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Representações da comunicação na guerra de Canudos em Os sertões, O berço do herói e A guerra do fim do mundo
Lidiane Santos de Lima (UEFS)
Os sertões é considerado ainda hoje "o livro de Canudos" 1. Antes e depois dele surgiram outras obras, de autores diversos, que, com linguagem histórica ou mesmo ficcional, contribuíram enormemente para o conhecimento dessa parte dolorosa da história brasileira. Os sertões , porém, funciona como o primeiro acesso a um fato histórico, a Guerra de Canudos, pois embora não seja o primeiro texto a tratar do episódio, ele constitui, como afirma Ângela Gutierrez, um texto germinador da ficção regionalista e, em particular, do tema canudiano. Poderíamos dizer, então, que esta obra se define como uma narrativa de fundação, um evento em si. Configura-se, sobretudo, como um texto de referência suscetível de gerar novos textos, de criar séries culturais sobre o tema, de inscrever seus vestígios na composição de novas produções que, num constante processo de intertextualidade, fazem diversas releituras do livro considerado por muitos, um dos maiores fenômenos culturais da nossa história. No plano internacional, destaca-se a obra de Vargas Llosa, A guerra do fim do mundo , como literatura exemplar do ciclo temático canudiano. Assumindo sua narração como "uma história sobre uma história" 2, Llosa reconstitui o episódio brasileiro considerado por ele "um mal entendido nacional", fruto de mentiras que "repetidas dia e noite viram verdades" 3.
Livre do compromisso - assumido pelo historiador e pelo jornalista - com a objetividade ou com a pretensão de retratar a verdade, Vargas Llosa escreve uma obra literária que impõe a ficção como uma outra realidade.
"No momento em que a ciência desconfia das explicações gerais e de soluções que não sejam setoriais e especializadas, o grande desafio da literatura é o de saber tecer em conjunto os diversos saberes e os diversos códigos numa visão pluralística e multifacetada do mundo", afirma Ítalo Calvino 4. Ou, como escreveu Barthes, "a literatura faz girar os saberes" 5. Os sertões , de Euclides da Cunha, faz girar saberes múltiplos, passando das ciências à história e mais outras tantas disciplinas que servem de base ao livro. É, portanto, uma obra enciclopédica que relaciona distintas áreas do conhecimento, como geologia, sociologia, história, geografia e outras.
Embora Os sertões já esteja bastante explorado em sua diversidade, é ainda pouco contemplada pelos estudiosos a repercussão em Euclides da Cunha dos processos de comunicação social e da atuação dos seus meios na guerra da Canudos. Propomos, portanto, a análise de pressupostos teóricos da comunicação, bem como o estudo de aspectos históricos da imprensa brasileira, a partir da obra euclidiana. Apesar de parecer uma temática secundária em Os sertões , sem ela a compreensão daquele episódio e do fenômeno político que envolve a história de Canudos seria por demais incompleta.
Os emergentes meios de comunicação são representados por Euclides 6 como um dos vilões do acontecimento, pois com a proposta de dar ordem ao caos, foram eles quem primeiro fizeram a guerra, ideologicamente, por meio de um processo de construção discursiva de identidades e valores em confronto.
"O jornal era o mais eficiente veículo de comunicação de massa no Brasil do final do século", garante Walnice Nogueira Galvão 7. Pela primeira vez, o país testemunhou uma cobertura diária de um acontecimento estritamente nacional - a Guerra de Canudos -, para o qual foi dada tamanha importância que jornalistas de diversas instituições de notícias foram enviados àquela distante região, como correspondentes.
Oscilando "entre as opiniões preconcebidas e a realidade crua que estão presenciando", conforme Galvão, a maioria dos jornalistas se cala. Poucos correspondentes se pronunciaram sobre meios de censura ou ultrapassaram os limites da não ofensa ao exército e ao regime republicano. Os que o fizeram, agiram timidamente, tornando suas críticas quase insignificantes em meio ao oceano de notícias construtoras de uma visibilidade do sertanejo como inimigo e do exército como o grande herói.
Euclides foi convidado a ser correspondente de O Estado de S. Paulo (do qual é colaborador desde 1888) e agregado à comitiva militar do ministro de guerra, Marechal Bittencourt, após seus primeiros artigos sobre Canudos - A Nossa Vendéia . Neles, a guerra foi comparada a uma "agitação desordenada e impulsiva de hipnotizados" da revolta da Vendéia - sublevação católica ocorrida na França, contrária aos ideais da Revolução Francesa.
As matérias de Euclides, da cobertura da guerra, enviadas para O Estado de S. Paulo, foram marcadas por um silêncio em relação às ações do exército republicano, no sentido de não revelar as atrocidades daquela campanha - também apagadas pela censura militar, a que eram submetidos os materiais enviados pelos correspondentes. A exemplo de quase 8 todos os repórteres da época, o jornalista-tenente reformado, Euclides da Cunha, se deixou cegar pela máquina propagandista da imprensa e do governo, e calou, nas reportagens, denúncias e críticas que mais tarde faria em Os sertões. Mas, agregado a toda censura e idealismo republicano, o fato de Euclides ter sido nomeado adido do Estado-Maior do Exército, agravou a necessidade de escolher as palavras que utilizaria em suas reportagens. De qualquer forma, o que se torna claro na leitura do Diário de uma expedição 9é que, diferente das revelações apresentadas em Os sertões , não havia em seus artigos críticas à degola, por exemplo, e pouco foi escrito sobre as mulheres e crianças prisioneiras da guerra. No entanto, durante sua estadia em Canudos, ele começou um processo de revisão de suas opiniões, quando passou, lentamente, a perceber que Canudos não era a Vendéia - ainda que não tenha tornado explícita tal suposição. No seu último artigo, escrito em Canudos, em 1 o de outubro de 1897, mostra-se visivelmente desiludido e afirma que lá deixara muitas idéias perdidas "naquela sanga maldita", julgando felizes aqueles que "não presenciaram nunca um cenário igual...".
Ao partir do jornalismo para o texto literário , no sentido de uma narrativa construída no cruzamento de saberes e de recursos lingüísticos expressivos, Euclides perpetuou o tema da guerra e das injustiças no país e estabeleceu formas de expressão dos temas nacionais. Consolidou, além disso, as bases de uma história da comunicação e da formação da opinião pública nacional ancorada em referenciais locais. Para tanto, analisou a forma como os jornais estavam manipulando os dados contra Canudos e como o novo sistema republicano estava agravando a instabilidade nacional, e criando heróis segundo seus próprios interesses.
A notícia do revés da expedição Moreira César foi tida como uma tragédia nacional, um desastre. Segundo Euclides, para explicar a vitória sertaneja e o "esmagamento de uma força numerosa, bem aparelhada e tendo chefe de tal quilate" surgiu "um intenso agitar de conjecturas". Conforme o autor, entre os "vagos comentários" que depois se transformaram em "inabalável certeza ", estava o de que os sertanejos agiam com o auxílio de monarquistas e estrangeiros 10.
No capítulo em que narra a quarta expedição, Euclides cita trechos das reportagens sobre a guerra, que estavam sendo publicadas nos jornais da época. Ao explicar aos leitores o processo de comunicação que estava acontecendo naquele momento e reprovar a atuação dos formadores de opinião - dentre os quais, implicitamente, se inclui -, ele denuncia a manipulação da opinião pública, então fomentada. O autor não faz criticas explícitas à sua atuação enquanto jornalista, mas em alguns momentos ele indica um mea culpa , ao refletir sobre a incompreensão brasileira daquele episódio.
Em Os sertões, dentre os textos e imagens que Euclides produziu dos vários "brasis", está a metáfora da "Rua do Ouvidor e as Caatingas". A rua do Ouvidor , onde estava localizada a maioria dos jornais cariocas, era o lugar para o qual se dirigia grande parcela da população à busca de notícias. Quando da Guerra de Canudos, de lá saiam as principais versões, que se tornavam verídicas nas páginas de algum jornal. Assim, em Os sertões , a rua do Ouvidor seria a representação da nação, ou da opinião pública nacional que, alimentada pelos meios de comunicação e ávida por informações sobre os acontecimentos da guerra, exigia um desenlace para que a República saísse vitoriosa. E as caatingas representariam o irmão sertanejo, distante e até então desconhecido, que vivia numa região árida, pobre, retrógrada e pouco desejada. Ao invés de dar significação ao espaço diferente e remoto, a rua do Ouvidor exigiu a neutralização das Caatingas : " Não vimos o traço superior do acontecimento. (...) Não entendemos a lição eloqüente. Na primeira cidade da República, os patriotas satisfizeram-se com o auto-de-fé de alguns jornais adversos, e o governo começou a agir. Agir era isto - agremiar batalhões" 11.
Segundo Euclides, a agitação que se prolongou em todo o país se agravou através de instáveis e desencontradas informações que incutiam nos leitores o "pensamento de hecatombe" e faziam crescer a comoção, os boatos e a curiosidade pública.
Dentre os boatos difundidos após a derrota da terceira expedição, encontra-se o do Cabo Roque: "Um soldado humilde, transfigurado por um raro lace de coragem, marcara a peripécia culminante da peleja". De acordo com Euclides, o cabo Roque transfigura-se a herói nacional ao ser disseminada a notícia de que, quando da debandada da terceira expedição e do abandono do cadáver do coronel Moreira César à margem do caminho, aquele "soldado humilde" teria permanecido e lutado até a morte para guardar aquela "relíquia veneranda". Assim, "batera-se até ao último cartucho, tombando, afinal, sacrificando-se por um morto...".
A notícia foi espalhada pelos principais jornais do país. No entanto, como parecia freqüente naquela época, havia uma disparidade entre a história narrada pelos jornais e a que foi revelada, dias mais tarde. Ao desfecho desta, Euclides dá um brilho especialmente irônico:
E a cena maravilhosa, fortemente colorida pela imaginação popular, fez-se quase uma compensação à enormidade do revés. Abriram-se subscrições patrióticas; planearam-se homenagens cívicas e solenes; e, num coro triunfal de artigos vibrantes e odes ferventes, o soldado obscuro transcendia a história quando - vítima da desgraça de não ter morrido - trocando a imortalidade pela vida, apareceu com os últimos retardatários supérstites, em Queimadas (2002: 505).
O s jornais, então, passaram a desmentir a falsa notícia sobre o cabo-herói. Segundo Euclides, a aparição do cabo Roque foi mais um desapontamento sucedido por outras novas notícias e lendas que agitaram todo o país, através da imprensa.
Baseado na lenda do cabo Roque, contada por Euclides da Cunha em Os sertões , Alfredo Dias Gomes escreveu, em 1963, sua mais polêmica peça de teatro, intitulada O berço do herói - duas vezes proibida de ser encenada em território brasileiro. Em entrevista ao Estado de S. Paulo (5/05/2003), o também autor de O pagador de promessas , quando questionado se o protagonista Roque Santeiro foi um tipo real, explicou:
Tirei de um trechinho de Os sertões , do Euclides da Cunha, em que menciona um cabo chamado Roque, um limpa-botas do general Moreira César que foi dado como morto numa chacina defendendo o general. Morte heróica, deu nome a um batalhão, mas anos depois (sic) descobriram que o cabo Roque tinha era desertado e estava bem vivo. Foi ponto de partida para O berço do herói , só mudei o Exército para a Força Expedicionária Brasileira. Mas foi proibida pelo Exército e encenada primeiro nos Estados Unidos com o nome The craddle of the hero . Lá, ninguém podia proibir. Mais tarde Roque Santeiro, uma remodelagem de O berço , seria proibida pelos militares.
O berço do herói, após várias adaptações e agora intitulado Roque Santeiro , só foi exibido como novela na televisão brasileira em 1985, quando o Brasil se inseria num processo de redemocratização. O texto original acabou sendo modificado e enriquecido por cenas sugeridas pela novela, que foi um grande sucesso nacional e internacional. Após as alterações, a obra ficou sendo chamada Roque Santeiro ou O berço do herói .
O berço do herói é um tipo de alegoria do Brasil, que discute a necessidade histórica brasileira de criar heróis e torná-los mitos: "Não são os heróis que fazem a História é a História quem faz heróis. Porém no caso do nosso Cabo Roque, foi a História ou fomos nós?" 12. A morte do cabo Roque, para as autoridades que haviam criado ou alimentado a fábula, precisava acontecer para que o mito sobrevivesse, pois a imagem de herói era mais importante do que a dessemelhante realidade. Assim, Dias Gomes denuncia o uso de instrumentos de dominação e alienação pelo poder político, critica a igreja, questiona o capitalismo selvagem e o autoritarismo dos militares - sentido pelo próprio autor quando pretendeu encenar sua peça no Brasil. Demonstrando como o heroísmo é criado, o autor desconstrói a figura do herói e discute a idealização da guerra, responsável por produzir heróis: "não posso acreditar que um homem seja mais útil morto do que vivo. Do contrário ia ter que acreditar também que todos aqueles infelizes que morreram na guerra foram muito úteis. E que a guerra é uma utilidade, porque fabrica heróis em série" 13.
A lenda do cabo Roque, contada pelo olhar ficcional, permite ao leitor atual pensar os problemas contemporâneos do Brasil à luz da reflexão sobre um acontecimento do passado. Na história de Canudos, no entanto, o mito do cabo Roque foi apenas um exemplo dos mais díspares boatos, seguidos por constrangedores esclarecimentos e consecutivos desapontamentos. Conforme Euclides, após a lenda daquele cabo, foram criadas outras, pelos jornais, alimentadas pelo fervor das massas entusiásticas.
A representação da imprensa, em Os sertões , foi "filtrada e ocupando um lugar reduzido dentro do livro" de Euclides, como afirma Walnice Galvão. Ainda assim, a compreensão proporcionada pela obra euclidiana do papel dos regulares meios de comunicação durante a guerra, e de forma mais geral, de outros processos de comunicação, faz-nos concluir, juntamente com Lícia Soares de Souza, que Euclides fez "uma das mais completas histórias da comunicação nacional, justamente neste momento em que a comunicação começava a organizar a sociedade tanto no plano material, como no plano psíquico direcionado para interferir no político" 14.
Como Os sertões faz parte das condições de produção de um conjunto de obras literárias posteriores, que possuem o tema canudiano como eixo central, ela pode ser considerada uma obra de fundação, datada, concebida como um acontecimento. Do lado das condições objetivas históricas, extra-discursivas, a guerra e as condições de produção, circulação e reconhecimento dos discursos jornalísticos criam bases suficientemente ativas para tornar o texto euclidiano uma fundação, enquanto produto de uma prática significante que se desenvolve na história.
Através do personagem jornalista míope 15 (uma projeção da figura de Euclides da Cunha), Mario Vargas Llosa atualiza a discussão, iniciada pelo autor de Os sertões (1902) , Euclides da Cunha, sobre a atuação dos meios de comunicação social na formação da opinião pública nacional, e advoga a necessidade de deslocamento da representação jornalística para a reflexão e a expressão literárias como forma de garantir a preservação de uma história singular como a de Canudos. O jornalista míope teve seus óculos quebrados durante a debandada da terceira expedição e, a partir daí, não enxergou mais. Porém, explica o personagem vargallosiano: "embora não as tenha visto, senti, ouvi, apalpei, cheirei as coisas que aconteceram lá (...) E o resto adivinhei". Como um míope, durante a campanha, o jornalista Euclides da Cunha também não divisou a essência da guerra - justificado, ainda, pelo fato de ter responsabilidades outras além do jornalismo, como adido do Estado-Maior -, apesar de ter sentido a peleja e "adivinhado" os acontecimentos que não presenciou (relatos posteriores de fatos que não viu). O jornalista míope , no entanto, afirma: "os correspondentes (...) podiam ver e não viam. Só viram o que foram ver". Ao que acrescenta: "Mas eles não apenas viam o que não existia (...) Sobretudo, ninguém viu o que havia lá de verdade" (Llosa, 1999: 447-523).
Através da obra ficcional A guerra do fim do mundo, Mario Vargas Llosa transforma a "realidade real" e cria personagens e situações que simbolizam não apenas o acontecimento, mas a narração do mesmo, por Euclides da Cunha. A partir de leituras de artigos jornalísticos, por Llosa, a superficialidade da imprensa da época se fez presente no olhar crítico do narrador de A guerra do fim do mundo , que denuncia a inconsciente, ideológica ou subliminar miopia jornalística, em confronto com o compromisso mais reflexivo do escritor; o que acabou demonstrando, também, o valor da literatura contra o esquecimento.
Euclides da Cunha tem como pretensão inicial fazer uma obra de história, para registro e manutenção da memória sobre o episódio, como deixa entender a Nota preliminar de Os sertões . De princípio, portanto, pensamos que ele deseja exaurir o conhecimento do acontecimento, encerrando-o talvez. Ao fim do livro, entretanto, ele deixa clara a intenção de não ser uma totalidade, tornando-se uma espécie de "enciclopédia aberta" que permite uma pluralidade de leituras complementares não apenas do fato em si, mas dos vários fenômenos (sociais, culturais etc.) que o envolveram. Como escreveu Leopoldo Bernucci, "Seria muito outra a sua sorte se tivesse somente permanecido no domínio histórico-sociológico, onde a narrativa cronológica e direta, as causas e efeitos e a factibilidade dos acontecimentos quisessem apenas espelhar uma realidade" 16.
GUTIERREZ, Ângela. "Notícias sobre cem anos de ficção canudiana". Revista Canudos , Salvador, v. 1, n. 1, jul. 1997, p. 09-21.
OVIEDO, J. M.; LLOSA, M. Vargas. Historia de la historia de la historia : conversación en Lima. Escandalar, 1980, p. 82-7.
LLOSA, Mario Vargas. A Guerra do Fim do Mundo . São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio: lições americanas . São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 127.
BARTHES, Roland. Aula . São Paulo: Cultrix, 2002, p. 18.
Em A luta, terceira parte de Os sertões.
GALVÃO, Walnice Nogueira. No calor da hora. A Guerra de Canudos nos jornais. 4 a Expedição. São Paulo: Ática, 1994, p. 15.
Alguns jornalistas mencionaram os atos de violência das tropas e a crueldade da campanha, ou criticaram o comando da IV expedição: Afonso Arinos, de O Comércio de S. Paulo , Favila Nunes, da Gazeta de Notícias - RJ, Lélis Piedade, do Jornal de Notícias - BA, e Manuel de Benício, do Jornal do Comércio - RJ.
Livro no qual estão publicados os artigos escritos por Euclides, a O Estado de S. Paulo , durante a guerra de Canudos.
A disseminação de tais explicações foi favorecida por ele mesmo, Euclides, em seus artigos do ano de 1897.
CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. Edição, prefácio, cronologia, notas e índices Leopoldo M. Bernucci. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002, p. 503.
GOMES, Dias. "O berço do herói". In: Teatro de Dias Gomes . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972, p. 465.
Idem , p. 521. Fala do cabo Roque, em resposta às chantagens que sua suposta esposa, o major, o prefeito e o vigário faziam para que ele desaparecesse, logo que chegou à cidade.
SOUZA, Lícia Soares de. "Memória e identidade na formação de uma opinião pública nacional em Os sertões ". In: OLIVIERI-GODET, Rita; SOUZA, Lícia Soares de. Identidade e representações na cultura brasileira . João Pessoa: Idéia, 2001, p. 42.
Personagem de A guerra do fim do mundo , de Mario Vargas Llosa, cuja miopia possui um sentido patológico, mas também ideológico. Para aquele, escrever, nas palavras de Leopoldo Bernucci, "consiste em ser él mismo, su supervivencia emocional, su manera de sentirse socialmente útil cuando su estado físico no le da esta oportunidad" (1989: 85).
BERNUCCI, Leopoldo. A imitação dos sentidos: prógonos, contemporâneos e epígonos de Euclides da Cunha . São Paulo : EDUSP, 1995.