NARRATIVA LATINO-AMERICANA DOS ANOS 1990 AO PRESENTE


Coordenadores
Prof. Dr. Julio Pimentel Pinto(USP)
Profa. Dra. Ana Cecilia Olmos (USP)
Resumo: O objetivo do simpósio é discutir a produção narrativa latino-americana dos anos 1990 ao presente, partindo da definição de um quadro de questões comuns a esta produção e de sua relação com a narrativa de períodos anteriores, em relação à qual a atual freqüentemente se define. Perguntamo-nos, portanto, sobre a vigência e o estatuto nos dias de hoje de algumas questões que foram fundamentais nos anos 60/70 e 80, como ponto de partida para pensarmos as propostas narrativas recentes. Para tanto, propomos, como possíveis eixos para o debate, os seguintes tópicos: 1) a vigência da ficcionalização da fala como estratégia de representação de uma referência cultural localizada; 2) as formas que assume a representação do subalterno cultural e social no contexto de uma experiência histórica globalizada; 3) a reformulação do conflito entre o rural e ourbano e de sua caracterização como típica de uma singularidade literária latino-americana; 4) a exploração de formas narrativas híbridas que enfraquecem as fronteiras discursivas e disciplinares (entre ficção e história, crítica e narração, literatura e antropologia, ficção e testemunho); 5) a desestabilização da própria idéia de literatura - e de conceitos que a definiam, como a ficção - e o esmorecimento de critérios de valor tradicionais; 6) a travessia de fronteiras geográficas, com a apropriação de temáticas externas e a inserção heterodoxa em tradições culturais diversas; 7) a reformulação da relação entre projetos políticos e projetos estéticos, dada a dissipação do Estado nacional-popular, com a função decisiva que atribuía à cultura, como compensação ou como elemento definidor da identidade nacional; 8) as mudanças no funcionamento da instituição literária, com o esmorecimento da ligação entre ela e políticas pedagógicas e narrativas emancipatórias, o que por sua vez gera novos laços com a indústria cultural e novos problemas formais. Buscamos pensar a relação entre essa produção literária recente e outras práticas discursivas, tanto quando estas respondem explicitamente a obras literárias - o caso da teoria ou da crítica literária, por exemplo -, quanto no movimento contrário, com a absorção de outros discursos pela literatura. "

Subtema: Poéticas do texto literário

Recordatorio de ruinas
por Adriana Kanzepolsky

Resumo
Entre el "ensayo narrativo" (calificativo que desde el interior del texto un crítico literario otorga a los ensayos del narrador) y el testimonio, es decir, en la superficie de tres modalidades discursivas que se emplazan sobre citas de otros escritores (discursos, éstos, que son los verdaderos y casi únicos personajes del relato) y sobre diversas experiencias del narrador;ensayistas, La fiesta vigilada se construye como la memoria de una ruina. Literalmente, la de una ciudad, La Habana, en la que el narrador/ensayistas ("Nuestro hombre en La Habana") parece ser el único habitante, el único escritor?. que permanece allí para dar testimonio, para cuidar la ruina en la palabra que la preserva. Ruina indisociable de la revolución que agoniza pero que también se cuenta en la ruina de los cuerpos y en la expulsión del narrador de la ciudad de las letras. Mientras el libro da cuenta de lo que se pulveriza -la fiesta, la posibilidad de ser escritor en Cuba-, dado que la transformación en ruina acaba incluso con aquello que fue deseo, La fiesta vigilada, escrita en el borde de una revolución que se extingue, al igual que su emplezamiento emblemático, crea una ciudad en los insterticios de lo que otros han escrito. El presente trabajo propone una lectura de La fiesta vigilada de Antonio José Ponte como una suerte de epílogo a La ciudad letrada de Ángel Rama, en tanto la ciudad en ruinas que el texto diseña cierra y clausura la intersección entre escritura y ciudad -ese sueño de orden- que en la perspectiva del ensayista se abre en América con el período colonial.

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"Por que eles não comem brioche?"
por Agnes Sanfelici

Resumo
As práticas escriturais de autores das periferias urbanas têm trazido à tona inúmeras problematizações às autoridades da cultura oficial e canônica. O livro Ninguém é inocente na cidade de São Paulo (2006), de Ferréz, na força de um testemunho, evoca ‘ficcionalmente’ as experiências vividas por milhares de pessoas das conhecidas e ignoradas ‘margens’. Essa literatura das vidas ‘comunitárias nas periferias urbanas’ leva-nos à perspectiva do reconhecimento da voz do outro a partir de dados de experiência de sobreviventes de espaços marginais e marginalizados. A proposta é de analisar a narrativa testemunhal “Pão doce” do livro Ninguém é inocente na cidade de São Paulo, dando enfoque a questões como a da “autenticidade” da voz testemunhal e os processos que se afiguram entre “testemunho” e “invenção”.

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Acerca de la representación del margen
por Ana Cecilia Olmos

Resumo
La violencia de la economía de mercado , sostenida en las perspectivas neoliberales que asumieron las políticas estatales en los años 90, generó en los países latinoamericanos nuevas marginalidades sociales que se incorporan de forma particular a la narrativa contemporánea. En efecto, el imperio descarnado del mercado acarreó la consiguiente desvalorización de las figuras sociales redentoras -justicia, cooperación o solidaridad- que no estaban ausentes en la literatura de períodos anteriores , cuando aún no se habían agotado los relatos épicos inspirados en ideales modernos . La narrativa latinoamericana de los años 90 proyecta miradas peculiares sobre esas nuevas marginalidades cuyas existencias, ajenas a cualquier ideal de movilidad redentora, se arrastran en una espera estéril y domesticada. En este trabajo propongo analizar los modos de representación del margen en dos novelas , Boca de lobo (2000) de Sergio Chejfec y Mano de obra (2002) de Diamela Eltit, atendiendo a la configuración de sujetos y cuerpos sociales que se incorporan, con estrategias particulares, a la materia dilacerada del texto.

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Papéis encontrados numa bolsa feminina: a prosa de Néstor Perlongher
por Antonio Andrade

Resumo
No limiar entre ficção, crônica e testemunho, a prosa narrativa de Néstor Perlongher – compilada nos livros Prosa plebeya (Buenos Aires, 1998), Evita vive e outras prosas (São Paulo, 2001) e Papeles insumisos (Buenos Aires, 2004) – configura-se como uma instigante dissidência em relação aos discursos políticos e literários historicamente canônicos na Argentina. Este trabalho pretende avaliar a tensa junção entre hibridismo, neobarroco, paródia e abjeção, que na prosa perlongheriana funciona como modo de crítica simultâneo ao peronismo e à desmarginalização da subjetividade gay, requerida pelos principais movimentos de militância homossexual.

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Lixeratura Argentina Contemporânea: Pensamento Queer em Antiestéticas do Trash
por Cecilia Palmeiro

Resumo
Meu trabalho explora as novas formas em que a literatura argentina pós-crise constroe-se como intervenção política. Pensamento queer em anti-estéticas do trash: uma tendencia que configura uma alternativa estética e política para escritas e práticas políticas experimentais. Um corpus textual discontinuo, uma imagem dialética que se constroe em viagens, exílios, traduçoes, contrabandos e curto-circuitos entre a Argentina e o Brasil, desde os anos 70 até o presente.

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As margens como centro - uma análise de 'La Tardecita', de Juan José Saer
por Cristiane Checchia

Resumo
A proposta desta comunicação faz parte de uma investigação mais ampla sobre as relações entre ensaio e ficção na obra de Juan José Saer. Pretende-se estabelecer um diálogo de El río sin orillas em direção à contística do autor, explorando o intercurso entre os gêneros. Partindo desta procupação, o objetivo desta comunicação é pontual: propõe-se uma análise do conto "La tardecita", publicado pela primeira vez em Lugar, de 2000, obra que reúne os contos mais recentes do autor. Em Lugar percebe-se o aprofundamento de experiências estéticas já realizadas por Saer em outros textos, mas, por outro lado, nota-se a busca por trilhas até então pouco exploradas em sua narrativa. A inovação mais notável, à primeira vista, é a verdadeira explosão da Unidade de lugar: a zona santafezina por ele imortalizada em toda a sua obra abre-se ao cosmopolitismo de grandes cidades ou de outras pequenas zonas espalhadas pelo mundo. "La tardecita" contudo repõe o lugar primordial do projeto literário de Saer. Neste conto, a leitura é o mote disparador da escritura, pela qual o narrador em primeira pessoa rememora uma experiência perturbadora nos arredores de um pueblo jogado em meio à llanura.

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Nuevo Exotismo: Escritores Latinoamericanos en tránsito
por Idalia Morejón

Resumo
Este trabajo se propone comentar un segmento da literatura latinoamericana actual, que procura y torna visibles zonas de exotismo cultural y político, explicitando la relación agónica que los escritores mantienen con “lo nacional”, a partir de la reorganización de las relaciones políticas y culturales de los países de Europa y Asia en el siglo XXI. Nos referimos a relatos de viajeros y emigrantes (Bernardo Carvalho, Mario Bellatin), de viajeros-exiliados (Carlos Aguilera, José Manuel Prieto), de libros en los que, de un modo u otro, está en juego la condición de ser un sujeto en tránsito, un nómada globalizado. La condición de estar en tránsito, entendida como espacio geográfico está presente, pero también aparece como constitución subjetiva de un nuevo territorio; y ese nuevo lugar es el que posibilita la escritura.

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Escrita performática latino-americana contemporânea
por Juliana Helena Gomes Leal

Resumo
Esta comunicação tem como objetivo principal elucidar ao menos três características que possivelmente conformariam a configuração performática das narrativas literárias latino-americanas contemporâneas, publicadas pós-anos 90, a partir da análise das obras: "Tengo miedo torero", do escritor chileno Pedro Lemebel; "Técnicas de masturbación entre Batman y Robin", do colombiano Efraim Medina Reyes e "Sexo", do brasileiro André Sant'Anna. A primeira delas, apontaria para a diluição das fronteiras entre história e ficção visando uma re(construção) do real a partir do ficcional; a segunda, o posicionamento transgressor do pensamento filosófico europeu por um eu literário e cultural latino-americano se centraria no questionamento do estatuto da subalternidade e, finalmente, a terceira, a partir da qual a superdimensionalização do constructo discursivo da oralidade se configuraria como uma forma lícita para uma representação mais acorde com as inquietudes do sujeito contemporâneo.

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Crônica & crítica na ficção policial recente
por Julio Pimentel Pinto

Resumo
A ficção policial recente na América Latina exemplifica claramente a definição que Ricardo Piglia deu para esse tipo de narrativa há cerca de vinte anos: crônica e crítica social. No lugar da linearidade lógica que marca o policial clássico, predominam raciocínios labirínticos e difusos. Contra o método rígido e fixo, a mobilidade das idéias e o forte impacto dos dilemas sociais e políticos do presente. Na contramão do mero entretenimento, a invenção de precursores literários e filosóficos e a presença insistente de citações e referências aos clássicos – inclusive aqueles com que se pretende romper. O próprio Piglia combinou, em Plata quemada, narrativa policial e fábula, acentuando, assim, a dimensão crítica da investigação que funda um conhecimento criteriosamente construído. Numa tradição que evidentemente remonta a Borges (em sua obra individual ou na colaboração com Bioy Casares), o caminho que vai da pista à razão é mais tortuoso do que tantas vezes se supôs e se escreveu. Histórias policiais de Marcela Serrano, Pablo de Santis, Claudia Piñeyro ou Miguel Sanches Neto – para limitar os exemplos – o demonstram e revelam também a persistência, ainda que variada, do “paradigma indiciário” que o o historiador torinês Carlo Ginzburg observou predominar no ocidente desde o final do século XIX. Alterado, tal paradigma indiciário impede o estabelecimento de qualquer fixidez ou linearidade na maneira de investigar ou refletir. No lugar de método, prevalece a postura crítica, que permite dimensionar a variedade de vozes e olhares e, por meio de sua mesclagem, transpor o passado numa outra situação, traduzi-lo para outro código, redimensionar as verdades. Procedimento crítico que, não por acaso, aproxima a narrativa policial da história.

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"Duas gerações de real-visceralistas em Os detetives selvagens"
por Kelvin Klein

Resumo
O romance "Os detetives selvagens" (1999), do escritor chileno Roberto Bolaño, tem suas seiscentas páginas povoadas por dezenas de depoimentos, que o autor distribui em um espaço cronológico de vinte anos. São vozes que transitam por questões como o pertencimento latino-americano, a unidade da língua e suas identidades literárias fragmentadas. Este trabalho analisa dois desses depoimentos, procurando focalizar as mudanças no campo de possibilidades para o exercício e função social da poesia em dois momentos históricos distintos na experiência latino-americana. O norte teórico será as reflexões de Walter Benjamin sobre experiência, pobreza e suas teses sobre a História, além da apropriação dessas idéias realizada por Nelly Richard em seu livro "Intervenções críticas", que lança um olhar sobre a América Latina. A intenção é refletir sobre o modo com que Bolaño ficcionaliza e singulariza cada uma das vozes, e de que forma o deslocamento cultural e geográfico pelo qual passaram os personagens potencializa a construção narrativa.

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Grafoterapia
por Marcos Natali

Resumo
Se a alusão à morte da literatura já tem um lugar consolidado na reflexão sobre o destino da literatura na modernidade, a aparição recente, no campo da literatura hispano-americana, de uma nova leva de atestados de óbito nos impele a pensar sobre as diversas formas em que a literatura poderia, enfim, acabar. A persistência desses relatos apocalípticos, tanto na teoria quanto na literatura, sugere que pode não ser a mesma entidade a se extinguir em cada caso. Este trabalho passará por alguns anúncios recentes do fim da literatura para então se deter numa leitura mais atenta da obra de Mario Bellatin. Nesta, e no livro La jornada de la mona y el paciente (2006) em particular, serão examinadas as diferentes formas dadas às conturbadas relações entre literatura e doença, escrita e cura, corpo e obra, até chegarmos ao dilema fundamental do texto: enquanto o analista assegura que o tratamento preservará a escrita do paciente-escritor, este, receoso, resiste, suspeitando que a capacidade de escrever esteja ligada de maneira indissociável à enfermidade. Quando, na obra de Bellatin, essas questões levam a um diálogo com gerações anteriores, é revelador que os interlocutores sejam justamente Rulfo e Arguedas, escritores que, cada um à sua maneira, abandonaram a escrita.

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“Localizaciones literarias en tiempos globalizados”
por María Alejandra Minelli

Resumo
Esta ponencia examinará los desplazamientos en los modos de representación efectuados desde el realismo al neobarroco en el contexto de la literatura argentina contemporánea. La construcción literaria de lo barrial en textos de autores como César Aira, Washington Cucurto y Fabián Casas exhibe cambios en los modos de representación respecto a un modelo clave en la literatura argentina: la vanguardia de Boedo. En la actualidad, la copia de la oralidad y la construcción de focalizaciones peculiares, en lugares específicos, se aparta de los boedianos inmigrantes europeos, conventillos y organitos; en los textos de Washington Cucurto, el “yotibenco”, los inmigrantes latinoamericanos y la bailanta; en los de César Aira, Flores y la cultura mediática; en los de Fabián Casas la mirada del niño, el rock y el sesgo autobiográfico se conjugan para producir nuevas representaciones de lo local en tiempos globalizados. La construcción de este motivo estético, el barrio, que esta ponencia focalizará en algunas de sus facetas principales (como la oralidad y la cultura barrial) convoca un horizonte de sentidos atravesado por variaciones respecto a lo que es la literatura y la tarea del escritor, variaciones que producen interacciones que surcan la tradición literaria, en especial, el espectro que va de la vanguardia de Boedo al neobarroso de Néstor Perlongher, al "realismo atolondrado" de Washington Cucurto o su última variación: el neobarrioso de Fabián Casas.

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Bernardo Carvalho e Sergio Chejfec: Poéticas do dilaceramento e da desolação.
por Paulo Thomaz

Resumo
Esta comunicação consiste em, apoiada de forma crítica no discurso sobre a experiência contemporânea desenvolvido por Giorgio Agamben em textos como “Infância e história” e “Homo Sacer”, que por sua vez tem em conta os textos de Walter Benjamin sobre o mesmo tema, como “Experiência e pobreza” (1933) e “O narrador” (1928-35), fazer uma análise breve de como a narrativa contemporânea brasileira e argentina, especificamente os romances “Teatro” (1998) do escritor brasileiro Bernardo Carvalho e “Los incompletos” (2004) do escritor argentino Sergio Chejfec, articulam diferentes poéticas da experiência contemporânea, com ênfase principalmente na impossibilidade e nos obstáculos em transformar o momento vivido em matéria narrativa. Impossibilidade que resulta, por sua vez, em uma experiência social de dilaceramento e de desolação.

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História, ficção e o novo realismo mexicano
por Renato Prelorentzou

Resumo
Superadas as proposições novo-céticas do pós-modernismo, historiadores e críticos literários podem afirmar que ficção e história aproximam-se pelos procedimentos narrativos comuns e pelas infinitas sucessões de leituras e escrituras de seus textos. Carlo Ginzburg vê, na contenda entre as duas formas de representação, empréstimos e hibridismos, e esboça paralelos entre literatura e historiografia. Essas idéias incitam uma hipótese: os novos romancistas latino-americanos estão transformando a estética realista a partir de suas leituras ficcionais e também do conhecimento histórico do fim do século XX. Signatários do Manifiesto Crack, Ignacio Padilla e Jorge Volpi assumiram destaque no cenário da cultura em língua espanhola e, por meio da produção ensaística, foram preparando a leitura dos textos de seus pares, atribuindo-lhes certos sentidos, vinculando-os a determinados predecessores, revelando-lhes seus signos primordiais. Vêem demonstrando crescente apego à narrativa multifocal, ao tema da impostura, e expressando, no conteúdo e na forma de seus livros, não mais a convicção e a veracidade que sustentavam os romancistas clássicos, mas as incertezas e a fragmentação, o descortinar da narrativa e a desestabilização do estatuto de verdade ficcional a partir da crítica histórica: comportam em suas ficções realistas as dúvidas e impossibilidades da escrita histórica às portas do XXI.

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UMA LEITURA DE “AS CRIATURAS”, DE JOÃO GILBERTO NOLL
por Virna Vieira Leite

Resumo
Mínimos, Múltiplos, Comuns de João Gilberto Noll, publicada em 2003, é dividida em cinco conjuntos: “Gênese”, “Os Elementos”, “As Criaturas”, “O Mundo” e “O Retorno”. Desses cinco conjuntos narrativos, escolher-se-á “As Criaturas” para estudo, uma leitura pós-ditatorial dos textos que compõem esse conjunto. A partir do significado da palavra “Criatura” interpretada como um processo social e histórico demonstrar-se-á de que maneira os relatos desse conjunto narrativo podem ser compreendidos pela associação literatura/sociedade e de que maneira as influências do meio social se incorporam à estrutura da obra. A interação entre os relatos do conjunto “As criaturas”, nos revela uma única voz, um único discurso, a voz daqueles que foram calados pela sua subcondição: a de excluídos, colocados à margem da história.

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O fim do enigma e os limites da ficção
por Edgardo Dieleke

Resumo
O último romance de Roberto Bolaño, 2666, conforma uma espécie de romance total, trabalhando com vários subgêneros, como o romance policial, a crônica, o romance filosófico e o romance centrado na figura do escritor. No entanto, em todas as variantes que inlcui, 2666 guarda uma especial relação com o real, já que o espaço ficcional é muito próximo a cidade de Ciudad Juarez, onde desde 1993, vem acontecendo um grande número de crimes a jovens mulheres. No romance, essa cidade ficcional com crimes reales, é postulada pelo narrador e pelas diversas personagens, como o centro do mal, uma espécie de lugar onde podem se ver todas as formas de violência do ser humano e onde a realidade parece chegar até os limites da representação, quase impossibilitando uma pesquisa sobre o enigma dos crimes. Meu interesse é dar conta dos modos em as operações do escritor em 2666 oferecem um interessante laboratório sobre como a literatura lida com as formas extremas de violência e consegue refletir sobre elas.


¿Un espacio de encuentro? Literatura y mercado en el fin del siglo XX latinoamericano
por Jeffrey Cedeño

Resumo
Tanto la denominada "Literatura light" como la expansión e intensificación de la industria editorial transnacional no pueden menos que cuestionar el canónico concepto de literatura. Surge al punto una fuerte interrogación por las instituciones que administran y jerarquizan tal valor; por los sujetos que, desde la producción, la circulación y la recepción, la determinan; por los espacios culturales sobre los cuales logra recortarse. Y es justo el mercado, categoría históricamente descuidada por la crítica literaria del subcontinente, uno de los centros fundamentales de esta arqueología discursiva: determinar su lugar, sus delimitaciones y significaciones radiales dentro del campo literario latinoamericano en el fin del novecientos, constituye el objetivo de la presente ponencia. Las novelas de Jaime Bayly, Ángeles Mastretta, Isabel Allende, Marcela Serrano y Laura Esquivel, forman el corpus a considerar.