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O resgate do jornal rio-grandino Arauto das Letras (1882-1883) como amostra da expressão literária sul-rio-grandense
Jaqueline Rosa da Cunha (FURG)

O jornal Arauto das Letras circulou durante o período de dois anos, compreendido entre 1882-1883, na cidade do Rio Grande e de Pelotas. O mesmo era de propriedade da família Mello, representada por Octaviano A. de Mello com colaboração das poetisas Revocata dos Passos Figueiroa de Mello, Revocata Heloisa de Mello e Julieta de Mello Monteiro. Apesar de sua origem rio-grandina, o jornal também foi lido na cidade de Pelotas.

O Arauto das Letras era composto por quatro páginas de formato pequeno, nas quais distribuem-se nove colunas: ensaios a respeito do comércio, da política ou da educação - fosse escolar ou não -, além de informações a respeito das cidades de Rio Grande e/ou Pelotas; Folhetim do Arauto das Letras ; Variedade ; Colaboração ; Literatura ; Crônica ; Seção Poética e o Expediente do jornal; e em alguns números, as colunas Aviso e Anúncio .

A poesia e o conto são os gêneros literários de maior circulação no Arauto das Letras . O gênero lírico foi o que liderou em quantidade de produções veiculadas pelo semanário Arauto das Letras . A soma de poemas, sonetos e cromos passa de cem e pode ser considerada elevada em relação ao total de trinta e quatro exemplares do jornal. Sendo que, na poesia, a forma fixa de maior destaque é o soneto.

Para tentar explicar a preferência por esse tipo de estrutura poética, pode-se recorrer tanto ao classicismo quanto ao parnasianismo: ao primeiro, porque alguns dos poetas significativos ao terem grande parte de seus poemas publicados no jornal, ainda seguiam à sombra de poetas clássicos - este é o caso, por exemplo de Mathias Guimarães -; outra explicação contempla o futuro, quando o soneto ressurgiu como uma estrutura típica do parnasianismo, que estava sendo empregada dentro da escola romântica de maneira paradoxal - pois o Romantismo se notabilizou exatamente por combater toda e qualquer forma fixa. A aceitação do parnasianismo na região sul-rio-grandense, já na década de 1880, pode ser justificada a partir da leitura realizada por vários escritores, de obras publicadas no Parnasse Litteraire , antologia publicada na França desde 1866. Como o Parnasianismo significava um forte movimento de estética literária, foi incorporado à poesia que veiculava através do jornal.

Contudo, é importante lembrar que o estilo parnasiano fazia-se presente apenas na forma de alguns poemas. Já os seus temas, que estão voltados mais para a sociedade urbana, são predominantemente românticos. Tratam de amor; culto à natureza local; saudade da terra natal ou do passado, representado pela infância e pela família; exaltação de figuras heróicas, ou mesmo locais, de representatividade na sociedade regional, instrução pública; e, principalmente, do comportamento feminino como forma de manual de conduta moral, aconselhando e alertando as mulheres dos seus deveres e procedimento na sociedade. Os temas: amor e mulher foram os mais versados nos poemas, estando presentes em mais da metade dos textos. Ambos eram tratados visando controlar o comportamento social, principalmente feminino.

Outro tema abordado foi o progresso intelectual. A pesar de não ter muita intensidade nas produções dos poetas, constituía a intenção social do jornal, voltado a despertar nos leitores o interesse pelos estudos e, em especial, pela literatura. Dois poemas a esse respeito podem ser ressaltados, ambos denominados O ideal e compostos por Mathias Guimarães, tendo por mote quatro versos de Castro Alves: "... E o homem, vaga que nasce/ No oceano popular,/ tem que impedir os espíritos,/ tem uma plaga a buscar". Esses versos fazem lembrar os ideais propostos pelo programa do Arauto das Letras : "... a bandeira do jornal será sempre aquella que um dia se desfralda no parlamento hespanol, pelo iminente tribuno Castellar: A Liberdade pela Instrução!" [...] "Na época de transição porque atravessamos, é justamente de obreiros, que precisa a grande obra do nosso desenvolvimento intellectual." 1

A tempestade descrita em um dos poemas pode ser interpretada como a revolução na mentalidade social que ocorria na época em que se desenvolviam as campanhas abolicionista e republicana. O final do século XIX foi como um "tufão" que remexeu o pensamento e as atitudes da sociedade como um todo:

...............................................
Deixai passar a tormenta
Deixai passar o tufão ...
Ergue-te homem, tens medo?
E és o rei da creação!!
A tempestade se acalma,
Vejo ali quebrada a palma
D'uma palmeira gentil ...
Emquanto além, nas alturas,
Vejo nuvens, nuvens puras,
Correndo n'um céo de anil!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Conquista as terras de além
Essa nova - Promissão ...
Seja o teu norte - o trabalho,
O teu sol seja a - instrucção!
E vai, vai, ó marinheiro,
Sópra o zephiro fagueiro,
Vai em busca do ideal ...
Ouvindo os carmes de Tasso,
Cinge Milton n'um abraço ...
Ouve o choro d'Allainval! 2

 

O eu-lírico trata de induzir o leitor ao progresso intelectual tendo por "norte o trabalho" e por luz a instrução, a fim de iluminar a caminhada. O poema ainda evoca a presença do poeta renascentista, Milton, e do clássico, Tasso. Há uma aproximação com a obra desse último, intitulada Jerusalém Libertada , que pode ser verificada através dos versos 29 e 30: "Conquista as terras de além/ Essa nova - Promissão". O vocábulo 'Promissão', utilizado por Mathias Guimarães, permite a relação semântica com Jerusalém, a terra prometida por Jesus Cristo aos fiéis, e lembra, ainda, o recurso do poeta de citar passagens bíblicas em seus poemas.

Dentre os poemas veiculados pelo Arauto das Letras , chamam a atenção os escritos por um autor, até então desconhecido, identificado apenas pelos pseudônimos Lélio, L. ou *** que compôs poemas em duas línguas, espanhola e portuguesa, sendo que a predominante era a estrangeira.

A respeito dele só foi possível descobrir que sua terra natal era Montevidéu e que seus temas preferidos relacionavam-se à política e ao amor. Sabe-se, contudo, que a data da publicação de seus poemas é posterior à Revolta interna entre blancos e colorados - ocorrida no Uruguai, no final do século XIX 3. Em vista disso, supõe-se que o poeta era um exilado político vindo do Uruguai, mais precisamente de Montevidéu, conforme deixa transparecer nos poemas, em que fala saudoso da terra natal. Exemplo disso é o poema A Montevideo 4:

 

Ensueño dulce de mi deseo,
Recuerdo grato de mi pasado,
Cuan largo tiempo que no te veo,
Tierra preciosa que tanto he amado
Patria querida, Montevideo!

De tu recinto me aparta el mar
Que siempre suave como un amante,
Te mece siempre sin descansar.-
Mi vida diera por un instante
Llegar á verte ... luego espirar.

Cuando tranquillo allá en tu seno
Cruzar veia la nave airosa
Por tu ancho puerto, siempre sereno,
Mi alma sentia, que venturosa
Gozaba siempre tu suelo ameno

Nunca pensaba que la fortuna
La obligaria de ti alejarse,
¡ Oh! Cára patria, donde mi cuna
Meciose un dia, sentió arrullarse
Con los murmullos de tu laguna.
Si acaso un dia pudiera ir

Al suelo hermoso donde nasci,
Un iris bello, viera lucir!
eliz seria, patria si en ti,
Bajo tu cielo fuese á morir!... 5

 

Lélio publicou muitos poemas durante todo o tempo de circulação do Arauto das Letras . Esse pode ser considerado um certo indício de que, na época, já havia uma tendência à produção literária relacionada à situação fronteiriça - a qual, mais tarde, viria a transformar-se em linha de estudo da literatura gaúcha. Contudo, é importante lembrar que o Partenon Literário não mencionava o incentivo nem o apoio à veiculação de textos publicados em língua espanhola, pois a intenção era promover o Rio Grande do Sul como local onde era exercida uma literatura regionalista, que valorizava os seus traços locais e não os do vizinho.

Como observa-se, as produções poéticas do Arauto das Letras possuíam cunho social e não estavam apenas voltadas para a afirmação da arte na região sul. Isto é evidenciado pela abordagem de alguns outros temas sociais e polêmicos para a época, como exemplo, a libertação dos escravos expressa nos poemas de Edistio d'Alcantara Martins, intitulado Abolição 6. Este tinha como subtítulo o lema do movimento da Inconfidência Mineira realizado em Vila Rica, hoje Ouro Preto, no ano de 1789: " Libertas quae sera tamen " - Liberdade, ainda que tardia. Mais uma vez foi possível constatar a influência do poeta Castro Alves, visto o comprometimento com a causa abolicionista.

Nota-se que, na abordagem dos poemas veiculados no Arauto das Letras , o temário romântico trabalhado consistia no comprometimento com os problemas sociais a cerca da instrução pública; da abolição da escravatura e da afirmação da literatura regional como uma nova tendência dentro da literatura brasileira. Além disso, o semanário contou com a colaboração de dois poetas que, nesse estudo, obtiveram destaque: Mathias Guimarães - poeta ultra-romântico que pode ser considerado, a partir da análise de seus poemas, um elo entre a literatura da região sul do final do século XIX e o parnasianismo que iniciava em todo o país; e Lélio - o uruguaio que mais poemas publicou no semanário analisado.

O comprometimento da redação do semanário e dos colaboradores era com o crescimento mental do extremo sul da Província; para tanto, fazia uso da literatura de imprensa por ser o meio mais rápido a atingir um número considerável de leitores em todas as camadas sociais. A partir da observação dos temas e formas poéticas, constata-se que o conteúdo literário dos poemas divulgados no Arauto das Letras visava a atingir e convocar os leitores ao desenvolvimento intelectual, social e político.

Os temas voltados ao comportamento moral e religioso da sociedade foram divulgados nos contos que, além de tratar do desenvolvimento da literatura e do intelecto social, da influência religiosa e dos comportamentos sociais, abordam o temário gaúcho. Sabe-se que, em fins de século XIX, os escritores rio-grandenses buscavam os temas da Campanha para, segundo Guilhermino Cesar, explicar-se ao Brasil. Valorizando as características da paisagem do pampa e a atividade pastoril, iniciava-se o regionalismo gaúcho à procura, no homem do campo do tempo passado, representar a figura livre dos primeiros tempos da conquista, ou os rebeldes de 1835, segundo afirma Guilhermino Cesar. 7 Com essa imagem inicia-se o conto O tropeiro 8, publicado anonimamente no jornal Arauto das Letras : "Alli vai, em meio das campinas agrestes, solto o cabello aos arrepios do vento o gaúcho do Rio Grande." Para o gaúcho, a liberdade é muito importante, pois "os seus sonhos dispertos são livres e francos como os ventos que sopram pelas chircas bravios do campo."

Mais adiante, o narrador começa a delinear as características que fazem do gaúcho o herói dos pampas. A construção da imagem mítica dá-se a partir da forte adjetivação referente aos atributos morais observáveis no seguinte excerto:

 

Ninguem lhe pergunte, se é bravo no combate, se fére como o espinho da tuna a porta de sua faca prateada. [...] Se o vento dos pampas sacode-lhe o poncho, e a geada cresta-lhe as faces, ainda assim nesse duro pungir de uma custosa lida, um sorrizo lhe freme nos beiços desbotados, e elle canta ! Canta as modas faceiras de sua terra ...

 

O amor à terra natal é uma característica marcante do herói gaúcho. Da sua ligação com a terra, decorrem suas características físicas e morais. O homem da terra é sensível e fiel e preza a integridade do lar e da família.

Guilhermino Cesar apresenta o decênio de 80 do século XIX como o marco do surgimento dos primeiros naturalistas. Ressalta o jornal Arauto das Letras por ser o meio em que os naturalistas da região sul, como Paula Pires 9 e Paulo Marques, expressavam ousadia possuindo, entretanto, ainda muito do tom sentimental do Romantismo. 10 O mesmo afirma que o grupo de naturalistas supracitados seguiam entusiasticamente a lição de Comte ou de Spencer; valendo também suas páginas como antemural à influência do clero, a que o grupo movia combate. 11. De forma bem humorada, observa-se uma certa crítica naturalista ao comportamento dos representantes da Igreja Católica no conto Um frade antropophago - Notas de um formigão 12, assinado por Leopoldo Chaves.

O personagem principal é frei Anselmo. Ele comete o pecado da gula, de tal forma que se assemelha a um antropófago, como descreve o narrador observador:

 

Era um prodigio o frei Anselmo!
O gigante Goliath, o Minotauro e outros tantos vultos das lendas christã e pagã, ficarião desmoralisados postos em parallelo com o nosso heróe.

[...]
Transparecia a anciedade em todos os semblantes.
Ia travar-se uma luta tremenda, homerica, monstruosa.
Face á face os inimigos dispunhão-se para a pugna cyclopical.
De um lado achavão-se empenhados os brios da honesta communidade, do outro o nobre representante da raça suina parecia ter nos labios a ironia de uma indigestão.

Mas ...
Repentinamente Frei Anselmo revestia-se de um sangue frio desapiedado e carniceiro.
Apanhando subtilmente o flanco do inimigo descuidado, o pulso do santo varão carregava no trinchante firme e anatomicamente.
[...]
Nódoas de caldo avermelhado destacavão-se aqui e ali pela alvura da toalha ...

 

A estrutura formal apresenta mais uma característica romântica: a mescla de gêneros literários; pois segue até determinado momento da narração a forma em prosa e, após o frei Anselmo ser acusado de antropofagia pelos membros da organização católica, passa a assumir a forma dramática, expressa através do diálogo.

Apesar das características de texto romântico, a frase: "[...] o pulso do santo varão carregava no trinchante firme e anatomicamente." deixa transparecer o viés cientificista, principalmente pela alusão à anatomia, que representa o estudo científico dos seres vivos. A alusão ao cientificismo é retomada no final da diegese quando é feita uma descrição do osso encontrado na cela do frei Anselmo:

 

O CONEGO, radiante :
- Um fragmento de esqueleto humano!
( Cinco minutos de uma agitação incrivel. Na furia de pedir silencio o Prior faz voar o badallo da campainha. )
[...]
O SEMINARISTA, continuando : - Peço a presença do irmão cosinheiro.
>Este que entra na salla:
- Presente.

O DEFENSOR DO RÉO: - Silencio! Rogo ao irmão que examine detidamente este osso e diga a que espécie de animal pertence.

O IRMÃO COSINHEIRO: - Ora! Ora! Isto é um osso de porco! ...

 

O enredo encera com o esclarecimento do boato, retomando a idéia de pecado e a crítica aos membros do catolicismo:

 

- Sr. Prior, de um homem de gordura despropositada não é costume dizer:
- "É verdadeiramente um porco?"
( Gesto de assentimento .)
- E aquelle que come seu semelhante não tem o qualificativo de antropophago?
Ora está claro como agua: - Frei Anselmo é antropophago - porque, sendo um verdadeiro porco, alimenta-se da carne de seu semelhante! ...

Tableau .

 

O narrador mostra aos leitores que, muitas vezes, os representantes da fé e da religiosidade católica também cometem pecados. Além disso, induz a uma reflexão a respeito do comportamento e da influência da Igreja Católica na vida da sociedade sul rio-grandense do final do século XIX.

Com base no conteúdo da prosa publicada no Arauto das Letras , constata-se o envolvimento dos autores nas questões sociais e a conseqüente intenção de dogmatizar os leitores por meio das temáticas levantadas, perseguindo-se o desenvolvimento da sociedade local. Nesse sentido, também é possível observar a forte preocupação com o público leitor, isto é, com a recepção dos textos literários. Por esse viés, segue a análise do texto que aproxima-se da crônica com função de crítica literária, intitulado Typos : Jóca Cazuza 13, assinado por Paula Pires. Mesmo sem o elemento da ação, o autor de Jóca Cazuza procura constituir um tipo ideológico-social, cuja representação obedece a motivações críticas, e, por esse motivo, também pode ser entendido como componente do espaço social, mais do que como personagem propriamente dita, como esclarece Carlos Reis 14. A sátira, por meio da crítica e da ironia, pode apresentar de forma caricata costumes, atitudes, tipos e estruturas sociais. As características atribuídas ao 'herói' mostram a intenção do narrador em contrariar as idéias românticas baseadas em mitos e figuras heróicas, tais como o gaúcho. À continuação da crônica, são enumeradas as falhas intelectuais do tal herói:

 

Quadrado é verdadeiramente elle, quando falla, e quando escreve sobre ... tudo;
[...]
Se lêr ou lhe contarem as "historia da imperatriz Porcina", a "novella de Paulo e Virginia" ou de "Amanda e Oscar", é contar de certo que o bom do "Jóca Cazuza", na primeira opportunidade, cita a coisa como ella se deu, como ella foi!
É possuidor de uma memoria feliz!
Si elle, o "Jóca" vae ao theatro, quando o lyrico exhibe-se em plena harmonia, não tem nada ... lá vae obra, esperem o "méco", no primeiro domingo pela imprensa, e a coisa é tão boa que loucura se torna comprar camarote.
Elle, o "Jóca", o meu heróe, com o bico da penna, dá-nos uma cópia, uma idéa fiel de tudo ... ".

 

Com relação ao excerto acima, é possível depreender que, além da forte alusão à literatura oral originária dos cancioneiros, havia a preocupação com o analfabetismo da sociedade gaúcha. Tal inquietude era constante na época, estando muitos homens de letras dispostos a cumprir a tarefa proposta pela Sociedade do Partenon Literário : fomentar tanto as Artes, como a instrução pública e o debate político e cultural na Província.

Por meio da descrição da poesia veiculada no Arauto das Letras , bem como do conteúdo temático dos textos em prosa, publicados no mesmo, é possível afirmar que o semanário possuía uma função social e que estava diretamente vinculado à produção literária local desenvolvida no final do século XIX. A exemplo da poesia, houve autores publicando textos em que surgem indícios de uma visão social mais crítica e voltada ao real-naturalismo. Nesse âmbito, a temática foi clara e objetiva, apontando com ironia o péssimo comportamento hipócrita da elite social de onde o jornal circulava. Os textos eram sempre apresentados por um narrador que, enquanto, descreve as ações das personagens, tece comentários sobre o comportamento das mesmas; sendo assim, o leitor é induzido a concordar com o narrador. Neste sentido, vê-se o caráter dogmatizante dos textos que, de certa forma, moldavam o público leitor conforme os seus ideais.

 

Programa do jornal Arauto das Letras , Rio Grande, ano I, n.1, 06 de agosto de 1882, p. 1.

MATHIAS GUIMARÃES. O ideal . Arauto das Letras . Rio Grande, n. 15, 21 nov. 1882, p. 3.

LOPEZ, Luiz Roberto. História da América Latina . Porto Alegre: Mercado Aberto, 1989. p. 95.

A MONTEVIDEO. Arauto das Letras . Rio Grande, n. 3, 14 jan. 1883, p. 1.

5 Doce ilusão do meu desejo,/ Grata lembrança do meu passado,/ Há quanto tempo não te vejo,/ Terra preciosa que tanto amei/ Pátria querida, Montevidéu!/ / De ti me separa o mar/ Que sempre suave como um

amante,/ Te embala sempre sem descansar.-/ Daria minha vida por um instante/ Chegar a ver-te ... logo expirar./ / Quando tranqüilo lá em teu seio/ Via o barco cruzar com êxito/ Por teu largo porto, sempre sereno,/ Minha alma sentia, que venturosa/ Gozava sempre de teu solo ameno./ / Nunca pensava que o destino/ A obrigaria de ti se afastar,/ Oh! Querida pátria, onde meu berço/ Embalou-se um dia, sentiu-se ninar/ Com os murmúrios da tua laguna./ Se acaso um dia pudesse ir/ / Ao formoso solo onde nasci,/ Veria brilhar um arco-íris!/ Feliz seria, pátria se em ti,/ Sob teu céu fosse morrer!...

MARTINS, Edistio d'Alcantara. Abolição . Arauto das Letras . Rio Grande, n. 2, 7 jan. 1883, p. 3.

CESAR, Guilhermino. História da Literatura do Rio Grande do Sul . Porto Alegre: Globo, 1971. p. 173.

O TROPEIRO. Arauto das Letras . Rio Grande, n. 4, 27 ago. 1882, p. 1.

Conforme o quadro histórico e literário, elaborado por Mauro Nicola Póvoas na obra Narradores do Partenon Literário , o escritor naturalista Paula Pires obteve destaque, na literatura gaúcha, com a novela Quadros Horripilantes , em 1883, mesmo ano em que circulava na zona sul do estado o jornal Arauto das Letras .

CESAR, Guilhermino. Op. cit. nota n. 7, p. 331.

Ibidem, p. 336.

CHAVES, Leopoldo. Um frade antropophago: notas de um formigão. Arauto das Letras . Rio Grande, n. 11, 22 out. 1882, p. 2 e Arauto das Letras . Rio Grande, n. 12, 29 out. 1882, p. 2.

PIRES, Paula. Typos: Jóca Cazuza. Arauto das Letras . Rio Grande, n. 12, 1 abr. 1883, p. 2.

REIS, Carlos; LOPES, Ana Cristina M. Dicionário de narratologia . Coimbra: Almedina, 1990. p. 393.