![]() |
![]() |
[ VOLTAR ] |
Tangendo a vida, cantando a boiada e grafando o Brasil rural: notas bio-gráficas lançadas na caderneta de campo do vaqueiro Guimarães Rosa
Márcia Rios da Silva (UNEB)
O Zito bateu berrante
que a terra estremeceu
O Bindoia canto um verso
Que o povo entristeceu 1
Do rico acervo do escritor Guimarães Rosa, merecem atenção alguns documentos referentes às suas viagens pelo Sertão, particularmente uma entrevista concedida à Revista Cult por João Henrique Ribeiro, o vaqueiro Zito, que literalmente atravessou o sertão com o autor de Grande sertão : veredas .
Nessa entrevista, esboça-se um retrato do escritor e aponta-se para a singularidade do mundo rural, muitas vezes sombreada pela crítica literária, que, majoritariamente, mantém-se ainda presa a uma análise da obra de Guimarães Rosa, numa defesa do primado do texto literário, em sua imanência. Nos dois volumes com publicações dos I e II Seminários realizados pela PUC de Minas sobre o escritor, as comunicações focam, sobretudo, as narrativas rosianas, o experimentalismo de linguagem, suas personagens, sempre tendendo para uma interpretação metafísica e esotérica, ignorando-se as demais produções laterais ou relacionadas à atividade literária.
Em Lembranças do Brasil , a historiadora Heloísa Starling, abandonando a interpretação metafísica, estuda o projeto literário de Guimarães Rosa, contextualizando a publicação de Grande sertão : veredas 2. Aí a autora traz uma visão politizada desse romance, no qual o mundo rural abriga o arcaico e o moderno, como forças em tensão. Segundo Starling, a narrativa rosiana, desdenhando "da possibilidade de armar uma identidade nacional pela supressão e/ou abstração das diferenças, (...) desemboca, estrategicamente e inevitavelmente, na composição de um gesto fundador". 3
Um gesto suspenso, nas palavras da autora. Grande Sertão introduz a "possibilidade do convívio político no Sertão", evidencia a "raiz autoritária, violenta ou paternalista, e o caráter fortemente manipulatório que vem sustentando o processo de incorporação dos indivíduos ao sistema político brasileiro - sobretudo nos contextos históricos particulares do nacional-desenvolvimentismo e da democracia populista". 4 Nesse espaço político-geográfico, habitam os moradores, dentre eles o vaqueiro Zito, que migraram para as narrativas de Rosa, levando seus "códigos de conhecimento e concepção de destino".
A entrevista citada instiga alguns questionamentos sobre os juízos de valor oriundos da crítica especializada acerca do mundo rural. Fortemente retratado, sob prismas diversos sem dúvida, pela chamada literatura regional, esse universo aí se apresenta como o lugar do atraso, a impedir uma harmoniosa moldura estética e política do país. Por isso, constata-se que uma parcela de críticos e pesquisadores, ao insistir que o escritor mineiro converte o regional/rural em um "regional universal", preserva uma visão negativa desse lugar.
Assim, comunga com a noção de rural elaborada pela sociologia rural, que concebe esse lugar como um espaço retardatário do desenvolvimento econômico e da História, apagando-o em sua dinâmica, segundo o sociólogo José de Souza Martins. Constatando o desencontro entre a sociologia rural e as populações rurais, Souza Martins concebe o rural como uma área com lógicas próprias de funcionamento, com suas peculiaridades históricas, sociais e culturais, enfim, um modo próprio de se inserir na sociedade que a engloba.
A conversão do regional em universal é reforçada pelo fato de Guimarães Rosa eruditizar a linguagem do sertão e disseminar em sua travessia clássicos como Goethe e Shakespeare. É cara à crítica literária e aos leitores eruditos a palavra "travessia", como uma imagem à qual se pode atribuir sentidos elevados: passagem, autoconhecimento, transformação. Nessa lógica, o rural ganha relevância e prestígio por ter passado pela pena do escritor, que trata de temas universais em sua vasta obra - ainda, universalizou o sertão.
Para Souza Martins, a visão negativa do rural decorre de uma concepção da sociologia rural que, comprometida com a modernização econômica do país, ficou presa "à suposição de que as populações rurais são populações retardatárias do desenvolvimento econômico e da História, supostas ilhas de primitivismo no suposto paraíso da modernidade". 5 Continua: "o mundo rural tornou-se objeto de estudo e de interesse dos sociólogos rurais pelo 'lado negativo', por aquilo que parecia incongruente com as fantasias da modernidade".
Neste trabalho, ao contrário, acolhe-se o rural em sua diversidade, marcado pelas identidades de seus habitantes, de que o vaqueiro Zito é uma expressão. Guia e cozinheiro da tropa que com Rosa tangia a boiada pelo sertão, na entrevista Zito pincela uma paisagem do Brasil rural quase sempre silenciada pelo sonho de modernização do país - defendida pelos escritores modernistas -, paisagem presente nas narrativas do escritor mineiro. Ao falar de sua convivência com Rosa, o vaqueiro oferece material fértil para a crítica literária. Têm-se aí uma invenção biográfica, instantâneos fotográficos, fragmentos de narrativas ou biografemas, segundo Roland Barthes: "gosto de certos traços biográficos que, na vida de um escritor, me encantam tanto quanto certas fotografias; chamei esses traços de 'biografemas'" 6.
Ao acolher esses escritos, sigo a tendência da crítica biográfica contemporânea, não mais obcecada pela busca da verdade sobre o autor, mas impulsionada, conforme Eneida Souza, pela vontade de interpretar a "literatura além de seus limites intrínsecos e exclusivos, por meio da construção de pontes metafóricas entre o fato e a ficção" 7. Desse modo,
a crítica biográfica, ao escolher tanto a produção ficcional quanto a documental do autor - correspondência, depoimentos, ensaios, crítica - desloca o lugar exclusivo da literatura como corpus de análise e expande o feixe de relações culturais. 8
Rosa é biografado pela pena de Zito, que se apresenta como testemunha da travessia feita pelo sertão, lugar referido na entrevista em sua materialidade, muito menos metaforizado, como a crítica especializada costuma tratar. Zito, por sua vez, traça de si uma pequena biografia, tornando-se para a Cult uma fonte fidedigna, decidindo pela veracidade das estórias criadas em torno do e pelo escritor, ampliando e reforçando, com isso, o mito Guimarães Rosa.
O vaqueiro se apresenta com uma capacidade extraordinária de fabular, de inventar estórias, fornecendo, então, vasto material para Rosa. Ao ser indagado sobre suas conversas com o escritor, Zito responde: "Falava tudo quanto era bobagem. Inventava as coisas muito bem pra conversar com ele. Às vezes não tinha mais assunto. Falava de mulher, de moça bonita. Falei muita bobagem pro Rosa e ele escrevia tudo. Eu lia muito livro, sabia tudo de cor, mas não sei mais nada. Sabia tudo quanto é bestagem." Zito se apresenta como um homem culto, pois "lia muito livro", estando assim em condições de dialogar com o escritor, um erudito.
O vaqueiro famoso destaca a compulsão de Guimarães Rosa para tudo anotar, tal qual os cronistas viajantes: "Tudo, ele escreveu tudo. A sucupira ele anotou, era uma baita de uma árvore. Tinha a flor roxa e a flor amarelada; ele anotou qual a diferença que tem. A diferença da madeira. Tudo tá escrito na caderneta dele". Confrontam-se e se alimentam nessa relação a cultura oral e a cultura letrada.
Indagado pela Cult sobre o tipo de história mais apreciada por Rosa, que carecia de reter na escrita o que ouvia, Zito responde: " Verso, ele gostava muito de verso. Mas não aprendia nada... (risos). Eu sabia tudo de cor. Ele anotava tudo. Depois que eu adoeci a memória ficou fraca e esqueci tudo. Depois que eu adoeci, esqueci quase tudo". Zito também grafava o vivido fazendo versos "durante a viagem, de noite. O que passava no dia, eu escrevia de noite".
O papel de testemunha atribuído a Zito é assumido por ele em quase toda a entrevista. Está sempre a esclarecer dúvidas ou dissipar confusões em torno das andanças do escritor pelo sertão. Por exemplo, ao se referir a uma festa realizada antes da saída da boiada: "Teve sim uma festa, no outro dia. À tardinha nós fomos embora. Saímos e fomos nos gerais. É lá que falam que teve uma garrafa com biscoito. Não teve garrafa com biscoito nenhum, eu que estava com ele". Inúmeras vezes, menciona registros feitos por jornais ou por Guimarães Rosa acerca dessa viagem. Confirma-se, então, e se fortalece, o valor do escrito, do universo letrado, e o da amizade entre o vaqueiro e o escritor: "Ele tomou um coice, tinha um boi muito bravo, ele chegou o ferrão no boi e o boi deu um coice e ele caiu. Aí eu falei: 'traz um pouco de vinagre com rapadura'. Isso tá escrito no jornal e nos cadernos do Rosa".
A força e importância de seu testemunho revelam-se ainda na seguinte fala: "Tem a casa até hoje, e onde era o quarto hoje é uma sala. Depois da Tolda, indo pra Andrequicé, tinha uma vereda. Aí o Rosa viu uns passarinhos e de brincadeira pediu pra eu dar um tiro de revólver. Isso tem no livro Tutaméia ". Destaca-se também: "Eu juntei o gado e fui apartar. Tem um lugar na história que fala: 'na apartação do gado tinha um velho Santana'". A história pessoal de Zito adquire valor por ter sido escrita.
No mundo rural também se cultivam algumas práticas de rituais de consagração do escritor. Zito faz referência aos utensílios domésticos de Dona Antonieta, usados pelo doutor Guimarães Rosa, tidos como uma preciosidade, vindo a fazer parte de um acervo privado:
Aí fomos pro Barreiro do Mato. Lá o Rosa dormiu dentro de uma forma de rapadura. Depois passamos na fazenda do Juvenal, na Fazenda Ventania, Riacho da Areia, que era de um paulista. O Rosa jantou bem. Lá tem até hoje o prato que o Rosa comeu. Você pede pra Dona Antonieta, mulher do Juvenal, e ela tem o prato, o garfo, a colher, tem a cama, tudo guardado.
Guimarães Rosa demonstra, pela entrevista dada por Zito, que seu acolhimento do mundo rural não é mero aproveitamento para as narrativas. Sensível à cultura desses habitantes, o doutor fica atento às práticas medicinais do sertão. Ao cuidar da doença do filho de Dona Antonieta, assim procede, segundo o vaqueiro: "E aí o Rosa falou: "Deixa eu ver ele"; e falou: "Ele tá com febre, ele tá com sarampo. Você pega umas folhas de laranja e faz um chá." O Rosa olhou no bolso da camisa, tinha um Melhoral, e deu pra ele. Tomou, em dois dias cortou a febre e o rapaz amanheceu bom. O sarampo saiu. Chá de folha de laranjeira. Isso tudo tá escrito."
O escritor, por sua vez, também é socorrido com as mezinhas do sertão, lugar em que ervas medicinais se revestem de uma aura de mistério, o que garante a cura, de acordo com Zito.
Ele tomou um coice, tinha um boi muito bravo, ele chegou o ferrão no boi e o boi deu um coice e ele caiu. Aí eu falei: "traz um pouco de vinagre com rapadura". Isso tá escrito no jornal e nos cadernos do Rosa. Ele tomou o chá e melhorou. Não tinha remédio, era tudo inventado aqui. Papaconha, cidreira... esses eram os remédios. Até hoje a gente toma, contra gripe. Tudo é por Deus, não por homem, eu, você, a moça não. É por Deus. Deus é que criou isso tudo. Aqui tem um outro remédio chamado Tiú. Só acha ele na sexta-feira da paixão. Você pode andar o campo inteiro e você não acha não. Na sexta-feira ele amanhece todo cheio de folha. É uma batatinha assim ó. É um ótimo remédio pra gripe, pra dor por dentro. É o remédio que a gente tinha pra curar. Você arranca ele e faz um chá. Aqui não tem não, é só na Sirga que tem, nas veredas, e só lá que eu conheço.
Contaminada por uma visão urbana de vida, a Cult interroga o vaqueiro acerca das intempéries da viagem enfrentadas por Rosa. Evidencia-se aí o confronto do mundo urbano com o rural, no qual uma suposta falta de conforto se apresenta. Pergunta da Cult : "E ele [Rosa] sofreu muito durante a viagem?" Zito fala dos modos de se alimentar, dormir, banhar-se e de relacionar com o grupo: "A água era longe, dormia às vezes sem tomar banho. Não tinha água, que banho todo dia não tinha jeito. Fazenda nenhuma tinha um banheiro. A comida era um pouco pesada pra ele que não tinha costume. Mas o que ele queria era aquilo...".
No Diário do grande sertão , escrito quando das gravações da minissérie global Grande sertão : veredas , a atriz e escritora Bruna Lombardi, sob inspiração do romance, relata com aguda sensibilidade os desafios que viveu no mundo rural. Nessa experiência, durante a qual aprende a renunciar aos valores do mundo urbano para compor a personagem Diadorim, a atriz destaca positivamente a dinâmica própria desse lugar. Assim, faz emergir em seu diário uma região do país marcada por uma riqueza singular, em que o luxo é encontrar "uma pedra pra sentar na sombra, que sombra é dádiva, coisa rara"; encontrar, para fazer xixi, "uma moitinha é um luxo". 9
O escritor e diplomata Guimarães Rosa aceita o desafio de enfrentar as contingências e rudeza desse lugar para legitimar o narrado. Abandona seus hábitos citadinos, incorpora os costumes da roça, para assumir a identidade de vaqueiro. Fortalece, com isso, a imagem do escritor metamorfoseado em vaqueiro, o que lhe confere, mediante os olhos da crítica erudita, uma grandeza, dada a capacidade de mergulhar no mundo rural, no Brasil arcaico, que não se contaminou pela civilização.
No ensaio em que analisa o lugar do intelectual público Guimarães Rosa, Cléa Mello entende que essa identidade de vaqueiro
[...] parece se coadunar com o empenho na construção da imagem pública de escritor afeito ao universo narrado. Neste sentido, considerar-se vaqueiro implica agregar, aos textos literários, um teor de legitimidade, porquanto a experiência de vida do autor conferiria modulação autêntica ao universo narrado. Ou seja, os leitores estariam diante de material ficcional sim, porém chancelado pelo critério de autoridade acionado, intermitentemente, pelo próprio escritor que propala, através dos poucos depoimentos, da farta correspondência, e de sugestivo material iconográfico, a condição com a qual se identifica: a de vaqueiro sertanejo. 10
Na visão de Zito, é forte a imagem do escritor como um homem simples, receptivo às práticas culturais do mundo rural, o que o levava a abdicar do título de doutor, pois se tornara vaqueiro também:
Era uma pessoa excelente, brincalhão. Ele era tão simples que ele veio do Rio e não trouxe nem gilete, nem estojo. Naquele tempo não tinha "prestibarba", era estojo. Durante todos os dias ficou sem fazer a barba. Eu tinha, mas ele não falou nada e eu não levei. Até hoje a minha barba é pouca. Pra quem tirava a barba toda manhã, ficar dez dias sem tirar, né? A cara ficou vermelha. Mas ele era mesmo muito simples. E na viagem não podia chamar ele de Dr. João. Era Rosa, vaqueiro Rosa.
Mais uma vez, Zito é um testemunho autorizado. Pergunta a Cult : "E o Rosa comentou alguma coisa sobre o que faria com o material da viagem, sobre o Grande sertão: Veredas , por exemplo?" Responde:
Aquele livro não foi escrito com o assunto dessa viagem. Aquele livro foi uma viagem que ele fez pra Fortaleza, numa saída de boiada. Foi na saída. E aquele Riobaldo foi alguém que contou pra ele e o resto ele inventou. Vou te contar uma coisa, você põe uma coisa que você acha que dá certo naquela estória, então inventa o resto. É assim que o Rosa fez. O que Rosa escreveu foi dito por nós. Ele não sabia daquilo. O Rosa saiu de Cordisburgo rapaz novo, foi fazer medicina, participou daquela revolução de 32 e abandonou a medicina pra ir pro exterior. Aí quando ele morreu, vieram outras pessoas pra confirmar onde o Rosa passou. Mas ele inventou o resto.
A capacidade e vocação para inventar, decorrem, segundo Zito, do fato de o escritor ter vivenciado pouco a vida rural, pois saíra cedo de Cordisburgo, sua terra natal, para a cidade grande.
E a vida não é só para ser vivida e inventada, mas também para ser lida, diria Zito, orgulhoso de ter convivido com uma figura ilustre: "Sinto muito orgulho, é uma coisa muito bonita. Eu sinto alegria em falar das coisas do Rosa. Em maio eu vou pra Sete Lagoas e vou mandar fazer outro óculos pra mim e aí eu vou voltar a ler de novo os livros dele, do Guimarães Rosa".
Leitor e biógrafo do escritor mineiro, Zito instiga os especialistas do campo literário a abrir trilhas rumo ao sertão, para compreender os modos de ser e sentir do homem do campo, das populações rurais, com seus "próprios códigos de conhecimento e sua própria concepção de destino", de acordo com Souza Martins e Rosa certamente.
* A autora deste trabalho agradece à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) por viabilizar sua participação neste evento.
Remembranças de seu Zito, entrevista publicada na Revista Cult . São Paulo: Lemos Editorial, nº. 43, fev. 2001.
Cf. STARLING, Heloísa. Lembranças do Brasil : teoria política, história e ficção em Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Revan: UCM, IUPERJ, 1999. 190p.
Cf. MARTINS, José de Souza. Crítica da sociologia rural. In.: __ A sociedade vista do abismo : novos estudos sobre exclusão, pobreza e classes sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. 219-228p.
Cf. Roland BARTHES. A câmara clara ; nota sobre a biografia. Trad. Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 51. 3 a . ed. 185p.
Cf. Eneida Maria de SOUZA. Notas sobre a crítica biográfica. In: Crítica cult . Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. p. 43. 176p.
Cf. LOMBARDI, Bruna. Diário do grande sertão . Rio de Janeiro: Ed. Rio Gráfica, 1986. 80p.
Cf. MELLO, Cléa Corrêa de. " O intelectual nas veredas da oralidade", Colóquio de Pós-Graduação em Ciência da Literatura. Rio de Janeiro, 2003. www.ciencialit.letras.ufrj.br/ensaio/mello.htm , capturado em 28 de junho de 2004.