| ROMANCE E HISTÓRIA: CIRCULAÇÃO E MARGENS |
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Coordenadores Prof. Dr. Pedro Brum Santos (UFSM) Profa. Dra. Márcia Abreu (UNICAMP) | |
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Resumo: O simpósio "Romance e História:
circulação e margens" objetiva acolher estudos voltados para o
desenvolvimento do gênero romanesco no Brasil, com particular interesse
pelo século XIX. Nesse universo, ressalte-se o trânsito de estrangeiros e
dos primeiros autores nacionais, o circuito de editores e leitores, a
produção dos principais centros urbanos e a contrapartida das regiões,
além do interesse pela matéria histórica registrado no período. Quanto à
particularidade do romance histórico, julga-se oportuno explorar aspectos
como a caracterização do gênero, o relevo que experimentou, os temas e
referências que priorizou." Subtema: Gêneros literários: fronteiras e ambigüidades |

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| A representação da história no
romance "A Educação Sentimental" por Alexandre Bebiano de Almeida Resumo A comunicação tem como objetivo discutir alguns aspectos relativos à representação do tempo no romance L’Éducation sentimentale (1869), de Gustave Flaubert. Tentamos ressaltar alguns recursos literários de que Flaubert se serve para figurar o tempo de maneira bem distinta do romance histórico ou realista de Balzac: de fato, o tempo na Educação aparece agitado por uma infindável sucessão de deslocamentos, incapaz de compor um enredo armado, uma vez que não constrange na direção de qualquer progresso nem enquadra nenhum conflito dramático. Essa temporalidade, elemento essencial da composição romanesca, relativo seja à natureza das personagens, seja à unidade da narrativa, será objeto de nossas indagações: como o narrador da Educação pode contar a história da passagem da Monarquia de Julho ao Segundo Império, sem determinar aí mudanças de fundo? E, sobretudo, como a vida das personagens por esse mundo de reviravoltas políticas pode se assemelhar a uma série de esforços realizados em vão? Esta comunicação supõe concorrer para isso o emprego particular que faz o narrador de certos recursos literários como as idéias feitas e o discurso indireto livre. |
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| Simá: o (não) lugar da ficção
amazônica na historiografia do romance brasileiro por Amilton Queiroz Resumo A comunicação objetiva apresentar os resultados parciais da pesquisa de mestrado realizada sobre a narrativa Simá - Romance Histórico do Alto Amazonas (1857), de Lourenço da Silva Araújo Amazonas. Como Simá foi publicado em 1857, mesmo ano da edição de O Guarani , de José Alencar; apresentaremos algumas hipóteses sobre o silenciamento dessa produção nos compêndios da Literatura Brasileira, a exemplo da ausência de uma crítica literária voltada ao estudo do imaginário cultural amazônico. Logo, além dos referenciais que discutem a construção do cânone literário, serviremo-nos também de apontamentos da Literatura Comparada e assim somar-se às leituras já existentes, mas com o intuito de discutir o lugar da ficção amazônica na historiografia do romance brasileiro. |
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| Aluísio Azevedo e a imprensa: uma
análise de Mistério da Tijuca e Casa de Pensão. por Ana Gomes Porto Resumo Esta comunicação pretende abordar dois romances de Aluísio Azevedo: Mistério da Tijuca e Casa de Pensão. A análise resulta de um estudo das obras a partir de suas publicações no momento em que surgiram. Uma das conclusões é a relação bastante próxima entre Aluísio Azevedo e a imprensa, tanto no que concerne à elaboração das obras, como aos temas de sucesso neste meio. Além disso, o fato de analisá-las a partir de uma inserção histórica, revela significados novos para a compreensão destes romances. Assim, torna-se relevante notar que foram publicados no mesmo ano, pelo mesmo jornal, fato que indica novas possibilidades de leitura. Do mesmo modo, há mais proximidades que diferenças quanto ao aspecto formal de construção da narrativa e expectativa de leitura. O tema se aproxima da discussão proposta pelo simpósio no que concerne ao desenvolvimento do gênero romanesco no Brasil. Além disso, visa uma compreensão de um autor canônico da literatura brasileira a partir da sua inserção no mundo editorial do momento, levando-se em consideração o circuito de publicação. |
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| Códices de Consulta Pública: um
estudo da circulação de romance na Bibliotheca Nacional e Pública do Rio
de Janeiro (1833-1856) por Débora Cristina Bondance Rocha Resumo No início do século XIX, funcionários da Bibliotheca Nacional e Pública do Rio de Janeiro (atual Biblioteca Nacional) decidiram registrar cotidianamente os pedidos de livro para leituras realizadas na instituição, assim como o nome dos leitores, com vistas a evitar danos ou perdas do acervo. O resultado deste trabalho são os quatorze Códices de Consulta Pública, que compreendem o período de 1833 a 1856, encontrados atualmente na Seção de Manuscritos dessa mesma biblioteca. Tomando estes documentos como fonte primária, o que será apresentado é um primeiro esboço das preferências de leitura de romances destes consulentes, comparando os pedidos de produções nacionais às estrangeiras; dando especial atenção aos romances históricos. |
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| Revista familiar: receita para
leitura por Germana Maria Araújo Sales Resumo Esta comunicação objetiva apresentar os romances que circularam na Revista Familiar, periódico publicado na década de 1880, em Belém. Esta revista, conforme seu prospecto, destinava-se ao público feminino, pretendendo beneficiar sua instrução e educação, além de favorecer seu contato com a literatura. Portanto, este estudo pretende responder as seguintes questões: qual o tipo de leitura era destinado às famílias no final do século em Belém? Quais romances eram indicados à leitura feminina? |
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| Aramis, Molina e Rodin: três
personagens marcantes. por JOSE ANTONIO ANDRADE DE ARAUJO Resumo As personagens de Aramis, em O Visconde de Bragelonne (Le Vicomte de Bragelonne), de Alexandre Dumas, de Molina, em As minas de prata, de José de Alencar, e de Rodin, em O judeu errante (Le juif errant), de Eugene Sue, têm em comum o fato de serem jesuítas. Essas três personagens jesuítas do século XIX assumem nos respectivos romances uma posição de destaque devido ao seu comportamento. Os romances mostram a articulação entre a literatura e a história uma vez que foram publicados entre 1844 e 1865, período em que a Companhia de Jesus estava em processo de restauração na França e no Brasil. |
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| A obra de Joaquim Manuel de Macedo
através de anúncios do Jornal do Comércio. por Juliana Maia de Queiroz Resumo Em 1868, Joaquim Manuel de Macedo publicou o romance “Memórias do sobrinho de meu tio”. Nesse ano, a secção de anúncios do Jornal do Comércio do Rio de Janeiro divulgou não apenas o lançamento dessa obra, mas também prosseguiu anunciando outros títulos do autor; não raro ao lado de autores nacionais e estrangeiros. O objetivo da presente comunicação é evidenciar indícios que apontem para a inserção da obra de Macedo no mercado editorial carioca no final da década de sessenta do século XIX, período em que o gênero romanesco já estava consolidado no Brasil. Os anúncios de livros são também uma fonte privilegiada para a análise de algumas das categorias envolvendo a circulação de romances naquele momento, quais sejam as principais casas editorias e livrarias anunciantes, as características de valorização das obras, os preços, além da proporção entre a prosa de ficção em língua portuguesa e estrangeira. Por fim, procuraremos comparar os anúncios das obras de Macedo aos de outro importante romancista brasileiro, José de Alencar, a fim de investigarmos a popularidade (ou não) do autor de A moreninha (1844), tantos anos após o lançamento da obra e do estilo que o consagrou. |
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| Concepções sobre romance
por Márcia Abreu Resumo Entre o meado do século XVIII e o início do XIX, os censores luso-brasileiros tinham por obrigação examinar todos os originais que se almejava publicar, assim como todos os impressos que se queria pôr em circulação, expondo sua avaliação dos textos por meio de pareceres escritos. Esses pareceres serão analisados a fim de identificar suas concepções sobre romance (definição do gênero, finalidade, público preferencial, parâmetros de avaliação) e sobre as relações do gênero com a história. Paralelamente, serão observadas as aproximações e os distanciamentos entre seus discursos e as idéias expostas em Poéticas e Retóricas em circulação no mesmo período. |
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| O romance histórico de Alexandre
Dumas por Maria Lúcia Dias Mendes Resumo O romance folhetim do século XIX é uma mistura de vários gêneros, tais como o drama romântico, o roman noir, o romance de aventuras e o melodrama. No caso do romance folhetim de Alexandre Dumas, outro ingrediente é incluído: a História. A História, em seu romance folhetim, deixa de ser apenas um décor e passa a ser fundamental para o desenvolvimento da intriga. Partindo da sua experiência com o uso do tema histórico em suas obras (crônicas históricas e dramas românticos), de suas leituras da obra de Walter Scott e de seu interesse pela historiografia da época (Jules Michelet, sobretudo), Dumas começa a escrever romances históricos para serem publicados em folhetins. Pretendo nesta comunicação delinear o percurso de Dumas no desenvolvimento do seu romance histórico, ressaltando as suas principais influências e características. |
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| O "Gabinete de Leitura" (1837-1838) e
a formação de um público leitor de ficção por Maria Angélica Lau P Soares Resumo Implícita no título do periódico, a disseminação da leitura de ficção se configura como um dos principais objetivos propostos em sua nota introdutória. O estudo de determinados aspectos da relação que o periódico estabelece com seu leitorado, à luz de seu contexto histórico, nos permite compreender de forma mais abrangente esse período embrionário do romance no Brasil. |
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| CALDRE E FIÃO, UM PIONEIRO ESQUECIDO
por Pedro Brum Santos Resumo A questão do isolamento ou do apagamento tem fundas raízes quando o assunto é Rio Grande do Sul. Diferente do Norte que, desde a segunda metade do século XIX, é reconhecido pela historiografia literária nacional, o Sul tem recebido pouquíssima atenção. Esta comunicação pretende verificar o caso particular de Caldre e Fião, sulista desconhecido fora de sua região de origem. Seus romances, entretanto, publicados na Corte, figuraram entre os primeiros exemplares do gênero em nossa literatura, tiveram boa acolhida na época e, inclusive, estabeleceram uma interlocução interessante com linhas representativas da ficção romântica, ao ponto de adiantarem aspectos que seriam, mais tarde, melhor explorados por José de Alencar, como se procurará demonstrar no trabalho que estamos propondo. |
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| Romances à venda: um estudo dos
anúncios do “Correio Braziliense” e da “Gazeta do Rio de Janeiro”
por Regiane Mançano Resumo Os anúncios de romances veiculados pela Gazeta do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro: 1808-1822) e pelo Correio Braziliense ou Armazém Literário (Londres: 1808-1822) dão indícios da circulação do gênero pelo comércio livreiro carioca de início dos oitocentos. As propagandas revelam os títulos mais comercializados, a materialidade dos impressos, seu valor comercial e ainda expressam a opinião de livreiros sobre o romance e as estratégias de venda utilizadas para convencer os possíveis leitores da compra de exemplares do gênero. Os anúncios destes periódicos também permitem entrever em que medida os reclames ocuparam o papel da crítica literária, praticamente ausente destes veículos comunicativos. Esta pesquisa, ainda em andamento, é financiada pela FAPESP. |
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| Editoras Saraiva e Clube do Livro:
considerações sobre seus projetos populares de leitura e a presença do
romance-folhetim de Dumas por Rosângela M. Oliveira Guimarães Resumo A partir da década de 40 do século passado, as editoras Saraiva e Clube do Livro, de São Paulo, criaram projetos populares de leitura de abrangência nacional, publicando obras literárias em larga escala. Com base em estudos sobre leitura e história da leitura, o trabalho em questão pretende mostrar procedimentos e particularidades de tais projetos, bem como abordar o tema da circulação do romance-folhetim de Alexandre Dumas nos respectivos âmbitos, vislumbrando processos de recepção/leitura aí embutidos. Este trabalho consiste num recorte de um dos capítulos da tese "Traduções/Adaptações dos romances-folhetins da Alexandre Dumas no Brasil: Estudos de Edição e Cultura", defendida sob orientação da Professora Jerusa Pires Ferreira, no COS/PUC-SP. |
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| “Cartas Americanas”: romance, idéias
e fatos nos anos de 1807 e 1808 por Simone C. Mendonça de Souza Resumo A mal sucedida história de amor entre os jovens Plácido e Emília, contada nas “Cartas Americanas” é entremeada de reflexões acerca de variados temas e de narrações de fatos históricos. A partida de D. João e da Corte portuguesa rumo ao Brasil, a invasão das tropas francesas em Lisboa e a restauração são narradas em cartas trocadas entre as personagens, como se tivessem acabado de acontecer. De fato, a primeira publicação da obra data de 1809, pouco depois desses acontecimentos. O autor, Teodoro José Biancardi, tomou o cuidado de informar as fontes consultadas, como Gazetas e documentos relativos à legislação, em notas de rodapé, comprovando suas palavras e conferindo um ar de veracidade à história e às personagens que criou. O romance epistolar circulou em Portugal e no Brasil nos primeiros anos do século XIX e deve ter agradado os leitores, pois contou com uma segunda edição portuguesa em 1822. |
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| Os deveres do romance para com a
nação por Valéria Augusti Resumo Nas décadas de 30 e 40 do século XIX o romance já havia obtido ampla aceitação entre o público leitor brasileiro. Em sintonia com as discussões acerca do gênero que vinham sendo feitas na Europa, parcela da crítica literária atribuiu-lhe um destino popular, bem como uma finalidade instrutiva e moralizadora. Partindo desse pressuposto, buscou orientar as escolhas do público leitor, indicando-lhe os autores estrangeiros cuja leitura seria recomendável. Tendo isto em vista, a presente comunicação procura entender as razões dessas escolhas, que recaíram fundamentalmente sobre aqueles que aproximavam o romance do gênero épico e da história. |
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| Araújo Porto Alegre e a introdução do
romantismo no Brasil. por Jefferson Cano Resumo Esta comunicação propõe uma reavaliação sobre o papel de Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879) na recepção da literatura romântica no Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX. Reconhecido geralmente por sua produção poética da década de 1860, que incluiu a publicação das Brasilianas e do poema épico Colombo, pouca atenção tem sido dada à atuação de Porto Alegre nos momentos iniciais da nova estética literária no Brasil, o que será tratado nessa comunicação a partir da imprensa do Rio de Janeiro da década de 1830. |
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| Circulação de Romances em Campinas no
final do século XIX por Silvia A. José e Silva Resumo Verificarei a circulação de romances junto à população de Campinas no último quartel do século XIX, período que a cidade experimentou um grande desenvolvimento econômico, social e cultural. Segundo o historiador Amaral Lapa, a cidade passava por um momento de transição, estava se tornando burguesa, saindo da condição senhorial anterior. Para realizar esta tarefa analisei periódicos que circulavam na cidade naquele período, foram consultados os jornais "Gazeta de Campinas" e "Diário de Campinas" e o "Almanak de Campinas". A partir das informações localizadas, pretendo verificar se entre os títulos que circulavam na cidade havia a presença de romances históricos, além de constatar de que forma era realizado o contato dos possíveis leitores com as obras. |
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