| ARQUIVOS DA MEMÓRIA LITERÁRIA E CULTURAL DA AMÉRICA LATINA |
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Coordenadores Prof. Dr. Carlos Alexandre Baumgarten (FURG) Prof. Dr. Luiz Roberto Velloso Cairo (UNESP/CNPq) |
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Resumo: O Simpósio "Arquivos da Memória Literária
e Cultural da América Latina" tem por objetivo refletir sobre questões fundamentais
da literatura e da cultura latino-americana como: revisão do sintagma lingüístico
procurando avaliar os usos da linguagem enquanto invenção e criação; análise
de textos que recuperem diferentes imagens das Américas; discussão da tradição
crítica e da historiografia literárias nas Américas, focalizando seus métodos,
objetivos e conclusões; resgate de fontes; levantamento e discussão de material
literário publicado em livros, periódicos, jornais e manuscritos; análise
de obras canônicas e não-canônicas. " Subtema: Gêneros literários: fronteiras e ambigüidades |

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| Idéias Críticas: revista "Guanabara" (1849-1856)
por Benedita Cássia Lima Sant'Anna Resumo O exercício crítico como tentativa de elaborar um julgamento baseado “em padrões pré-determinados: estéticos e históricos” (Lopes, 1978:18), teve início no universo da literatura brasileira por intermédio de textos de autoria de Justiniano José da Rocha, publicados nas páginas da “Revista da Sociedade Filomática” (1833). Mas, foi continuado pelos colaboradores de publicações literárias lançadas posteriormente como a “Niterói-Revista Brasiliense” (1836), a “Minerva Brasiliense” (1843-1845) e a “Guanabara” (1849-1856), a qual, seguindo os passos de suas antecessoras publicou - além das resenhas anônimas e dos textos apenas noticiosos - textos em que o exercício crítico aparece mais elaborado: como uma tentativa consciente de formular um julgamento coerente aos aspectos apresentados pela obra, ou pelo assunto discutido. Assim, na comunicação intitulada “Idéias Críticas: revista ‘Guanabara’ (1849-1856)”, pretendo analisar tais textos procurando divulgar as idéias neles inseridas, bem como demonstrar ao leitor atual como o juízo de valor se estabelece nos textos críticos impressos na revista. |
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| LITERATURA E CINEMA: TENSÃO E DISTENSÃO
por BENEDITO JOSE ARAUJO VEIGA Resumo A presente comunicação reflete e dimensiona sobre questões culturais latino-americanas, nos meados do século passado, sobretudo a partir das permutas entre as artes e as mídias. Por exemplo: as narrativas centradas no tema de Dona Flor e seus dois maridos, tanto a literária de Jorge Amado quanto aquel´outra e cinematográfica de Bruno Barreto, são interpretadas como contextualizações de usos diferenciados das linguagens, quer da escrita quer da plástica. A preocupação com a história / enredo adaptada(o) passa pela mudança quantitativa do público receptor: da relativa privacidade do leitor em sua individualidade de leitura para a fluência coletiva do espectador em salas de exibições fílmicas. Os processos de invenção / criação bem como os de transferência de códigos são revisitados e submetidos a validações, encarando-se, por igual, os jogos de tensões / distensões existentes no diálogo literatura versus cinema. Os textos canônicos, ora analisados, são tomados como modos de recuperação de diferentes memórias do homem em seu lócus tropical nas terras da América do Sul e submetidas ao ex-colonialismo europeu. |
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| Augusto Meyer e a leitura da obra machadiana
por Carlos Alexandre Baumgarten Resumo Augusto Meyer foi um atento e constante leitor de Machado de Assis, cuja obra passa a estudar, quase sem intervalos, desde 1922, quando publica “As idéias de Brás Cubas”, texto divulgado em dois números sucessivos de O Exemplo, periódico de Porto Alegre. Ao primeiro ensaio, segue-se “Machado de Assis e a alma contemporânea”, veiculado no Diário de Notícias, também de Porto Alegre, em novembro de 1925. Após os textos primeiros sobre a obra machadiana, Meyer publica, em 1935, obra de maior fôlego: trata-se de Machado de Assis, livro constituído de nove capítulos dos quais emerge um crítico não mais movido pelo impressionismo dos trabalhos iniciais, mas voltado para a utilização da crítica de feição psicológica. A investigação da obra machadiana tem continuidade nos anos subseqüentes em inúmeros ensaios que, reunidos sob o título “Presença de Machado de Assis (1938-1958)”, constituem a segunda parte do livro Machado de Assis (1935-1958), publicado pela Livraria São José, do Rio de Janeiro. A presente comunicação tem, nessa perspectiva, o objetivo de apresentar a crítica de Meyer no que diz respeito à leitura da produção machadiana, apontando como elemento unificador do conjunto de seus ensaios o caráter comparatista que o caracteriza. |
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| AS IRMÃS MIRABAL: LITERATURA E MEMÓRIA
por Cecil Jeanine Albert Zinani Resumo A literatura de autoria feminina produzida na América Latina estabelece relações significativas com a história, na medida em que questiona a própria escritura da história, vista como produto de uma cultura hegemônica e androcêntrica. Não se trata de incluir o elemento feminino na história já escrita, mas de repensá-la a partir da perspectiva da mulher. Dessa maneira, pretende-se estudar a representação da ditadura, fenômeno que atingiu boa parte do continente entre os anos sessenta e oitenta do século XX, através do livro No tempo das borboletas, de Julia Alvarez. Nessa obra, a ditadura de Trujillo é examinada do ponto de vista de suas vítimas mais célebres, as irmãs Mirabal, recuperando, através da literatura, uma imagem muito significativa da América Latina. |
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| O papel da Revista do Livro no sistema político e social brasileiro
por Claudiner Buzinaro Resumo A presente comunicação pretende discutir o papel que desempenhou a Revista do Livro (1956-1970) enquanto veículo do sistema dominante, uma vez que surgiu com a função específica de divulgar a ideologia do INL - Instituto Nacional do Livro. Como multiplicador das transformações por que passou o Estado, o INL, órgão oficial do governo, criado em 1937, exerceu, inicialmente, o papel de porta-voz da ideologia fascista do Estado Novo, tendo sido, durante a Ditadura Militar, reduzido a um mero aparelho repressor. A Revista do Livro como veículo de divulgação do INL constitui portanto um campo fértil para o estudo do papel dos intelectuais e das transformações sociais e políticas do Brasil no século XX. |
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| Machado de Assis e seus versos: um passeio guiado pelo instinto de americanidade
por Fabiana Gonçalves Resumo A representação da paisagem americana, do indianismo, do nacionalismo, a expressão do sentimento de posse da América, e a exaltação do continente americano em textos literários estão entre os mais marcantes traços do instinto de americanidade. A presença de uma e/ou outra dessas características concede a obras nacionais de diferentes tempos a chamada feição americana. Machado de Assis, escritor reverenciado principalmente por sua produção em prosa, possui também uma extensa obra em verso e, dentre todos os poemas publicados pelo poeta, pensando aqui não somente naqueles reunidos em livros, pode-se dizer que há poemas líricos, poemas religiosos, poemas narrativos e, unindo-se a todos esses, os poemas americanos. Assim, propõe-se neste trabalho uma apresentação da obra em verso de Machado de Assis, buscando, paralelamente, registrar em alguns de seus poemas os traços que evidenciam esse instinto e retratam, por conseguinte, a América. |
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| Margens e limites na ficção: caminhos da prática intercultural
por HELENA HELOISA FAVA TORNQUIST Resumo Em criações ficcionais dos uruguaios Acevedo Diaz e Yamandú Rodriguez, bem como de Simões Lopes Neto, Ivan Pedro Martins e Sergio Faraco, que falam do “entre-lugar” do sul da América Latina, confirma-se o conceito de texto como rede de conexões. A tessitura de vozes resultantes do entrecruzamento do legado tradicional com vivências pessoais reconstrói o cotidiano do homem simples do campo e, ultrapassando paradigmas literários e lingüísticos distintos, evoca a história da região, marcada por conflitos desde a colonização. Nestes textos, margens e limites presentes no cotidiano revestem-se de carga simbólica: é marcante a presença dos rios que demarcam a linha de fronteira, de verdejantes planícies, cenários de antigas lutas e combates e mesmo de patrulhas militares – ameaças que segregam ou aniquilam. Divisores físicos, entretanto, não separam esta marca comum: o modus faciendi do homem que vive no campo, seus costumes e linguajar e que, independente da nacionalidade, sabe interagir com o ambiente natural do chamado Bioma Pampa. Precedendo os avanços tecnológicos da globalização, o imaginário desta região, há muito, já integrava a diferença na multiplicidade dos possíveis narrativos. |
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| Figuras del intelectual modernista: la construcción del “yo” en la correspondencia de Mário de Andrade con Manuel Bandeira
por Karina Vasquez Resumo En la presentación de los trabajos reunidos en La correspondance. Les usages de la lettre au XIXe siècle, Roger Chartier señala que en nuestros días, una historia cultural redefinida por la búsqueda de una articulación entre prácticas y representaciones, encuentra en el gesto epistolar un material privilegiado a la hora de analizar cómo “cada grupo vive y formula a su manera ese problemático equilibrio entre el yo íntimo y los otros”. En esta ponencia, nuestro objetivo es analizar cómo se desenvuelve ese problemático equilibrio en la correspondencia de Mário de Andrade, en particular, aquella sostenida con Manuel Bandeira. Ciertamente, Mário diseñó toda una red de contactos a través de la correspondencia, pero en la medida en que esa red no estuvo sostenida institucionalmente; estudiar los movimientos, los modelos de amistad, el modo particular cómo circula, se socializa y se comparte la intimidad puede iluminar la comprensión del nuevo modelo de intelectual que Mário construye para sí mismo y que, en definitiva, terminó siendo identificado como el paradigma del intelectual modernista. |
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| José Veríssimo e o instinto de americanidade da literatura brasileira
por LUIZ ROBERTO VELLOSO CAIRO Resumo Esta comunicação faz parte de um projeto maior que venho desenvolvendo sobre o instinto de americanidade, sentimento de pertença e exaltação ao continente americano nos textos dos críticos brasileiros do século XIX. Tendo já abordado a americanidade, numa etapa anterior, da forma como se expressa nos textos dos críticos românticos, pretendo analisá-la como se expressa em textos dos críticos da geração de 70 do século XIX, formada por Sílvio Romero, Araripe Júnior, José Veríssimo, Capistrano de Abreu, Manoel Bonfim, dentre outros. Neles, a americanidade apresenta-se não mais no sentido de apenas estar na América, mas como busca da unidade pan-americana. Nesta comunicação serão analisados, particularmente, textos do crítico José Veríssimo. |
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| A LONGA DURAÇÃO NA FICÇÃO HISTÓRICA CONTEMPORÂNEA
por MARILENE WEINHARDT Resumo Recorte de um trabalho maior que busca sistematizar a ficção histórica brasileira das duas últimas décadas do século XX, neste momento apresenta-se e caracteriza-se uma categoria à qual se pode aplicar o conceito de longa duração, emprestado de Fernand Braudel. São romances que ficcionalizam um tempo que cobre várias gerações. Discute-se a propriedade de acolhê-los na modalidade romance histórico, a despeito de confrontarem algumas das teorias correntes sobre esse gênero, particularmente em relação à temporalidade e ao herói. Da produção romanesca do período, cerca de uma centena de títulos podem ser lidos como romances históricos. Destes, cinco títulos cabem no conjunto que proponho denominar “Romances de longa duração”, a saber: Viva o povo brasileiro (1984), de João Ubaldo Ribeiro; Mil anos menos cinqüenta (1995), de Ângela Abreu; Sonata da última cidade (1988), de Renato Modernell; A mão esquerda (1996), de Fausto Wolff; e A República dos bugres (1999), de Ruy Tapioca. A proposta é confrontá-los, tendo em vista os aspectos mais característicos da ficção histórica, observando convergências e distanciamentos. |
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| As relações luso-brasileiras na imprensa periódica paulista (1900-1922).
por Rosane Gazolla Alves Feitosa Resumo Esta comunicação pretende contribuir para o estudo da historiografia da literatura luso-brasileira do período pré-modernista (1900-1922) por meio de reflexões acerca da presença da cultura e literatura portuguesas em alguns periódicos paulistas, tendo em vista o estudo de Antonio Candido (Literatura e sociedade, cap.7). Neste capítulo, este esclarece a ligação entre produção literária e vida social, volta-se para a cidade de São Paulo e focaliza o papel das formas de sociabilidade intelectual e sua relação com a sociedade como forma de caracterizar as etapas da literatura brasileira, produção esta manifesta na atividade dos profissionais liberais, nas revistas, nos jornais. |
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| A atuação de mulheres de letras oitocentistas: locus de resistência no processo cultural-literário
por Salete Rosa Pezzi dos Santos Resumo Idéias importadas da Europa, no século XIX, influenciaram sobremaneira o ethos social oitocentista sul-rio-grandense e a formação de estereótipos relativos à educação feminina, tornando-se evidente o processo de invisibilidade ao qual o sujeito feminino esteve submetido. Nesse contexto, mulheres de letras e das artes em geral enfrentaram grandes dificuldades para realizarem um trabalho intelectual e, apesar de todo o esforço, não encontraram espaço para o reconhecimento dessa produção. Entretanto, estudos atuais atestam quanto foi significativa a atuação dessas escritoras, podendo-se acreditar que sua ação teria significado um locus de resistência no processo cultural-literário nacional do século XIX e início do XX contra o enfrentamento daqueles que julgavam a mulher inapta para o trabalho intelectual. Com o interesse voltado para mulheres de letras oitocentistas sul-rio-grandenses, este trabalho busca examinar qual a importância da práxis dessas escritoras no cenário das letras do Rio Grande do Sul. |
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| Exercícios do olhar: para aquém e para além da mesma história tantas vezes lida
por Tânia Regina Oliveira Ramos Resumo Desde o século XIX, a unidade lingüística é ponto de partida da soberania nacional. Se, por um lado, a Lei de 24 de abril de 2002 sanciona a Língua Brasileira de Sinais – Libras – como meio legal de comunicação; por outro, no parágrafo único consta: “Libras não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa”. Em 2007, criou-se o Curso de Letras Libras sediado na UFSC com articulação em mais dez universidades federais, e a disciplina Introdução aos Estudos Literários inicia o Curso. Mas, afinal, qual a literatura que se deve introduzir? Que memória cultural pode ser apreendida por universitários surdos, cuja relação com a fala e os conteúdos selecionados pelos professores de Literatura é mediada pelo gesto do intérprete, em um processo de tradução cultural? O que dizem a palavra impressa, os livros, as bibliotecas, os acervos, enquanto sustentação de uma história da literatura brasileira, para quem a lê como “literatura estrangeira”? Que Barroco, que Romantismo, que Realismo, que Modernismo serve para estes leitores do corpo e dos gestos? Talvez ainda seja preciso alcançar sistemas de escrituras, de visualidades literárias que abarquem outros paradigmas de construção de uma memória cultural brasileira apreendida para além/para aquém da palavra falada, do texto escrito e da obra impressa. |
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| “Casa Grande” e “Senzala” nos romances de José de Alencar, uma releitura da prosa ficcional alencariana por Gilberto Freyre
por Weslei Roberto Candido ResumoA presente comunicação pretende discutir a releitura que Gilberto Freyre, no ano de 1955, realiza dos romances de José de Alencar sob a ótica do “tropicalismo”, como um caminho possível para reinterpretar a estrutura social brasileira representada na sua prosa ficcional. A partir desta proposta, Gilberto Freyre divide a estrutura dos romances alencarianos em dois pólos: “casa grande” e “senzala”, apontando a presença destes dois lugares em O Guarani e em O Tronco de Ipê. Assim, analisa a sociedade brasileira pelo viés do patriarcalismo, demonstrando como estes romances se povoam de sinhás, escravos, servos das meninas brancas e senhores da casa grande, que governam e administram as relações sociais deste Brasil em busca da identidade nacional. Apesar de a sociedade estar bipartida, Freyre tenta mostrar como os personagens da “senzala” ajudam os da “casa grande” a se nacionalizar, a entrar em contato com a “exuberante” natureza brasileira, que para os escritores românticos era símbolo da identidade americana. |
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| O poeta, a revista e a escravidão
por Wilton Marques Resumo O aparecimento literário do poeta romântico Antônio Gonçalves Dias, sobretudo pela imediata ressonância pública dos “poemas americanos”, foi de fundamental importância para o efetivo delineamento de um “nacionalismo propriamente literário” no Brasil. Entretanto, a produção literária gonçalvina não se restringiu apenas à poesia indianista. Em sua obra, além dessa preocupação temática, o poeta maranhense também expressou em outros textos as várias e inerentes contradições que, desde sempre, permearam o cerne das relações de poder na sociedade oitocentista brasileira, incluindo-se aí o espinhoso problema da escravidão. Nesse sentido, a presente comunicação procura discutir a obra Meditação, de Gonçalves Dias. Publicado na revista Guanabara, ao longo do primeiro semestre de 1850, esse texto gonçalvino, ao se referir criticamente à escravidão, pode, em última instância, ser compreendido como um exemplo destoante das expectativas literárias locais, o que, de certa forma, explica o silêncio da crítica romântica em seu torno. |
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| A estréia de Alphonsus de Guimaraens segundo os jornais
por ALVARO SANTOS SIMOES JUNIOR Resumo Alphonsus de Guimaraens estreou em 1899 com dois livros, Dona Mística e Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara ardente, ambos publicados pela editora carioca Leuzinger. Guimaraens, que, por ser funcionário da Coletoria Estadual de Conceição do Serro, cultivava sua poesia longe dos círculos literários do Rio de Janeiro, apresentou-se ao público como um adepto do movimento simbolista, cujo principal poeta, Cruz e Sousa, falecera no ano anterior. Sem seu líder, os simbolistas perderam força e fecharam-se cada vez mais em sua torre de marfim. Os parnasianos, ao contrário, continuaram desfrutando do prestígio público e do apoio amplamente favorável da crítica de rodapé. Os jornais, a propósito, divulgavam com freqüência e destaque a poesia de Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Luís Murat e Raimundo Correia, entre outros parnasianos. Para compreender melhor o fenômeno curioso da pequena repercussão do simbolismo no Brasil, cabe investigar como foram recebidos pela imprensa diária os livros de estréia de um poeta talentoso, que, por ser adepto da estética simbolista, poderia vir a ocupar o lugar central que a morte de Cruz e Sousa deixara vago, embora vivesse isolado entre as montanhas de Minas. Como primeira etapa de uma pesquisa que será ampliada, examinar-se-ão as coleções dos periódicos Cidade do Rio, Gazeta de Notícias e A Notícia em busca de notícias, crônicas, apreciações críticas e resenhas dedicadas aos livros mencionados. |
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