| LITERATURA AFRO-DESCENDENTE: MEMÓRIA E CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES |
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Coordenadores Profa. Dra. Algemira de Macedo Mendes (UEMA) Prof. Dr. Elio Ferreira DE SOUZA (UEPI) | |
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Resumo: O presente Simpósio visa
investigar o diálogo da literatura afro-descendente e representações da
memória no processo de construção de identidades a partir do
entrecruzamento da escrita literária com diferentes discursos e expressões
culturais da diáspora africana, como a música, cantos, canções, lendas,
contos populares, narrativas de experiências, dentre outros.
" Subtema: Gêneros literários: fronteiras e ambigüidades |

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| Canto-poema e samba-blues:
estratégias poéticas afro-descendentes na poesia de Edimilson de Almeida
Pereira. por Adélcio de Sousa Cruz Resumo A obra do escritor e crítico literário, natural de Juiz de Fora-MG, tem sido estudada cuidadosamente. Este ensaio pretende abordar dois aspectos da poética de Edimilson de Almeida Pereira no tocante ao diálogo de sua poesia com as dicções advindas dos cantos de preceito das Irmandades do Rosário, do samba contemporâneo e da música negra norte-americana, em especial o blues. Os poemas que constituem o volume Zéosório Blues (2002) aglutinam tais vertentes e se colocam como introdução aos demais números da reunião de sua obra poética. Através de um constante exercício de escrita e pesquisa, o poeta re-encena e re-elabora a noção de diáspora africana nas Américas. A cena literária afro-descendente se movimenta e se rearticula a partir das noções estético-identitárias propostas pelos poemas. |
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| Maria Firmina dos Reis: um marco na
literatura afro-brasileira do século XIX por Algemira de Macedo Mendes Resumo Maria Firmina dos Reis ousou, escrever dentro das possibilidades que a sociedade machista, preconceituosa, conservadora e provinciana do Maranhão no século XIX oferecia à mulher, negra, bastarda, pobre, solteira e interiorana. Seus escritos, às vezes ultra-românticos, característica do estilo da época em que ela viveu, considerados, à primeira vista, tolos e açucarados, mencionam assuntos negados por seus contemporâneos e revela a veia abolicionista articulada com o contexto das relações econômicas, sociais e culturais da época. Ela ousou denunciar a arbitrariedade, violência e problemas que envolviam a servidão negra em uma sociedade, por excelência, escravista. Úrsula (1859) e A escrava (1887) são obras em que a escritora adota sua postura abolicionista e defende o escravo. Talvez Maria Firmina dos Reis o faça mais enfaticamente na segunda. Separadas por quase três décadas, ela torna-se mais enérgica e adota uma postura política em relação ao posicionamento passivo da sociedade ante a escravidão. Sem dúvida, o fato de o Brasil já estar tentando abolir a escravatura, através de medidas morosas e de existir uma parcela da sociedade que apoiava e ansiava por tal acontecimento, faz com que Maria Firmina dos Reis demonstre mais claramente suas idéias abolicionistas. |
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| A MEMÓRIA COMO MOTOR DA NARRATIVA EM
PONCIÁ VICÊNCIO, DE CONCEIÇÃO EVARISTO por Aline Arruda Resumo Nessa comunicação analisamos como a memória diaspórica está presente no romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo e como os traços da memória coletiva e individual da protagonista e de outros personagens são essenciais na construção do romance de formação feminino e negro da autora mineira. A memória é fator importante na construção do romance de Evaristo, da primeira à última página, ela conduz os pensamentos da protagonista e dos outros personagens, além de guiar a vivência de Ponciá, tão representativa daquela de seus antepassados. Partindo das considerações de Ricoeur (2000), discutiremos o recurso usado pela escritora afro-descendente para resgatar e marcar a cultura afro-brasileira em seu romance. |
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| Memórias e (Re) invenções de
Identidades na Literatura Afro-feminina por Ana Rita Santiago da Silva Resumo A literatura de escritoras negras baianas, na contemporaneidade, configura-se como uma (re) significação de si e de memórias coletivas. São cantos, em que se (re) inventam o passado, presentificando-o, através de figurações relacionais, dinâmicas e tensas. São recantos, inclusive, pelos quais tecem afirmativamente identidades afro-brasileiras e desconstroem representações depreciativas de traços identitários. Diante disso, este texto visa a compreender como narrativas e discursos poéticos, de autoria afro-feminina, redesenham as histórias de si e de suas africanidades, conferindo-lhes uma identidade poética, diante de interditos, a que são submetidas. Além disso, pretende também entender, nessa literatura, como identidades, através de releituras de mitos afro-brasileiros, são reiventadas. |
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| CRUZ E SOUSA: O RISO IRÔNICO COMO
REPRESENTAÇÃO DA IDENTIDADE E DA MEMÓRIA SOCIAL DO NEGRO
por Derivaldo dos Santos Santos Resumo A presente comunicação analisa a poesia de Cruz e Sousa como expressão do riso irônico que, associada a representações de identidade e de memória social, quer ressignificar a vida, desviando-se do automatismo do sistema social em torno do negro e de sua condição histórica. O riso em sua poesia pressupõe a manifestação da consciência inconformada do poeta como atitude de recusa da máquina implacável do mundo opressor. Se a organização social procura firmar o siso e abolir o riso de seu cenário, em Cruz e Sousa o riso quer libertar o homem do desespero do pensamento aprisionado nos limites do sério (Lélia P. Duarte), expurgando a consciência da seriedade mentirosa (Bakhtin), e de todas as afetações que tornaram obscuras a real condição do negro em nossa história social: “Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas / Ardentes do olhar...” (Escravocratas). Se a ideologia dominante pretende tornar invisível a identidade do negro, o riso irônico traz à superfície da poesia as suas dimensões profundas ao questionar o lado obscuro da vida, é uma passagem da vida pelo avesso do instituído. |
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| Memória, utopia e construção de
identidades na epopéia quilombola "Canto dos Palmares", de Solano
Trindade. por Elio Ferreira de Souza Resumo “Canto dos Palmares” é o texto fundador da épica quilombola dos afro-brasileiros. O herói da ação épica é Zumbi, o Grande-Chefe, líder guerreiro e mito da resistência quilombola, cuja fala é intermediada pela voz do poeta-narrador, que representa as vozes da consciência crítica e os anseios da coletividade negra. Nessa épica moderna de 195 versos, Palmares é erigida das cinzas da história oficial, revista pelo griot da Diáspora africana, que narra na primeira pessoa do singular, sob a evocação da batida de tambores e atabaques que anunciam a chegada de novos fugitivos negros ao território palmarino. A narrativa épico-lírica atualiza a memória histórica do maior quilombo do Brasil e das Américas, a nossa utopia paradisíaca. Os versos de Solano Trindade têm a força reivindicatória dos rappers de hoje, considerando-se o caráter combativo da narrativa e da linguagem participante da sua escritura, em tom de manifesto poético, de metapoema em favor de um novo fazer literário, da vida, da liberdade e das igualdades racial e social, e contra a barbárie, comungando, assim, com o ideal dos poetas do Renascimento Negro do Harlem e com o Movimento da Negritude na França dos anos 1930/1940, este representado por poetas e intelectuais negros das Américas, África, Antilhas e Caribe, como Langston Hughes, Leopold Sedar Senghor, Aimé Césaire, Nicolás Guillén e tantos outros. Desse modo, o infortúnio abre as fronteiras da consciência, da solidariedade, da fraternidade entre os negros que cantam no mesmo tom, na mesma voz de amor, guerra e esperança. A paisagem natural do quilombo em guerra completa o cenário do Éden destroçado, com “as palmeiras” cheias de flecha e as águas do “rio” cobertas pelo sangue das vítimas e culpados, mas mesmo assim permanece o desejo de reconstrução de Palmares, de erguer a cidadela do Quilombo num tempo e lugar irrevogável da memória coletiva dos negros brasileiros e da Diáspora. Solano faz florescer uma verdade inusitada, uma verdade que inspira um novo alento, amor, coragem e anseio de se ter uma vida livre. |
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| O Samba por Feliciano José Bezerra Filho Resumo A comunicação a ser apresentada pretende mostrar a relação existente entre a tradição do samba e a poesia, seja na vertente oral com formas de construção fundadas no espontaneísmo criativo, seja em elaborações mais cultivadas em poéticas formalizantes de linguagem; e de como este cruzamento contribuiu para o processo de estabilização da canção popular enquanto gênero de referência na cultura brasileira. E discutir ainda, a hegemonia étnica do samba, centrada na presença do negro, como acentuado dispositivo de formação e manutenção da identidade do negro no Brasil. |
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| Yambambó: o canto negro, poesis e dor
em Nicolás Guillén por Geni Mendes de Brito Resumo Nicolás Guillén comparava sua obra poética com a composição étnica de Cuba, considerando que tinham os mesmos elementos de mestiçagem. Em muitos de seus versos, estão expressos sensualidade, humor e africanidade, caracteristicas que o cansagrou como um poeta anti segregação racial, uma vez que Guillén nunca esqueceu sua ascedência africana. O presente texto tem como objetivo estudar a figura do negro na poesia de Nicolás Guillén como um elemento de ritmo, do canto e da música que o satura de seu melodioso clamor ancestral. Para Guillén o negrismo ou o afrocubanismo significa a abertura para as possibilidades reais de suas expressões. O negro e o social acabam integrando-se na poesia de Guillén e são reconhecidas como obra de grande qualidade cubana e universal. |
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| Tecendo estórias em comunidades
rurais quilombolas maranhenses aqui e acolá por Joseane Maia Santos Silva Resumo A presente pesquisa objetiva a recolha de estórias em comunidades rurais remanescentes de quilombolas na zona rural de Caxias-MA, diretamente da memória das pessoas, num estudo de caráter comparativo, com as narrativas escritas circulantes no mercado editorial do Brasil, relevando diferentes modalidades de criação literária, porém, detentoras da mesma importância, na medida em que ambas veiculam visões de mundo, experiências de vida, ideologias, idiossincrasias, traduzidas numa linguagem simbólica, através da qual é possível dizer verdades, quimeras, vontades, que aproxima o Homem do Outro, que permite a compreensão do Outro, isto é, permite a compreensão da realidade objetiva e subjetiva. Pretende-se, também, analisar o sentido estético, bem como função social, numa visão integradora, ou seja, qual o papel dessas narrativas para aquelas comunidades. |
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| O OUTRO PÉ DA SEREIA: FRONTEIRA
LÍQUIDA ENTRE O VELHO E O NOVO DISCURSO IDENTITÁRIO AFRICANO E
AFRO-DIASPÓRICO por Lise Mary Arruda Dourado Resumo Pretende-se, no referido artigo, discutir a construção do velho e do novo discurso identitário africano e afro-diaspórico na obra ficcional - mas mesclada de passagens históricas factuais - O outro pé da sereia, da autoria do moçambicano Mia Couto. No enredo, a imagem de uma Nossa Senhora sem um dos pés (ou Nzuzu, ou Kianda, deusa africana das águas) não se constitui apenas como um ícone religioso afro-católico (não necessariamente sincrético), mas representa uma fronteira líquida – portanto fluida, não um divisor de águas – entre dois tempos distintos, mas solúveis entre si: o século XVI, início da diáspora africana, e a pós-modernidade, mais especificamente, o ano de 2002. O trabalho, a partir desse recorte, visa a mergulhar em questionamentos sobre perda e busca de identidade de um povo, após tempestivos conflitos: escravidão em seu próprio território, colonização, diáspora, escravidão em outros solos, marginalização e tantas outras guerras. Na obra, vê-se emergir, a partir de um viés religioso, a problematização de tudo que parecia preestabelecido e plenamente justificado, momento de incertezas e de dúvidas quanto às identidades em África e territórios diaspóricos. Dessa forma, buscar-se-á: 1) reconhecer os mais representativos discursos identitários (Coracini, 2003/2006), enfatizando o discurso racial; 2) considerar contribuições da Análise de Discurso de Linha Francesa (Maingueneau e Charaudeau, 2004; Orlandi, 2003) referentes à condição de produção do discurso, evidenciando, então, aspectos da história da África (Del Priore e Venâncio, 2004; Hernandez, 2005) quanto à historicidade dos sujeitos (no caso, representados pelas personagens); 3) discutir, portanto, sobre a construção da identidade afro na pós-modernidade (Ferreira, 2000; Souza 2005). Tais procedimentos não ancoram estereótipos identitários, mas desaguam em reflexões acerca da construção discursiva identitária africana proporcionada pela literatura cosmopolita coutiana. |
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| Literatura Negra como Literatura
Marginal: Brasil, 1980 por Mário Augusto Medeiros da Silva Resumo Estudada, nas Ciências Sociais e História da Literatura Brasileira, por autores como Roger Bastide, Florestan Fernandes, Octavio Ianni, David Brookshaw, Zilá Bernd, Miriam Garcia Mendes etc., a análise da produção literária de grupos negros focou sempre o modo como tal confecção artística espelharia a visão social de mundo daquele grupo, em épocas distintas, exprimindo suas expectativas, suas denúncias, suas vivências com o preconceito e discriminação racial, negritude, seus impasses, questões políticas etc. E, simultaneamente, observou como autores negros e não-negros, ao longo da história literária brasileira, utilizaram o grupo negro fosse para reforçar, criar ou negar estereótipos sociais a eles atribuídos. Esse tipo de análise compreende as décadas de 1940 a 80. Nesta comunicação, propõe-se a discussão do que se está chamando de um novo padrão analítico, em que a idéia de Literatura Negra é debatida também pelos seus produtores: poetas e ficcionistas negros, afora cientistas sociais e historiadores da literatura. Este debate se situa ao fim dos anos 1970 e trata da Literatura Negra como uma literatura marginal, com sentido bem específico para a época, influenciando também a discussão teórica de especialistas, como igualmente antecipa questões contemporâneas do movimento de Literatura Marginal, do final dos anos 1990. |
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| REMANESCENTES DE QUILOMBOS E SUAS
MANIFESTAÇÕES LITERÁRIAS: DA MARGINALIDADE AO RECONHECIMENTO IDENTITÁRIO.
por Nerivaldo Alves Araújo Resumo O presente artigo aborda a temática das narrativas literárias orais dos remanescentes de quilombos como instrumento fundamental de preservação e divulgação da cultura local, pois estas se constituem em matéria prima basilar para a construção da sua identidade cultural. Destaca a importância das “estórias”, causos, lendas e contos populares para o fortalecimento da identidade cultural desses povos historicamente excluídos e marginalizados, ressaltando que estas manifestações literárias narrativas orais têm se perdido no tempo por não haver uma política de valorização e de preservação, uma vez que se encontram à margem dos cânones literários oficiais. O texto toma como exemplo, a realidade dos remanescentes de quilombos da localidade de “Mocambo dos Ventos”, situada às margens do Rio São Francisco, na divisa do município de Barra com o município de Xique-Xique, ambos no Estado da Bahia, cuja única via de acesso é o leito do Rio São Francisco, o que contribui para um certo isolamento sócio-cultural. |
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| “Mestre Tamoda” e a subversão do
código lingüístico por RAIMUNDA CELESTINA MENDES DA SILVA Resumo Mestre Tamoda, protagonista do conto homônimo de Uanhenga Xitu, mostra a linguagem como forma de libertação de um povo. O caminho é difícil. Faz-se necessário muito empenho e dedicação para vencer o poder dominador. Sabe-se que Portugal usou a língua culta padrão como meio de dominação cultural e quando havia oposição, força e astúcia eram usadas para vencer o povo angolano, uma vez que não ter acesso ao código lingüístico aumentava a distância entre eles. O autor procura, através do emprego de material regional, envolver o leitor ao explicar termos locais, oriundos da cultura oral, bem como denuncia na narrativa o cotidiano da vida colonial e o choque de culturas distintas. Pretende-se, nessa comunicação, mostrar a resistência do colonizado, quando este usa, no conto em análise, uma linguagem coloquial, uma sintaxe própria, ao tempo em que mistura o português – língua do dominador – ao quinbundo, como forma de subversão e oposição a um regime de força. |
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| Tecendo Identidade, Tecendo Cultura:
Os Fios da Memória na Literatura Afro-Descendente das Américas
por Roland Walter Resumo Reimaginar o passado via memória para retificar as distorções de uma história escrita pelo Outro e assim reconstruir a identidade individual e coletiva tem sido um esforço constante de escritores negros através da diáspora afro-descendente. Partindo da hipótese que a recriação da história e identidade por meio da memória na ficção afro-diaspórica é baseada num processo de apropriações interligadas ― a apropriação do espaço histórico, mental/corporal e discursiva ― este trabalho pretende analisar/problematizar na literatura afro-descendente das Américas: 1) os espaços, formas e práticas intervalares destas apropriações interligadas; 2) diversos aspectos da episteme cultural que determina este processo e que se constitui nele. Esta análise que justapõe textos de Austin Clarke (Canadá), Toni Morrison (USA), Édouard Glissant (Martinica) e Ana Maria Gonçalves (Brasil) de maneira comparativa tem como objetivo de mapear as semelhanças e diferenças culturais que constituem a diáspora negra das Américas. |
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| CONQUISTA DA PALAVRA E VOZ: A BUSCA
DE UMA IDENTIDADE NOS CONTOS DOS "CADERNOS NEGROS" por Rosa Maria Santos Mundim Resumo Pela análise de contos do livro Cadernos Negros (1998), investiga-se quem é esse negro que agora, diferentemente do que acontecia no passado, tem oportunidade de falar em seu próprio nome e afirmar sua identidade. Os primeiros cadernos surgem em 1978, quando o movimento negro se reorganiza e busca mostrar sua voz. Após a publicação de vários números, troca de componentes e criação do grupo Quilombhoje (em 1980), surge a idéia de editar dois volumes com as melhores produções já escritas: Cadernos Negros: Os melhores contos. Nele, escritores de diversas regiões do país tentam mostrar a face real do negro brasileiro em relatos de experiências, como afirma na Introdução o escritor Cuti: “A criação de personagens e situações, empregando como referencial a vida presente, se contrapõe à prática e condicionamento nefasto de situar a afro-descendência, no Brasil, tão-somente em um passado escravo, tornando-o invisível no presente.” Pretende-se observar também como os autores se colocam em relação à expressão escrita, com usos tão variados como da linguagem tradicional ou cinematográfica, oralidade e revisitação de clássicos. |
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| NARRATIVA DE MEMÓRIA E IDENTIDADE
AFRICANA: OS OLHARES DA INFÂNCIA EM "A CIDADE E A INFÂNCIA" DE LUANDINO
VIEIRA E "BOM DIA CAMARADAS" DE ONDJAKI por ROSILDA ALVES BEZERRA Resumo Os contos de “A cidade e a infância” (1960), de Luandino Vieira anunciam o contexto de pobreza na paisagem urbana e marginal de Luanda e foram inspiradas na infância do próprio autor. A escrita literária une-se a oralidade pronunciada da narrativa, marcando a relação e a tensão entre a diversidade étnica e a crítica da modernização excludente, além das diferenças e as rupturas sociais provocado pelo regime colonial. “Bom dia camaradas” (2006), de Ondjaki, é narrado por uma criança que destaca seu cotidiano em Luanda e o convívio com os amigos e os professores cubanos que lecionavam na escola. Neste sentido, observa-se o relato do eu interior, as memórias afetivas, a infância durante e depois da cidade, nos anos de 1980. O objetivo dessa proposta é destacar de que forma os escritores Luandino Vieira e Ondjaki, em suas narrativas de memórias, constroem a identidade africana em visões que oscilam entre a realidade e a ficção, a cidade e as suas questões sociopolíticas, a tradição e a modernidade. Utilizaremos para a discussão teórica o conceito de memória (HALBWACHS, 2004); de narrativa (BENJAMIN, 1994; 1993); e de identidade (BAUMAN, 2005; HALL, 2004; POLLACK, 1992). |
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| Por uma poética da diferença: a
escrita quilombola de José Carlos Limeira por Zoraide Portela Silva Resumo Este trabalho tem por objetivo o estudo dos textos do escritor contemporâneo afro-brasileiro José Carlos Limeira – exemplo maior da geração de escritores militantes negros que começaram a produzir na década de setenta do século XX. A análise de sua obra literária visa a construção das identidades afro-brasileiras que se formam através dos “lugares da memória” construídos de modo a evidenciar as especificidades de um espaço da “margem” que busca ressaltar as marcas de suas heranças africanas e torná-las produtivas para seus projeto político-literário. Os textos de José Carlos Limeira revelaram-nos a história de resistência do quilombo de Palmares e da religiosidade afro-brasileira, que engrandecem o povo numa dinâmica que lhe possibilita a construção de uma memória coletiva e a disposição para lutar e atuar nos vários setores do poder. |
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