VERSÃO PARA IMPRESSÃO [ VOLTAR ]

O diálogo Brasil-Portugal no Suplemento Literário do Minas Gerais
Eliana da Conceição Tolentino (UFSJ/UFMG)

Uma relação real, adulta (...), entre os nossos dois países como cultura , só pode existir com base no reconhecimento de um estado de coisas que, em vez de nos aproximar, institui ou perpetua a separação que, por boas ou más razões, afastou as nossas culturas uma da outra.

Eduardo Lourenço

1.0   - INTRODUÇÃO

Este texto é um recorte da pesquisa que desenvolvo no projeto de doutoramento, em Literatura Comparada, na Universidade Federal de Minas Gerais. Insere-se no estudo do arquivo literário de Murilo Rubião na medida em que se volta para os exemplares do Suplemento Literário do Minas Gerais [1] e para as correspondências de escritores mineiros e portugueses. Essas fontes fazem parte do Acervo de Escritores Mineiros da Universidade Federal de Minas Gerais, fundo Murilo Rubião.

A pesquisa abrange as publicações de 1966 a 1976, período de maior participação de autores portugueses de vanguarda no Suplemento Literário do Minas Gerais . Pretendo apontar uma possível leitura do diálogo entre intelectuais mineiros e escritores portugueses que atuavam nesse periódico na década de 60 .

Em 1966, o Minas Gerais , órgão do governo do Estado, sob a direção do professor Paulo Campos Guimarães abre espaço para intelectuais. Em 03 de setembro sai o primeiro exemplar do Suplemento Literário [2] , dirigido por Murilo Rubião. A cargo principalmente de um grupo a que Humberto Werneck [3] denomina de "geração suplemento", os jovens escritores de vários lugares de Minas tiveram espaço. Grupos das revistas Ptyx , Vereda , Texto , Estória , Porta , Pró-textos , Ponto , Agora , Revixta, Frente e SLD publicaram no Suplemento Literário . A sala de redação do periódico, denominada Sala Carlos Drummond de Andrade, tornou-se ponto de encontro de escritores mineiros jovens e consagrados. Fazia parte daquele grupo empreendedor, comandado por Murilo Rubião, os redatores Márcio Sampaio, José Maria Penido, Valdimir Diniz, Adão Ventura, Paulinho Assunção entre vários.

E é exatamente no seu período inicial, de 1966 a 1971, sob a direção de Murilo Rubião, que o Suplemento Literário de Minas Gerais vai manter um contato estreito com os escritores de Portugal. As relações dos grupos de vanguarda brasileiros e dessa Geração Suplemento com os grupos de vanguarda portugueses foram intensas .

As publicações que figuram no Suplemento Literário de Minas Gerais compõem um quadro bem delineado das relações literárias entre Brasil e Portugal. Segundo Melo e Castro (1995), essa relação deve-se efetivamente a Murilo Rubião, tendo-se escasseado por volta de 1971, quando o contista deixa a direção do periódico. [4]

Os autores portugueses novos que tiveram participavam no Suplemento Literário são aqueles da Poesia Experimental como Ana Hatherly, António Barahona da Fonseca, António Ramos Rosa, E. M. de Melo e Castro, Heberto Helder, José Alberto Marques, Liberto Cruz e seu quase heterônimo Álvaro Neto, Salette Tavares, e os da Poesia 61 , como Gastão Cruz, Fiama Hasse Paes Brandão e Luzia Neto Jorge. Quanto aos da prosa de ficção há Almeida Faria, Álvaro Guerra, Artur Portela Filho, Baptista Bastos, Maria Judite de Carvalho, Viale Moutinho e Y. K. Centeno. Há ainda outros escritores que não se filiam ao grupo de Poesia Experimental português.

Nas páginas desse Suplemento , de 66 a 76, período ao qual a pesquisa se atém, intelectuais mineiros e portugueses de vanguarda vão travar um diálogo que terá desdobramentos, haverá troca de correspondências, visitas e censuras. Serão publicados poemas, ensaios, excertos de romances, contos de escritores ligados à Poesia Experimental e à literatura que buscava uma renovação das letras brasileiras e portuguesas. Esse intercâmbio entre os jovens escritores encena a relação Brasil-Portugal que quase sempre oscila entre a admiração e um certo ressentimento. O Brasil reclama do desconhecimento dos portugueses em relação à Literatura Brasileira e do seu próprio desconhecimento em relação à Literatura Portuguesa.

As relações não se limitaram apenas a publicações de textos no Suplemento Literário do Minas Gerais. Houve correspondências e encontros como a viagem de E. M. de Melo e Castro, em 1966 e Ana Harthely, em 1968, a Belo Horizonte. Essas viagens, patrocinadas pelo governo brasileiro, propiciaram encontros dos escritores portugueses com os mineiros da Geração Suplemento .

A pesquisa visa, num primeiro momento, focalizar a relação Brasil-Portugal que se dá via literatura de vanguarda, entretanto, com o seu andamento tem-se verificado que as imagens que o Brasil constrói de Portugal não podem prescindir da literatura canônica. Nesse sentido, há um número elevado de textos críticos que focalizam obras de escritores de outras épocas como Camões, Eça de Queirós e Fernando Pessoa, por exemplo.

Um grande número de ensaios críticos a respeito de obras portuguesas em geral fica a cargo de Maria Lúcia Lepecki e Nelly Novaes Coelho. Laís Correia de Araújo, em sua coluna Roda Gigante , tece comentários sobre obras portuguesas e lançamentos então recentes de livros em Portugal.

Acrescente a isso ensaios críticos de intelectuais portugueses tanto sobre a Literatura Portuguesa quanto a Brasileira. O professor Manuel Rodrigues Lapa, um dentre os vários escritores portugueses que vieram para o Brasil, durante o período salazarista, atuou na Universidade Federal de Minas Gerais no período. Publica no Suplemento cerca de vinte textos sobre os estudos que empreende a respeito dos poetas inconfidentes. Além disso, as referências ao seu trabalho, que é muito valorizado pelo Suplemento , são em torno de dezesseis.

2.0- BRASIL- PORTUGAL: QUE MARCAS, QUE RELAÇÕES?

A relação Brasil/Portugal bem como as imagens de nação tanto de cá quanto de lá, encenadas nesse intercâmbio, é o que se pretende esboçar. Pode-se de antemão adiantar que esses intelectuais buscam, a despeito de todas as marcas e traumas da colonização, instaurar um diálogo e uma parceria. Estão política e culturalmente vivendo momentos que engendram semelhanças _ no Brasil, ditadura militar, em Portugal _ ditadura salazarista e tanto aqui quanto lá, vivenciam uma literatura de vanguarda­ _ o Concretismo, a Poesia Práxis, a publicação de revistas de grupos _ que busca a expressão de um tempo presente diante do espanto da tecnologia e da censura.

Eduardo Lourenço afirma que o diálogo entre Brasil e Portugal nunca existiu, o que há é a representação de uma realidade imaginária em que cada um a seu modo cria uma fraternidade ou uma paternidade alucinatória. [5]

Para o crítico, o Brasil parece cometer um parricídio permanente, imaginando-se como uma nação sem pai. Essa "rasura" vem de longas datas, herança da relação conflituosa entre os portugueses que aqui aportaram e dos que lá ficaram. Discurso do ressentimento, o apagamento da memória lusitana pelo Brasil instaura outras origens e outras identidades como a do índio, a do negro, a da imigração européia, italiana, por exemplo, e a asiática.

Manuel Rodrigues Lapa, escreve sobre a imagem do Brasil no século XIX que acaba por se cristalizar em Portugal:

Por muito tempo vigorou em Portugal um conceito depreciativo do brasileiro, que nos era fornecido pelo português enriquecido e boçal, que voltava à pátria, dando uma imagem grotesca das gentes di lá , nos costumes, no trajo, na linguagem. O conhecimento do Brasil foi-nos dado através dessa imagem grosseiramente deformada. O português sentiu nessa caricatura uma violação; e tendo da sua própria cultura uma idéias inteiriça e certamente errônea, não perdoou esse desvio dum padrão que se habituara a considerar inatingível. ( Para uma boa compreensão entre portugueses e brasileiros . IN: Suplemento Literário do Minas Gerais, 01/03/75)

 

No Suplemento Literário , há vários textos que apontam para o disfarce cordial, o mito da fraternidade entre colonizador e colonizado. Laís Corrêa de Araújo, em Roda Gigante , comentando sobre o desconhecimento do português sobre a literatura brasileira, afirma:

(...) Ainda recentemente, segundo depoimento de um escritor jovem, após viagem a Portugal, muito pouco de nossa literatura, arte, ensaios críticos etc..., é conhecido no chamado país-irmão. (...) Dessas informações, concluímos que o Brasil continua, pelo menos no conceito mais geral do povo português, apenas como a "terra da promissão" ou como antiga "província ultramarina". Mas é bem verdade que também nós conhecemos muito pouco da literatura portuguesa da atualidade: (17/03/68)

 

Em contrapartida, o discurso português sobre o Brasil configura-se de forma onírica. Para Portugal, o Brasil é um país irmão por não ousarmos chamar-lhe filial , afirma Eduardo Lourenço. O Brasil faz parte de uma tradição discursiva que se baseia na mitificação da "aventura humana" do descobrimento do paraíso reencontrado, do éden.

Na realidade, todos os povos se massacram, mais ou menos, perante o seu próprio olhar ou o dos outros. Mas a perfeição com que o Brasil consumou essa metamorfose não tem igual em nenhuma outra cultura conhecida. Desde que nasceu, desenhou-se no olhar dos que nele desembarcaram como uma região paradisíaca. Nenhum desmentido da natureza ou da história_terras desérticas ou florestas da aurora do mundo _ ... conseguiu anular essa primeira visão do paraíso sobre a terra que encontramos em Pero Vaz de Caminha e Jean de Léry. (Lourenço, 2001, p.157)

Sob a perspectiva do diálogo Brasil/Portugal é que pretendo ler a atuação de intelectuais mineiros e dos portugueses nos anos 60, no Suplemento Literário do Minas Gerais e mesmo as possíveis imagens que são construídas do Brasil e de Portugal no período . A relação com a antiga metrópole, aparentemente cordial, é também a busca da constituição de uma literatura nacional, de uma identidade. Nesse sentido, como já aponta Antonio Candido em Formação da Literatura Brasileira , [6] o papel do intelectual, sua atuação e consciência são de extrema importância para a constituição de uma literatura, de uma cultura nacional. Mas em relação ao Brasil há que se discutir que literatura nacional e que nação, uma vez que, ao negar a paternidade portuguesa através do parricídio permanente, o país voltou-se mais para outras culturas européias que especificamente a portuguesa e, nos séculos XX e XXI para países que atuam cultural e economicamente de maneira hegemônica. Há que se pensar que nação é a brasileira, atravessada de hibridismos, de trocas culturais muitas vezes conflituosas e tensas, ainda que de forma velada ou mesmo encobertas.

Mas há também que se discutir que lugar ocupa esse intelectual, em um país periférico, assumindo uma posição também periférica em relação ao poder ou mesmo dele participando ativamente, como os nossos intelectuais mineiros da década de 60. Haja vista o surgimento do Suplemento Literário , periódico que como o próprio nome diz, aparece como suplemento a um jornal oficial do governo de Minas.

Curiosamente, o Suplemento Literário de Minas Gerais surge em meio a uma crise política em que a ditadura militar no país promovia incursões na imprensa através da censura a publicações e a intelectuais, o periódico nasce como suplemento do Minas Gerais , órgão de divulgação do governo do Estado.

A década de 60, a despeito da ditadura e da patrulha intelectual foi rica em manifestações culturais e movimentos de vanguarda. A literatura nesse período atuou também como frente de oposição ao regime político não só no Brasil, como em Portugal que vivia situação semelhante. Como relata E. M. de Melo e Castro ao referir-se a sua primeira viagem a Belo Horizonte, a patrulha aos intelectuais era incisiva.

A viagem foi possibilitada pela Embaixada do Brasil através do então adido cultural, o escritor Odylo Costa Filho. Mas o PIDE (Polícia Política de Salazar) não gostou do convite que me foi dirigido e tentou impedir a sua concretização. O mês de agosto de 1966 gastei-o em Lisboa esperando impacientemente a, nestes casos, necessária autorização para sair de Portugal. Por fim ela chegou, certamente graças ao empenho do adido cultural, mas no avião para o Rio de Janeiro fui acompanhado por um agente disfarçado que se propunha a guiar-me no Brasil... por eu desconhecer o país! (CASTRO, 1995, p.66)

 

Interessante ressaltar as trajetórias opostas dos portugueses e brasileiros; se de um lado temos autores portugueses que se opõem ao governo e vêm seu direito de expressão cassado, por outro eles encontram na ex-colônia a possibilidade de atuação. Tanto Ernesto de Melo e Castro como Ana Hatherly vêm ao Brasil ao convite do Itamaraty, essas viagens foram patrocinadas, pelo governo brasileiro. Além disso, passaram pelas Universidades de Brasília e de Minas Gerais. Não só esses intelectuais atuam no Brasil, mas outros oposicionistas que encontraram asilos aqui no Brasil como Jorge de Sena, Manuel Rodrigues Lapa Vitorino Nemésio, entre vários.

Em contrapartida, a recepção dos brasileiros lá é de forma conturbada e proibitiva; a divulgação dos Suplemento Literário do Minas Gerais dos dias 1 0 e 8 de março (n 0 131 e n 0 132), dedicados aos novos escritores portugueses provocou hostilidades por parte do governo ditatorial português. Os dois números especiais do periódico dedicados a Portugal, foram organizados pelos mineiros e por Arnaldo Saraiva e E. M. de Melo e Castro. Entretanto, os exemplares encapados com as cores vermelho e verde da bandeira portuguesa e com o nome Portugal em negro, sobre um fundo vermelho, provocou reações adversas, o governo Salazar leu a homenagem como subversiva. Entenderam como provocação, uma vez que os jovens intelectuais de vanguarda, então homenageados no periódico, faziam parte do grupo de oposição ao governo. Assim, a distribuição do periódico foi proibida e E. de M. e Castro foi intimado pela PIDE a não divulgar o Suplemento Literário do Minas Gerais .(CASTRO, 1995, p.68-69)

Em Portugal, o período salazarista, iniciado pelo golpe militar em 1926 e efetivado em 1932, instaura o fascismo no país. A ditadura militar promove o terrorismo, a tortura, a delação e o exílio de muitos intelectuais e políticos de oposição. [7] A crise econômica, as péssimas condições de vida da população e a ditadura política provocaram várias manifestações de populares, de universitários, de intelectuais e de partidos políticos oposicionistas. Podem-se ressaltar as pressões internas, produzidas por diversos setores da sociedade, e os movimentos de libertação das colônias.

Só nos anos 70 começa a derrocada do fascismo no país, 25 de abril de 1974 é um marco na história de Portugal, conhecido como a Revolução dos Cravos , esse movimento instaurou um processo de mudanças políticas.

No Brasil, movimentos literários engajados na oposição política pregavam uma literatura revolucionária, como o CPC (Centro Popular de Cultura). Os movimentos de vanguarda, como o Concretismo, a Poesia-praxis, o Poema-processo e o Tropicalismo também procuravam uma atuação política no sentido de modernizar a produção artística do país.

Entretanto, há duas frentes políticas em relação à arte nesse período. De um lado, há a censura e a perseguição a qualquer manifestação oposicionista. De outro, há a cooptação de intelectuais por órgãos governamentais, tentando dessa forma direcionar a produção artística.

3.0 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Suplemento Literário do Minas Gerais , portanto, merece um estudo detalhado não só como órgão de efetiva produção literária de um período da Literatura Brasileira como também da Portuguesa, pois foi um meio de divulgação de uma literatura que se via censurada pelos governos de ditadura dos dois países, e, principalmente, pelo governo português.

Nesse sentido, justifica-se a pesquisa da produção literária e ensaística brasileira e portuguesa, na década de 60, e, por conseguinte o diálogo que promovem os escritores brasileiros e portugueses.

Como contra-narrativa, sob o jugo da ditadura de Salazar, a geração de vanguarda de 60 vem através do Suplemento Literário , no Brasil, manifestar seu profundo desconcerto em relação à nação idealizada pelo poder e aos sofrimentos infringidos ao povo e aos intelectuais de oposição.

Nesse período, principalmente a poesia foi palco de manifestações anti-salazaristas. Os intelectuais, semelhantemente aos da Geração Coimbrã de 1870 são oriundos, em sua maioria do meio universitário. Temos o grupo da revista A Poesia Útil de 1962, com Manuel Alegre, Fernando Assis Pacheco, o da publicação Poemas Livres , com nomes como Eduardo Guerra Carneiro, Manuel Alberto Valente e Armando Silva Carvalho. Quanto ao movimento da Poesia 61 , figuram escritores como Gastão Cruz, Fiama Hasse Pais Brandão e Luiza Neto Jorge. Um terceiro grupo mais ligado à poesia brasileira, responsável pela revista Poesia Experimental , de cunho concretista, temos figuras como Ernesto de Melo e Castro, e menos intensamente, Heberto Helder e Ramos Rosa.

Esses intelectuais, que irão promover a divulgação das idéias que culminam na Revolução de 25 de Abril, de cunho revolucionário por natureza, são os que vivem a inquietação diante da imagem de nação idealizada pela oficialidade e a busca e procura de um Portugal repensado. Um Portugal que se debate entre o eterno estigma de país orgulhoso de suas conquistas ultramares e a constatação da pequenez e abandono do país intramares e intramargens. Um país que como o anjo de Klee tem no rosto dirigido para o passado... e vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína ..., [8] que vê apenas glória na memória póstuma porque o agora se lhes apresenta imóvel, pois o peso da História é por demais árduo. Nos dizeres de José Cardoso Pires o português Mal nasce deixa de ser criança: fica logo com oito séculos (E agora José?).

O papel de reescrever a História cabe à literatura, mais especificamente aqui, à literatura dos anos 60 que busca na releitura do passado num diálogo incessante com a tradição histórica e literária canônicas. A viagem ao passado, que os escritores portugueses empreendem e também os brasileiros, representa o desejo incessante de busca de uma origem que precisa ser lembrada e esquecida para que a nação se constitua. Enquanto os portugueses voltam-se para o Brasil, como imagem do passado português, os brasileiros voltam-se para Portugal, procurando promover um diálogo com o que representa a origem, a colonização, enfim, o país.

Nos dizeres de Bhabha [9] a narrativa da nação é um jogo entre lembrar e esquecer e assim como uma nação não existe sem passado, a memória nacional escrita por esses intelectuais de 60 e posteriores inscreve-se como uma negociação permanente entre o passado, o presente e o futuro, insistindo em exibir as fissuras e as fronteiras internas como uma forma de intervenção na História.

Assim, o desejo de me voltar, na pesquisa, para o intercâmbio entre brasileiros e portugueses via Suplemento deve-se principalmente à possibilidade de indagar como esses olhares se cruzam. Que imagens criamos nós do português e que imagens do Brasil são por eles atualizadas ou mesmo criadas, recriadas ou revistas?

 

[1] Suplemento Literário de Minas Gerais, Belo Horizonte: 1966- 1976.

[2] Nos textos citados do Suplemento Literário a ortografia foi atualizada.

[3] WERNECK, Humberto. O desatino da rapaziada : Jornalistas e escritores em Minas Gerais. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p.180.

[4] CASTRO, E. M. de Melo e. Memórias: fragmentos e recomposição. A trama do arquivo. Belo Horizonte: Editora UFMG, Centro de Estudos Literários FALE/UFMG, 1995, p.65-71.

[5] LOURENÇO, Eduardo. A nau de Ícaro e a imagem e miragem da lusofonia . São Paulo : Companhia das Letras, 2001 .

[6] CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos . 5 a edição. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia. São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 1975 .

[7] NETTO, José Paulo. Portugal do fascismo à revolução . Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986 , p.27-28.

[8] BENJAMIM, Walter. Sobre o conceito de história. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1993, p.226.

[9] BHABHA. Homi. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: UFMG, 1998