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Antônio Conselheiro - travessia de representações
Ana Paula Bovo (UNICAMP)

Começo lembrando algo que sempre me impressionou em relação à Guerra de Canudos: o número realmente impressionante de textos (livros, artigos, teses, documentários, filmes etc) a esse respeito. Num site sobre o assunto 1, podemos constatar o registro de 205 livros, entre os quais 23 com certeza são romances.

Nesse amplo e diverso universo de representações sobre os acontecimentos em questão e "os seus atores", pensei que seria interessante esboçar um traçado do caminho, por assim dizer, que a figura de Antônio Conselheiro segue em sua permanente (re)construção.

Desde os escritos forjados ao "calor da hora", percebemos que há interpretações várias para os mesmos fatos, desde que os autores e leitores têm informações, objetivos e desejos diversos. Numa crônica de Machado, publicada na folha A Semana - era o ano de 1897 - o autor, com a ironia que lhe é peculiar, mostra-se intrigado com a "celebridade" de Antônio Conselheiro e, falando sobre o fato dos acontecimentos envolvendo Antônio Conselheiro terem feito baixar os títulos brasileiros, diz:

"Vê se tu, leitor sem fanatismo, vê se és capaz de fazer baixar o menor de nossos títulos. Habitante da cidade, podes ser conhecido de toda a Rua do Ouvidor e seus arrabaldes (...) com tudo isso, com o teu nome nas folhas ou nas esquinas de uma rua, não chegarás ao poder daquele homenzinho, que passeia pelo sertão (de) uma vila, uma pequena cidade, a que só falta uma folha, um teatro, um clube, uma polícia e sete ou oito roletas para entrar nos almanaques."

 

O interessante é o comentário feito sobre um desenho de Antônio Conselheiro que ilustra a crônica, o qual diz:

"O fanático e bandido Antônio Conselheiro. Sendo a ignorância a mãe do fanatismo, os sertanejos engrossam o tal conselheiro e as sertanejas beijam-lhe as vestes. Quem sabe se não lhe coçam o pé?"

 

A imagem de fanático ficou muito associada a Antônio Conselheiro. Era uma forma de explicar os acontecimentos pelo olhar, digamos, de quem estava longe daquele sertão e muitas vezes não podia , queria ou conseguia explicar o que acontecia lá.

Entre os escritores da época, no entanto, havia quem fosse simpático à causa sertaneja, como Afonso Arinos, por exemplo. Ele nos apresenta uma imagem bem diferente do líder de Canudos que a da maioria de seus contemporâneos colegas. Em sua novela sertaneja - Os jagunços -2 o profeta Antônio Conselheiro nos é apresentado. Arinos constrói a imagem de um líder que consegue não apenas converter homens como também dar alternativas sociais e religiosas a esses homens.

O que parece importar para Arinos não são as tragédias pessoais, os insucessos comerciais ou a saúde mental do conselheiro; o que ele procura trabalhar é o perfil do místico:

"Qual o passado daquele homem? Qual a sua procedência? Ninguém indagava, nem ele dizia. Renascera no dia em que se sentiu incumbido da missão divina; datava daí sua vida. O passado era (...) uma sombra..."

 

Muitos, além de Arinos, condenam a campanha do exército. Entretanto, mesmo para esses, o epíteto de louco parece mais adequado (que o de profeta ou iluminado) ao líder do movimento canudense. É o caso de O Rei dos Jagunços 3, livro composto em 1898, obra do correspondente do Jornal do Comércio , Manoel Benício, que criticou severamente a campanha do exército contra Canudos em suas cartas. É importante lembrar que Manoel Benício deixa claro na introdução que não pretende escrever uma "novela sertaneja" como o seu contemporâneo Arinos, mas uma "crônica de costumes", ou seja, um tipo de obra na qual os fatos históricos têm precedência sobre a construção literária. Apesar disso, as duas obras têm várias semelhanças, o que já foi apontado por estudiosos como Sílvia Maria Azevedo, por exemplo. Em relação à imagem do conselheiro, porém, as abordagens são bem diferentes: Afonso Arinos, como já dito, não se preocupa em explorar a biografia de Antônio Vicente Mendes Maciel. Já em relação ao Rei dos Jagunços , como os fatos históricos são valorizados, Manoel Benício começa o livro justamente com a genealogia de Antônio Conselheiro. Essa biografia, no entanto parece ser feita com o intuito de justificar, pela genética, o "destino" do líder de Canudos. Segundo Azevedo 4:

"Ao reportar-se ao ano de 1833, quando Miguel Carlos Maciel, tio do Conselheiro, é acusado, por um membro da família dos Araújo, de um furto que não praticara, a intenção de Manoel Benício é inocentar, no presente, os jagunços da mesma acusação. Segundo se divulgara, o motivo inicial da guerra de Canudos teria sido a compra de um lote de madeira, pago, segundo os jagunços, roubado, nas versões oficiais. De qualquer forma, esse motivo transformava o jagunço em ladrão e, para provar que essa acusação era falsa, Benício foi buscar no passado um fato semelhante, acontecido na família de Antônio Conselheiro. Mas nem por tentar recuperar um traço que notabilizara o jagunço - a honestidade - Manoel Benício conseguiu defini-lo fora dos quadros da loucura e morbidez, como era freqüente interpretar a personalidade de Antônio Conselheiro. Da mesma forma que Antônio Maciel é um desequilibrado, outras pessoas da sua família sofreram do mesmo mal.O pai do Conselheiro, por exemplo, Vicente Maciel, depois de seu segundo casamento, abandona a vida de vaqueiro, entra para o comércio e o pouco dinheiro que ganha é empregado em "satisfazer a mania de edificar". (...) A mania de edificar aliada à natural morbidez transformaram Vicente Maciel em "vitima de uma demência intermitente", segundo Benício. O motivo de incursão pela vida de Vicente Maciel fica mais ou menos claro: por ser filho de um louco, Antônio conselheiro estava fadado a repetir, inexoravelmente o destino do pai ."

 

A imagem de Antônio Conselheiro vai assim se formando através de vários textos da época. O livro de Euclides da Cunha 5, publicado em 1902, parece decisivo no sentido de associar fanatismo e loucura à imagem do líder em questão. Este homem "entra para a história como poderia ter entrado para o hospício", afirma Euclides. Era um paranóico. O diagnóstico mais exato, na verdade, foi dado pelo conhecido médico baiano Nina Rodrigues: psicose sistemática progressiva. Algumas passagens do livro de Euclides são bem conhecidas:

"É natural que estas camadas profundas de nossa estratificação étnica se sublevassem numa anticlinal extraordinária - Antônio Conselheiro.

A imagem é corretíssima. Da mesma forma que o geólogo, interpretando a inclinação e a orientação dos estratos truncados de antigas formações, esboça o perfil de uma montanha extinta, o historiador só pode avaliar a altitude daquele homem, que por si nada valeu, considerando a psicologia da sociedade que o criou. (...) As fases singulares da sua existência não são talvez períodos sucessivos de uma moléstia grave, mas são, com certeza, resumo abreviado dos aspectos predominantes de mal social gravíssimo (...)

Todas as crenças ingênuas, do fetichismo bárbaro às aberrações católicas, todas as tendências impulsivas das raças inferiores, livremente exercitadas na indisciplina da vida sertaneja, se condensaram no seu misticismo feroz e extravagante. (...) A multidão aclamava-o representante de suas aspirações mais altas. Não foi por isto além. Não deslizou para a demência. No gravitar contínuo para o mínimo de uma curva, para o completo obscurecimento da razão, o meio reagindo por sua vez amparou-o, corrigindo-o, fazendo estabelecer encadeamento nunca destruído nas mais exageradas concepções, certa ordem no próprio desvario, coerência indestrutível em todos os atos e disciplina rara em todas as paixões, de sorte que ao atravessar, largos anos, nas práticas ascéticas, o sertão alvorotado, tinha na atitude, na palavra e no gesto, a tranqüilidade,a altitude e a resignação de um apóstolo antigo. Doente grave, só lhe pode ser aplicado o conceito de paranóia. Em seu desvio ideativo, vibrou sempre, a bem dizer exclusiva, a nota étnica. Foi um documento raro de atavismo ."

 

Em relação à imagem do Conselheiro, é interessante destacar a opinião de Citelli 6:

"Se a dramática página final de Os Sertões, na qual a decomposta figura de Antônio Conselheiro é protegida pela irônica vigilância das doze mil botas do exército, atenua a crítica euclidiana, revelando indignação contra a violência dos triunfadores, não chega propriamente a invalidar ou redefinir o que se afirmou ".

 

Há tempos tenta-se entender como o livro de Euclides da Cunha se tornou "a referência" sobre a Guerra de Canudos. Seja por suas estratégias de composição, seu caráter épico, a análise cientificista que comporta, ou mesmo pela forma como a obra foi recebida pelos críticos da época (elogiado por Araripe Júnior 7, José Veríssimo e posteriormente por Sílvio Romero), o fato é que a imagem construída do líder sertanejo influenciou as representações da época e posteriores, fossem elas afins ou não com a opinião de Euclides sobre o conselheiro. Afinal, como é comum a um texto de caráter tão "monumental", Os Sertões dialogam com textos anteriores a ele de alguma maneira e intensamente com os textos posteriores sobre a guerra, influenciando-os e sendo influenciado também pelas (re)interpretações e (re)leituras que esses textos posteriores proporcionam.

Uma década importante para a relativização, por assim dizer, da visão veiculada pelo livro de Euclides sobre a Guerra de Canudos foi a de 50. Os estudos sobre a poesia popular, realizados pelo professor José Calasans, e o livro de Odorico Tavares, com depoimentos de sobreviventes da guerra, foram decisivos nesse sentido. Era a valorização de quem digamos, realmente "estava lá". A partir daí, fica cada vez mais comum a publicação de trabalhos com intenção reavaliativa sobre os acontecimentos do final do século XIX no sertão baiano. Questiona-se a visão de Euclides da Cunha: suas teses, argumentos, opiniões , enfim, seu olhar em relação aos acontecimentos. Olhar caracterizado por muitos como "estrangeiro".

Nas últimas décadas, quando se poderia esperar que a produção sobre o assunto diminuísse, visto o tempo decorrido, ao contrário, notamos que continua intensa e até mais intensa. Quase dois terços (132) dos livros catalogados no site já citado foram escritos nas últimas duas décadas. E, cem anos depois, encontramos uma imagem bem diversa do líder Antônio Conselheiro: A crítica historiográfica vê hoje, de maneira geral, Canudos como uma revolta social, protesto de uma classe oprimida. Antônio Conselheiro foi o fundador de uma comunidade alternativa que resistiu bravamente aos ataques do exército da República, a qual não entendia nem respeitava os habitantes desse amplo país: suas dificuldades, necessidades, desejos. Roberto Levine 8 é um dos que tenta, no entanto, questionar as visões da guerra, as "de ontem e as de hoje":

" Tanto Nina Rodrigues como Euclides representam a natureza contraditória da visão do litoral. (...) Seguindo os passos de Nina, várias gerações de escritores brasileiros utilizaram Canudos para comprovar suas próprias interpretações da cultura brasileira. Muitos partiram do mesmo ponto: Os Sertões.(...) Os conservadores em geral aceitam a dissecação feita por ele (Euclides).Outros, principalmente os ligados às ideologias de esquerda, apropriaram-se do ocorrido para ilustrar suas próprias análises sociais (...) poucos, no entanto, tentaram explicar Canudos como uma extensão natural, ou quem sabe extremada, das condições regionais."

 

Na gama de publicações sobre Canudos, em sua maior parte de cunho histórico ou literário, o desejo parece ser o de (re)interpretação, uma releitura de nossa história. Os romances históricos sobre Canudos seriam uma resposta a esse desejo. O romance histórico é um "gênero"de fronteira 9, já que trabalha a matéria que é também a da historiografia. Entretanto, como já exemplificamos, o desejo de releitura é também da história, ou seja, não faz parte de uma disciplina específica, mas é geral e abrange vários campos discursivos. Uma observação de Abel Posse parece interessante no sentido de esclarecer ou explicar certa profusão de romances históricos nas últimas duas décadas na América Latina,o que acabaria por explicar, ainda que parcialmente, a produção sobre a Guerra de Canudos: segundo ele, a literatura latino-americana cumpre uma função desmistificadora. A obra dos grandes escritores americanos, ao longo da história, vem realizando um papel revisor e readaptador das interpretações históricas, com a finalidade de encontrar as raízes ocultas ou quebradas que fazem da América uma realidade insolucionada, adolescente. Cabe à Literatura, enfim, a tarefa fundadora que a transforma numa grande usina de criação de realidades novas. Através de seu fazer legitima-se o espaço humano americano, que antes se interpretava sob o ponto de vista europeu.

Nesse sentido, me parece interessante destacar um texto que faz parte da produção latino-americana de romances históricos das últimas décadas. Foi um livro escrito por José J. Veiga, em 1989: A casca da serpente 10. Nesse livro, o autor constrói a personagem Antônio Conselheiro de forma a salientar o homem e ironizar o mito. Em sua história, o Conselheiro, na verdade, não morre, mas sobrevive e foge, com alguns seguidores, para um lugar chamado Itatimundé, local já visitado por ele em suas andanças pelo sertão. Logo no início da marcha, o líder tem vontade de ir ao banheiro, o que constrange a todos, pois quem o ajudava geralmente com essas coisas era o Beatinho, que havia sido morto pelos soldados. Depois de esvaziar-se, como todo homem de carne e osso, o conselheiro pede um conselho aos seus companheiros, o que é inédito em sua postura, "já que geralmente tomava as decisões sozinho e depois as comunicava", segundo o autor. É o começo da mudança. Durante a marcha, o conselheiro vai mudando cada vez mais: já não reza tanto, já não toma as decisões sem consultar seus companheiros. O Conselheiro vai se transformando no tio Antônio. Vai mudando "de pele", como acontece com algumas serpentes. A comunidade que vai sendo construída serve de modelo a muitas outras, já que fica sendo conhecida através de um livro publicado na Europa.

Mas nem por isso, ou justamente por isso, escapou de ter um fim triste como Canudos: dinamitada em 1965.

Em A casca da serpente, há várias alusões a Euclides da Cunha a quem o autor chama algumas vezes de Pimenta da Cunha. Nas últimas páginas, José J. Veiga, ao relatar o fim de Concorrência de Itatimundé, diz:

"E da mesma forma que o Conselheiro, o 'gnóstico bronco', um 'notável caso de degenerescência intelectual', foi 'degolado' depois de 'morto', também a estátua do tio Antônio, que completava o visual da praça principal, foi dinamitada pelos invasores ".

 

Como último exemplo desse trabalho, cito um outro texto, também um romance histórico escrito nos últimos anos; esse exatamente cem anos depois da Guerra: Canudos - As memórias de Frei João Evangelista de Monte Marciano 11, livro de Ayrton Marcondes. Não é o caso de fazer uma análise da obra, de sorte que nos concentraremos apenas na construção da personagem Antônio Conselheiro. Há uma tentativa de tornar mais amena a imagem desse líder, de humanizá-lo, de modo que bastante diferente do que o que o frei capuchinho realmente fez na época do Relatório enviado ao Bispo da Bahia, em 1897. Ao mesmo tempo, porém, o narrador se questiona se é possível mudar a imagem já construída:

" Antônio Conselheiro é pra mim mais que um fantasma. Às vezes eu o vejo como um simples andarilho. Percorre regiões áridas, a princípio sozinho (...) Esse exécito de desgraçados erra pela caatinga tendo à frente o homem baixo e moreno cujos pés descalços parecem acariciar o solo áspero. Desse estranho líder pode-se dizer que pertence à terra, ele e o mundo em que vive foram criados um para o outro, são igualmente toscos e desesperados (...) O conselheiro avança por trilhas ermas chegando a lugares onde não o esperam; será bem recebido, pois ele é o peregrino. Eu o vejo assim, com a sua estranha procissão, prosseguindo sob o sol escaldante. (...) Andará e muito, fazendo círculos ao redor de minha cabeça, obrigando-me a vê-lo por inteiro e de modo diferente daquele que o entendi enquanto ainda estava vivo. (...) Antônio Conselheiro é indissociável de sua gente (...) esses sertanejos se revezam para me contar que antes do peregrino, eram mais pobres porque não existiam. Então viviam isolados pela seca. O Conselheiro os tornara um povo. A gente de Canudos me faz raciocinar que nem mesmo os seus esquifes conseguiram apagar a imagem do Conselheiro que espalhava a anarquia e subtraía às fazendas a já escassa mão-de-obra. Nem a do conselheiro inimigo da República (...) Para quem o enfrentou, será sempre difícil aceitá-lo. Eu, que o acusei de liderar um Estado dentro do estado, melhor que ninguém sei disso. Jamais separaremos de sua imagem o líder que incitou o povo do sertão a não pagar impostos e que o arrastou para as margens do Vaza-Barris onde formaram a terrível comunidade. Nem a do gnóstico bronco que se arrogava o direito às prédicas (...)"

 

Resumidamente, o que se nota em ambas as obras é uma vontade de reinventar, por assim dizer, o líder canudense. Mais ou menos presas à historiografia, retrabalha-se a(s) imagen(s) construída(s) ao longo dos anos a respeito do líder de Canudos. Esses textos fazem parte de intrincada relação de intertextos, os quais, por sua vez, integram uma rede discursiva e imaginária que reinventa os acontecimentos e os "seus atores" de acordo com as motivações sociais, históricas e culturais do momento em que são elaboradas as obras ou discursos.

 

www.canudos@portifolium.com.br

Arinos, Afonso. Obra completa. Rio de Janeiro,INL, 1969. (p.138)

Benício, Manoel. O rei dos Jagunços . Rio de janeiro,Typ. do Jornal do Commercio, de Rodrigues & Cia, 1899.

Azevedo, Silvia M. O Rei dos Jagunços: uma fonte esquecida de Os Sertões. Remate de Males, 13, Campinas, Unicamp, 1993 (p.31 a 40)

Cunha, Euclides da. Os Sertões . São Paulo, Record.

Citelli, Adilson O. No mundo dos homens, na ordem de Deus. Canudos - Palavra de Deus. Sonho da Terra . São Paulo, Boitempo Editorial,1997. (p.67)

Na visão de Araripe, em que o meio físico determinava as possibilidades de ação dos indivíduos, Euclides da Cunha teria dado muita importância ao Conselheiro. O beato não passaria de um despeitado da vida que o meio torceu, um instrumento que o sertão carecia para arremeter contra os soldados (...) do litoral, enviados pela civilização para puni-los de seu atraso, ou seja, Antônio Conselheiro pessoalmente não tinha nada de extraordinário. Fizeram-no santo. No seu parecer, qualquer Conselheiro sertanejo que aparecesse era suficiente para constituir um centro de Canudos, desde que o sertão rodasse com rodou. (Apud Abreu, Regina. O enigma de Os Sertões. RJ: Rocco. 1998.)

Levine, Roberto. O sertão prometido . São Paulo, Edusp, 1995. (p. 294)

Para Martinez, a equação romance/história deixou de ser um paradoxo nos últimos tempos. Suas fronteiras são cada vez mais tênues (...) A ilusão envolve tudo e o gelo dos dados exageradamente objetivos vai derretendo e formando um único caldo sob o cálido sol da narração...

Veiga, José J. A casca da serpente . Rio de janeiro, Bertrand Brasil, 2001.

Marcondes, Ayrton. Canudos - As memórias de João Evangelista de Monte Marciano. São Paulo, Best Seller, 1997. (p. 47)