| ESPAÇO E LITERATURA |
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Coordenadores Prof. Dr. Ozíris Borges Filho (UFTM) Prof. Dr. Sidney Barbosa (UNESP-Araraquara) |
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Resumo: Desde o fim do século XIX, pesquisadores
vêm refletindo sobre a categoria "tempo" em seus múltiplos aspectos e em
suas diversas formas de manifestação, não apenas na ciência, mas também
nas artes e na religião. Dessa maneira, do ponto de vista teórico-investigativo,
o século XX fez uma opção preponderante pelo tempo. No entanto, a partir
dos anos 1960, a categoria "espaço" despertou também interesse de forma
visível. A publicação dos livros de George Matoré e de Henri Lefebvre, L'espace
humain e La production de l'espace respectivamente, marca o avivamento das
preocupações com essa categoria e, concomitantemente, incentiva as pesquisas
nesse domínio. Tal como ocorreu com a Arquitetura, com a Geografia e com
outras áreas do saber, a Teoria da Literatura não ficou à parte nesse ressurgimento
do interesse pelo espaço e vem produzindo, desde então, textos, artigos,
revistas e livros a respeito dessa categoria que considera fundamental para
a criação e a estética literárias. É nesta perspectiva que se insere o simpósio
proposto. Nele pretende-se discutir as relações entre espaço e literatura,
seja numa abordagem extrínseca, texto-contexto, seja numa abordagem intrínseca,
texto-texto. Para os objetivos do simpósio, o binômio espaço-literatura
poderá ser tratado do ponto de vista estrutural, simbólico, ideológico ou
da recepção e circulação das obras literárias. " Subtema: Poéticas do texto literário |

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| Espaço ficcional no romance Ponte do Galo, de Dalcídio Jurandir
por Alcir de Vasconcelos Alvarez Rodrigues Resumo Este estudo constitui uma introdução à elaboração do texto definitivo da dissertação intitulada “Espaço ficcional no romance Ponte do Galo, de Dalcídio Jurandir”. É uma análise intrínseca à obra, ao texto, já que ‘espaço ficcional’ é categoria componencial do gênero narrativo, aliando-se a ação, personagem, narrador, tempo e enredo para construir a ficção romanesca. Dessas categorias, o espaço tem sido o menos estudado, não obstante sua extrema importância. É necessário acrescentar que a discussão acerca do vocábulo ‘espaço’ não está centrada em sua amplitude de sentidos (geométrico, geográfico, astronômico, etc.): abrange tão-somente um dos componentes estruturais da narrativa literária, partindo do livro-corpus Ponte do Galo. Nossa escolha se justifica pela pouca relevância que lhe é dada pelos teóricos, o que constitui uma lacuna, portanto. Por isso, visamos a contribuir com o aprofundamento do estudo da categoria narrativa do espaço, e da ambientação, sua caracterização, funcionalidade e efeitos de sentido gerados por antíteses e oxímoros espaciais. Com isso, pretendemos contribuir no preenchimento de tal lacuna. Para tal, consideramos fundamental a ferramenta teórica da Teoria da Narrativa, mantendo diálogos com a semiótica da Escola de Tartu. |
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| RETALHOS DO BRASIL: CHOVE SOBRE MINHA INFÂNCIA E O CONTEXTO SOCIAL PARANAENSE
por Alzira Fabiana de Christo Resumo As reminiscências da época infantil do escritor paranaense Miguel Sanches Neto são a base composicional de Chove sobre minha infância. A trama narrativa está ligada às recordações da personagem Miguel, um menino pobre, que sonhava em ser escritor. Sanches Neto ambienta espacialmente o romance em Peabiru, cidade onde foi criado – situada no Noroeste do Paraná. Sendo assim, o presente estudo objetiva verificar como o tempo e o espaço estão diretamente ligados em uma obra de arte. De acordo com a teoria bakhtiniana, o tempo está entendido como um conjunto de relações vinculado às épocas históricas, contudo, não somente a uma época, ele está vinculado à vida, uma vez que a vida está amparada em um tempo e em um espaço. Nesse sentido, Chove sobre minha infância evidencia uma época de transição social e econômica da sociedade paranaense, a mecanização agrícola e o conseqüente aumento da urbanização, em meados da década de 1960. Essas transformações resultantes da nova ordem econômica causam uma acentuada mudança nos costumes e modo de organização desse universo rural. Ao mesmo tempo em que evoca as reminiscências do escritor, a obra aborda a identidade social presente neste cenário alheio às outras regiões e centros urbanos do país. |
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| Territorialidades em "A casa tomada", de Julio Cortázar
por Ana Carolina de Picoli de Souza Cruz Resumo O presente trabalho tem por objetivo analisar o espaço no conto A casa tomada, de Julio Cortázar. Para tanto, servir-nos-emos principalmente do instrumental teórico denominado topoanálise. Esse conto traz em si um enredo muito apropriado para a aplicação da teoria topoanalítica. O fato de que a história se desenrola principalmente num só cenário, que é o da casa, faz com que esse espaço revele uma alma inscrita nos objetos, na divisão e utilização dos cômodos, nas descrições e nos significados que as personagens lhe atribuem. Trata-se de um jogo montado com várias dualidades mostradas, justamente, por coordenadas espaciais. Numa primeira leitura, a casa é descrita com uma pretensa objetividade geométrica e palpável. No entanto, após análise minuciosa das descrições espaciais, percebe-se que nelas há intimidades, memórias, medos e estranhamentos que podem ser interpretados como espelhos de seus próprios habitantes. Para atingirmos nossos objetivos, servir-nos-emos de teóricos do espaço na literatura, tais como Bachelard, Lins, Borges Filho, entre outros. Pretendemos lançar um olhar centrado nas coordenadas espaciais desse conto de Julio Cortázar na intenção de acrescentarmos perspectivas enriquecedoras às análises já feitas. |
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| De onde se fala e onde se cala – narrativa e espaço ficcional em Juan Carlos Onetti
por Ariadne Costa Resumo Este trabalho analisa os sentidos da topografia do espaço ficcional na obra de Juan Carlos Onetti. Para o autor, como aponta Josefina Ludmer, a criação de um espaço ficcional como um universo inteiramente novo está ligada a um processo de entrada na escrita que possibilita a um personagem passar do “ele” ao “eu”, conquistando, portanto, a condição de sujeito, daquele que enuncia. Assim, a criação da cidade imaginária de Santa Maria no romance A vida breve indica a inauguração de um ambiente de fala onde a narrativa se torna possível. Para os personagens que a habitam nas obras posteriores do autor, no entanto, viver em Santa Maria é estar aprisionado em um mundo ficcional cujas regras não lhes cabe controlar. O espaço nascido de um gesto de autonomia se transforma, como o mundo real que o antecede, em um lugar de esgotamento e desesperança. Sair dele, porém, implica rebelar-se contra a própria narrativa. Para empreender a análise, o trabalho emprega e questiona os conceitos de espaço ficcional e autor, além da dicotomia problemática entre realidade e ficção, à luz das teorias de Rolland Barthes e Giorgio Agamben, entre outros. |
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| Um escritor, uma cidade. Vistas de Lisboa pelos monóculos de Eça e de suas personagens.
por Claudia Barbieri Resumo Em seus romances, Eça de Queiroz, com peculiar predileção, dirigiu seu olhar e sua atenção à capital de seu país, que lhe serviu de campo para muitas narrativas. Lisboa foi o seu laboratório de arte, a sua preocupação de crítico, o seu mundo de escritor. Assim, o texto queiroziano trata primordialmente de espaço, e, por extensão, de urbanidade. O trabalho visa desenvolver e explorar as possibilidades interpretativas do espaço urbano presente na obra do escritor, buscando relacionar os variados espaços e suas representações dentro de um contexto urbano e histórico. Esta reflexão se mostra ainda mais interessante quando é percebida a relevância que adquirem os ambientes em que se movem as personagens. Os locais que freqüentam, os prédios onde vivem, os objetos de que se rodeiam, são significativos dentro da arquitetura narrativa. As referências feitas aos nomes de ruas e às especificações de endereços brincam com os limites entre realidade e ficção. O trabalho busca tecer as relações entre a cidade oitocentista de Lisboa, vivenciada e observada pelo escritor e as Lisboas literárias de Eça, vivenciadas e observadas por suas personagens. |
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| POSSIBILIDADES DE LEITURA DO ESPAÇO EM NOITES BRANCAS: OS TEXTOS LITERÁRIO E FÍLMICO
por Joel Cardoso Silva Resumo O trabalho propõe uma abordagem do conto do escritor russo Fiodor Dostoiévski, Noites Brancas, contrapondo-o à versão fílmica homônima, em preto e branco, viabilizada pelo mestre do cinema neo-realista italiano, Luchino Visconti, em 1957. O título desta obra se deve a um fenômeno que ocorre em S. Petersburgo (cidade em que se ambienta a história, atual Leningrado), no verão: o sol se põe às nove horas da noite e volta a surgir à meia-noite. No cinema, como sabemos, o tempo se espacializa, tornando-se real nas seqüências e enquadramentos propostos pelo diretor e viabilizados pela direção de fotografia, pela direção de arte. Por outro lado, o espaço ganha as dimensões do tempo, ao serem arrolados seqüencialmente na projeção das imagens. Tomando por base elementos da topoanálise, colocaremos em foco a ambientação espacial, cujo papel é de fundamental importância, tanto para a compreensão do texto literário, quanto da versão cinematográfica. |
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| Dois espaços, dois romances
por Keila Prado Costa Resumo Os romances Texaco, de Patrick Chamoiseau, e Cidade de Deus, de Paulo Lins, têm muitas semelhanças. Dentre elas, e talvez a mais evidente, está o fato de ambos narrarem a história de favelas: Texaco e Cidade de Deus, respectivamente, e como os próprios títulos dos livros já evidenciam. Assim, em ambos os casos, os espaços onde se passam as histórias adquirem extrema importância. Em geral, as personagens desses romances estão diretamente ligadas a esses espaços, lutando para mantê-los ou para se manter neles: os moradores de Texaco querem ter o direito legal de habitar naquelas terras, que são de propriedade da multinacional petrolífera “Texaco”; enquanto os moradores da Cidade de Deus estão divididos em diversos grupos, dentre eles, os grupos de traficantes da favela, que buscam exercer o comando do tráfico na maior extensão geográfica possível. A questão, então, é compreender como esses espaços geográficos se tornam espaços do romance e de que modo eles se sobressaem nas narrativas, a ponto de, na interação com as personagens, se tornarem verdadeiros protagonistas. Infere-se, portanto, pela perspectiva desses textos, uma mudança de paradigma literário, pois não é o espaço que faz parte do romance sobre uma personagem, mas a personagem que faz parte do romance sobre um espaço. |
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| Paisagens romanescas no século XVIII francês: o espaço como invenção de sentidos
por Leila de Aguiar Costa Resumo É objetivo desta comunicação entender o espaço ficcional não como um simples acessório da narração literária, mas, antes, como peça plenamente pertencente e inserida no tecido poético-narrativo. O espaço ficcional será, pois, tomado como uma superfície na qual se projetam ações, personagens, objetos e graças a qual, por conseguinte, esboçam-se desejos, fantasmas, encontros e desencontros, verdades e mentiras, etc. Para pôr então à prova o conceito de espacialidade como produtor de efeitos e de sentidos, serão visitados alguns romances franceses do século XVIII: ali seria possível reconhecer uma precisa sintaxe poético-narrativa — que se procurará compreender e reconstituir a partir do aparato teórico da narratologia — que erige o espaço como motus do romanesco. |
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| Espacialidades interiores em A Trilogia de Nova York, de Paul Auster
por Lilian Reichert Resumo O presente trabalho caracteriza-se por uma leitura das interioridades nas narrativas Cidade de Vidro, Fantasmas e O quarto fechado, que compõem A trilogia de Nova York, de Paul Auster. O objetivo é identificar as espacialidades de fechamento convocadas em cada história e o modo como elas se relacionam no contexto geral do livro. Nossa hipótese orienta-se pelo pensamento de que, em que pese a ênfase nos espaços fechados, da primeira para a terceira história há um percurso de abertura no que concerne à personagem focal. |
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| A filosofia do mobiliário: por uma poética do espaço gótico
por Luciana Moura Colucci de Camargo Resumo Edgar Allan Poe (1809-1849 é um dos escritores mais polêmicos do romantismo norte-americano por sua biografia repleta de controvérsias e especulações e, notadamente, por alguns temas grotescos em suas composições literárias. Poe, antes do reconhecimento em seu próprio país, desponta no cenário internacional devido à sua descoberta, em 1857, por Baudelaire que se tornou seu maior admirador na França. Desde essa época, Poe tem conquistado um lugar de destaque na literatura, tornando-se merecedor de inúmeros estudos sua poesia, prosa, ensaios teóricos e críticos. Além de ser considerado o criador do conto moderno e do conto policial, Poe delineou novos caminhos para a literatura gótica nos Estados Unidos principalmente nas categorias do espaço e personagens. O objetivo deste estudo, portanto, é demonstrar como Poe construiu uma poética do espaço gótico a partir de seus textos literários e por meio da análise de seu ensaio The Philosophy of Furniture em que o autor reflete sobre a categoria do espaço e sua composição. Tendo em vista essas reflexões teóricas, críticas e literárias de Poe a respeito do espaço e da aproximação, em 2009, do bicentenário da morte desse autor, acredito ser oportuno retomar discussões acerca de suas obras. |
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| Espaços cruzados: um jogo entre metrópole e colônia
por Ludmila Ribeiro de Mello Resumo Como em outros gêneros literários, o espaço é uma categoria de grande importância nos romances históricos, pois serve de plano de fundo às ações das personagens chegando, muitas vezes, a determiná-las. O romance Desmundo (Ana Miranda - 1996) tem sua história compreendida na era colonial brasileira e possui como foco da trama a vinda de Oribela, uma órfã portuguesa, ao Brasil para desposar e povoar a nova terra. Já em The buccaneers (Edith Wharton - 1937), Annabel deixa a provinciana Nova Iorque do século XIX para conquistar a capital da Inglaterra. O espaço é transformado em ambiente quando esse projeta os conflitos vivenciados pelas personagens e pode passar, muitas vezes, a ser uma representação simbólica. Compreender essa representação ajuda a desvendar uma narrativa. Há na obra da escritora americana um processo inverso ao que ocorre em Desmundo, uma vez que Oribela deixa Portugal para se estabelecer nas terras da metrópole, o Brasil; as jovens protagonistas de The buccaneers “invadem” Londres, saídas da “colônia”. Assim, pretende-se mostrar a configuração do espaço e a importância desse nas obras citadas, uma vez que, enquanto Oribela é trazida ao desmundo, Annabel e suas amigas conquistam o “velho mundo”, a ponto de serem nomeadas bucaneiras. |
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| Espaço, Literatura e Ética nas “Villes” de Rimbaud
por Márcio Roberto do Prado Resumo Se o espaço, em conjunto com o tempo, constitui uma das categorias principais da existência humana, qualquer reflexão a esse respeito deve levar a pontos extremos da consciência dos limites do homem. Contudo, o que fazer quando o espaço em questão é uma não-categoria, um não-espaço? Analisando alguns poemas em prosa de Jean-Nicolas Arthur Rimbaud e utilizando a literatura como interpretante, responderemos a essa pergunta em busca de novas luzes a serem lançadas sobre a maneira pela qual se constitui o ethos humano. |
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| O TRATAMENTO DO ESPAÇO EM JACQUES, LE FATALISTE DE DENIS DIDEROT
por Marinêz de Fátima Ricardo Resumo O romance Jacques le fataliste de Denis Diderot, escrito na França do século XVIII, apresenta características singulares tanto para sua época como para os seus sucedâneos. Algumas delas foram incorporadas como fazendo parte do que se denominou mais tarde “romance realista”. Dentre as quais se pode observar a maneira inovadora como o espaço foi trabalhado na obra. Nesse sentido, é possível notar que desde o primeiro parágrafo enfatiza-se a despreocupação do narrador em fornecer informações claras sobre o espaço em que ocorre a narrativa. Como guiados pelo acaso, sem definir seu lugar de partida e nem o de chegada, o leitor é conduzido pela estrada, espaço da transição e do efêmero, aspectos que também marcaram a época, em que os dois personagens seguem em viagem, sem saber qual será o seu destino e as paragens que os aguardam: albergues, castelos e vilarejos. É importante considerar ainda, o espaço em que ocorrem as outras histórias que são encaixadas na história da viagem de Jacques e seu Mestre. Assim, espaços abertos e fechados, campo e cidade, por exemplo, intercalam-se, criando um conjunto complexo que ora omite e ora expõe informações, revelando a tentativa da aproximação da transcrição da realidade na obra, fator importante e marcante nas narrativas do século a que ela pertence. |
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| O espaço e as configurações da narrativa fantástica: uma leitura de “A invenção de Morel”
por MARISA MARTINS GAMA-KHALIL Resumo Duas categorias que em geral não têm muito relevo nos estudos de crítica literária são o espaço ficcional e a narrativa fantástica; o primeiro, porque as análises costumam privilegiar a instância temporal em detrimento dos sentidos gerados pelas configurações espaciais; o segundo, devido ao preconceito que ainda se tem pelas histórias fantásticas, ainda que ela tenha se revelado pela obra de grandes escritores, como Edgar Allan Poe e Jorge Luis Borges. Contudo, consideramos que o espaço ficcional possui imensa relevância na construção de sentidos da narrativa literária, uma vez que os fatos ficcionais só conseguem erguer-se a partir de uma localização que lhes dê suporte e significação. Acrescentamos ainda que, na narrativa fantástica, a inscrição do espaço é importantíssima para a exploração de territórios diferentes da realidade imediata. Para Todorov, a hesitação do leitor é a primeira condição do fantástico. No nosso ponto de vista, um dos principais motores para a hesitação do leitor diante do mundo por ele lido é a forma como os espaços narrativos são elaborados. Por esse motivo, nosso objetivo será verificar através de quais procedimentos as construções espaciais delineiam o efeito estético em “A invenção de Morel”, do argentino Adolfo Bioy Casares. |
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| Topoanálise: uma metodologia de análise da espacialidade no texto literário
por OZÍRIS BORGES FILHO Resumo Segundo Gaston Bachelard em “A poética do espaço”, a topoanálise é o estudo psicológico e sistemático dos locais da vida íntima. Para nós, no entanto, a topoanálise é mais abrangente. Tomamos a expressão de Bachelard, mas a ampliamos. Segundo a metodologia que estamos elaborando, a topoanálise se encarrega de analisar a construção do espaço na obra literária de maneira o mais abrangente possível. Ela se ocupa tanto dos valores, dos conteúdos, dos símbolos que estão no espaço construído como também de sua estrutura. Portanto, para o topoanalista, o aspecto psicológico é apenas um dentre vários outros que impregnam a construção da espacialidade no texto literário e não-literário. Segundo o método que vimos elaborando, a topoanálise enfoca a espacialidade a partir de oito pontos: os macro e os micro-espaços, as coordenadas espaciais, a espacialização, os gradientes sensoriais, a fronteira, a morfossintaxe espacial, a topopatia e a toponímia. |
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| ESCRITO COM O PRÓPRIO CORPO: ANACRISTINACESAR, ARTHURBISPODOROSARIO, MANOELDACOSTA, FRANSKRAJCBERG
por Renata Azevedo Requião Resumo Os artistas Ana Cristina Cesar, Arthur Bispo do Rosario, Manoel da Costa, Franskrajcberg, em sua particular expressão poética, desenvolvem distintas linguagens, a partir de sua experiência por diferentes lugares. Tais expressões são a poiesis de cada um, seu estar/fazer no mundo. Resultado de distintos deslocamentos, nos quais cada um leva ao extremo a experiência com o próprio corpo. |
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| "O quarto fechado", de Lya Luft: uma ilha que emerge na noite
por Vanessa Moro Kukul Resumo Este estudo, fruto de dissertação de mestrado intitulada “O quarto fechado, de Lya Luft: uma ilha que emerge na noite...”, constitui-se numa leitura do romance O quarto fechado, da referida escritora. Nela, indaga-se acerca da significação do quarto na condição da vida humana, demonstrando o apego do homem pelos espaços; procura-se compreender o quarto como temática de experiência existencial e estética na literatura e metáfora do que é insondável. Lugar praticado, tal espaço é concebido como símbolo do desenvolvimento da intimidade, metáfora de uma condição existencial, além de estar ligado à solidão e ao confinamento. Destacar-se-á, neste momento, considerações sobre os espaços vividos ou sonhados em seus contornos históricos ou literários, dentre os quais a obra luftiana se faz presente. Recolhidos em seus espaços mais íntimos, as personagens dessa obra deixam cair suas máscaras e revelam suas lutas constantes manifestas por meio do eu quebradiço e ferido, para superar a morte. Enclausuradas em si, as personagens nem sempre aceitam o mundo que julgam imutável ou, ainda, não se aceitam como partes do mundo. A morte, que abre e fecha o livro, liga-se ao quarto fechado como algo que não pode ser penetrado e se penetrado não apresenta saída. |
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| O FOGO COMO ESPAÇO DEVASTADOR E REPARADOR EM GILLES ET JEANNE DE MICHEL TOURNIER
por Sidney Barbosa Resumo No seu romance intitulado Gillles et Jeanne, de 1983, Michel Tournier realiza a façanha de, por meio do imaginário e da literatura, entrelaçar duas histórias completamente díspares: a vida de uma santa salvadora e padroeira da França, Joana d'Arc e a de Gilles de Rais, um nobre e militar, herói da guerra dos cem anos, condenado à morte pelo assassínio de crianças e adolescentes. Ambos possuem presenças constatadas historicamente no século XV francês, mas foram também, separadamente, tema de diversos romances históricos e de outras modalidades estéticas nos últimos cinco séculos, sem, no entanto, haver "contracenado" numa mesma obra. Servindo-se da imaginação, de lendas e de alguns indícios históricos, o autor propõe uma love story singular entre essas duas personagens, na qual Rais, apaixonado espiritualmente, mescla admiração e busca de endosso às suas loucuras e crueldades junto a Joana que, de uma maneira geral, lhe é indiferente. O resultado é a construção de um romance em que os espaços do castelo e da choupana, do campo de batalha e da igreja, dentre outros, misturam-se e se complementam no calor das fogueiras sagradas para tecer um texto composto de elementos disfônicos, mas que dão liga no discurso e no efeito literário. |
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