INTERMIDIALIDADE: TRADUÇÃO, TRANSCRIAÇÃO E ADAPTAÇÃO


Coordenadores
Profa. Dra. Solange Ribeiro de Oliveira (UFMG)
Profa. Dra. Brunilda T. Reichmann (UNIANDRADE)
Resumo: O simpósio visa discutir as relações intertextuais implícitas nas noções de tradução, adaptação e transcriação, desde que voltadas especificamente para as várias artes e mídias. Subjaz à proposta o conceito de intermidialidade, que tem articulado os trabalhos de um grupo de pesquisa insituído na UFMG. O conceito foi privilegiado por contemplar não apenas os tradicionais estudos interartes (envolvendo a literatura, a música, o cinema, as artes visuais), mas também novas formas artísticas, ainda sem lugar assegurado no sistema acadêmico.Aqui se incluem, entre outras, as instalações, as histórias em quadrinhos, a banda desenhada, a vídeo-arte (inclusive o vídeo-clip), a arte holográfica, a arte ambiental, a arte conceitual e a performance. "

Subtema: Tradução, Transcriação, Adaptação

Do estético ao político: (des)montagem e hibridaçao genérica em "Operaçao Silêncio", de Márcio Souza
por André Soares Vieira

Resumo
Partindo dos conceitos de montagem no cinema, este trabalho tem por objetivo discutir algumas das categorias problematizadas no romance Operaçao Silêncio, de Márcio Souza, especialmente no que respeita à hibridaçao dos gêneros em um processo de montagem literária. Ao fragmentar a narrativa, justapondo elementos discursivos diversos (ensaio, crítica cultural, romance e roteiro cinematográfico), o texto de Souza apresenta-se como um mosaico de linguagens imbricadas que responde ao contexto social e político de sua época.

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"SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO", DE CELESTINO CORONADO: TRAVESSIA OU TRAVESSURA INTERMIDIÁTICA?
por Anna Stegh Camati

Resumo
Para descrever as relações dialógicas entre os diferentes meios, o discurso teórico/crítico da contemporaneidade apropriou-se do conceito de intermidialidade que substitui e inclui os termos adaptação e tradução intersemiótica. Na travessia da literatura para o cinema, a questão da fidelidade não se sustenta por se tratar de manifestações artísticas com linguagens e códigos específicos, gerando um produto novo com diversos graus de aproximação ou distanciamento em relação ao texto fonte. “Sonho de uma Noite de Verão”, um pastiche pós-moderno de Celestino Coronado, é uma transluciferação, no sentido atribuído ao termo por Haroldo de Campos, uma vez que o texto fílmico difere radicalmente da obra de Shakespeare. Verificam-se mudanças de ambientação, atmosfera, enfoque, enredo, caracterização das personagens e políticas sexuais, de acordo com as exigências da modernização da fábula que se transforma em um sonho homoerótico, uma fantasia gay. O filme mistura e funde as linguagens da ópera, da pantomima e do ballet, com frases esparsas de Shakespeare. O lado mais escuro do “Sonho”, como foi teorizado por Jan Kott, é privilegiado e diversas referências intermidiais a outros filmes e textos teatrais são flagradas.

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Da contemplação da tela de Hopper ao poema de J. M. Magalhães
por Aurora Gedra Ruiz Alvarez

Resumo
Com crescente recorrência, temos encontrado obras como Cape cod evening que nos cobram uma reflexão mais demorada sobre a natureza dessas composições. Curiosamente o título mencionado tanto nos remete ao quadro de Edward Hopper (1939), pintor americano, célebre pelas cenas de bares, hotéis, restaurantes, trens, escritórios, estradas e outros motivos da vida contemporânea, quanto ao poema do escritor português Joaquim Manuel Magalhães, da obra Uma exposição (1974), incluída, agora, no volume Alguns livros reunidos. As duas peças, de Hopper e de Magalhães, apreendem plasticamente uma cena familiar campesina: o primeiro mediante uma representação visual e o segundo por meio de uma descrição verbal. Uma vez que se sabe que poeta homenageia o pintor, pergunta-se: que nome se dá a esse processo que domina seu fazer poético? Ecfrase? Transcriação? Ou que rótulo melhor explicita o texto verbal que tem como fonte de inspiração uma tela? Refletir sobre estas questões e examinar o processo criador dos dois artistas no manejo de linguagens tão diferentes são objetivos a que este estudo se propõe.

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Tradução, transcriação e intertextualidade : a semiose intermídia
por Bernardo Rodrigues Espíndola

Resumo
Pretende-se, nesta comunicação, discutir a proposta de um modelo para a análise de traduções intersemióticas, observando esse tipo particular de semiose, que envolve sistemas semióticos distintos, a partir de três operações tradutórias: operação poética, operação especular e operação dialógica. Trata-se de um modelo inspirado na semiótica peirceana, que distingue três aspectos do processo de tradução, tendo como fundamento as categorias fenomenológicas propostas por Peirce (primeiridade, secundidade e terceiridade). Primeiro, observa-se que há inevitavelmente nas traduções intersemióticas uma operação especular, em que ocorre um espelhamento – mesmo que parcial – da obra inicial. Em segundo lugar, atenta-se para a dimensão estética da transmutação de um texto em outro, que envolve uma recriação, que chamamos de operação poética. Por fim, ressalta-se, com a operação dialógica, o modo como a tradução coloca a obra em diálogo com outros textos, numa relação intertextual em que fatores do contexto da tradução interferem sobre a o modo como uma obra é representada em outro sistema semiótico.

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"The others", de Alejandro Amenábar: a relação intermidiática especular entre as ilustrações de abertura e o filme
por Brunilda T. Reichmann

Resumo
A abertura do filme The others, de Alejandro Amenábar, apresenta uma série de ilustrações a bico de pena que dialogam e estabelecem uma relação especular com o filme. O objetivo desta apresentação é analisar como essas ilustrações antecipam o desenvolvimento da diegese do filme e o seu final surpreendente e chocante. As ilustrações, assim como outras manifestações artísticas, são lidas pelo espectador que assiste o filme pela primeira vez de modo diferente do espectador que assiste pela segunda vez, reação intensificada pela própria surpresa que lhe é reservada no final do filme e eliminada em leituras subsequentes. A chocante surpresa deixa de existir em um segundo contato com o filme e, com ela, a leitura das relações especulares é alterada. Cabe portanto, nesta apresentação, falar sobre a estética do impacto e suas variações, principalmente quando a obra de arte deixa de suscitar no leitor resposta ao elemento mais contundente nela contido e transforma a leitura do diálogo intermidiático entre as ilustrações e o “texto”.

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O DIALÓGO INTERMIDIAL ENTRE O OTELO DO ORSON WELLES E DO FOLIAS D’ARTE
por Célia Maria Arns de Miranda

Resumo
O espetáculo teatral Otelo, realizado pelo Grupo Folias D’Arte em 2003, é aclamado pelos críticos por terestabelecido um diálogo intermidial com a versão fílmica (1952) de OrsonWelles. O cineasta, ao ter se recusado, na sua proposta fílmica, de ser um meroduplicador da obra shakespeariana, levanta uma significativa discussão sobre q uestões conceptuais acerca das própriasadaptações e da relevância do processo re-criativo. Na realização cênica doFolias D’Arte, a reflexão sobre o fazer teatral torna-se, da mesma forma, umprocedimento imperativo: o texto encenado mantém, tal qual em Shakespeare, Iagona condição de narrador e comentarista da evolução dos episódios, a músicadesempenha a função de enquadramento épico e de comentário crítico da ação, omovimento das arquibancadas com os espectadores permite uma aproximação maior ou menor da cena quando necessário, possibilitando uma visão multifacetada da cena. E,como diz Marco Antonio Rodrigues, diretor do espetáculo, todos esses elementose ainda muitos outros, estão integrados de um “jeitão verde-amarelo”.

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The Prince of West End Avenue: Shakespeare romanceado para o século 20
por Erika Viviane Costa Vieira

Resumo
A intermidialidade reconhece que uma obra de arte, hoje, não está isenta das interferências de outras mídias em sua composição. Aos estudos literários permite-se que, assim, se investigue as relação midiáticas que se estabelecem na composição de determinada obra. Dentro da temática proposta deste simpósio, o presente estudo pretende discutir as dicotomias da adaptação literária, mais especificamente o processo de narrativização (novelization), como uma das possibilidades de relação intermidiática ou transposição. Dessa forma, analisar-se-á os pontos de contato com os quais o romance de Alan Isler, The Prince of West End Avenue estabelece com o Hamlet, de William Shakespeare, tendo o conceito de tradução de Walter Benjamin, a teoria da adaptação de Linda Hutcheon e o conceito de intermidialidade de Irina Rajewsky como as principais teorias balizadoras da análise.

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A ESCRITA DAS IMAGENS E A PRODUÇÃO DE SENTIDOS
por Isabella Mundim

Resumo
Este artigo visa analisar a prática textual fannish, com ênfase no processo em que as fãs se engajam quando assistem ao seriado de TV e lêem/escrevem/desdobram a narrativa veiculada. Nessa perspectiva, aquelas fan fictions que oferecem possibilidades alternativas ao cânone televisivo nos interessam particularmente. Uma história que desloca a voz dos “autores legítimos”, o retratar os personagens de maneira surpreendente, a encenação de uma trama que promove a subversão de elementos da narrativa são nossas preocupações principais e constituem o foco da discussão proposta. Para tanto, valemo-nos de teorias sobre a produção de textos e a disseminação de sentidos, enquanto refletimos acerca de um determinado tipo de autor e sua “poética do desdobramento”.

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De Poe a Clarice e a Breccia: o percurso transtextual de um coração delator
por JOÃO MANUEL DOS SANTOS CUNHA

Resumo
Ler um texto literário pelo espelhamento de sua tradução interlingüística pode ser prática reveladora de aspectos antes invisíveis em ambos os textos. Por outro lado, ler textos literários e imagéticos no entrecruzamento de suas especificidades estéticas é prática que tem se evidenciado como bastante rentável no domínio dos estudos comparados em literatura. Com apoio nas teorias da intertextualidade, desde Bakhtin (1929), Kristeva (1969), Barthes (1970) e Genette (1982), é factível, como veremos, ler Edgar Allan Poe (“The tell-tale heart”, “O coração delator”, 1843) em Clarice Lispector (“O coração denunciador”, 1974; “O corpo”, 1974), possibilitando, por meio dessa intersecção, que os textos se iluminem mutuamente. Sob esse ângulo, um intertexto desenhado, como o que Alberto Breccia (“El corazón delator”, 1974) criou para o texto de Poe, diz muito do alcance crítico que a tradução intersemiótica do verbal ao imagético aporta ao exercício da leitura crítica para narrativas literárias. Aproximar esses quatro textos − o conto de Poe, a tradução e a transcriação de Clarice, e a história em quadrinhos de Breccia −, aderindo ao jogo intertextual proposto por eles, pode ser exercício extremamente prazeroso, ao mesmo tempo que comprometido com conseqüentes práticas contemporâneas do comparatismo literário. Por meio dessa visada analítica, estabelece-se rede transtextual modelar para a leitura comparada das narrativas: lugar da ficção em que, ainda que se reconheça a autonomia estética de cada uma delas, consideradas em suas específicas linguagens, as textualidades passam a compor uma malha de sentidos pela qual se pode ler um texto no outro, e os quatro como um único conjunto de sentidos entrelaçados.

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Do “Rei do Cangaço” ao “Auto de Anjicos”: o caminho intermidiático de Lampião
por Luiz Zanotti

Resumo
O ensaio consiste da análise das relações intermidiais entre o filme “Lampião, o rei do cangaço” (1963) – com direção de Carlos Coimbra, baseado nos livros “Lampião, o Rei do Cangaço”, de Eduardo Barbosa, e “Capitão Virgulino Lampião”, de Nertan Machado –; e o espetáculo teatral “Virgolino e Maria Déa: Auto de Angicos” (2008) – com direção de Amir Haddad, a partir do texto “Auto de Anjicos”, de Marcos Barbosa – ; relatando o difícil processo desse trânsito intermidiático. O filme conta a história de Lampião em seu aspecto épico, com o cangaceiro se apresentando como um líder que luta a favor dos humildes contra uma aristocracia rural; enquanto o espetáculo teatral recria as últimas horas de vida e intimidade de Lampião e sua mulher Maria Bonita, momentos antes de os dois serem mortos pela polícia alagoana; privilegiando a relação amorosa do casal. Tanto a adaptação fílmica como a cênica são de difícil execução, sendo que a análise se propõe a identificar os elementos que possibilitaram a travessia dos romances para o filme e do texto de Marcos Barbosa para o espetáculo, bem como o diálogo entre as duas produções.

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A ficção cyberpunk em outras mídias: uma análise de Akira e Cidade Cyber
por Rodolfo Rorato Londero

Resumo
Desde o filme Blade Runner (1982), marco referencial da literatura cyberpunk, a importância dos quadrinhos é notada: a famosa e comentada ambientação pós-moderna da película advém dos desenhos de The Long Tomorrow (1975-76), de Moebius. A partir deste dado inicial, apresentaremos as relações entre literatura, cinema e quadrinhos no interior da ficção cyberpunk, privilegiando dois exemplos destes últimos como objeto de estudo: Akira (1988), do desenhista japonês Katsuhiro Otomo , e Cidade Cyber (2003), do brasileiro Law Tissot. Sendo um gênero da ficção científica surgido na década de 1980, no contexto social e tecnológico norte-americano, o cyberpunk apresenta divergências reveladoras quando transferido para outros contextos e outras mídias. É justamente para indicar estas diferenças que optamos pelos exemplos citados: enquanto nos mangá (quadrinhos japoneses) verificamos uma engenhosa estilização do gênero, nos trabalhos brasileiros identificamos um intenso diálogo com as bases da ficção cyberpunk.

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As recriações de HAMLET na comunicação de massa
por SILVIA MARIA GUERRA ANASTACIO

Resumo
Este artigo se propõe a refletir sobre conceitos relacionados à tradução intersemiótica, mostrando que o processo de recriação é capaz de transitar por várias linguagens e mídias de modo que um suporte sempre amplie o sentido do outro. As adaptações de textos canônicos da literatura têm recebido um tratamento especial na comunicação de massa e a obra de Shakespeare Hamlet atravessa versões fílmicas diferentes, incluindo episódios de animação e também quadrinhos. Cabe analisar como cada suporte realiza esse processo tradutório ao propor um livre trânsito entre culturas e épocas de recepção diferente.

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Personagem-signo em King Lear e Ran de Kurosawa
por SUDHA SWARNAKAR

Resumo
A ativação da personagem-signo indica uma dupla funcionalidade: primeiramente, como forma de verificar o dinamismo sígnicos das personagens em seus ambientes primários, e segundo, ao assegurar uma compreensão ampliada e relacionada da performance dos signos das personagens para além da órbita de seus suportes iniciais. Este estudo tenta comparar o King Lear com o Ran, a produção filmica de Kurosawa para averiguar a construção da personagem-signo e a tradução intersemiótica como o processo desta construção. A proposta encontra suporte teórico-metodológico-analítico na Tradução Intersemiótica nas postulações de Júlio Plaza, André Lefevere entre outros; na teoria dos signos descrita por Pierce, bem como se ampara nas teorizações e abordagens sobre a Personagem, a Interdiscursividade e a Esquizoanálise.

Co-autor: NIVALDO RODRIGUES DA SILVA FILHO

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O PROCESSO INTERMIDIÁTICO EM DE OLHOS BEM FECHADOS: “STORYBOARDS” DE CHRISTOPHER BAKER E A ADAPTAÇÃO FÍLMICA DO ROMANCE DE ARTHUR SCHNITZLER.
por THAIS FLORES NOGUEIRA DINIZ

Resumo
“Storyboard” é uma técnica de pré-visualização, uma versão desenhada de um filme, uma série de esboços de suas seqüências principais. Embora seja como histórias em quadrinhos, sua função é servir como ferramentas na criação de filmes, ao permitir aos produtores a visualização prévia de cenas e a potencialização de problemas antes mesmo que surjam. Alguns cineastas produzem esboços de apenas algumas cenas; outros nunca se valem dessa estratégia, mas alguns fazem amplo uso desse recurso em substituição ao roteiro. Neste trabalho, pretendo examinar a interação entre a produção do filme De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick e os “storyboards” elaborados por Christopher Baker, principalmente de cenas que ilustram a atmosfera de sonho do romance de Arthur Schnitzler que serviu de inspiração para o filme: o sonho de Alice, o baile de máscaras e a loja de fantasias. Tentarei comparar os esboços de Baker a essas cenas, para analisar o processo intermidiático subjacente à tradução/transcriação ocorrida.

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