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Haroldo de Campos, um almirante-mor no contexto tradutório brasileiro
Maria Clara Castellões de Oliveira (Universidade Federal de Juiz de Fora)

Geração-que vai § e geração-que-vem §§
e a terra § durando para sempre.

Eclesiastes , I: 4

(Tradução de Haroldo de Campos)

 

INTRODUÇÃO

O meu objetivo é entrelaçar o pensamento de Haroldo de Campos sobre a tradução de textos bíblicos, tais como ele o expôs nos textos que acompanharam as publicações do Eclesiastes , do Gênese e do Livro de Jó , e a tradução em geral e trechos extraídos das traduções por ele feitas desses textos e de poemas por ele publicados recentemente. Através de tal entrelaçamento, pretendo revelar o quanto a voz de Haroldo de Campos se entrecruza com as de Walter Benjamin, Jorge Luiz Borges e a do próprio Eclesiastes ( Qohélet , em hebraico, traduzido por Haroldo de Campos como "O-Que-Sabe"). Desse modo, ilumino uma parte importante das travessias interculturais entre o Brasil e as mais diversas nações de nosso globo terrestre conduzidas por este a quem chamo de almirante-mor do contexto tradutório brasileiro.

Em ensaio seminal, intitulado "Da Tradução como Criação e como Crítica", 1 escrito em 1962 para o 3 o . Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, que se fez realizar na Universidade da Paraíba, Haroldo de Campos afirmou "não ser indiferente a escolha do texto a traduzir, mas sempre extremamente reveladora" (p. 44). Essa escolha - seja ela feita pelo próprio tradutor ou por aqueles que patrocinam a atividade tradutória em determinado contexto - descortina os textos e autores escolhidos para fazerem parte da tradição literário-cultural desse contexto. O caso de Haroldo de Campos, nesse sentido, sempre foi sui generis , uma vez que suas escolhas tradutórias, ao invés de serem determinadas pelo sabor do público-leitor ou dos editores, foram pautadas pelas afinidades que ele possuía com línguas, formas poéticas e autores específicos.

Em 1983, Haroldo de Campos começou a dedicar parte de seu tempo ao estudo da língua hebraica, objetivando traduzir textos da Bíblia para a língua portuguesa. Indagado sobre os motivos para tal, ele disse acreditar ter sido conduzido pelas relações de empatia com o contexto intelectual judaico-alemão e de amizade com muitos intelectuais de origem judaica que se fixaram no Brasil, e, também, pela necessidade de atender a um chamado das raízes. Disse ele: "acho que devo ter antecedentes sefardistas, em Portugal, de repente, eu me vi às voltas com esta coisa, esta solicitação das raízes.". 2

O encontro de Haroldo de Campos com os textos bíblicos que traduziu, no entanto, foi um encontro de poeta, não teve por objetivo, como ele mesmo afirmou, "restituir uma suposta 'autenticidade' da língua original, nem do ponto de vista filológico, nem do ponto de vista hermenêutico" 3. O empenho com que se dedicou ao estudo do hebraico lhe permitiu traduzir para o português alguns textos da Bíblia , textos significativos, que remontam aos primeiros passos do homem sobre a terra, deixam aflorar padrões de comportamento de um mundo em formação, mostram a poesia nesse contexto primordial.

O Eclesiastes interessou a Haroldo de Campos pela possibilidade de se identificar nesse livro a ocorrência da sobreposição das visões cosmogônicas hebraica e grega e pela polissemia que envolve a palavra Qohélet (Eclesiastes), uma "'palavra-palimpesto', hebraico-árabe", 4 que pode significar pregador, colecionador de provérbios e sábio (daí a tradução fonossemântica de Haroldo de Campos, "O-Que-Sabe"). Além do mais, Haroldo de Campos se viu levado a tal livro pela sua mistura de prosa e verso de variada metrificação, mistura essa que faz com que aqueles não acostumados a uma análise literária tenham "dificuldade em reconhecer em que consistiria a 'unidade' ou 'coerência' no estilo fragmentário, paradóxico, dialógico, de um autor que expõe proposições que se contradizem e cuja lógica de argumentação não é de tipo aristotélico". 5 Além de se valer de recursos intertextuais, o Eclesiastes também lança mão do recurso que Haroldo de Campos nomeia de intratextualidade, ou seja, ele se entrelaça a outros livros da própria Bíblia , tais como o Gênese , Juízes , Reis , os Salmos e os Provérbios . 6

O Gênese interessou-o pela sua primordialidade e pela riqueza fonossemântica dos vocábulos, elaboradamente dispostos para serem lidos cadencialmente em voz alta, pela sua recorrência proposital e pelo paralelismo de suas construções sintáticas. O Livro de Jó , por sua vez, considerado o primeiro romance metafísico da literatura mundial, 7 interessou a Haroldo de Campos pelo seu entrecruzamento vocal, o que o torna um exemplo consistente do que Bakhtin veio a chamar de romance polifônico e que Kristeva denominou de intertextualidade: estão presentes nesse livro a voz do Prólogo, a de Jó, a de seus amigos e a de Deus.

A tradução do Eclesiastes deu origem ao livro Qohélet/O-Que-Sabe : Eclesiastes, Poema Sapiencial, de 1991. As traduções de todo o primeiro capítulo e dos quatro primeiros versículos do segundo capítulo do Gênese e do capítulo 38 do Livro de Jó , por sua vez, foram publicadas em Bere'shith : A Cena da Origem (e Outros Estudos de Poética Bíblica), de 1993. Ambos os livros são acompanhados de comentários do próprio Haroldo de Campos sobre o seu fazer tradutório, comentários esses que deslindam, passo a passo, a constituição da tradução dos versículos dos textos escolhidos e configuram uma teoria da tradução da poesia bíblica, que coexiste em estreito relacionamento com a sua teoria geral da tradução poética. Além do mais, tais comentários procuram entrelaçar a sua prática da tradução de textos bíblicos à prática de outros tradutores, pertencentes a diferentes contextos lingüístico-culturais, que, como ele, também foram conduzidos à sua tarefa com a finalidade de resgatarem a poesia presente na Bíblia hebraica.

 

MINHAS NAVEGAÇÕES

Nas minhas navegações ao longo das traduções bíblicas realizadas por Haroldo de Campos, de seu pensamento sobre tradução e de seu fazer poético, pretendo lançar âncora principalmente em dois portos seguros: o pensamento tradutório de Walter Benjamin e a leitura da tradição, tal como preconizada por Jorge Luiz Borges.

Primeiramente, gostaria de lembrar a defesa feita por Benjamin da tradução como uma forma. Em "A Tarefa do Tradutor", ele deixou bem claro que a tradução que vise a comunicar algo está fadada ao insucesso: "o que lhe é essencial [à tradução] não é a comunicação, não é o enunciado. E no entanto, a tradução que pretendesse comunicar algo não poderia comunicar nada que não fosse comunicação, portanto, algo de inessencial". 8 Todos estamos cientes de que Haroldo de Campos, juntamente com seu irmão Augusto e Décio Pignatari, fez da forma a expressão máxima da sua poesia e das suas traduções. Ele se deliciou com o jogo das palavras, concretistamente elaborando edifícios verbais que expuseram e alargaram as possibilidades semânticas da língua portuguesa do Brasil e traduzindo poetas que, como ele e os outros concretistas, acreditavam na força significativa e instauradora da forma lingüística. Coincidentemente, foi assim que Qohélet (O-que-Sabe) se comportou. Segundo tradução do próprio Haroldo de Campos, Qohélet:

10. ... buscou §§
descobrir § o prazer das palavras §§§
E a escrita justa § palavras verídicas

11. Palavras de sábios § iguais a pontas de
aguilhão §§
e iguais a cravos bem pregados §
as coleções dos mestres-de-parábolas §§§
Doadas § por um só pastor. 9

 

O pensamento tradutório de Benjamin, tal como apontado por Jacques Derrida em "Des Tours de Babel" 10 ( Torres de Babel , em português), 11 está vinculado à cena bíblica do relato da tentativa dos homens de erguerem uma torre que os deixaria mais próximos de Deus e da conseqüente destruição da mesma pelo próprio Deus, temeroso do poder que os homens teriam ao a Ele se nivelarem. Nesse momento, segundo Benjamin, falava-se uma língua pura e una, que, a partir de então, tornou-se maculada e múltipla. Aos homens, disseminados pela face da terra após a destruição dessa torre, coube a tarefa da tradução, uma tarefa que, quando encerrada, revela apenas rastros dessa língua pura, proveniente de um só pastor, como acreditavam Qohélet e Haroldo de Campos, que afirmou que: "no limite de toda tradução que se propõe como operação radical de transcriação, faísca, deslumbra, qual instante volátil de culminação usurpadora, aquela miragem [...] de converter, por um átimo que seja, o original na tradução de sua tradução". 12

O embate lingüístico ao qual se lançou Haroldo de Campos, incessantemente dedicando-se ao "prazer das palavras", através também das traduções que realizou, é certamente conseqüência das prescrições desse pastor, que, determinando o deslocamento do homem sobre a terra, impôs-lhe o exílio, através, inclusive, das navegações:

26. E Deus disse §§
Façamos o homem § à nossa imagem §
conforme-a-nós-em-semelhança §§§
E que ele domine sobre os peixes do mar §
e sobre as aves do céu §
e sobre os animais-gado § e sobre toda a terra §§
e sobre todos os répteis § que rastejem sobre a terra

27. E Deus criou o homem § à sua imagem §§
à imagem de Deus § ele o criou §§
Macho e fêmea § ele os criou

28. E Deus § os bendisse §§
e Deus § lhes disse §
frutificai multiplicai § cumulai na terra §
e subjugai-a §§§
E dominai § sobre os peixes do mar §
E sobre as aves do céu §§
e sobre todo animal § que rasteje sobre a terra. 13

 

A certeza de que nada de novo há para ser feito, freqüentemente repetida ao longo da Bíblia (vide a epígrafe do meu texto) remete à também afirmação seminal de Haroldo de Campos de que "a tradução é um a persona através da qual fala a tradição". 14 Haroldo de Campos, como foi preconizado por Benjamin em "A Tarefa do Tradutor" e por diversos intelectuais de origem alemã, expandiu a língua da tradução em função da língua do original. No entanto, a presença da voz do original na tradução não abafou a voz das tradições artísticas nacionais. Na verdade, as traduções de Haroldo de Campos tornaram-se loci de um profícuo diálogo intercultural, que se deixa espelhar nas traduções bíblicas por ele publicadas, como podemos verificar no texto que forneceu como tradução do versículo 3 do capítulo 2 do Eclesiastes :

3. Do meu coração decidi §§
vou largar ao vinho § o meu corpo §§§
E o meu coração § mantém-se no saber §
e ligar-me ao delírio §§
até que possa ver § que benesse § toca aos filhos do homem §
que lhes cabe fazer § sob o céu §§
nessa quota de números § dos seus dias de vida. 15

 

Dessa forma, aquele embate de vozes variadas que atraiu Haroldo de Campos aos textos bíblicos que traduziu foi por ele intensificado. Nesse versículo, percebemos a presença de ecos da música popular brasileira de Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso e da poesia de João Cabral de Melo Neto.

Nesse momento, trago à cena Jorge Luiz Borges, que, para Haroldo de Campos, foi "o escritor maior, o A literatura". 16 Foi ele quem, segundo Haroldo de Campos, "reduziu ao absurdo a hipótese de que o escritor latino-americano deva fazer uma literatura subdesenvolvida". 17 Em entrevista concedida por ocasião do 2 o . Simpósio de Literatura Comparada, realizado em Belo Horizonte, em outubro de 1986, Haroldo de Campos falou sobre um projeto de Júlio Bressane de realizar um filme sobre Borges, para o qual Haroldo, convidado para fazer parte do mesmo, sugeriu o título de La Mirada Amarilla Del Hombre de la Esquina Rosada , em referência ao fato de Borges enxergar o mundo em amarelo e a um poema do mesmo, "Rua do Armazém Rosado", em que ele diz:

...
A esquina é familiar como a lembrança
com seus longos frisos e a promessa de um pátio.
Que bom testemunhar-te, rua de sempre, já que meus dias viram tão
poucas coisas!
A luz já risca o ar.
Meus anos percorreram os caminhos da terra e da água e é só a ti que
sinto, rua dura e rosada.
Penso se tuas paredes conceberam a alvorada,
armazém assim claro no limite da noite.
Penso e ganho voz diante das casas
a confissão de minha pobreza:
não vi os rios nem o mar nem serra,
mas conviveu comigo a luz de Buenos Aires
e eu forjo os versos de minha vida e de minha morte
com essa luz de rua
Rua grande e sofrida,
és a única música que minha vida conhece. 18

O filme nunca se concretizou, assim também como o encontro entre Haroldo de Campos e Borges. Em Crisantempo , 19 uma de suas últimas coletâneas de poemas trazidas a público, Haroldo de Campos, a quem também foi dada a possibilidade de enxergar através de um álef a tradição artístico-literária ocidental disse:

Mas vi tudo isso
tudo isso e mais aquilo... 20
...
pois tudo se passava como num filme
rodado por um voyeur cego ( a este
nunca o vi em pessoa)
cuja mirada amarela numa esquina rosada
operava lucidíssimos
cortes: um álef
caleidoscópico em vez de câmera ... 21

 

Esses extratos de poemas de Haroldo Campos poderiam muito bem ser precedidos (ou antecedidos) por essas palavras de Qohélet, em tradução de Haroldo de Campos:

10. Eu vi a tarefa § que Elohim deu §
aos filhos do homem § para atarefá-los

11. O todo ele o fez § belo a seu tempo §§§
Também o eterno-sempre ao coração lhes deu §§
sem que § possa o homem devassar § a obra §
qual ele a fez Elohim §
da cabeceira do começo e até onde tem fim

12. Eu soube § não há benesse §
para eles §§§
Senão em se aprazer §§
e nesse bem se comprazer § durante a sua vida. 22

 

A possibilidade de entrelaçamento das vozes de Haroldo de Campos, Jorge Luis Borges e Qohélet, testemunhas de um tempo sem fim, servem de evidência para o fato de que, como observou O-que-Sabe:

9. Aquilo que já foi § é aquilo que será §§
e aquilo que foi feito §§ aquilo § se fará §§§
E não há nada de novo § sob o sol

10. Vê-se algo § se diz eis § o novo §§§
Já foi § era outrora §§
Fora antes de nós § noutras eras. 23

 


CONCLUINDO...

As traduções feitas por Haroldo de Campos, a diversidade de línguas e autores com os quais trabalhou e o alargamento das concepções por ele trazidas para o seio das discussões sobre literatura e tradução no nosso contexto contribuem para que, nesse momento em que, segundo o folheto de propaganda desse IX Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada, nos propomos a discutir "os trânsitos da literatura em termos de sua produção, circulação, distribuição e recepção, em espaços desiguais e temporalidades descontínuas", a "ruptura com modos de pensar monolíticos e essencialistas, privilegiando, a partir do olhar comparatista, os processos de mobilidade, contaminação, transformação e diferença", alcemos Haroldo de Campos, post-mortem , ao posto de almirante-mor. Enquanto "almirante" é uma palavra que tem suas origens em um contexto longínquo - o árabe - no qual amir , forma reduzida de amir al-bahr , significa "chefe", e que, tendo atravessado oceanos, deu com os costados no contexto lusófono e incorporou o sufixo possessivo "-nte", que denota agente, em analogia a "reinante", "imperante"; "mor" é a forma sincopada de "maior", que nos faz lembrar de nossos antepassados portugueses.

Como todo almirante, Haroldo de Campos merece uma homenagem lapidar, que resuma a importância de seus feitos nos campos em que atuou. Dentro do espírito de meu trabalho, qual seja, o de entrelaçar o seu pensamento tradutório aos textos bíblicos que traduziu, escolhi essas palavras para tal homenagem, que retirei do capítulo I, versículo 16, de sua tradução do Eclesiastes :

16. Palavras para o meu coração § eu as disse §§
eis-me § aumentei e avultei § o saber §§
muito além § de quantos foram antes §
sobre Jerusalém §§§
E por dentro de mim § vi no auge § o saber e a ciência. 24

 

 

CAMPOS, Haroldo de. Da tradução como criação e como crítica. In: ---. Metalinguagem & outras metas . São Paulo: Perspectiva, 1992. p. 31-48.

Idem. Haroldo de Campos - Turgimano a mano no Aleph. Cadernos de Lingüística e Teoria da Literatura - Ensaios de Semiótica, Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, v. 7, n. 16, dez. 1986, p. 58 (Entrevista).

Idem. Qohélet/O-que-sabe: Eclesiastes, poema sapiencial. São Paulo: Perspectiva, 1991. p. 11.

Ibidem. p. 19.

CAMPOS, Haroldo de. Bere'shith : a cena da origem (e outros estudos de poética bíblica). São Paulo: Perspectiva, 1993. p. 101.

Ibidem. p. 14.

Ibidem. p. 58.

BENJAMIN, Walter. A tarefa-renúncia do tradutor. Trad. Susana Kampff Lages. In: HEIDERMANN, Werner (org.). Clássicos da teoria da tradução . Florianópolis: UFSC, Núcleo de Tradução, 2001. p. 189.

CAMPOS, Haroldo de. 1991. p. 90-91.

DERRIDA, Jacques. Des tours de Babel. In: GRAHAM, Joseph (Ed.). Difference in translation . London: Cambridge University Press, 1985. p. 149-164.

Idem. Torres de Babel . Trad. Junia Barreto. Belo Horizonte : Editora da UFMG, 2002.

CAMPOS, Haroldo de. Transluciferação mefistofáutica. In: ---. Deus e o diabo no Fausto de Goethe . São Paulo: Perspectiva, 1981. p. 180.

Idem. 1993. p. 48.

14 Idem. Transluciferação mefistofáutica. In: ---. Deus e o diabo no Fausto de Goethe . São Paulo: Perspectiva, 1981. p. 191.

Idem. 1991. p. 49.

Idem. 1986, p. 63.

Ibidem. p. 63.

BORGES, Jorge Luis. Rua do armazém rosado. In: ---. Obras completas . vol. 1. São Paulo: Globo, 1998. p. 57.

CAMPOS, Haroldo de. Crisantempo : no espaço curvo nasce um. São Paulo: Perspectiva, 1998.

Idem. Meninos, eu vi. In: CAMPOS, Haroldo de. 1998. p. 92.

Idem. post-scriptum / in memoriam. In: CAMPOS, Haroldo de. 1998. p. 94.

Idem. 1991. p. 56.

Ibidem. p. 46.

Ibidem. p. 47.