| TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA: INTERFACES, INTERTEXTUALIDADES E RESIGNIFICAÇÕES NAS PRODUÇÕES PARA A MÍDIA |
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Coordenadores Profa. Dra. Soraya Ferreira Alves (UECE) Prof. Dr. Cid Vasconcelos de Carvalho (UNIFOR/FANOR) |
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Resumo: O diálogo entre os mais diversos sistemas
semióticos tem sido prática cada vez mais freqüente nas produções midiáticas,
como obras literárias sendo adaptadas para a televisão em forma de telenovelas
e mini-séries, para o cinema ou para videogames, ou ainda filmes sendo adaptados
para videogames e vice-versa, sem falar nas adaptações de quadrinhos. Com
base nessa observação, este simpósio se propõe discutir a prática da tradução
intersemiótica a partir da idéia de que esta já traz inscrita, em si, a
diferença de olhares motivados por aspectos como cultura, época, entre outros,
e por propor estratégias de representação inerentes a meios semióticos diversos
que assim geram processos interpretativos derivados de múltiplas interfaces,
intertextualidades e resignificações. " Subtema: Tradução, Transcriação, Adaptação |

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| A Metáfora em "X-MEN"
por Alan Gonçalves Resumo Este artigo propõe uma reflexão acerca do conceito de metáfora atribuído a "X-MEN", obra do americano Stan Lee, recriada para o cinema sob a direção do também americano Bryan Singer, em 2000. Adotando o modelo semiótico de Peirce, o trabalho visa a examinar a obra em questão, estabelecendo relações entre os conceitos de signo e metáfora, de modo a evidenciar conexões entre a tradução de Singer e contextos sociais reais. |
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| O coro trágico volta à cena: uma análise dos elementos trágicos na transmutação de Abril Despedaçado
por Beatriz Furtado Alencar Lima Resumo Atualmente, o processo tradutório vem sendo pensado, analisado e praticado como um ato criativo, como um ato de comunicação e de intermediação entre as culturas. É a partir dessa perspectiva que encaramos a tradução em nossa pesquisa de dissertação. Esta analisa a tradução dos elementos trágicos presentes no livro Abril Despedaçado Ismail Kadaré para o filme homônimo Walter Salles, levando em conta as ressignificações culturais que se deram no processo de transmutação desses elementos trágicos. Neste trabalho apresentaremos o coro trágico que se faz presente por meio das carpideiras albanesas no livro de Kadaré e que é ressignificado por Salles por meio das rezadeiras nordestinas. Como resultado das análises constatamos o continuum entre culturas que se interpenetram e recriam-se umas às outras. Grécia, Albânia e Brasil: países de culturas aparentemente distantes, mas que se interceptam na representação do drama humano diante do grande cenário edificado pela morte. Nossas análises levam-nos à conclusão de que, a tradução de Walter Salles é uma recriação artística onde diferentes culturas e gêneros (cinema, teatro e literatura) dialogam num movimento de eterno retorno. Realidade e encenação, cinema e teatro tocam-se em determinados pontos inillo tempore. |
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| A TRADUÇÃO CINEMATOGRÁFICA DE “AS ONDAS”
por Carlos Augusto Viana da Silva Resumo A narrativa literária moderna desenvolveu um estilo particular de escrita que explora a intimidade dos personagens, diferente das narrativas tradicionais realistas e naturalistas que tinham como foco a realidade externa . Essa narrativa se estabeleceu no cenário da literatura moderna, consolidada, principalmente, pelo uso da técnica do fluxo da consciência em que o centro das discussões não são os fatos em si, mas a repercussão deles para o conjunto da composição narrativa. Nesse sentido, há uma tentativa de apreensão dos processos mentais que, por ainda permanecerem no nível da ‘pré-fala’, ou seja, no momento em que o discurso não se encontra ainda completamente estruturado, como acontece com qualquer discurso verbal, exige uma nova postura de leitura. O romance “As Ondas” (1931), da escritora inglesa Virginia Woolf, enquadra-se nessa perspectiva, pois a sua narrativa se propõe a descrever extratos introspectivos de seus personagens. Neste trabalho, discutiremos alguns pontos sobre a forma como essa narrativa foi traduzida para o texto cinematográfico “Golven” (1982), da diretora holandesa Annette Apon. Com base em princípios teóricos sobre tradução, tais como os Estudos Descritivos de Toury (1995), analisaremos algumas estratégias usadas no processo tradutório para entendermos o novo formato narrativo assumido pelo texto de Woolf na tela. |
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| Othello vai ao cinema contemporâneo
por Elizabeth Ramos Resumo Ao considerarmos que tudo é interpretação, apropriação, deslocamento de uma idéia de origem, onde vários jogos são possíveis, compreendemos que o processo de tradução de uma obra resulta de um trabalho de interpretação do signo pelo tradutor, a partir de um outro lugar de fala. As traduções que lemos e a que assistimos nos meios de comunicação de massa, expressam uma voz do presente e, como não há interpretação neutra, nem inocente, o trabalho de tradução intersemiótica resulta de um ato de apropriação, seguido de um processo de reescrita que como tal, adquire o status de (re)criação, que somente no plano da utopia pode ser idêntica ao texto que a originou, uma vez que conterá as marcas de quem a interpreta. A partir das novas formas de pensamento e das reflexões que tomaram vulto na década de 60, é afirmada a dignidade e a voz do simulacro, que chega ao público, principalmente, através do cinema e da televisão, não como um outro modelo, mas como produtor de instabilidade que fala por si, é infiel, não se submete ao fundamento, instaura a sua própria lógica, que irá popularizar a arte, num país onde uma grande massa de indivíduos culturalmente excluídos, analfabetos fonéticos e pobres, não tem acesso ao espetáculo ao vivo. Deslocando tais posicionamentos para o caso da tradução, não é difícil observar que o desejo de cópia, que a crítica, muitas vezes, espera e demanda de um texto artístico traduzido, está pautado na subserviência e no apagamento do ponto de vista do tradutor, diante do texto “original”, do “inatingível”, da “verdade”, da “pureza”, expressões que trazem em seu bojo o reflexo da desigualdade cultural no nosso país. O rechaço às adaptações de obras canônicas, portanto, reflete um resquício do pensamento corrente do século XVI, época em que a unidade mínima de interpretação era a semelhança, a idéia de origem acoplada à verdade, ignorando o fato de que o começo resulta de uma eleição, de uma escolha do intérprete, em vista da característica de ‘inacabado’ do ato da interpretação. A partir desse posicionamento, o trabalho proposto analisará os traços de atualização presentes no filme Jogo de Intrigas, dirigido por Tim Blake Nelson (2001), discutindo o valor da adaptação cinematográfica da peça Othello, de William Shakespeare, como obra de arte independente, e não como mera traição ao original. |
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| ÉTICA VERSUS ESTÉTICA: A TRADUÇÃO DOS QUADRINHOS PARA O CINEMA EM SIN CITY
por Fabiano Rodrigues Albuquerque Resumo O presente estudo busca analisar a relação entre ética versus estética na tradução de Sin City. Tal comparação tem sido pouco analisada nos estudos de tradução dos quadrinhos para as telas de cinema. Questões sobre a ação e a reação surgem a partir da geração de sentido que decorre deste processo em função de fatores como finalidade e beleza. Coloca-se ênfase, sobretudo, na idéia de violência, cujo essa proposta parece ser uma constante na obra de Frank Miller em que se gera uma estética como filosofia. Examina-se os limites intrínsecos a esta relação considerando as diferenças entre essas duas mídias, levando-se em consideração as especificidades de cada linguagem, bem como de seus respectivos elementos narrativos. |
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| Análise dos elementos icônicos na transmutação do livro “La Casa de los Espíritus” para o cinema
por Iara Maria Carneiro de Freitas Resumo O presente trabalho , tem como objetivo analisar a utilização dos elementos icônicos na transmutação do livro “La Casa de los Espíritus” para o cinema. Para isso, verificaremos a maneira como tais elementos estão dispostos na obra e que função(ões) desempenham. O livro e o filme convergem na maneira de relatar a vida de Esteban Trueba, família e descendentes legítimos e ilegítimos, levando-nos por uma narrativa contagiante por todo século XX, no Chile, acompanhando a sua evolução social e política. Quando traduzida para o cinema, percebe-se que o diretor utiliza componentes semióticos no que diz respeito à iconização, à metáfora como recurso na apresentação dos personagens, das situações vividas por eles e do ambiente que os rodeia. Para a realização desta análise, inicialmente apresentaremos considerações teóricas relevantes sobre semiótica, tradução intersemiótica, tomando por base teóricos como André Lefevere (1992), Júlio Plaza (2001), Thais Flores (1998) e Santaella (2004). Para a teorização sobre cinema nos utilizaremos as teorias de Andrew (2002), Xavier (2003) e Bazan (1992) além de outros trabalhos realizados na área. Posteriormente, livro e filme serão decodificados, isto é, divididos em blocos narrativos a fim de facilitar o processo de análise. |
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| The royal hunt of the sun: o teatro de Peter Shaffer e sua adaptação fílmica
por Lucyana Brilhante Resumo Este trabalho tem por objetivo analisar a tradução fílmica da peça The Royal Hunt of the Sun do autor inglês Peter Shaffer. Essa peça foi um marco na carreira do dramaturgo, não somente pela mudança em relação às temáticas que o autor costumava abordar, mas ainda pelo uso de uma série de técnicas de palco que demonstram seu desejo de se entregar ao “teatro total”, ou melhor, a uma experiência teatral, um “jogo” em que interagem, concomitantemente, diversas linguagens. Dessa forma, pretendemos verificar as soluções/estratégias utilizadas pelos realizadores do filme The Royal Hunt of the Sun na transmutação de aspectos tipicamente teatrais (cenário, música, mímica, máscaras, coro etc) sugeridas pelo texto de Shaffer. Acreditamos que, mesmo ao utilizar como objeto de análise o texto escrito, não o encenado, é possível observar como aspectos típicos da linguagem teatral são traduzidos e recriados na adaptação fílmica. A análise tem como base os estudos de tradução intersemiótica, bem como os estudos fílmicos. |
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| O olhar embaciado de Miguilim: Mutum (2007, dir. Sandra Kogut) e as estratégias cinematográficas de representação do narrador com onisciência seletiva.
por Marcel Vieira Resumo A novela “Campo Geral”, de João Guimarães Rosa, utiliza a técnica da onisciência seletiva - fruto das tentativas do romance moderno de prismar o ponto de vista do personagem junto à voz do narrador -, para representar o olhar de Miguilim sem, no entanto, posicioná-lo como narrador autodiegético da história. A adaptação cinematográfica dessa obra, o filme “Mutum” (2007, dir. Sandra Kogut), se depara com o desafio de construir esse olhar do personagem, de modo a representar o mundo diegético através de seu ponto de vista infantil. Diante disso, essa comunicação pretende demonstrar como “Mutum” desenvolve formas primárias e secundárias de planos ponto-de-vista, articuladas a movimentos e posicionamentos de câmera, para construir a mise-en-scène a partir do olhar embaciado de Miguilim. |
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| Grande sertão: veredas do diálogo entre cinema e literatura
por Marinyze das Graças Prates de Oliveira Resumo A adaptação de obras de João Guimarães Rosa para os meios audiovisuais — dado sobretudo o alto nível de elaboração e inventividade no tocante à linguagem por meio da qual o autor promove a tessitura de sua obra ficcional — tem constituído, por um lado, imenso desafio para os cineastas e, por outro, permanente motivo de polêmicas para críticos e espectadores aficionados à obra do escritor mineiro. Pretende-se, deste modo, refletir sobre o processo de adaptação do romance Grande sertão: veredas para o cinema, realizada pioneiramente em 1965 pelos irmãos Renato e Geraldo dos Santos Pereira, tomando-se tal prática como um processo de tradução intersemiótica, com o intuito de evidenciar a interferência do contexto sócio-histórico-cultural na ressignificação de imagens relacionadas notadamente à sexualidade dos personagens Riobaldo e Diadorim. |
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| Indústria cultural e forma-mercadoria: uma relação em Short Cuts, de Robert Altman
por Solange de Almeida Grossi Resumo Na cinematografia norte-americana contemporânea, o diretor Robert Altman(1925-2006) figurou entre os poucos que tentam demonstrar um arranjo dialéticoem seus trabalhos, seguindo uma tradição de organização dos conteúdos que temorigem no início do século XX, sobre a qual se debruçaram, dentre outros, odramaturgo Bertold Brecht e os teóricos da Escola de Frankfurt. Levando isso emconsideração, procurarei analisar, no filme Short Cuts (1993), a crítica àindústria cultural e à forma-mercadoria presente em determinados segmentosfílmicos. Para tanto, baseio minha análise em Brecht, Jameson e Adorno, dentreoutros. |
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| A escritura diagramática de Woolf em The Waves e sua adaptação para o cinema: Intersemiótica da Incomunicabilidade
por Soraya Ferreira Alves Resumo O tema da incomunicabilidade e do isolamento do sujeito aparece em várias obras de Woolf, como Jacob´s Room (1922)e Mrs. Dalloway (1925), que mostram os personagens perdidos na cidade de Londres em meio à multidão, participando derelações sem consistência e sem valores definidos, pois, como explica Hall (2002:32), uma visão mais perturbadora do sujeito e da identidade começa a surgir nos movimentos estéticos associados ao Modernismo, que fazem emergir a figura do “indivíduo isolado, exilado, alienado, colocado contra o pano-de-fundo da multidão ou da metrópole anônima e impessoal”.Porém, em The Waves (1932), Woolf vai mais além ao desenhar um diagrama que promove a iconicidade entre o universo do que é narrado e as estruturas narrativas, ao adotar o uso de técnicas teatrais tais como o solilóquio e o interlúdio, que poderiam funcionar como possíveis metáforas da incomunicabilidade e do isoloamento do indivíduo de sua época.A partir dessas observações, pode-se pensar em uma comparação com o a adaptação para o cinema feita pela diretora Annette Apon (Golven – 1982 – Holanda), a fim de verificar quais as estratégias usadas pela diretora, se observa as características do sujeito da modernidade representado em The Waves e/ou se atualiza as caraterísticas do sujeito para a pós-modernidade. As idéias que fundamentarão a análise partem do conceito de tradução como diferença, como defendido por Lefevere (1992); por Selligman-Silva (2005); além da sua aplicabilidade na concepção de adaptação por outros teóricos como Stam (2000). |
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| Sophie Calle e a arte fotográfica: a inventividade dos jogos
por Valdete Nunes Silva Resumo Este texto tem como objetivo discutir a relação entre imagem e escrita na série Double jeux, de Sophie Calle. O trabalho desta artista francesa se articula nos moldes da arte contemporânea, e nota-se em seu fazer artístico um cuidado com o corpo, com o espaço e com os suportes, tendo a fotografia como mote. Sua obra pode ser conhecida através de instalações de fotografias e exposições que, posteriormente, são transpostas para o formato de livros. Double jeux apresenta o resultado e o prolongamento de situações postas em cena e vividas, muitas vezes, de forma autobiográfica. A série é composta pelos livros Le rituel d’anniversaire, L’Hôtel, L’Obéissance, Les panoplies, A suivre, Le carnet d’adresses e Gotham Handbook e foi publicada pela editora francesa Actes Sud, em 1998. Em todos os livros há uma composição de texto e fotografias que são referências à própria experiência da artista, às suas performances. Desse modo, o estudo aqui proposto pretende também abordar o processo criativo da autora que sempre se coloca em sua obra, seja como uma personagem de ficção, seja expondo sua auto-imagem. |
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