| MACHADO DE ASSIS, ESCRITOR DE MUITAS FACES |
|
Coordenadores Profa. Dra. Silvia Maria Azevedo (UNESP-Assis) Profa. Dra. Maria Rosa Duarte de Oliveira (PUC-SP) | |
|
Resumo: Tendo em vista os diversos
gêneros literários pelos quais Machado transitou, o Simpósio procurará
contemplar tanto aqueles nos quais o escritor obteve maior consagração,
como o romance e o conto, quanto os que, mais recentemente, vêm recebendo
maior atenção por parte dos pesquisadores e da crítica especializada, como
a crônica, o teatro, a crítica literária e a poesia. O diferencial desta
proposta será o de dar espaço para o diálogo entre esses gêneros, ao invés
de focalizá-los de maneira compartimentalizada e, por vezes,
excessivamente especializada. " Subtema: Gêneros literários: fronteiras e ambigüidades |

![]() |
| Memorial de Aires: diálogo crítico e
inovação na composição do romance por Adriana da Costa Teles Resumo O objetivo da comunicação é discutir de que maneira determinadas opções composicionais feitas por Machado de Assis em sua última obra, Memorial de Aires, dialogam criticamente com algumas tendências acerca da composição desse gênero no período contemporâneo ao autor. A narrativa em forma de diário e o narrador homodiegético parecem contrariar alguns pressupostos técnicos tidos como ideais para a confecção do romance na época. O narrador, que, para a estética realista, e tendo como um dos defensores a figura de Flaubert, deveria ter acesso irrestrito à mente das personagens, não se deixando notar, aparece em Memorial na figura de uma testemunha ocular. Trata-se de um foco narrativo marcado pela subjetividade, não possuindo, portanto, meios de desvendar totalmente a máscara que envolve personagens e situações. A subjetividade da narração é corroborada pela forma diário. Os apontamentos do narrador são frutos de impressões e calcados na aparência. Assim, em sua obra derradeira, Machado parece problematizar o formato tradicional do romance como viabilidade do gênero em representar a realidade com a precisão objetivada pelos realistas. Os artifícios narrativos e estruturais de que se vale se articulam para dialogar sobre preceitos básicos acerca da construção desse gênero narrativo e da eficácia de sua técnica. |
![]() |
![]() |
| Percursos de legitimação: caminhos da
crítica em “O Alienista” por Ana Ferreira Silva Resumo Este trabalho tem como objetivo apresentar uma reflexão sobre a recepção crítica de “O Alienista”, no período circunscrito entre 1910 e 1980. Nesse sentido, nossa pesquisa se direciona para o levantamento da fortuna crítica, dentro desse período, para revelar um ponto de vista que amplia e renova o estudo dessa obra, especialmente, no que tange à riqueza composicional e suas múltiplas facetas, atestando, ainda, a atemporalidade dessa narrativa. Desse modo, nosso estudo inclina-se para os diferentes métodos críticos, que marcaram as vertentes estéticas do período proposto e sinalizam a presença de um procedimento evolutivo e transformador da crítica literária. |
![]() |
![]() |
| Percursos do Brasil na geografia
literária mundial: um estudo da recepção internacional da obra de Machado
de Assis no séc. XX por Andrea de Barros Resumo Esta comunicação apresenta a proposta de pesquisa intitulada "Percursos do Brasil na geografia literária mundial: estudo da recepção internacional da obra de Machado de Assis no séc. XX", que estamos desenvolvendo no programa de Doutorado em Teoria e História Literária da Unicamp. A pesquisa terá, como tema de estudo, a recepção internacional da obra machadiana no período compreendido entre o final da primeira década do século XX, quando as primeiras traduções dos textos machadianos são lançados, até os dias atuais. O estudo pretende alinhar-se aos modelos de investigação propostos por Pascale Casanova (2002), sobre os processos de configuração da geografia literária mundial, tendo como foco principal as vias percorridas pelas literaturas marginais (produzidas fora dos grandes centros emissores culturais) da segunda metade do século XIX. A metodologia adotada será a comparatista, por meio da qual a situação da recepção internacional da obra machadiana será confrontada com à de outras literaturas produzidas em países periféricos, considerando fatores relativos à língua e a demais contingências políticas, econômicas e sociais. Além da metodologia comparatista, o escopo teórico inclui estudos de Marshall Berman, Franco Moretti e Richard Morse. |
![]() |
![]() |
| Autor ímplicito, Machado personagem
por Bruno Lima Oliveira Resumo Todo texto literário é possível de ser lido, compreendido e apreciado autonomamente, sem que para isso seja necessária a sua inserção no todo da obra do autor. A leitura das crônicas de Machado de Assis, no entanto, nos permite não apenas acompanharmos o que o autor tinha pontualmente a nos dizer, mas possibilita que rastreemos sua figura autoral por seus romances e que vejamos similutes entre o escritor e um de seus personagens mais “biográficos”, o Conselheiro Aires. Suas crônicas são importantes porque privilegiam o pensamento do autor, que não tem o artifício de se “esconder” atrás de um narrador ou de alguma modalidade discursiva. A crônica, via de regra, traz a voz de Machado, desprovido de qualquer ficcionalização. Através de sua experiência jornalística é possível, também, que entendamos a primeira pessoa empregada por Machado de Assis em romances como Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, os três escritos após o encerramento de sua carreira de cronista. Se por um lado Machado abdicou de escrever crônicas, por outro as continuou escrevendo, notadamente, em seus três últimos romances, possibilitando, assim, muitas vezes, uma confluência entre autor, narrador e personagem. |
![]() |
![]() |
| Superfície especular, texto
especulativo por Daniel Reizinger Bonomo Resumo A variedade do conjunto de textos que compõe a obra de Machado de Assis é acompanhada da complexidade de um imaginário que flutua em torno de sua figura pública e de seu nome de escritor. A partir de uma leitura do conto "O espelho" e da observação de problemas que pertencem ao seu tema central, nosso texto traça relações entre a vida e a obra de Machado de Assis, bem como trata da representação literária do indivíduo moderno como um sujeito incerto e pleno de dúvidas. Levando a efeito a "teoria da alma humana" machadiana, procede-se aqui ao esboço de uma "alma exterior" do autor de Quincas Borba. |
![]() |
![]() |
| Eleazar, colaborador do Cruzeiro
por Daniela Silveira Resumo A colaboração de Machado de Assis, no jornal O Cruzeiro, começou com a publicação de Iaiá Garcia, no seu espaço de folhetim, em 1878. Com a finalização desse romance, Machado passou a assinar com o pseudônimo de Eleazar. Foi debaixo dessa assinatura que apareceram a crítica ao Primo Basílio, de Eça de Queirós, alguns contos e a série de crônicas Notas semanais. O objetivo dessa comunicação é acompanhar a trajetória de Eleazar, caracterizando esse narrador em seus vários momentos, como crítico literário, contista e cronista. Para isso, será importante entender as relações do autor com o jornal e as discussões que provocava em outros periódicos. |
![]() |
![]() |
| Um Don Juan machadiano
por Flávia Vieira da Silva do Amparo Resumo Na poesia, a geração romântica reafirmou o mito de Don Juan não apenas no contexto literário, mas assumiram-no como uma tendência, um modo de ser e, principalmente, de se conduzir nas conquistas amorosas. Essa tendência romântica donjuanesca influencia sensivelmente os poetas brasileiros; dentre eles, Álvares de Azevedo e Castro Alves, dois importantes ícones românticos. No prefácio da Lira dos vinte anos , Álvares de Azevedo delineia um perfil das idéias literárias que marcam seus poemas e cita não apenas o herói conquistador, mas também alude à obra de Zorilla , Don Juan Tenório . Traçando um panorama dos heróis na literatura, aponta os caminhos trilhados pelos poetas até chegarem ao poema irônico e ao herói tragicômico: “Depois dos poemas épicos, Homero escreveu o poema irônico. Goethe depois de Werther criou o Faust . Depois de Parisina e o Giaour de Byron vem o Cain e Don Juan - Don Juan que começa como Caim pelo amor e acaba como ele pela descrença venenosa e sarcástica.” Que relação pode existir entre o herói galanteador e o “recatado” poeta Machado de Assis? Ana lisando a obra poética machadiana, podemos afirmar que em nenhum momento ele cita D. Juan diretamente. Machado, no entanto, afeiçoado a uma boa charada em versos e cultor de um estilo docemente irônico, como foi definido por Sílvio Romero, percorre um determinado trajeto literário e cria um perfeito Don Juan nos versos do poema “Pálida Elvira” ; também assimila muitas Elviras cantadas por outros poetas. Para compreendermos melhor a forma como o herói é construído, iremos esmiuçar o processo criador machadiano no poema em questão. |
![]() |
![]() |
| O percurso de Machado de Assis nos
periódicos literários do século XIX por Jaison Luís Crestani Resumo Este trabalho propõe uma análise comparativa de três contos de Machado de Assis publicados em diferentes contextos de produção: “Confissões de uma viúva moça” (Jornal das Famílias, 1865; Contos fluminenses, 1870), “Curiosidade” (A Estação, 1879; não republicado em livro pelo autor), “Singular ocorrência” (Gazeta de Notícias, 1883; Histórias sem data, 1884). Esses contos permitem entrever um processo de reescritura de uma mesma situação narrativa, que é refundida e rearticulada com enfoques divergentes. Reconstituindo as condições de enunciação literária na imprensa periódica e contestando conceitos críticos equivocados, o trabalho pretende redefinir as perspectivas de análise de modo a apresentar uma leitura mais integradora da obra de Machado de Assis, favorecendo a apreensão da complexidade do processo formativo do escritor, que evidencia uma interação dialética entre aperfeiçoamento e permanência, entre superação e retomada de proposições temáticas e procedimentos formais. |
![]() |
![]() |
| SABER E NAVALHA: MANDONISMO EM O
ALIENISTA por JEAN PIERRE CHAUVIN Resumo Em 2008, centenário da morte de Machado de Assis e bicentenário da chegada da corte à (então) capital brasileira, a crítica machadiana deverá aprofundar estudos em várias direções, enfocando especialmente outros gêneros para além dos romances e contos do escritor. Este trabalho retoma a novela "O Alienista" (Papéis Avulsos, 1882) de modo a ilustrar o funcionamento de determinadas instituições políticas por aqui. Levou-se em conta o nascimento e a manutenção do mandonismo brasileiro, considerando nossas especificidades histórico-culturais, com direito a chefes locais no papel de políticos, além de autoridades científicas, eclesiásticas e populares da província em performances ambíguas. Certos capítulos da história universal parecem dialogar com a narrativa machadiana, permeando a formação de leitores críticos. Ficção e história induzem nosso olhar a dançar entre uma perspectiva e outra, convertendo os eventos em Itaguaí numa paródia local da Revolução Francesa e, simultaneamente, em alegoria da política conciliatória brasileira: no regime de pouco alcance da navalha de Porfírio versus a retórica afiada do douto Simão. |
![]() |
![]() |
| A poesia narrativa de Machado de
Assis: "Pálida Elvira", estudo de um caso por Marcelo Sandmann Resumo A proposta da presente comunicação é a de investigar a presença de recursos narrativos na poesia de Machado de Assis. O poema escolhido para análise, com o eventual recurso a trechos de outros poemas, é “Pálida Elvira”, do volume Falenas, um longo poema narrativo de 97 estâncias ao todo, todas elas rigorosamente vazadas dentro da forma da oitava-rima camoniana, com decassílabos heróicos, e imitando, com boa freqüência, a dicção épica do poeta português (léxico, sintaxe, ritmo etc.). Como a análise procurará demonstrar, alguns recursos característicos da prosa madura do autor - como a paródia, o humor, a interlocução com o leitor, a digressão metaficcional – aparecem já, curiosamente, neste poema de 1870. |
![]() |
![]() |
| Tudo teatro: máscara, público e olhar
em Machado de Assis por Wolmyr Alcantara Resumo Na trilha dos estudos de Cecília Loyola, este trabalho visa analisar As forcas caudinas, Quase ministro e outras peças peças machadianas à luz do mesmo olhar de “saudável desconfiança” com que têm sido lidas as demais obras do escritor. Para além da “ingenuidade” propagada por críticos como Sábato Magaldi, os textos do comediógrafo Machado de Assis nos fazem entrever características constitutivas de seus escritos mais celebrados. Dentre elas, está o conceito de máscara, estudado por Alfredo Bosi, que trata como norma (e não exceção) o jogo e o teatro social. É nesse contexto que o olhar atento deve captar, nas nuances de gestos e tons, a real intenção do outro, a priori, sempre disfarçada e enigmática. Se, como prenunciou certa vez Silviano Santiago, devemos começar a compreender a obra de Machado como um todo organizado, é mais do que tempo – a despeito da solidificação de certa crítica negativa – de conhecer suas peças, as quais, escritas à maneira de Musset, talvez sejam, a exemplo do dramaturgo francês, algumas das únicas representáveis hoje em dia, de todo o repertório brasileiro do oitocentos. É tudo comédia, e comédia humana, mas o último a rir, talvez, ainda seja o autor. |
![]() |

![]() |
| Machado de Assis e o Conto Fantástico
por MARIA ROSA DUARTE DE OLIVEIRA Resumo O gênero conto na Literatura Brasileira tem em Machado de Assis a sua figura mais representativa. Elevou o gênero ao ápice de desempenho, experimentando-o até o limite. Leitor de Poe, Machado não nega a parceria com aquele que deu a essa narrativa breve, sob o signo de um novo meio – o jornal – o caráter de uma forma enunciativa singular, onde a projeção do efeito pretendido fizesse do acontecimento narrado, pensado do fim para o começo, uma verdadeira equação matemático-imaginativa. Ao exercitar o fantástico, Machado trabalha a favor e contra o próprio padrão desse operador estético-ficcional que, no século XIX, segundo o estudo clássico de Todorov, é campo propício para a reflexão sobre os limites entre a razão e a loucura; a ciência e a imaginação. Este ensaio se centrará sobre a análise do conto “ Entre Santos ”, problematizando o teor desse efeito fantástico, que aí se encontra matizado com uma clara matriz realista |
![]() |
![]() |
| Manasses: cronista da Ilustração
Brasileira por Silvia Maria Azevedo Resumo Quando convidado por Henrique Fleiuss para colaborar na Ilustração Brasileira (1876-1878), Machado de Assis vinha firmando seu nome no cenário das letras nacionais, com passagem pelos principais periódicos do Rio de Janeiro, onde havia atuado como crítico (literário e teatral), poeta e cronista, com incursões nas áreas do teatro, conto e romance. O convite de Fleiuss a Machado para que este, sob o pseudônimo de Manasses, escrevesse as crônicas da revista ilustrada, pode ser visto como expressão do reconhecimento quanto ao crescente prestígio do escritor. Por outro lado, a participação de Machado de Assis, assim como a de outros nomes de destaque no rol de colaboradores, vinha ao encontro do propósito da Ilustração Brasileira de exportar uma imagem de Brasil que correspondesse às concepções de “civilização e progresso”, que irá marcar a chamada geração de 1870. O objetivo da comunicação é analisar em que medida as crônicas de Manassés estão afinadas com o projeto “ilustrado” da revista de Henrique Fleiuss. |
![]() |