica que consiste na narrativa epistolar, relatório histórico de uma viagem a uma terra pouco conhecida.

Beckofer-Fialho, A. Medieval Bestiaries and the Birth of Zoology . University of Alberta, 1995.

Isidoro de Sevilla, San. Etimologías. Ed. José Oroz Reta y Manuel Casquero, Madrid, 1986.

Mason, Peter. Deconstructing America : Representatios of Other . Routledge, London and New York, 1990. Analisando a concentração de três raças monstruosas específicas na América ( Blemmyae , Amazonas , Anthopophagi ) afirma que a sugestão da existência de Amazonas na América se constitui em um dos mecanismos estratégicos de emasculação do masculino, uma vez que as amazonas, pela inversão das relações normais entre os sexos (viviam em uma sociedade constituída apenas por mulheres) dentre outras, significavam, por seu caráter masculinizado, a ausência da marca sexual (macho) em seus parceiros. (p.110-111).

Mason, Peter. Op. Cit . p.174, tradução nossa.

Uma das estratégias destacadas por Peter Mason, Op. Cit . é o mecanismo de autópsia , no qual a veracidade é assegurada pelo testemunho ocular e pela presentificação do sujeito-testemunha no local dos acontecimentos.

A respeito das condições materiais, religiosas, morais, econômicas e intelecto-científicas sob as quais viajavam os navegantes, bem como os instrumentos náuticos utilizados, veja-se Amado, J. & Figueiredo, L. C. No Tempo das Caravelas . Editora Contexto/CEGRAF - UFG, São Paulo e Goiânia, 1992. p.63-89

White, T. H. The Book of Beasts, Being a Translation in Full from a Latin Bestiary of the 12th Century . J. Cape , London , 1954. p. 07.

Glaser, L. All sorts of Indians. In America on Paper - The First Hundred Years . Associated Antiquaries Philadelphia, Pa, 1989.

Arranz, J. J. G. La Imagen del Monstruo como Instrumento Político -Religioso en el Siglo XVI, Separata de Las Edades de la Mirada , Universidad de Extremadura, s.d.

Cardim, F. Op. Cit . p.80.

Como referência à origem dos quatro rios (Fison, Geon, Tigre, Eufrates) veja-se Gen. 2, 8-14.

Cardim, F. Op. Cit . p. 59.

St. Ambrose. Hexameron. Six Days of Creation - Six. Selections, s/d.

Cardim, F. Op. Cit . p. 189.

Cardim, F. Op. Cit . p. 50.