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Tradução: visto permanente no passaporte virtual de Machado de Assis
Eliane Fernanda Cunha Ferreira (UNIGRAN-MS)
Machado de Assis nunca saiu do Brasil, mas em compensação sua obra, através das traduções, viajou pelo mundo. O primeiro carimbo de entrada em um país estrangeiro emitido no passaporte literário de Machado de Assis aconteceu quando ele traduziu para o francês um poema escrito por Charles Ribeyrolles, em 27 de janeiro de 1859. A tradução é que permitirá a primeira inserção do nome Machado de Assis nas letras francesas através da publicação bilíngüe do poema no Courrier du Brésil de 2 de dezembro de 1860, já que o jornal era lido também pelos franceses residentes na cidade de São Sebastião e em França. Assim, com essa publicação, Machado transpõe as fronteiras nacionais, pela primeira vez, como tradutor. Esse é um fato relevante na medida em que se demonstra como que a prática tradutória machadiana foi importante para a carreira do escritor brasileiro, embora essa atividade não tenha sido devidamente reconhecida pela historiografia literária brasileira. 1
De acordo com o relato de Raymundo Magalhães Júnior 2, por ocasião do nascimento do filho de Victor Frond - fotógrafo francês e editor do Brésil Pittoresque -, Ribeyrolles escreveu um poema composto de "cinco quadras, em versos alexandrinos, com rimas cruzadas" para saudar a chegada de Charles Frond, nome dado em homenagem ao jornalista e autor do Brasil Pitoresco , de cuja equipe tradutológica participou Machado. O poema intitulou-se "Souveniers d'Exil". Nesta reunião, o único brasileiro presente era o então iniciante poeta-tradutor, Machado de Assis, que ao fazer a tradução simultânea do poema improvisado "encheu de admiração um grupo de franceses, dos mais cultos entre os que então viviam na capital do Império". 3 Foi nesse encontro que Machado conheceu seu futuro editor - Baptiste Louis-Garnier. Para Magalhães Júnior, essa reunião proporcionou ao autodidata uma oportunidade de ouvir o idioma francês, que vinha aprendendo, como se sabe, com um forneiro francês. Seis meses após o nascimento de Charles Frond, Machado publica, em francês, um poema dedicado "A Ch. F., filho de um proscrito", no Correio Mercantil de 21 de julho de 1859. Para um aprendiz da língua de Victor Hugo os erros cometidos na tradução foram poucos. 4
Em vida, Machado de Assis teve apenas o seu romance Esaú e Jacó traduzido para o espanhol, em 1905, em Buenos Aires, pela editora La Nation, sem o nome do tradutor. 5 Seu romance Dom Casmurro poderia ter sido traduzido para o alemão logo após sua publicação, mas o editor Garnier, proprietário dos direitos autorais da obra machadiana, comprada pela quantia de 8 contos, não aceitou negociar o valor de 100 francos por volume estipulado por ele com o editor alemão. Garnier dominava o mercado editorial de literatura brasileira na virada do século XIX para o XX. "Sua política de compra definitiva de direitos autorais beneficiou a empresa, mas prejudicou os escritores" 6, como foi o caso de Machado. Dom Casmurro só seria traduzido para o alemão cinqüenta e dois anos depois, em 1951. 7 Garnier incentivava as traduções para o francês e o espanhol.
Lea Valezi Staut estuda as traduções francesas da obra de Machado. Segundo Staut,
a obra machadiana tornou-se conhecida na França a partir de uma homenagem prestada ao autor logo após sua morte, na Fête de lintellectualité brèsiliense , em 1909, na Sorbonne, estimulando a tradução em francês, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba, Várias Histórias e alguns poemas e contos recolhidos em antologias. Três romances e um livro de contos, portanto, num período de 47 anos, de 1909 a 1956. 8
Dom Casmurro juntamente com Memórias Póstumas são os romances mais traduzidos. São como "passe-livre" para a entrada da literatura brasileira no Exterior. Dom Casmurro foi traduzido para o francês, inglês, espanhol, alemão, italiano, polonês, sueco, tcheco, romeno, holandês e servo-croata enquanto as Memórias , além desses idiomas foi traduzido para o dinamarquês. De acordo com os levantamentos da "Coleção Plínio Doyle", o romance, até 1987, teve 28 traduções, enquanto no catálogo da "Fundação Biblioteca Nacional" constam apenas 20 traduções até 1994. Embora o levantamento do catálogo da Biblioteca Nacional date de 1994, a relação feita por Plínio Doyle até 1987 é mais completa. Porém, as informações se complementam, apesar de ambas necessitarem de atualização dos dados.
O nome Machado de Assis abre o mercado norte-americano para os escritores brasileiros. Em 1952, o jornal Correio da manhã publica uma matéria sobre o assunto, a qual transcrevo para demonstrar a importância desse nome para a divulgação das letras brasileiras no Exterior e da tarefa tradutória:
Machado abre o mercado americano para nossos escritores
Graças a Machado de Assis, têm os escritores brasileiros da geração atual uma oportunidade para a divulgação de suas obras no maior e mais importante mercado estrangeiro. A tradução para o inglês de MPBC teve um êxito surpreendente - mesmo para nós brasileiros que sempre acreditamos no significado universal da obra de Machado. E, como conseqüência, pela primeira vez em doze anos as editoras americanas mostram-se interessadas em livros publicados no Brasil. Isto não acontece desde a lua de mel da política da boa vizinhança lá por volta de 1940. Naquela época, várias editoras dos Estados-Unidos, animadas e persuadidas por seu governo, abalançaram-se a publicar livros de autores latino-americanos. Porém o resultado, do ponto de vista comercial, foi desastroso. As edições, embora pequenas (5.000 exemplares em média) encalharam em sua quase totalidade. Aliás, o Brasil ainda fez boa figura comparado aos países de língua espanhola. Os únicos romances que se venderam bem foram os de Érico Veríssimo. Por outro lado, "Os Sertões" e "Casa Grande e Senzala" tiveram a melhor acolhida devido em grande parte às traduções magistrais de Samuel Putman. Este dedicado e modesto Samuel Putman, a scholar and a gentleman, que tanto queria ao Brasil, e que se propunha tornar conhecida no seu país a nossa literatura, segundo declarou a mim e a vários outros patrícios. Porém, dos hispano-americanos quase nada se salvou. E como nos Estados-Unidos o Brasil ainda não conseguiu adquirir individualidade própria em relação ao resto da América Latina, quando as editoras de lá traçaram seus planos de traduções durante os anos subseqüentes voltaram-se de novo para o continente europeu. Resolveram tácitamente não aventurar-se a publicar obra de latino-americano. Aliás, o [...] nem foi tão tácito assim. Lembro-me bem de Blanch Knopt a dizer enfaticamente: "No more Latin America translation for us. They are fifty years behind in the technique of the novel". E, infelizmente havia muito de verdade nas palavras cruéis [...] sobra talento a muito romancista nosso e dos países vizinhos, raro é aquele que se deu ao trabalho - trabalho duro - de aprender seu ofício. Poucos conhecem de apresentação dos personagens, de sua caracterização, do manejo, do diálogo, do ritmo da narrativa, do sentido do dramático - todos elementos que têm sua técnica e sua disciplina. Talvez que Machado consiga, no terreno cultural, aquilo que nossos sucessivos governos não conseguiram no terreno político ou econômico: que o Brasil seja considerado uma nação e não um vigésimo desse conglomerado confuso, semi importante e semi esquecido que é para os Americanos a América Latina. Com efeito, todos os críticos literários de nomeada nos Estados-Unidos referiam-se ao Epitaph of a small winnner como obra de um grande escritor brasileiro". E a receptividade que as casas editoriais vêm mostrando é para livros escritos por brasileiros. Tanto as grandes casas - Roubladay, Harpers, Randon House, Tarras & Ruehast, Little & Brown, Harper, McGraw Hill, encabeçadas por Macmillan, que através dos anos nunca deixou de ter uma atitude simpática para com nossos autores. E também editores menores, porém de grande prestígio, como John Day e a Viking, cujos dirigentes conhecem de primeira mão o mundo literário no mundo todo. Isto não quer dizer que vai ser fácil para nossos escritores irromper no mercado americano. Antes que mais, há a vencer a barreira da tradução. Alguns de nossos escritores fracassaram no passado devido a uma péssima tradução. Grossman, que tão bem se desempenhou - a começar pelo título inglês - da tarefa árdua de traduzir Machado, talvez venha a encher o claro deixado pela perda trágica de Putman.
21 de dezembro de 1952. Hermane Tavares de Sá. 10
O que se observa é que a recepção de uma tradução depende da qualidade desta e da editora que a publica. Em 1997, fato semelhante aconteceu novamente nos Estados Unidos. A prestigiosa e poderosa Oxford University Press para inaugurar a Biblioteca Latino Americana, "que tem por objetivo "resgatar e preservar a grande literatura perdida", segundo a Oxford", 11 escolheu o dueto - Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro . Os tradutores Gregory Rabassa e John Gledson foram os escolhidos. Gledson traduziu Dom Casmurro e Rabassa as Memórias . Essas publicações foram largamente divulgadas tanto na imprensa brasileira quanto na norte-americana. A manchete da Folha de São Paulo (23/02/1998), por exemplo, destacava: "Deu no 'NYT' Suplemento literário do jornal americano classifica o escritor como o "mais importante da América Latina". 'New York Times' descobre Machado de Assis. Anteriormente, em 1997, por ocasião das publicações das traduções, Michael Dirda, escritor e editor para o Book World , ao resenhar os dois romances traduzidos no Washington Post (23/11/1997) fez os seguintes comentários sobre as traduções:
Estes dois romances, recentemente traduzidos, inauguram a Oxford Library da América Latina. Eu esperava dar as boas-vindas à série, com lisura, mas não posso. O Dom Casmurro de John Gledson parece excelente, tão bom quanto a versão clássica de 1953 de Helen Caldwell. Mas o Brás Cubas é vergonhoso. Eu nunca vi tantos erros tipográficos num só livro de pouco volume (...). Acredito que muitos desses erros são resultado de um excesso de confiança em computadores, mas a Oxford realmente não poderia se orgulhar de um romance "esplendidamente editado". A presente tradução de Rabassa me parece ligeiramente mais precisa, mas também mais afetada do que a versão de William Grossman de 1952 (conhecida como Epitáfio do pequeno vencedor) . Espera-se que a Oxford faça as devidas correções em impressões futuras. Mas será que a editora autorizará também novos posfácios? Os exemplos desses dois maravilhosos romances são pretensiosas amostras de um academicismo (academês) 12. Eles representam exatamente aquela retórica empolada e inflada que Machado de Assis sempre abominou. Melhor ignorá-los por completo e nos atermos à prosa vivaz de Brás Cubas e de Dom Casmurro."
["These two novels, newly translated, inaugurate Oxford's Library of Latin America. I had hoped to welcome the series unreserved but can't. John Gledson's Dom Casmurro seems excellent, as good as Helen Caldwell's classic 1953 version. But the Bras Cubas is a disgrace. Never have I seen more typographical errors in one short book (...) I suppose many of these mistakes result from over-reliance on computers, but Oxford really shouldn't boast about the novel being "superbly edited." Rabassa's actual translation strikes me as slightly more precise but also more stilted than William Grossman's 1952 version (known as Epitaph of small winner). One hopes that Oxford will correct these errors in future printings. But will the publisher commission new afterwords as well? Those to both these wonderful novels are pretentions examples of almost unreadable academese. They represent just the sort of fustian, overblown rhetoric that Machado de Assis always loathed. Best to ignore them entirely and stick with the quicksilver prose of Bras Cubas and Dom Casmurro."] 13
A partir dessas traduções da Oxford University Press, Harold Bloom, conceituado e polêmico crítico internacional literário, que excluiu Machado de Assis de sua lista canônica em 1994, declara em entrevista concedida ao canal a cabo da Rede Globo de Televisão, o GNT (29/8/2000), que Machado é um incrível mestre da fantasia. Continuando:
Eu diria que ele transcende as personalidades das quais lembramos na época áurea, como sendo os iniciadores do fantástico. Ele é um escândalo. Ele é interminavelmente fértil. Ele é hilariante. Ele também é bastante sombrio e até mesmo transtornado. Ele é um grande escritor em todos os sentidos. Mas eu acho que nunca vou absorver o português dele, que é bastante apurado. Rabassa é um ótimo tradutor do português. Nos três romances que eu li, ele conseguiu captar uma voz comum nos três que eu não acredito ser dele, Rabassa, mas sim, do escritor. 14
Embora, Harold Bloom tenha feito esses elogios ao escritor brasileiro, em seu livro How to read and why (2000), já traduzido para o português, Machado continuou excluído. Ressalta-se que Dom Casmurro já havia sido traduzido para o inglês (Helen Caldwell) em 1953, pelas editoras Farrar Straus & Giroux e Noonday Press e a tradução de Grossman das Memórias já havia sido editada também pela Noonday Press em 1952. Observa-se aí, a questão da patronagem. A força de uma editora como a Oxford Press é que abona e legitima a presença de um autor latino-americano em sua história editorial e sua inserção no mercado editorial internacional. Finalmente, Bloom insere Machado no rol dos seus gênios universais no seu livro Genius , publicado em 2002 e traduzido para o idioma brasileiro em 2003. Em entrevista à revista Época, de 3 de fevereiro de 2003, declarou que Machado de Assis figura entre seus autores favoritos de língua portuguesa, considerando-o o maior gênio da literatura brasileira do século XIX por reunir os pré-requisitos da genialidade: exuberância, concisão e uma visão irônica ímpar do mundo.
A "trilogia" machadiana na Itália
Além desses carimbos que se sobressaem no passaporte literário machadiano com entrada em países de língua inglesa, encontramos as traduções italianas. De acordo com as informações de A. Fonseca Pimentel, "o italiano, como se sabe, é o segundo idioma, depois do espanhol, para o qual Machado foi traduzido e a Itália é (...) o país em que o criador de "Brás Cubas" tem tido maior difusão, depois de Portugal". Quincas Borba , "a obra menos conhecida no exterior da famosa trilogia machadiana", segundo Pimentel, teve duas edições na Itália, uma em 1930 e a outra em 1967. No catálogo da Biblioteca Nacional não consta nenhuma referência a essas traduções, enquanto na relação de Plínio Doyle as informações de Pimentel são confirmadas. Porém, a afirmativa de Pimentel sobre Quincas Borba ser o romance menos conhecido no exterior parece-me exagerada, já que editoras de Damasco, Buenos Aires, Paris, Londres, Nova York, Amsterdã, Caracas, Berlim e Romênia o publicaram. Talvez, Pimentel esteja ressaltando as reedições. Neste caso, Quincas Borba só teve duas edições na Itália. Até 1967, data do artigo de Pimentel sobre as edições italianas de Machado de Assis, tanto Memórias Póstumas quanto Dom Casmurro tiveram três edições na Península. Em língua inglesa, desde 1953 até 1997, Dom Casmurro foi editado oito vezes e as Memórias , desde 1952, foram editadas quatro vezes. Após 1967, a trilogia não foi mais publicada na Itália.
A repercussão das traduções
Um estudo sobre as traduções da obra de Machado ainda está por ser elaborado com mais profundidade, dada a importância de se verificar o expansionismo de sua produção literária em mercados editoriais estrangeiros e principalmente a sua recepção. 15 Esta se efetua através dos desdobramentos em leituras críticas, teatrais, cinematográficas, musicais, dentre outras. Assim como o arquivo da biblioteca de um escritor não retrata as leituras realmente efetivadas por ele, a publicação de traduções só se torna produtiva a partir do surgimento de dissertações, teses, artigos, ensaios ou outros meios de divulgação de uma obra literária.
Os Centros de Estudos Brasileiros no Exterior valem como exemplos. Na Inglaterra, a Universidade de Oxford promoveu em 1999, o "I Simpósio de Literatura Brasileira", organizado pelo Centro. O Simpósio reuniu estudiosos estrangeiros e brasileiros das obras de Machado de Assis, José de Alencar e Mário de Andrade. Por ocasião da realização do evento, o jornal O GLOBO (12/06/1999) publicou uma matéria intitulada: "Machado de Assis e sua ironia começam a derrubar as sérias muralhas de Oxford". Na Universidade de Purdue, o Professor Paul Dixon, estudioso da obra machadiana, vem observando a repercussão da obra do escritor brasileiro nos Estados-Unidos. Publicou em 1998, na Revista Colóquio-Letras um artigo intitulado: "Penas-de-águia: Machado de Assis nos Estados Unidos". Dixon é diretor da comissão redatorial da revista machadiana Espelho desde 1995. Jean-Michel Massa é um dos estudiosos que mais pesquisou os escritos da juventude de Machado e que pretendia, em 1997, relançar a obra do escritor brasileiro em 40 volumes e cd-rom, mas o mega-projeto não teve o apoio de acadêmicos como Josué Montello. 16 John Gledson, na Inglaterra, tem divulgado a obra machadiana há mais de vinte anos. Com as traduções do romance Dom Casmurro (1997) e de variados ensaios de Roberto Schwarz, reunidos em um volume intitulado Misplaced ideas ( Idéias fora do lugar ) e de O mestre na periferia do capitalismo , Gledson disponibilizou aos leitores de língua inglesa, não apenas a prosa machadiana mas a ensaística brasileira de um dos mais renomados críticos contemporâneos da produção literária de Machado. Em Portugal, Abel Barros Baptista, professor na Universidade Nova de Lisboa, dedicou-se aos estudos da obra de Machado de Assis tanto no mestrado quanto no doutorado, tendo ambos os trabalhos sido publicados em livro por editoras portuguesas e pela editora da Unicamp.
A produção ensaística estrangeira sobre a obra machadiana intensificou-se nos finais dos anos 80 e aumentou consideravelmente nos anos noventa do século XX. Tal afirmativa respalda-se nas pesquisas por mim realizadas, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), durante o ano de 1999, em diversas bibliotecas da Inglaterra onde obtive dados suficientes para delinear um perfil da repercussão do "mouro tropical" no "Primeiro Mundo".
Mas será do escritor, também periférico com relação aos centros hegemônicos, Salman Rushdie, autor de O último suspiro do mouro , dentre outros, que obteremos uma declaração que reflete o resultado do trabalho dos tradutores da ficção machadiana. Desde os vinte anos de idade que Rushdie começou a ler, em tradução, os romances de Machado. Como informa José Maria e Silva (1998), Rushdie, em entrevista à Folha de São Paulo , afirmou: "Machado de Assis antecipou a moderna literatura em cem anos". E mais: "Antes de García Márquez, Borges; e antes de Borges, o príncipe de tudo - Machado de Assis". 17
Opinião semelhante é dada pelo escritor inglês Louis de Bernières, autor de O bandolim de Corelli , dentre outros: [Machado de Assis] "parece ter estado 100 anos à frente de seu tempo". 18 O escritor e ensaísta mexicano, Carlos Fuentes 19, também expressa sua admiração e respeito pelo trabalho do escritor brasileiro e declara que Machado "segue, no Brasil, a lição de Cervantes, a tradição de La Mancha, que, por mais homenagens que cívica e escolarmente se tenham rendido ao "Quixote", fora esquecida pelos romancistas hispano-americanos, do México à Argentina". A lista de admiradores estrangeiros do criador da personagem Capitu reúne além dos citados, os de Woody Allen e Susan Sontag.
Portanto, a partir das matérias jornalísticas citadas e das mais de trezentas que compõem a minha hemeroteca, formada desde 1994, com artigos datados de 1934, sobre o que tem sido publicado em jornais brasileiros e estrangeiros sobre Machado de Assis, procurou-se esboçar um panorama da publicação das traduções da obra de Machado e sua repercussão com vistas a ressaltar a importância da "tarefa do tradutor" na carreira de tradutores-escritores como Machado de Assis, Monteiro Lobato, Jorge Luis Borges, Octavio Paz, Dante Alighiere, entre inúmeros outros.
Ver FERREIRA, Eliane F. C. Para traduzir o século XIX: Machado de Assis . São Paulo: Annablume; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004.
MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo. Na equipe de "O Brasil Pitoresco". Vida e obra de Machado de Assis . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1981, cap. 9, p. 88-98. V. 1.
MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo. Na equipe de "O Brasil Pitoresco". Vida e obra de Machado de Assis . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1981, cap. 9, p.91. V. 1.
Magalhães Júnior , op.cit., p. 94 (nota de rodapé).
CACCESE, Neusa Pinsard. Cronologia de Machado de Assis . Caracas: biblioteca Ayacucho, 1978, p. 376.
Ver Momentos do livro no Brasil , 1996, p. 19.
Todas as informações sobre as publicações das traduções da obra de Machado de Assis baseiam-se no levantamento feito pelo Dr. Plínio Doyle até 1987 e na publicação da "Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro" sobre os escritores brasileiros traduzidos no estrangeiro até 1994. Após essa data, as informações foram coletadas pela autora. Ver COLEÇÃO PLÍNIO DOYLE . Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa; BRAZILIAN AUTHORS TRANSLATED ABROAD . Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1994.
STAUT, Lea M. V. A crítica jornalística francesa e Machado de Assis. Anais do IV Congresso Abralic . São Paulo: Abralic, 1995, p. 475 .
Algumas partes da matéria estão ilegíveis no microfilme da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Este é um texto, pode-se dizer, semi-inédito, por ter sido publicado apenas uma vez neste jornal.
SÁ, Hernane Tavares. "Machado abre mercado americano para nossos escritores." Correio da manhã , Rio de Janeiro, 21 dez. 1952.
Folha de São Paulo (23/02/1998).
N.T. "academes" é um neologismo. Tradução de Marie-Anne Kremer para esta publicação.
DIRDA, Michael. "Othello in the New World". Washington Post : Washington, 23 nov. 1997. Book World, p. X - 08.
Transcrição da tradução legendada.
Sobre o assunto, ver um levantamento panorâmico no jornal Correio Brasiliense de 27 set. 1998.
Ver matéria na Folha de São Paulo de 26/06/1996. Ilustrada.
SILVA, José Maria e. Machado de Assis: o brasileiro que superou Shakespeare. Jornal Opção . Goiânia, 11 a 17 out. 1998. Revista Opção, p. A33-A34.
Ver matéria na revista Veja de 4 nov. 1998, p. 142.
Ver o ensaio "Machado de Assis, herdeiro de Cervantes" na Folha de São Paulo de 1 out. 2000.