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O apelo poético-memorialístico do ilimitado em
Mulher no palco, de Lya Luft
Angélica Soares (UFRJ)
“...a vida é o lado de fora da morte”. 1
Assim nos remete Fernando Pessoa, pelo heterônimo de Álvaro de Campos, à indissociabilidade entre vida e morte, que sustenta o nosso ser-no-mundo. Meu convite é para que associemos a fala poética de Pessoa à ontologia de Martin Heidegger e à de Hans-Georg Gadamer, como uma das possibilidades de compreensão, a hermenêutica filosófico-poética, dessa indissociabilidade.
Com seu pensamento existencial, Heidegger nos provoca sempre a indagar sobre o Ser. O que se faz, em sua obra, pela constatação da diferença entre o ente – como tudo o que se faz presente diante de nós, impondo-se por seu aspecto explícito e o Ser – verdadeiro fundamento ontológico, que dispõe e mantém o ente em seu aparecer. Essa provocação advém do fato de nos termos voltado cada vez mais para o visível, o palpável e o comprovável, esquecendo-nos, por isso, da força originária que, enquanto physis , impulsiona o desvelamento dos entes, fazendo com que eles permaneçam observáveis.
Nessa dinâmica de desocultamento, o homem faz-se passagem obrigatória na medida em que “o homem é , enquanto ec-siste ”. 2 Em outras palavras, na medida em que o existente humano se estrutura como Da-sein. E o que é Da-sein? Em princípio, a sua compreensão exige a ultrapassagem da simples tradução como “ser aí”, que nada elucida sobre o seu verdadeiro sentido, porque não se trata de algo corpóreo, nem de um segmento espacial, que se pudesse localizar ou mensurar.
Pois em Da Sein, o Da não pensa um lugar mas a abertura do homem para tudo que, de algum modo, é.
É que o homem não está simplesmente no espaço. Seu modo de ser espacial é abrindo espaços para o Ser passar.
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O Da de Da-sein diz, pois, que, instaurando com seu ser uma abertura, o homem se abre a todo instante um círculo de desvelamento. 3
As palavras finais de Emmanuel Carneiro Leão guardam o próprio sentido do existir que, longe do simples e cotidiano relacionamento funcional com o circundante, se impõe como o ato de pensar e dizer o mistério do Ser, que ao retrair-se promove a iluminação de todo ente em seu ser, isto é, em seu modo de ser. Ek-sistir é, portanto, o libertar-se do homem, implícito no prefixo “ek” – que diz do irromper, do lançar-se para fora das relações de uso, em busca da realização plena de sua humanidade. Só então podemos entender a “ek-sistência como tradução fiel de Da-sein”, 4 porque o Ser dá-se como abertura (referência essencial do “Da”) e, ao mesmo tempo, se oculta como mistério. Velando-se, é que ele se desvela, não se deixando apreender de modo direto, não se fazendo localizar objetivamente aqui ou ali, mas obliquamente em tudo quanto se faça permeável à sua luz.
Ente privilegiado é, assim, o homem, ao se distinguir dos outros entes porque só ele ek-siste , só a ele é dado conviver com a Verdade, enquanto aletheia ou desvelamento por “morar na vizinhança do Ser”. 5 E tanto mais se humaniza, quanto mais atende ao apelo do extra-ordinário , 6 quanto mais se deixa conduzir pela força da ausência do Ser.
Sendo projeto, relacionado intimamente ao “poder ser” ou compreender , ao “encontrar-se em” e ao “falar”, o ser do Da-sein se manifesta como vigília ou cuidado com o Ser. E é pelo cuidado (ou “cura”), unificante de todos os momentos constituintes do “ser-no-mundo”, que se estrutura a temporalidade do Da-sein , enquanto pré-ocupação . Nela e por ela desfaz-se a tripartição temporal, cronológica ou psicologicamente organizada, em favor do caráter unitário e não único, o futuro-presente-passado do tempo existencial.
Antecipando-se a si mesmo, há um primado do futuro no Da-sein . Essa antecipação estrutura-se ontologicamente como um “pré-ser-se” no passado, com o qual o Da-sein se faz presente a si mesmo. A autêntica temporalização não reside no fato de que o Da-sein tenha uma história, mas no sentido de estar constituído pela historicidade, a qual precede e gera a história. Desse modo, em Heidegger:
A análise da historicidade do “ser-aí” trata de mostrar que este ente não é “temporal” por “estar dentro da história”, mas que, ao contrário, só existe e pode existir historicamente por ser temporal no fundo de seu ser. 7
O Da-sein não existe, portanto, como uma soma ou seqüência de fatos, que ocorram uns depois dos outros, para desaparecerem logo que deixem de ser vivenciados. O tempo do Da-sein é sempre o da convivência de presente, passado e futuro – diversos, mas convergentes.
Assim é que, se em cada instante vivido, decide-se toda a vida, em cada tempo estão todos os tempos, numa tensão dialética que constitui o dinamismo histórico-existencial. Essa dinâmica, Heidegger fixou, sobretudo, no sentido da pré-ocupação , pela qual o homem experimenta a temporalidade e assume-se como ser-no-mundo-para a morte.
É desse defrontar-se com a morte que resultam tanto a temporalidade unitária, quanto a história. Desperto para a morte, o homem é levado a construir e a criar. Indo ao seu encontro, estando na expectativa de sua possibilidade, ele se encontra, ele enfrenta a angústia advinda de sua finitude e dá lugar à esperança que o projeta adiante sem medo.
A mesma trilha da simultaneidade temporal segue a hermenêutica filosófica de Gadamer:
... o conhecimento histórico do passado nos coloca frente ao todo de nossas possibilidades humanas e, desta maneira, nos põe em contato com nosso futuro. Isto é o que todos nós deveríamos ter aprendido com o poderoso esforço conceitual de Heidegger no sentido de pensar o ser como tempo... 8
Pensando o ser como tempo, Heidegger sublinha que o homem não entra em contato com a morte ao deixar de viver, mas relaciona-se com ela enquanto vive. Por essa razão:
O “ser-aí” tem noção do tempo fugitivo porque a deduz do “fugitivo” saber de sua morte. No falar com maior ênfase do passar do tempo há um reflexo explícito do advir finito da temporalidade do “ser-aí”. E por poder permanecer a morte encoberta até no falar do passar do tempo, se mostra o tempo como um passar “em si”. 9
O “ser-no-mundo” consiste, portanto, numa ininterrupta tensão com a morte, mesmo quando esta é evitada como um assunto inconveniente e por isso se procure viver o agora sem finalidade. Tendo-se em vista, que o ser do Da-sein inclui aquilo que ainda não é, a morte faz-se uma de suas probabilidades: a de ser o que ainda não se é.
A morte não é o término da existência, mas seu elemento constitutivo, iniciando-se desde quando se vem à luz. No poetar dístico de Cassiano Ricardo evidenciam-se, óptica e semanticamente, as duas faces da experiência global:
Diante de coisa tão doída
conservemo-nos serenos.Cada minuto de vida
nunca é mais, é sempre menos.Ser é apenas uma face
do não ser, e não do ser.Desde o instante em que se nasce
já se começa a morrer. 10
Gadamer chama-nos a atenção para o fato de nos vivermos indagando sobre a morte, sem que para ela tenhamos uma clara resposta. Das diferentes formas de culto, bem como da tradição filosófica e poética, na qual nos situamos, vem a questão central: “estas tentativas são para saber, ou elas também não passam de maneiras de não querer saber o que se sabe?”. 11
Mostra-nos ainda como são limitadas as investidas de pensamento que se querem medir com a experiência da morte, levando-nos à seguinte tese:
... a experiência da morte pelo pensamento nunca se concretizará, ela só toma um traço da morte ao se afastar dela pelo pensamento, colocando-se na própria certeza de viver. O que continua sendo para o pensamento um modo conveniente de refletir sobre a morte, parece nada mais ser que pensar a própria angústia, ou melhor, reconhecer a própria angústia por um pensamento.
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Assim, na angústia da vida e da morte, e não no pensamento que medita sobre o que o angustia e o descarta, a experiência da morte alcança o verdadeiro destino do homem, de ser aquele que pensa.
Nossa tese é a de que, então, a liberdade de pensamento é a verdadeira razão pela qual a morte tem uma incompreensibilidade necessária.
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O ser-enquanto-pensante parece ser, dessa forma, o fundamento desta inconcebilidade da morte e conter, ao mesmo tempo, o saber sobre esta inconcebilidade. 12
Acresce Gadamer que chega a ser uma distinção para o homem o pensar na morte, concluindo:
A honra ontológica do homem, isso de que ele faz questão e que preserva, de certa forma, do perigo de se perder e de perder também seu próprio poder de ser livre, consiste em não encobrir a inconcebilidade da morte. 13
A morte, portanto, não é um núcleo de enclausuramento ou de extermínio, mas o lugar da conquista libertária, o espaço onde o homem joga incessantemente o seu projeto histórico.
A fuga da morte não é a vida; esta é o seu enfrentamento cotidiano. É mesmo a imagem da morte, com a qual nos deparamos em suas diferentes representações, que decide sobre o peso maior ou menor de nossa carga vital.
O pensamento da morte decorre da certeza de viver. No momento em que o homem conscientiza o seu percurso simultâneo de vida e morte, de chegada e partida, ele vivencia a sentença heraclitiana, segundo a qual “Princípio e fim se reúnem na circunferência do círculo”. E, assumindo a circularidade da existência, o fim se impõe como finalidade. No indagar-se sobre o “para quê”, ele se vê estimulado a dar sentido ao percurso, a ter um objetivo existencial. A morte se atualiza não como lembrança de uma presença distante, mas como aquilo pelo qual permanentemente somos.
Pelo sentido da pré-ocupação , situamo-nos como seres da liminaridade, na vivência da tensão entre o limite e o ilimitado – liminaridade desvelada no jogo de vida e morte, projetado, fortemente, no apelo da solidão, desde a mais remota lembrança.
Movendo-nos por esse modo de pensar, cremos que a compreensão do tempo, na memória, ultrapassa a relação entre o presente da recordação e o passado do acontecimento, que limita o sentido da memória a “uma conservação subconsciente, de toda a vida psicológica já transcorrida”, 15 como lembra Ecléa Bosi, a partir das formulações bergsonianas. E inclui a força antecipante do futuro, motivadora do ato de rememoração. Lembremo-nos de que Mnemosyne referencia, no radical “mne” a unidade, ligando “o que foi, o que é e o que será”. 16
A humana consciência da finitude, por sua vez, desperta-nos o desejo de permanência e, com ele, o da narração das recordações que, mobilizadas pela memória, emergem afetivamente do inconsciente, na forma de “imagens-lembranças”. 17
Essas “imagens-lembranças”, ainda heideggerianamente, nos acenam com o sentido do des-esquecimento e, ao mesmo tempo, com o da verdade. Isto porque, esta era enunciada, no mundo grego originário, pela palavra alétheia , composta do prefixo a-, que indica, neste caso, privação, mais léthe , que diz esquecimento. Lembra-nos Antônio Jardim de Castro: “Assim, verdade, na aurora do pensamento ocidental, era pronunciada com o sentido de privação do esquecimento ou ainda des-velamento (...) des-esquecimento, recordação, memória”. 18 O dinamismo mítico permanece no nosso imaginário, a nos dizer que tudo o que se encontra, encontra-se como perdido, havendo lembrança porque há o que se esqueceu e que em cada des-ocultamento , permanece algo oculto, à espera da força reveladora da memória, a velar de novo, no ato de re-velar.
***
No memorialismo poético de Lya Luft, em Mulher no palco , o sentido de pré-ocupação com a morte se recria, algumas vezes, a partir de “imagens-lembranças” da infância, a testemunhar que a experiência da vigília acompanha-nos desde a mais tenra idade, porque humanamente somos. O ser-no-mundo-para a morte leva-nos, pressentidamente, como nas imagens luftianas convocadas pela memória infantil, a anteciparmo-nos, num exercício de pré-visão . Senão, vejamos:
Quando eu era menina,
minha mãe tocava piano,
e a árvore de Natal girava
em sua pinha de ferro batido.
Eu cochilava no colo de meu pai:
dentro do peito dele
rodava a máquina da vida.
Mas uma coisa escura e sorrateira
fazia rumor fora da sala.Eu no peito dele,
ouvindo a música do sangue,
estremecia:
a faca cortando minha alma
era sentir que as águas do mundo
inundariam o tempo, o espaço,
e seríamos em breve os rostos naufragados
de um velho retrato numa mala. 19
Explicita-se no poema a tridimensionalidade temporal caracterizadora da atuação da memória que, narrada liricamente, interliga o presente da recordação, o passado que traz ao sujeito a tensão entre o vigor da “máquina da vida” e a ação “sorrateira” de “uma coisa obscura” e a presença antecipada do futuro, ainda não decifrada pela criança, na imagética do naufrágio, no qual se metaforiza, pelo medo do desconhecido, o desaparecimento do corpo finito.
Ao reconstruir, memorialisticamente, o passado, deixando-se conduzir pelas lacunas entre o lembrar e o esquecer, o sujeito une o sentimento de conforto e prazer inesquecíveis, à angústia (“a faca cortando a minha alma”) advinda de sua finitude. A criação poética torna-se, então, o registro da honra ontológica do ser humano, de que nos falou Gadamer, pela qual lidamos com a inconcebilidade da morte.
No poema intitulado “No relógio daquelas madrugadas”, metaforiza-se a presença da morte na infância, como uma “velhinha do Tempo”, acrescentando-se o sentimento de medo, incutido desde cedo na criança, uma vez que nos acostumamos a entender a morte como final da vida biológica, sem atentarmos que, despertos para o ilimitado somos levados a construir e a criar. Passemos ao poema:
No relógio daquelas madrugadas,
quando eu era menina e estava insone,
a velhinha do Tempo tricotava
longas tiras de medo: minha morte
ia sendo preparada nessa trama.
Sedas, farrapos, teias tão soturnas,
todo o terror que eu esquecia
quando me libertavam sol e cores.Alguma coisa ficou daquelas noites:
o metal dos ponteiros, as agulhas,
as mãos ossudas das bruxas noturnas,
tudo continua na urdidura
do fio singular da minha sorte. 20
Cristalizada no pensamento ocidental, a concepção da morte no âmbito da bio-logia toma o aspecto perecível e destrutível da existência, uma vez que esta também, no alheamento do ser, é pensada funcionalmente. Daí que o processo educacional do infante, ao contrário da referência originária do ex-ducere , do conduzir para adiante, do fazer emergir as potencialidades físicas, morais, intelectuais e espirituais da criança, libertando-a das forças negativas e repressivas, que lhe bloqueiam a vivência da aventura e a curiosidade para o desconhecido, conduz para a convivência com o “terror”, tricotado, ininterruptamente. A leveza e o conforto do sono infantil, que seriam decorrentes de uma liberdade sem medo, se vêem substituídos por alucinações, figurizadas nas “sedas”, “farrapos” e “teias”, com que a “velhinha do Tempo” produzia as “tiras de medo”. E nesse discurso, vale notar a plasticidade das imagens que, em sua concretude e no jogo das antíteses entre a soturnidade da noite e “sol e cores” liberadores, tornam mais intenso o significado do que ficou gravado na memória, como imagem negativa da morte.
Nesse contexto fechado, sem horizontes para o des-ocultamento do que se vela na “honra ontológica” do pensar, perde-se, também, a mensagem mítica positivante da morte, uma vez que, sendo ela filha da Noite e irmã do Sono, possui, como sua mãe e seu irmão, o poder de regenerar, de abrir o acesso para a renovação da vida. Assumindo a positividade, deixaríamos de ser concebidos como “um velho retrato numa mala”.
No espaço deste breve ensaio, em que optamos por focalizar o luftiano apelo poético-memorialístico do ilimitado, em textos onde se recriam cenas da infância, detenhamo-nos, ainda, em “Num sótão que inventei, ou que existia”:
Num sótão que inventei, ou que existia,
criei bichos-da-seda em velhas caixas:
ofício repugnante, que eu amava.
Lembro a inquietação dos vermes, lembro a trama
dos fios, lembro o medo
que chamava lá da escada.Hoje, num sótão mais noturno,
no último degrau dos meus terrores,
deito-me no pó entre os meus anjos
amortalhados em caixas vazias,
junto da cadeira alta, com as roupas
com que na infância me fingi rainha.
Nela senta-se a Dona dos Enigmas
e me recobre com os fios grudentos
que vão se soltando de seus olhos. 21
Na metaforização da morte, como “Dona dos Enigmas”, fica mais clara a sua incompreensibilidade.
Como no poema anterior, ainda situado no referido contexto, o sujeito experimenta o horror, que toma o lugar do prazer, o qual deveria resultar da brincadeira infantil. Esse horror deixa marcas tão profundas, que se revive, alucinatoriamente, no presente da recordação através de imagens recorrentes, tornadas repugnantes (“no último degrau dos meus terrores”).
Os versos nos ensinam, no entanto, em suas entrelinhas, que, existencialmente, a solidão já é invocação tensional entre vida e morte, situando-nos, desde sempre, como seres da liminaridade, a qual se inscreve na memória. Esta, fazendo conviver todos os tempos, explicita, aí, a impossibilidade de resgatar, com exatidão, o acontecido (“Num sótão que inventei, ou que existia”) dada a lacuna entre o vivido e o narrado, responsável pela distância identitária, entre o sujeito do evento decorrido e o que o lembra. E convém acrescentar que, na memória poematizada, a narração põe-se a serviço do lirismo e a ação de recordar enquanto re-cordis (pôr de novo no coração) mobiliza emocional e musicalmente a reconstrução mimética do acontecido, pondo-nos nas coisas e elas em nós. Por outro lado, o sujeito recordador atua no discurso, metonimicamente, ultrapassando o âmbito do individual e do social, pelos quais se pensa, comumente, a memória e atinge o sentido existencial da coexistência de vida e morte, que nela sempre se inscreve.
O chamamento do ilimitado que habita a memória liga-se, ontologicamente, à consciência do ser-no-mundo-para-a-morte . Esta, que leva o homem a antecipar-se, a viver o devir, se vê, embora muitas vezes inconscientemente, motivada pelo pressuposto heraclitiano: “se não se espera, não se encontra o inesperado, sendo sem caminho de encontro nem vias de acesso”. 22 Por isso, fica-se à espreita do inexplicável e inacessível, cumprindo a humana tarefa de estar desperto para o que ultrapassa o próprio alcance do pensamento. Almeja-se o desvelamento na experiência previamente requerida, sabendo, com Fernando Pessoa, que a morte é o lado de dentro da vida.
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HEIDEGGER, Martin. Op. cit. p. 68.
Algumas palavras aparecem grafadas em itálico e/ou separando-se o prefixo, a fim de ressaltar o seu sentido, no pensamento heideggeriano.
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