| TEOLOGIA E LITERATURA: ESTUDOS COMPARADOS |
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Coordenadores Profa. Dra. SALMA FERRAZ (UFSC) Prof. Dr. WALDECY TENÓRIO LIMA (USP) Prof. Dr. ANTÔNIO CARLOS DE MELO MAGALHÃES (UEPB) |
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Resumo: O presente simpósio centra-se nos estudos
comparados entre Teologia e Literatura. Este ramo dos estudos comparados
é tradicional em países como Alemanha e Estados Unidos. Em países Latinos
como Chile e Argentina está presente há mais de uma década. Recentemente
no Brasil, surgiram quase que simultaneamente em várias universidades pesquisadores
em torno desta área comparativista. Em 2007 foi fundada no Rio de Janeiro
a Alalite, Associação Latino Americana de Literatura e Teologia, agregando
pesquisadores de diversos países da América Latina. Este Simpósio pretende
discutir os aspectos teóricos deste ramo de estudos, a migração dos personagens
bíblicos para os romances contemporâneos, a intertextualidade entre Literatura
e Teologia, o hipertexto entre Teologia e Cinema, entre Teologia e Pintura,
Teologia e Música, os estudos e a abordagem da Bíblia enquanto literatura
judaico-cristã." Subtema: Literatura e outros saberes |

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| A FILOSOFIA DE CUIDADO DE SI X O SABER DE SI NOS SÉCULOS I E II DA ERA CRISTÃ
por Andréa Beatriz Hack de Góes Resumo A referida comunicação traz uma análise comparativa, a partir dos estudos de Michel Foucault, entre as formas de concepção da subjetividade dentro da filosofia greco-romana, que pregava a importância do cuidado de si, a partir do uso de elaboradas tecnologias, as quais eram repassadas e acompanhadas por um mestre ao seu(s) discípulo(s), numa relação bastante próxima. Com o surgimento do Cristianismo, a ênfase ao cuidado de si modificou-se para o saber de si, com a introdução de novas técnicas de vigilância, entre elas a confissão e o castigo, oriundas de uma nova concepção de pecado e da distância que o mesmo promove entre o indivíduo e a transcendência, o divino perfeito – Deus. |
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| A TEOLOGIA E A LITERATURA DE BORGES: UM DIÁLOGO
por Andrea Padrao Resumo De todos os escritores hispano-americanos, Jorge Luis Borges (1899 – 1986) talvez seja, segundo Molloy (1987, p. 801), o mais imponente, o mais disponível para o mito: “monumental como el bronce, más antiguo que Egipto, anterior a las profecias y las piramides” (Borges, 1996, p. 545-6). Escrevendo somente ensaios, poemas e relatos breves, Borges conseguiu ir muito além da literatura de costumes que era praticada em seu entorno e produzir uma literatura fantástica e abstrata, universalmente reconhecida. Conseguiu, também, com sua obra, criar um mundo particular dotado de uma estética pessoal e conceitos próprios, no qual são freqüentes as manifestações religiosas que se nutrem na Bíblia, na Cabala, na tradição, na teologia e na filosofia. O presente trabalho pretende analisar sucintamente a singular atração de Borges pela Bíblia, pela Cabala e pelo mundo judeu; pretende enfocar, também, algumas questões teológicas recorrentes nos diversos gêneros pelos quais o escritor transitou, notadamente na narrativa ficcional. |
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| A Falta que Falta: Grande Sertão:Veredas e a Subversão de Satã
por ANDREI SOARES Resumo O trabalho explora o encontro entre artifício e ausência, um encontro definido pela impossibilidade de se representar, articular ou mesmo conceber aquilo (ou Aquele) que inexiste. Mais especificamente, discute como Guimarães Rosa logra em Grande Sertão: Veredas sugerir a presença, no próprio cerne da experiência narrada, de uma privação radical e diabólica – privação que, entretanto, jamais chega a representar na narrativa. Recorrendo a Agostinho, Pseudo-Dionísio e Boetius, o trabalho sugere que esta presença enquanto falta do diabo apropria, rearticula e por fim subverte – por hipérbole – um procedimento constitutivo da teologia Cristã: a tipificação do mal como uma mera falta do bem. O resultado é uma ausência de segundo grau, na qual o diabo – já entendido como encarnação da falta – falha em faltar no sertão Roseano. |
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| A Bíblia como obra literária
por Antonio Carlos De Melo Magalhães Resumo Traduções recentes de obras de importantes críticos literários (Robert Alter, Northrop Frye, Harold Bloom) e publicações na Alemanha ainda não traduzidas (Jan Assmann, Hans-Peter Schmidt) retomam o tema da relação entre Bíblia e Literatura e a Bíblia como obra literária. Minha contribuição no simpósio Teologia e Literatura: Estudos Comparados é a de sistematizar estes textos, apresentar suas convergências e principais divergências e concluir com uma reflexão sobre a relação entre teologia e literatura a partir do papel e da importância da Bíblia como obra basilar da literatura ocidental. |
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| A personagem Jesus em “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de José Saramago, e a (re)significação de valores na contemporaneidade
por Cibele Lopresti Costa Resumo A leitura de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, sugere a reflexão sobre a construção da personagem Jesus que a priori traz em si uma herança religiosa. Esse estudo torna-se pertinente, pois ele é resignificado na voz do narrador contemporâneo: perde a sacralidade bíblica e se constrói à imagem daquilo que é humanamente possível. Assim, o ponto de vista do narrador favorece a seguinte reflexão: o que ela – personagem Jesus – revela em seu ponto de vista que é do âmbito do sagrado, do religioso, segundo o texto bíblico? E o que é próprio da natureza humana? E, ainda, que valor humano apresentado pela narrativa coincide com os valores apresentados na figura bíblica de Jesus? Esta reflexão tem por objetivo pensar na universalidade e pertinência dos valores apontados pelo narrador para que se possa dimensionar a possível contribuição da Literatura para a construção de valores éticos na contemporaneidade. |
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| Inoperância e inexistência: Deus e o diabo lidos no “Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa
por Clademilson Fernandes Paulino da Silva Resumo O presente trabalho, construído a partir do diálogo entre teologia e literatura, procura apresentar as imagens de Deus e do diabo encontradas no “Grande Sertão: Veredas”, romance de João Guimarães Rosa. É objetivo do mesmo, tomando como pontos de partida o dualismo maniqueísta cristão-católico e a dualidade-complementaridade taoísta, mostrar que o romance, reflexão religiosa de Riobaldo-Guimarães Rosa, caracteriza o diabo, uma das personagens mais significativas do romance, como um ser inexistente, mas profundamente atuante, e Deus, uma personagem aparentemente secundária, como um ser existente, contudo, passivamente inoperante. Dessa forma, o trabalho, levando em conta seus próprios limites, delimita os espaços, papéis e atuações dessas duas significativas personagens do romance. |
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| A vida de José segundo Roberto Coover
por Delzi Alves Laranjeira Resumo No conto J’s marriage, Robert Coover faz um recorte da história de Jesus e direciona o foco para um personagem pouco mencionado na narrativa evangélica: José, o marido de Maria. Tendo como base o Evangelho de Mateus, Coover suplementa os vazios do texto bíblico, apresentando ao leitor um José radicalmente diferente daquele que foi legado pela tradição evangélica. Sem sonhos nem anjos que certifiquem seu papel nas vidas de Maria e Jesus, José luta para compreender o abismo que existe entre ele e sua esposa e porque, afinal, sujeitou-se em levar uma existência tão infeliz. A participação involuntária de José na história de Jesus, na versão de Coover, enfatiza o caráter manipulador da ação divina e suas consequências, o que sinaliza um questionamento da tradição canônica ao mesmo tempo em que traz para a cena principal um personagem que habita os espaços periféricos da narrativa evangélica. |
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| Há crítica literária sobre O Código Da Vinci?
por Elaine Reis Resumo Na esteira do lançamento de O Código Da Vinci (OCDV) em 2003, foram lançados, quase que concomitantemente mais de 20 livros não ficcionais, que o recepcionaram. Utilizando um corpus de 10 livros receptivos, escolhidos aleatoriamente para evitar um direcionamento tendencioso da pesquisa, esta comunicação levanta a hipótese de que eles, ao se aproximarem de OCDV, texto literário e de ficção, com intuito teológico,confundem o que é teologia e o que é literatura. Dividimos os livros em duas categorias: Os moderados, mais condescendentes, mas sem deixar de confrontar fato versus ficção, verdade versus mentiras, precisão versus imprecisão; os radicais, compromissados com suas convicções religiosas, atacam, excomungam OCDV e seu autor com discurso dogmático, teológico-cristão, convidam, ou melhor, apelam à espiritualidade do leitor, colocando-o diante de uma escolha: a verdade, o bem, o fato , ou seja a Bíblia, a encarnação do mal, a mentira , a “fa-cção”, ou seja, OCDV. Imersa nessa ótica, surgem algumas perguntas: há crítica literária sobre OCDV? Como podem ser classificados os livros que recepcionaram a referida narrativa: são de crítica jornalística, resenhas com finalidade crítica, manuais explicativos ou são apenas livros caça-níqueis? Para respondê-las, utilizaremos como referencial teóricos autores como Blume, Franken, Eaglenton, Barthes e Piglia. |
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| SENTIDOS TEOLÓGICOS DA RESIGNAÇÃO EM RITUAL DE DANAÇÃO, DE GILVAN LEMOS
por Eli Brandão da Silva Resumo Desde os mais remotos tempos, os deuses dialogam no interior dos textos, e tal é essa relação que, em suas origens, o que hoje chamamos literatura chega a se confundir com o que primeiramente se chamou e ainda se pode chamar de teologia. Ao longo da história da literatura encontramos abundante presença de “textos sagrados” no seio de textos literários, num diálogo intertextual e/ou interdiscursivo incessante, num processo que configura relações de concordância ou discordância, configurando, muitas vezes, intrigantes heterodoxias. Apoiados nas contribuições de Backtin, Maingueneau e Genette, buscamos identificar possíveis relações entre a Novela “Ritual de Danação”, em A “ Era dos Besouros”, de Gilvan Lemos e o “Livro de Jó”, da Bíblia, buscando compreender os sentidos teológicos da resignação na novela do pernambucano, suas identidades e suas diferenças em relação ao texto bíblico e às interpretações teológicas deste pelas tradições cristãs. |
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| JESUS MARGINAL EM "MINHA HISTÓRIA" E EM "FAROESTE CABOCLO": CONTRAPONTO TEOLÓGICO-LITERÁRIO ENTRE CHICO BUARQUE E RENATO RUSSO
por Fabrício Cordeiro Dantas Resumo Considerando os estudos convergindo literatura e teologia, produções culturais de conteúdo plurissignificativo capazes de questionar ou propor novas realidades, pretendemos explicitar como aquela convergência foi emblemática no contexto latino-americano, onde os discursos literário e teológico resgataram a “condição humana, em sua espessura material e densidade simbólica” (Barcellos, 2001). Para tanto, confluiremos a Teologia da libertação, que articulou o lugar da fé e da existência ao lugar da realidade social (Boff, 1984), com a construção simbólica de Cristo como sujeito marginalizado nas canções Faroeste Caboclo (1979) de Renato Russo, da banda Legião Urbana, e Minha história, adaptação de Chico Buarque da canção italiana Gesùbambino (1971), de Lúcio Dalla e Pallottino. Selecionamos os textos por apresentarem singeleza poética e forte empreendimento teológico ao ressemantizarem a imagem de Jesus Cristo salvador como anti-herói, vilão e vítima da e na própria história . Nortearemos nossa análise a partir de alguns princípios teológicos relacionados ao perfil de Cristo, previstos pela teologia da libertação em Sobrinho (1996) e em Boff (1984), bem como a visão do papel da arte em confluência com a teologia, no contexto pós-moderno segundo Boff ( 2000) e Magalhães (2007). |
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| Erotismo e Religião: Cópula e Comunhão - Estudos acerca da poesia de Hilda Hilst e Adélia Prado
por Geruza Zelnys de Almeida Resumo Hilda Hilst e Adélia Prado são grandes nomes da literatura brasileira na atualidade. Com estilos individuais, a arte as aproxima na busca pelo sagrado que se inscreve de forma imanente e transcendente em seus poemas. Entretanto, são muitas as vias para se chegar até ele, e cada uma delas traça seu percurso de modo diferenciado: Hilda pela cópula, Adélia pela comunhão. O objetivo desse estudo é refletir acerca da natureza ontológica das experiências religiosa e erótica na poesia, identificando-as nos procedimentos que ora individualizam, ora aproximam essas poetas. Na busca pelo sagrado, um dos caminhos tomados por Hilda é o mergulho no sensível para tornar o invisível inteligível. Daí a necessidade de enfrentar sua falibilidade sígnica, seja através da ‘sensualização’ da forma, da cópula imagética, ou ainda, da pornografia vernacular. Já a poesia litúrgica de Adélia segue em busca da palavra enquanto “coisa”, ritualizada no espaço poemático, e de sua essência batismal. Daí a importância do ritmo como instrumento de celebração da palavra. Esses diferentes caminhos precisam ser percorridos para chegarmos a um ponto comum: o lugar do encontro, lugar da cópula e comunhão, o lugar, enfim, do sagrado na grande poesia. Co-autor: CRISTIANE FERNANDES LEITE (PUC/SP) |
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| O DUPLO COMO TRAÇO FUNDANTE DA OBRA ROSIANA
por Hugo Fonseca Alonso Júnior Resumo A discussão sobre a possibilidade de diálogo entre teologia e literatura é o que move esta pesquisa. O que se pretende, por meio da observação de dois aspectos fundamentais na escritura rosiana, a saber, a linguagem e o papel da religião, é analisar a manifestação do fenômeno do duplo como pressuposto central do método hermenêutico, e a função da religião como universo do transcendente, celeiro mítico de imagens de Deus, que denotam um movimento revelador dos anseios humanos, que se mostra como traço fundante do estudo da obra rosiana. A linguagem e a religião conjugam-se magistralmente por meio das reflexões do protagonista-narrador Riobaldo. Este, ao rememorar sua história, cria estórias ressignificadoras da vida e do vivido, ou seja, sentido ao viver. O recontar riobaldiano é o próprio método de reconstrução de sentido, em outras palavras, suas narrativas refletidas e recontadas, sem a preocupação cronológica, estabelecem um diálogo com a história pessoal, com o acontecido e com o imaginário. Daí surge um belíssimo quadro de imagens de Deus, do Diabo, do ser humano, do sertão e da vida como um todo. Esta rememoração, marcada indelevelmente pela ambigüidade, tem a dizer, ou melhor, a dialogar com a teologia, desta está próxima tanto pelo Riobaldo-velho (essencialmente religioso) quanto pela busca de sentido da Vida (tarefa igualmente teológica). Reconhecendo características comuns e possibilidades afins, analisar-se-á, em Grande Sertão: Veredas, imagens de Deus que fossem marcadamente ambíguas, assim como se caracteriza a linguagem teológico-literária. A fim de alcançar este objetivo, indicar-se-á a proximidade do personagem Diabo em relação ao personagem Deus, as aparições de Deus segundo a íris riobaldiana. |
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| Lúcifer confinado... na Divina Comédia
por Maria Teresa Arrigoni Resumo A presença de Deus nas obras literárias é um dos temas em torno do qual se move, no âmbito da literatura comparada, a Teopoética, que tem ampliado suas investigações, acrescentando novas interpretações dos apócrifos às leituras dos textos bíblicos, e tecendo ou desvendando novas intertextualidades, no universo da pós-modernidade. Do mesmo modo, as atenções de críticos e estudiosos têm-se direcionado também ao demônio e a sua presença na literatura. Embora não pertença ao estatuto da literatura contemporânea, campo de pesquisa mais pontual da Teopoética, na Divina Comédia encontramos uma descrição de Lúcifer com precisão de detalhes, em sua gigantesca presença no Inferno. Mas será que essa presença faz dele realmente uma potência infernal? Neste trabalho, sem ter a intenção de percorrer toda a viagem através do Inferno, busco estabelecer de que maneira a simbologia que cerca o demônio no último círculo do inferno dantesco pode estar e ser relacionada àquele saber medieval literariamente recriado por Dante. |
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| O CRISTO DA FÉ: Fé teológica x Fé poética
por Rafael Camorlinga Alcaraz Resumo Será que Jesus Cristo, adorado como Filho de Deus por quase um bilhão de cristãos, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Alfa e Omega do Apocalipse..., pode ser mais um personagem da ficção literária? É fácil prever a resposta da Teologia, diametralmente oposta à da Literatura. Porém, a distância entre os extremos se reduz consideravelmente se levarmos em consideração, por um lado, a carga ficcional inerente à especulação teológica; e por outro, a importância que pode assumir a canonização literária. Com efeito, mesma partindo de premissas e se utilizando de discursos diferentes, tanto a Teologia quanto a Literatura estão seriamente comprometidas com a Estética. Esta, por sua vez, culmina na Epifania, modesta na efemeridade do aqui-e-agora, grandiosa depois de cruzar o limiar da eternidade. |
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| Jó: afinal quem o Tentou?
por SALMA FERRAZ Resumo Na presente comunicação pretendemos analisar o livro de Jó, a atuação de Deus e de Lúcifer baseados nos seguintes teóricos: Resposta a Jó, de C. G. Jung; o capítulo Confronto, da obra Deus: uma Biografia, de Jack Miles; e Jó: a força de um escravo, de Antonio Negri, publicado em 2007. Afinal quem foi tentando no Livro de Jó: Deus? Lúcifer? Jó? |
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| Perspectivas teológico-literárias do texto apócrifo: 'Apocalipse de Baruch'
por Silvana de Gaspari Resumo Apócrifo significa literalmente secreto, oculto. Ao longo do tempo, passaram a ser chamados apócrifos os textos ou os fatos sem autenticidade ou que não tiveram esta autencidade comprovada pelas igrejas cristãs. Por este fato, os textos apócrifos são muitas vezes marginalizados enquanto literatura. Estes textos foram assim classificados ao serem banidos do cânon ~bíblico cristão em 325 d. C., durante o Concílio de Nicéias, quando, então, foram separados os Evangelhos Canônicos dos Apócrifos. O 'Apocalipse de Baruch', ou '2 Baruch', composto provavelmente no final do século I d. C., em hebraico 8versão desaparecida), chegou até nós em uma versão em siríaco. O presente artigo procurará construir os personagens de Deus e de Baruch a partir dos diálogos apresentados ao longo da narrativa. Ainda como ponto de reflexão dos autores do presente artigo, fica a questão: é comum Deus se utilizar de palavras para se comunicar com os homens, como o apresentado no texto em questão? Co-autor: Diogenes Braga Ramos - UFSC |
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| O “efeito Madalena” na teologia e na literatura. Três casos exemplares: O Pseudo- Dionísio, Adélia Prado e Hilda Hilst
por Waldecy Tenório Lima Resumo O Pseudo-Dionísio, o Aeropagita, recomenda ao seu leitor que se lembre das muitas passagens bíblicas nas quais Deus é celebrado em termos eróticos. Esta comunicação pretende ir além e recomendar ao leitor que se lembre não só das passagens bíblicas mas de passagens da literatura em geral em que isso também acontece. Pontuando a questão, trata-se de aproximar literatura, teologia e erotismo, estabelecendo uma relação entre o Pseudo-Dionísio e duas autoras brasileiras. Pontuando ainda mais, trata-se de ver que Deus é celebrado em termos eróticos na Bíblia, na teologia do Pseudo-Dionisio e na poesia de Adélia Prado e Hilda Hilst, duas autoras que refletem o chamado “Efeito Madalena”, ou seja, a resposta feminina ao “desejo amoroso” do Deus bíblico. |
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| O diabo caribenho de García Márquez
por Júlio César Neves Monteiro Resumo A literatura hispano-americana, tributária das literaturas européias e, por conseguinte, da cultura judaico-cristã, é campo fértil para análise de elementos do imaginário cristão.Este trabalho pretende examinar a presença do diabo, em suas diferentes manifestações, no livro Del amor y otros demonios de Gabriel García Márquez. Embora possa parecer estranho analisar a presença do diabo em uma obra do chamado realismo mágico, mais lembrado por sua libertária celebração da vida e da superação de limites físicos e psicológicos, o diabo apresenta-se como figura principal neste livro de García Márquez, a ponto de permear a trajetória de todos os personagens sem, no entanto, aparecer ele mesmo como personagem: é representado pelo discurso de diversos personagens, apresentando-se de forma multifacetada, sob medida para representar ora a misoginia da Igreja, ora os cultos de origem africana, ora a exuberância da natureza americana. A representação literária da realidade por vezes insólita do continente americano atinge um de seus pontos altos nessa obra e em seu não-personagem principal, o demônio. |
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