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Forma literária e experiência brasileira no Grande Sertão: Veredas
Danielle Corpas (UFRJ)

Este trabalho procura especificar o campo de problemas, objetivos, metodologia e corpus de uma tese de doutorado sobre a crítica literária brasileira e o Grande sertão: veredas . Em síntese, o escopo da pesquisa consiste na análise crítica de uma seleção de interpretações do romance de Guimarães Rosa - aquelas que, seja diretamente, seja pela negativa, seja subliminarmente, apontam para correlações de ordem formal entre a obra literária e a experiência social brasileira.

De certo modo, a relevância dessa discussão é questão que está no ar. Ela aparece em três ensaios da década de 90 que apresentam juízos sobre a fortuna crítica do romance de Guimarães Rosa - e, em cada um deles, o posicionamento dos respectivos autores é bem distinto.

Benedito Nunes, em "De Sagarana a Grande sertão: veredas ", de 1996, considera satisfatória a situação contemporânea das reflexões sobre o livro. Distingue duas "fases" na história da recepção das três primeiras obras de Rosa ( Sagarana , Grande sertão: veredas e Corpo de Baile ): a primeira, filológica, lingüística, histórico-literária e sociológica, iria até o fim dos anos 60, a segunda, hermenêutica, teria sido, nas palavras de Benedito Nunes, "possibilitada pela ampliação que o enfoque antropológico e psicanalítico do entendimento da literatura proporcionou" a partir do início dos anos 70. Para o filósofo, uma vez alcançada essa etapa, que considera um progresso no conhecimento dos textos, o que caberia fazer, daí por diante, seria apenas explorar sua "pluralidade de sentido", inesgotável manancial que a obra de Rosa, como toda grande criação estética, oferece aos seus intérpretes. Benedito Nunes contenta-se com "a possibilidade de a interpretarmos sempre renovadamente, como se ela tivesse aparecido hoje e a lêssemos pela primeira vez", não reclama nem propõe um programa crítico que contemple aspectos dos textos cuja importância venha sendo subestimada, não vê nenhum problema na atual orientação dos estudos rosianos. Isso porque parte do pressuposto de que o principal feito do escritor foi ter convertido a ficção em "meio de depuração religiosa do homem, graças ao efeito anagógico sobre o leitor da narrativa poeticamente trabalhada, cuja linguagem, de ressonância contemplativa e de amplitude alegórica, eleva-o a um plano superior, metafísico". Do seu ponto de vista, os "inúmeros trabalhos hermenêuticos, de explicitação aclaradora do sentido filosófico-religioso latente" desenvolvidos a partir da década de 70 são um ponto de chegada na cronologia dessa fortuna crítica. 1

Diametralmente oposta é a avaliação apresentada por Willi Bolle em "O pacto no Grande sertão - esoterismo ou lei fundadora?", de 1997-98. Também distribuindo a fortuna crítica do Grande sertão: veredas por linhas de abordagem do texto - mas sem a perspectiva evolutiva de Nunes -, Bolle distingue análises "estritamente formais", "esotérico-metafísicas" e "histórico-sociológicas". Reconhecendo a importância das informações "lingüísticas, estilísticas e estruturais" fornecidas pelos estudos integrantes do primeiro grupo (as análises "estritamente formais"), afirma que esses trabalhos não chegam a "decifrar no romance a dimensão da história a partir de categorias estéticas". O crítico identifica uma grande lacuna "histórico-sociológica" na fortuna crítica do Grande sertão: veredas e chama atenção para o fato de que esse problema foi agravado, nos anos 1990, pela hegemonia das "interpretações esotéricas e metafísicas", as quais promovem o "'aniquilamento do éthos histórico', que se tornou opinião corrente entre os leitores do romancista". Propondo a inversão dessa tendência, sugere que se compreendam os signos esotérico-metafísicos à luz da história. De seu ponto de vista, a "compreensão do romance como um retrato do Brasil" constitui uma tarefa a ser cumprida pelos críticos, a matéria histórica, considerada como coisa de somenos por intérpretes que se dedicam a decodificar a simbologia esotérico-metafísica, seria uma dimensão oculta da obra que precisa ser revelada. 2

Luiz Antonio Pasta Jr., em "O romance de Rosa - temas do Grande sertão e do Brasil", de 1998, toca num ponto nevrálgico: a dificuldade de se criticar efetivamemente uma grande obra estética, diante da qual os intérpretes tendem a se colocar em atitude de reverência, enxergando "virtudes exclusivamente positivas" no universo ficcional criado, sem efetuar o "gesto de relativização" imprescindível à reflexão crítica. Willi Bolle já havia problematizado o tom excessivamente positivo com que o pacto com o Demônio é tratado nas leituras esotéricas do Grande sertão: veredas , que o apresentam como via de conhecimento das forças cósmicas. Há, porém, uma flagrante diferença de enfoque nas colocações de Bolle e Pasta. Bolle encara o problema da positivação sem ponderação apenas como decorrência das opções interpretativas ou das filiações teóricas de determinados críticos; Pasta identifica na própria obra a origem dessa característica de sua recepção. Procura demonstrar que a "estrutura de recepção" do texto se define pelo mesmo "princípio de hibridização" que constitui, a seu ver, a "fórmula de base" do livro - a simultaneidade de distinção e indistinção entre pólos opostos, a qual, por sua vez, remete a uma "contradição de base", espécie de enigma peculiar à história social brasileira: "a junção contraditória de formas de relações interpessoais e sociais que supõem a independência ou a autonomia do indivíduo e sua dependência pessoal direta". Na avaliação de Pasta, o que está em jogo não é a existência ou não de uma carga significativa da experiência nacional - que de antemão ele sugere estar implicada na configuração da obra - mas o que há para se pensar a respeito da forma como essa matéria se apresenta, ou se dissimula, no livro. 3

Como se pode ver pela confrontação desses três ensaios contemporâneos, está em aberto o debate acerca dos rumos da crítica ao Grande sertão: veredas - e não há consenso a respeito da relação entre forma literária e processo social no romance.

De saída, é preciso deixar claro que o tipo de conjugação entre o literário e o social que interessa aqui depende de uma noção muito específica: a idéia social de forma que Roberto Schwarz identificou na prática ensaística de Antonio Candido. Operar criticamente com a idéia social de forma implica encarar os fenômenos estéticos e a vida material como âmbitos igualmente perpassados por formas - formas de linguagem, formas de pensar, formas de relacionamento entre indivíduos, formas que organizam a produção, a convivência, a representação etc. Dessa perspectiva, as correlações entre literatura e sociedade vão muito além do estereótipo de uma abordagem sociológica que rastreie no texto ficcional referências, metáforas ou alegorias da história ou das características de uma sociedade.

Ainda na década de 60, no ensaio "Crítica e Sociologia", Antonio Candido já preconizava que os elementos extra-literários que se fazem legíveis na literatura fossem considerados do ponto de vista interno. Nas suas palavras: "o traço social constatado é visto funcionando para formar a estrutura"; mais adiante: "os elementos de ordem social serão filtrados através de uma concepção estética e trazidos ao nível da fatura, para entender a singularidade e a autonomia da obra". 4 Uma das grandes lições da ensaística de Candido, muito bem formulada em termos teóricos por Roberto Schwarz em seus estudos sobre os ensaios "Dialética da malandragem" e "De cortiço a cortiço", é que se obtém o maior rendimento crítico, tanto na compreensão do texto literário quanto da sociedade, quando o "traço social", os "elementos de ordem social" em questão também são tomados como formas, quando se consegue compreender as mediações que estabelecem a homologia estrutural entre formas literárias e sociais. 5

Dessa perspectiva defini o corpus da pesquisa. Foi sem dúvida a tarefa mais difícil da etapa precedente à redação da tese. Antes de iniciar o projeto, já havia feito uma boa sondagem da fortuna crítica do Grande sertão: veredas , ao longo de sete anos de pesquisa de iniciação científica e de mestrado. Mantendo sempre atenção especial aos achados interpretativos que pudessem ajudar a entender o vínculo entre o romance e a sociedade brasileira, fiquei com a impressão de que dispomos de um conjunto considerável de observações a esse respeito, dispersas nas mais diversas "linhas" de abordagem do romance.

A idéia social de forma é o prisma que confere unidade ao conjunto de leituras tão heterogêneo que me proponho analisar na tese, conjunto que reúne observações sobre a criação lingüística e a construção da narrativa, recensões que esquadrinham referências do sertão real no sertão ficcional, decodificações do ideário e da simbologia subjacente aos personagens e cenas. Todos os níveis da composição literária podem participar da configuração que assumem no texto as formas da vida social. Por isso, a princípio, qualquer que seja o aspecto da obra priorizado pelo intérprete - e ainda que a relação entre literatura e sociedade não esteja no horizonte de suas preocupações - pode haver algo na análise que contribua para a compreensão da imbricação entre as formas literárias e sociais.

Quanto aos objetivos, há três nesse trabalho.

O primeiro, imediato, consiste em sumariar um acúmulo crítico que se encontra disperso no vasto e multifacetado conjunto de leituras do Grande sertão: veredas . Sabemos que a coexistência ou sucessão apaziguada de diferentes métodos de interpretação e avaliação, sem hierarquização entre o alcance crítico das proposições específicas a que conduzem, é circunstância facilmente observável em qualquer campo da atividade intelectual no Brasil, resultado da importação de modelos teóricos da Europa e dos Estados Unidos. Em relação ao livro de Rosa, fica ainda mais confortável a aplicação de quaisquer teorias ou conceitos ao texto ficcional, porque consolidou-se um lugar-comum segundo o qual o próprio romance demandaria a dispersão por inúmeras "veredas" de interpretação. Desse ponto de vista, o nivelamento das diferentes perspectivas de leitura não é posto como questão a ser discutida, e sim tido como resposta necessária às solicitações de uma obra-prima em que se entrecruzam planos de significação de diversas ordens - a experiência regional e as sempiternas questões da Humanidade, códigos esotéricos, astúcias da razão, referências populares e eruditas, as diversas matrizes da tradição literária. Grosso modo : é como se todas as hipóteses fossem igualmente válidas já que há de tudo no Grande sertão ; assim, um certo vale-tudo da crítica estaria de antemão autorizado na obra. Em meio às tantas possibilidades de interpretação propostas para o romance, o modo como se formalizam esteticamente aspectos mais ou menos sutis da experiência brasileira permanece em plano rebaixado na escala de importância dos tópicos de crítica, e me parece que a melhor maneira de evidenciar a relevância desse debate é rever os argumentos já enunciados ou sugeridos.

A segunda intenção com tal pesquisa é esclarecer certos aspectos da lógica que rege o trabalho de crítica literária no Brasil nas últimas cinco décadas, a partir dessa amostra significativa que são os estudos sobre o Grande sertão: veredas . E a terceira - talvez menos intenção do que pretensão - é que a sumarização de comentários referentes à relação entre formas literárias e sociais no texto de Guimarães Rosa e os esclarecimentos sobre a dinâmica da crítica literária no Brasil venham a instigar novos intérpretes do romance a aproveitar a potência de certos achados para refletir sobre as peculiaridades da configuração da obra e da singular carga de experiência manifesta nela.

Tais propósitos foram, em boa parte, inspirados pelo ensaio "Nacional por subtração", de Roberto Schwarz. Refletindo sobre o fato de o enfrentamento de problemas cruciais da experiência brasileira ser entravado na dinâmica da atividade crítica, Schwarz assinala que, por uma série de razões que têm suas raízes na ordem social do país, tornou-se regra histórica o preterimento de hipóteses e conclusões propostas num momento para que se coloquem em evidência novas hipóteses e conclusões. É uma bola de neve em que se assimila ou se descarta muita coisa sem a devida ponderação, e a gente acaba sem ter noção do alcance dos avanços, do que está implicado nos acertos ou nos equívocos, da profundidade das questões em aberto. Essa descontinuidade da reflexão, nas palavras de Roberto Schwarz, dificulta a "constituição de um campo de problemas com inserção e duração históricas próprias, que recolha as forças em presença e solicite o passo adiante". 6 Se, a cada momento, trata-se com indulgente menosprezo as observações do período anterior e definem-se novos tópicos como objetos fundamentais, fica difícil aprofundar o trabalho de análise; se a toda hora estipulam-se novos critérios de avaliação e descartam-se peremptoriamente os juízos formulados a partir de parâmetros predecessores, o exercício da crítica se converte em mera aplicação de teorias a objetos.

No caso do Grande sertão: veredas , depois de quase cinqüenta anos de intenso esforço interpretativo, o que parece restar hoje para o senso comum do público leitor é uma imagem de obra-prima meio asséptica, imune aos percalços da nossa vida material, votada às grandes questões do Cosmos, da Humanidade ou da Civilização. E, no entanto, desde os primeiros comentários a respeito do livro, vêm sendo elaboradas formulações férteis para o debate que conjugue sua forma literária ao processo social brasileiro, algumas delas muito bem desenvolvidas e até bastante diretas na evidenciação dessas relações. Um bom exemplo é a discussão sobre o contexto da Primeira República, iniciada com as críticas de M. Cavalcanti Proença e Antonio Candido, presente numa tese de Walnice Nogueira Galvão que marcou época, retomada recentemente por Heloísa Starling, por vários pesquisadores da USP (Willi Bolle, Davi Arrigucci Jr., Antonio Pasta Jr.) e até pelos intérpretes, como Kathrin Rosenfield, que refutam terminantemente a hipótese de que o dado histórico-social seja relevante para a crítica do Grande sertão: veredas . 7

Enfim, trata-se de um acúmulo crítico marcado pela descontinuidade, que não se encontra sistematizado - mas existe, digamos, como virtualidade. Minha hipótese central é que, em meio à descontinuidade da reflexão na recepção do Grande sertão: veredas , subjazem resultados que favorecem a continuidade naquela "constituição de um campo de problemas com inserção e duração históricas próprias, que recolha as forças em presença e solicite o passo adiante" reclamado por Roberto Schwarz em "Nacional por subtração".

Na tentativa de reconstituir esse debate, evidenciando o alcance de seus resultados e a extensão das lacunas abertas entre argumentações de diferentes autores, tracei um roteiro de pesquisa organizado cronologicamente, critério que se reflete na disposição dos capítulos da tese, nos quais os textos críticos são agrupados em décadas. Na linha do tempo, ressaltam-se os significados e os resultados dos encaminhamentos e das elisões de determinados juízos. Qual a razão do descarte de certos achados interpretativos precedentes, da eleição de outros? Que motivações extratextuais estão por trás de cada escolha? O que significam tais escolhas do ponto de vista do contexto histórico em que se efetuaram? Que papel desempenharam na definição do direcionamento posterior da atividade crítica?

Para responder a essas questões seria pouco útil adotar a lógica de "famílias" ou "escolas" ou "linhas de interpretação", distribuindo os textos críticos em escaninhos sob rótulos como "impressionista", "formalista", "estruturalista", "sociológica", "marxista", "psicanalítica", "desconstrutivista" etc. Dadas as finalidades da pesquisa, interessa menos a filiação de cada intérprete do que a peculiaridade de cada texto. O importante é, primeiro, evidenciar o que há por trás de formulações que se esquivam de ponderar os juízos pelos quais se pautam e, segundo, ressaltar a potência de proposições que não vêm sendo devidamente aproveitadas pelos críticos - para, por fim, identificar os fatores que determinaram os rumos tomados pela discussão acerca do Grande sertão: veredas . Espero, assim, compreender como se estabeleceram, numa parcela representativa da crítica literária brasileira dos últimos cinqüenta anos, traços de continuidade, às vezes tênues, que têm sido ou podem vir a ser o esteio de uma orientação reflexiva capaz de enfocar, na mesma visada, as formas peculiares da composição literária e da experiência histórica brasileira.

 

 

Cf. NUNES, Benedito. De Sagarana a Grande sertão: veredas . Range Rede - Revista de literatura . Rio de Janeiro, nº 3, ano 4, verão de 1998, p. 68-79. (Republicado em Crivo de papel . São Paulo, Ática, 1998).

BOLLE, Willi. O pacto no Grande sertão - esoterismo ou lei fundadora?. Revista USP - Dossiê 30 anos sem Guimarães Rosa . São Paulo, nº 36, dez. / jan. / fev. 1997-98, p. 26-44.

PASTA JR., José Antônio. Temas do Grande sertão e do Brasil. Novos Estudos CEBRAP . São Paulo, nº 55, novembro de 1999, p. 61-70.

Cf. MELLO E SOUZA, Antonio Candido de. Crítica e sociologia. In: Literatura e sociedade . 8 a ed. São Paulo, T. A. Queiroz/Publifolha, 2000. Col. Grandes nomes do pensamento brasileiro.

Ver SCHWARZ, Roberto. Pressupostos, salvo engano, de "Dialética da malandragem". In: Que horas são? . São Paulo, Companhia das Letras, 1987; Adequação nacional e originalidade crítica. In: Seqüências brasileiras . São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

Cf. SCHWARZ, Roberto. Nacional por subtração. In: Que horas são? . São Paulo, Companhia das Letras, 1987.

Além dos ensaios de Willi Bolle e de José Antônio Pasta Jr, citados acima, ver também CAVALCANTI PROENÇA, M. Trilhas do grande sertão . Rio de Janeiro, MEC, 1958; MELLO E SOUZA, Antonio Candido de. Grande sertão: veredas. Estado de São Paulo , 06 out. 1956 (Republicado em Textos de intervenção . São Paulo, Ed. 34/Duas Cidades, 2002; Jagunços mineiros: de Claudio a Guimarães Rosa. In: Vários escritos . 3 ed. rev. e ampl. São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1995; O sertão e o mundo: estudo sobre Guimarães Rosa. Diálogo , São Paulo, nº 8, 1957 (Republicado com o título O homem dos avessos. In: Tese e antítese . São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1964); GALVÃO, Walnice Nogueira. As formas do falso - um estudo sobre a ambigüidade no Grande sertão: veredas. São Paulo, Perspectiva, 1972; STARLING, Heloísa. Lembranças do Brasil: teoria política, história e ficção em Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro, Revam/UCAM?IUPERJ, 1999; ARRIGUCCI JR., Davi. O mundo misturado: romance e experiência em Guimarães Rosa. Novos estudos Cebrap , São Paulo, n o 40, nov. 1994, p. 7-29; ROSENFIELD, Kathrin. Os descaminhos do demo: tradição e ruptura no Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Imago, São Paulo: Edusp, 1993.