| ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS NA NARRATIVA CONTEMPORÂNEA EM LÍNGUA PORTUGUESA |
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Coordenadores Profa. Dra. Dalva Calvão (UFF) Profa. Dra. Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira (UFF) Profa. Dra. Cristina Maria Paes dos Santos (FFSD) |
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Resumo: A narrativa em língua portuguesa das
últimas décadas vem se constituindo como um espaço de experiências discursivas
abrangentes, através das quais não apenas se redimensionam as vivências
históricas específicas dos países lusófonos, como se evidenciam as relações
dessas culturas com comportamentos, preocupações e angústias da sociedade
contemporânea em sentido amplo, num movimento que se abre ao universal e
que impede o estrangulamento auto-referente. Tal abrangência temática se
corporifica em escrituras de igual dimensão, em que se configuram procedimentos
reveladores de tendências estéticas contemporâneas, situadas para além de
fronteiras geográficas, dentre os quais avultam a releitura da tradição,
a consciência crítica sobre o estatuto do fazer artístico, o exercício intertextual,
a diluição de fronteiras entre os gêneros, o uso inovador do material lingüístico,
a perspectiva irônica. Tendo em vista tais pressupostos, o objetivo deste
simpósio é estabelecer um espaço para a exposição e análise de narrativas
em língua portuguesa – com ênfase nas literaturas portuguesa e africanas
de língua portuguesa - em que tais e outros procedimentos textuais se manifestem,
indagando em que medida eles materializam questões próprias da contemporaneidade,
como a crise do sujeito, a perda das utopias, a negação da transcendência,
a elaboração de novas estratégias de convivência e de sobrevivência. De
modo particular, interessam-nos as discussões em torno de narrativas em
que se configuram vínculos com a estética barroca e aquelas em que se problematizam
as relações entre a escrita e a subjetividade. " Subtema: Gêneros literários: fronteiras e ambigüidades |

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| As estratégias do sujeito problemático na ficção de Augusto Abelaira, de 1963 a 1979
por Acácio Luiz Santos Resumo O auge do experimentalismo na ficção portuguesa (anos 60 e 70) ocorreu em um momento de mudanças terríveis nos paradigmas de engenharia social. A carga de informações contraditórias, filtradas pelo viés ideológico dos grandes agentes político-sociais, reflete-se na arte ficcional pela representação simultânea de uma dupla suspeita: de um lado, a suspeita do indivíduo em relação à História enquanto palco viabilizador da ordenação do ser; do outro lado, a suspeita do indivíduo em relação a si próprio, em função de sua inautenticidade intrínseca. A ficção de Abelaira, de As boas intenções a Sem tecto entre ruínas, procurará representar esta dupla suspeita por meio de técnicas experimentais capazes de articular sua particular tensão, em que a ordem da narrativa corresponde à desordem do ser e à perda da transcendência. |
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| Uma reflexão sobre as estratégias discursivas de Inês Pedrosa em seu romance "Fazes-me Falta".
por Alcindo Miguel Martins Filho Resumo Pretendemos explorar dentro do romance "Fazes-me Falta", de Inês Pedrosa, o lugar possível às concepções de "desespero", conforme Kierkgaard, e de "pensamento", através de Julia Kristeva leitora de Hannah Arendt, como itens de uma estratégia narrativa inserida no trágico contemporâneo. |
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| Remexendo nas gavetas do indizível
por ALESSANDRA MAGALHAES Resumo O projeto de escrita na obra do escritor português António Lobo Antunes apresenta-se como uma tentativa de resgate dos sentidos, dos sentimentos, do tempo perdido, da memória, ainda que este resgate se dê através da interrogação do mundo. No romance Exortação aos crocodilos, testemunham-se os acontecimentos pós 25 de Abril, estabelecendo-se uma relação direta entre a literatura, entendida como ficção, e o "real". Na narrativa focaliza-se um acontecimento específico da História: o caso Camarate. O autor trabalha sobre este material, que ainda é uma interrogação, escrevendo um romance nas fendas da História, no qual quatro vozes femininas narram suas experiências. Ao mesmo tempo em que estão relatando a própria vida e construindo a sua memória, as quatro mulheres refazem o percurso da História e constroem uma memória coletiva. A palavra aparece, portanto, como construção de uma nova "realidade", que só pode ser testemunhada, ou seja, só se pode dar fé, a partir da ficção. Tomando os ensinamentos de Jacques Derrida, podemos dizer que, como o arconte grego, António Lobo Antunes marca o seu livro como uma nova morada. Nele, os "arquivos" estão consignados, guardados e interpretados. |
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| SÁTIRA, UTOPIA E DISTOPIA EM "O CÃO E OS CALUANDAS" DE PEPETELA
por Aulus Mandagará Martins Resumo Pretende-se destacar as articulações intertextuais entre O cão e os caluandas de Pepetela e a tradição luciânica, em sentido amplo, ou, mais especificamente, com a sátira menipéia, diálogo que se estabelece pela utilização de vários elementos estruturais ou temáticos (presença do riso, uso constante de gêneros intercalados, multiplicidade de estilos e de vozes), mas também, e, sobretudo, pela dimensão “política” que o texto deliberadamente assume. Escrito no período em que Pepetela foi Ministro da Educação (1978-80), O cão e os caluandas, publicado em 1985, é um retrato mordaz dos primeiros anos da República de Angola, em que o cruzamento do riso e da melancolia configura o choque do sentimento da utopia e da percepção distópica da realidade pós-independência. Neste sentido, trabalha-se com a hipótese de que o diálogo do texto de Pepetela com a tradição luciânica evidencia tanto as estratégias narrativas mobilizadas pelo escritor em sua (re)criação de uma Luanda em metamorfose, quanto os impasses ideológicos decorrentes dessa leitura, bem como a consolidação de uma “voz angolana” pós-colonial. |
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| Por entre "serpentinas de prosa": dicções barrocas em Camilo Broca,de Mário Cláudio.
por Dalva Calvão Resumo A recriação ficcional de vidas de artistas e a elaboração de uma escrita de tons barrocos já se configuram como marcas da produção de Mário Cláudio, mais uma vez presentes em Camilo Broca (2006), em que, por entre citações de sua obra, é em parte refeito o percurso existencial de Camilo Castelo Branco. Reiterando afirmações críticas anteriores e considerando que procedimentos da estética barroca ultrapassaram seu momento histórico e podem ser percebidos em produções de variadas épocas, pretendemos, nesta comunicação, a partir de alguns recortes efetuados no tecido narrativo do romance mencionado, analisar certas estratégias utilizadas pelo autor - tais como o investimento imagético, os desdobramentos discursivos, a descentralização da voz narrativa, os excessos verbais -, evidenciando possíveis relações entre a escrita de Mário Cláudio e a linguagem barroca, buscando, ao mesmo tempo, perceber em que medida tais relações remetem a questões freqüentemente retomadas por parte significativa de pensadores e artistas contemporâneos. |
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| "A Subjetividade como construtora da percepção crítica dos personagens em 'Paisagem com mulher e mar ao fundo' de Teolinda Gersão"
por Daniela Aparecida da Costa Costa Resumo Teolinda Gersão é um dos grandes nomes da Literatura Portuguesa Contemporânea, uma literatura que rompeu as amarras e despontou em Portugal após a Revolução dos Cravos, que trouxe de volta a democracia ao país, após 48 anos de um regime fascista comandado por Oliveira Salazar. Estreou como escritora com o romance O Silêncio, em 1981, em seguida, em 1982, publicou Paisagem com mulher e mar ao fundo, romance que constitui meu objeto de estudo; além dessas duas obras escreveu vários outros romances e contos. Paisagem com mulher e mar ao fundo, segundo os críticos a obra mais política da autora, além de trazer uma relação entre ficção e história, temas políticos que envolvem a Ditadura Salazarista e a Revolução dos Cravos, traz-nos, também, um trabalho muito bem apurado com a escrita. Há uma mistura entre prosa e poesia, que é marcada pela presença da subjetividade, em que temos um afloramento do interior das personagens (fluxo de consciência) que nos vai dando o desenrolar do enredo, pelos espaços em branco, períodos iniciados com letra minúscula, entre outros recursos estilísticos que conferem à obra originalidade e poeticidade. Dessa forma, pretendo desenvolver uma análise dos elementos ficcionais utilizados pela autora na composição desse romance, em especial da subjetividade e do fluxo de consciência, com o objetivo de demonstrar que esses elementos são os construtores da percepção crítica dos personagens, enquanto cidadãos portugueses, da realidade dos problemas político-sociais vividos em Portugal durante a Ditadura Salazarista e a Revolução dos Cravos. Esse trabalho se justifica no âmbito dos estudos de Literatura Comparada, pois vai permitir que se realize um estudo sob um novo olhar sobre a história de Portugal: o da subjetividade dos personagens, cujos resultados demonstrarão o valor literário da obra e da escritora em questão. Além de contribuir para o conhecimento da ficção contemporânea Pós Revolução dos Cravos. |
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| TEATRALIZAÇÃO DO CORPO (TAMBÉM) LINGUAGEM EM “EXORTAÇÃO AOS CROCODILOS”
por Débora de Moraes Queiróz Resumo A escrita de Lobo Antunes, em especial focalizando-se o romance Exortação aos Crocodilos (1999), configura-se como lugar de tensão, que, em nosso trabalho, vislumbramos ler à luz de contornos neobarrocos. Tais contornos serão estudados com base, majoritariamente, nas postulações de Omar Calabrese, estudioso italiano defensor da presença, na contemporaneidade, de objetos culturais (literatura, cinema, arquitetura, entre outros) que se mostram como formas evocativas do Barroco, por ele estudado sob o viés da analogia, e não como retomada literal desse período. Importa-nos observar essa escrita em tensão, mas salientando-se, prioritariamente, o jogo cênico nela desenvolvido ─ não somente nos corpos das personagens, mas também (e em especial) no corpo da linguagem eminentemente laborada pela maestria antuniana. Nesse viés, Exortação aos Crocodilos pode ser perscrutado como um romance em que avultam aspectos neobarrocos como fragmentação, ruína, descentralização discursiva, que concorrem para ratificá-lo como um texto semântica e graficamente em mosaico, que se mostra e se quer lacunar. Dessa atmosfera descentralizadora, de verdades dissolvidas, de homogeneidades rompidas emergem sentimentos como o vazio, a incompletude e a melancolia presentes não só no que concerne às personagens, mas também a toda a construção temática e estrutural do romance. |
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| Narcisismo discursivo e metaficção em Lobo Antunes: uma leitura de "Não entres tão depressa nessa noite escura"
por Diana Navas Resumo Propõe-se verificar como se processa a confluência dos gêneros lírico e épico no romance Não entres tão depressa nessa noite escura, de António Lobo Antunes, bem como evidenciar o que, de fato, configura a sua poeticidade. Tendo por eixo o trabalho realizado pelo autor com e na linguagem, visa-se a demonstrar como este romance constitui-se, de acordo com os conceitos desenvolvidos por Hutcheon, em uma metaficção, em uma obra que alerta para seu processo de construção, ou ainda, para uma espécie de narcisismo discursivo. Considerando-se que o trabalho com a linguagem é tema central do romance e também princípio básico de sua construção, verifica-se como o romance antuniano, um romance em processo, põe em evidência sua poeisis escritural, escapa das rígidas classificações das formas tradicionais de narrativa, abrindo caminho para uma nova forma de narrar, ou ainda, para uma nova concepção de gênero narrativo, já que nele o lírico e o épico se conjugam e até se fundem. Demonstra-se, também, como, sempre via linguagem, o romance antuniano aponta para um retrato do homem e do mundo contemporâneos: retrato múltiplo, fragmentado, cujos pedaços fazem parte de um esforço de desconstrução/reconstrução, na busca de um possível resgate de uma hipotética totalidade perdida. |
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| De Brandão a Abelaira: um tempo de desesperança
por Edimara Luciana Sartori Resumo A comunicação tem como objetivo analisar o romance Sem tecto, entre ruínas, de Augusto Abelaira, sob a perspectiva das mudanças históricas ocorridas, sobretudo, na segunda metade do século XX. O romance abelairiano simboliza um espaço marcado pela sensação de mal-estar e insatisfação que corrói qualquer propósito de realização, seja ela de ordem pessoal ou coletiva. Retirando o mote do romance das Memórias, de Raul Brandão, Abelaira cria uma obra de ficção que reflete os anseios e angústias de homens incapazes de realização e que pensam e pesam tanto seus atos e negligências como os rumos da História desse conturbado século XX. Ao explicar a gênese do romance no posfácio – inscrito no próprio romance -, o autor sugere a hibridez da obra e problematiza o próprio ato da escrita e o produto obtido, mesclando aos sentimentos do autor (real) as frustrações da personagem-protagonista, aos anseios e dúvidas da personagem a visão cética e crítica da realidade que o próprio escritor vive. |
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| Contos portugueses nos tecidos do contemporâneo
por Jane Rodrigues dos Santos Resumo A partir da leitura de contos portugueses contemporâneos, especialmente aqueles marcados pela diluição das fronteiras que divisam este gênero de outros (romance, poesia, diários ficcionais), o trabalho ora apresentado propõe a análise de recursos narrativos que concedam destaque à figura textual e semântica do leitor. Neste âmbito, reflete a respeito do seu lugar em meio a histórias de desconstrução das certezas cartográficas subjetivas, bem como de reconstrução de possibilidades dialógicas entre o texto literário e as demais ficções da realidade. |
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| Multiplicidade de vozes e ironia em O manual dos inquisidores, de António Lobo Antunes
por Luiza Minnemann Conrado Resumo A ficção antuniana, caracterizada por ter na enunciação sua grande força motriz, é considerada uma das mais impactantes e agressivas da contemporaneidade portuguesa. Lobo Antunes faz uso constante de recursos como a ironia e a polifonia na construção de seu discurso, que pode ser percebido como algo delirante e que, com o passar dos anos, tem adquirido um caráter cada vez mais lírico. A proposta deste estudo é mostrar, a partir de conceitos de teóricos como Linda Hutcheon, Mikhail Bakhtin e Roland Barthes, o desenvolvimento destes dois recursos em O manual dos inquisidores (1998). |
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| A ILUSÂO DA APARÊNCIA NO CORPO DA PALAVRA: "Que farei quando tudo arde?"
por Maria Cristina Chaves de Carvalho Resumo Esta comunicação propõe algumas reflexões, de acordo com a perspectiva neobarroca, acerca do livro Que farei quando tudo arde?, de António Lobo Antunes, investigando de que maneira o artifício – recurso engenhoso da técnica narrativa – pode funcionar como o que José Manuel de Vasconcelos, ao se referir a Severo Sarduy, considera a revelação de uma “escrita hermafrodita”. As personagens do romance são atores que se caracterizam pela performance de si mesmos, pela ambigüidade e pelo poder de transformação, apresentando um mundo de metamorfoses, de duplos, de luz e sombra. |
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| O animal que somos: interações identitárias na prosa contemporânea de língua portuguesa
por MARIA LÚCIA WILTSHIRE DE OLIVEIRA Resumo No bojo de uma reflexão sobre o sujeito e a escritura, parece-me instigante buscar compreender a consideração do animal como ser dotado de estatuto semelhante ao do homem. Desde a Odisséia, a representação do animal na literatura tem servido de espelho ao homem e, não poucas vezes, o animal é alvo de uma adoração que o leva à condição de protagonista, sendo idealizado com qualidades humanas. No entanto, meu propósito é abordar a condição humana como necessariamente animal e daí como identificada ao animal, como vemos na ficção de Maria Gabriella LLansol e Clarice Lispector. Escrever o animal desta forma é escrever o sujeito no projeto de uma humanidade que busca transcender suas limitações ontológicas, irmanando-se a ele em imanência e transcendência. É reverter o papel da suposta dominação do homem sobre a natureza, abrindo-se espaço para uma ecofilosofia. |
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| SOB DOIS ÂNGULOS DE VISÃO: AS ANAMORFOSES DO DISCURSO ANTUNIANO
por Regina Celia da Silva Resumo Suspender é uma palavra polissêmica que, em quase todos os seus sentidos, pode-se atribuir à Literatura. Afinal, no que difere um texto jornalístico de um texto literário, se não for a capacidade deste último de elevar o leitor a um estado de instabilidade? Ao menos, na esfera do pensamento contemporâneo, o que se espera de um poema ou de um romance, é que este ou aquele possa nos fazer desviar dos cursos normais do sentimento, movimentar nossos ânimos internos para a formulação e reconstrução de idéias que circundam o que vem a ser o que somos e o que referencia nossas vidas. No entanto, neste texto, e em modo particular, os sentidos da palavra citada tomam forma numa estética cultural – o (neo)barroco. Sob esta perspectiva, o livro Exortação aos Crocodilos (1999), de António Lobo Antunes, torna-se o tecido investigativo desta comunicação, uma vez que dentre os efeitos de suspensão do romance destacamos a anamorfose re-significada como artifício de construção da narrativa. O olhar volta-se para uma escrita elaborada por estratégias discursivas representadas pelo virtuosismo e pelo descentramento da forma, do conteúdo, e da linguagem, aproximando a palavra do escritor a um retrato do nosso tempo. |
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| ORION, O JOGO LABIRINTICO DE MARIOCLAUDIO
por Rita Santos Resumo Esta comunicação propõe uma leitura do livro Oríon, de Mario Cláudio, a partir de alguns conceitos do Neobarroco, privilegiando, sobretudo o caráter lúdico e labiríntico de uma escrita construída numa tessitura retorcida, híbrida, babélica e polifônica, na qual se evidencia a sobreposição de “camadas”, trabalhosas de serem recuperadas em sua origem, tal o amálgama a que são expostas às diversas realidades sociais, culturais e lingüísticas. Tais características, em nosso entendimento, se constituem um modo de enfrentamento com a diversidade discursiva, legitimadora de saberes cristalizados. |
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| Clarice Lispector e Anton Tchekhov: um estudo comparado
por Roberto Daud Resumo As sucessivas edições, como também as várias traduções, de Laços de Família é um dado revelador da preferência do público leitor por esse livro de contos de Clarice Lispector. Com a intenção de desenvolver um estudo mais amplo dessa obra, decidimos inicialmente realizar um estudo comparado do conto “Uma galinha” e o de Anton Tchekhov, intitulado “O acontecimento”. Pretendemos, a partir dessa comparação, mostrar não apenas as semelhanças temáticas entre os dois contistas, mas, sobretudo, as suas diferenças quanto ao tratamento literário dos acontecimentos narrados. O intuito fundamental desse estudo é o de chamar a atenção para a estreita relação com a realidade brasileira das imagens e do modo narrativo do conto clariciano. |
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| As Naus do Discurso em Antonio Lobo Antunes
por Silvana Oliveira Resumo Antonio Lobo Antunes, em seu romance As Naus, de 1988, propõe uma releitura da tradição de louvor às glórias marítimas de Portugal de modo a inserir a África no novo contexto das relações políticas e sociais do século XX. A África sempre desprezada por Portugal é apresentada no romance em seu momento de fúria, quando se dá a chamada Guerra Colonial, entre 1961 e 1974. O romance traz para o século XX as figuras representadas no discurso épico do registro das viagens pelo mar e as atualiza na história de Portugal, ao encenar o desfecho trágico da colonização africana, com destaque para Angola, principalmente. Interessa nessa comunicação discutir as estratégias de dialogismo e polifonia que tornam possível que o sentido épico das navegações ganhe o contorno contemporâneo do discurso híbrido dos colonizadores expulsos pelos colonizados em um contexto problemático de inversão e subversão de papéis. As várias personagens do período de glórias ultramarinas, como Luis de Camões e Vasco da Gama, entre muitos outros, retornam ao cenário português, agora no papel de portugueses expulsos das colônias africanas pela ânsia de liberdade e vingança vivida pelos nativos. O discurso dessas personagens não é mais o discurso da autoridade épica e sim o discurso subversivo que reavalia o passado, mesclando os tempos e os lugares do poder nacional. |
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| O alegórico em Antes do Degelo, de Agustina Bessa-Luís
por Viviane Vasconcelos Resumo Para o filósofo alemão Walter Benjamin, a alegoria no Barroco, enquanto procedimento estético, é a possibilidade de denúncia da fragmentação do real, é a sua redenção, recuperação de uma perda original. A morte é a grande fantasmagoria barroca, uma das suas principais formas de representação que evidencia uma visão do mundo na sua decadência, sob a ótica da perda da experiência autêntica. Em Antes do Degelo, romance de 2004 de Agustina Bessa-Luís, inspirado em Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, a morte apresenta-se como fio condutor da construção romanesca, seja por meio do tema, seja por meio da dissolução do real e do homem da qual a linguagem é testemunha. |
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| Escrevivências que se vão da lei da morte libertando
por Cristina Maria Paes dos Santos Resumo A travessia empreendida pelas imagens que surgem a cada movimento de escrita de Maria Gabriela Llansol ilumina lugares outros de apreensão de vivências, traçando não só cartografias de "encontros de confrontação que não se deram", mas também disponibilizando interlocuções que, partindo da ordem de um quotidianamente vivido, acabam por fazer parte, antes diríamos, de um peculiar ESCRE-VER-VIVIDO, onde se entrecruzam afetos, vozes, visões e silêncios que ressoarão por diferentes obras, num movimento compulsivo de significações jamais esgotado na relação escrevente/legente. O objetivo do presente trabalho é refletir como as escrevivências llansolianas, instaurando a rasura do biográfico e convocando o mundo para além de sua representação ou exposição, acolhem constantemente o vivo que nasce e renasce da infinita possibilidade de fulgorização a que o movimento da textualidade dá acesso. O Vergílio, o Augusto, a Gabriela - eis algumas das figuras que abordaremos enquanto escre-viventes de uma escrita que, sobretudo, liberta. |
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