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Quine e Campos: duas embarcações tradutórias
Ronald Taveira da Cruz (UFSC)

1- Introdução:

A epígrafe desta comunicação só se torna verídica, isto é, ela só vai acontecer, através da tradução. Não é possível os versos de Fernando Pessoa partirem para a humanidade sem que a tradução seja o combustível. Talvez eles até pudessem partir, mas não iam levar nenhuma Mensagem. Ora, versos sem Mensagem não são versos, pelo menos se Pessoa tem razão. Um leitor ou tradutor, já que todo leitor é uma espécie de tradutor, não só precisa conhecer a camada externa do verso, o que é coberto pelas diferentes línguas, ou seja, as palavras de cada língua. Ele precisa conhecer também a camada interna, a Mensagem significativa para a humanidade. Dessa forma, os tradutores ou as traduções em última análise têm uma luta interna, eles lutam pela Mensagem, pela idéia, pela alma. Eles não lutam só por traduzir as palavras, a camada externa, mas também lutam internamente, querem traduzir o significado, como demonstração da necessidade de passar a Mensagem. É nessa batalha interna que o tradutor demonstra grandemente seu ofício. Nas palavras de Gustavo Bernardo 1 ao descrever a luta interna de Vilém Flusser: "é como se ela (luta interna) nos alertasse da necessidade de lutar dentro de si mesmo e da língua, e não contra alguém ou algo" (2002: 201). Ou seja, a luta não é somente na busca da tradução da palavra certa, mas da tradução da própria Mensagem também.

Neste caminho, a tradução estaria ameaçada se não houvesse o corpo do tradutor, a sua luta interna. Antes dessa constatação, é notável destacar o porquê de começar uma comunicação sobre Quine e Haroldo de Campos com uma epígrafe de Fernando Pessoa. O problema é que quando eu ouço a palavra embarcação, navio, barco, lembro-me da NAU pessoana, melhor, vejo a Mensagem de Pessoa estampada na sua NAU: "a linguagem fez-se para que nos sirvamos dela, não para que sirvamos a ela" (1998: 73) 2. Assim, embarcações tradutórias remetem, pelo menos para mim, à Nau pessoana. A NAU de Fernando Pessoa é uma abertura ao horizonte, uma transgressão dos limites, um navegar para o além, um ir para o infinito. Quem não se lembra dos poemas de Pessoa dedicados a D. Sebastião, que foi buscar o brasão imperial pelo mar afora e que jamais retornou?

Alguém mais sensato poderia questionar: o que Pessoa pode contribuir para os estudos da tradução? Talvez uma resposta objetiva a esta pergunta pode ser mais árdua do que a ausência de resposta. Então, em vez de resposta, discutirei, em um parágrafo, o porquê deste poeta e pensador. Primeiro, a escolha Pessoa é clara para que aqueles que estão acostumados com a teoria, ele nos permite refletir profundamente sobre a linguagem . Segundo, optar por Pessoa pode parecer estranho, contudo, não menos necessário, porque ele nos abre a oportunidade de falar do tempo e do espaço , da cultura em si. A terceira grandiosidade é que Fernando Pessoa traz um tom poético-literário para esta comunicação, uma amostra do fogo da literatura . Ou seja, falar de Pessoa é reunir ao mesmo tempo a linguagem, a cultura e a literatura.

Assim, a trilogia linguagem-cultura-literatura estaria formada. Brunel 3 traz uma questão importante apresentada em Que é literatura comparada? : "Literatura, língua, nação, três entidades independentes durante muito tempo, convergiram... até formarem uma única entidade em três noções" (1995: 16). Portanto, a trilogia linguagem-cultura-literatura é uma única entidade em três noções. Esta trilogia nos abre a oportunidade de abordar a nossa preocupação original: é possível ou não traduzir? A resposta a esta pergunta vai depender de qual Nau embarcarmos. E há duas Naus disponíveis: a do Almirante Quine e a do Almirante Haroldo de Campos.

2- A Nau de Quine

Quine foi um dos filósofos universais mais importantes do século passado e a sua escolha deve-se aos trabalhos desenvolvidos na Universidade de São Paulo e seus escritos de lógica em português. A escolha dele também foi proposital: para Quine, não é possível traduzir de uma língua para outra. Quine também teve grande influência na epistemologia, na lógica e na filosofia da linguagem e é bastante conhecida a sua sustentação pela indeterminação da tradução . A tradução não é totalmente possível, porque há tramas de sentenças e elas são diferentes em cada língua.

Podemos encontrar esta sustentação de Quine em diversos textos como em Significado e tradução , Dois dogmas do empirismo ou nos livros Word and object , F ilosofia da Lógica, entre outros. Quine afirma que para traduzirmos de uma língua para outra, temos de adotar um esquema e adotar tal esquema acarreta modificar o original. Quine mostra que, por exemplo, traduzir de uma teoria numérica para a teoria de conjuntos envolve um esquema que é feito de acordo com a adequação do contexto. Dependendo do contexto, utiliza-se uma determinada teoria de conjuntos e ao traduzi-la, é preciso modificá-la.

Quine também fala do problema da tradução em uma língua indígena: o ponto inicial do tradutor não são as palavras, mas as sentenças relacionadas com os contextos ou estimulações sobre os próprios indígenas. Por exemplo, quando o Padre Anchieta quis traduzir a Bíblia para os indígenas, ele teve de observar os contextos que estimulavam uma aproximação. Assim, Jesus ficou sendo o Deus do Trovão, Maria a Iansá... Houve, desta forma, uma tradução literária, cultural e lingüística.

O problema da indeterminação da tradução está ligado com o da indeterminação da referência . Isso ficou bastante conhecido em Quine como Gavagai . Suponha que um tradutor vá a uma tribo indígena a fim de traduzir algumas palavras ou textos. Em um determinado momento, um indígena aponta para um objeto e diz: Gavagai . O tradutor ao olhar para o objeto, constata que aquele objeto apontado pelo indígena é um coelho, o tradutor conclui, portanto, que Gavagai na língua do indígena é coelho na sua língua. O problema é que quando o indígena aponta para o Gavagai, ele pode tanto está falando do coelho, como das suas orelhas, das suas patas, da habilidade ou da maneira como o coelho pula. Ora isso é radical, porque o tradutor nunca irá saber realmente qual a Mensagem que o indígena quer passar ao falar Gavagai . Daí a indeterminação da tradução : não é possível determinar o que é que vai ser traduzido. Portanto, a impossibilidade de traduzir se restringe à adequação ao original. A tese da indeterminação da tradução de Quine ainda é um problema nos dias de hoje de acordo com Malmkjær (1993) 4:

"O problema que o relativismo ontológico (de Quine) apresenta para a teoria da tradução não é simplesmente que não poderíamos distinguir traduções "boas" ou "corretas" de "ruins" ou "incorretas". O problema é que, se a questão básica de se determinar que alguma coisa é uma tradução nunca puder ser respondida, então a noção de tradução se torna, se não incompreensível - apesar de eu acreditar que se tornaria - pelo menos bem distante do domínio dos fenômenos teorizáveis. E isso seria, certamente, um desastre para uma teoria da tradução" (1993: 137).

 

Contudo, essa ameaça de Quine às teorias da tradução pode ser superada com Haroldo de Campos: se a transgressão é viável, se aceitarmos a teoria da (re)criação de Haroldo de Campos, então a tradução torna-se possível.

3- A Nau de Haroldo de Campos

Haroldo de Campos, em outro extremo, afirma que a tradução é transluciferação ou transcriação ou ainda (re)criação. A afirmação parte do princípio de que se alguém quer traduzir, ele tem de ir além do texto traduzido, no sentido de que precisa inová-lo. E para tal inovação, o corpo do tradutor tem de seguir suas próprias idéias, não há como fazer isso em uma máquina por exemplo. Ao seguir suas próprias idéias, o tradutor ajustará a língua, a literatura e a cultura de um texto de origem de acordo com as exigências do ambiente de chegada.

Em vez de uma tradução angelical, o endeusamento do original, Campos luta por uma tradução de Lúcifer, uma transluciferação: como se o original fosse possuído por um demônio que o deformasse, o transportasse a um outro ser. Nas palavras de Haroldo de Campos em Deus e o Diabo no Fausto de Goethe 5:

"Flamejada pelo rastro coruscante de seu Anjo instigador, a tradução criativa, possuída de demonismo, não é piedosa nem memorial: ela intenta, no limite, a rasura da origem, a obliteração do original. A essa desmemória parricida chamarei "transluciferação" (1981: 209).

 

Então, uma tradução completamente fiel ao original é uma tradução angelical. Os tradutores são muito mais demônios do que anjos, porque senão não haveria tradução. Esta só se consagra pela recriação, pela invenção ou pela luta interna já comentada. Campos 6 ainda escreve:

"só deixe de ser fiel ao significado textual para ser inventivo, e que seja inventivo na medida mesma em que transcenda, deliberadamente, a fidelidade ao significado para conquistar uma lealdade maior ao espírito do original transladado, ao próprio signo estético visto como entidade total, indivisa, na sua realidade material (no seu suporte físico, que muitas vezes deve tomar a dianteira nas preocupações do tradutor)(o que eu chamei de luta externa) e na sua carga conceitual (o que eu chamei de luta interna)" (1981: 47).

 

Dessa forma, ao recriar, o tradutor está possuído pelo demônio, longe de uma fidelidade inquestionável, universal, mas "antes de tudo uma vivência interior do mundo e da técnica do traduzido" (1974: 31) 7, nas palavras de Haroldo de Campos.

Assim, a tradução como (re)criação, vista como uma batalha não só pessoal mas universal, traz inquietações que merecem uma atenção privilegiada. Dentre elas, destacarei três: o Outro, a tradição e a transgressão, como representação da trilogia literatura, cultura e linguagem , respectivamente. Dessa trilogia, Campos ganha um novo impulso acerca da tradução como (re)criação.

4- O outro (o literário)

Umas das passagens mais fortes e bonitas a respeito do Outro vem de Tânia Carvalhal 8: "O texto do Outro se converte no outro do texto" (1996: 16). Em outras palavras eu diria: o texto traduzido é um outro ser. A consolidação da Literatura Comparada abriu infinitas oportunidades para reformularmos alguns conceitos, como o de fontes e influências. Com a intertextualidade, o confronto e a convergência de obras (literárias), ainda de acordo com Carvalhal, as fontes deixaram de ser apenas marcadores externos e passaram a ser elementos internos ao texto; as influências aumentaram a grandeza do receptor, este deixou de ser passivo, secundário e minoritário e ganhou força ativa, criativa e transgressora.

Perrone-Moisés 9 (1990) também faz este paralelo de Carvalhal:

"as fontes deixam de interessar por elas mesmas; elas só interessam para que se possa verificar como elas foram usadas, transformadas. As influências não se reduzem a um fenômeno simples de recepção passiva, mas são um confronto produtivo com o Outro" (1990: 94).

 

Assim, tanto com Carvalhal quanto com Perrone-Moisés, o Outro começa a possuir outras interpretações: ele passa a ser um horizonte de possibilidades, como se a obra literária já nascesse aberta à tradução. Esse Outro tem um sentido duplo. Ele é tanto o Outro autor quanto o Outro texto, o que pode ser visto nesta passagem de Carvalhal 10: "esse Outro não designa apenas uma dimensão humana, mas indica também uma alteridade textual. É o caso das traduções, processo no qual o texto do Outro se converte no outro do texto" (1996: 16).

5- A tradição (a cultura)

Falar em tradição nos remete a Jorge Luis Borges. Borges afirma que a tradição é aquilo que resguarda cada contexto histórico-cultural cristalizado, porém, este "contexto histórico cristalizado" está sujeito a uma revisão, devido exatamente aos contextos que estão em múltipla e permanente transformação, isto é, ao que é simulado futuramente. Essa tradição está absorvendo futuros gestos de interpretação, mutação e transgressão.

Não podemos viver somente da tradição, não devemos ser só conservadores, e não necessitamos ser só o passado, porque, eles podem ser modificados pelo escritor. Isto quer dizer que o escritor entra na tradição e a altera, no sentido de dar um novo modo de ser. Assim, o escritor respeita e rompe a tradição. Isso também é visível na tradução, pois, de acordo com Carvalhal 11, "uma tradução pode alterar o texto original sob influência do contexto da literatura de chegada" (2003: 246). Se a tradução pode alterar o original devido à tradição (cultura), etc, o original também pode alterar a tradição a partir da tradução. Novamente as palavras de Carvalhal 12: "os tradutores (re)formulam, a seu modo, a própria tradição" (2003: 245). Assim, com a tradução também é possível transformar ou modificar uma tradição.

Para finalizar esta parte, podemos citar Fernando Pessoa 13:

"toda a vida existe por virtude de um equilíbrio... e uma sociedade, que, porque é composta de entes vivos pensantes, é um ente vivo mental, uma espécie de organismo psíquico, deve obedecer à mesma lei da vida, e existe também em virtude do equilíbrio de duas forças - uma que tende a conservá-la, mas que não sendo bem equilibrada, a faria estagnar; outra que, também o não sendo, a faria destruir-se e dissolver-se" (1998: 31).

 

6- A transgressão (a linguagem)

Romper com a tradição nos leva a pensar em transgredir o tempo, o espaço ou a linguagem propriamente dita. Com um ar poético, Pessoa 14 escreve: "pátria-língua-portuguesa é esse lugar sem fronteiras que dá voz à ação indisciplinadora da sua palavra criadora" (1998: 197). Assim, transgressão também remete à indisciplina ou a (re)criação, todas presas à linguagem. Na tradução, podemos transgredir o tempo, o espaço, o original, a linguagem, a nação... O interessante é que podemos traduzir sem ao menos mencionar o tempo. Borges 15 afirma que "o tempo se bifurca perpetuamente para inumeráveis futuros" (1992: 108) e podemos parafrasear essa afirmação de Borges: "o espaço se bifurca perpetuamente para inumeráveis horizontes" ou "o original se bifurca perpetuamente para inumeráveis traduções" ou ainda "a linguagem se bifurca perpetuamente para inumeráveis línguas".

Transgredir também pode ser um ato antropofágico, nas palavras de Oswald de Andrade, "só me interessa o que não é meu". Esse desejo de comer o que não é meu, se confunde com o desejo de torná-lo meu. Fernando Pessoa 16 ainda escreve: " a essência do grande imperialismo é o converter os outros em nossa substância, o converter os outros em nós mesmos" (1998: 199). Então, podemos entender transgressão não só como transgredir o que não é meu, mas transgredir nós próprios. É esta última, principalmente, que faz do tradutor um corpo criativo. Quando transgride a si próprio, é quando seu corpo vai seguir suas próprias idéias, é quando ele encarna na linguagem, como nos diria Merleau-Ponty 17. Ou, nas palavras de Campos: quando estiver possuído pelo demônio.

Pessoa 18 também fala em transgressão, poeticamente: "temos que ser, em absoluto, do nosso tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio" (1998: 114). Se precisamos inovar nossa linguagem, isto é, falar não como nossos ancestrais, é porque devemos renovar sempre. Aí eu diria: renovar nós mesmos e renovar o que não é nosso também. Nesta última, a tradução surge, pois, quando um tradutor traduz algum texto, ele tem de renovar, inserindo na tradução sua linguagem, sua cultura, tornando o texto traduzido, uma espécie de literatura sua ou uma literatura da sua linguagem, logo, da sua nação. Assim, transgredimos para sermos nós mesmos. Em outras palavras, podemos dizer que da mesma forma que a gíria é a vida da linguagem, que a gíria transgride a linguagem, a tradução é a vida da obra literária, a tradução transgride a obra literária.

7- De uma Nau a outra: última mensagem

Com o avanço da pesquisa em Literatura Comparada e, principalmente, o florescer dos estudos em tradução, diversas olhares se cruzaram. Visamos o horizonte, a universalidade, destruindo, assim, as barreiras, os muros de isolamento, o egoísmo. Wellek 19 afirma que "A literatura comparada tem o imenso mérito de combater o falso isolamento das histórias literárias nacionais" (1959: 149). O que até um certo momento era acaixotado separadamente ou era segregado a uma única cultura ou nação, foi tomando ares universais.

Nossa preocupação inicia é se é possível ou não traduzir de uma língua para outra, mais rigorosamente, é possível ou não uma tradução ipsis litteris ? Ou em latim: verbum pro verbo reddere ("traduzir palavra por palavra"). Se embarcarmos na Nau de Quine, a resposta será negativa, porque é impossível traduzir palavra por palavra (verbum pro verbo reddere), pois os sistemas de significados (literários, lingüísticos e culturais) são diferentes e, quando "comparados", impõem limites um ao outro. Como Saussure já observava, em certas línguas não é possível dizer sentar-se ao sol . Por outro lado, na Nau de Haroldo de Campos, a tradução torna-se possível, contudo, ela tem de passar pelo fulcro da (re)criação. A trilogia torna-se, então, (re)trilogia. Seja a resposta positiva ou negativa, esta travessia, de Quine a Haroldo de Campos, nos mostra que perguntar se é ou não possível traduzir, ainda hoje em dia, não é nada trivial.

Pessoa 20 afirma que "sou místico, mas só com o corpo" (1998: 227). Se encararmos que o tradutor também é místico, ele só o será quando usar seu corpo-criativo, portanto, na embarcação de Haroldo Campos. Na embarcação de Quine, ele não será místico, já que a tradução sequer é possível, porque a própria tradução é mística. Mas, como pôde ter transparecido no decorrer da exposição, Quine também afirma que a tradução só torna-se possível como transgressão. Campos 21 ainda afirma que "admitida a tese da impossibilidade em princípio da tradução de textos criativos, parece-nos que esta engendra o corolário da possibilidade, também em princípio, da recriação desses textos" (1974: 24). Então, tradução só como atividade criativa, de acordo com Eneida Maria de Souza 22: "a tradução é entendida como atividade criativa, em que a liberdade do tradutor instaura o intercâmbio amoroso entre os textos, embora não se processe a fidelidade ao texto original e sim sua transgressão" (1993: 36). Portanto, a questão da intraduzibilidade de Quine já pode ser um caso resolvido, desde que se aceite a teoria da (re)criação de Haroldo de Campos.

A MENSAGEM: já que a obra literária é para Humanidade, não há outra forma de se fazer isso sem a tradução. A tradução seria como a alma desta humanidade, pois, como nos consagra Fernando Pessoa 23, "quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma" (1998: 25). Campos 24 também nos alerta a isso: "sendo impossível traduzir as palavras, conservando a intenção do autor, traduzi a idéia" (1981: 186). Dessa forma, tradução só é possível com outra alma, possuída pelo demônio.

 

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