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Imagens e símbolos em La guerra del fin del mundo
Cláudia Mentz Martins (PUCRS - Uruguaiana)
Em La guerra del fin del mundo , 1 de Mario Vargas Llosa, é narrado um acontecimento marcante da história brasileira: a Guerra de Canudos, ocorrida no sertão baiano, à beira do rio Vaza-Barris, numa fazenda que dá o nome ao episódio, tendo esse alcançado entre 1897 e 1898 seu período culminante. Nossa atenção, por esse evento histórico, não foi despertada pelo fato de a congregação de homens famintos e enjeitados sociais ocorrer numa das regiões mais pobres do país, mas ter se caracterizado como um dos maiores massacres coletivos, no solo nacional, promovido pelo Exército Brasileiro.
Ao tentarmos entender o que levou milhares de sertanejos a participar voluntariamente desse movimento, utilizaremos uma das suas versões oferecidas pela literatura e seguimos as pistas que o autor peruano deixa de sua própria interpretação. Nosso olhar detém-se, inicialmente, na figura central do movimento, isto é, em Antonio Conselheiro, e, depois, no espaço onde a guerra ocorreu.
Antônio Vicente Mendes Maciel inicia a vida de andarilho falando dos ensinamentos bíblicos e da moral cristã pelos diversos arraiais nordestinos. Ao longo dos anos, suas pregações são ouvidas pelos sertanejos como conselhos, originando-se daí sua alcunha, o Conselheiro. Segundo Robert Levine, o nome Conselheiro provém da forma como, no sertão, denominam-se os missionários laicos. Além disso, tal título demonstra que as pessoas o consideravam "mais que um beato, [mas] um sábio conselheiro, título religioso oitocentista que poucos sertanejos chegaram a receber . " 2
Uma das razões de esse homem possuir um grupo de seguidores, formado tanto por sertanejos quanto por jagunços, consiste na crença que todos têm de que ele seja um enviado de Deus, com a capacidade de se comunicar com Esse, que o ilumina e inspira em seus sermões. As prédicas que diz são comparadas pelas personagens aos Evangelhos, isto é, aos livros bíblicos referentes à vida e aos ensinamentos de Cristo na Terra. Assim, é feita uma aproximação entre o Conselheiro e Jesus, colocando-os num mesmo patamar de santidade e importância religiosa.
A aparência física do Conselheiro ¾ sua magreza, seus gestos, a inexistência da vaidade ¾ torna-o um indivíduo atemporal, sem marcas de uma origem, o que lhe delineia como um ser etéreo, atraindo a todos mesmo que por simples curiosidade:
El hombre era alto y tan flaco que parecía siempre de perfil. [...] Era imposible saber su edad, su procedencia, su historia, pero algo había en su facha tranquila, en sus costumbres frugales, en su imperturbable seriedad que, aun antes de que diera consejos, atraía a las gentes. 3
Este homem, ao caminhar pelo arraial de Canudos, apresenta traços que nos ajudam a aproximá-lo de uma figura profética, divina, chegando a conjugar ambas. A presença constante de um cordeirinho a seu lado lembra as várias ilustrações, dentro do Cristianismo, de Jesus segurando esse animal. O uso de um cajado, que o auxilia a andar, remete-o aos profetas bíblicos como Moisés, que se apoiava em um bastão, enquanto se locomovia ou falava com seu povo. Para Leopoldo Bernucci, 4 também é percebida uma semelhança entre essas duas figuras ao compararmos a vida de ambas porque, para os respectivos seguidores, tanto Moisés quanto o Conselheiro são designados por Deus para guiá-los até a Terra da Promissão.
Antonio Conselheiro transmite às pessoas a impressão de não ter necessidades vitais, como dormir ou comer, as quais reforçam seu aspecto sobre-humano. A aparência sobrenatural de Antônio Conselheiro é também favorecida pela descrição dada a sua voz e a seus olhos. No concernente à voz, o narrador assim a apresenta: "su voz cavernosa"; 5 " Él les hablaba al fin, con esa voz cavernosa que sabía encontrar los atajos del corazón" . 6O adjetivo cavernosa, ligado à voz, remete à idéia de essa estar sendo emitida das profundezas do ser daquele homem. A caverna, que lembra um lugar profundo e obscuro, parece ser o local de origem das palavras que conquistam os ouvintes. No Cristianismo, a caverna é o lugar que permite a passagem da terra para o céu e vice-versa. 7 Por possuir essa característica, a voz do Conselheiro, que prega temas bíblicos e apocalípticos, dá a impressão aos sertanejos de elevá-los ao céu, dissipando o temor causado pelas lutas a serem travadas contra as expedições que os atacam. Já os olhos aparecem caracterizados em diversos momentos da obra, como, por exemplo, em: "en el llanto el fuego negro de sus ojos recrudecía con destellos terribles"; 8 "los ojos - intensos a la vez que helados - del santo"; 9 "sus ojos helados y obsesivos". 10Seus olhos, ao mesmo tempo gelados e ardentes, pela dicotomia apresentada, cativam os jagunços e os mantêm atentos. O fato de serem negros e vermelhos (cor do fogo) indicam a intensidade e o vigor que brotam do interior desse homem.
As características referentes à voz e aos olhos do Conselheiro, quando unidas, formam um conjunto fascinante aos sertanejos. Somadas ao físico do messias, transformam-no num indivíduo singular, tão diferente dos habitantes da região, que não pode ser igual a eles, mas um ente superior. Sua conduta, condizente com suas falas, seus hábitos austeros e castos geram, junto à população do sertão, o respeito. Ao contrário dos padres das paróquias locais que não têm uma existência pautada nos preceitos da vida clerical, o Conselheiro é visto pelos sertanejos como um homem religioso melhor do que aqueles que oficialmente deveriam zelar por suas almas, passando a considerá-lo um santo.
Na narrativa, o fim do mundo é o assunto mais freqüente, senão o único, a figurar nas falas do líder, quando Canudos sofre os ataques das expedições que buscam acabar com a comunidade:
Un tema frecuente seguía siendo el fin del mundo. La tierra, cansada después de tantos siglos de producir plantas, animales y de dar abrigo al hombre, pediría al Padre poder descansar. Dios consentiría y comenzarían las destrucciones. Era eso lo que indicaban las palabras de la Biblia: "¡No vine a establecer la armonía! ¡Vine para atizar un incendio!" 11
A cada nova fala do líder, os discípulos ficam convictos de que ele pode prever os fatos que sucederão, porque, confirmando o que ele disse acima, Belo Monte é destruído por vários focos de incêndios causados pelos incessantes bombardeios do exército.
Ao sucumbir concomitantemente ao desabamento da torre da Igreja de Santo Antônio, que era um dos principais símbolos de Canudos, o messias confirma seu elo com a religião e com a comunidade que estava construindo.
Como os canudenses estabelecem uma estreita ligação do seu líder com o Pai e o Filho, enxergam nele uma aura divina, o que faz com ele esteja sempre relacionado ao sagrado. No episódio em que o Beatinho e as mulheres do Coro Sagrado comungam o excremento expelido pelo moribundo messias, por acreditarem que seja um óbolo, há a manifestação do sagrado, pois, para esses adeptos, tudo o que provém do enviado de Deus tem um caráter espiritual e superior à aparência mundana.
Tal atitude por parte dos discípulos indica que, para eles, o Conselheiro é um ser puro e gerador do alimento que deve nutrir a alma dos crentes. A capacidade dos canudenses em sacralizarem um ato fisiológico encontra explicação no fato de pertencerem a uma sociedade que preserva valores arcaicos, tradicionais, e conserva uma grande religiosidade. Segundo Mircea Eliade, para o homem "primitivo", religioso, habitante das sociedades tradicionais ¾ apresentado como o contraponto do "moderno", a-religioso, e morador das sociedades industriais ¾ , um ato orgânico nunca é visto simplesmente como fisiológico, podendo assumir o caráter de comunhão com o sagrado. 12 Isso é possível devido ao acesso desse indivíduo às infinitas experiências, que podem ser consideradas "cósmicas". Para o homem das sociedades arcaicas, a exemplo dos conselheiristas, a vida como um todo é passível de obter a santificação, pois, ao mesmo tempo em que tem uma existência humana, também participa de uma outra relacionada ao "Cosmo" ou aos deuses. No caso dos crentes de Belo Monte, a aceitação de que o Conselheiro é um ser que produz de forma espontânea um "sacramento", composto pela sua porção espiritual ¾ essência e alma ¾ , confirma a crença em sua santidade, despindo-o de sua condição humana para vesti-lo de um estado trans-humano.
Segundo a Bíblia, o maná foi o alimento que Deus mandou, sob a forma de chuva, aos israelitas para fazê-los resistir no deserto. Desse modo, utilizando o seu corpo, o Conselheiro oferece aos seguidores o sustento que deve ajudá-los a sobreviver e a nutrir sua fé, durante o período final de provação imposto pela guerra.
O Conselheiro habita, no centro do povoado, um casebre próximo às igrejas chamado Santuário que, pela denominação, sugere a parte mais sagrada de Jerusalém, onde se guardava a Arca da Aliança. Por comparação, esse homem é aquele que deve difundir os ensinamentos de Deus entre os homens. Os seguidores têm certeza disso por identificarem entre si alguns que se assemelham aos apóstolos.
Apenas para citar um desses sertanejos/apóstolos, mencionamos João Abade. Anteriormente conhecido como João Satã, ele é um indivíduo que transforma sua vida ao seguir o Conselheiro. A principal alteração que realiza, ao lado da mudança do comportamento, é a troca de seu nome demoníaco por um religioso. Dessa forma, o Conselheiro mesmo que negue qualquer aproximação com a Trindade Divina "rebatiza" um homem. Ao acompanhar o Conselheiro, João acaba tornando-se o apóstolo dele, que, por conseqüência, assemelha-se a Cristo.
No momento em que o Conselheiro revela a fazenda de Canudos como o lugar escolhido para o estabelecimento de sua comunidade, transmite aos crentes a idéia de que o local indicado é um espaço sagrado. Com esse gesto, o beato realiza a fundação de um mundo, onde os homens religiosos devem viver. Antônio Conselheiro troca o nome de Canudos por Belo Monte, antes do confronto com a segunda expedição, ao explicar aos discípulos a blasfêmia dos soldados em quererem invadir o espaço onde estão, isto é, um terreno santo onde os infiéis não devem ter acesso.
Belo Monte passa a ser considerado um lugar separado da circunvizinhança e de todo o sertão, configurando-se, para os canudenses, como o único que é real, que efetivamente existe. Segundo Mircea Eliade,
Quando o sagrado se manifesta por uma hierofania qualquer, não só há rotura na homogeneidade do espaço, como também revelação de uma realidade absoluta, que se opõe à não-realidade da imensa extensão envolvente. 13
Belo Monte não é visto apenas como "um lugar", mas é considerado "o Centro do Mundo", no qual os conselheiristas devem se estabelecer a fim de usufruírem o "viver" pleno.
Com a designação do lugar alterada de Canudos para Belo Monte, o Conselheiro troca a conotação terrena do lugar por uma espiritual. Duas podem ser as explicações para tal atitude. A primeira diz respeito à geografia, porque mesmo o arraial se localizando numa depressão, ao ser chamado de "belo monte" transforma-se, na imaginação dos crentes, num ambiente elevado, fazendo-os com que se sintam mais próximos de Deus. Esse lugar assume, pois, a configuração de "Axis mundi", 14 por tocar de alguma forma no Céu, ligando-o à Terra, e, por indicar a região mais alta do mundo, aquela que os conselheiristas devem identificar como o "nosso mundo". A segunda explicação, por sabermos do apego religioso do Conselheiro, pauta-se na passagem bíblica em que Moisés recebe as Tábuas da Lei: Deus as entrega a ele num monte, o Sinai. Ora, se o Conselheiro é um enviado divino com a função de lembrar os sertanejos dos preceitos cristãos e preparar-lhes para o Juízo Final, o lugar que escolhe para isso se não é efetivamente um monte, pelo menos assim se chama, e é belo por conter um povo disposto a obedecer as lições do Senhor e do Filho, e de não ter a presença dos ímpios nas suas terras.
Ao longo da narrativa, Belo Monte vai recebendo epítetos que lhe reforçam a qualidade de "terra santa", como, por exemplo, terra do Pai e do Bom Jesus, terra do Senhor, ou ainda, Jerusalém, sem que isso cause estranheza entre os moradores. Além disso, tem nome de santos para designar as ruas, as vielas, os principais pontos da cidade: "esquinas de San Crispín, de San Joaquim, de Santa Rita, de Santo Tomás, de Espíritu Santo, de Santa Ana, de San José, [...]" 15
Ao ser habitado por homens considerados religiosos e pertencentes a uma sociedade tradicional, Belo Monte simboliza o Cosmos, existindo fora dele o Caos. Em suas profecias, o Conselheiro apresenta Canudos como um lugar especial, fazendo com que os canudenses e os demais sertanejos tenham a certeza de que o arraial é um círculo fechado, em contato com o Céu e, em virtude disso, possuidor das condições básicas para a sobrevivência: alimentos, esperança, fé; enquanto no seu exterior há apenas a seca, a fome, a desolação.
Se Canudos é considerado um ambiente sacralizado deve-se à crença de ser uma "porta aberta" a comunicar a Terra com o Céu, e esses com a região das profundezas. A ligação dos três níveis é efetuada por meio dos templos de Santo Antônio e, principalmente, do Bom Jesus, por ter as torres mais altas e, em função disso, estar menos distante de Deus.
O final dessa sociedade, erigida pelo asceta, é ser destruída pela sociedade global. Por ser Belo Monte, na concepção dos seus habitantes, uma terra sagrada, os seus adversários são vistos como inimigos de Deus. A República, que manda o exército, sob a forma de quatro expedições, atacar o refúgio messiânico, é equiparada a um inimigo do Criador, mostrando-se pertinente a convicção do Conselheiro em considerar a nova forma de governo nacional o Anticristo. Segundo Mircea Eliade, toda investida exterior, que tenta acabar com um Cosmos para fazê-lo regressar ao Caos, remete a um arquidemônio, que é
o Dragão primordial vencido pelos deuses nos primórdios dos tempos. O ataque de "nosso mundo" equivale a uma desforra do Dragão mítico, que se rebela contra a obra dos deuses, o Cosmos, e se esforça por reduzi-la ao nada. Os inimigos enfileiram-se entre as potências do Caos. Toda destruição de uma cidade equivale a uma regressão ao Caos. Toda vitória contra o atacante reitera a vitória exemplar do Deus contra o Dragão (quer dizer, contra o "Caos"). 16
Vários conselheiristas identificam o canhão Withworth 32, utilizado pela expedição do General Artur Oscar, como o objeto mais perigoso da guerra. Para eles, essa arma, que pretende arrasar Canudos, tem força suficiente para atingir o Templo do Bom Jesus, isto é, a Casa de Deus, razão que os leva a apelidá-la de Matadeira.
A associação que os seguidores de Antônio Conselheiro fazem desse canhão com um dragão é inevitável, pois ambos expelem fogo, queimam, destroem e matam o que atingem. Como essa comunidade foi erigida em torno de um forte sentimento cristão, os canudenses atribuem à Matadeira uma feição também religiosa, que põe à prova a fé e o desejo de salvação dos seus moradores.
Aqueles que vivem no arraial têm a certeza de estarem lutando na guerra derradeira anunciada no Apocalipse porque o Conselheiro anuncia as batalhas a serem travadas como indicativas do início do final dos tempos que, na tradição milenarista, assume a forma da luta do Bem contra o Mal.
Surpreende-nos que, com o término da guerra e com os óbitos do inspirador do movimento e dos principais discípulos, as pessoas não deixam de crer nas palavras que foram proferidas pelo Conselheiro. Isso fica explícito no diálogo que fecha a narrativa, onde uma mulher demonstra ainda crer que os canudenses obtiveram a salvação eterna:
- ¿Quieres saber de João Abade? - balbucea su boca [de una viejecita] sin dientes.
- Quiero - asiente el Coronel Macedo -. ¿Lo viste morir?
La viejecita niega y hace chasquear la lengua, como si chupara algo.
- ¿Se escapó entonces?
La viejecita vuelve a negar, cercada por los ojos de las prisioneras.
- Lo subieron al cielo unos arcángeles - dice, chasqueando la lengua -. Yo los vi. 17
Para a gente simples que acreditou no Conselheiro, nas suas prédicas e profecias, permanece a esperança, não sendo vãs a dor e a morte numa guerra que, em virtude da complexidade das relações interpessoais e político-econômicas, reforça a finalidade última da vida, isto é, desejar e lutar por uma existência digna e benfazeja. O interessante é que a simplicidade da última frase da velhinha expressa a tranqüila certeza na continuidade da crença dos conselheiristas, na vigência das promessas do messias, apesar de tanta destruição e sofrimento.
O que levou as pessoas a se dirigirem a Canudos, foi o fato de se sentirem abrigadas num território sagrado, isto é, numa realidade objetiva e não em uma ilusão. Julgaram ter encontrado aí o poder, a fonte de vida, a possibilidade de serem felizes. Essas razões foram mais do que suficientes para que lutassem pela sobrevivência do arraial. Os sertanejos sabiam que a destruição da comunidade representava a volta a uma situação de desamparo, na qual eram sujeitos pacientes e não agentes da vida, além de significar a profanação do espaço descoberto. Esses fatores e a convicção de serem as pessoas escolhidas para morar no povoado e de serem guiadas por um ente superior fizeram com que protegessem o ambiente com tanta determinação, sacrificando-se sem medo em prol dos sonhos de uma existência melhor.
VARGAS LLOSA, Mario. La guerra del fin del mundo . 3.ed. Barcelona: Seix Barral, 1993. Todas as citações reportam-se a essa edição.
LEVINE, Robert M. O sertão prometido : o massacre de Canudos. Tradução de Mônica Dantas. São Paulo: Edusp, 1995. p. 186.
VARGAS LLOSA, Mario. Op.cit. p. 15.
BERNUCCI, Leopoldo. Vargas Llosa y la tradición bíblica: "La guerra del fin del mundo". Revista Iberoamericana , Pittsburg, n. 141, p. 965-977, oct./dic. 1987.
VARGAS LLOSA, Mario. Op.cit. p. 17
CHEVALIER, Jean; GEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos . Tradução de Vera Costa e Silva et al. 10.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996. p. 216.
LLOSA VARGAS, Mario. Op. cit. p. 15.
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano . Tradução de Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
Segundo Eliade, o "Axis Mundi" é o elemento que propicia a comunicação da Terra com o Céu e vice-versa. Devido a essa característica, o território ao seu redor e que compõe, o qual o homem religioso reconhece como o "nosso mundo", é considerado a extensão terrena mais alta e, portanto, uma terra santa. Idem, p. 38-40.
VARGAS LLOSA, Mario. Op. cit. p. 480.