VERSÃO PARA IMPRESSÃO [ VOLTAR ]

Humanidades - uma leitura pós-disciplinar
Goli Guerreiro (FJA)

I  APRESENTAÇÃO

No final de 2001, começou a circular, no meio acadêmico brasileiro, um livro organizado pelo filósofo Renato Janine Ribeiro: Humanidades - um novo curso da USP 1. A obra expõe o projeto de implantação de um curso experimental de graduação. Sua proposta consiste em fazer dialogar as ciências humanas (psicologia, antropologia, sociologia, história, política, economia) e as humanidades (filosofia e artes). O filósofo Sérgio Rouanet propõe:

...chamar de humanidades as disciplinas que contribuam para a formação do homem independentemente de qualquer finalidade utilitária imediata, isto é, que não tenham necessariamente como objetivo transmitir um saber científico ou uma competência prática, mas estruturar uma personalidade segundo uma certa paidéia, vale dizer, um ideal civilizatório e uma normatividade inscrita na tradição, ou simplesmente proporcionar um prazer lúdico (Sérgio Rouanet, 1988, p. 309) 2.

 

Janine Ribeiro acredita que o acesso às Humanidades "fecundará a pesquisa em ciências humanas". Para isso interessa, não exatamente a assimilação quantitativa de conteúdos, mas sim, saber ler, saber escutar, experienciar a arte. Segundo ele, é importante desenvolver a sensibilidade estética, pois ela permite renovar o conhecimento.

Na verdade, sabemos que tanto a ciência quanto a arte exigem sensibilidade e razão para se desenvolverem e significarem produtos. Os dois registros não atuam apenas numa relação de complementaridade; existe, sim, necessariamente, uma fusão entre essas duas formas de experiência, afinal, são partes da condição humana.

Mas como pensar então de uma maneira sensível ?

Como professores, o que observamos, em nossa prática de sala de aula, é que existe, por parte do alunado, do professorado, das instituições, enfim, da sociedade contemporânea, um imediatismo pragmático, isto é, o conhecimento é visto como algo que deve servir a um único fim: o mercado. Vemos assim, no dia-a-dia, os programas das disciplinas, as cargas horárias, os anos de formação escolar reduzindo-se drasticamente e os conteúdos programáticos dos cursos sofrerem um processo de superficialização. Tudo isso em função de liberar, o mais rápido possível, o profissional para o mercado de trabalho. Essa postura generalizada tem significado um desânimo crescente por parte dos alunos e dos professores que não vêem mais no conhecimento um campo de reflexão e experiência estética.

Entendemos por estética, a experiência do sensível (do grego aisthetikê ), uma experiência que toca nos sentidos: os instrumentos materiais e cognitivos de percepção. Essa percepção só é possível com as condições do gosto . Gostar é ser atraído por algo que faça sentido para o sujeito.

O modelo de sociedade em que vivemos e, por conseqüência, o modelo educacional vigente, desvincula o gosto do conhecimento. A proposta de recolocar em pauta as humanidades busca motivar alunos e professores, através de um espaço para a imaginação, para a criatividade e para o prazer.

Foi justamente com o intuito de resgatar a relação de prazer com o saber que as Faculdades Jorge Amado inauguraram um espaço de reflexão e ação - o Núcleo Humanidades . A composição multidisciplinar do Núcleo Humanidades vem ao encontro do que Janine Ribeiro chama de "poliglotismo cultural". Segundo ele,

Um mundo complexo como o atual torna impossível dar conta de seus problemas mediante uma única linguagem. (...). Não é estranho, por isso mesmo, que em toda a parte surja o clamor por um trabalho que quebre as fronteiras das disciplinas, que procure ligá-las de alguma forma (Ribeiro, R. J. 2001,p.32).

 

A proposta não é sintetizar os vários olhares e narrativas sobre o mundo, mas justamente pluralizá-los. Portanto, o diálogo entre humanidades e ciências humanas não significa convergência, ao contrário, pode às vezes indicar contradições, impasses, refutações. O que está em jogo é despertar a sensibilidade e o senso crítico do estudante, e também do professor. O objetivo é resgatar as humanidades como elemento chave do debate intelectual e acadêmico.

II. EIXOS TEMÁTICOS

Enquanto o projeto original parte da Filosofia, nossa reflexão parte da Cultura. Nossos eixos temáticos - Identidades - Narrativas - Mercadorias - Cidades - se organizam através de amplos processos culturalmente constituídos que atravessam todas as épocas históricas. Partimos do pressuposto de que nos tornamos humanos a partir da cultura. "Sem os homens certamente não haveria cultura, mas, de forma semelhante e muito significativamente, sem a cultura não haveria homens" (Geertz, 1978:61) 3. Buscamos os pilares da humanização ou eixos do processo civilizatório. Mas, antes de desenvolvê-los, é importante explicitar o que entendemos por cultura.

A noção de cultura é multissignificada. Na concepção antropológica, pensa-se a cultura como toda e qualquer criação humana, como imaginação simbólica e como modo de vida. A cultura não é, portanto, uma abstração, ao contrário, sua concretude é onipresente, pois se manifesta em todas as dimensões da existência: na esfera etno-linguística, política, econômica, religiosa, artística, sociocomportamental e fisiológica. O modo de vida de um povo é a interconexão de todas estas esferas, perpassado ainda pelos aspectos históricos e geográficos. A cultura é a própria estrutura do pensamento. Segundo Edgar Morin,

A cultura, que caracteriza as sociedades humanas, é organizada / organizadora via o veículo cognitivo da linguagem, a partir do capital cognitivo coletivo dos conhecimentos adquiridos, das competências aprendidas, das experiências vividas, da memória histórica, das crenças míticas de uma sociedade. Assim se manifestam 'representações coletivas', 'consciência coletiva', 'imaginário coletivo' (Morin, 1998. p. 23) 4.

 

Para entendermos a cultura como experiência, vamos trabalhar alguns eixos temáticos. Até agora, apenas a espécie humana desenvolveu um conjunto de características evolutivas que expandiram a organização biológica - o universo simbólico. Algumas dessas características estão contempladas em quatro eixos temáticos que se baseiam na própria linha evolutiva da nossa espécie, também pensados como disciplinas: Identidades - Narrativas - Mercados - Cidades.

 

*  IDENTIDADES

Sugerimos que a definição e a aplicação no cotidiano do conceito de identidade está profundamente arraigada numa espécie de ilusão. Ela implica uma série de comportamentos (individuais e coletivos) de natureza basicamente egoísta . Portanto temos aqui, de imediato, uma questão ética .

Essa ilusão seria a percepção do "eu" como a única dimensão subjetiva possível. Isto tem sido tão estrutural na percepção de si e do mundo quanto o "fato" da Terra ser plana, até a Modernidade primeva. É aqui que propomos levar as concepções dos alunos e professores sobre si, e conseqüentemente sobre o mundo, à experiência e discussão. Esta deverá focar a posição do "eu" dentro de uma organização social fundamentalmente subjetiva . Discutiremos os pilares conceituais que sustentam o que chamaríamos aqui de "paradigmas do egocentrismo" em ciências humanas, nas humanidades e na sociedade como um todo.

Aqui entra a identidade e seus mecanismos. Para que o personagem se "identifique" (eu sou eu e não fulano; nós somos isso e não aquilo) e seja identificado pelo contexto cultural, os mecanismos de identidade ficam permanentemente ativos, expulsando da consciência da cena tudo que não seja "eu" ou "nós". Atividade que seria condicionada, como propõe a psicanálise, por uma economia subjetiva . Esta qualificaria a distribuição dos recursos materiais, energéticos e semióticos (informacionais/espirituais) na construção de uma subjetividade individual e/ou coletiva. Nela se distribui os "investimentos" e "retiradas" de "valores" das representações, dos afetos e dos objetos. Nela também se passam os conflitos de valores, a destinação dos investimentos afetivos e materiais, impedindo e favorecendo esses valores a ocuparem o centro ou a periferia da cena. Temos aqui, então, a base do preconceito, a exclusão de percepções, concepções, estéticas: a lógica exclusiva, por excessos de investimentos nos mecanismos de defesa identitários. Novamente, uma questão ética provinda de questões econômicas. Aliás, os mecanismos que mantêm a minha/nossa singularidade são os mesmos que buscam excluir as diferenças.

Com isso, entramos também no plano epistemológico: a lógica exclusiva, por excessos nos mecanismos de defesa identitários. Propomos intervir aí, de maneira a levar as pessoas a perceberem que os seus conceitos mais "subjetivos" são tão "objetivos" quanto a realidade que os rodeia e são tão caóticos e harmônicos como esta. A combinação ou configuração das idéias - os paradigmas - são a base dos comportamentos individuais e/eu coletivos. A concepção de eu em que se baseia a concepção de mundo formata a relação com este: o egoísmo, a poluição, a opressão de outras espécies e etnias que não sejam a sua etc. Trata-se de considerar os fatos: subjetividade, identidade, personalidade, individualidade e sociabilidade.

 

*  NARRATIVAS

O processo de narrativização ocupa um lugar central da comunicação humana e questiona as fronteiras entre ficção e realidade nas diversas possibilidades discursivas. A narrativa consiste na ação, processo ou efeito de narrar, de expor, de sugerir de forma oral, escrita, musical ou através da imagem (em movimento, plástica ou fotográfica), um acontecimento ou uma série de acontecimentos reais ou imaginários.

O ato de narrar acompanha a própria trajetória humana, desde tempos imemoriais. Assim, as narrativas manifestam-se nas pinturas rupestres e nos mitos cosmogônicos, nas lendas e nas odes, nos discursos historiográficos e literários e, em certa medida, nos discursos científico e filosófico.

Paul Ricoeur defende que a narratividade, na qual se encontram inseridas tanto a historiografia quanto a ficção e o mito, é a forma de expressão da própria historicidade. Sua hipótese de base é que "existe entre a atividade de narrar uma história e o caráter temporal da experiência humana uma correlação que não é puramente acidental, mas apresenta uma forma de necessidade transcultural" (Ricoeur, 1994:85) 5. Neste ponto, as idéias de Ricoeur se aproximam da de outros teóricos estudados que radicalizam sua hipótese defendendo que nossa estrutura de pensamento é articulada pelas narrativas:

Todo señala que la sustancia psíquica es narrativa, tropezamos con narraciones, entramos y salimos todo el tiempo de narraciones, y no se puede suponer un pasado sin que haya en algún lado un paraíso perdido. (Yerman, 2001, P.76) 6.

Nesse sentido, as narrativas se configuram como eixo condutor das formas de interpretação dos seres humanos. Como uma estrutura discursiva que, historicamente, estava ligada aos discursos ficcionais, as discussões sobre a narratividade ensejam o questionamento dos limites entre a suposta verdade e ficção características da ciência e da arte, respectivamente. Nessa perspectiva, o olhar e a percepção, inclusive no universo científico, passam a ser revistos dentro de uma lógica que inclui a subjetividade e a relatividade de toda interpretação. A partir dessa lógica, a memória (que se manifesta a partir da oralidade, da escrita e da arte) passa a ser revisitada e revalorizada enquanto espaço de produção de saberes essencias para a construção do conhecimento, para a regulação das trocas sociais e simbólicas e a criação estética. As narrativas permitem a vivência que não seja apenas a da individuação. O contato com as histórias, a sua leitura, seja em que linguagem for, permite resgatar o sentido do coletivo.

 

* MERCADORIAS

Compreendemos os mercados como espaços das trocas, da circulação de bens materiais e simbólicos onde se transacionam genes, línguas, modos, vestes, fenótipos, saberes, valores, tecnologias etc. Neste contexto, tudo pode ser interpretado como mercadoria e o próprio mercado como lugar privilegiado para se observar a trajetória da civilização. Decodificar o significado das mercadorias representa, portanto, uma profunda ligação com a interpretação da vida social, da evolução da sociedade e dos rumos desta evolução.

É que as mercadorias não retiram seu valor das relações das pessoas com a natureza, e sim das relações entre elas. As mercadorias existem apenas na coletividade. Como categoria, ela ganha na modernidade uma complexidade maior. Marx destaca que o modo capitalista de organizar e reproduzir a sociedade exacerba o poder das coisas sobre as pessoas, turvando as possibilidades de reconhecimento das relações sociais subjacentes à produção das mercadorias e transformando-as em fetiches. Para ele, o fetiche ou caráter ilusório das mercadorias não se deve ao seu valor de uso, que afinal satisfazem necessidades humanas, mas, sim, ao seu valor simbólico.

A sociedade capitalista, por um lado generaliza o mercado, aumentando enormemente a quantidade de mercadorias e, por outro lado, diversifica, altera e multiplica os padrões de consumo, transformando indivíduos em consumidores pela grande ampliação da escala de suas necessidades (Canclini, 2001) 7.

Mike Featherstone avalia o movimento de generalização dos mercados e de ampliação das necessidades e padrões de consumo da sociedade contemporânea como fundador da "cultura do consumo", compreendida, primordialmente, como "consumo de signos". Para ele,

Usar a expressão 'cultura de consumo' significa enfatizar que o mundo das mercadorias e seus princípios de estruturação são centrais para a compreensão da sociedade contemporânea. Isso envolve (...), na dimensão cultural da economia, a simbolização e o uso de bens materiais como "comunicadores", não apenas como utilidades. (Featherstone, 1995: 121) 8.

 

A polissemia da mercadoria tem se apresentando como elemento fundamental para definir gostos, modos de vida e novos formatos identitários. A cultura do consumo torna-se, portanto, um instrumento teórico importante para entender os diferentes estilos de vida. Isso porque as mercadorias possuem valor simbólico e esse valor é negociado para demarcar diferenças e posicionar os indivíduos e grupos nas relações sociais.

Pensamos mercado também como metáfora da efervescência social. Para Michel Maffesoli, o mercado é "animação global da vida social".

Nada escapa a essa colocação em forma, o produto industrial evidentemente, mas também o 'produto' literário, religioso ou cultural. O mesmo acontece com as cidades, regiões ou países que, dessa maneira, 'são ilustrados' e que, pelo 'logo', slogan, ou outro design interpostos, pretendem oferecer de si mesmos uma imagem que deixa marcas e que favorece sua dinamização externa e sua animação interna (Maffesolli, 1995, p. 125) 9.

 

A animação da vida social passa pela espetacularização do mundo. As guerras, a violência, a política, a copa do mundo, a música, a moda etc tornam-se objetos de desejo para platéias formadoras e formatadas por essa dimensão. O mercado se dinamiza na própria forma de circulação e de apresentação dos bens a serem consumidos. É aí que a forma de circulação ganha um caráter de espetáculo, explorando as características dos bens e acrescentado-lhes outros valores estéticos, morais etc. Uma notícia que revela um escândalo é espetacularizada através da circulação e não mais pelo fato em si. Essa característica do mercado revela que a forma de apresentação molda a percepção do objeto consumível, motiva a apropriação industrial do bem de consumo e estrutura formas diferenciadas de mercado.

 

*  CIDADES

Desde os primórdios da civilização humana, as cidades têm sido o local por excelência da produção tecnológica, intelectual e artística das mais variadas sociedades do planeta. Seu papel, na gestação de culturas originais informadas por elementos de diversos povos e movimentadas por uma incessante circulação de idéias, permitiu às urbis uma posição privilegiada no campo da produção humana. Espaços de diversidade étnica, lingüística, comportamental e ideológica, as cidades são guardiãs do debate cultural em todas as épocas históricas e fontes inesgotáveis do imaginário coletivo.

As cidades são o lugar do hibridismo, da miscigenação. Ao mesmo tempo em que são um espaço mestiço são também o lugar das multiculturalidades, que enfatiza a necessidade do reconhecimento legítimo da diferença. As cidades passam a ser entendidas enquanto caldeirões pluriétnicos e poliglotas. Segundo Andrea Semprini 10, o processo exibe uma mestiçagem crescente e revela uma "sociedade pós-étnica". Ela põe em debate a gestão de um espaço policêntrico, onde as noções de centro e periferia se diluem. Uma luta política se trava no campo da cultura em nome da diversidade. Cidades são a fragmentação e a síntese do capital cultural da humanidade. Como gigantescas arenas parabólicas, elas exibem o lixo e o luxo de todos os mundos culturais do planeta. O acesso ao imaginário do mundo judeu, do mundo ocidental, do mundo oriental, do mundo africano, do mundo árabe e do mundo indígena se materializa no espaço concreto das grandes cidades.

As cidades sempre estiveram associadas às tecnologias de seu tempo. As tecnologias foram e são capazes, inclusive, de reconfigurar os espaços urbanos. Tecnologias moldam e são moldadas pelas cidades, num ciclo contínuo e interligado de transmutação. O espaço concreto das cidades é também formado por dígitos: novas tecnologias reconstroem o cotidiano das cidades, com seus bancos on line , conferências virtuais, serviços de cidadania à distância. As cidades, em tempos de fluxos binários, de redes telemáticas, tornam-se cada vez mais cidades digitais.

Segundo Anthony Giddens 11, ao mesmo tempo em que as relações sociais se tornam esticadas, através de uma rede de comunicação planetária, como parte do mesmo processo vemos o fortalecimento de pressões para autonomia cultural local. Nesse contexto, as fronteiras perdem densidade para dar lugar à experiência concreta do pertencimento a um espaço, um bairro, um território, uma cidade, a nossa cidade.

O fascínio que a cidade exerce se manifesta também neste projeto enquanto objeto de investigação. A cidade do Salvador, por exemplo, em sua polissemia infinita desafia e inquieta os mais variados olhares e intervenções sejam eles científicos ou artísticos.

E por que não adentrar os mundos, os meios, as arenas da Cidade da Bahia em toda a sua diversidade? Desvendar cenários urbanos, compreender seu bairrismo e saber lhe contrapor a sua face cosmopolita e então percebê-la mais densa, matizada, reconstruída, ressignificada.

 

III. A PROPOSTA

Estes eixos temáticos identidades - narrativas - mercadorias - cidades estão intimamente conectados, a aparente separação é puramente formal. Nossa proposta é confrontar esses eixos em vários níveis para daí produzir uma reflexão original, ou seja, que não está contida em nenhuma visão particular, mas é resultante desse cruzamento.

O cruzamento implica tanto convergências como contrapontos e mesmo divergências. Isto porque o debate se dará entre os eixos; entre as várias linguagens: filosófica, literária, histórica, cinematográfica, sociológica, psicológica, musical; e no entrelaçamento dos eixos e linguagens.

Algumas imagens poderiam traduzir esta idéia. Deleuze e Guattari exploraram a imagem do rizoma em "Mil Platôs" 12 para desconstruir a hierarquia de informações na produção de conhecimento. Essa imagem conecta-se com a idéia de rede. Na rede, o fluxo das interações ganha significado e se movimenta em malhas naturalmente cambiantes, frouxas, até mesmo imprevisíveis, tecidas de real e de imaginário. As redes convergem para onde houver um eixo, uma situação-chave. Os diálogos aqui propostos estão articulados então em forma de rede.

O principal desafio da produção de conhecimento do novo século é justamente colocar em pauta esta mudança de paradigma. Nossa reflexão busca fazer parte desse processo. A educação modela o ser e o estar no mundo e não pode ser uma mera formatação do pensar no sentido tecnicista. Ela inclui necessariamente a formação humana. Mais do que especialistas, é preciso formar pensadores.

 

RIBEIRO, R. J. (org.). Humanidades: um novo curso da USP. São Paulo, Edusp, 2001.

ROUANET, Sérgio. "Reinventando as humanidades". In As razões do iluminismo. São Paulo, Cia das Letras, 1988, pp 304-330.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das Culturas. Rio de janeiro, Zahar Editores, 1978

MORIN, Edgar. O método 4 - As idéias. Porto Alegre, Ed. Sulina, 1998.

RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Campinas, Papirus, 1994. vol.1

YERMAN,F. Historia y narracion en psicoanalisis .Topía revista, 2001, 33.

CANCLINI, Nestor Garcia. Consumidores e cidadãos - conflitos multiculturais na globalização. RJ, Ed. UFRJ, 2001, 4ª ed.

FEATHERSTONE, Mike. Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo, Studio Nobel, 1995.

MAFFESOLI, Michel. A Contemplação do Mundo . Porto Alegre-RS, Editora Artes e Ofícios Editora Ltda, 1995.

SEMPRINNI, Andrea. Le multiculturalisme. Paris, PUF, 1997.

GIDDENS, A. As conseqüências da modernidade. São Paulo, Unesp, 1991.

DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. Mil platôs- capitalismo e esquizofrenia . Rio de Janeiro, Editora 34, 1995.