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Gênero e história em A mulher habitada
Cecil Jeanine Albert Zinani (UCS)

As transformações na configuração econômica, política e social, ocorridas a partir da segunda metade do século XX, ocasionaram mudanças significativas em todas as áreas, e, em especial, nas relações interpessoais. Uma das conseqüências desse processo foi a maior visibilidade da figura feminina, possibilitando a discussão do problema da mulher, uma vez que, de certa forma, o gênero está imbricado à história, especialmente na América Latina, cuja modalidade de cultura desrespeita as leis do país, como demonstra a turbulenta história dessa região, da mesma maneira que manifesta pouco apreço pela mulher, considerada como um ser inferior.

Dentro de uma perspectiva ampla, gênero e história constituem aspectos relevantes que orientam a narrativa em A mulher habitada 1, em que ficção e realidade se entrecruzam na reconstituição da história da Nicarágua, sob o nome de Fáguas, e na discussão do papel da mulher, tendo como pretexto narrativo o romance entre Lavínia e Felipe. Na realidade, a obra apresenta dois planos superpostos: a história de Itzá e a da conquista espanhola e a história de Lavínia e a da ditadura somozista. A discussão que perpassa a obra é a formação da identidade pessoal e de gênero, e isso ocorre através da consciência histórica, produto da síntese entre o passado da colonização espanhola e o presente da ditadura somozista. Dentro dessa perspectiva, este estudo pretende verificar, nessa obra de Belli, de que maneira pode ser formada a consciência histórica a partir da construção da identidade genérica.

Tanto a transformação social como a mudança pessoal referentes à situação da mulher são perpassadas pelo discurso, uma vez que normas e modelos, através dos quais se criam as redes de dominação, são estabelecidos na e pela linguagem. Assim, por meio da desconstrução do discurso patriarcal, a voz da figura feminina passa a ser ouvida, possibilitando-lhe a revelação de sua experiência e a expressão de uma nova ordem social e simbólica, cujos parâmetros desvelam o universo da mulher com a intenção de projetar uma estética de caráter feminino que possa se converter em elemento político influente na transformação dos sistemas de poder existentes.

Nessa perspectiva, A mulher habitada, além de abordar o mundo feminino, preocupa-se em estabelecer uma relação com a problemática social. Uma vez que a ação situa-se em um pequeno país da América Latina, na década de 70, é possível discutir as relações de dominação exercidas pelo poder patriarcal que se estendem por todas as camadas sociais. Nesse cenário, emerge a figura da mulher, que tenta superar essa situação, discutindo conflitos pessoais, na medida em que o estabelecimento de papéis sociais mais adequados pode facilitar a organização de uma consciência genérica e social mais efetiva.

Essa obra apresenta duas vozes narrativas: uma narradora em primeira pessoa, Itzá, a índia asteca que retorna à vida na forma e substância da velha laranjeira situada no jardim da casa de Lavínia, e um narrador em terceira pessoa, cuja perspectiva reflete o ponto de vista da personagem Lavínia. A duplicidade da enunciação desconstrói a unidade do narrador, estabelecendo uma perspectiva dialética em que se contrapõem duas visões de mundo distintas de mulheres que habitaram os séculos XVI e XX, respectivamente, mas que se assemelham devido a circunstâncias históricas e sociais. Na época de Itzá, a América Central estava sendo dominada pelos espanhóis; na década de 70, regimes ditatoriais estavam instalados na maioria dos países da América Latina. Ambas as épocas apresentam uma situação em comum: caracterizam um período de dominação e autoritarismo.

Nesse cenário, a análise da situação da mulher é relevante no sentido de verificar como ela vê o outro, como é vista pelo grupo dominante e por si mesma. Lavínia estudou arquitetura na Itália, e, ao ingressar na empresa de Julián Solera, “era a única mulher com cargo importante; todas as outras eram secretárias, assistentes, faxineiras”. (p. 35). A jovem, através de sua atuação, subverte a imagem de objeto de decoração que inicialmente deixara transparecer e conquista o respeito dos colegas homens. O sucesso no emprego consolida, de certa maneira, a situação de Lavínia e, por extensão, da mulher ativa e competente.

Itzá, por outro lado, aprende a manejar o arco e a flecha, embora o seu território seja o doméstico, já que seu umbigo, segundo o costume asteca, está enterrado sob as cinzas do fogão. Subvertendo a tradição, domina a amplidão dos campos, e torna-se uma guerreira na luta contra os espanhóis. Sua atuação não é bem vista nem pelos guerreiros, tampouco pelas mulheres das outras tribos. Mas, nem por isso recua em seus desígnios, lutando contra os espanhóis até a morte. Dessa maneira, a indígena propõe um modelo de mulher consciente dos problemas de seu país, portanto engajada na luta por um mundo melhor, e emancipada, pois suas ações são pautadas por aquilo que considera adequado, sem levar em conta as convenções sociais e culturais de sua época.

Como ocorre com as minorias, a voz da mulher sempre foi silenciada, o que a impediu de desenvolver uma linguagem própria. Desse modo, para poder expressar-se, precisa utilizar a linguagem do gênero dominante, através do desenvolvimento de uma modalidade de articulação de sua consciência por meio de ritos e símbolos que se configuram num espaço próprio. Essa percepção transforma a casa em espaço mítico, a árvore torna-se o símbolo do eterno retorno, e o duplo passa a organizar e dar sentido à existência. Lavínia, conduzida na dimensão interior por Itzá e na exterior por Flor, atravessa o espelho (como Alice), estrutura a sua identidade e dedica-se à construção da tão almejada utopia.

Outro aspecto que pode ser constatado é que a ficção escrita por mulheres constitui um modelo polifônico que abriga uma história aparente e outra silenciada. Por apresentar essa duplicidade, a escrita feminina impõe redobrado esforço na leitura das entrelinhas e na interpretação do não-dito, o que viabiliza o entendimento do sentido latente do texto – a história silenciada. Na obra em estudo, a história silenciada aponta para a possibilidade de libertação não só da mulher, mas também do homem e da nação, e é indiciada por duas possibilidades de leitura: em primeiro lugar constata-se a leitura oblíqua, realizada de uma posição marginalizada que remete à apresentação da história da colonização da América Central a partir da perspectiva do vencido. O enunciador dessa história é uma indígena que presencia as investidas dos espanhóis na conquista da nova terra, constituindo-se em valiosa testemunha dos fatos históricos. O envolvimento de Itzá nesse processo impede-a de ter uma vida de acordo com os costumes e as tradições de seu povo, pois acompanha Yarince sem as formalidades do casamento e recusa-se a ter filhos. Em segundo lugar, impõe-se o confronto dos planos narrativos, na medida em que se estabelece uma relação dialética entre passado e presente, em que o passado dialoga, complementa e explicita o presente, orientando e organizando a estruturação de uma nova realidade, em que os papéis de mulheres e de homens são redefinidos e o conceito de nação é redimensionado.

Em A mulher habitada , a história silenciada revela-se através das pistas oferecidas por um vocabulário enriquecido com expressões indígenas, o que, juntamente com a modalidade escolhida de referência ao mundo asteca, particulariza a narrativa. O centramento na personagem feminina conduz à inferência de uma visão de mundo feminina, já que focaliza, na instância da dupla narrativa e na configuração das demais personagens, o mundo particular das mulheres.

Embora Lavínia não esteja percebendo, está sofrendo a influência do seu duplo, Itzá, que sinaliza o caminho, orientando suas reações, a fim de conduzi-la para o engajamento na esperança da utopia antevista na época do descobrimento e cuja realização não foi possível no século XVI, devido à maneira como foi materializada a conquista espanhola na América. Essa sinalização vem de imagens confusas que pertencem a um passado remoto, ao qual Lavínia não tem acesso, representando uma alegoria desse período conturbado.

De forma ainda não consciente, Lavínia sente-se culpada por pertencer a uma classe social privilegiada e a uma raça que se outorgou prerrogativas de superioridade. Em vista disso, começa a prestar atenção às questões sociais ao examinar o terreno onde deve ser erguido o centro comercial e perceber que milhares de pessoas perderão seu lar e ficarão ao desamparo. Em seguida, membros do Movimento de Libertação Nacional invadem a sua privacidade, e ela precisa encarar a realidade subterrânea da qual tentara se evadir, ignorando o depoimento do médico militar que denunciava as atrocidades que o regime do Grão-general estava impondo ao país, atualizando, da maneira mais sofisticadamente cruel, os problemas da conquista. Percebe-se, assim, que passado e presente são forças históricas imbricadas, cuja síntese contém os elementos fundamentais para a estruturação da identidade da jovem.

A carga histórica que permeia a narrativa procura resgatar aspectos significativos da civilização asteca e de sua destruição. A partir da visão de Itzá, é enfatizada a brutalidade protagonizada pelos espanhóis na destruição da civilização e da cultura asteca. Eventos históricos importantes pertencem à memória de Itzá e são recuperados, na medida em que a índia procura entender os tempos modernos e atuar sobre a imaginação de Lavínia, pois intui a relevância do momento que estão vivendo. Entretanto, a percepção histórica de Itzá já se produz em relação ao tempo presente, uma vez que, participando da natureza de Lavínia, está contaminada pela visão de mundo contemporânea. Lembra-se do sofrimento que envolveu a batalha dos Escalpelados, as sucessivas derrotas infligidas pelos espanhóis, até a sua morte, nas águas. A transferência da memória da índia para Lavínia evidencia-se quando a arquiteta compara Felipe a Yarince, sem nunca ter ouvido falar de tal personagem.

Os devaneios de Lavínia, os arcos, as flechas, os arcabuzes que desenha, o gosto por decoração folclórica, a visão de batalhas sangrentas são explicadas por sua amiga Flor ao afirmar a presença indígena no próprio sangue, ou seja, remete para a carga histórica que perpassa a consciência da jovem que, juntamente com os aspectos físicos locais – vulcões, lagos, vegetação tropical – estão delineando os contornos de uma identidade pessoal e genérica que encontra na própria terra seu modo de ser e sua justificativa.

Na memória de Itzá, os invasores espanhóis são os inimigos que precisam ser combatidos. No entanto, os tempos mudaram, pois, após as lutas pela conquista da terra, mesclaram-se invasores e nativos. Representante desses novos tempos é Lavínia que, segundo Itzá, “Tem traços parecidos aos das mulheres dos invasores, mas também o andar das mulheres da tribo, um mexer-se com determinação, como nos mexíamos e andávamos antes dos maus tempos”. (pp. 8-9). Não há mais vencedores nem vencidos, assim, da confluência das duas raças surgiu um novo povo que incorporou os traços físicos, agregando o espírito e a cultura.

A questão histórica não se limita à conquista espanhola ocorrida no século XVI e vivenciada por Itzá. O século XX também está representado através do relato da ditadura vivida ficcionalmente em Fáguas, cenário de Lavínia, mas que ocorreu efetivamente na Nicarágua. A reflexão histórica é marcada genericamente, uma vez que o ponto de vista reproduz a perspectiva de Lavínia.

A época focalizada, década de setenta, foi o período da ditadura de Anastácio Somoza. Nessa fase, os grupos de oposição, que pertenciam à elite, faziam acordos com o governo, o que os descaracterizava como oposição. A Guarda Nacional, exército de confiança dos EUA, criado anos antes e comandado por um dos elementos do clã Somoza, foi o início do que seria a ditadura somozista. O movimento de oposição, representado pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), fundada na década de sessenta, passou a organizar ações armadas contra a ditadura, obtendo certo apoio popular. A operação Eureka é um fato histórico que foi recriado ficcionalmente em A mulher habitada . Esse episódio, em sua versão ficcional, constitui o clímax da narrativa, pois representa, concretamente, uma fase muito significativa na construção da utopia pregada pelo movimento guerrilheiro. Um dos grandes problemas desse fato histórico foi conseguir os táxis que transportariam os guerrilheiros para o cenário da ação. Na recriação ficcional, a morte de Felipe ocorre quando ele tenta se apropriar de um táxi.

A mulher habitada utiliza o romance de Lavínia e Felipe para contar a história da Nicarágua, através de uma perspectiva feminina. É Itzá quem conta a história do passado que envolve a conquista espanhola, enquanto a história do presente é relatada pelo narrador, através da perspectiva de Lavínia. O entrecruzamento entre passado e presente, além de relativizar os registros da história oficial, também promove o questionamento da identidade pessoal, conseqüentemente, da identidade genérica, e também da identidade nacional.

Gênero é um construto teórico que tipifica os modos de ser característicos de cada sexo e se constitui em elemento significativo na organização da subjetividade. Desse modo, a discussão das implicações ideológicas acarretadas pelo conceito de gênero remete para a possibilidade de pensar o sujeito através das representações culturais e dos códigos lingüísticos. As questões relativas ao gênero perpassam a obra em estudo, aflorando tanto no discurso como na atuação de diversas personagens.

Através do posicionamento de Flor, amiga de Lavínia, verifica-se que a problemática que envolve a questão genérica situa-se, em grande parte, na própria mulher, condicionada por uma cultura androcêntrica, que sempre definiu e priorizou os papéis sociais a partir do homem, definindo-a como o “outro”, “o inessencial que nunca retorna ao essencial” 2. Dessa maneira, o paradigma que se propõe fundamenta-se na igualdade de oportunidades e no respeito à diferença, o que implica não só o abandono de práticas que reproduzem os traços característicos da cultura tradicional, mas também na superação de estigmas genéricos cristalizados e no reconhecimento da própria identidade.

É inviável pensar a questão de gênero sem considerar que a história das mulheres, até pouco tempo atrás, foi escrita por homens, que detinham o destino delas nas mãos. A nova história, a partir de instrumental metodológico e de práticas historiográficas renovadas, ocupando-se, também, com questões genéricas, procura demonstrar que as mulheres constituem uma categoria fixa, embora exercendo papéis sociais diferentes. Preocupada mais em verificar a cultura feminina do que em documentar a “vitimização das mulheres” a documentação da realidade histórica possibilitou o movimento feminista da década de 70, cujo “aumento da consciência acarretou a descoberta da ‘verdadeira' identidade das mulheres, a queda das viseiras, a obtenção de autonomia, de individualidade, e, por isso, de emancipação” 3.

A questão genérica é essencial para a personagem principal. Lavínia é uma jovem bonita, independente e sozinha. Ter desafiado a autoridade paterna e ido morar na casa que herdara da tia constitui o seu modelo de emancipação feminina. Para conseguir seu primeiro emprego, utiliza as estratégias de sedução comuns ao sexo feminino. “Aproveitar a impressão que as superfícies polidas causavam nos homens não era sua responsabilidade, mas sim sua herança” (BELLI, 2000, p.16). A contradição entre o princípio da mulher emancipada, proposto por Lavínia, enquanto ser humano independente, portanto sujeito, e a utilização das “milenares armas da feminilidade”, isto é, objeto, evidencia certa confusão de conceitos bem como a ausência de uma identidade bem estruturada. A identidade de gênero, proposta como uma construção cultural que verifica a especificidade de atitudes e comportamentos masculinos e femininos, procura questionar os estereótipos sociais, para que possam ser estabelecidas as bases de uma sociedade mais aperfeiçoada. Dessa forma, a mulher somente se constitui como sujeito, quando se recusa ser objeto.

Na medida em que sua identidade se estrutura, Lavínia tem uma percepção mais clara do problema de gênero. Isso ocorre quando ela se dispõe a supervisionar pessoalmente a construção da casa do general Vela, que havia projetado, e precisa convencer Julián de sua competência para realizar a tarefa. Nesse segmento, Lavínia enuncia dois temas fundamentais. Primeiramente focaliza a questão da inteligência feminina, a partir de um pressuposto tradicional da sociedade patriarcal. O enunciado pressupõe que as mulheres não são dotadas de inteligência que é prerrogativa masculina por excelência. Enfatizada por Aristóteles, a idéia da inferioridade feminina atravessou os tempos, reiterada pelo cristianismo, pelo direito romano, pelos códigos posteriores, mantendo-se ainda resquícios dessa mentalidade atualmente, ainda que a legislação atual preconize a igualdade. Embora o discurso de Lavínia esteja revestido de ironia, não deixa de evidenciar idéias que circulam na sociedade.

O outro tópico abordado é a mudança que está se operando no modo de ver a mulher. De ser fragilizado e dependente, a nova mulher se impõe pela competência e seriedade com que executa suas tarefas, instituindo-se um novo sujeito, o sujeito “gendrado” que se define por suas práticas sociais e discursivas e que reconhece e valoriza a experiência feminina. De certa maneira, Lavínia aponta para as mudanças que estão ocorrendo em relação à situação da mulher e para a necessidade de as pessoas ajustarem-se aos novos tempos.

Como o estabelecimento da identidade de gênero é fator indispensável para a formação da identidade pessoal, o percurso de Lavínia se constitui como elemento paradigmático para a construção de ambas identidades. Nessa perspectiva se insere a experiência da mulher que, por meio da escritura, viabiliza a eclosão de um “eu” multifacetado o qual emerge em produções literárias, em que a discussão da problemática feminina está inserida em questões éticas, históricas e sociais, cuja exemplaridade evidencia-se em A mulher habitada . Devido a seu conteúdo de caráter simbólico e questionador, essa obra se constitui num espaço de reflexão sobre o discurso hegemônico e as práticas sociais que orientam a cultura ocidental, na medida em que apresenta uma heroína que, sem perder sua feminilidade, consegue ultrapassar as contingências de classe e de cultura para transformar a história de seu país.

A trajetória de Itzá e a trajetória de Lavínia estabelecem uma interlocução que recupera a história do passado e a confronta com a do presente, possibilitando a formação de uma consciência social e histórica da identidade nacional. A literatura apresenta-se, então, como uma modalidade de reescritura da história, fomentando a tensão entre o discurso oficial e os relatos marginalizados. Privilegiando o discurso daqueles que não fazem a história por não terem voz, a narrativa apresenta a possibilidade de representação de um novo conceito de nação, articulando os sentidos de gênero e raça.

Uma vez que tanto a construção da identidade de Lavínia quanto a da nação são eventos paralelos, na medida em que se desenvolve a consciência do presente e sua integração com o passado, delineia-se seu papel social e sua responsabilidade perante a nação, através de uma conscientização dupla e única, que contém em si mesma elementos transformadores, capazes de reescrever a realidade latino-americana.

 

BELLI, G. A mulher habitada. Rio de Janeiro: Record, 2000. As citações dessa obra, por fazerem parte da mesma edição, serão referidas apenas com o número da página entre parênteses.

BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, p. 13.

SCOTT, J. História das mulheres. In: BURKE, P. A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: UNESP, 1992, p . 83