| A ADAPTAÇÃO LITERÁRIA E TEATRAL DE CLÁSSICOS NA CONTEMPORANEIDADE |
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Coordenadores Prof. Dr. Gilson Moraes Motta (UFOP) Profa. Dra. Tania Alice Feix (UFOP) Profa. Dra. Mariza Furquim Werneck (PUC-SP) |
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Resumo: Tendo em vista os resultados do simpósio
que organizamos para o XI Encontro da ABRALIC em 2007, gostariamos de dar
continuidade ao nosso trabalho. Considerando que uma das vertentes principais
das artes contemporâneas encontra-se na releitura dos textos clássicos,
nesse Simpósio, numa abordagem transdisciplinar (letras, artes, antropologia,
filosofia) pretendemos abrir espaço para discutir a forma como os criadores
literários e teatrais da atualidade abordam as obras do passado, sejam elas
teatrais, romanescas, poéticas ou ensaísticas. Valorizando, portanto, a
abordagem comparativa, o Simpósio busca focar os debates na adaptação de
clássicos e/ou de suas estruturas formais em linguagem contemporânea - seja
ela literária, cinematográfica ou cênica. Através das diferentes adaptações,
recriações e transposições, o Simpósio propõe uma reflexão sobre a transformação
de diversos conceitos e temas privilegiados nos textos clássicos, como o
amor, o erotismo, o trágico, a morte, a identidade, o poder, entre outros,
tentando entender de que maneira as formas do passado são reinterpretadas
na atualidade. Por intermédio dessa reflexão, o Simpósio fomenta discussões
acerca dos traços estilísticos da Pós-Modernidade estética. Devemos considerar
que, diferente das peças ou textos modernos, que encontram no realismo sua
marca fundamental, o texto clássico parece possuir uma maior abertura para
a assimilação das linguagens contemporâneas. Assim, o que pretendemos valorizar
no Simpósio é justamente como o texto clássico dialoga com o receptor atual
e com as diferentes linguagens estéticas da Pós-modernidade, como a paródia,
a fragmentação, a performance, a descontinuidade, a desconstrução, a ironia,
entre outros. " Subtema: Tradução, Transcriação, Adaptação |

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| Bacantes, mulheres, feiticeiras, olhar, performance
por Daisy Maria Barella da Silva Resumo Esse trabalho é uma reflexão a partir da performance “Bruxa” realizada na Sala de Exposições Java Bonamigo, na UNIJUÍ, Universidade do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. A performance foi gestada pela combinação de três fatores: a leitura de “As bacantes”, de Eurípedes, o desafio para participar de uma mostra coletiva de arte, como professora do curso de Artes Visuais e a inquietação da professora-mulher-artista com o (não)lugar do feminino em uma cultura elitista, conservadora, interiorana e machista. O universo sedutor, prazeroso e lúdico das bacantes, tomadas pelo Deus da embriagues, que desconcertam e destroem Penteu, é tomado pela bruxa, mulher medieval que incorpora o poder destrutivo e sedutor dos mistérios profanos. A bruxa-bacante da performance concentra-se no olhar que seduz e afasta corpos, suscitando o paradoxo do lugar e do não lugar, da visibilidade e da invisibilidade, da santa e da profana, do barulho ensurdecedor e do silêncio da condição feminina. Para pensar as questões paradoxais produzidas pelo corpo da bruxa-bacante, o texto é tecido com as ações e reações da performance , do texto As bacantes e a contribuição teórica dos autores Michel Foucault, David Le Breton e Michelle Perrot. |
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| A arte de engendrar no conto "Pílades e Orestes", de Machado de Assis
por Edilson Santos Resumo No conto "Pílades e Orestes", Machado de Assis faz uma adaptação das peças "Electra", de Sófocles, "Coéforas", de Ésquilo, e "Electra", de Eurípedes, em que também figuram os personagens Pílades e Orestes. Ao retomar a amizade, a tragédia e o mito, fazendo uma releitura desses temas, já explorados pelos referidos autores gregos, Machado de Assis revela o seu conto como um espaço de convergências, como podemos ler no verbo 'engendrar' (gerar, criar) logo no início do conto. A partir de teorias relativas à paródia, à ironia, à tragédia, à narrativa e ao mito, fazemos, nesta comunicação, uma leitura comparada dos textos gregos em questão e do conto de Machado de Assis. O objetivo é revelar as artimanhas do autor ao retomar e reinterpretar o mito, a tragédia, a amizade e as matrizes narrativas de Sófocles, Ésquilo e Eurípedes dentro da realidade brasileira do final do século XIX e início do século XX. |
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| Sonhos de Uma Noite de Verão...Baiano. Muito além do texto, a força semiológica na encenação do Bando
por Geraldo Francisco dos Santos Resumo A presente comunicação pretende refletir sobre os signos teatrais apresentados na encenação da peça Sonhos de Uma Noite de Verão, uma adaptação do Bando de Teatro Olodum, com direção de Márcio Meirelles. Inspirado no texto homólogo de William Shakespeare, produzido no século XVI. Apesar de mantido na íntegra, na encenação do Bando é possível verificar a introdução de elementos sígnicos que se configuram na representação de uma suposta baianidade. É diante desse olhar que notamos como um texto de uma cultura longínqua consegue estabelecer diálogos convergentes - através de signos - e veicular traços identitários de uma cultura. Assim, buscamos fazer um percurso sobre as questões que permeiam a identidade, a significação e a cultura a partir de teóricos contemporâneos à luz dos Estudos Culturais. |
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| Medéia, de Eurípides: três encenações contemporâneas
por GILSON MORAES MOTTA Resumo Medéia, de Eurípides, é um texto que, a partir do ano de 2001, foi encenado por três diretores teatrais de relevância na cena atual: por Antunes Filho, em 2001 e 2002, pelo Teatro do Pequeno Gesto e por Bia Lessa, em 2004. Estas encenações foram bem acolhidas pela crítica e pelo público. Interessa-nos aqui analisar a diferença de abordagem destas três montagens, pois cada uma tende a valorizar um aspecto específico do texto de Eurípides. Esta análise terá como foco a questão dos elementos visuais do espetáculo, enquanto escrita cênica. |
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| Da Grécia para o leitor juvenil brasileiro: adaptações da tragédia “Édipo rei”
por Gizelle Kaminski Corso Resumo O propósito deste trabalho é analisar as adaptações para a literatura juvenil “Édipo rei”, de Cecília Casas, e “A maldição de Édipo”, de Luiz Galdino, comparando-as à tragédia sofocleana “Édipo rei”, verificando as possíveis aproximações e distanciamentos entre o traduzir e o adaptar. Para tanto, são utilizados como textos-fonte duas traduções de “Édipo rei” de Sófocles: uma para a língua portuguesa, de Mário da Gama Kury, e outra para a língua italiana, de Filippo Maria Pontani. Nesse sentido, este trabalho também pretende verificar em que medida as adaptações mencionadas contribuem para a formação do leitor juvenil, elemento essencial e força modificadora desse processo produtivo, que pode tanto aceitar quanto repelir o texto. |
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| LITERATURA ADAPTADA PARA O TEATRO: UMA RELEITURA DA OBRA “PYGMALION”, BERNARD SHAW, EM SUA VERSÃO PARA O TEATRO BRASILEIRO
por Líliam Cristina Marins Resumo O objetivo deste trabalho é observar como se deu o processo de adaptação da obra “Pygmalion” (1964), de Bernard Shaw, para o contexto brasileiro com o musical “My fair lady” (2007). A relação entre literatura e teatro é bem peculiar, principalmente no que se refere às origens do teatro brasileiro, já que este era basicamente alimentado por obras e peças estrangeiras adaptadas para o português, tornando-o significativamente popular no nosso país (WYLER, 2001). A adaptação de “Pygmalion” para o teatro brasileiro apresenta adaptações não só de enredo (como a supressão de alguns personagens, a exclusão de cenas e a inserção de músicas), mas de caracterização de personagens. Vale ressaltar que a adaptação teatral está inserida em uma época diferente da obra em que foi inspirada (séculos XXI e XX, respectivamente) e em um contexto completamente distinto do contexto britânico do livro: o contexto brasileiro. Ao aceitar que as adaptações de obras literárias influenciam nosso contato com a literatura canônica, seria interessante que o público percebesse essas adaptações não como reproduções sem originalidade própria, mas como uma releitura, afinal , o processo de adaptação se dá a partir da consideração de questões pertinentes à leitura e produção de significados. |
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| CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS NA IDEALIZAÇÃO DA MULHER NO DISCURSO CINEMATOGRÁFICO CONTEMPORÂNEO EM DIÁLOGO COM OS CONTOS DE FADAS CLÁSSICOS
por Maíra Bastos dos Santos Resumo O objetivo desse trabalho é o de analisar o filme Encantada e estabelecer relações dialógicas com os contos de fadas tradicionais. Pretende-se compreender de que forma o discurso cinematográfico converge ou diverge da idealização de mulher preestabelecida pelos contos clássicos, e perceber de que modo surge no contexto contemporâneo a figura feminina. Para tanto, serão analisados trechos do discurso verbal das personagens do filme e alguns aspectos referentes à passagem do conto de fadas - enquanto animação, representado pela cidade fictícia de Andalazia - para o mundo “dito” real - representado pela linguagem cinematográfica e ambientado na cidade de Nova York. |
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| “Simbá, o marujo”: um clássico infanto-juvenil adaptado por meio de jogos teatrais
por Paulo Merisio Resumo Este trabalho tem como objetivo refletir sobre o processo de transposição para o palco do texto clássico “Simbá, o marujo”. A montagem, realizada pelo grupo Trupe de Truões, vinculado a Universidade Federal de Uberlândia, se baseou prioritariamente na versão do autor Edson Rocha Braga, coleção Reencontro Infantil da Editora Scipione. A adaptação se deu por meio de jogos de improvisação, tendo-se como norte técnicas como acrobacia, pesquisa de utilização de objetos e teatro de sombras. Foi construída uma primeira estruturação do espetáculo com os jogos, onde predominava o texto proposto pelos atores nas improvisações. Num segundo momento, o grupo voltou ao texto para recuperar palavras e frases consideradas importantes na contação da história. Pretende-se então fazer uma leitura analítica deste processo. |
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| FIOS DO EXISTIR: IMAGENS DE PENÉLOPE E ARIADNE NA POESIA DE MYRIAM FRAGA
por Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva Resumo Tomando as imagens míticas de Penélope e Ariadne, a poesia de Myriam Fraga tece um contra discurso frente ao discurso hegemônico, estabelecendo e abrindo novas possibilidades para a leitura de dois mitos femininos gregos. Um trabalho em comum as liga nas tramas do existir. Estas duas personagens míticas, em Myriam Fraga, herdam das Moiras a capacidade de decisão. Penélope, mesmo presa à esfera doméstica, esperando ao longo dos anos a volta de Ulisses, faz sua viagem ao interior a partir do tecido que constitui sua vida, reelaborando sua identidade na errância de navegar nas suas águas intrauterinas. Já Ariadne, motivada por uma paixão violenta, é mobilizada a agir, infringindo determinadas normas para salvar a Teseu. Ariadne é uma mulher apaixonada, cujo segredo se encerra em uma sabedoria desconhecida. O fio do destino as une por um sentido que não está posto a priori. Elas constroem, cada qual, seu destino a partir de suas escolhas. |
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| A TRAJETÓRIA DE ROMEU E JULIETA, DO TEATRO INGLÊS RENASCETISTA AO TEATRO POPULAR BRASILEIRO.
por Rogério Lopes da Silva Paulino Resumo O objetivo desse artigo é fazer uma análise comparativa de três versões da história de Romeu e Julieta elaboradas em épocas e sociedades distintas: o texto dramático "Romeu e Julieta" de Shakespeare escrito na renascença, "A história do amor de Romeu e Julieta" escrita em 1996 pelo autor nordestino Ariano Suassuna e a montagem mineira da peça de Shakespeare encenada pelo grupo Galpão na década de 90. Através das soluções artísticas dadas em cada uma destas versões, espera-se explicitar como os valores da época na qual cada artista estava inserido influenciaram na realização de suas escolhas estéticas. Centrando a análise, sobretudo, na forma como o amor e a honra foram abordados em cada adaptação. |
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| Diferenças entre as Medéias de Lars Von Triers e Pier Paolo Passolini
por Tamara Katzenstein Resumo Uma análise de dois filmes que tratam do mito de Medeia: um dirigido por Pier Paolo Pasolini e outro por Lars Von Triers. Esse drama arcaico continua atuando enquanto mediação simbólica e isso será visto através das diferenças dos filmes – um italiano, de 1970, outro dinamarquês, de 1980 com o texto original – grego, de 431 A.C.. Esses dois cineastas realizaram uma transposição criativa cujo esforço já foi estimulado na Poética, há 2600 anos atrás, onde próprio Aristóteles prerroga ser ridícula a fidelidade absoluta. Tendo por referencias teóricas Edgar Morin, Ismael Xavier e Malena Segura Contrera entre outros, justifico esta análise, pois, conforme Cláudio Castro "Contemporaneamente (...) há certo grau de relação com o desconhecido que, no universo da arte, se presentifica em forma de símbolos, impulsionando questionamentos acerca do quanto faz sentido vislumbrarmos parentescos arcaicos no âmbito das reverberações trágicas que insistem em nos incomodar no plano das aferições estéticas..." CASTRO, Claudio de Souza Filho. O TRÁGICO NO TEATRO DE FEDERICO GARCÍA LORCA. Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas. Co-autor: Profa. Dra. MARIA LUICIA LEVY CANDEIAS |
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| O diálogo entre performance e encenação na adaptação das peças curtas de Beckett
por TANIA ALICE CAPLAIN FEIX Resumo A comunicação propõe uma reflexão sobre o diálogo entre performance e encenação a partir da apresentação do Projeto "Resta pouco a dizer", realizado pelos Irmãos Guimarães (Brasília). Realizado a partir das peças curtas de Samuel Beckett, o Projeto propõe uma interação de pesquisas em Artes Plásticas, sonoras, literárias e teatrais. Composto por três programas que apresentam encenações de peças curtas e performances inspiradas no universo do autor, o projeto foi apresentado no Rio de Janeiro no mês de março de 2008. Considerando que a Performance e o "Teatro do Absurdo" nasceram no contexto pós-guerra como duas formas de "anti-arte", procuraremos entender como se coloca a questão da Pós-Modernidade teatral a partir das noções de mistura e diluição genérica e de elaboração performática - que se situa no ponto de junção e interação de pesquisas em artes plásticas, pesquisas sonoras, pesquisas teatrais e pesquisas literárias. |
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| Presença de Medéia em "Dogville", de Lars Von Trier
por Ulysses Maciel de Oliveira Neto Resumo As categorias aristotélicas que definem e delimitam a tragédia estão presentes em obras fílmicas de extração trágica da atualidade, embora com funções dramáticas diferentes. Na análise dessas obras, aquelas categorias devem ser identificadas segundo a força que este ou aquele autor atribui a elas de acordo com a sua necessidade, a fim de cimentar a trama, ou seja, de criar uma obra verossímil que dê conta das articulações modernas que levam ao trágico. As obras fílmicas Medéia (1987) e Dogville (2003), do diretor dinamarquês Lars Von Trier, dialogam entre si, através de um jogo cujas peças e regras podem ser analisadas segundo uma estética do trágico. Quanto ao primeiro filme, a transposição da obra homônima de Eurípides é literal, desde o enredo até o caráter dessacralizado e mundano atribuído aos personagens segundo suas ações. Sendo impossível conhecer o caminho que Lars Von Trier intelectualmente trilhou para alcançar Dogville, é possível, porém, a partir da mitologia que envolve a pólis Dogville, os personagens e o cenário, formar um conhecimento acerca do modo como as clássicas categorias aristotélicas são representadas em sua força relativa pelo moderno diretor dinamarquês num e noutro filme, ou seja, como elas são traduzidas. |
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| 'The confidential clerk,' de T. S. Eliot, e suas relações com o teatro clássico
por CELIA GUIMARÃES HELENE Resumo O trabalho aqui proposto pretende explorar as relações entre a peça The confidential clerk, de T. S. Eliot, e o teatro clássico já que, segundo o próprio autor, essa obra tem o Íon de Eurípides como base mítica de seu enredo. Embora essa origem tenha sido ocultada, já que não há referências diretas ao texto clássico, e a obra de Eliot possa ser classificada como uma peça burlesca ou uma comédia de situações, o que a afastaria da tragédia, pode-se ver nela uma aproximação do ideal grego, muitas vezes tratado nas peças trágicas, da busca do conhecimento de si próprio e dos outros e do desmascaramento da impostura e do mal. Por outro lado, aproximando-se da farsa, The confidential clerk parece seguir a tradição da comédia européia, derivada da Nova Comédia Grega, o que, mais uma vez, viria mostrar suas relações com o teatro antigo, ao qual Eliot parece ter-se voltado para possibilitar ao espectador a interpretação dos problemas do homem contemporâneo à luz da visão de mundo da Antigüidade Clássica. |
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| CLARICE E SUAS MÁSCARAS, OU A TENTAÇÃO DA PALAVRA ENCENADA
por MARIZA FURQUIM WERNECK Resumo CLARICE LISPECTOR ESCREVEU APENAS UMA PEÇA TEATRAL: A PECADORA QUEIMADA E OS ANJOS HARMONIOSOS (1948). CONSIDERADO INACABADO, O TEXTO FOI PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ EM A LEGIÃO ESTRANGEIRA, EM MEIO A OUTROS FRAGMENTOS DE ESCRITA, DENOMINADOS "FUNDO DE GAVETA". ENCENADA POR UM GRUPO CARIOCA, A PEÇA TEVE, SALVO ENGANO, APENAS DUAS MONTAGENS, UMA NO RIO, OUTRA EM SÃO PAULO, ENTRE DEZEMBRO DE 2005 E JANEIRO DE 2006. APESAR DISSO, PODE-SE FALAR, SEM MEDO DE ERRAR, EM UMA DRAMATURGIA CLARICIANA, CONSTRUÍDA À REVELIA DA AUTORA, E QUE NÃO PÁRA DE CRESCER. SEUS TEXTOS SÃO DECLAMADOS, ENCENADOS, RECORTADOS E REAGRUPADOS TEMATICAMENTE, CRIANDO UM ESTRANHO EFEITO DE COLAGEM, E UMA NOVA INTERPRETAÇÃO DA OBRA, NO SENTIDO CRÍTICO E TEATRAL DO TERMO. ESTA COMUNICAÇÃO TOMA COMO PONTO DE PARTIDA A PEÇA DE CLARICE PARA EXAMINAR E TENTAR ENTENDER A PROLIFERAÇÃO E A TRANSFORMAÇÃO DE ALGUNS DE SEUS TEXTOS EM DRAMATURGIA, MESMO SABENDO, DE ANTEMÃO, QUE CLARICE NÃO FEZ OUTRA COISA SENÃO QUE ENCENAR A LINGUAGEM. |
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