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Modernidade e Niilismo em Álvaro de Campos
Cláudia Grijó Vilarouca (UFSC)
Alguns críticos da obra pessoana apontam três fases na poesia de Álvaro de Campos. A primeira seria, baseada no próprio relato de Fernando Pessoa, aquela em Campos ainda não conhecia o Mestre Caeiro, onde ele não passava de um burguês entediado e ainda preso ao simbolismo decadente. A segunda, que iniciaria na “Ode Triunfal”, após ele ter tido contato com aquele que viria a ser seu mestre, representa a fase em que o poeta teve seus sentidos abertos ao mundo, aparentemente indicando um certo deleite em relação ao mundo moderno ser o que é. A fase seguinte despontaria a partir de “A passagem das Horas”, em que o poeta revela com maior clareza sua veia pessimista e introvertida. Revela ainda sua desilusão com essa abertura de sentidos que mostra-se inútil na apreensão do mundo porque
Depois tudo é cansaço neste mundo subjetivado,
Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas,
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente. 1
O objetivo deste ensaio é defender que Álvaro de Campos representa o homem niilista o qual, realizando tentativas para escapar do niilismo, acaba por cair no mais profundo niilismo, onde “só um Deus pode salvá-lo”. Mais especificamente, deter-me-ei no poema “Ode Triunfal”, da fase “futurista”, onde, segundo penso, o niilismo mostra sua face mais perigosa - a ser esclarecida no desenvolvimento do texto à luz dos conceitos de niilismo tanto de Nietzsche quanto de Heidegger – e por ser menos evidente o seu desencanto com o mundo.
Nietzsche e a época do niilismo
Nos poemas “Sonetos”, “Opiário” e “Carnaval”, que teriam sido escritos antes da “Ode Triunfal”, já transpareciam o tédio e a melancolia. Nas palavras de Campos, “sou um convalescente do Momento”, porque o ópio o consola:
É antes do ópio que a minh'alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um oriente ao oriente do Oriente. 2
Tédio e melancolia 3 não são ocorrências privilegiadas da época moderna. Sempre são conseqüências de alguma força ativa. Porém, cada época os percebem de diferentes modos, por exemplo, outrora, eles eram tomados como derivados da influência de maus espíritos e até da ação da bile negra 4.
Na época moderna, com o mundo metafísico em queda, com a “morte de Deus”, e com o grande avanço da medicina, o que tornaria o homem ainda suscetível a esses males?
A resposta dessa pergunta já foi indicada acima e refere-se à época. Na modernidade, as forças que antes eram atribuídas à coisas “reais” passam a ter caráter de irrealidade atuante 5. O que significa uma espécie de alienação da situação vigente pois não se conhece essas forças, todavia, seus efeitos podem ser sentidos. A humanidade carece de fundamentos. Como uma célebre frase de Marx, da qual me aproprio à título de exemplificação, tudo que era sólido se desmanchou no ar, .
Essa irrealidade atuante seria, concebida à luz da teoria de Nietzsche, o Nada. É o Nada que toma força após a ruína da interpretação moral-cristã do mundo, tornando a vida privada de sentido. Isso porque à destruição dos valores vigentes ainda não se sucedeu o estabelecimento de novos. Ao tomar a interpretação moral-cristã como a única verdadeira, o homem passou a desconfiar de outras interpretações, o que deixou-o sem possibilidades e que o leva ao caminho do niilismo. Logo, “niilismo é então o tomar consciência do longo desperdício de força, o tormento do ‘em vão', a insegurança, a falta de ocasião para se recrear de algum modo, de ainda repousar sobre algo” 6, como se a humanidade estivesse inserida em um enorme edifício de madeira fundado sobre o Nada, edifício que apodrece com o passar do tempo, cujas fendas começam a aparecer, deixando-a sem abrigo.
Não há Deus para amparar ninguém pois o valor, tido como o supremo entre todos os valores, foi extinto: Deus está morto , apontando para o fim da metafísica.
O fim desta, em face do que acabou de ser dito, poderia ser pensada como uma reafirmação mais radical ainda da Metafísica, de uma Metafísica sem fundamentos 7. Porém, Nietzsche instaura a vontade de poder como o motor da vida e, em uma tentativa de superar o niilismo, propõe assim uma transvaloração de todos os valores fundadas na mesma. Afirma Vattimo que, para Nietzsche, “a consumação do niilismo é tudo o que devemos esperar” 8, mas na medida em que este último deseja a vinda do super-homem,
Esse homem do futuro [homem redentor], que nos salvará não só do ideal vigente, como daquilo que dele forçosamente nasceria , do grande nojo, da vontade de nada, do niilismo, esse toque de sino do meio-dia e da grande decisão, que torna novamente livre a vontade, que devolve à terra sua finalidade e ao homem sua esperança, esse anticristão e antiniilista, esse vencedor de Deus e do nada – ele tem que vir um dia ... 9
Ora, isso não denota uma certa esperança? Por quê o homem necessita de abrigo? Porque não se abrigar em si mesmo a partir da vontade de poder? Esse é o caminho proposto por Nietzsche. Somente a vontade de poder é que move o super-homem. A vontade de poder é a busca de um fundamento que se auto-funda e se auto-sustenta, também é uma busca por uma certeza indubitável. Por estas razões é que Heidegger aponta Nietzsche como o último metafísico: este estabelece a vontade de poder como a entidade do ente, o que consome e destrói o ente, pois a vida mesma é guerra dos mais fortes contra os mais fracos.
No entanto, para Nietzsche, que se auto-definia como niilista ativo , que é aquele que apressa a queda do valores atuais para o advento de novos valores, o niilismo não é negativo, é até necessário,
o sofrer, os sintomas de declínio fazem parte dos tempos de descomunal avanço; cada fecundo e potente movimento da humanidade criou ao mesmo tempo um movimento niilista(...) 10
Apesar de Campos referir-se, na “Ode Triunfal”, ao progresso denotando a industrialização e o desenvolvimento tecnológico, ele não os subsume em um “fecundo movimento da humanidade”. Ao contrário, ele constata que, paralelamente a esse fato, uma parte da humanidade decai, “são inatingíveis por todos os progressos”(v.180).
Parece ser isso que provoca enlevo em Campos, vislumbrar essa guerra cotidiana onde os mais fortes triunfam e os mais fracos perecem, onde o mundo é, assim como para Nietzsche, vontade de poder e nada mais 11. Campos canta em versos, e apenas isso, desde os aristrocatas e burgueses até “a gente ordinária e suja”
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles! (v.175-77) 12
Essa visão o agrada porque o homem não é visto aqui como homem, mas somente da perspectiva em que ele é peça de engrenagem. Afirma Nietzsche na “Genealogia da Moral” que o homem está cansado do homem, que a própria “visão do homem agora cansa”. Eis ,então, a outra face do niilismo nietzscheano aparente em Campos. O homem é visto como objeto, tão interessante quanto a máquina, e como mero passatempo:
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida! (v.181)
Heidegger e a essência da técnica triunfal
Também é nesse sentido que Heidegger afirma que a humanidade foi transformada em material humano 13. Tendo o homem decaido no ente, pois representa o ser como o ente enquanto tal, ele arroga para si o título de senhor da Natureza e se desencontra, deste modo, com sua essência. E o homem tenta assegurar sua essência em meio à planificação incondicionada porquanto
aspira por um asseguramento de si próprio em meio ao ente, passível de ser promovido por ele mesmo, sendo que o ente é então investigado em função do que ele mesmo oferece em termos de possibilidades novas e sempre mais confiáveis de asseguramento 14.
Em Campos, esse asseguramento vai se dar no desejo de ser tragado pelos entes, sobretudo pelas máquinas:
Eu podia morrer triturado por um motor
Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída
(...)
Masoquismo através de maquinismos!
Sadismo de não sei quê de moderno e eu e barulho! (v.134-40)
Evidentemente, poderia transparecer nesses e em outros versos do poema uma leve dose de ironia, porém se se levar em conta que Campos prezava por fortes sensações, nessa fase inicial, e que seus sentidos teriam sido abertos ao mundo pela primeira vez, trata-se mais de um olhar alienado do que “intelectualizado”.
O pensamento foi abandonado, em detrimento do sentir tudo de todas as maneiras . Mais especificamente, o pensamento na qualidade de reflexão, como diria Heidegger, “que reflete sobre o sentido que reina em tudo que existe” 15. Este é o tipo de pensamento que foi deixado de fora . Essa é a característica dos tempos modernos, onde a Natureza nada mais é do que fornecedora de energia e matéria prima para o crescimento da tecnologia. O mundo existe objetivado e com finalidade “útil”, bem como as relações humanas, onde a ordem do transitório, do superficial, é a que vige. Como foi dito anteriormente, o homem se desencontra com sua própria essência e digo mais, o homem se desencontra com o próprio homem. O homem já não é capaz de ver seu semelhante como criatura humana oprimida pela angústia, ou pela indigência de seu tempo. A modernidade, lida pelos parâmetros de Campos é alienante, é um grande show cujo apresentador-palhaço é o próprio homem:
A maravilhosa beleza das corrupções políticas,
Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,
Agressões políticas nas ruas,
E de vez em quando o cometa dum regicídio
Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus
Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana! (v.73-78)
A modernidade, ainda na perspectiva de Campos, e não muito diferente do que pensam seus contemporâneos, se caracteriza também pelo efêmero, pela transitoriedade, pelo ponteiro do relógio correndo depressa, representando que o tempo moderno vale dinheiro, pelos falatórios e conversas inúteis que acabam adquirindo importância na sua própria inutilidade, porque tudo vai-e-vem de forma frenética, e tudo isso é instantâneo:
Horas européias, produtoras, entaladas
Entre maquinismos e afazeres úteis!
Grandes cidades paradas nos cafés,
Nos cafés – oásis de inutilidades ruidosas
Onde se cristalizam e se precipitam
Os rumores e os gestos do Útil
E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!
Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!
Novos entusiasmos de estatura do Momento! (v.41-49)
Como chegou-se até esse estado de coisas? Segundo Heidegger, o que ocorre é resultado de uma “reviravolta de todas as representações” 16, instaurada com a filosofia moderna, mais especificamente com Descartes. Tudo o que existe, passa a existir para o sujeito da representação, e a verdade do ente equivale à certeza na qual a subjetividade se assegura. Com isso:
Todo o horizonte do supra-sensível é, se já não estiver apagado, borrado. O supra-sensível é roubado à sua força nutriente, suportado, conformadora e estimulante. Ele perdeu sua vitalidade. Deus foi morto 17.
Com o horizonte supra-sensível borrado, visto que ainda há resquícios dele, surge um novo modo de se relacionar com os entes: a técnica, cuja essência impossibilita aos homens de se relacionarem com os entes a não ser pelo modo da Ge-Stell (imposição). Os resquícios da Metafísica encontra-se na própria técnica, pois é aquela que determina toda a história Ocidental e é o próprio Álvaro de Campos quem admite:
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes elétricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão (v.19-20)
O niilismo, para Heidegger, é a história da Metafísica, na medida em que ela é também a história da retração do ser. A técnica é um modo de interpretar o ser, no entanto, como ela tende a fechar a abertura do ser, este acaba por cair no esquecimento. Então, o niilismo mostra-se com violência justamente nessa época da primazia do ente que deixa o ser de fora. E o grande perigo para o qual Heidegger nos alerta é a conseqüente negação do ser que “é mais terrível do que a ausência de Deus” 18. Por outro lado, o esquecimento, o deixar de fora e a própria negação são já uma forma de se relacionar com o ser. O problema é que essa forma torna-se a mola propulsora do que Heidegger denomina de niilismo impróprio, que consiste na negação da indigência e da penúria que se estende até nossa época. E essa negação torna o niilismo um estado natural, ele não causa mais estranheza. Campos retrata exatemente o homem nessas condições, qual seja, aquele que não desconfia que algo não vai bem, aquele que até percebe as mazelas do mundo 19 mas que diz:
Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto
Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,
Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje? (v.207-09)
Álvaro de Campos é o mais niilista porque deixa de lado aquilo que faz do homem ser o que é: a reflexão. E, em seguida, a prova contundente do niilismo de Campos demonstra que, de fato, tudo é em vão, e a nostalgia de voltar a ser criança denuncia que sua vida atual não possui muito sentido, arrisco a dizer, sentido nenhum, – onde o movimento inexorável de seu tempo não leva a parte alguma – pois é um movimento do eterno retorno:
(Na nora do quintal da minha casa
O burro anda à roda, anda à roda 20,
E o mistério do mundo é do tamanho disto.
Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.
A luz do sol abafa o silêncio das esferas
E havemos todos de morrer.
Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,
Pinheirais onde a minha infância era outra coisa
Do que eu sou hoje...) (v. 182-190)
Este trecho é um dos poucos parênteses que aparecem no poema. Todavia, à exceção dos outros, simples comentários pertinentes ao verso anterior, este, acima citado, é um suspiro e denota o único momento na Ode em que seu tom de voz como que abranda, como se percebesse uma ameaça iminente, onde o lugar ocupado pela criança Álvaro de Campos representasse um abrigo seguro. Não obstante, ele retorna rapidamente ao estado alienado em que ele imerge durante todo o poema, como uma demonstração de que em seu tempo, não há lugar para a nostalgia, para refletir o que se foi e o que se é. Tudo isso cede terreno para o mundo técnico:
Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!
(...)
Ó ferro, ó aço, ó alumínio, ó chapas de ferro ondulado!
Ó cais, ó portos, ó comboios, ó guindastes, ó rebocadores! (v.191-199)
A argumentação exposta até aqui foi para mostrar que a fase “futurista” de Álvaro de Campos de encantamento com o mundo técnico, exposto na poesia, não passa de invólucro. Pelo viés nietzscheano, vimos, grosso modo, que o tédio, melancolia da “primeira fase” de Campos são apenas sintomáticos. O “futurismo” da “Ode Triunfal” enquanto adoração do mundo mecânico e barulhento também são sintomas do niilismo na medida em que o homem torna-se desinteressante para o próprio homem, e por esta razão, o homem necessita buscar algo de fora para preencher uma falta. Campos a preenche com o futurismo, chama fulminante que se apaga rapidamente.
E é a partir da falta de reflexão de Campos em relação, sobretudo, ao mundo técnico que se traçou um pequeno paralelo com Heidegger. A “Ode Triunfal” encobre o caráter niilista do poeta, revelando nada mais que o esquecimento de si e o fingimento de que a indigência de seu tempo é algo natural, apresentando-se como o pior do niilismo, daquele que Heidegger chama de impróprio . A tecnologia triunfa porque é mais interessante que o homem. Este teve seu lugar tomado pela técnica e aparece na Ode apenas como uma paisagem longíqua.
Tanto é verdade que sua poesia posterior será um desabafo de sua desilusão, o mundo técnico se revelou técnico em demasia e começou a ficar vazio. E então virá o cansaço, o sentimento das “paixões inúteis por coisa alguma. “O mundo tornou-se fábula” 21, tornou-se alegoria e não mais possui uma verdade que a sustente. Primeiro, o ópio consolava Campos; posteriormente, o futurismo parece tê-lo consolado por algum tempo para, ao final, ele assumir que não há consolo e só lhe resta encolher-se, introverter-se, porque não há nada a ser feito.
Álvaro de Campos, poema de 1928, p.271 em: BERARDINELLI, Cleonice (ed. de). Poemas de Álvaro de Campos . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
Álvaro de Campos, “Opiário”, p.8 em: id. ibid.
Pensar em uma possível diferença essencial entre esses dois termos não é de muita relevância visto que em Campos eles estão intrinsecamente ligados e, principalmente, eles são apenas sintomáticos.
Cf “Saturno nos Trópicos – a melancolia chega ao Brasil”, 1ª parte, de Moacir Scliar (2003).
Estou utilizando essa expressão por não encontrar outra melhor. Por irrealidade, proponho aqui um sentido em que não há ligação com coisa alguma a qual pudesse ser tornada objeto pelo pensamento.
NIETZSCHE, F. Sobre o Niilismo e o Eterno Retorno. Em: Os Pensadores. Ed. Abril Cultural, São Paulo, 1978, p.380
Sem mundo das idéias, sem Deus, enfim, sem causas primeiras e finalidades últimas, o que resultaria no niilismo nietzscheano, aqui, na acepção de que os conceitos de telos , unidade e verdade – todos vinculados à Metafísica tradicional - não servem mais para interpretar a existência porque eram categorias “com as quais tínhamos imposto ao mundo um valor, [e que] foram outra vez retiradas por nós – e agora o mundo parece sem valor ” - id. ibid., p.381.
VATTIMO, O fim da modernidade: niilismo e hermenêutica na cultura pós moderna . Ed. Martins Fontes, São Paulo, 1996 p.4
NIETZSCHE, F. Genealogia da Moral. Ed. Cia das Letras, São Paulo, 1998, p.85
idem, O niilismo e o eterno retorno , p.386
“E vós sabeis mesmo o que é ‘o mundo' para mim? (...) Este mundo: uma monstruosidade de força, sem começo, sem fim, uma grandeza fixa e brônzea de força. (...) Este mundo é a vontade de poder e nada além disso !” Nietzsche, Vontade de poder, n. 1067, XVI, p.401f, apud HEIDEGGER, M. A essência do niilismo. Em: Nietzsche: Metafísica e niilismo .Ed. Relume Dumará, Rio de Janeiro, 2000, p.217
Toda as citações da poesia de Campos é tirada da edição de C. BERARDINELLI. Para facilitar uma possível consulta à poesia, indico a numeração dos versos da “Ode Triunfal” entre parênteses.
HEIDEGGER, A essência do niilismo , p. 275
id., Serenidade . Ed. Piaget, Lisboa, 1959, p.13
idem, A essência do niilismo , p.197. Aqui Heidegger está explicando Nietzsche.
Observar que na “Ode Triunfal”, Campos não faz a mínima referência à sentimentos, ao pensamento, e à Natureza, a qual só aparece coisificada: (Um orçamento é tão natural como uma árvore / E um parlamento tão belo como uma borboleta). v. 124-25
Nora , além do sentido que bem conhecemos, também significa: “Aparelho para tirar água dos poços, rios, cisternas, etc., cuja peça principal é uma grande roda de madeira em volta da qual passa uma corda a que estão presos os alcatruzes (vasos de barro, em que se levanta a água das noras)” – Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. Quanto à palavra burro , acredito que seja alguma parte integrante da nora – considerando as diversas diferenças semânticas de palavras usadas no Brasil e Portugal; neste mesmo dicionário não encontrei uma definição satisfatória.
Nietzsche, Crepúsculo dos ídolos , apud VATTIMO, op. cit ., p.10