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A alquimia na transmutação da realidade
Andréa Márcia Mercadante Alves Coutinho(UnB)
“Só aceitamos com tanta facilidade o real e sua existência porque pressentimos que a realidade não existe” (Borges)
A realidade virtual, assinala Slavoj Zizek, vista hoje como simulação, é sentida como realidade sem o ser. Os avanços tecnológicos, os meios tecnológicos já existentes, o “bombardeio” de imagens ao qual somos constantemente submetidos, imagens associadas à nova tecnologia, não mais informam e sim refazem a realidade, “hiper-realizam” o mundo e transformam-no num espetáculo.
Em A sociedade do espetáculo Guy Debord afirma que “toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de Espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação” (2003: 13)
Há então uma recriação contínua da realidade que não é mais perceptível. Nos embaraçamos na nossa própria percepção do ser e do não ser. Do que é verdadeiro ou falso. Daquilo que devemos ou não acreditar como verdade. O elemento novo, para Baudrillard, na sociedade dita moderna é a desmaterialização do corpo. Zizek, no entanto, afirma não ser este um elemento novo, pois nós jamais estivemos na realidade real, sempre vimos e vivemos, sem consciência disto, a realidade virtual.
Mas, essa desmaterialização do corpo, segundo Baudrillard, produz a noção de dois corpos: o corpo imaginário e o corpo simbólico. No primeiro “o sujeito se deixa capturar pela imagem estabelecida no estágio do espelho e projetada no semelhante” (1990:16). No segundo o “sujeito se apreende como um corpo com traços distintivo dos demais, prescinde do espelho” (1990:16). O corpo real é o que é, e só o saberia fora de si mesmo. Se o outro não me percebe mais meu corpo se desmaterializa. O corpo real é a imagem que o Outro tem de mim que nunca se concretizará. Não posso me ver fora de meu próprio corpo. “É como se tivéssemos medo de pensar o Outro no tempo do nosso próprio pensamento”(FOUCAULT. 1987:163).
Os corpos imaginário e simbólico de Baudrillard, traduzem-se em dois outros corpos. O corpo espetáculo e o corpo estilhaçado. O primeiro formado por fragmentos, por fractais, é o corpo cibernético, o corpo que pode ser montado, o corpo do andróide. O segundo é construído de estilhaços, randômico, caleidoscópico. O primeiro é o corpo de Hadaly, em A Eva Futura . O segundo, o corpo do narrador protagonista, em Extensão do domínio da luta . Hadaly é o corpo espetáculo, é a andróide perfeita. Concebida e criada pelo homem para apaziguar a alma amorosa de outro homem, “produto de seus anseios” (2001:147). O narrador sem nome é o além-corpo estilhaçado que com 30 anos deve lembrar-se de “sua entrada no domínio da luta” (2002:16), que freqüenta pouco “os seres humanos”(2002:18) pois “nossa civilização sofre de esgotamento vital”(2002:29) e “a mediocridade está acima de qualquer prova”(2002:19).
A Eva Futura foi escrito em 1886 por Villiers de l'Isle-Adam. Um dos ancestrais da ficção-científica e tem como personagem principal o inventor americano Thomas Edison que vê seu amigo Lord Ewald desiludido mortalmente pelo caráter débil de sua amante, Alicia Clary, burguesa dotada de grande beleza. Michel Houellebecq cria em Extensão do domínio da luta , um analista de programas que vê, dia após dia, sua desilusão em relação à vida tornar-se um sentimento avassalador. O narrador protagonista sabe que não há saída digna ao ser humano a não ser cortar a própria carne e a dos outros. Thomas Edison propõe a fabricação de uma andróide, Hadaly, idêntica a Alícia. A mulher ideal, a Eva futura, que suprirá a desolação de Lord Ewald. Em Houellebecq a desolação é sintoma de uma ruína muito maior que não se concentra apenas nas angústias do personagem narrador-protagonista-sem-nome mas encontra o mesmo mal em toda a sociedade.
Hadaly, a andróide, é construída aos pedaços, é a perfeição. É a realidade virtual, o artificial, “uma Ilusão”(2001:147) que suplanta o real. Desejo de Lord Ewald, que não é capaz de lidar com as imperfeições da real Alicia Clary, sua “mortal, terrível e ressequida nulidade” (2001:147), a ponto de pensar em se matar “dê adeus à pretensa Realidade, a eterna trapaceira! Ofereço-lhe a tentativa do Artificial e seus novos estímulos”(2001:152). Enquanto que o narrador-protagonista de Michel Houellebecq é destruído aos pedaços, é a desilusão e a angústia. Atravessa um século atormentado, mas sem complacência. Do início ao fim do romance sofremos com o sofrimento consciente da personagem. Sua percepção absolutamente consciente da realidade “Se fosse resumir o estado mental contemporâneo com uma palavra, seria, sem dúvida, esta que eu escolheria: ressentimento” (2002: 136)
A discussão sobre a realidade e a virtualidade tem as duas personagens como exemplificação. Exatamente porque existe o virtual, a realidade do sonho, da imaginação e do delírio - surrealistas, expressionistas, alegóricos, fantásticos – que o real torna-se insuportável. Desejamos o virtual. Isso fica bem claro nos dois livros. A personagem de Houellebecq, lúcido, “enlouquece”, e Lord Ewald que quer viver Hadaly porque não suporta a realidade. Sabe que a andróide não existe, mas a deseja assim mesmo. Deseja, na verdade, a beleza de Vênus de Alicia Clary, seu corpo não sua alma confundida com sua “Tolice”(2001:113) seu “raquitismo intelectual” (2001:108).
O enfadonho, pesado e angustiante trocado pelo maravilhoso. O corpo. O corpo de Alicia Clary era a idêntico à Vênus Victrix, “uma verdadeira estátua carnal da Vênux Victrix, se algum dia uma deusa viveu nessa terra de ilusões” (2001:132). O corpo de Hadaly era cópia de Alicia. O corpo do protagonista de Extensão , e seu amigo Tisserand, são descritos pelas roupas de péssimo gosto, pelo descompasso constante em relação às mulheres desejadas pelos olhos e inalcançáveis pelos corpos. La Mettrie percebeu claramente que o pensamento era conseqüência da máquina humana e não algo fora dela. A alma sem corpo não existe. O corpo gera o espírito. Hadaly é corpo autômato, é cibernética, é tecnológica. Se a máquina parasse de funcionar tudo pararia. A matéria gera o espírito. “A condição humana é corporal” (LE BRETON. 2003:190)
O cristianismo tem a sua parte na repressão do corpo. Com ele, outras ideologias totalitárias que advogavam a submissão do indivíduo ao todo – de origem religiosa ou laica, criaram situações de imposição duma disciplina ascética do corpo. Ao reduzir o cuidado com o corpo e o espaço da sua reapropriação à estrita observância e à estrita fruição da regra, ao transformar os jogos de significação em codificações rígidas, geraram uma outra forma social típica de corporeidade, a do corpo ascético, desindividualizado, uniformizado. Quer esteja explicitamente ao serviço duma intenção instrumental (como o corpo militar) quer esteja ao serviço duma finalidade transcendente (o corpo religioso), ele deve testemunhar, pela estrita observância da regra: roupa, atitudes, gestuais, cosmética, todas as formas da aparência devem exprimir a mesma submissão partilhada. Passou-se porém do ódio do corpo e da mortificação ao culto do corpo e ao hedonismo, sem lugar para o corpo a vir que Paulo e os místicos anunciaram. Um humanismo dionisíaco, neo-pagão, sem metafísica e sem salvação mergulhou o mundo ocidental no niilismo. O primado do estetismo, a aeróbica, a dietética, as novas práticas do excesso ocupam agora o lugar da ascese e da disciplina (LE BRETON. 2003:163)
A Eva futura , Hadaly, criada há mais de um século representa o corpo estético, hedonístico e niilista. Corpo de próteses e assexuada. Alicia Clary, a mulher real, “essa tolinha deslumbrante” (2001:124) dominava pelo corpo o jovem Lord Ewald, que na sua virgindade sonhava com a mulher pura e perfeita só encontrada na andróide Hadaly, máquina e objeto, “não mais a Realidade, mas o Ideal”(2001:124) .Contudo, “todas as máquinas são celibatárias”(BAUDRILLARD. 1990:61).
Em Extensão do domínio da luta, as personagens trabalham com a informática, comem porções congeladas, vivem a solidão que as sufoca. São produtos de uma civilização que encarna o mesmo desespero, a mesma desgraça, a incapacidade de amar e a obsessão sexual nunca concretizada. “O que distingue o homem das máquinas é o prazer”(BAUDRILLARD. 1990:61).
O mal-estar da sociedade tecnológica é a eliminação do corpo, sua conversão em dados. A sexualidade sem corpo é, sobretudo, visual. É visual para Lord Ewald, que busca em Hadaly a forma de Alícia Clary. É visual para o protagonista, e seu amigo Tisserand, em Extensão, que não podem tocar. O visual para Lord Ewald supre seus desejos. Hadaly, máquina, é fria, mas não é tola como Alícia. É o que importa, ter a imagem de Alícia Clary e a tecnologia que transporta para a realidade do Lord a mulher capaz de pensar. O visual em Houellebecq é o desencadeador de todos os desejos físicos jamais contemplados do narrador protagonista e seu amigo Tisserand. O mesmo mundo visual, a imagem destas personagens para os outros provoca afastamento. A identificação do real vivido e do ideal desejado resulta em desespero e angústia.
Hadaly, a andróide cibernética, transporta do mundo físico comum, a coisificação da imaginação de Thomas Edison e dos sonhos de Lord Ewald. “O espaço cibernético é a apoteose da sociedade do espetáculo, de um mundo reduzido ao olhar” (LE BRETON. 2003:142). Esse olhar então é dominado pelas imagens. “O espaço cibernético envolve a relação com o mundo, dando ao indivíduo que a ele se entrega com paixão o sentimento de que a vida de verdade está ali, na ponta de seus dedos e que cabe a ele construir uma existência virtual para si conforme sua vontade”(LE BRETON. 2003:142).
Não existe mais limite entre o mundo físico e o mundo virtual. “Da mesma forma que a existência é tragada pelo artificial, o artificial insinua-se no terreno da existência” (LE BRETON. 2003:156). Não há consciência física no mundo artificial. Caso ela exista, produz a lucidez e o desgosto, descritos por Houellebecq, porque o corpo do homem não consegue atingir a “perfeição” do corpo máquina. A perfeição da máquina humana, na sua capacidade intelectual, sobrepõe-se a máquina. Mas o homem humano é mortal e o homem maquínico na busca pela imortalidade centrou-se na valorização do corpo mesmo que pelo esvaziamento de si próprio.
Hadaly é ficção científica no século XIX. Mas a ficção científica é a grande experiência contemporânea. O real é sentido como um “pesadelo fantástico” segundo Zizek para quem a experiência de viver num universo artificial gera a necessidade de um retorno a “realidade real”, mas esse “real que retorna tem o status de outro semblante: exatamente por ser real não somos capazes de integrá-lo na nossa realidade e portanto somos forçados a senti-lo como um pesadelo” (ZIZEK. 2003:33). F. Bacon confirma tal proposição acreditando que mais do que uma característica da sociedade virtual é o próprio espírito humano que nos leva a tal procedimento. Lord Ewald, independente de época, quer fugir da real Alicia Clary que provoca sofrimento para refugiar-se na virtual Hadaly. Para a personagem de Extensão não existe outra percepção de mundo que não seja a realidade, no “universo clássico” de Baudrillard. Só poderia vivenciar o desgosto. Para Bacon “O espírito humano é naturalmente levado a supor que há nas coisas mais ordem e semelhança do que possuem; e, enquanto a natureza é plena de exceções e de diferenças por toda a parte o espírito vê harmonia, acordo e similitude” (BACON . In: FOUCAULT.1987:46) .
Ovídio e a mulher de marfim. Hoffmannn e a mulher de areia. Bioy-Casarès e a mulher imagem. Villiers de L'Isle Adam e a mulher máquina. Todas objetos de paixão, ideais mas frias pela inexistência, que suprem os sonhos e contemplam o imaginário. Ao olhar mais intenso todas se desmancham. Houellebecq e a mulher de “carne e osso” que “olha” além de “ser olhada”. Despreza o homem de gravata dourada, Tisserand, “ela virou-se e lançou-lhe uma olhada de desprezo”(2002:101) . É real e provoca a mágoa no limite exato em que não é capaz de suprir o imaginário que continua funcionando, negando o que vê, levando ao desespero.
O ser e o imaginar quando intercambiáveis abalam as certezas da realidade. Um novo projeto de corpo torna-o híbrido com o homem máquina. Hadaly representa o “Corpo sem Órgãos” de Deleuze, somente as intensidades passam e circulam. Buscamos, hoje, perceber uma possível composição que organiza os modos de subjetivação e sociabilidade por meio desse novo paradigma de corpo. E não é o corpo modificado, transfigurado pela plástica mas as redes telemáticas, o ciberespaço, a cultura digital e as comunidades virtuais, a engenharia genética e as próteses eletrônicas. Paul Virilio discute em A arte do motor , a relação entre o corpo físico e as novas tecnologias mostrando uma inversão “microfísica do corpo” para “domesticar o homem”.
Há a identificação entre a realidade e a virtualidade, entre ambas e o simbólico e com isso a perda dos limites do corpo. São os cibercorpos distantes do “eu-consciente”. Embora a andróide sustente o conceito de unheimlich , o sonho, a imaginação que gera a ambigüidade em contraposição com a real e cotidiana Alicia Clary, é a personagem principal, analista de sistemas sem-nome de Houellebecq, que representa o real “eu-consciente” que torna-se o estranho. “Necessitamos de aventura e de erotismo, pois precisamos nos ouvir repetir que a vida é maravilhosa e excitante; isso, claro, porque duvidamos...” (2002:29)
O narrador-protagonista-sem-nome tem consciência do que Thomas Edison, em A Eva Futura, afirma “se pudéssemos ser sinceros nenhuma sociedade duraria uma hora” (2001:245). Lord Ewald foge da realidade na ilusão de Hadaly pois “sem a ilusão tudo morre” (2001:245). O narrador sabe que “neste mundo, todos forçosamente representam” (2001:244), tem o pensamento da não ilusão, da desilusão do desvendamento das imagens. Portanto não é possível manter-se são. Heidegger associa o ser ao pensamento. O pensamento é a capacidade de linguagem. A substituição da linguagem pela imagem, outra linguagem, é um não ao pensamento. O não ao pensamento é o fim do ser que passa a acreditar no que vê. E, nenhuma imagem, como afirma Pedro Meyer, o fotógrafo digital, é inocente.
David Harvey afirma que temos hoje uma nova relação com o tempo e com o espaço. O tempo não é mais o linear de Newton, nem o cíclico de Einstein, não é mais analógico, mas o simulado da própria máquina O quadro que hoje temos é de uma mudança cultural profunda, provocada pelo novo instrumental social das tecnologias, cujas reverberações se fazem sentir no declínio do interesse conceitual em favor do investimento na imagem, nos ícones da tela de computador. David Lynch, cineasta, explica que nós não vemos o real confundindo-o com outras coisas e que nosso grande “medo funda-se no fato de que não vemos o conjunto”.
A imagem, nessa perspectiva, é a grande representação da realidade. Mas essa representação não é cópia. “A mais rigorosa repetição tem, como correlato, o máximo de diferença” (DELEUZE. 1988:42). Assim, posso ter uma imagem que represente a existência ou a não existência dos fatos, ou melhor, convivo com as imagens da realidade. A verdade para Genette é quase sempre defeituosa pela mistura de condições singulares que a compõem.
Para Baudrillard “a realidade é inencontrável, nunca será possível conhecê-la. Dispomos tão só de nossas representações” (2003:62). É o jogo entre o real e a capacidade que o sujeito tem de representá-lo, que garante a “realidade” das coisas. O corpo é a representação do sujeito. A imagem de um fato real é a realidade, mas ao mesmo tempo não a é. Só seria objetivamente real o fato em si. O corpo sem representação, sem construção de imagens, seria o mundo objetivo, a realidade, mas o corpo-invisível. Uma representação sem o corpo construiria imagens que não se apóiam em nada concreto ou existente O corpo representado pela imaginação, o corpo-imaginário. A representação pela imagem fiel ou alterada do corpo cria semelhanças e diferenças que não são passíveis de identificação, misturam-se no corpo-simbólico. É a “ilusão radical contra a realidade integral. Circunscrito pelas duas, encontra-se o universo “clássico”, votado a uma colisão funesta da qual não conseguirá livrar-se” (BAUDRILLARD. 2003:64).
Philippe Queáu afirma que “o virtual nos estimula a colocar de forma nova a questão do real” (1996: 98), fala do risco da “desrealização” que acabou por perverter a nossa relação com o próprio corpo. O “corpo-real” num processo de hibridização com o “corpo-virtual” mediatizado pelo “corpo-máquina”. “Porque as máquinas oferecem o espetáculo das idéias, e os homens, ao manipulá-las, entregam-se mais ao espetáculo das idéias do que às próprias idéias” (BAUDRILLARD. 1990:59).
“Privado de suas defesas o homem torna-se eminentemente vulnerável à ciência e à técnica”. Lord Ewald não é privado de sua paixão por Alicia Clary mas não tem como dela se defender, então, aceita o corpo-máquina de Hadaly na sua construção tecnológica. “Privado de suas paixões o homem torna-se eminentemente vulnerável à psicologia e às terapias” (2002: 67) a vida da personagem sem-nome aniquila para si suas possibilidades de sentir, afeiçoa-se ao desgosto e “privada de seus afetos torna o “homem vulnerável à medicina” (2002: 67). “Viro-me e digo, como quem não quer nada, “vou ao psiquiatra”. Saio. Morte de um quadro” (2002: 124)
A “patologia viral” de Baudrillard seria o elemento de realidade do virtual. Não é apenas o prazer que distingue os homens das máquinas celibatárias, mas a noção de imortalidade. Os Corpos sem Órgãos das máquinas opõem-se aos corpos orgânicos dos homens, que morrem. Mas o homem morto é consumido antes de tudo pelas bactérias vivas que estão em seu próprio corpo. Elas realizam a morte física, a morte real. O vírus é capaz de transportar a destruição para as máquinas. Destruindo-as mesmo que não tenham órgãos. Talvez apenas pela morte possamos encontrar a limitação do mundo, o universo clássico, a realidade. “A noção de envelhecimento e de morte é insuportável ao indivíduo humano” (2002:135 ) .
“O crime perfeito é o assassinato da realidade, ainda mais, o assassinato da ilusão” (BAUDRILLARD. 2003:63). O “Crime Perfeito” dar-se-á quando as marcas de destruição do Outro desaparecerem. A destruição do real e da ilusão quando sucedidas pela “simulação”. A angústia em Houellebecq pela personagem “eu-consciente” da morte “Sinto dor no corpo. Estou no meio do abismo. Sinto o meu corpo como uma fronteira, e o mundo exterior como um esmagamento. A impressão de separação é total. Passo a ser prisioneiro de mim mesmo. A sublime fusão não acontecerá. A vida perdeu a finalidade” (2002:142). Em Villiers a morte acidental de Hadaly e junto com ela o sonho de Alicia Clary. “Aquele que olha uma Andróide como tu me olhas matou a mulher em seu pensamento, pois o Ideal violado não perdoa, e ninguém assume impunemente o papel de divindade”...(2001: 268).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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HOUELLEBECQ, Michel. Extensão do domínio da luta. Porto Alegre: Sulina, 2002.
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SANTAELLA, Lúcia. Corpo e comunicação: sintoma da cultura. São Paulo: Paulus, 2004.
VILLIERS DE L'ISLE-ADAM, Auguste. A Eva futura. São Paulo: EDUSP, 2001.
VIRILIO, Paul. A arte do motor. São Paulo: Estação Liberdade, 1995.
ZIZEK, Slavoj. Bem-vindo ao deserto do real! São Paulo: Boitempo Editorial, 2003.