| LITERATURAS DE EXPRESSÃO ALEMÃ ENTRE FRONTEIRAS |
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Coordenadores Profa. Dra. Eloá Heise (USP) Profa. Dra. Karin Volobueff (UNESP) Profa. Dra. Magali Moura (UERJ) | |
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Resumo: A grande contribuição das
discussões no campo dos estudos literários a partir da década de 70 reside
na certeza de que conceitos como “unidade” e “pureza” perderam os
contornos exatos de seu significado e que um trabalho de apropriações e
compartilhamentos são bem-vindos e inevitáveis na cultura
internacionalizada. Hoje, tem-se a consciência que reina o elemento
híbrido. Os códigos não são mais puros e abrem suas fronteiras para o
enriquecimento com novas aquisições e mesclas que transbordam e
transformam a pretensa integridade através do movimento vivaz do desvio da
norma que cria ao destruir, que transfigura ao deturpar. Nesse nexo, o
simpósio sobre Literaturas de Expressão Alemã entre Fronteiras pretende
debater manifestações da Literatura Alemã que têm por foco esse processo
dinâmico de trocas na subversão de limites, ao abordar o conceito “entre
fronteiras” sob diversos aspectos: 1) fronteiras entre gêneros: entre
diferentes manifestações artísticas, entre diferentes formas de discurso;
2) fronteiras entre culturas: na discussão da alteridade, no debate do
fenômeno da recepção; 3) fronteiras entre textos: na identificação e
análise da intertextualidade, no estudo da transposição de uma língua para
outra através da tradução. " Subtema: Gêneros literários: fronteiras e ambigüidades |

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| A INFLUÊNCIA DE RICHARD WAGNER NA
LITERATURA SIMBOLISTA FRANCESA: UMA LEITURA DE “LOHENGRIN, FILS DE
PARSIFAL, DE JULES LAFORGUE. por Andressa Cristina de Oliveira Resumo No século XIX, enquanto a maioria dos parisienses rejeitava as obras de Wagner, Baudelaire escreve um famoso artigo no qual expressa sua admiração estética pelo compositor alemão. O poeta transmite a seus descendentes, os futuros decadentes e simbolistas, dentre eles, Jules Laforgue, o gosto pela obra de Wagner. Laforgue é um poeta simbolista francês, autor de Moralités Légendaires, obra em prosa na qual faz variações sobre temas conhecidos. Sabe-se que o poeta tinha o hábito de freqüentar concertos musicais, sobretudo quando foi leitor da imperatriz Augusta da Alemanha, e, portanto, sentiu qual prolongamento a música dá a expressão humana. Dessa maneira, assumindo uma estreita relação entre poesia e música, Laforgue retoma a ópera Lohengrin de Wagner, dessacralizando-a, e a deformando. A novela que o francês escreve não se ajusta à tradição, pois os papéis são mudados, freqüentemente invertidos, e ele faz amplo uso da paródia e da ironia, desviando burlescamente os estereótipos da obra do alemão. Tudo isso se faz, sobretudo, por meio de uma linguagem poética repleta de apartes, neologismos, uso abundante de adjetivos, sugestões musicais e anacronismos, tão ao gosto dos simbolistas. Ele retoma a ópera de Wagner de maneira moderna e erudita, mostrando-nos seu papel de poeta simbolista e moderno. |
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| Kafka no Brasil: as edições de "A
metamorfose" por Celso Cruz Resumo Apresenta-se um breve histórico da recepção de A metamorfose no Brasil, mediante a consideração das capas e do paratexto de edições brasileiras da narrativa publicadas entre 1956 e 2002. As edições são diferenciadas de acordo com o público a que supostamente se destinam. Diferentes aspectos da obra são realçados conforme o público que cada edição tem em mira. Assim diferentes vias interpretativas e críticas são propostas para a recepção da obra pelo público brasileiro. Evidentemente, não se pode afirmar que a recepção ativa da obra siga fiel e obediente as instruções do paratexto, porém a atenção a essa instância, descontadas suas implicações mercadológicas, faz notar um espaço de pré-recepção de fundamental importância para a determinação da posição de obras traduzidas na hierarquia do sistema literário brasileiro. Supõe-se que as representações que ocupam esse espaço institucionalizam-se como recepções “oficiais” da obra e do autor. E a pré-recepção cumpre uma função de fronteira, ainda mais no caso de obras traduzidas, uma vez que é esse um espaço de seleção do que vai ser proposto ao público, e de que maneira, como grande ou pequena literatura. |
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| Goethe na terra onde "florescem os
limoeiros" por ELOA DI PIERRO HEISE Resumo A comunicação proposta tem por objetivo mostrar em que media Goethe acaba por reconhecer-se na Itália como poeta e pesquisador. A viagem para Itália, a vivência na terra onde "florescem os limoeiros", como canta Goethe na Canção de Mignon, será o acontecimento de sua biografia que receberá as mais entusiasmadas descrições do autor, sendo considerada pela crítica o mais importante ponto de inflexão na vida e na obra de Goethe. Ele precisava ver, para compreender. A revelação da beleza lhe seria transmitida através do contato direto com a cultura da Antigüidade, dos tesouros da Renascença e a ligação com a natureza do Mar Mediterrâneo. A vivência em um outro país, do outro, abrirá a possibilidade de intensificação de sua própria maneira de ser; o contato com outras formas da natureza, outros costumes, hábitos, outra arte contribuem para reflexão e construção de si. |
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| O romance poético de Novalis e de
Gérad de Nerval por Guacira Marcondes Machado Leite Resumo Em seu livro Os gêneros do discurso, segunda parte, “Em torno da poesia”, Tristan Todorov apresenta um ensaio sobre o romance poético de Novalis, Heinrich von Ofterdingen. Partindo do próprio texto do poeta, que aí opõe duas espécies de homens, Todorov encontra nessa obra a teoria de Novalis sobre dois tipos de textos: o romance poético, de que Ofterdingen seria um exemplo, e um romance que se poderia chamar de narrativo. Ora, quando lemos “Sylvie”, do francês Gerard de Nerval, logo percebemos que é possível aí encontrar os mesmos pontos que Todorov encontra na narrativa poética de Novalis. |
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| Literatura Intercultural
por Günther AUGUSTIN Resumo Pretendemos apresentar nosso projeto “Literatura Intercultural”, que visa o estudo do encontro intercultural, através das experiências textualizadas de escritora/es da chamada Migrationsliteratur ou Transnationale Literatur, entre outros.O projeto focaliza o encontro entre culturas caracterizado pelo encontro ou cruzamento de perspectivas culturais, maneiras diferentes de pensar, sentir, agir, e falar ou escrever. Vivemos hoje em um mundo caracterizado por mobilidade e movimentos migratórios na dimensão física, bem como, no plano discursivo-teórico, por campos discursivos-conceituais em constantes processos de questionamento e movimento. Dos movimentos migratórios cruzando fronteiras surgiu um novo gênero de obras que transcende o conceito de cultura nacional, procurando novas formas de expressão na busca da representação da interculturalidade e do encontro com o outro. Na literatura intercultural encontramos textualizações de encontros interculturais que descrevem experiências de passagens de fronteiras, sejam elas continentais, nacionais, regionais, étnicas, sociais, religiosas, de gêneros, cor, idade etc. O projeto se insere em um contexto discursivo onde os Estudos Literários e a Literatura Comparada se confundem com os estudos culturais que valorizam os paradigmas culturalista, pluralista e intercultural no estudo da língua, literatura e cultura. Insere se também em um contexto acadêmico de uma abordagem intercultural dos estudos da língua, literatura e cultura alemãs em outros centros de estudo da chamada “Germanistica Intercultural”, e informaremos sobre as publicações mais recentes sobre a teoria e didática da Interkulturelle Literatur. |
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| O diário de Ottilie: uma pérola
dentro do romance por Ieda Maria Caricari Resumo N'As Afinidades eletivas (Die Wahlverwandtschaften, 1809) de Johann Wolfgang von Goethe os movimentos desenvolvidos pelas personagens respondem às reações de atração e de repulsão. Tal processo dinâmico e de característica laboratorial ganha situações de transformação e de estabilidade com a interferência das narrativas enquadradas (textos enxertados dentro da narrativa maior) como os elementos de teatralidade na representação de quadros vivos e a novela Die Wunderlichen Nachbarskinder que funcionam como ecos e presságios dentro do romance. Esta comunicação visa apresentar a análise de uma dessas manifestações artísticas que é "O diário de Ottilie" em relação à própria personagem Ottilie e como um corpo estranho enxertado no romance. A análise do diário é inseparável da maneira como é inserido pelo narrador, que se empenha em relacionar seus aforismos aos capítulos nos quais são apresentados. O diário é formado de seis conjuntos de extratos, inseridos em seis capítulos diversos. Esta análise faz parte do terceiro capítulo da minha dissertação de mestrado. |
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| As fronteiras do discurso de Herta
Müller por Ingrid Ani Assmann de Freitas Resumo A literatura alemã-romena dos anos oitenta do século passado ocupa um lugar seguro no elenco literário que se denomina "literatura alemã da atualidade". Herta Müller, hoje integralizada no cânone da Literatura alemã, procura pelo significado de conceitos tão difíceis como "alemão", "identidade" ou "assimilação". A escritura poética mülleriana oferece aos leitores a oportunidade de refletir sobre estas questões, com as quais a História da Literatura de língua alemã deve ser discutida no exterior. O movimento da escrita da autora aproxima-se dos elementos centrais do patrimônio cultural alemão sem, no entanto, penetrar totalmente em seu centro de força. Os textos da obra "Niederungen" de 1984 giram em torno da minoria alemã na região de Banat, no oeste da Romênia. A escritora, nesta coletânea, puxa o véu de uma enclave alemã e para tanto não recorre nem a fatos históricos mais remotos nem a política presente de Ceausescu, sob a qual foi chicaneada. Com sua grande capacidade de observação e de criação na linguagem acaba por impor sua própria norma. O rompimento dos antigos contornos, que definiam o campo dos estudos literários, será abordado no conto "Grabrede". |
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| Os impulsos de vida e morte no Fausto
de Goethe e construção de uma dinâmica orgânica por Magali dos Santos Moura Resumo As epopéias de Homero, Ilíada e Odisséia, descrevem ações motivadas, na maioria das vezes, por desejos e paixões. A procura pela realização de um desejo que, por fim, acaba levando à morte constitui-se, a partir de então, num dos grandes temas que, de forma recorrente, apresenta-se nas literaturas de todos os tempos. O impulso de vida representado pela figura mítica de Eros faz par com o impulso de morte, personificado através da figura mitológica de Tânatos. Vista sob a luz da psicanálise, essa sincronia entre Eros e Tânatos cria uma tensão que, indo além do mitológico, espelha-se em muitos aspectos da vida humana e pode ser encontrada na raiz de muitas de suas ações. O desejo pelo saber e a paixão pela figura mitológica de Helena são duas grandes motivações para as ações de Fausto e criam diversas tensões na obra de Goethe. Ao longo do trabalho pretende-se mostrar como estas tensões se desenvolvem e criam uma dinâmica peculiar que se assemelha ao próprio ritmo da vida. |
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| A intertextualidade no processo da
tradução literária por Magdalena Nowinska Resumo Esta comunicação propõe analisar estratégias da identificação, análise e tradução de fenômenos intertextuais no processo da tradução literária. A discussão refere-se a um trabalho em andamento, uma dissertação de mestrado que visa a apresentar uma tradução, anotada e comentada, de uma novela alemã, "Die Judenbuche" (1842), de Annette von Droste-Hülshoff. A novela é caracterizada por vários aspectos da intertextualidade no sentido amplo do termo, desde relações entre textos propriamente ditos até a presença de diferentes discursos e idiomas no texto da novela. Enquanto leitora crítica, a tradutora dispõe de várias ferramentas da crítica literária para a identificação de possíveis intertextos dentro do seu texto de trabalho, e de sua análise; enquanto autora do texto traduzido, contudo, ela precisa encontrar estratégias para a tradução dos rastros intertextuais encontrados no original, já que os fenômenos intertextuais não apresentam um problema meramente lingüístico, mas abrangem também questões interculturais e, neste caso específico, históricos. Esta comunicação pretende analisar as ferramentas e as estratégias disponíveis a uma tradutora para esta tarefa. |
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| As fronteiras entre os saberes:
Goethe e a filosofia universitária por MARCO FONTANELLA Resumo Goethe presenciou drásticas reconfigurações históricas de fronteiras entre saberes, artes e ofícios. Reflexões a partir do fato da institucionalização da filosofia não faltaram e chegaram mesmo a fazer história, a exemplo do "Conflito das faculdades" de Kant. Considerar os matizes da relação entre a atitude do autor frente a seus contemporâneos ocupados em filosofar e aquela dos filósofos academicamente estabelecidos em relação a ele pode fornecer subsídios concretos para uma consideração muito mais geral, a das fronteiras entre arte literária e conhecimento filosófico, num primeiro momento, e literatura e crítica literária, num momento mais avançado. O objetivo da presente comunicação consiste em levar a público uma breve seleção de tópicos que se prestem à realização desta passagem, do caso particular de Goethe à reflexão mais geral sobre as fronteiras entre literatura e filosofia acadêmica hoje. A partir de um fato histórico fartamente documentado e divulgado, apontar certos ângulos da fronteira entre dois saberes. |
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| Relatos de viajentes e seu impacto
sobre a literatura por MARIA APARECIDA BARBOSA Resumo As expedições de Alexander von Humboldt (1769-1859), Georg Heinrich von Langsdorff (1774-1852) e Adelbert von Chamisso (1781-1838) repercutiram consideravelmente na imaginação de escritores do período romântico alemão no início do século XIX, como E. T. A. Hoffmann e o próprio Chamisso, na medida em que ampliavam o ideário da época com o espírito de aventura, as descobertas científicas e as imagens de um universo fértil, viçoso e tropical. Esta comunicação parte da leitura de relatos dos viajantes, entre eles "Reise um die Welt", e textos literários como "Heimatochare", "Die Geschichte vom verlornen Spiegelbilde" etc. |
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| E.T.A Hoffmann, Honoré de Balzac e a
figura do artista por Marta Kawano Resumo No século XIX francês, a obra de E.T.A Hoffmann foi lida e admirada por diversos escritores (Charles Nodier, Honoré de Balzac, Gérard de Nerval, Théophile Gautier e Charles Baudelaire) e forneceu elementos para renovações na prosa e na poesia francesas do período. O objetivo de nosso estudo é explorar relações entre algumas narrativas de Honoré de Balzac que nutrem fortes vínculos com o Romantismo (narrativas do Balzac que foi definido por Baudelaire como um visionário) e contos de E.T.A Hoffmann que têm músicos e pintores como protagonistas. Tal aproximação abrirá caminho para refletir sobre aspectos comuns ao Romantismo alemão e ao francês, como a intensa comunicação entre a literatura e as artes e a representação literária da figura do artista. |
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| (Im)possibilidade de autocrítica:
autobiografia e romance de Thomas Bernhard por Patricia Miranda Dávalos Resumo A obra do austríaco Thomas Bernhard possui unidade temática e estilística, característica acentuada após a publicação de sua autobiografia, quando suas narrativas passam a seguir o modelo do gênero. Partindo das considerações de Gérard Genette em Fiction et Diction, de que haveria elementos na construção narrativa próprios dos gêneros factuais e outros próprios de gêneros ficcionais, procura-se identificar como isso é configurado no caso de Bernhard, comparando-se sua autobiografia, neste corpus A Causa (1975) e sua ficção, exemplificada por Extinção (1986), autobiografia do personagem Murau. As semelhanças são mais evidentes, mas é possível identificar especificidades na construção, partindo-se aqui da possibilidade de leitura da autobiografia ficcional como correção da real. A principal diferença, a embasar tal hipótese, seria que no romance o narrador estaria apto à autocrítica ausente na autobiografia, incluindo em seu relato pistas para identificação de estratégias narrativas tendenciosas, enquanto o Bernhard autobiógrafo seria incapaz do mesmo – embora muito do estilo tendencioso e subjetivo da ficção seja reconhecível na autobiografia, estando até ampliado nessa. Se no romance isso é denunciado, cabe analisar como a distância da matéria possibilitada pela ficção, e a proximidade na autobiografia, contribuem para a escolha dos recursos empregados na construção textual. |
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| Teatro e romance, universal e
particular: fronteiras de "Wilhelm Meisters Lehrjahre"
por PEDRO ARMANDO DE A. MAGALHAES Resumo Por meio do estudo da presença e importância da representação teatral nesta obra que é modelo de "Bildungsroman", almeja-se discutir a construção do conceito de nação bem como o reposicionamento do indivíduo burguês, protagonista da história moderna. Apontaria "Wilhelm Meisters Lehrjahre" para uma nova maneira de se escrever a história? Seu hibridismo suscitou comentários importantes de Schlegel, Novalis e Schiller. Para melhor desenvolver a questão, propomos relacionar escritos de Goethe a textos de autores (Mme. de Staël) ou historiadores (Jules Michelet, Marc Bloch) de língua francesa. |
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| Luta pela justiça - Goethe, Kleist e
Kafka por Rodrigo Campos de Paiva Castro Resumo Götz von Berlichingen, personagem central da peça homônima de Goethe, Michael Kohlhaas, da novela homônima de Kleist, e Karl Rossmann, do romance "América" ou "O Desaparecido", de Kafka, formam uma improvável tríade de defensores da justiça. Kleist incorporou em sua novela muitos dos elementos da peça goethiana, ao passo que Kafka retomou o tema anos depois ("Rossmann" lembra por homofonia o epíteto pelo qual Kohlhaas é referido tantas vezes na novela – "Rosskamm"; paralelo que também ocorre quando se nota que "Rossmann" significa "homem do cavalo", e Kohlhaas era um comerciante de cavalos). Em meio às três obras, e ao longo de mais de um século (de 1773, ano do aparecimento da peça de Goethe, a 1927, data da publicação póstuma do romance de Kafka), o tema da luta pela justiça (um dos vários que perpassam os três escritos) sofre alterações – do embate franco travado pelo cavaleiro de ares medievais que era Götz, incorporando a frieza "bem pensante" do burguês Kohlhaas para chegar à quase passividade total do enjeitado Rossmann (cujos percalços cruzam em definitivo uma linha já borrada na novela kleistiana – aquela entre realidade e magia). A comunicação sugerida aqui tentará destrinchar de forma mais detalhada alguns desses paralelos. |
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| A Alemanha em Guillaume Apollinaire:
Rhénanes por SILVANA VIEIRA DA SILVA Resumo Guillaume Apollinaire viveu na Alemanha durante um ano, e parte dessa vivência revela-se no ciclo de poemas Rhénanes, nos quais se percebe a presença de diversas lendas germânicas. Impressionado pela paisagem que rodeava o Rio Reno, e também perturbado por uma paixão, o poeta assim denomina este conjunto de poemas por causa da presença marcante do ambiente germânico que o rio impõe. Esses escritos trazem grande carga mitológica germânica, com personagens tipicamente regionais e talvez só conhecidos pela gente local. Assim, a lenda de diz que ele se torna prisioneiro de outra amante que seria a própria Vênus, divindade pagã transformada em demônio pelos cristãos. Descobre-se então que mitos e lendas são onipresentes em sua obra, marcada por essa herança cultural da qual Apollinaire não consegue (e não quer) escapar. Paradoxo, caso ambíguo e extremo, ponto de partida e de chegada, dualidade e duplicidade da modernidade que explodia na obra do poeta. Pretende-se então apontar a influência da cultura alemã e renana nesse ciclo de poemas escritos em francês, por um poeta nascido na Itália e de origem polonesa. |
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| Tradução e leitura do Kinder-und
Hausmärchen: reflexões sobre o filme de Terry Gilliam, The Brothers Grimm
por SYLVIA MARIA TRUSEN Resumo O acervo que desde 1812 recebeu o título Kinder-und Hausmärchen, reunido, transcrito e, desde a segunda edição, em boa parte estilizado, conformou o parâmetro para a elaboração de um gênero em crescente ascensão e consolidação: os textos dirigidos à infância. Se o destinatário primordial já vinha anunciado desde o frontispício da obra, não é fortuito que a compilação se erigisse e se mantivesse longamente como pilar das criações modernas dirigidas à infância. Essa aliança, entretanto, parece em vias de se romper. Traduções destituídas de imagens e que, assim os prefácios, pretendem trasladar na íntegra os originais, parecem almejar outras faixas do mercado editorial. Outrossim, a versão para o cinema, ficcionalizando a obra de Wilhem e Jacob Grimm, desconstrói a imagem estagnada dos filólogos, cuja obra teria servido de régua modelar para a chamada literatura infantil. A partir da leitura do filme de Terry Gilliam, traduzido por Irmãos Grimm, pretende-se, pois, discutir o lugar destinado ao acervo, refletindo acerca dos conflitos inerentes à elaboração da coletânea. |
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| A viagem brasileira de Ernst Jünger
por Tercio Recondo Resumo Ernst Jünger (1895-1998) publicou a sua obra literária mais importante, Auf den Marmorklippen (Nos Penhascos de Mármore), em 1939, três anos depois de uma visita ao brasil. Em finais de 1936, o autor alemão visitou Belém, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo, numa excursão de aproximadamente quatro semanas. Antonio Candido, num curto ensaio integrante de O albatroz e o Chinês, salienta a importância dessa viagem na fatura narrativa de Jünger, com destaque para a caracterização da "mata cerrada" dos domínios do monteiro-mor, figura-chave da obra, e para a igualmente relevante presença das cobras que habitam os rochedos da fábula. Este trabalho, a partir dessa indicação do crítico brasileiro, confronta a prosa de Auf den Marmorklippen com anotações registradas nos diários do autor alemão, tanto da viagem quanto da época da redação de sua história. Esse cotejo não apenas confirma a percepção de Candido, mas auxilia na tarefa de interpretação texto. As jararacas, cuja descrição nos Penhascos remete a anotações relativas a uma visita ao Instituto Butantan, em São Paulo, adquirem valor simbólico notável, sobretudo em função de seu caráter alienígena na paisagem européia. |
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