TEORIA CRÍTICA E LITERATURA: CONVERGÊNCIAS DIALÉTICAS


Coordenadores
Prof. Dr. JORGE DE ALMEIDA (USP)
Prof. Dr. FÁBIO AKCELRUD DURÃO (UNICAMP)
Resumo: Os autores da chamada "Teoria Crítica" são referência fundamental para o desenvolvimento das diversas tradições ensaísticas de crítica dialética da literatura. Ao relacionar a literatura com outros saberes (filosofia, sociologia, psicologia, antropologia, história), estes pensadores de formação materialista e hegeliana defenderam sempre o "teor de conhecimento" específico das obras literárias, a ser alcançado e exposto, "metodicamente sem método", pelo esforço da crítica imanente. Levando isso em consideração, nosso simpósio tem o objetivo de, seguindo a primazia do objeto (a própria literatura), contribuir para a discussão da atualidade e relevância da Teoria Crítica e da crítica dialética, nos vários âmbitos do debate contemporâneo sobre os estudos literários. "

Subtema: Literatura e outros saberes

Confiabilidade e Acaso na Indústria Cultural: estratégias do narrador não-confiável em "Match Point", de Woody Allen
por ANA PAULA BIANCONCINI ANJOS

Resumo
O filme “Match Point” (2005) de Woody Allen trata do papel central do acaso na vida contemporânea. A trajetória de Cris Wilton, tecida pelo diretor norte-americano aos moldes do cinema clássico, faz-se toda permeada pela função que a sorte desempenha tanto no âmbito privado como nas raras vezes em que aparece, ou é citado, o espaço público. Pode-se explicar o sucesso do jovem professor de tênis irlandês por sua sorte, combinada ao emprego correto de esforço/planejamento em oportunidades. Há no filme uma tensão, já identificada por Adorno e Horkheimer em “A Indústria Cultural”, entre acaso e planejamento, assim, “o próprio acaso é planejado; não no sentido de atingir tal ou qual indivíduo determinado, mas no sentido, justamente de fazer crer que ele impere”. Culto (ele é conhecedor de ópera e literatura) e executivo (o alto funcionário de uma empresa de investimentos financeiros, bem como o que executa de maneira eficaz), Wilton é “um narrador cheio de credenciais” (SCHWARZ, 1997) que pode ser comparado ao nosso Bentinho de Machado de Assis aquele que, a princípio, não se desconfia. É nesse contexto, de “acaso planejado” e de confiabilidade na indústria cultural que se estabelece a narrativa em “Match Point”.

Clique aqui para ver o texto integral      

A crítica de Siegfried Kracauer ao romance- reportagem.
por Carlos Eduardo Jordão Machado

Resumo
Ao longo dos anos 1920 e início de 1930, Kracauer desenvolveu, nas páginas do Frankfurter Zeitung, uma forma específica e original do ensaio – a "literatura sociológica": o seu livro Os empregados (1930) é a melhor expressão. Uma análise da "nova classe média" alemã que revela como ninguém a "falsa consciência" desse novo tipo do trabalho assalariado. Trata-se compreender o que Kracauer entende por essa forma de ensaio, a "literatura sociológica", confrontando sua crítica ao romance reportagem e aproximando-a da polêmica realizada na revista berlinense Das Wort (1931-33) - sem esquecer o "caso Brecht".

Clique aqui para ver o texto integral      

Figuras Infernais no Teatro de Samuel Beckett: Circularidade e Confinamento
por Cláudia Vasconcellos

Resumo
A peça de Beckett Fim de Partida encena duas figuras-chave de seu teatro, circularidade e confinamento, mas de um modo paradoxal, que acaba por dialogar com o grande paradoxo do artista apontado pelo autor: "não ter nada a expressar, nada com que expressar, nada a partir do que expressar, nenhuma possibilidade de expressar, aliado a obrigação de expressar".

Clique aqui para ver o texto integral      

Adorno e Scholem: mística e teoria da literatura
por Eduardo Guerreiro Brito Losso

Resumo
É sabido que Theodor Adorno foi influenciado por Walter Benjamin em suas considerações sobre literatura moderna, em especial, uma certa mística da linguagem que trata textos profanos "como se fossem sagrados", cuja virtude ética está em remeter para a "salvação do sem esperança". Contudo, foi pouco estudada a troca de cartas entre Adorno e o grande terceiro personagem dessa discussão, o historiador da cabala e amigo de Benjamin Gerschom Scholem, que evidenciam a importância da experiência mística judaica para a literatura moderna e teoria da literatura na medida mesma em que ela coloca em primeiro plano a remissão indefinida entre os símbolos e a derrocada da intenção autoral. O trabalho vai refletir sobre a curiosa simpatia da relação do materialismo adorniano com a mística, sua valorização da "minúcia profana" como chave de um messianismo e uma redenção negativa, encarada por ele como "teologia herética", ou ainda, uma versão materialista da "teologia negativa": a dialética negativa. A partir daí, desembocaremos em suas consequências na relação da teoria da literatura com secularização e a crítica da metafísica.

Clique aqui para ver o texto integral      

Da forma como parada
por Fabio Akcelrud Durão

Resumo
Uma das características mais importantes da revolução microeletrônica foi o surgimento de uma nova coordenada na vivência com a linguagem, marcada agora por um aspecto quantitativo. A imposição cada vez maior de massas sígnicas, tanto verbais quanto não verbais. O mundo crescentemente torna-se um veículo para uma corrente de mensagens, que, é claro, tem como motivação e centro de gravidade a geração de lucro. Ao fluxo da superprodução semiótica, essa comunicação oporá uma idéia de forma como violência limitadora que permite, em sua interioridade, um tipo de articulação entre as partes que ao mesmo tempo elucida e critica a opressão dos signos. Ulisses, de James Joyce, talvez a obra mais comentada, da literatura ocidental servirá como estudo de caso.

Clique aqui para ver o texto integral      

As Minima Moralia de Theodor W. Adorno: expressão como fidelidade ao pensamento
por Franciele Bete Petry

Resumo
Tanto o pensamento quanto a forma que o expõe são, na filosofia de Adorno, elementos que devem se integrar. A forma não é apenas o ornamento de um pensamento, mas uma maneira adequada de sua expressão: é o modo pelo qual ele vem à tona e pode ser apreendido, por isso, ambos devem manter uma relação de justeza e rigor. A idéia de que a forma não é um enfeite estilístico, mas uma exigência de apresentação do próprio pensamento pode ser encontrada, por exemplo, nas Minima Moralia, em que Adorno exemplifica a relação de simetria e complementaridade entre o pensamento e a sua exposição. O caráter fragmentário da obra, construída por meio de aforismos, revela em seu modo de apresentação os traços de uma realidade também fragmentada, a qual não poderia ser tratada por Adorno de outro modo a não ser como parte de um todo que se desfez e do qual não restam senão pequenos fragmentos. Assim, o trabalho pretende discutir essa conexão necessária entre o pensamento e sua expressão, não apenas a partir das considerações teóricas de Adorno sobre o tema, mas principalmente tomando como eixo o próprio método aforístico empregado pelo filósofo nas Minima Moralia.

Clique aqui para ver o texto integral      

Observações acerca da reconfiguração da tradição literária por meio do conceito de Material, de Theodor W. Adorno, em "Berlin Alexanderplatz", de Alfred Döblin.
por Gabriela Siqueira Bitencourt

Resumo
Tendo como base de discussão o livro Berlin Alexanderplatz (1929), de Alfred Döblin, a presente comunicação propõe a investigação da importância do conceito de material, como desenvolvido por Theodor Adorno, para a reconfiguração da tradição literária no interior de uma narrativa moderna e na elaboração de uma representação da cidade por meio da técnica da montagem.

Clique aqui para ver o texto integral      

Parteiro do Futuro ou Fim de Linha: Roberto Schwarz em perspectiva mariodeandradiana
por Leandro Pasini

Resumo
Em 1941, Mário de Andrade escreve "Elegia de Abril", texto de abertura da revista Clima, avaliando a inteligência brasileira de sua geração e a daqueles jovens de então que a tinham como referência, Antonio Candido, Décio de Almeida Prado, Paulo Emilio Salles Gomes, entre os principais. O ensaio é severo e problemático, pois indica ao mesmo tempo a linha construtiva da inteligência brasileira, cujo momento decisivo no plano da crítica literária é o livro Formação da literatura brasileira (1955) de Antonio Candido, e a linha de desagregação, a desistência de engajamento formal e da prioridade da experiência brasileira, da crítica e da literatura, diante dos desajustes do país rl e de seu fracasso de se realizar moderno à européia. Já se tornou lugar-comum da história da crítica literária brasileira que a obra de Roberto Schwarz sobre Machado de Assis coroa a linha construtiva da crítica, consolidada por Antonio Candido, num processo dialético de pensamento que flagra em nosso ponto máximo de realização literária o processo social que impede a construção do país moderno idealizado. Essa formulação radical que redimensiona a relação entre "acumulação literária e nação periférica" levou o tempo de uma geração, pois se inicia com o decisivo "Idéias fora do lugar" em meados da década de 1970, e chega ao trabalho de síntese sobre Memórias póstumas de Brás Cubas no início dos anos 1990. Contudo, o "fim de século" redimensiona essa linha construtiva, e a desagregação da inteligência (e não só) se impõe com violência, pondo em xeque igualmente aquela linha, mesmo o seu momento dialético schwarziano. O próprio Roberto Schwarz, em textos de fins dos anos 90 e dos primeiros anos desta década, penso especificamente em "Fim de Século" (1994) e "Saudação a Sérgio Ferro" (2005), aborda esse impasse a que o trabalho de sua geração chegou. Em nosso momento presente, de angustiante indecisão, me parece que a aguda experiência mariodeandradiana recobra atualidade, junto de alguns fios soltos do primeiro modernismo, e pode lançar luz sobre os textos recentes de Roberto Schwarz. Nesse sentido, a presença atual na inteligência brasileira de uma grande linha de força que parece estar consumada - a da formação - , e se mantém como digna de apreço e exegese, convive com uma potencialidade de futuro que exige sua superação crítica, e ambas recebem a melhor formulação do mesmo crítico. É nesse viés que pergunto polemicamente se esses textos recentes são "parteiros do futuro ou fim de linha". Minha fala pretende confrontar esses dois pontos, o inicial mariodeandradiano e o final schwarziano, buscando desenvolver e buscar perspectivas para o impasse contemporâneo da inteligência não-conformista da crítica literária brasileira.

Clique aqui para ver o texto integral      

Adorno lendo Beckett: a paródia do drama
por Luciano Ferreira Gatti

Resumo
Esta comunicação procura situar a interpretação do teatro de Samuel Beckett feita por Theodor W. Adorno no interior de um quadro literário e filosófico mais amplo caracterizado pela questão da perda do sentido e da totalidade na literatura e no teatro. A hipótese de trabalho inicial é a de que Adorno procura apreender certas dificuldades à interpretação da peça Fim de partida – hermetismo, corte de referências históricas explícitas e, no limite, impossibilidade do sentido como parâmetro da representação artística – por meio do questionamento de todo sentido metafísico presente na forma clássica do drama. Este questionamento permitiria, por sua vez, contestar não só a aproximação entre Beckett e o existencialismo, a qual marca sua recepção inicial, mas também os pressupostos metafísicos desta filosofia. No limite, a radicalidade de Fim de partida estaria em colocar em questão tanto o gênero dramático como forma de apresentação teatral quanto a possibilidade mesma de sobrevivência da filosofia.

Clique aqui para ver o texto integral      

A formação do romance nas periferias do capitalismo: convergências entre Macedo e Camilo, autores dialéticos
por Luciene Marie Pavanelo

Resumo
O romance moderno surgiu no século XVIII na Inglaterra e se difundiu no século seguinte a partir dos autores franceses. Antes de produzirem os seus próprios escritores, periferias do capitalismo, como Brasil e Portugal, importavam as literaturas estrangeiras, consumidas pelo público leitor em formação. Para conquistarem esse público, os autores brasileiros e portugueses precisaram conservar elementos dessas literaturas, ao mesmo tempo em que buscaram distinguir-se delas, a fim de criarem uma literatura nacional. Joaquim Manuel de Macedo e Camilo Castelo Branco possuem, nesse contexto, muitas semelhanças: vistos por grande parte da crítica como escritores comerciais e, portanto, desinteressados e desinteressantes, publicaram suas obras entre as décadas de 1840 e 1880, vivendo as transformações político-sociais e literárias que ocorreram nesse período em seus respectivos países. Apesar de escreverem enredos superficiais que pudessem agradar a seus leitores menos exigentes, Macedo e Camilo, numa camada mais profunda de seus romances, procuravam também expor as suas críticas sociais e culturais, contribuindo para a formação de literaturas nacionais que, mantendo os laços com o centro do capitalismo, dialeticamente distanciavam-se dele.

Clique aqui para ver o texto integral      

O debate entre realismo e idealismo e suas relações com a obra de Henry James e Machado de Assis
por Marcelo Pen Parreira

Resumo
Neste comentário sobre a narrativa de Henry James e de Machado de Assis, e sua ligação com a campanha estética veiculada pela publicação francesa Revue des Deux Mondes, procura-se sugerir como, a partir de um programa supostamente conservador, os dois autores lograram esquivar-se das armadilhas de um discurso antiquado, romper com os limites da escola realista de que faziam parte e, ainda, armar uma ponte com a modernidade por meio de procedimentos que alargaram o horizonte artístico de sua época.

Clique aqui para ver o texto integral      

Teoria crítica e artes visuais: a semântica da forma em Sebastião Salgado
por Marcos Fabris

Resumo
A crítica especializada, na melhor das hipóteses de caráter meramente formalista, ressalta os aspectos fiéis, “realistas”, da desoladora condição do homem no século XX reveladas nas imagens produzidas por Sebastião Salgado. Tais imagens dariam a ver de modo inequívoco a exclusão dos desafortunados e dos miseráveis das diversas sociedades modernas, questionando as fronteiras hipócritas que colocam a salvo uma ordem burguesa que procura sobreviver a duras penas. Comentários que parecem pertinentes. Busco, nesta apresentação, aprofundar a crítica ao seu trabalho tentando colher elementos para melhor formular e desenvolver questões que parecem centrais em sua obra: a tradição à qual o artista é tributário, as complexas relações entre forma e conteúdo nas fotografias, o processo de estetização das imagens que produz e o conteúdo de caráter progressista de sua temática social.

Clique aqui para ver o texto integral      

Kafka: A Arte de Desconfiar
por Patrícia da Silva Santos

Resumo
O texto apoia-se na admiração de Franz Kafka por Gustave Flaubert para tecer considerações a respeito da desconfiança na linguagem por parte do escritor tcheco, partindo da leitura de Flaubert efetuada por Auerbach enquanto literatura baseada na confiança. O argumento baseia-se tanto em escritos pessoais de Kafka, quanto em suas obras para procurar indícios de que esse escritor não se posiciona como medium em relação à linguagem; nesse sentido, apesar da impessoalidade do narrador (e também por conta dela), Kafka mantém a ambigüidade latente das palavras. As considerações a respeito da desconfiança serão feitas a partir do duplo âmbito da Sprache: linguagem e língua. De um lado, a linguagem enquanto instrumento ambíguo de apreensão do mundo e, de outro lado, o alemão utilizado por Kafka que, embora sem erro gramatical, é uma “língua de empréstimo”. A partir dessas reflexões, pretende-se apontar para algumas das peculiaridades da “realidade exposta” pela literatura kafkiana, cujo caráter é fundamentalmente fragmentário e de indeterminação, mas que, ainda assim, repousa numa relação com os dados históricos, constituindo uma modalidade específica de realismo, na terminologia cunhada por Erich Auerbach.

Clique aqui para ver o texto integral      

Literatura e política na ficção de José Saramago
por Wagner Lacerda

Resumo
O trabalho tem como objetivo identificar diferentes abordagens políticas na obra do escritor português José Saramago, para observar como ele, intelectual de formação marxista, compreende e representa na ficção a dinâmica dos fatos históricos. Diante disso, pretende-se refletir sobre os entrelaçamentos que se estabelecem entre a literatura, a história e a política a partir de uma voz dissonante do cenário atual, em que o homem aparece cada vez mais diminuído perante o mercado e o capital. Para tal intento serão utilizadas as obras Levantado do Chão, Ensaio sobre a Cegueira, A Caverna e Todos os Nomes, e textos teóricos de autores como Karl Marx,Walter Benjamin, Jacques Derrida e István Mészáros.

Clique aqui para ver o texto integral      

Teoria Crítica e Literatura Comparada: por um novo modelo dialético
por JORGE MATTOS BRITO DE ALMEIDA

Resumo
A história da literatura comparada, enquanto disciplina, é ainda marcada pelo confronto entre suas diversas vertentes fundadoras: o positivismo francês, o formalismo anglo-saxão e a filologia alemã. A tudo isso veio se somar, nas últimas décadas, a crítica cultural e a sociologia estruturalista da literatura, com novos métodos e perspectivas de estudo, que afetam até mesmo a definição da literatura como seu objeto privilegiado. Propomos, nesse ensaio, a recuperação de alguns pressupostos da Teoria Crítica (desenvolvidos nas obras de Benjamin, Adorno, Auerbach, Szondi e Watt) para a discussão e reformulação dos objetos e métodos da literatura comparada contemporânea.


Walter Benjamin e o debate sobre o desenvolvimento das forças produtivas
por Marcos César de Paula Soares

Resumo
Os últimos anos têm visto o surgimento de um novo capítulo do extenso debate sobre os "altos e baixos da atualidade" dos ensaios de Walter Benjamin, notadamente aquele sobre a reprodutibilidade técnica: o interesse cada vez mais intenso de diversos dos novos movimentos sociais pelo lado mais propriamente militante dos ensaios, frequentemente soterrado sob considerações "filosóficas" (celebratórias ou não) sobre seus conteúdos políticos. Esta apresentação pretende refletir sobre esse novo interesse, reconstituindo parte do contexto das reflexões de Benjamin sobre a reprodutibilidade técnica nos anos 30 para pensar sobre como elas podem apontar para práticas militantes contemporâneas.


Ian Watt: um crítico dialético no império americano
por SANDRA GUARDINI TEIXEIRA VASCONCELOS

Resumo
Essa comunicação tem como objetivo discutir a apropriação por parte do autor de Ascensão do Romance de formulações teóricas fundamentais no âmbito da Teoria Crítica, que possibilitaram a Ian Watt, formado na tradição da crítica prática inglesa, incorporar, no estudo dos temas e autores que elegeu ao longo de sua carreira como historiador e crítico literário, a preocupação com os processos sócio-históricos que lhes deram origem. Trata-se desse modo de discutir de que maneira esse importante estudioso da tradição do romance inglês trabalha dialeticamente forma literária e processo social.